Pai Chang Huai Huai

Pai Chang Huai Huai (749-814)
Referências
Varenne
Nam Huai-Chin
Discípulos
Textos
Linhagem


Referências
1

Pai-Chang Huai-hai (Hyakujo Ekai) foi um mestre ch’an, que recebeu a transmissão do Dharma de Ma-tsu

e transmitiu o Dharma para Huang-po, mestre de Rinzai.
Pai-Chang é o personagemm do segundo koan no mumonkan (Raposa de Hyakujo) raposa do Hyakujo é considerado um do mais complexo koans contendo vários hua-tou (wato).

Pai-Chang foi o fundador do Ch’an como uma tradição monástica e estabeleceu as regras para a vida monastica no Ch’an e para as rotinas diárias, como prática de trabalho, refeições, zazen, etc. Ele conhecido por ter dito:, “Um dia sem trabalho é um dia sem comida.” Ele enfatizou a importância de combinar a prática do Zazen com o trabalho diário e também a importância do estudo do sutra.

Pai Chang escreveu ainda o Tun-wu ju-Tao yao-men-lung* que é um texto sobre a “iluminação súbita.”
*The Zen Teaching of Hua Hai on Sudden Illumination (London 1962–J. Blofeld)



Referências
2

Baizhang Huaihai (Pai-chang Huai-hai, Hyakujo Ekai), 720-814.
Dazhi (Tao-chih) é um título póstumo. Um Herdeiro de Dharma de Mazu Daoyi. Entre seus Herdeiros de Dharma incluem Guishan Lingyu e Huangbo. Baizhang é creditado por ter criado a base para o shingi ou regras de comportamento usadas hoje em monastérios Zen. Seus ensinos e ditos foram traduzidas em The Zen Teaching of Huai-Hai on Sudden Illumination por John Blofeld, Rider and Co., 1962 e Sayings and Doings of Pai-Chang por Thomas Cleary, Center Publications, 1978. Yunyen Tansheng estudou com Baizhang durante vinte anos pratindo para estudar com Yaoshan depois da morte de Baizhhang, por conselho de Daowu. Ele aparece em “Registros do Precipício Azul” 26, 53, 70, 71, 72, “Registros do Silêncio” 8, e “Gateless Gate” 2, 40. Ver o Shinjin Gakudo de Dogen, Chiji Shingi.


Lendo os contos e histórias do Zen, podemos supor que a vida dos monges decorria de uma maneira quase anarquista, sem regras e sem cerimônias.

Não é verdade. Uma disciplina rigorosa geria a vida nos monastérios. O espírito só revela sua verdadeira medida, só se expande livremente, libertando-se de seus apegos e conflitos sob coerção.

Fiéis às escrituras (notadamente à vinaya, regra monástica instituída pelo Buda), os mestres do Tch’an propõem uma vida simples fundamentada nos trabalhos manuais e obrigatória para todos, sem exceção.

Deve-se a Huai Huai a codificação do sistema monástico que haveria de prevalecer na China por séculos e preservá-lo da grande repressão enfrentada pelo budismo em 845.

Os mandarins confucionistas nunca puderam incriminar os praticantes do Tch’an, que sempre viveram pobres, longe da política, subsistindo à custa do trabalho manual, sem mendicância ou amparo oficial, afastados da Corte e das intrigas palacianas (nas quais se envolveram outras seitas budistas).

A frase de Huai Huai: “Um dia sem trabalhar, um dia sem comer”, é observada ainda em nossos dias pelos monges japoneses Soto e Rinzai.

De alguma forma, ela garantia a autenticidade da prática cotidiana, protegendo-a das influências exteriores e das intrigas mundanas.

Huai Huai insistia particularmente na observância das normas morais. Provam-no os votos pronunciados pelos noviços:

— Não matar.
— Não roubar.
— Não cometer o pecado sexual.
— Não mentir nem tagarelar.
— Não comer fora do horário das refeições.
— Não possuir ouro ou outros bens.
— Não sentar nem dormir numa cama alta e larga.

A mera enunciação dessa regra desmente os comentários de certos exegetas “modernos” que tentam impingir a imagem de um Tch’an “anarquista”, senão’ ‘ateu”…

Apesar da petulância e liberalidade de seu linguajar, de seus sermões grosseiros, os mestres Tch’an não deixavam de ser religiosos, budistas cheios de fé, presos a uma regra e a uma ascese monacal muito exigente.


Biografia do Mestre Zen Baizhang


Segundo consta na Gaoseng Zhuan ou Biografias de Monges Eminentes obra da dinastia Sung:

O monge budista [Baizhang] Huaihai era originário da província Fujian. Na juventude ele abandonou a casa decadente [da existência mundana] e viajou para muitos centros Zen. Era de natureza espontânea e não seguia o impulso de outros. Tendo escutado que Mazu começara a lecionar em Nankang, decidiu tornar-se seu discípulo. Foi até ele vazio e voltou cheio, e tornou-se de fato um iniciado Zen, um artesão da escola Zen.

