{"id":5798,"date":"2018-10-01T11:37:45","date_gmt":"2018-10-01T13:37:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?page_id=5798"},"modified":"2018-10-01T11:45:16","modified_gmt":"2018-10-01T13:45:16","slug":"transcendendo-a-injustica-a-historia-de-quan-am-thi-kinh","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/transcendendo-a-injustica-a-historia-de-quan-am-thi-kinh\/","title":{"rendered":"Transcendendo a injusti\u00e7a: A hist\u00f3ria de Quan Am Thi Kinh"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b><i>Ensinamentos do Mestre <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/thich-nhat-hanh\/\"><b>Thich Nhat Hanh<\/b><\/a><br \/>\nRetiro em Lower Hamlet<br \/>\n28 de julho, 1996<\/i><br \/>\nTranscrito e editado por Carol Fegan, Chan An Cu<br \/>\nRevisado por Brendan Sillifant<br \/>\nTraduzido ao Portugu&ecirc;s por Claudio Miklos<\/b><\/div>\n<p><em>Queridos Amigos,<br \/>\nEstas transcri&ccedil;&otilde;es das palestras de dharma s&atilde;o ensinamentos dados pelo Vener&aacute;vel Thich Nhat Hanh em Plum Village ou em v&aacute;rios retiros ao redor do mundo. Os ensinamentos atravessam todas as &aacute;reas de reflex&atilde;o para os praticantes, desde o lidar com emo&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis, at&eacute; o perceber a natureza da integra&ccedil;&atilde;o do ser em n&oacute;s mesmos e em todas as coisas, e muito mais. Este projeto age por &#8216;Dana&#8217;, generosidade, assim estas conversas est&atilde;o dispon&iacute;veis a todos. Voc&ecirc;s podem repassar e redistribuir por e-mail, e tamb&eacute;m podem imprimi-los e os distribuir para os companheiros de seu Sangha. O prop&oacute;sito disto &eacute; fazer os ensinamentos de Thay dispon&iacute;veis para as muitas pessoas que gostariam de receb&ecirc;-los o mais poss&iacute;vel. A &uacute;nica coisa que n&oacute;s pedimos &eacute; que voc&ecirc;s os distribuam como s&atilde;o, por favor n&atilde;o distribuam ou os reproduzam em forma alterada ou os editem de qualquer forma. Se voc&ecirc;s quiserem apoiar a transcri&ccedil;&atilde;o destas conversas de Dharma ou desejarem contribuir com os trabalhos da Igreja budista Unificada, enviem suas contribui&ccedil;&otilde;es para: Transcription Project.<br \/>\nPlum Village &#8211; Lower Hamlet<br \/>\nMeyrac, Loubes-Bernac, 47120 FRANCE<br \/>\nSite do Templo: http:\/\/plumvillage.org\/<\/em> <\/p>\n<p>Palestra de Dharma dada por Thich Nhat Hanh 28 de julho de 1996 em Plum Village, Fran&ccedil;a. <\/p>\n<p>Bom dia Queridos Amigos,<\/p>\n<p>Hoje &eacute; 28 de julho, 1996, n&oacute;s estamos no Lower Hamlet e vamos falar em ingl&ecirc;s.<br \/>\nEra uma vez uma menina cujo nome era Kinh que nasceu no Vietn&atilde; do Norte h&aacute; muito, muito tempo atr&aacute;s. Os pais dela teriam preferido um menino, mas uma menina nasceu, contudo eles ainda estavam contentes e a chamaram Kinh. Kinh quer dizer &#8220;respeito, rever&ecirc;ncia&#8221;. Esse &eacute; mesmo um bom nome. Voc&ecirc; respeita pessoas, voc&ecirc; respeita animais, voc&ecirc; respeita a vida incluindo as plantas e os minerais. Rever&ecirc;ncia. Reverencia &agrave; vida, aquela que est&aacute; dentro de voc&ecirc;s e ao seu redor. Kinh era uma crian&ccedil;a muito bonita. Ainda pequena ela j&aacute; era muito bonita, como uma flor. Kinh costumava ir ao templo budista da aldeia com a sua m&atilde;e para oferecer flores de l&oacute;tus ao Buddha e escutar as palestras de Dharma dadas pelo monge superior. Ela amava o Dharma.<br \/>\nHavia uma inten&ccedil;&atilde;o muito forte nela de se tornar algo como uma monja, porque ela viu os monges vivendo suas vidas muito felizmente e ajudando tantas pessoas. Ela desejou que pudesse se tornar uma monja, porque praticar, viver no templo &#8211; tudo &#8211; parecia ser muito bonito e tranq&uuml;ilo. Ela amava a maneira dos monges, indo e vindo de um lado para outro com gentileza, tocando tudo com rever&ecirc;ncia. Ela simplesmente adorava o Dharma, embora fosse ainda muito pequena. Ela perguntou sobre a possibilidade de tornar-se uma monja, e eles disseram n&atilde;o, n&atilde;o para meninas. Devido o Budismo ter sido introduzido h&aacute; pouco no Vietnam, haviam apenas monast&eacute;rios para monges; talvez houvesse um ou dois templos para monjas, mas eram muito raros. Por aquele tempo, n&atilde;o havia nenhum avi&atilde;o, n&atilde;o havia nenhum &ocirc;nibus, assim ela n&atilde;o podia imaginar que pudesse viajar para longe. Ela n&atilde;o estava contente com a id&eacute;ia de que nunca pudesse se tornar uma monja por ser uma menina. Um tipo de frustra&ccedil;&atilde;o estava nela &#8211; ela acreditava que tamb&eacute;m como menina a pessoa pudesse praticar como um monge e poderia viver o Dharma alegremente como um monge.