{"id":2072,"date":"2018-05-17T22:51:19","date_gmt":"2018-05-18T00:51:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?page_id=2072"},"modified":"2018-05-30T11:46:32","modified_gmt":"2018-05-30T13:46:32","slug":"bodhidharma","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/bodhidharma\/","title":{"rendered":"Bodhidharma"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=2073\" rel=\"attachment wp-att-2073\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bodhidharma.jpg\" alt=\"\" width=\"185\" height=\"273\" class=\"alignleft size-full wp-image-2073\" \/><\/a><strong>Bodhidharma(483d.C &#8211; 540 d.C)<br \/>\nO Vig&eacute;simo oitavo Patriarca<br \/>\nPrimeiro Patriarca chin&ecirc;s<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#f\">por Shinzen<\/a><br \/>\n<a href=\"#a\">por Kapleau<\/a><br \/>\n<a href=\"#b\">por Varenne<\/a><br \/>\n<a href=\"#c\">Transmiss\u00e3o na \u00cdndia<\/a><br \/>\n<a href=\"#d\">Transmiss\u00e3o na China<\/a><br \/>\n<a href=\"#e\">Textos<\/a><br \/>\n<a href=\"#g\">Linhagem<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a name=\"f\"><b>Bodhidharma na China<sup>4<\/sup><\/b><\/a><br \/>\n<i><b>Este texto foi traduzido para o portugu&ecirc;s por Shinzen, que ofereceu sua tradu&ccedil;&atilde;o como presente ao Lama Samten na sua ordena&ccedil;&atilde;o em 14 de dezembro de 1996. <\/b><\/i><\/p>\n<p>O Budismo chegou &agrave; China 2.000 anos atr&aacute;s. Reporta-se que j&aacute; no ano 65 d.C., uma comunidade de monges budistas vivia sob prote&ccedil;&atilde;o da realeza na parte norte da Prov&iacute;ncia de Kiangsu, pr&oacute;xima do local de nascimento de Conf&uacute;cio, e os primeiros monges provavelmente chegaram 100 anos antes. <\/p>\n<p>Desde ent&atilde;o, dezenas de milhares de monges da &Iacute;ndia e da &Aacute;sia Central t&ecirc;m viajado para China por terra e mar, mas dentre aqueles que trouxeram os ensinamentos de Buda para China, nenhum teve impacto compar&aacute;vel ao de Bodhidharma.<\/p>\n<p>Conhecido apenas por alguns disc&iacute;pulos durante sua vida, Bodhidharma &eacute; o patriarca de milh&otilde;es de zen-budistas e de estudantes de kung-fu. Tamb&eacute;m &eacute; o protagonista de muitas lendas. Al&eacute;m de ter trazido zen e kung-fu, relata-se tamb&eacute;m ter trazido o ch&aacute; para a China. Para se resguardar de cair no sono durante a medita&ccedil;&atilde;o, ele cortou suas p&aacute;lpebras, e onde elas ca&iacute;ram cresceram arbustos de ch&aacute;. Desde ent&atilde;o, o ch&aacute; tornou-se a bebida n&atilde;o somente de monges, mas de todos no Oriente. Fi&eacute;is a essa tradi&ccedil;&atilde;o, os artistas invariavelmente representam Bodhidharma com olhos salientes e sem p&aacute;lpebras.<\/p>\n<p>Como sempre acontece com as lendas, tornou-se imposs&iacute;vel separar fato de fic&ccedil;&atilde;o. As datas s&atilde;o incertas. De fato, eu conhe&ccedil;o pelo menos um erudito budista que duvida que Bodhidharma tenha existido. Mas correndo o risco de escrever sobre um homem que nunca existiu, eu esbocei uma biografia, baseada nos registros mais recentes e algumas suposi&ccedil;&otilde;es, para fornecer um cen&aacute;rio para os serm&otilde;es a ele atribu&iacute;dos.<\/p>\n<p>Bodhidharma nasceu em torno do ano 440 em Kanchi, capital do reino sulista indiano de Pallawa. Ele era um br&acirc;mane de nascimento e o terceiro filho do Rei Simhavarman. Quando ele era jovem, ele converteu-se ao budismo, e mais tarde o Dharma lhe foi ensinado por Prajnatara, de Magadha, que foi convidado pelo seu pai. Magadha era o antigo centro do budismo. Tamb&eacute;m foi Prajnatara quem disse para Bodhidharma ir para China. Uma vez que a tradicional rota terrestre estava bloqueada pelos hunos, e uma vez que Pallawa tinha la&ccedil;os comerciais por todo Sudeste Asi&aacute;tico, Bodhidharma partiu de navio de um porto nas proximidades, Mahaballipuram. Depois de contornar a costa da &Iacute;ndia e a Pen&iacute;nsula da Mal&aacute;sia por tr&ecirc;s anos, ele finalmente chegou ao sul da China ao redor do ano 475.<\/p>\n<p>Nessa &eacute;poca o pa&iacute;s estava dividido pelas dinastias Wei do norte e Liu Sung. Essa divis&atilde;o da China numa s&eacute;rie de dinastias nortistas e sulistas come&ccedil;ou no in&iacute;cio do S&eacute;c. III e continuou at&eacute; o pa&iacute;s ser reunificado sob a dinastia Sui no fim do S&eacute;c. VI. Foi durante esse per&iacute;odo de divis&atilde;o e conflito que o budismo indiano transformou-se em budismo chin&ecirc;s, com os nortistas de mente militarista enfatizando medita&ccedil;&atilde;o e m&aacute;gica e os intelectuais sulistas preferindo discuss&atilde;o filos&oacute;fica e a compreens&atilde;o intuitiva de princ&iacute;pios.