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O COPO DE ÁGUA
de Charlotte Joko Beck
Palestra do Darma
Tradução para o português de
Maria Heleosina Ribeiro Pessôa


Nossas vidas estão sempre variando entre felicidade e infelicidade, ou algumas vezes entre felicidade relativa e infelicidade relativa. Ela está se transformando, mudando, e nós ansiamos por um alicerce, uma base de paz e estabilidade. Isto é natural, mas a maior parte de nós passa a vida procurando, procurando, procurando, pela base que nunca encontramos.

Podemos achá-la? Sim – se nós compreendermos e lidarmos com o problema envolvido. Até que façamos isso, nós procuramos por um alicerce fora de nós mesmos, nós buscamos com esperança por uma pessoa ou situação ou sistema de crença que irá nos suprir com o que nós acreditamos que nos falte. As ilusões de amor romântico, do trabalho ou parceiro perfeito, tudo acenando para nós como se fosse a Sereia de Odisseu. Se nós não entendermos, de tempos em tempos, nosso pequeno barco irá espatifar-se nas rochas ocultas.

Mas o outro lado de tais desgraças é o amanhecer, o início do reconhecimento de que cada episódio duro na vida pode ser nosso verdadeiro professor, cada dificuldade é, tal como um sutra diz, "o Buda que vem para nos saudar". Nós acordamos lentamente para o conhecimento de que a base espiritual que procuramos não é uma vida para além da desgraça e da dor, mas o abraço entre a desgraça e a dor à medida que eles ocorrem.

Se nós quisermos beber de uma água refrescante (da vida), nós não podemos separar as moléculas que nós achamos que serão agradáveis e saborosas para nós. Se fizéssemos (ou pudéssemos) nós não estaríamos bebendo água mas uma monstruosidade de nossa própria criação. De forma similar, se nós recusarmos a experiência direta, e algumas vezes dolorosa, deste momento, nós somos deixados cozinhando em fogo lento em nossa confusão de pensamentos de censura, crítica, julgamento ou fuga. Para conhecer a totalidade da vida, temos de beber todo o copo de água, temos que vivenciar a experiência do momento como ele é, não a versão distorcida dele que minha mente pode engendrar.

Uma vez que o copo inteiro não é nada mais do que a totalidade de cada momento –inevitável, sempre presente -- quando nós estamos dispostos a vivenciar a experiência de nosso medo e dor diretamente, a totalidade (a base, o alicerce) de nossa vida é revelada como o milagre que é. Simples, sim. Fácil, não. Para a maioria de nós, esta é uma prática para toda uma vida. Entretanto, a base (sempre lá) é mais e mais conhecida para nós como estando lá. A boa vida.




by Charlotte Joko Beck
Dharma Talk
Retirado do site www.prairiezen.org



Our life is always varying between happiness and unhappiness, or sometimes between relative happiness and relative unhappiness. It is shifting, changing, and we long for a bedrock of peace and stability. It is natural to do so, but most of us spend a lifetime seeking, seeking, seeking, for a bedrock we never find.

Can we find it? Yes -- if we comprehend and deal with the problem involved. Until we do, we seek the bedrock outside of ourselves; we hunt with hope for the person or situation or belief system which will supply us with that which we believe we lack. The illusions of romantic love, of the perfect (and nonexistent life) work or partner (or home or living situation) all beckon to us like the Sirens to Odysseus. If we don't understand, time after time our little ship will be shattered on hidden rock.

But the other side of such disasters is the dawning recognition that each rough episode in life can be our true teacher; each difficulty is, as one sutra says, 'the Buddha come to greet us.' We slowly awaken to the knowledge that the spiritual bedrock we seek is not a life beyond disaster and pain, but the embracing of disaster and pain as they occur.

If we want a refreshing drink of water (of life), we cannot separate out the molecules that we think will be pleasing and tasty for us. If we do (or could) we would not be drinking water but a monstrosity of our own creation. Similarly, if we refuse the direct, and sometimes painful, experience of this moment, we are left stewing around in our usual thinking muddle of blame, criticism, judgment, or avoidance. To know the wholeness of life, we have to drink the whole glass of water; we have to experience the moment as it is, not the distorted version of it that my mind can concoct.

Since the whole glass is nothing but the wholeness of each moment -- unavoidable, ever present -- when we are more willing to experience our fear and pain directly, the wholeness (bedrock) of our lives is revealed as the miracle it is. Simple, yes. Easy, no. For most of us, this is practice for a lifetime. However, the bedrock (always there) is more and more known to us as being there. The good life.