Francisco Langeani

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Entrevista com o Dr. Francisco Langeani(Kiko)do IBILCE.

SAMBIO: O que é o IBILCE?

Kiko: O IBILCE, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, é uma das unidades da UNESP, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, situado no município de São José do Rio Preto. Ao instituto estão vinculados vários departamentos de ensino e pesquisa que atuam nos diversos cursos de graduação e pós-graduação oferecidos.

SAMBIO: Qual seu nome, formação acadêmica e função no IBILCE?

Kiko: Francisco Langeani Neto. Licenciado Pleno pela Universidade Federal de São Carlos; Mestre e Doutor em Ciências Biológicas (Zoologia) pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo; Livre-Docente em Ictiologia Sistemática pela UNESP. Atualmente sou Prof. Adjunto do Departamento de Zoologia e Botânica e atuo nos cursos de Graduação em Ciências Biológicas e Pedagogia e nos Programas de Pós-Graduação em Biologia Animal (Vice-Coordenador) e em Aquicultura.

SAMBIO: Quais as Coleções Biológicas existentes no IBILCE?

Kiko: Em nosso Instituto existem coleções de plantas e de animais (acrônimo DZSJRP) envolvendo os grupos de ácaros, insetos sociais, anfíbios, morcegos e peixes. O material conservado pelas coleções pode ser consultado no sítio do Centro de Referência em Informação Ambiental, CRIA – (http://www.splink.org.br).

SAMBIO: Qual a importância destas Coleções para os Programas de Pós Graduação?

Kiko: As coleções são fundamentais ao desenvolvimento da grande maioria das pesquisas e projetos de nossos programas, bem como de diversos outros ligados ao estudo de biodiversidade, servindo como fontes de material para as análises e depositárias de material testemunho de estudos.

Kiko: Qual a importância destas Coleções para o restante da comunidade acadêmica e científica?

Kiko: Nossas coleções tem recebido consultas, pedidos de empréstimo, visitas técnicas e científicas de estudantes e pesquisadores de diversas sub-áreas das Ciências Biológicas do Brasil e do exterior. Nossas bases de dados tem contribuído para o estabelecimento de políticas públicas, visando a conservação de ambientes naturais, e para a elaboração de listas de espécies ameaçadas. Ainda, as coleções servem como fiéis depositárias de material testemunho de pesquisas científicas e estudos técnicos.

SAMBIO: Qual a importância destas Coleções para a sociedade?

Kiko: As coleções biológicas são fontes de informação, presente e passada, sobre a diversidade biológica. As coleções conservam, para o registro e análise, exemplares da fauna nativa, alóctone e exótica amostrados em diversas regiões e biomas brasileiros. Grande parte de nosso conhecimento da diversidade biológica deriva de estudos de material em coleções biológicas.

SAMBIO: Qual o papel e significado de um Curador de uma Coleção Biológica?

Kiko: O curador é o responsável pelo gerenciamento, manutenção e desenvolvimento da coleção. Isso envolve a definição das características mais específicas do acervo, a obtenção de recursos financeiros, a atração de pesquisadores temporários (pós-doutorandos) e permanentes. Além disso, atua também na direção e orientação das atividades do pessoal técnico vinculado, de modo a que o acervo esteja sempre bem organizado e disponível às consultas presenciais e por via remota.

SAMBIO: Um único Curador atende a todos os grupos biológicos ou é conveniente um Curador para cada grupo? Por quê?

Kiko: Não, um único curador não consegue atender de maneira adequada e eficiente a todas as demandas das coleções, que são frequentes, numerosas e, muitas vezes, específicas de cada grupo biológico. Por isso, o curador deve ser especialista naquele grande grupo taxonômico. Em nosso instituto, temos pelo menos um curador para cada uma das coleções.

SAMBIO: Quais as demais funções necessárias em uma Coleção Biológica? Que níveis de formação são recomendáveis para cada função?

Kiko: É imprescindível que haja um corpo técnico associado a cada coleção, idealmente com formação em curso superior, e cujo tamanho irá depender do tamanho do acervo. Como exemplo, na nossa coleção de peixes, hoje com cerca de 19.000 lotes, há uma bióloga que atua na curadoria em parte de seu tempo e não consegue suprir toda a demanda de serviço; o restante é realizado por bolsistas temporários de apoio técnico.

SAMBIO: Quais são hoje as principais dificuldades que as Coleções Biológicas brasileiras atravessam hoje em dia?

Kiko: As dificuldades são várias, desde a falta de espaço físico, inadequação do espaço, falta de pessoal, falta de orçamento, falta de manutenção, dificuldade de acesso e de consulta ao acervo. Em nosso caso específico, uma das dificuldades principais é não haver na UNESP a função de curador de coleção biológica, embora existam as pessoas que desempenham essa função. Todos os nossos curadores são docentes que acumulam a curadoria com todas as demais atividades acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão de serviços à comunidade. A falta de pessoal exclusivo e permanente leva a que parte das atividades de curadoria sejam realizadas por alunos de graduação ou pós-graduação, o que obriga a que se tenha que formar novas pessoas com muita frequência. Outro aspecto relevante é a falta de orçamento específico para as coleções, o que obriga à busca de auxílios junto aos órgãos de fomento.

SAMBIO: Quais as formas de superar estas dificuldades?

Kiko: Contratação de pessoal técnico permanente e exclusivo e dotação orçamentária própria; formação de pessoal especializado; estabelecimento de políticas públicas permanentes para criação de coleções biológicas e para a melhoria da infra-estrutura física e de pessoal das coleções existentes.

SAMBIO: Você conhece as Coleções Biológicas do Museu de Biologia Mello Leitão? Qual a importância destas coleções no cenário nacional?

Kiko: Sim. Com relação especificamente aos peixes de água doce, diversas pesquisas realizadas pela nossa equipe tem se beneficiado de material do Mello Leitão, que conserva material ictiológico de uma área geográfica brasileira pouco representada em outras coleções.