<\/p>\n<p>Quando Bodhidharma chegou &agrave; China, no fim do S&eacute;c. V, haviam aproximadamente 2 mil templos budistas e 36 mil cl&eacute;rigos no sul. Ao norte, um recenseamento em 477 contou 6,5 mil templos e aproximadamente 80 mil cl&eacute;rigos. Menos de 50 anos mais tarde, outro recenseamento feito ao norte aumentou esses n&uacute;meros para 30 mil templos e 2 milh&otilde;es de cl&eacute;rigos, ou cerca de 5% da popula&ccedil;&atilde;o. Sem d&uacute;vida, isso inclu&iacute;a muitas pessoas que estavam tentando evitar impostos ou recrutamento ou que procuravam a prote&ccedil;&atilde;o da igreja por outras raz&otilde;es n&atilde;o religiosas, mas claramente o budismo estava espalhando-se pelas pessoas comuns ao norte do Rio Yangtze. No sul, permaneceu muito confinado &agrave; elite educada at&eacute; o S&eacute;c. VI.<\/p>\n<p>Seguindo a sua chegada ao porto de Nanhai, Bodhidharma provavelmente visitou centros budistas no sul e come&ccedil;ou a aprender Chin&ecirc;s, se &eacute; que ele j&aacute; n&atilde;o havia feito isso em seu caminho desde a &Iacute;ndia. De acordo com A Transmiss&atilde;o da L&acirc;mpada de Tao-yuan, obra terminada em 1002, Bodhidharma chegou ao sul tarde, em 520, e foi convidado para capital em Chienkang para uma audi&ecirc;ncia com o Imperador Wu da dinastia Liang, sucessor de Liu Sung. Durante esse encontro o imperador perguntou sobre o m&eacute;rito de executar trabalhos religiosos, e Bodhidharma respondeu com a doutrina do vazio. O imperador n&atilde;o entendeu, e Bodhidharma partiu. Os registros mais recentes, no entanto, n&atilde;o mencionam tal encontro.<\/p>\n<p>Em qualquer caso, Bodhidharma cruzou o Rio Yangtze \u2013 de acordo com a lenda, numa embarca&ccedil;&atilde;o de bambu \u2013 e estabeleceu-se ao norte. Primeiramente ele permaneceu ao norte na capital de Wei, Pingcheng. Em 494, quando o Imperador Hsiao-wen mudou sua capital para o sul de Loyang na margem norte do Rio Lo, a maioria dos monges que viviam na &aacute;rea de Pingcheng mudou-se tamb&eacute;m, e Bodhidharma provavelmente estava entre eles. De acordo com o livro Vidas Remotas de Monges Exemplares de Tao-hsuan, cujo primeiro esbo&ccedil;o foi escrito em 645, Bodhidharma ordenou um monge com o nome Sheng-fu. Quando a capital foi mudada para Loyang, Sheng-fu mudou-se para o sul. Uma vez que a ordena&ccedil;&atilde;o normalmente requer um aprendizado de tr&ecirc;s anos, Bodhidharma j&aacute; devia estar ao norte em torno do ano 490 e ent&atilde;o devia estar razoavelmente fluente em Chin&ecirc;s.<\/p>\n<p>Alguns anos mais tarde, em 496, o imperador ordenou a constru&ccedil;&atilde;o do Templo de Shaolin no Monte Sung, na Prov&iacute;ncia de Honan ao sudeste de Loyang. O templo, que ainda existe (principalmente como atra&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica), foi constru&iacute;do para outro mestre de medita&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia, e n&atilde;o para Bodhidharma. Embora mais mestres zen passaram pelo templo nos &uacute;ltimos 1.500 anos, Bodhidharma &eacute; o &uacute;nico monge que algu&eacute;m al&eacute;m de um historiador budista associa com Shaolin. Foi aqui, no Pico Shaoshih ocidental do Monte Sung, que se diz que Bodhidharma passou nove anos em medita&ccedil;&atilde;o, de frente para parede de pedra de uma caverna a cerca de uma milha do templo. Shaolin mais tarde tornou-se famoso como centro de treinamento de monges em kung-fu, e Bodhidharma &eacute; honrado como o fundador dessa arte igualmente. Vindo da &Iacute;ndia, sem d&uacute;vida ele instruiu seus disc&iacute;pulos em alguma forma de yoga, mas nenhum registro antigo menciona-o ensinar qualquer exerc&iacute;cio ou arte marcial.<\/p>\n<p>Pelo ano 500, Loyang era uma das maiores cidades no mundo, com uma popula&ccedil;&atilde;o acima de meio milh&atilde;o. Quando o Imperador Hsuan-wu morreu em 516 e a imperadora Dowager Ling assumiu o controle do governo, um de seus primeiros atos foi mandar construir o Templo Yung-ning. A constru&ccedil;&atilde;o desse templo e de seu pagoda de 400 p&eacute;s de altura quase exauriram o tesouro imperial. De acordo com um registro dos templos de Loyang escrito em 547 por Yang Hsuan-chih, os sinos-de-vento dourados pendurados nos beirais do telhado podiam ser ouvidos a tr&ecirc;s milhas de dist&acirc;ncia e a ponta do pagoda do templo podia ser vista a 30 milhas de