<\/p>\n<p>Ela cresceu como uma menina bonita e seus pais quiseram cas&aacute;-la com algu&eacute;m no bairro. Antigamente, casamentos eram organizados pelos pais, e voc&ecirc; devia os obedecer porque eles tinham a sabedoria, sabiam o que era bom para voc&ecirc;. O desejo mais profundo de seus pais era ver sua filha se casando com um homem jovem e com um futuro brilhante. Uma manh&atilde; eles receberam uma carta dos pais de um homem jovem, perguntando se podiam casar sua filha com o filho deles. O nome do homem jovem era Sung Tin &#8211; o &#8220;estudioso da bondade,&#8221; o &#8220;estudante da bondade&#8221;. Eu n&atilde;o sei qu&atilde;o bom ele era, qu&atilde;o luminoso como ser humano ele era, mas parecia que tinha nascido em uma fam&iacute;lia de tradi&ccedil;&atilde;o excelente, uma fam&iacute;lia nobre. Ele parecia ter um futuro luminoso, porque era um bom estudante, poderia passar no exame e poderia se tornar um funcion&aacute;rio alto no governo. O sonho de todos os estudantes no passado era passar no exame superior e ser selecionado pelo rei para ser um ministro, chefe de prov&iacute;ncia, e assim por diante.<br \/>\nKinh teve que os obedecer e se tornar a esposa de Sung Tin, embora o amor dela, seu desejo mais profundo, era se tornar uma monja. N&atilde;o havia nenhum modo; [aquela &eacute;poca] n&atilde;o era como agora. Em nosso tempo, se uma jovem quer se tornar uma monja, ela pode apanhar o telefone e inquirir sobre a exist&ecirc;ncia de mosteiros. Mas naquela &eacute;poca Kinh n&atilde;o tinha qualquer oportunidade de fazer isso. Assim ela enterrou seu desejo bem fundo e teve que obedecer seus pais, se casando com aquele jovem, Sung Tin. Claro que a jovem esposa teve que apoiar seu marido nos estudos. Nutrir o marido, apoiar o marido de forma que ele pudesse ter sucesso nos estudos era a tarefa principal de uma jovem esposa daquele tempo.<br \/>\nA fam&iacute;lia de Sung Tin era rica, assim Kinh n&atilde;o teve que trabalhar muito duro para apoiar seu marido. Por&eacute;m, havia muitas esposas jovens que tiveram que vender arroz em um mercado ou carregar arroz no calor do ver&atilde;o para ganhar bastante dinheiro para apoiar seus maridos nos estudos. Este n&atilde;o era o caso de Kinh porque a fam&iacute;lia por parte de esposo era muito rica. Assim ela apenas cuidava do servi&ccedil;o dom&eacute;stico, limpava, cozinhava, costurava suas roupas, e assim por diante. Kinh foi treinada muito cuidadosamente como uma dona-de-casa pelos seus pais. Um dia, enquanto estava remendando algum pano, o seu marido, Sung Tin, que estava estudando ao lado dela, dormiu. Estudantes querem estudar o m&aacute;ximo poss&iacute;vel, eles querem se encher com muitos livros e tanto conhecimento quanto poss&iacute;vel. Assim ele estava tentando fazer a mesma coisa. Ele estudou dia e noite e naquele dia, lendo um livro perto de sua esposa, dormiu.<br \/>\nQuando Kinh olhou para Sung Tin, ela viu que alguns fios de bigode n&atilde;o estavam uniformemente cortados. Assim, por amor e preocupa&ccedil;&atilde;o ela usou um par de tesouras e tentou aparar esses tr&ecirc;s ou quatro fios. Mas de repente seu marido despertou. E naquele estado sonolento, ele pensou que ela estava tentando mat&aacute;-lo! Assim ele gritou, e gritou. Ele gritou. Eu n&atilde;o sei qu&atilde;o profundo o amor deles era, o quanto eles entendiam um ao outro, mas isto &eacute; o que aconteceu. Assim os pais dele vieram e perguntaram, &#8220;Por que voc&ecirc; est&aacute; gritando tanto?&#8221; Ele disse, &#8220;Bem, eu estava cochilando. Quando eu despertei, a vi usar um par de tesouras esta forma. Eu n&atilde;o sei.&#8221; Os pais disseram, &#8220;&Agrave;s vezes acontece que esposas infi&eacute;is tentem matar seus maridos, porque est&aacute; em sua mente outros desejos, outros homens. Assim n&oacute;s n&atilde;o a queremos mais como nora. Gostar&iacute;amos de mand&aacute;-la de volta para sua casa &#8220;. Kinh tentou explicar, mas os pais n&atilde;o quiseram aceitar.<br \/>\nQuando eu pratiquei olhando profundamente nisto, vi que a causa dela ser dispensada como nora n&atilde;o era nenhuma suspeita, mas ci&uacute;me. Desde o tempo que o jovem casou ele gastou todo seu tempo com a esposa, e os pais sentiam que eles tinham perdido o filho. Esta nova mulher que veio para a casa deles monopolizou-lhes o filho completamente, assim eles agiram sob este tipo de ci&uacute;me sem sequer perceber. Ent&atilde;o eles escreveram uma carta aos pais dela e lhes pediram vir e a levar de volta. Imagine como era grande o sofrimento vivido por aquela fam&iacute;lia. Para eles sua filha era perfeita, sua filha era muito verdadeira, muito fiel. Era um tipo de injusti&ccedil;a. E essa foi a primeira injusti&ccedil;a que Kinh teve que sofrer, ag&uuml;entar, aceitar. Assim eles a trouxeram para casa. Seus pais acreditaram que ela n&atilde;o teve a inten&ccedil;&atilde;o de matar o marido. Era apenas um infort&uacute;nio, e os tr&ecirc;s sofreram.