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ZAZEN - COMO SENTAR
Yasutani Hakunn
Texto extraído de
"Os três pilares do Zen"
de
Philip Kapleau


O primeiro passo é escolher um quarto silencioso para sentar-se. Estendam uma esteira ou um tapete, de um metro quadrado e relativamente macio e coloquem em cima uma almofada pequena e circular, medindo mais ou menos trinta centímetros de diâmetro, para se sentarem, ou usem uma almofada quadrada dobrada em duas. Preferível não usar nem calças nem meias, uma vez que podem interferir no cruzamento das pernas e na colocação dos pés. Por uma série de motivos é melhor sentar na postura inteira do lótus. Para se sentar em postura inteira do lótus coloquem o pé da perna direita por cima da coxa da esquerda e o pé da perna esquerda sobre a coxa da direita. A coisa mais importante desta forma particular de sentar-se é que, pelo estabelecimento de uma base ampla e sólida, com as pernas cruzadas e ambos os joelhos tocando a esteira, consegue-se uma absoluta estabilidade. Com o corpo assim imóvel, os pensamentos não são estimulados à atividade pelo movimento físico e a mente mais facilmente se tranqüiliza.

Se tiverem dificuldade de sentar na postura do lótus, por causa de dor, sentem-se em meio-lótus, o que se faz colocando o pé da perna esquerda sobre a coxa direita. Para aqueles que não estão acostumados a sentar com as pernas cruzadas, mesmo esta posição poderá ser difícil de se manter. Vocês com certeza vão achar difícil deixar os dois joelhos repousando na esteira e terão de empurrar um ou ambos os joelhos para baixo várias vezes, até que permaneçam aí. Em ambas as posturas de meio ou inteiro lótus, pode-se trocar o pé que está por cima quando as pernas se cansarem.

Para os que acharem ambas as posturas do zazen horrivelmente desconfortáveis, existe uma postura alternativa japonesa tradicional, que é sentar-se sobre os calcanhares e a barriga das pernas. Esta pode ser mantida por um tempo mais longo se uma almofada é colocada entre os calcanhares e as nádegas. Uma vantagem desta postura é que as costas podem se manter facilmente eretas. Entretanto, se todas as posições forem dolorosas, poderão usar uma cadeira.

O passo seguinte é descansar a mão direita no colo, palma para cima, e colocar a mão esquerda, palma para cima, por cima da palma direita. Toquem levemente as pontas dos dedos polegares uma na outra, de modo que um círculo achatado seja formado pelas palmas e os dedos polegares.

Ora, o lado direito do corpo é o pólo ativo e o esquerdo o passivo. Assim, durante a prática reprimimos o lado ativo, colocando o pé esquerdo e a mão esquerda sobre os membros direitos, como um auxílio para conseguir o mais alto grau de tranqüilidade. Se, entretanto olharem uma figura de Buda, vão notar que a posição destes membros é exatamente o contrário. O sentido disto é que Buda, diferente de todos nós, está ativamente engajado na missão de salvar.

Depois de terem cruzado as pernas, inclinando-se para frente a fim de empurrar as nádegas para fora, então devagar levem o tronco para a postura ereta. A cabeça deve ficar ereta; olhando-se de lado, as orelhas devem estar numa linha reta com os ombros e a ponta do nariz numa linha com o umbigo. O corpo, da cintura para cima, deve estar leve, livre de pressões e tensões. Conservem os olhos abertos e a boca fechada. A ponta da língua deve tocar de leve a parte posterior dos dentes superiores. Se fecharem os olhos, vocês cairão num estado de embotamento e de sonho. O olhar fixo deve ser abaixado sem focalizar em coisa alguma particular. A experiência tem demonstrado que a mente fica mais quieta com o mínimo de fadiga, ou tensão, quando os olhos estão nesta posição, bem baixos.

A coluna vertebral deve estar sempre reta. Esta recomendação é importante. Quando o corpo cai bruscamente, não só se coloca uma pressão indevida sobre os órgãos internos, interferindo em seu livre funcionamento, como as vértebras, entrando em contato com os nervos, causam tensões de um ou outro tipo. Desde que o corpo e a mente são uma coisa só, qualquer distúrbio nas funções fisiológicas inevitavelmente envolve a mente e diminui assim sua clareza e atenção, que são essenciais a uma concentração efetiva. Num ponto de vista puramente psicológico, a posição ereta em vareta é tão indesejável quanto uma posição negligente, pois uma faz brotar do inconsciente o orgulho e a outra o aviltamento e, desde que ambas estão radicadas no "ego", são igualmente um obstáculo para a iluminação.

Tenham cuidado em conservar a cabeça ereta, pois se ela se inclinar para frente ou para trás ou para os lados, e assim ficar por um tempo apreciável, poderá advir uma câimbra. Depois de se colocarem numa postura correta respirem profundamente, prendam a respiração por um momento, e exalem suavemente e sem ruído. Repitam isto duas ou três vezes, sempre respirando pelo nariz. Depois disto respirem naturalmente. Quando se tiverem acostumado com esta rotina, uma só respiração profunda no início será suficiente. Agora inclinem o corpo primeiro para a direita o mais possível, depois à esquerda, umas sete ou oito vezes, em grandes arcos, para começar, depois em arcos menores até que o tronco venha naturalmente para o centro e repouse ai.

Agora vocês estão prontos para concentrar a mente.