dist&acirc;ncia. O relato de Yang inclui os coment&aacute;rios de um monge do leste chamado Bodhidharma, que disse ser a estrutura mais imponente que ele j&aacute; tinha visto. Uma vez que o templo n&atilde;o foi constru&iacute;do antes de 516 e foi destru&iacute;do por fogo em 534, Bodhidharma deve ter estado na capital por volta de 520. Registros antigos dizem que ele viajou por toda &aacute;rea de Loyang, indo e vindo com as esta&ccedil;&otilde;es. Na capital, no entanto, ele deve ter estado no Templo Yung-ming. N&atilde;o confundir com o Templo Yung-ning, Yung-ming foi constru&iacute;do alguns anos antes, no come&ccedil;o do s&eacute;culo VI, pelo Imperador Hsuan-wu, como templo central para monges estrangeiros. Antes da evacua&ccedil;&atilde;o de massas da cidade durante o colapso de Wei ao norte em 534, o templo foi lar de mais de 3 mil monges de pa&iacute;ses t&atilde;o distantes como a S&iacute;ria.<\/p>\n<p>Apesar da s&uacute;bita popularidade do budismo na China, Bodhidharma encontrou poucos disc&iacute;pulos. Al&eacute;m de Sheng-fu, que mudou-se para o sul logo ap&oacute;s a ordena&ccedil;&atilde;o, os &uacute;nicos disc&iacute;pulos mencionados s&atilde;o Tao-yu e Hui-k\u2019o. Diz-se que ambos estudaram com Bodhidharma por cinco ou seis anos. Tao-yu, nos &eacute; dito, entendeu o Caminho mas nunca ensinou. Foi para Hui-k\u2019o que Bodhidharma confiou o manto e a tigela de sua linhagem e, de acordo com Tao-hsuan, uma c&oacute;pia da tradu&ccedil;&atilde;o do Sutra Lankavatara feita por Gunabhadra. No serm&atilde;o traduzido aqui, no entanto, faz cita&ccedil;&otilde;es principalmente do Sutra do Nirvana, Avatamsaka e Vimilakirti e n&atilde;o usa terminologia alguma caracter&iacute;stica do Lankavatara. Talvez tenha sido Hui-k\u2019o, e n&atilde;o Bodhidharma, quem tinha uma boa opini&atilde;o desse sutra.<\/p>\n<p>Em sua Transmiss&atilde;o da L&acirc;mpada, Tao-yuan diz que logo depois que ele transmitiu o patriarcado de sua linhagem para Hui-k\u2019o, Bodhidharma morreu em 528 no quinto dia do d&eacute;cimo m&ecirc;s, envenenado por um monge ciumento. Tao-hsuan somente diz, em sua biografia muito mais antiga, que Bodhidharma morreu nas margens do rio Lo e n&atilde;o menciona a data e a causa da morte. De acordo com Tao-yuan, os restos de Bodhidharma foram enterrados perto de Loyang no templo Tinglin na Montanha Orelha de Urso. Tao-yuan tamb&eacute;m diz que tr&ecirc;s anos mais tarde um oficial encontrou Bodhidharma caminhando nas montanhas da &Aacute;sia Central. Ele estava carregando um cajado no qual estava pendurada uma &uacute;nica sand&aacute;lia, e ele disse ao oficial que estava voltando para a &Iacute;ndia. Relatos desse encontro levantaram a curiosidade dos outros monges, que finalmente concordaram em abrir a tumba de Bodhidharma. Tudo que eles encontraram dentro foi uma &uacute;nica sand&aacute;lia, e desde ent&atilde;o Bodhidharma tem sido representado carregando um cajado no qual se pendura a sand&aacute;lia faltante.<br \/>\nCom o assassinato do Imperador Hsiao-wu em 534, a nortista Wei dividiu-se em duas dinastias, Wei Ocidental e Oriental, e Loyang foi atacada. Uma vez que a poderosa fam&iacute;lia Kao de Wei Oriental era famosa por seu patroc&iacute;nio ao budismo, muitos dos monges que viviam em Loyang, incluindo Hui-k\u2019o, mudaram-se para Yeh, capital de Wi Oriental. L&aacute; finalmente Hui-k\u2019o encontrou T\u2019an-lin. T\u2019an-lin trabalhou primeiramente em Loyang e mais tarde em Yeh escrevendo pref&aacute;cios e coment&aacute;rios para novas tradu&ccedil;&otilde;es dos sutras budistas. Depois de encontrar Hui-k\u2019o, ele ficou interessado na abordagem ao budismo de Bodhidharma e adicionou um breve pref&aacute;cio ao Esbo&ccedil;o da Pr&aacute;tica. Nesse pref&aacute;cio ele diz que Bodhidharma veio do sul da &Iacute;ndia e que depois de sua chegada &agrave; China, ele achou apenas dois disc&iacute;pulos de valor, Hui-k\u2019o e Tao-yu. Ele tamb&eacute;m diz que Bodhidharma ensinava medita&ccedil;&atilde;o na parede e as quatro pr&aacute;ticas descritas no Esbo&ccedil;o.<br \/>\nSe isso &eacute; tudo que sabemos de Bodhidharma, por que, ent&atilde;o, &eacute; ele o mais famoso de milh&otilde;es de monges que estudaram e ensinaram o Dharma na China? A raz&atilde;o &eacute; que a ele somente &eacute; creditado ter trazido o zen para China. &Eacute; claro que o zen, como medita&ccedil;&atilde;o, tinha sido ensinado e praticado por centenas de anos antes de Bodhidharma chegar. E muito do que ele tinha para dizer a respeito da doutrina tinha sido dito antes \u2013 por Tao-sheng, por exemplo, uma centena de anos antes. Mas a abordagem ao zen de Bodhidharma era &uacute;nica. Como ele diz nesses serm&otilde;es &#8220;Ver sua natureza &eacute; zen&#8230; N&atilde;o pensar sobre coisa alguma &eacute; zen&#8230; Tudo que voc&ecirc; faz &eacute; zen.