Tomando Refúgio na Sangha

Tomando Refúgio na Sangha

Ensinamentos do Mestre Thich Nhat Hanh
Retiro de 21 dias em Plum Village
de 2 a 21 de junho, 2000

Transcrição e tradução de Tenzin Namdrol

Homenagem ao Bodhisattva Avalokiteshvara
O som do sino leva unidos
O meu corpo, palavra e mente.
O som do sino leva o meu coração.
Possa quem o oiça despertar do esquecimento,
Para além da ansiedade e da tristeza
Possa o som do sino penetrar profundamente
s recantos mais obscuros do cosmo.
Possam todos escutá-lo com clareza
Para que a compreensão ilumine os corações
E permita transcender a roda de nascimento e de morte.
O som do sino dissolve a minha agitação
Acalma a minha mente, tranqüiliza o meu corpo
Faz despontar um sorriso nos meus lábios
E sigo o som do sino
Inspirando, volto para a ilha segura da plena atenção
No jardim do meu coração desabrocham formosas flores.
Abre-se a porta universal do Dharma
Ouço o vai e vem da maré
E acontece um milagre:
Uma linda criança aparece na corola de uma flor de lotus
Uma única gota da água da compaixão
Faz brotar as águas refrescantes nas montanhas e nos rios
Homenagem ao Bodhisattva Avalokiteshvara

Bom dia, querida Sangha, bom dia amigos, sejam bem vidos ao retiro de vinte e um dias, A Visão Búdica.

Muitos de nós aqui presentes viemos da Europa, da América e de outros lugares do mundo, presenças que marcam a nossa Sangha em Plum Village trazendo sabedoria, visão profunda, firmeza e felicidade mas também tristeza e sofrimento. A Sangha de Plum Village agora é portentosa e muito mais abrangente. Fomos atraídos uns pelos outros porque partilhamos as mesmas aspirações, preocupações e alegrias.

Os cientistas usam a expressão “interatração” para descrever o comportamento social dos animais e dos insetos. Abelhas procuram socializar com abelhas, o cupim e as formigas também formam comunidades onde se sentem seguros e felizes. Não é possível manter uma abelha afastada das demais porque longe da colmeia ela não pode ser mais uma abelha e morre em poucas horas ou dias. No Vietnam costumávamos dizer que um praticante que se afasta da sua Sangha é como um tigre que troca a montanha pela planície, onde é logo abatido. Longe da Sangha o praticante também não sobrevive como praticante já que a prática só pode ser desenvolvida e aprofundada no contexto da Sangha. Cada um de nós precisa ser um construtor de Sanghas porque é onde nos sentimos mais inteiros, mais seguros, mais alegres e felizes, o que também é interatração. Queremos nos transformar, superar a nossa dor e a dor do mundo.

Uma formiga isolada anda em círculos e sem rumo. Dispõe apenas de uns neurônios conectados por fibras e não tem vontade própria ou objetivo, mas quando colocamos cem formigas juntas elas se comportam como um organismo cuja capacidade de se organizar é evidente. Demonstram inteligência, engenho e talento.

O homem é um tipo de animal social que pode ainda aprender com os demais. Os cientistas cunharam a expressão “super organismo” para descrever a vida e a realidade destas comunidades. Cada formiga tem a capacidade de viver a sua vida como indivíduo e ao mesmo tempo participar da vida da comunidade. Convivem no mesmo organismo tanto como células como quanto tecido. Curiosamente, não demonstram egoísmo, inveja, raiva ou discriminação. Dedicam-se permanentemente ao bem estar da comunidade sem se anteciparem ao futuro nem se apegarem ao passado vivendo o momento presente para o bem estar comum.

O formigueiro tem uma expetativa de vida de 60 anos enquanto que a da formiga é de mais ou menos um mês. Neste prazo de um mês toda a geração de formigas desaparece, morrendo à razão de três ou quatro porcento a cada dia e mesmo assim não investem no futuro. Fazem o melhor que podem e não cogitam em construções de novos formigueiros.

Observando as abelhas, o cupim e as formigas vemos o seu desempenho impecável mas também que lhes falta a consciência de que estão ali, vivas, trabalhando para o próprio bem e para o bem da comunidade.

