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Buscando a mãe
Texto de Thich Nhat Hanh,
extraído do livro"Flamboyant em chamas"

—Oh! Má, Má! Onde está você, Má? — T’ô começou a gritar. — Alguém viu minha Má? Por favor, digam-me se vocês viram minha Má?

Várias mulheres, que estavam ao seu lado, sacudiram negativamente a cabeça.

— É claro que não viram Má! — Thach Lang afirmou a T’ô. — Elas procuram os membros da própria família. Vamos embora!

Procuraram no mercado todo. Thach Lang guiando T’ô, segurando-a pela mão, e T’ô perguntando-lhe onde iam. Embora T’ô não pudesse ver, podia sentir, quase ouvir, desolação e dor em torno dela. Era primavera, mas tudo agora apresentava apenas sofrimento e desespero. Tinham desaparecido os risos das crianças que brincavam ou os dos adultos que estavam batendo papo. Cada vez que T’ô ouvia passos se aproximarem dela, parava e perguntava:

— Oh! Tia (ou tio), você viu minha Má? E cada vez a resposta era negativa. Ninguém tinha visto sua Má. A mãe não estava tampouco entre os mortos nem entre os feridos da praça do mercado. Onde estava ela, então? Eles retornaram àquilo que tinha sido o mercado e, afinal, encontraram alguém que tinha visto sua mãe. Era uma velha com mais de setenta anos.

— Sim, eu vi sua mãe, com uma garrafa na mão — disse ela. — Estava saindo da loja de óleo e se dirigindo para o mercado. Sim, mas o obus já tinha caído e explodido.

Foi a única informação. Os homens que estavam perto das crianças disseram que muitos aldeões tinham sido levados. Mas T’ô raciocinou que a mãe não era um homem: não podia ter sido levada pelos agressores. T’ô puxou Thach Lang pela manga e recomeçaram a procurar na Aldeia. Bateram em cada porta e fizeram perguntas. Não deixaram inexplorado nenhum canto, nenhum abrigo. Mas não puderam encontrar a mãe.

Tinha caído a noite e já começava a ficar escuro. T’ô sugeriu retornarem para perto do grande flamboyant a fim de procurar os bolinhos de arroz-doce, que foram encontrados intactos e então comidos. Depois, subiram na carroça. Estava fazendo frio. Embora as folhas da grande árvore os protegessem do denso orvalho, estavam sentindo muito frio. Estreitaram-se um contra o outro e adormeceram, acordando várias vezes durante a noite.