&#8221; Enquanto outros viam o zen como purifica&ccedil;&atilde;o da mente ou como um est&aacute;gio no caminho para buditude, Bodhidharma equacionou zen com a buditude \u2013 e a buditude com a mente, a mente do dia-a-dia. Em vez de dizer aos seus disc&iacute;pulos para purificarem suas mentes, ele lhes apontava paredes de pedra, movimentos de tigres e gar&ccedil;as, uma embarca&ccedil;&atilde;o de bambu flutuando no do Rio Yangtze, uma sand&aacute;lia. O zen de Bodhidharma era zen Mahayana, e n&atilde;o zen Hinayana \u2013 a espada da sabedoria, e n&atilde;o a almofada de medita&ccedil;&atilde;o. Como fizeram outros mestres, sem d&uacute;vida ele instruiu seus disc&iacute;pulos em disciplina budista, medita&ccedil;&atilde;o e doutrina, mas ele usou a espada que Prajnatara lhe deu para livrar-lhes a mente das regras, transes e escrituras. Tal espada, no entanto, &eacute; dif&iacute;cil de pegar e dif&iacute;cil de usar. &Eacute; uma pequena maravilha o fato que seu &uacute;nico sucessor, Hui-k\u2019o, tinha um bra&ccedil;o s&oacute;.<\/p>\n<p>Mas tal entendimento radical do zen n&atilde;o originou-se com Bodhidharma ou com Prajnatara. Dizem que um dia Brahma, senhor da cria&ccedil;&atilde;o, ofereceu a Buda uma flor e pediu-lhe para pregar o Dharma. Quando Buda levantou a flor, sua audi&ecirc;ncia estava confusa, exceto Kashyapa, que sorriu. Foi assim que o zen come&ccedil;ou. E foi assim que ele foi transmitido: com uma flor, com uma parede de pedra, com um grito. Essa abordagem, uma vez que se fez conhecida por Bodhidharma e seus sucessores, revolucionou o entendimento e pr&aacute;tica do budismo na China.<\/p>\n<p>Tal abordagem n&atilde;o se encontra por acaso muito bem em livros. Mas em seu livro Vidas Remotas de Monges Exemplares, Tao-hsuan diz que os ensinamentos de Bodhidharma foram escritos. Muitos eruditos concordam que Esbo&ccedil;o da Pr&aacute;tica &eacute; um de tais registros, mas as opini&otilde;es dividem-se a respeito dos outros tr&ecirc;s serm&otilde;es aqui traduzidos. Todos os tr&ecirc;s h&aacute; muito s&atilde;o atribu&iacute;dos a Bodhidharma, mas em anos recentes um n&uacute;mero de eruditos tem sugerido que esses tr&ecirc;s serm&otilde;es s&atilde;o trabalhos de disc&iacute;pulos mais jovens. Yaganida, por exemplo, atribui o Serm&atilde;o do Ciclo da Vida* a um membro da Escola de Zen Cabe&ccedil;a de Boi, que floresceu nos s&eacute;culos VII e VIII, e pensamos que o Serm&atilde;o do Despertar foi um trabalho do S&eacute;c. VIII da escola de zen do norte e que o Serm&atilde;o da Grande Descoberta era de Shen-hsiu, o patriarca do S&eacute;c. VII da escola de zen do norte.<br \/>\nLamentavelmente, faltam evid&ecirc;ncias que comprovem ou n&atilde;o a autoria. At&eacute; o corrente s&eacute;culo, as c&oacute;pias conhecidas mais antigas desses serm&otilde;es s&atilde;o vers&otilde;es do S&eacute;c. XIV dos originais da dinastia T\u2019ang (618-907) da cole&ccedil;&atilde;o Kanazawa Bunko do Jap&atilde;o. Mas com a descoberta de milhares de manuscritos budistas da dinastia T\u2019ang no in&iacute;cio deste s&eacute;culo nas cavernas Tunhuang na China, agora temos c&oacute;pias dos s&eacute;culos VII e VIII. Claramente esses serm&otilde;es foram cedo compilados por monges que remontavam seus ancestrais at&eacute; Bodhidharma. Se n&atilde;o foi Hui-k\u2019o ou um de seus disc&iacute;pulos, talvez tenha sido T\u2019an-lin quem os escreveu. Em qualquer caso, na aus&ecirc;ncia de evid&ecirc;ncias contr&aacute;rias convincentes, eu n&atilde;o vejo raz&atilde;o para n&atilde;o aceitar os serm&otilde;es como do homem a quem t&ecirc;m sido atribu&iacute;dos por mais de 1.200 anos.<br \/>\nOs disc&iacute;pulos de Bodhidharma foram poucos, e a tradi&ccedil;&atilde;o zen que remonta seus ancestrais a ele n&atilde;o come&ccedil;ou seu florescimento pleno at&eacute; aproximadamente 200 anos ap&oacute;s sua morte. Dada a espontaneidade e desapego promovidos pela abordagem de Bodhidharma ao zen &eacute; f&aacute;cil ver porque esses serm&otilde;es foram por fim negligenciados em favor de serm&otilde;es de mestres zen nativos. Por compara&ccedil;&atilde;o, os serm&otilde;es de Bodhidharma parecem um tanto estranhos e despojados. Eu mesmo s&oacute; os encontrei por acaso, numa edi&ccedil;&atilde;o da Ess&ecirc;ncia da Transmiss&atilde;o da Mente de Huan-po. Isso foi 12 anos atr&aacute;s. Desde ent&atilde;o eu afei&ccedil;oei-me ao seu zen de ossos nus, e eu sempre tento imaginar por que eles n&atilde;o s&atilde;o mais populares. Mas, populares ou n&atilde;o, ei-los novamente. Antes que se evanes&ccedil;am novamente na poeira de alguma cripta ou biblioteca, leia-os uma ou duas vezes e procure a &uacute;nica coisa que Bodhidharma trouxe para a China: procure a a marca da mente.