Tudo isto também pode ser constatado na Sangha. Membros da Sangha mantêm a sua individualidade enquanto ainda desempenham a função de tecido ou de célula do organismo. Na qualidade de construtores de Sangha vivendo 24 horas por dia com a Sangha aprendemos a conhecer este organismo. Passamos a ser como uma célula no organismo, como a abelha na colmeia vivendo pelo bem da comunidade que também é o nosso, e a Sangha é o nosso refúgio. A nossa prática consta de manter a individualidade ao mesmo tempo em que participamos da vida do organismo. Desta forma não ficarmos à mercê da nossa própria inveja, raiva ou discriminação já que não estamos mais apenas restritos à nossa individualidade, somos também o organismo. A Sangha passou a ser o nosso corpo que é também o corpo da Sangha, o Sanghakaya.

Os ensinamentos do Buda fazem frequentes alusões ao Buddhakaya, o corpo do Buddha. Também se fala muito do corpo do Dharma, Dharmakaya. Mas é curioso como tendo o Buda vivido aproximadamente no século VI AC. foi preciso chegar ao fim do século XX AD para falar-se do Sanghakaya, o corpo da Sangha. A Sangha é o nosso corpo, como a colmeia é o corpo da abelha e o formigueiro é o corpo da formiga e se formos capazes de nos imbuirmos desta verdade deixaremos de sofrer. Então, tomar refúgio na Sangha deixará de ser uma expressão de fé para ser uma prática.

Tomar refúgio na Sangha significa viver como um tecido no organismo que é a Sangha. É possível vivermos plenamente numa dimensão maior do que a pessoal. Considerar o corpo da Sangha o nosso corpo é uma prática e a plena atenção é a energia que conduz à prática.

Pode parecer que o objetivo da abelha seja de o construir uma colmeia, o da formiga um formigueiro e que tudo esteja inscrito no DNA fazendo com que cada uma de suas células tenha por fim construir comunidades. Os insetos sociais são sábios e inteligentes qualidades transmitidas através de muitas gerações de insetos. Os seres humanos trabalhando em equipes bem integradas também são sábios e inteligentes, qualidades transmitidas através das infinitas gerações que os precederam. Os insetos sociais não usam a linguagem dos homens mas se comunicam perfeitamente. As abelhas dançam e recorrem às secreções hormonais (ferormônio) para se comunicar. São ínfimas partículas químicas capazes de estabelecer uma comunicação perfeita. Os humanos utilizam outra linguagem e também podem armazenar, processar e recuperar informações. Comunicamos através da expressão oral, corporal, por correio, por vários meios eletrônicos mas ainda assim não é nada fácil.

Numa Sangha também nos comunicamos uns com os outros, principalmente através da prática do silêncio: meditando, trabalhando, caminhando, etc. Não falamos mas nos comunicamos e a mensagem é muito clara, “meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs, estou aqui para vocês, estou feliz por estar aqui sob a proteção da Sangha. Sinto-me firme e fortalecido rodeado por vocês.” Aprendemos a nos estabelecer no aqui e no agora porque sabemos que a vida está disponível apenas no aqui e no agora, quando nos é possível entrar em contacto profundo com tudo o que ela oferece. Querida Sangha, é extraordinário que estejamos aqui como um corpo. Não é mais preciso batalhar ou fugir, encontrei a minha morada, apoiada na energia da Sangha e não secarei como a abelha que se afasta da colmeia porque o meu corpo está aqui, o meu corpo da Sangha está aqui comigo todo o tempo.

Em companhia da Sangha nos sentimos felizes, cheios de vitalidade e firmeza mas é preciso nos entregar à Sangha para que a comunicação seja possível. Dispomos de muitos e sofisticados instrumentos e veículos de comunicação que muitas vezes geram frustrações porque só a não discriminação e negação da existência de um eu separado nos conduz à liberdade e a um nível profundo de comunicação.

Nós humanos talvez também estejamos movidos por uma estrutura biológica que nos leva a construir comunidades mas não dependemos só da ação, construímos também através da não ação, apenas sendo. Não agimos sobre o que nos rodeia apenas através da ação porque ser é o fundamental. Também pode ser chamado de não ação e é o fundamento principal de toda construção. Assim, observando a Sangha veremos ação mas também não ação, quer dizer, ser, e meramente ser é uma arte. Quando nos reunimos para meditar ou receber ensinamentos não estamos fazendo nada, mas por estarmos juntos, adquirimos mais confiança no Caminho e na prática. A Sangha é uma fonte enorme de energia capaz de curar nossas aflições, de nos transformar e de nos transmitir firmeza, liberdade e alegria. Assim, a não ação, o ser, é a base de toda ação.