<\/p>\n<p>[Sino]<\/p>\n<p>Mas Kinh tinha aprendido algo da vida conjugal. Ela viu que as pessoas est&atilde;o cheias de percep&ccedil;&otilde;es erradas. At&eacute; mesmo naquela fam&iacute;lia rica, eles se faziam sofrer muito. O amor que ela sentia naquela fam&iacute;lia n&atilde;o era bastante para a fazer feliz, faz&ecirc;-la florescer como uma flor. Aquele tipo de amor, aquele tipo de vida, n&atilde;o satisfez sua necessidade mais profunda. Assim a id&eacute;ia de tornar-se uma monja ressurgiu de repente. Ela passou muitas noites pensando em como se tornar um monge para praticar em um templo budista, de forma que pudesse abra&ccedil;ar o Dharma completamente e dedicar sua vida &agrave; pr&aacute;tica do Dharma.<\/p>\n<p>Uma noite ela decidiu que se disfar&ccedil;aria como um jovem e tentaria ser aceita por um monast&eacute;rio. Ela n&atilde;o pensou em ir para um templo perto da sua fam&iacute;lia, porque as pessoas a reconheceriam e seus pais n&atilde;o lhe permitiriam ir. Ela decidiu ir para longe porque haviam templos em todos os lugares. Ela teve que caminhar algo como cem milhas para ir longe o bastante para que nem mesmo seus pais saberiam onde estaria. E ela n&atilde;o falou para as suas amigas que queria se tornar monge. Porque se ela o fizesse, seus pais iriam procurar por ela nos templos e logo a descubririam. Ela manteve seu desejo muito secreto.<\/p>\n<p>Um dia ela simplesmente desapareceu com alguns pertences e deixou para tr&aacute;s uma carta que dizia, &#8220;Querida M&atilde;e, querido Pai, existe algo que amo muito e que desejo realizar. Ent&atilde;o por favor me perdoem por n&atilde;o poder ficar em casa para cuidar de voc&ecirc;s, porque este desejo em mim &eacute; muito grande.&#8221; Voc&ecirc;s sabem que este desejo &eacute; Bodhicitta &#8211; o desejo de praticar o Dharma e trazer felicidade para muitas pessoas, porque as pessoas sofrem em todos lugares e encontram-se presas em suas percep&ccedil;&otilde;es erradas; elas fazem injusti&ccedil;as diariamente uma &agrave;s outras. Ela n&atilde;o queria repetir aquele tipo de vida novamente, ela queria se tornar um monge. Assim depois de ter caminhado mais de cem milhas, achou um templo &#8211; um templo nomeado Phap Van, Nuvem do Dharma, n&atilde;o muito longe de Hanoi.<\/p>\n<p>Quando ela veio ao templo disfar&ccedil;ada como jovem, como um estudante, pediu para ver o abade. Ela assistiu &agrave; palestra do Dharma e ficou t&atilde;o comovida que esperou at&eacute; que todas as pessoas fossem para casa, aproximou-se do monge, e pediu para ser ordenada como um monge novi&ccedil;o. O monge lhe pediu que se sentasse e disse, &#8220;Jovem, por que voc&ecirc; quer se tornar um monge?&#8221; E ela disse, &#8220;Querido professor, eu vi que tudo &eacute; impermanente, que nada pode durar para sempre. Tudo &eacute; como um sonho, tudo &eacute; como um clar&atilde;o de raio. Quando olhei uma nuvem no c&eacute;u, primeiro vi a nuvem com a forma de um cachorro, e num instante a forma de cachorro foi transformada. Eu via a nuvem agora na forma de uma camisa. Todo o mundo est&aacute; tentando adquirir fama, lucro e dinheiro no mundo e eles n&atilde;o parecem estar realmente contentes. Eu quero ter a verdadeira felicidade, e acredito que s&oacute; no Dharma poderei encontrar paz e felicidade.&#8221; Depois de ter dito isso, permaneceu quieta e o monge a felicitou, &#8220;Jovem, voc&ecirc; entendeu o ensinamento da imperman&ecirc;ncia e eu espero que voc&ecirc; tenha sucesso na pr&aacute;tica como um monge.&#8221; Assim ele lhe permitiu ficar no templo, e tr&ecirc;s meses depois ela foi ordenada como um monge novi&ccedil;o.<br \/>\nSeu nome de Dharma era Kinh Tam. Ele manteve o nome Kinh, &#8220;rever&ecirc;ncia,&#8221; e a ele somou o nome Tam &#8220;cora&ccedil;&atilde;o&#8221;. Rever&ecirc;ncia do Cora&ccedil;&atilde;o ou O Cora&ccedil;&atilde;o de Rever&ecirc;ncia. Meus estudantes todos usam o nome de Dharma &#8220;cora&ccedil;&atilde;o.