<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"CENTER\">Pinheiro Vermelho<br \/>\nLago do Bambu, Taiwan<br \/>\nGrande Frio, Ano do Tigre<\/p>\n<p>* N. da T. brasileira: A tradu&ccedil;&atilde;o literal do ideograma para esse serm&atilde;o seria Sang&uuml;&iacute;neo. O t&iacute;tulo em Ingl&ecirc;s &eacute; Sistema Circulat&oacute;rio. <\/i><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"a\"><b>Por Philip Kapleau<\/b><\/a><br \/>\nBodhidharma (J. Daruma): o vig&eacute;simo oitavo Patriarca na linha do Buda, o primeiro Patriarca do Zen na China. Os estudiosos n&atilde;o est&atilde;o de acordo quanto &agrave; data da ida de Bodhidharma da &Iacute;ndia para a China, ao tempo em que permaneceu ali e a ocasi&atilde;o de sua morte; contudo, e geralmente admitido pelos budistas Zen japonesesque ele foi de barco da &Iacute;ndia ao Sul da China cerca do ano 520 e, ap&oacute;s uma curta tentativa fracassada de estabelecer ali seus ensinamentos, foi para Lo-Yang no Norte da China e finalmente se fixou no Templo Shorin (Shao-lin), localizado no Monte Su (Sung-shan). Ali praticou tenazmente o zazen durante nove anos, raz&atilde;o pela qual esse per&iacute;odo veio a ser conhecido como seus &#8220;nove anos defronte da parede&#8221;.<\/p>\n<p>Bodhidharma e <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/hui-ko\/\">Eka (Hui-k\u2019o)<\/a>, seu disc&iacute;pulo a quem transmitiu o Dharma, s&atilde;o os personagens do quadrag&eacute;simo primeiro Koan no <i>Mumonkan, <\/i>assim como de uma famosa pintura de Sesshu, o maior pintor japon&ecirc;s. Eka, um estudioso de certo renome, queixa-se a Bodhidharma, que est&aacute; em sil&ecirc;ncio fazendo zazen, de que n&atilde;o tem paz de esp&iacute;rito e pergunta como pode adquiri-la. Bodhidharma manda-o embora dizendo que a consecu&ccedil;&atilde;o da paz interior exige longa e severa disciplina e n&atilde;o &eacute; para os presun&ccedil;osos ou pusil&acirc;nimes. Eka, que tinha ficado do lado de fora, na neve, durante horas, implora a Bodhidharma que o ajude. De novo &eacute; repelido. Em desespero, ele corta sua m&atilde;o esquerda e a oferece a Bodhidharma. Convencido de sua sinceridade e determina&ccedil;&atilde;o, Bodhidharma aceita-o como disc&iacute;pulo.<\/p>\n<p>Se, historicamente, estes epis&oacute;dios s&atilde;o reais ou n&atilde;o, importa menos que o fato de revelarem simbolicamente a import&acirc;ncia dada pelos mestres Zen ao anseio pela paz de esp&iacute;rito, ao zazen, e &agrave; sinceridade e humildade, perseveran&ccedil;a e fortaleza como pr&eacute;-requisitos para a consecu&ccedil;&atilde;o da mais elevada verdade.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"b\"><b>Bodhidharma<sup>2<\/sup><\/b><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\">Por Jean-Michel Varenne<\/div>\n<p><i>&#8220;Ao longo da roda sem fim dos nascimentos e<br \/>\nrenascimentos.<br \/>\nEm busca v\u00e3. empenhei-me em encontrar<br \/>\nQuem concebera o edif\u00edcio.<br \/>\nQue mis\u00e9ria! Nascer, sem cessar!<br \/>\n\u00d3\t construtor, eis que vos descobri!<br \/>\nEsta obra, n\u00e3o a reconstruireis jamais!<br \/>\nTodas as vigas est\u00e3o destro\u00e7adas,<br \/>\nO\t teto pontiagudo jaz por terra!<br \/>\nEste esp\u00edrito logrou a dissolu\u00e7\u00e3o<br \/>\nE assistiu \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o do desejo!&#8221;<\/i> <\/p>\n<p>Mil anos separam o canto vitorioso do Buda, ap\u00f3s obter a ilumina\u00e7\u00e3o, da chegada de Bodhidharma, o propagador do Zen, \u00e0 China.<\/p>\n<p>E, contudo, a mesma procura, a mesma exig\u00eancia os une: logo outros cantos de vit\u00f3ria seriam ouvidos em terra chinesa.