A prática da caminhada meditativa consta de nos alegrar com cada passo que damos. Pode parecer que não estamos fazendo nada! Somos como a centopeia que com muitos pés é apenas um organismo caminhando. E para onde vamos? Para lugar nenhum porque queremos permanecer no aqui e no agora onde a vida está disponível e é abundante. Assim, na caminhada meditativa não fazemos nada, não estamos buscando nada, estamos aprendendo a ser, pisando a terra com suavidade e firmeza conscientes de que somos uma Sangha, o que é maravilhoso e conduz à nossa transformação e à cura do sofrimento. O elemento de cura pode ser encontrado na ação, mas muito mais na não ação, meramente sendo, é o que nos ensina o Dharma.

Quando chegamos a Plum Village passamos a ser uma célula de um organismo. Aqui encontramos outras células: monges, monjas e leigos residentes que não são anfitriões, nem os visitantes meros hóspedes porque somos a Sangha. Uma monja, um visitante, são células do corpo da Sangha. Aprendam a ser parte de um organismo social, da Sangha. Graças ao Dharma, à prática, temos o corpo da Sangha, um super organismo, um organismo sagrado.

A Sangha é uma comunidade sagrada porque manifesta a energia da plena atenção, da concentração e da visão profunda. A plena atenção é a energia que geramos através da respiração consciente, da meditação consciente, do olhar e da escuta conscientes durante todo o dia, a toda a hora, a todo minuto, a todo segundo. A vida que não é sagrada é esquecimento e nos aprisiona no arrependimento de nossas ações do passado, na ansiedade e desejo do presente, no medo do futuro. Com a energia da plena atenção podemos nos instalar no aqui e no agora e temos ao nosso alcance as maravilhas do momento presente. Podemos nos deixar envolver por tudo o que nos rodeia, reconhecer e abraçar as nossas emoções, o medo, raiva, o desejo e encontrar alívio e alegria de viver. Onde existe a plena atenção existe concentração e visão profunda e também o Buda que nos leva ao Dharma e à Sangha. O Dharma pode se encontrado através da Sangha que contém a energia do Buda e do Dharma e eis porque é tão importante tomar refúgio. A Sangha é um organismo sagrado, é uma das Três Jóias.

A Sangha é um grupo de pessoas com afinidades, aspirações, buscas, práticas e preocupações comuns conscientes de que o sofrimento existe e que para superá-lo precisamos compreender a sua natureza. Saber que Marga, o Caminho, nos leva à cessação Caminhamos para que a plenitude da vida seja possível a cada instante. Na caminhada meditativa pisamos a terra com suavidade e firmeza e observamos a energia da concentração e da plena atenção emanando de cada um. Estamos muito presentes e comunicamos com os demais a cada passo. Não secretamos ferormônios, não precisamos falar, não precisamos telefonar nem mandar um fax, apenas caminhamos meditando e cada passo nos dá mais liberdade, firmeza e alegria….cada passo que damos com plena atenção nos ajuda a recuperar a liberdade perdida na corrida incessante de nossas vidas.

Esta é a prática em Plum Village, caminhamos para o nosso próprio bem mas também pelo bem da Sangha em todo o mundo. Construímos uma coletividade, um refúgio sagrado para o bem de todos. O sofrimento dos homens é enorme e não sabemos a quê ou a quem recorrer por isso, construir Sanghas a mais nobre tarefa. O século vinte foi marcado pelo individualismo, destruição, dor, medo e alienação; o século vinte e um poderá ser diferente se aprendermos a viver como as abelhas na colmeia, se aprendermos a viver como células num mesmo corpo. A nossa prática será a construção da Sangha. Tomamos refúgio na Sangha, “Sangham saranam gacchami.”

Vamos imaginar que fomos bem sucedidos, que somos a célula do corpo, que podemos construir uma Sangha caminhando, respirando, meditando e que podemos trazer alegria, alívio, paz, liberdade e que ao mesmo tempo oferecemos à Sangha alegria, paz, liberdade. Não é preciso esforço, aceite apenas que a Sangha o envolva e o proteja como a colmeia protege as abelhas que tomam refúgio na colmeia, como as formigas tomam refúgio no formigueiro. Ainda que você tenha vindo acompanhado de dor, tristeza e medo permita que a Sangha o envolva. “Querida Sangha, sinto muita dor, tristeza e medo, por favor me envolvam, envolvam o meu medo, a minha tristeza, a minha dor, eu me abandono à Sangha.” Praticando desta forma a transformação poderá se efetuar em muito pouco tempo.