&#8221; &#8220;Fonte do cora&ccedil;&atilde;o,&#8221; &#8220;Porta do cora&ccedil;&atilde;o,&#8221; tudo &eacute; &#8220;do cora&ccedil;&atilde;o&#8221;. Assim eles compartilham algo do nome do novi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Kinh Tam praticou muito bem, com muito afinco. Ela era muito inteligente. Ela estudou, aprendeu os sutras muito depressa e desfrutou muito a vida de um jovem monge. O seu professor a amou muito e sempre acreditou que ela fosse um jovem. O jovem novi&ccedil;o era muito bonito. Embora estivesse disfar&ccedil;ada como um jovem, embora n&atilde;o usasse qualquer coisa &#8211; ouro ou perfume e coisas assim &#8211; ela ainda ficava muito bonita como um jovem &#8220;monge&#8221;, e isso criou um perigo para ela. Porque na aldeia abaixo havia uma filha da fam&iacute;lia mais rica, que vinha ao templo todas as quinzenas para oferecer incenso, flores, e assim por diante, com sua m&atilde;e. A primeira vez em que ela viu o jovem monge, se apaixonou imediatamente por ele.<\/p>\n<p>Eu n&atilde;o penso que fosse por causa de seu rosto; sua face era bonita, sim. Mas havia algo mais que a apar&ecirc;ncia de um homem jovem. O jovem monge praticou a consci&ecirc;ncia muito bem &#8211; n&oacute;s temos que a chamar &#8220;ele&#8221; &#8211; praticou o caminhar conscientemente, beber conscientemente, fazendo tudo conscientemente. E por isso ele parecia muito bonito. Porque as pessoas na sociedade n&atilde;o s&atilde;o bonitas assim; elas sempre t&ecirc;m pressa, elas s&oacute; correm, elas s&oacute; fazem as coisas depressa, elas n&atilde;o t&ecirc;m aquela liberdade, aquele relaxamento, aquele tipo de paz que &eacute; expressa pelo modo como voc&ecirc; olha, pelo modo como voc&ecirc; faz as coisas, pelo modo como voc&ecirc; se senta, pelo modo como voc&ecirc; caminha. E &eacute; por isso que a jovem dama se apaixonou imediatamente pelo jovem monge.<\/p>\n<p>O nome dela era Mau. Mau quer dizer &#8220;cor.&#8221; Que cor, eu n&atilde;o sei. Eu n&atilde;o a culpo. Eu n&atilde;o a culpo porque o monge era [realmente] muito bonito. Voc&ecirc;s podem cham&aacute;-lo de &#8220;belo,&#8221; mas ele era mais que belo, ele era bonito porque tinha paz dentro de si. Assim se uma dama se apaixona por um monge, isso n&atilde;o &eacute; algo extraordin&aacute;rio, isso acontece. Eu me lembro que h&aacute; tempos um homem veio a Plum Village e perguntou para a Monja Jina, &#8220;Voc&ecirc; &eacute; uma mo&ccedil;a bonita, por que se tornou uma monja? Isso &eacute; uma pena, &eacute; uma perda.&#8221; Depois de um pouco de sil&ecirc;ncio a Monja Jina disse, &#8220;Se voc&ecirc; me v&ecirc; como bonita, &eacute; porque eu me tornei uma monja. Se eu n&atilde;o tivesse me tornado uma monja, n&atilde;o seria t&atilde;o agrad&aacute;vel, t&atilde;o bela quanto voc&ecirc; pode ver.&#8221;<\/p>\n<p>Isso &eacute; verdade, quando voc&ecirc; se torna monge ou uma monja, fica muito mais bonito. Voc&ecirc; se adorna com paz, com consci&ecirc;ncia, com a pr&aacute;tica do Dharma, e eis por que voc&ecirc; emana aquele tipo de beleza que &eacute; raro na sociedade. Assim eu realmente n&atilde;o culpo Mau de nada. Se eu fosse Mau, tamb&eacute;m me apaixonaria pelo jovem novi&ccedil;o. Ela tentou falar com ele, tentando achar oportunidades para estar s&oacute; com o jovem monge, Kinh Tam. Mas Kinh Tam sempre parecia a evitar; era muito frustrante. &Agrave;s vezes ela tentava adivinhar com anteced&ecirc;ncia aonde o monge iria, e corria para esperar por ele, mas quando ele a via, virava e caminhava em outra dire&ccedil;&atilde;o. Ela tentou v&aacute;rias vezes expressar seu amor para com o jovem monge, mas ele estava muito determinado em continuar praticando como um monge.<\/p>\n<p>Ela ficou muito frustrada. Ela n&atilde;o sabia como transformar seu amor. Ela n&atilde;o entendia o Dharma. Ela s&oacute; praticava o Budismo de uma forma muito superficial &#8211; ir ao templo, oferecer muitas bananas, arroz doce e flores e fazer muitas prostra&ccedil;&otilde;es. Ela n&atilde;o soube como praticar de modo a cuidar de seu desejo, sua raiva, e assim por diante. Quando voc&ecirc; vai para o templo, tem que aprender o Dharma. Voc&ecirc; tem que se transformar na pr&aacute;tica do Dharma e n&atilde;o agir como Mau. A paix&atilde;o dela por ele era profunda, e ela ficou profundamente frustrada. Foi por isso que, um dia, quando seus pais n&atilde;o estavam em casa, ela chamou no seu quarto um jovem que trabalhava como criado, assistente, na fam&iacute;lia. Ele cuidava do jardim e do servi&ccedil;o dom&eacute;stico, e durante uma noite &#8211; eu penso que era uma noite de lua cheia &#8211; ela n&atilde;o p&ocirc;de ag&uuml;entar mais sua paix&atilde;o. Assim ela o chamou e lhe permitiu para fazer sexo com ela, e durante o ato ela imaginou o jovem como sendo o novi&ccedil;o. Est&aacute; dito muito claramente na hist&oacute;ria que naquele estado de ser meio desperto, ela imaginou o homem jovem como o bonito novi&ccedil;o.