<\/p>\n<p>Os adeptos do Zen sempre desejaram estabelecer uma filia\u00e7\u00e3o espiritual de mestre a disc\u00edpulo desde Gautama at\u00e9 Bodhidharma, o \u00faltimo patriarca indiano. Mas \u00e9 preciso levar em conta que essa genealogia tardia n\u00e3o encontra respaldo algum nos documentos hist\u00f3ricos. Devemos, pois, consider\u00e1-la com  \/><\/p>\n<p>Segundo os textos, o Zen foi diretamente transmitido pelo Buda a seu disc\u00edpulo  Mahakashyapadurante uma reuni\u00e3o da congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Gautama apresentara uma flor \u00e1 assembl\u00e9ia sem dizer uma palavra. Somente Mahakashyapa compreendera a alus\u00e3o, respondendo com um sorriso&#8230;<\/p>\n<p>A anedota, verdadeira ou ap\u00f3crifa, tem o m\u00e9rito de traduzir com exatid\u00e3o o esp\u00edrito n\u00e3o-verbal do Tch&#8217;an tal como Bodhidharma o propagou.<\/p>\n<p>Os &#8220;genealogistas&#8221; do budismo nomeiam vinte e sete patriarcas indianos, que se sucederam sem interrup\u00e7\u00e3o at\u00e9 Bodhidharma. Este \u00faltimo, filho de um br\u00e2mane convertido ao budismo, foi enviado pelo imperador Wu \u00e1 corte de Nanquim.<\/p>\n<p>O relato dessa entrevista tornou-se lend\u00e1rio. Tem j\u00e1 o sabor, o tom lapidar, o estilo e a jovialidade que far\u00e3o a gl\u00f3ria dos mestres do Tch&#8217;an.<\/p>\n<p>O imperador, budista fervoroso, tentou alardear aos olhos do mission\u00e1rio a soma dos m\u00e9ritos que acumulara em anos de servi\u00e7o \u00e0 religi\u00e3o: subven\u00e7\u00f5es aos monast\u00e9rios, c\u00f3pias de escrituras, edifica\u00e7\u00e3o de templos e santu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Asperamente, Bodhidharma retrucou que n\u00e3o via nisso motivo algum de gl\u00f3ria, tais &#8220;m\u00e9ritos&#8221; estavam totalmente destitu\u00eddos de valor!<\/p>\n<p>Aturdido, o imperador cobrou explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Isso tudo n\u00e3o representa mais que atos insignificantes dos homens. Quanto aos deuses, s\u00e3o apenas uma fonte fugidia de recompensas que os segue como a sombra segue o corpo. Ora, a sombra n\u00e3o existe, embora o pare\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211;\tQual \u00e9, pois, o verdadeiro m\u00e9rito?<br \/>\n&#8211; Ele consiste na compreens\u00e3o da sabedoria pura, cuja subst\u00e2ncia \u00e9 o sil\u00eancio e o vazio. Mas n\u00e3o se pode aspirar a esse m\u00e9rito como o mundo o faz.<br \/>\nCada vez mais confuso, o imperador ainda replicou:<br \/>\n&#8211;\tQual \u00e9 o primeiro princ\u00edpio da doutrina sagrada?<br \/>\nA resposta veio como uma bala de canh\u00e3o:<br \/>\n&#8211;\tUm vazio insond\u00e1vel e nada de sagrado!<br \/>\nSem argumentos, o monarca tentou pela \u00faltima vez confundir o s\u00e1bio:<br \/>\n&#8211;\tO que \u00e9 que est\u00e1 diante de mim?<br \/>\n&#8211;\tN\u00e3o sei.<\/p>\n<p>Bodhidharma pediu permiss\u00e3o e deixou o imperador. Diz a lenda que enfurnou-se por sete anos numa grota, mantendo-se assentado diante de uma parede- Antes de morrer, transmitiu o conhecimento a seu primeiro disc\u00edpulo.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria, qualquer que seja sua veracidade original, exprime perfeitamente a via negativa ou apof\u00e1tica que n\u00e3o tardaria a constituir a ess\u00eancia da pr\u00e1tica zen-budista.<\/p>\n<p>Ao imperador \u00e1vido por estadear seus m\u00e9ritos e ocupar-se das coisas sagradas, Bodhidharma replica que semelhante concep\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 absurda, votada \u00e0 confus\u00e3o. Enquanto insistimos em perpetuar algo como o &#8216;m\u00e9rito&#8221;, alimentamos a cren\u00e7a de que somos um ser distinto, aut\u00f4nomo.<\/p>\n<p>Finalmente, ao ser solicitado a definir sua natureza, Bodhidharma esquiva-se \u00e0 pergunta e finge nada saber.<\/p>\n<p>Tal \u00e9 a &#8220;parede&#8221; do Tch&#8217;an: um vazio impenetr\u00e1vel, nem sagrado, nem profano.<\/p>\n<p>O Zen recusa-se \u00e0 instiga\u00e7\u00e3o equivoca da teoriza\u00e7\u00e3o e da abstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bodhidharma enunciou quatro princ\u00edpios essenciais ao conjunto do &#8220;pensamento&#8221; zen ulterior. Esses princ\u00edpios tornaram os adeptos imunes ao pietismo e \u00e0 f\u00e9 cega.<\/p>\n<p><i>&#8211;\tTransmitir sem levar em conta as escrituras.<br \/>\n&#8211;\tN\u00e3o depender de palavras ou textos.<br \/>\n&#8211;\tAvan\u00e7ar diretamente rumo ao esp\u00edrito do homem.<br \/>\n&#8211;\tContemplar sua pr\u00f3pria natureza e alcan\u00e7ar a condi\u00e7\u00e3o de buda.<\/i><\/p>\n<p>Evitando fundamentar-se em textos, o Tch&#8217;an afasta as tenta\u00e7\u00f5es fetichistas e escol\u00e1sticas comuns \u00e0s religi\u00f5es. Quantos fi\u00e9is n\u00e3o se perderam no estudo e na exegese, esquecendo sua natureza inerente e deixando-se embair pelo encantamento m\u00edstico ou pela raz\u00e3o discursiva!