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O avião
Texto de Thich Nhat Hanh,
extraído do livro"Flamboyant em chamas"

Um dia, enquanto estava muito absorta tocando flauta, um avião sobrevoou a floresta. Passou tão baixo que a floresta toda estremeceu. As asas desse avião quase esbarraram nas árvores. Erguendo os olhos, viu uma nuvem branca e espessa que descia sobre ela. Não sabia que o avião lançava produtos químicos para desfolhar as árvores, mas sentiu algo no nariz e nos olhos. Sufocada, gritando, caiu no chão e desmaiou.

Uma hora mais tarde, a mãe encontrou-a e carregou-a até em casa. Tentou reanimá-la, mas não conseguiu. T’ô não acordava. A mãe de T’ô correu até a Aldeia de Baixo para pedir ajuda. Quando voltou com uma enfermeira, T’ô estava acordada chamando pela mãe. A enfermeira lhe deu uma injeção. Mas T’ô se queixava: os olhos doíam e mal podia enxergar.

A enfermeira aconselhou levar T’ô ao hospital, o que levaria pelo menos um dia de viagem. As duas foram até lá, mas os médicos apenas ergueram os braços em sinal de desespero. T’ô ficou cega pouco tempo depois.

Tendo ouvido dizer que T’ô estava cega, uma das suas colegas, chamada Mai, fez o caminho todo desde a Aldeia de Baixo. Mai tinha um ano a mais do que T’ô e segurou as mãos dela entre as suas. As duas garotas choraram suavemente. Quando partiu, Mai prometeu voltar. Mas não houve outra visita, pois logo após a família de Mai precisou partir à procura de meios de subsistência.