<br \/>\nO acidente aconteceu. E alguns meses depois, soube que estava gr&aacute;vida. Ela tentou esconder isto de seu pai e sua m&atilde;e, mas a gravidez ficou mais e mais aparente. Os pais perguntaram, &#8220;Por que voc&ecirc; est&aacute; assim minha filha? Voc&ecirc; n&atilde;o quer comer qualquer coisa, se recusa a comer arroz, s&oacute; come coisas muito azedas.&#8221; Ela disse, &#8220;N&atilde;o, estou perfeitamente bem, meus pais. Eu apenas n&atilde;o me muito sinto bem em meu corpo, eis tudo. Talvez meu sangue precise de purifica&ccedil;&atilde;o.&#8221; Mas em poucos dias, ela foi chamada pelo conselho da aldeia junto com seus pais, porque na aldeia tinham notado que a mo&ccedil;a jovem sem marido tinha ficado gr&aacute;vida. Eles montaram um tipo de tribunal e lhe pediram que lhes falasse com quem ela tinha dormido para ficar nesta condi&ccedil;&atilde;o de gr&aacute;vida. Assim ela pensou por muito tempo: &#8220;O homem jovem j&aacute; foi expulso [por mim]. At&eacute; mesmo se eu contar a verdade, as pessoas n&atilde;o me acreditariam. O chefe da aldeia disse que eu deveria lhes contar a verdade, e se eu nomeio o jovem, eu terei a oportunidade de o ter como marido oficial. Por que eu n&atilde;o lhes falo que o homem que dormiu comigo foi o novi&ccedil;o Kinh Tam que est&aacute; praticando no templo Phap Van?&#8221; Assim ela disse aos &#8220;Respeitados anci&atilde;os, fui ao templo e me apaixonei pelo jovem novi&ccedil;o Kinh Tam. E n&oacute;s n&atilde;o pudemos ag&uuml;entar ver nosso amor n&atilde;o ser cumprido, por isso cometemos o engano. Por favor, nos perdoe.&#8221;<br \/>\nO chefe da aldeia enviou algu&eacute;m para convocar a fam&iacute;lia do templo: o monge, o novi&ccedil;o, e algumas outras pessoas do templo. Quando Kinh Tam chegou, lhe foi dito que Mau tinha declarado que &#8220;ele&#8221; tinha dormido com ela e tinha a feito ficar gr&aacute;vida, e o cabe&ccedil;a do conselho disse, &#8220;Kinh Tam, jovem novi&ccedil;o, voc&ecirc; j&aacute; decidiu se tornar um monge, por que n&atilde;o praticou os preceitos? Voc&ecirc; dormiu com uma mulher jovem na aldeia. O que tem voc&ecirc; a dizer?&#8221; E o jovem monge disse, &#8220;N&atilde;o, eu pratiquei meu preceito. Eu nunca dormi com qualquer um na aldeia. Por favor reconsidere. Esta &eacute; uma injusti&ccedil;a. Por favor entenda. Por favor tenha compaix&atilde;o. Eu n&atilde;o fiz nada disso.&#8221; Mas quando o cabe&ccedil;a da aldeia dirigiu-se &agrave; Mau, ela continuou confirmando que foi o jovem monge que tinha dormido com ela e a tinha engravidado. E o jovem novi&ccedil;o negou firmemente. &#8220;N&atilde;o, como um monge eu pratico meus preceitos profundamente. Eu nunca fiz isso. O Buddha, o Dharma, e o Sangha s&atilde;o testemunhas da minha honestidade.&#8221;<\/p>\n<p>Finalmente, eles tiveram que usar chicotes. &#8220;Voc&ecirc; tem que falar a verdade, caso contr&aacute;rio ser&aacute; a&ccedil;oitado trinta vezes com um chicote. Voc&ecirc; tem que confessar que dormiu com Mau.&#8221; Ent&atilde;o eles a amarraram em um pilar e ordenaram que ela fosse a&ccedil;oitada trinta vezes pelo chicote. Este era o tipo de castigo usado no passado. O a&ccedil;oite era muito, muito forte e o sangue come&ccedil;ou a penetrar, a aparecer na roupa do jovem monge. Mas &#8220;ele&#8221; n&atilde;o cedeu. &#8220;Ele&#8221; disse, &#8220;N&atilde;o, eu sou inocente, por favor reconsidere.&#8221; E depois que Mau viu aquilo, disse, &#8220;Por favor, trinta chicotadas s&atilde;o o bastante.&#8221; Ela sentia piedade pelo novi&ccedil;o. Porque ela era filha de uma rica fam&iacute;lia, o pedido dela teve um pouco de peso. Assim eles permitiram ao novi&ccedil;o ir para casa. Quando eles regressaram ao templo, outras pessoas quiseram cuidar do novi&ccedil;o mas ele disse, &#8220;N&atilde;o, eu cuidarei de mim mesmo. Eu posso fazer as bandagens, eu cuidarei das feridas em meu corpo,&#8221; porque ela n&atilde;o quis que outros descobrissem o fato de que ela n&atilde;o era um jovem.<\/p>\n<p>Depois de cuidar as feridas infligidas pelo chicote, ela se apresentou ao seu professor, e ele disse, &#8220;Meu filho, eu n&atilde;o sei, n&atilde;o estou seguro. Eu n&atilde;o sei se voc&ecirc; fez isto ou n&atilde;o. Eu realmente n&atilde;o sei. Se fez isto, ent&atilde;o eu desejo que pratique profundamente e diariamente a pr&aacute;tica de Come&ccedil;ar Novamente. E se voc&ecirc; n&atilde;o fez isto, por favor tamb&eacute;m pratique a paci&ecirc;ncia &#8211; shanti-paramita &#8211; e tente achar alegria na pr&aacute;tica.&#8221; Isso era tudo que ele queria lhe ensinar. E por causa disso, outras pessoas no templo lhe pediram para ficar dentro dos port&otilde;es do templo e permanecer l&aacute;, e n&atilde;o ficar junto com outros monges. Voc&ecirc;s sabem, todo templo tem um port&atilde;o triplo, e o sino da torre ficava muito perto do port&atilde;o triplo, e agora Kinh Tam foi ordenado a viver s&oacute; dentro do port&atilde;o triplo de forma que a popula&ccedil;&atilde;o da aldeia n&atilde;o pudesse culpar o sangha, porque ainda havia a suspeita.