Em seguida, patronos fiéis do Budismo convidaram Huaihai para estabelecer residência em Xinwujie. Lá havia uma montanha íngreme de uns trinta mil metros, que foi denominada o Promontório de Baizhang (Baizhang significa uma medida chinesa equivalente a uns trinta mil metros). Quando Huaihai vivia lá, viajantes Zen vinham de perto e de longe, enchendo o salão de ensino.

Baizhang dizia: “Estamos praticando o Mahayana Dharma. Como então poderíamos seguir as práticas disciplinares das escrituras Hinayana?” Alguém então lhe perguntou: “Há preceitos disciplinares no Yogacharabhumi Shastra e na Escritura sobre a Guirlanda dos Feitos Fundamentais dos Bodhisattvas. Por que não os seguimos?”

Baizhang retrucou: “Tenho estudado amplamente as escrituras Hinayana e Mahayana e combinei elementos de ambas para estabelecer um conjunto de regras e deveres e usei o que elas apresentam de bom. Por isso, decidi não seguir o velho sistema de disciplina, mas montar um separado para as comunidades Zen.”.

Desde que Bodhidharma transmitiu o Dharma para a China até o Sexto Patriarca, aqueles que atingiam a visão do Dharma denominavam-se “anciãos”. É o mesmo que acontece na prática das regiões ao oeste (Ásia central e Índia), onde chamam aqueles

que foram monges por muito tempo e alcançaram uma posição elevada no Caminho por um nome que tem a conotação de “ancião”. Todavia, muitos monges que vivem em templos Vinaya acham que os outros templos budistas são desviados.

Segundo Baizhang, não fazia diferença a posição de um monge, todos deviam ir ao salão, onde era instalado um longo e contínuo banco de meditação com suportes de madeira para que eles pendurassem suas mochilas, tigelas e mantos. Ao deitar, os monges tinham que usar um travesseiro inclinado, o que era chamado dormir com uma espada. Os que tinham ficado em meditação por longo tempo só podiam fazer um breve descanso. Os monges deviam praticar a meditação da manhã à noite, fazendo as refeições nas horas apropriadas.

Baizhang transmitiu aos monges disciplina e frugalidade. Instituiu a prática do chamado geral ao trabalho e ensinou que todos os monges, de alta ou baixa categoria, deviam trabalhar em bases iguais. O mais velho da comunidade morava em um quarto de um metro quadrado, como o quarto de Vimalakirti. Os templos Zen não deveriam ter um santuário com a imagem de Buda, mas somente um salão do Dharma, mostrando que o Dharma vai além da expressão verbal e das imagens. As outras regras [dispostas por Baizhang] eram o dobro mais rígidas do que as ensinadas pelos mestres Vinaya.

Todas as comunidades Zen da China submeteram-se às Regras Puras de Baizhang assim como o pasto se inclina com o vento. As práticas especiais da escola Zen tiveram início com Baizhang.

Baizhang morreu no nono ano da era Yuanhe (814 d. C.), no décimo sétimo dia do primeiro mês, quando tinha oitenta e cinco anos. Nascera no décimo sexto ano da era Kaiyuan [728]. No primeiro ano da era Changch’ing do Imperador Mazong [821], ele recebeu o título de “Mestre Zen de Grande Sabedoria” emitido por decreto imperial.


A Iluminação do Mestre Zen Baizhang

A história Zen denominada “O Registro do Apontar para a Lua” (Zhi Yue Lu) diz:

O mestre Zen Huaihai da Montanha Baizhang em Hongzhou era originário de Changle em Fuzhou, filho da família Wang.

Quando menino, acompanhou a mãe a um templo onde se curvaram diante de uma imagem de Buda. Apontando para a imagem, ele perguntou: “Quem é este?” e sua mãe respondeu, “Buda”. Ele disse, “Em forma ele não é diferente de um homem. Mais tarde eu também serei um buda.”

Quando jovem ele deixou para trás a vida mundana e praticava os três estudos de disciplina,, concentração e sabedoria. Estudou com Mazu e serviu como seu assistente. Sempre que os doadores faziam oferendas de comida vegetariana, assim que Baizhang levantava a tampa da tigela, Mazu pegava um bolinho e mostrando-o à assembléia dizia, “O que é isto?”, ato repetido muitas vezes.

Certo dia, quando Baizhang acompanhava Mazu numa caminhada, eles avistaram um bando de patos selvagens voando. Mazu perguntou “O que é aquilo?” Baizhang disse, “Patos selvagens”; “Patos selvagens”, repetiu Mazu, “Para onde foram?” e Baizhang respondeu, “Voaram por aqui”. Mazu então torceu o nariz de Baizhang que gemeu de dor. Mazu disse, “Você insiste que eles voaram?” E com estas palavras Baizhang teve um instght, intuindo a verdade.