Quando nos reunimos para qualquer refeição estamos praticando e o alimento que ingerimos não é só para nós porque com ele alimentamos também a Sangha. Quando mastigamos, mastigamos para a Sangha. Lembro-me de um piquenique que fizemos durante um retiro nas montanhas perto de Montreal. Passeando pelo bosque deparei-me com um membro da Sangha sentado sob uma árvore e comendo um sanduíche. Perguntei-lhe, “o que esta fazendo?” e ele respondeu, “estou alimentando você Thay e a Sangha,” foi uma boa resposta porque o bem estar dele também é o bem estar da Sangha. Tudo o que fazemos é para a Sangha, o que é para mim é também para todos. Assim se comportam as abelhas e as formigas. E possível superar o sofrimento quando não nos apropriamos dele.

Um retiro de vinte um dias é um acontecimento raro porque não pode ser feito várias vezes no ano. Vamos então aproveitar esta preciosa oportunidade e praticar o nobre silêncio para intensificar os seus benefícios.

No colégio de São Miguel há dois anos observamos que, graças ao poder da Sangha, ao fim de vinte e um dias de prática tínhamos todos a sensação de muita liberdade. É a Sangha que nos conduz para além do sofrimento, mas a Sangha somos nós. Vocês são membros da nossa Sangha e a alegria e a felicidade de vocês serão também as nossas. Podemos aprender com os insetos sociais para não ficarmos à mercê da nossa tristeza e do nosso medo. Somos uma célula no corpo da Sangha e de repente nos sentimos muito melhor capazes de nos libertar de todas as energias negativas, o que é muito mais fácil do que pode parecer.

Se durante a refeição a preocupação e o medo voltarem alimente-se pela Sangha pelo prazer que precisamos sentir na refeição. A Sangha precisa do seu prazer. Mastigar e engolir medo e tristeza não traz saúde para a Sangha. Precisamos nos alimentar saboreando cada garfada, sabendo que estamos alimentando a Sangha, sabendo quais são as suas necessidades e que o alimento que damos à Sangha não é nem tristeza nem medo mas estabilidade, alegria e liberdade. Tomar o café da manhã, almoçar, jantar, são práticas intensas e se estivermos sensíveis à Sangha, cientes de que ela nos rodeia, nos envolve estaremos ingerindo também alegria.

Depois, caminharemos juntos. Não se pode dizer que tomar o café da manhã e caminhar sejam tarefas árduas porque são agradáveis, alimentam e aliviam o sofrimento. Caminhamos não como seres isolados mas como um organismo Seus pés são os meus pés e os meus pés são os seus pés. Eu caminho da melhor forma possível e sinto prazer em cada passo, não apenas o meu prazer mas o seu também e se você se liberta do sofrimento e do medo, se você consegue pisar a terra com alegria e se alimentar estará me alimentando e toda a Sangha também.

“Cheguei!” esta é a visão profunda que me é revelada quando respiro e dou dois passos. “Cheguei!” Suavemente, em paz e firme. Passamos a vida a correr, já é tempo de parar. Se não formos capazes de parar como vamos poder pisar suavemente a terra? Não é milagre caminhar sobre a água, o verdadeiro milagre, ainda que ao alcance de todos nós, é caminhar na terra. Se você se planta firmemente no aqui e no agora ao dar um passo tocará as maravilhas da vida, e o reino de Deus estará ao seu alcance aqui e agora. Com o apoio da Sangha é possível caminhar no reino de Deus, caminhar na Terra Pura. Não se passa nem um dia em que eu não caminhe no reino de Deus, não se passa nem um dia em que eu não caminhe na Terra Pura do Buda. Você precisa de liberdade, você precisa se libertar do sofrimento e do medo e é precisamente com a Sangha que você poderá operar este milagre. A Sangha é uma fonte inesgotável de energia. Abandone-se a ela, tome refúgio nela e permita que ela cuide de tudo. Você manifestou este desejo no momento em que se inscreveu para fazer este retiro.