<br \/>\nEu n&atilde;o sei se eu fosse o professor de Kinh Tam, lhe permitiria continuar comigo na estrutura do sangha. Eu n&atilde;o sei, porque meu tempo &eacute; diferente e isso ocorreu em um tempo muito antigo e as pessoas ainda eram cheias de preconceitos, e assim por diante. E eu teria tido bastante sabedoria para saber se meu estudante tinha feito isto ou n&atilde;o porque eu sempre tento praticar a boa comunica&ccedil;&atilde;o com meus estudantes, e com meu discernimento, com minha consci&ecirc;ncia, saberia se ele fez isto ou n&atilde;o. Porque eu n&atilde;o estou aqui para culpar meus estudantes, estou aqui s&oacute; para ajud&aacute;-lo ou ajud&aacute;-la. Assim ela me contaria a verdade. Quando o beb&ecirc; nasceu, Mau n&atilde;o soube o que fazer. Ela n&atilde;o quis falar para as pessoas que esta era uma crian&ccedil;a que veio de um criado. Isso seria muito ruim para a reputa&ccedil;&atilde;o da sua nobre fam&iacute;lia. Morrer era prefer&iacute;vel a dizer que ela dormiu com um criado. Isso era algo que ela n&atilde;o p&ocirc;de ag&uuml;entar, e sua fam&iacute;lia n&atilde;o p&ocirc;de ag&uuml;entar. Voc&ecirc; comete um engano, voc&ecirc; faz algo errado, mas n&atilde;o tem coragem de admitir sua injusti&ccedil;a e culpa outras pessoas &#8211; isto &eacute; algo que acontece diariamente. Ent&atilde;o finalmente ela levou o beb&ecirc; para o novi&ccedil;o. Ela levou o beb&ecirc; para o port&atilde;o triplo do templo e disse, &#8220;Novi&ccedil;o, esta &eacute; sua crian&ccedil;a. Por que voc&ecirc; n&atilde;o a recebe?&#8221; Ent&atilde;o ela a p&ocirc;s nos degraus e partiu. Quando o beb&ecirc; come&ccedil;ou a chorar, o novi&ccedil;o disse, &#8220;Bem, agora a crian&ccedil;a &eacute; abandonada. Se eu n&atilde;o a tomar, quem o far&aacute;? Eu estou praticando a compaix&atilde;o e o entendimento. Se eu n&atilde;o a tomo e tento proteg&ecirc;-la, quem ir&aacute;?&#8221; Assim disse, &#8220;Deixe-a comigo!&#8221; E apanhou o beb&ecirc;.<\/p>\n<p>[Sino]<\/p>\n<p>O beb&ecirc; teve fome e o novi&ccedil;o n&atilde;o tinha leite. Assim ela pegou o beb&ecirc;, foi &agrave; aldeia e tentou implorar um pouco de leite. Diariamente ela tinha que ir para a aldeia e pedir um pouco de leite para o beb&ecirc;. Havia pessoas que ficavam movidas pelo ato do jovem novi&ccedil;o, mas havia muitas pessoas que diziam, &#8220;Bem, como pode ele praticar como um monge se faz coisas como esta &#8211; dormir com uma mulher e quando a mulher lhe d&aacute; o beb&ecirc; ele o aceita, e agora tenta criar o beb&ecirc; como um pai. Como algu&eacute;m pode praticar o Dharma daquele modo?&#8221; O novi&ccedil;o sentia que as pessoas n&atilde;o a entendiam, e todavia ela continuava praticando a paci&ecirc;ncia porque ela era capaz de sentir a paz e a alegria de viver com o Dharma.<br \/>\nSe ela quisesse libertar-se daquela injusti&ccedil;a n&atilde;o seria muito dif&iacute;cil &#8211; bastando apenas declarar ao conselho da aldeia e ao seu professor que era uma garota. E alguns minutos depois ela seria absolvida daquele tipo de culpa, daquele tipo de sofrimento. Por que ela n&atilde;o tinha feito isto? Ela amava tanto o Dharma, queria tanto continuar como um monge, que por isso n&atilde;o desistiu. Quando voc&ecirc; ama algo muito profundamente, quando sente tanta felicidade com aquele objeto de seu amor, ent&atilde;o voc&ecirc; tem coragem de ag&uuml;entar todos os tipos de injusti&ccedil;a. Assim sendo espancada, sendo mal compreendida, sendo acusada por muitas pessoas, ela ainda poderia resistir porque tinha o prazer, a felicidade, de ser monge, de praticar o Dharma.<\/p>\n<p>Em nossos dias, h&aacute; pessoas que vivem no Sangha e que encontram algumas dificuldades, pensando ent&atilde;o em deixar o Sangha. Elas n&atilde;o t&ecirc;m aquele tipo de paci&ecirc;ncia. Elas n&atilde;o podem ag&uuml;entar poucas injusti&ccedil;as infligidas porque o seu desejo, a sua felicidade n&atilde;o &eacute; bastante grande. Ent&atilde;o a chave &eacute;: se voc&ecirc; ama muito algo, se voc&ecirc; valoriza muito algo, voc&ecirc; ir&aacute; querer muito isto, possuindo ou n&atilde;o um grande cora&ccedil;&atilde;o. Se seu cora&ccedil;&atilde;o &eacute; pequeno, ent&atilde;o n&atilde;o poder&aacute; ag&uuml;entar a injusti&ccedil;a infligida a voc&ecirc;. Compreens&atilde;o e Amor &eacute; o que ajuda seu cora&ccedil;&atilde;o a crescer mais e mais. Essa &eacute; a pr&aacute;tica dos quatro cora&ccedil;&otilde;es imensur&aacute;veis &#8211; amor pleno, compaix&atilde;o, alegria, e equanimidade. Porque seu cora&ccedil;&atilde;o pode crescer tanto quanto o universo; o crescimento de seu cora&ccedil;&atilde;o nunca deve terminar. Se voc&ecirc; &eacute; como um grande rio, pode receber qualquer quantidade de sujeira &#8211; isto n&atilde;o o afetar&aacute;, e voc&ecirc; pode limpar esta sujeira muito facilmente.