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| Leandro Pimentel |
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| “Quer diminuir a violência? Proíba a fabricação de arma individual. O difícil é vencer o lobby das fábricas’’ Evandro Lins e Silva |
O
senhor continua contrário à pena de morte e à prisão
perpétua?
Claro. São dois absurdos. O sujeito
tem que viver com a esperança de ser libertado. Posso dizer que sou
contra a prisão como método penal. Preso segregado só deve ser quem
é perigoso porque pode pôr em risco a vida de outros. O crime contra
a propriedade sem violência, não devia dar cadeia. A cadeia não
recupera ninguém. Ao contrário, ela despersonaliza e estigmatiza o
cidadão, que não pode mais trabalhar. Você tem de encontrar maneiras
alternativas de manifestar a reprovação da sociedade contra um
crime. Pode ser uma sanção, multa, exílio ou redução de direitos
civis, dependendo do caso.
E
qual seria a pena para quem comete crimes hediondos?
No caso de alguém que põe em risco a
comunidade, a solução é segregar como um louco. Na década de 20, um
sujeito chamado Febrônio estuprava e matava meninos na mata da
Tijuca, no Rio. O juiz o condenou a permanecer num manicômio
judiciário até que ficasse bom. Ele ficou preso durante mais de 40
anos.
O
que achou dos indultos concedidos a Guilherme de Pádua e a Paula
Thomaz, assassinos da atriz Daniella Perez?
Não
vejo problema algum. Eles sofreram punições como deviam, a sociedade
manifestou sua reprovação pelo crime. Agora eles já pagaram a
dívida. Tem certas pessoas que praticam crimes impulsionadas por um
sentimento que não é vil, a distorção da compreensão do amor que
leva ao desespero. Cansei de dizer isso no júri. Defendi vários
passionais e não tenho um só caso de reincidência entre eles. Nesse
tipo de caso, o sujeito quando mata não se reconhece a si mesmo,
está movido por uma explosão de ódio que o
despersonaliza.
O
deputado federal José Genoino, do PT, defendeu a volta da Rota às
ruas de São Paulo. O que acha da idéia?
Sou
absolutamente contrário a isso. É uma violência.
Qual
a melhor maneira de combater o crescimento do crime organizado e o
tráfico de drogas nas grandes cidades?
O
fundamental é prevenir. Para acabar com o crime, você tem que
governar melhor o País. Dar condições a um pai de mandar os filhos
para a escola. A distribuição de renda está se tornando cada vez
mais injusta. Há no Brasil de 40 milhões a 50 milhões de pessoas que
não produzem nada. Hoje o MST está aí, um movimento social que é a
continuação do Abolicionismo. Nabuco, Rui Barbosa e Silva Jardim já
diziam que era indispensável a reforma agrária quando houvesse a
abolição. Claro, porque para onde iriam os negros? Eles só deixaram
de ser mercadoria, mas a desigualdade aumentou.
O
senhor sugeriria alguma mudança no Código Penal
brasileiro?
Quer diminuir a violência? Proíba a
fabricação de arma individual. Só permita a requisição do governo
para as Forças Armadas e polícias. A arma é o fator preponderante
para a prática do crime mais grave, que é o de morte. O difícil é
vencer o lobby das fábricas.
Qual
foi o processo mais marcante em que
atuou?
Procuro sempre dizer que é o próximo.
Mas alguns foram curiosos, como quando defendi o cineasta Nelson
Pereira dos Santos. O filme dele, Rio 40 Graus, tinha sido proibido
pelo chefe de polícia, com o argumento de que denegria a imagem do
País porque, segundo o chefe, nunca havia feito 40 graus no Rio.
Consegui o mandado e o filme foi liberado.