<br \/>\nO que importa \u00e9 o esp\u00edrito do homem aqui e agora, sem a prote\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de escrituras sagradas.<br \/>\nAlertada pela presen\u00e7a de um s\u00e1bio, a pseudopersonalidade deseja exibir m\u00e9ritos conseguidos com pr\u00e1tica vaidosa. Mas os mestres do Tch&#8217;an sabem sempre encontrar a brecha na coura\u00e7a e apontar a verdade&#8230;<br \/>\nO esp\u00edrito Tch&#8217;an n\u00e3o se reveste de discursos, mas como uma ave de rapina ataca a presa oferecida pelo questionador desatento, imbu\u00eddo de sua personalidade mesquinha.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"c\"><b>Transmiss\u00e3o na \u00cdndia<\/b><\/a><sup>3<\/sup><br \/>\n<b>28. De <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/prajnatara\/\">Prajnatara<\/a> para<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/bodhidharma\/\">Bodhidharma<\/a><\/b><\/p>\n<p>O ex-pr\u00edncipe Bodhidharma conheceu<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/prajnatara\/\">Prajnatara<\/a>. como um mestre de <i>Vajramushti<\/i>, a arte marcial da antiga \u00cdndia. Depois, ele descobriu que Prajnatara tamb\u00e9m era um mestre do Dharma de Buddha, pelo qual se interessou ainda mais.<\/p>\n<blockquote><p><b>Prajnatara:<\/b> O<br \/>\n  que \u00e9 completamente sem caracter\u00edsticas e, portanto, completamente<br \/>\n  incaracteriz\u00e1vel?<br \/><b>Bodhidharma:<\/b> \u00c9 aquilo que nunca, quando se<br \/>\n  manifesta livremente, nunca surge no lugar original.<br \/><b>Prajnatara:<\/b> O<br \/>\n  que \u00e9 o mais excelente, exalto e sublime?<br \/><b>Bodhidharma:<\/b> \u00c9 a clareza e<br \/>\n  brilho inatos da pr\u00f3pria consci\u00eancia.<br \/><b>Prajnatara:<\/b> O que \u00e9 realmente<br \/>\n  ilimitado e, portanto, sem nenhuma divis\u00e3o ou liga\u00e7\u00e3o?<br \/><b>Bodhidharma:<\/b><br \/>\n  \u00c9 a pr\u00f3pria natureza da realidade, da maneira que ela \u00e9, momento a<br \/>\n  momento. <\/p><\/blockquote>\n<p>Depois dessa transmiss\u00e3o,Prajnatara pediu a Bodhidharma para que levasse a luz do Dharma at\u00e9 a China.<br \/>\nDepois de uma longa viagem de barco, ele chegou l\u00e1 e se encontrou com o<br \/>\nimperador Wu, do reino de Liao.<\/p>\n<blockquote><p><b>Wu:<\/b> Eu constru\u00ed<br \/>\n  templos e monast\u00e9rios para os monges, dei dinheiro para os pobres. Quantos<br \/>\n  m\u00e9ritos eu consegui?<br \/><b>Bodhidharma:<\/b> M\u00e9rito nenhum.<br \/><b>Wu:<\/b><br \/>\n  Ent\u00e3o, o que \u00e9 o ensinamento sagrado do Buddha?<br \/><b>Bodhidharma:<\/b> \u00c9 vazio<br \/>\n  e nada tem de sagrado.<br \/><b>Wu:<\/b> Mas afinal, quem \u00e9<br \/>\n  voc\u00ea?<br \/><b>Bodhidharma:<\/b> N\u00e3o sei. <\/p><\/blockquote>\n<p>Depois disso, Bodhidharma se retirou para o norte e se instalou no monast\u00e9rio Shao-lin, onde se iniciaria a<br \/>\nluminosa linhagem chinesa do Zen.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><a name=\"d\"><b>Transmiss\u00e3o na China<\/b><\/a><sup>3<\/sup><br \/>\n<b>29. De <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/bodhidharma\/\">Bodhidharma<\/a> para<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/hui-ko\/\">Hui-k&#8217;o<\/a><\/b><\/p>\n<p>Hui-k&#8217;o tinha estudado as duas filosofias<br \/>\nchinesas, o confucionismo e o tao\u00edsmo, mas seu interesse real era pelo Dharma de<br \/>\nBuddha. Tornou-se monge, passou a estudar os sutras e a meditar rigorosamente.<br \/>\nCom a permiss\u00e3o do seu abade, ele viajou ao monast\u00e9rio Shao-lin, onde estava o<br \/>\nmestre Bodhidharma. Hui-k&#8217;o s\u00f3 foi admitido por Bodhidharma ap\u00f3s cortar o<br \/>\npr\u00f3prio bra\u00e7o, como prova de f\u00e9 inabal\u00e1vel. Oito anos depois, ele<br \/>\ndeclarou:<\/p>\n<blockquote><p><b>Hui-k&#8217;o:<\/b><br \/>\n  Finalmente, coloquei fim \u00e0s condi\u00e7\u00f5es.<br \/><b>Bodhidharma:<\/b> Tal estado deve<br \/>\n  ser equivalente \u00e0 morte.<br \/><b>Hui-k&#8217;o:<\/b> N\u00e3o tem nada tem a ver com a<br \/>\n  morte.<b>Bodhidharma:<\/b> Pode me provar isso?<br \/><b>Hui-k&#8217;o:<\/b> Estou<br \/>\n  claramente e continuamente desperto. Absolutamente, n\u00e3o h\u00e1 palavras adequadas<br \/>\n  para expressar esta claridade!<br \/><b>Bodhidharma:<\/b> Esteja certo de que tal<br \/>\n  claridade \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia da mente de todos os buddhas.\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Com esta transmiss\u00e3o, Hui-k&#8217;o tornou-se o segundo ancestral do <i>Ch&#8217;an<\/i>, o Zen chin\u00eas.