<\/p>\n<p>Na palestra de Dharma em ingl&ecirc;s que precedeu esta, eu usei aquela imagem oferecida pelo Buddha. Se voc&ecirc; p&ocirc;e uma quantidade de sujeira em um recipiente pequeno de &aacute;gua, ent&atilde;o aquela &aacute;gua tem que ser jogada fora, as pessoas n&atilde;o a podem beber. Mas se voc&ecirc; lan&ccedil;a aquela quantidade de sujeira em um rio enorme, as pessoas na cidade continuam bebendo do rio, porque o rio &eacute; t&atilde;o imenso. Elas n&atilde;o tem que sofrer por causa daquela quantia de sujeira. Durante a noite aquela sujeira ser&aacute; transformada pela &aacute;gua, pela lama no cora&ccedil;&atilde;o do rio. Assim se seu cora&ccedil;&atilde;o &eacute; grande como o rio, voc&ecirc; pode receber qualquer quantia de injusti&ccedil;a e ainda pode viver com felicidade, e pode transformar as injusti&ccedil;as infligidas a voc&ecirc; durante a noite. Se voc&ecirc; ainda sofre, significa que seu cora&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o &eacute; bastante grande. Este &eacute; o ensinamento da paci&ecirc;ncia no Budismo. Voc&ecirc; n&atilde;o tenta ag&uuml;entar, voc&ecirc; n&atilde;o reprime seu sofrimento. Voc&ecirc; apenas pratica para que seu cora&ccedil;&atilde;o se expanda t&atilde;o amplamente quanto um rio. Ent&atilde;o n&atilde;o tem que ag&uuml;entar, voc&ecirc; n&atilde;o tem que sofrer.<\/p>\n<p>H&aacute; modos de fazer seu cora&ccedil;&atilde;o crescer. Esta &eacute; a pr&aacute;tica de olhar profundamente para que voc&ecirc;s entendam. No momento em que voc&ecirc;s entendem, sua compaix&atilde;o surge. E esta compaix&atilde;o lhes permitir&atilde;o ir em frente, lhes permitem n&atilde;o sofrer, n&atilde;o olhar outras pessoas com olhos de irrita&ccedil;&atilde;o e &oacute;dio. Esta &eacute; a real pr&aacute;tica da paci&ecirc;ncia &#8211; voc&ecirc; n&atilde;o tem que sofrer. Paci&ecirc;ncia no contexto do ensino budista &eacute; n&atilde;o tentar engolir a injusti&ccedil;a, ou suprimir a injusti&ccedil;a, mas abra&ccedil;&aacute;-la completamente com seu grande cora&ccedil;&atilde;o. Assim todas as manh&atilde;s voc&ecirc;s tem que ir aos seus cora&ccedil;&otilde;es, toc&aacute;-los, e perguntar-lhes, &#8220;Meu cora&ccedil;&atilde;o, meu querido, voc&ecirc; durante a noite tornou-se um pouco maior?&#8221; N&oacute;s temos que visitar nosso cora&ccedil;&atilde;o diariamente para ver se nosso cora&ccedil;&atilde;o ainda continua crescendo ilimitadamente, tornando-se grande. &#8220;Tornar-se grande&#8221; &eacute; o termo usado por Buddha enquanto ele estava ensinando sobre as quatro mentes imensur&aacute;veis. Seu cora&ccedil;&atilde;o de compaix&atilde;o fica maior. Torna-se grande todo o tempo, seu cora&ccedil;&atilde;o de generosidade amorosa, seu cora&ccedil;&atilde;o de alegria, seu cora&ccedil;&atilde;o de equanimidade. Eis por que paramita &agrave;s vezes &eacute; traduzido pelo termo &#8220;[ph: vo que]&#8221;. [Th&acirc;y escreve em um quadro-negro] significa &#8220;o ponto mais alto, o limite &#8220;. [ph: vo que] significa &#8220;nenhum ponto mais alto ou sem limite&#8221;. [ph: Que] &#8220;significa extremo, como em [ph: Ba kuk], o mais ao norte ou o mais ao sul extremo da terra &eacute; chamado [ph: Ba kuk] &#8211; p&oacute;lo norte. &Eacute; um extremo, este &eacute; o limite. Mas como nossa compaix&atilde;o, nossa generosidade amorosa, nossa alegria, nossa equanimidadde conhece nenhum limite? &#8211; eis por que estas quatro mentes s&atilde;o chamadas &#8220;mentes imensur&aacute;veis&#8221;, porque elas sempre crescem e crescem, sem parar. Elas crescem como um rio, e ent&atilde;o elas crescem como um oceano, e continuam. Quanto mais seu cora&ccedil;&atilde;o fica maior, mais facilmente voc&ecirc; pode ag&uuml;entar, ou aceitar, injusti&ccedil;as sem sofrer.<\/p>\n<p>Alguns dias depois do jovem monge receber o beb&ecirc; e o adotar, tentando cuidar dele, foi chamado pelo seu professor: &#8220;Minha crian&ccedil;a, por que voc&ecirc; fez isso? Voc&ecirc; n&atilde;o dormiu com a senhora, este n&atilde;o &eacute; seu beb&ecirc;, mas por que o recebeu? N&atilde;o parece que isto trar&aacute; uma boa reputa&ccedil;&atilde;o para nosso Sangha.