Ao tomar refúgio na Sangha e sentir prazer com cada passo, alimentar a Sangha, curar a Sangha com os seus passos você será um construtor de Sangha. Mais tarde, onde quer que se encontre continuará a ser um construtor de Sangha e poderá oferecer refúgio a tantos seres que se perdem a cada dia. “Cheguei!” porque o meu destino é a vida onde quer que ela esteja disponível. A unidade do corpo e da mente alcançadas através de uma inspiração pode fazer com que você esteja disponível para a vida e suas maravilhas e fazer com que a vida e as suas maravilhas estejam disponíveis para você. Inspire uma vez e pise levemente a terra duas vezes. “Cheguei. Cheguei.” Isto é a iluminação. Você não precisa praticar dias ou anos para conseguir. O reino de Deus esta disponível todo o tempo, mas no estado em que estamos de adormecimento (esquecimento, alienação) não estamos prontos para o vislumbrar. “Cheguei, cheguei,” ao reino de Deus, à Terra Pura do Buda, à vida disponível no aqui e no agora. Expirando dizemos, “Em casa, em casa.”

Procuramos a nossa morada, a nossa verdadeira morada e a encontramos. O Buda nos disse que nossa morada é no aqui e no agora. Quando quiser se conectar com os seus antepassados, com o Buda, com o reino de Deus, volte para o aqui e o agora e com a plena consciência encontrará tudo o que procura. Para mim o reino de Deus, a Terra Pura será agora e pode ser alcançada na caminhada meditativa, “cheguei, estou em casa,” e então paramos de correr. Nossos antepassados correram sempre e nós continuamos a correr enquanto que o Dharma afirma: “Pare! viva, permaneça no aqui e no agora!”

Não só meditando mas também caminhando você constatará esta verdade e depois lavando a louça, também. É bom lavar a louça no reino de Deus, no aqui e no agora. Alguns lavam a louça no inferno mas é muito mais prazeroso lavar a louça no reino de Deus. “Cheguei, estou em casa, no aqui e no agora,” porque a sua morada é no aqui e no agora, a morada de todos os Buddhas e Bodhisattvas, o reino de Deus: aqui.agora@com.br

Podemos ter um rápido regresso ao lar quando estamos rodeados pela Sangha porque a energia da Sangha é poderosa! Seus talentos não se podem desenvolver se você se isolar e com a Sangha você pode expressá-los todos, alimentar e curar a Sangha ao mesmo tempo em que também se alimenta e se cura. No aqui e no agora, encontro firmeza, sinto-me livre. Se você sabe parar, chegar, ter prazer em cada passo firmeza e liberdade se tornarão uma realidade e não auto sugestão. Firmeza e liberdade são duas características do Nirvana. O Buda disse, “você pode alcançar o Nirvana no aqui e no agora até mesmo corporalmente.” O corpo pode entrar no Nirvana quando encontra firmeza e liberdade. Cada passo que se dê com a plena atenção desenvolve a firmeza e liberdade e a felicidade só é possível com firmeza e liberdade.

A realidade tem duas dimensões, a dimensão histórica externa e a dimensão suprema. Temos preocupações históricas que dizem respeito à saúde e ao sucesso, ao bem estar da família, da sociedade… São elementos históricos, mas no nosso interior existe uma aspiração muito maior. Queremos alcançar o absoluto, queremos chegar à nossa verdadeira morada e nos ensinamentos do Buda as duas dimensões coexistem, têm existências paralelas e simultâneas. Se soubermos penetrar na dimensão histórica profundamente e com plena atenção e concentração penetramos ao mesmo tempo a dimensão suprema, a nossa verdadeira natureza, para além do nascimento e da morte, a talidade, algo que observarão na medida em que o retiro progrida. Vamos decorar estas palavras porque elas nos permitem desfrutar dos momentos de meditação e de caminhada meditativa. Você pode repeti-las enquanto lava a louça, limpa os banheiros de modo que tudo o que empreendemos no nosso cotidiano seja alimento para nós e para a Sangha. Aqui podemos nos refugiar do mundo e como praticantes devemos fazer o voto de construir Sangha, esta é a tarefa mais nobre do século.

Cheguei, cheguei ao lar

no aqui e no agora

cheguei, cheguei ao lar

no aqui e no agora

Sinto-me firme, sinto-me livre

Sinto-me firme, sinto-me livre

Permaneço na realidade suprema

Permaneço na realidade suprema



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