<\/p>\n<hr \/>\n<ol type=\"1\">\nFontes:<\/p>\n<li>&#8220;Os tr\u00eas pilares do Zen&#8221; de Philip Kapleau<\/li>\n<li>&#8220;O Zen&#8221; de Jean-Michel Varenne<\/li>\n<li>www.dharmanet.com.br<\/li>\n<li>www.zen.hpg.ig.com.br\/zen.html<\/li>\n<\/ol>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<p><a name=\"e\"><b>Textos<\/b><\/a><br \/>\n<a href=\"default.asp?menu=173\" class=\"broken_link\">As Duas Entradas no Caminho<\/a><br \/>\n<a href=\"default.asp?menu=405\" class=\"broken_link\">Esbo\u00e7o da pr\u00e1tica<\/a><br \/>\n<a href=\"default.asp?menu=406\" class=\"broken_link\">Serm\u00e3o do ciclo da vida<\/a><br \/>\n<a href=\"default.asp?menu=407\" class=\"broken_link\">Serm\u00e3o do despertar<\/a><br \/>\n<a href=\"default.asp?menu=408\" class=\"broken_link\">Serm\u00e3o da grande descoberta<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<p><a name=\"g\">Linhagem desde Saquiamuni<\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:center\">\n<ol type=\"1\"><b><u>BUTSU<\/u><\/b><\/p>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/buda\/\">BIBASHI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/buda\/\">SHIKI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/buda\/\">BISHAFU<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/buda\/\">KURUSON<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/buda\/\">KUNAGONMUNI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/buda\/\">KASHO<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/buda\/\">XAQUIAMUNI<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<table width=\"100%\" border=\"0\">\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<ol type=\"1\"><b><u>\u00cdNDIA<\/u><\/b><\/p>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/mahakashyapa\/\">MAKAKASHO<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/ananda\/\">ANANDA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/shanavasa\/\">SHONAWASHU<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/upagupta\/\">UBAGIKUTA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/dhritaka\/\">DAITAKA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/michaka\/\">MISHAKA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/vasumitra\/\">BASHUMITSU<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/buddhananda\/\">BUTSUDANANDAI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/buddhamitra\/\">FUDAMITA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/parshvanatha\/\">BARISHIBA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/punyayashas\/\">FUNAYASHYA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/ashvagosha\/\">ANABOTEI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/kapimala\/\">KABIMORA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nagarjuna\/\">NAGYAHARAJUNA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/aryadeva\/\">KANADAIBA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/rahulata\/\">RAGORATA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sanghanandi\/\">SOGYANANDAI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/gayashata\/\">KAYSHATA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/kumarata\/\">KUMORATA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/jayata\/\">SHAYATA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/vasubandhu\/\">BASHUBANZU<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/manorhita\/\">MANURA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/haklenayasha\/\">KAKUROKUNA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/aryasimha\/\">SHSISHIBODAI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/basiasita\/\">BASHASHITA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/punyamitra\/\">FUNYOMITA <\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/prajnatara\/\">HANNYATARA <\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<ol type=\"1\" start=\"28\"><b><u>CHINA<\/u><\/b><\/p>\n<li><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/bodhidharma\/\">BODAIDARUMA<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bodhidharma(483d.C &#8211; 540 d.C) O Vig&eacute;simo oitavo Patriarca Primeiro Patriarca chin&ecirc;s por Shinzen por Kapleau por Varenne Transmiss\u00e3o na \u00cdndia Transmiss\u00e3o na China Textos Linhagem Bodhidharma na China4 Este texto foi traduzido para o portugu&ecirc;s por Shinzen, que ofereceu sua &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/bodhidharma\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt 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