Baizhang voltou chorando ao alojamento dos assistentes. Outro assistente lhe perguntou, “Está pensando em seus pais?” ao que Baizhang respondeu “Não”. “Alguém o repreendeu?” ao que Baizhang respondeu “Não”. “Então por que está chorando?” e Baizhang disse, “O mestre torceu meu nariz e ainda está doendo.” O outro assistente perguntou, “Houve algum desentendimento?” ao que Baizhang retrucou, “Vá você mesmo perguntar ao mestre.” O assistente foi perguntar a Mazu, “Houve algum desentendimento com o assistente Huaihai? Ele voltou ao alojamento chorando. Mestre, espero que possa me explicar por quê.”. Mazu falou, “Ele compreende. Vá perguntar a ele.” Ao voltar para o alojamento, o assistente disse a Baizhang, “Nosso mestre diz que você compreende e me pediu que lhe perguntasse.” Baizhang então caiu na gargalhada. O outro assistente reagiu, “Um momento atrás você chorava, por que está rindo agora?” ao que Baizhang respondeu, “Um momento atrás eu chorava e agora estou rindo.” O outro assistente ficou perplexo.

No dia seguinte, quando Mazu dirigiu-se ao assento do mestre [no salão do Dharma], assim que a congregação se reuniu, Baizhang veio à frente e desenrolou sua esteira. Mazu então abandonou seu assento. Logo depois Baizhang foi aos aposentos particulares de Mazu e escutou as palavras dele, “Agora mesmo, por que você desenrolou sua esteira antes que eu tivesse pregado o Dharma?” Baizhang disse, “Ontem o mestre torceu meu nariz e doeu.” Mazu perguntou, “Onde é que guardava sua mente ontem?” ao que Baizhang retrucou, “Hoje meu nariz já não dói.” Mazu disse, “Você entende profundamente o negócio de ontem.” Baizhang saudou-o retirando-se.

Em outra ocasião, quando Baizhang atendia Mazu, os olhos de Mazu pousaram no bastão pendurado no canto do banco de meditação. Baizhang disse, “Você funciona em fusão com isto ou desapegado disto?” Mazu respondeu, “No futuro, quando abrir a boca, o que usará para ensinar as pessoas?” Baizhang pegou o bastão, segurando-o ereto. Mazu disse, “Vai funcionar desapegado disto ou em fusão com isto?” Baizhang pendurou o bastão onde estivera antes. Mazu deu um grito impressionante, que deixou Baizhang surdo por três dias.

Não muito depois disto, quando Baizhang estava na montanha Daxiong, sua habitação ficava num penhasco íngreme e por isto se chamava Baizhang. Os alunos iam até ele aos bandos. Certo dia, Baizhang disse à assembléia, “O Dharma de Buda não é coisa pequena. No passado Mazu deu um grito que me deixou surdo por três dias.”

  1. Extraído do site http://www.kaihan.com/.
  2. Extraído de “Ensinos do Mestre Zen Anzan Roshi”(texto compilado pelo Ven. Jinmyo Fleming ino e traduzido ao Português por Claudio Miklos.
  3. Extraído de “O Zen” de Jean-Michel Varenne
  4. Extraído de “Breve história do budismo” de Nam Huai-Chin

Entre os discípulos de Pai Chang Huai Huai estão: Huang-po Eu-ts’un, Tao-wu Yuan-chih, Kuei-shan Ling-yu, Yun-yen T’an-sheng e Ch’ang-ch’ing Ta-an.


Textos
Vinte Regras Essenciais para a Comunidade Zen



Linhagem Rinzai de Koryu Osaka

    ÍNDIA

  1. MAKAKASHO
  2. ANANDA
  3. SHONAWASHU
  4. UBAGIKUTA
  5. DAITAKA
  6. MISHAKA
  7. BASHUMITSU
  8. BUTSUDANANDAI
  9. FUDAMITA
  10. BARISHIBA
  11. FUNAYASHYA
  12. ANABOTEI
  13. KABIMORA
  14. NAGYAHARAJUNA
  15. KANADAIBA
  16. RAGORATA
  17. SOGYANANDAI
  18. KAYSHATA
  19. KUMORATA
  20. SHAYATA
  21. BASHUBANZU
  22. MANURA
  23. KAKUROKUNA
  24. SHSISHIBODAI
  25. BASHASHITA
  26. FUNYOMITA
  27. HANNYATARA
    CHINA

  1. BODAIDARUMA
  2. TAISO EKA
  3. KANCHI SOSAN
  4. DAII DOSHIN
  5. DAIMAN KONIN
  6. DAIKAN ENO
  7. NAN-YUEH HAUI-JANG
  8. MA-TSU TAO-I
  9. PAI CHANG HUAI HUAI