&#8221; Eu n&atilde;o sei se, sendo o professor eu faria como ele, amedrontado pelo meu prest&iacute;gio. Mas Kinh Tam se curvou para ele e disse, &#8220;Meu querido professor, eu aprendi em um sutra que se voc&ecirc; constr&oacute;i um stupa de sete n&iacute;veis, e se constr&oacute;i mil deles, o m&eacute;rito n&atilde;o seria t&atilde;o importante quanto o m&eacute;rito de salvar a vida de um ser vivente. Eis por que aceitei este beb&ecirc; e tentei cuidar dele. Isso &eacute; o que o jovem monge disse para seu professor.<br \/>\nO novi&ccedil;o aprendeu a cantar can&ccedil;&otilde;es de ninar. Assim na aldeia se ouvia &agrave;s vezes o grande sino e o gatha, &#8220;Escute, escute, este som maravilhoso me devolve ao meu verdadeiro eu. Possa o som deste sino penetrar profundamente no universo. . . , &#8221; e assim por diante. E &agrave;s vezes eles podiam ouvir, &#8220;Durma bem, durma bem, meu beb&ecirc;. . . . &#8221; Estas duas coisas fundiram-se entre si. Eu acredito que o novi&ccedil;o praticou bem cantando tanto a can&ccedil;&atilde;o como tamb&eacute;m o gatha, porque ambos t&ecirc;m em si o sabor do Dharma.<br \/>\nQuando o pequeno menino j&aacute; estava crescido, Kinh Tam ficou muito doente, e soube que morreria em poucos dias. Assim ela escreveu uma carta aos seus pais e lhes deu seu endere&ccedil;o, e falou para o menino que depois de sua morte, ele tinha que tentar ao m&aacute;ximo voltar para sua aldeia natal e apresentar a carta para sua m&atilde;e e seu pai. Ela tamb&eacute;m escreveu uma carta ao seu professor. Duas cartas. Ap&oacute;s seu falecimento, o menino fez como lhe tinha sido pedido. Ele foi ao professor e ofereceu a carta de seu &#8220;pai&#8221; e tamb&eacute;m pediu permiss&atilde;o para partir para a aldeia natal do seu &#8220;pai&#8221;. Ap&oacute;s ler a carta, o monge ficou muito surpreendido assim ele pediu para duas monjas que viessem examinar seu corpo e todas as monjas informaram que o novi&ccedil;o jovem n&atilde;o era um rapaz, mas uma mo&ccedil;a. Ent&atilde;o todo mundo ficou muito surpreendido, e o monge enviou um mensageiro ao chefe da aldeia. O chefe da aldeia ficou muito surpreendido, tamb&eacute;m. Assim ele convocou uma reuni&atilde;o e enviou uma delega&ccedil;&atilde;o ao templo para a verifica&ccedil;&atilde;o do fato. Depois de ter verificado a quest&atilde;o, ele anunciou &agrave; aldeia inteira a verdade e pediu para a fam&iacute;lia de Mau, Cor, vir e responder as suas perguntas.<\/p>\n<p>E a fam&iacute;lia rica de Mau teve que pagar uma multa muito pesada &agrave; aldeia, e tiveram que pagar todas as despesas do enterro organizadas pelo templo. No poema vietnamita escrito sobre a hist&oacute;ria n&oacute;s temos o texto inteiro da carta. Kinh Tam pediu o perd&atilde;o do pai dela e m&atilde;e e diz que n&atilde;o lhes tinha falado onde tinha ido porque desejava muito praticar como um monge. Ela disse que n&atilde;o praticava assim s&oacute; para si, mas para sua fam&iacute;lia inteira e para muitos seres viventes, e espererava que eles entendessem e a perdoassem, e que recebessem este jovem menino como algu&eacute;m da fam&iacute;lia embora ele fosse apenas uma crian&ccedil;a adotada. Os pais dela choraram muito. Tinham sido tantos anos sem ter quaisquer not&iacute;cias da filha e de repente esta manh&atilde; eles receberam uma carta que anunciava que ela n&atilde;o mais vivia. Assim eles choraram muito, e partiram para o templo Phap Van. Eles tamb&eacute;m falaram para o marido anterior, Sr. Sung Tin, ir. Eles gastaram muitos dias viajando; e quando chegaram ao templo, viram a bandeira que anunciava o nome da filha, e uma prociss&atilde;o muito longa. Todas as pessoas na aldeia vieram assistir o servi&ccedil;o funer&aacute;rio. Eles estavam muito comovidos, e muitas pessoas estavam chorando.<\/p>\n<p>Se voc&ecirc;s praticam, tem que praticar assim. Esse &eacute; o modo absolutamente perfeito de praticar. At&eacute; mesmo se s&atilde;o infligidas injusti&ccedil;as a voc&ecirc;s, voc&ecirc;s continua tendo muita energia, continuam o Caminho. Voc&ecirc;s n&atilde;o culpam ningu&eacute;m por seu sofrimento. Praticando assim &eacute; a real pr&aacute;tica. Quando a fam&iacute;lia dela chegou, eles participaram no servi&ccedil;o funer&aacute;rio e foram recebidos como convidados distintos pelo templo e a aldeia. Depois disso, a aldeia inteira organizou uma cerim&ocirc;nia para transferir todos os m&eacute;ritos para Kinh Tam e praticar Giai oan. Giai oan significa &#8220;desatar a injusti&ccedil;a&#8221;. E &eacute; dito ao fim da est&oacute;ria que o Buddha apareceu e anunciou que Kinh Tam tinha chegado a um estado de ilumina&ccedil;&atilde;o, e agora estava manifestada como um corpo de Avalokiteshvara. O nome dela &eacute; Quan Am Thi Kinh. Ela &eacute; um Avalokiteshvara vietnamita e a hist&oacute;ria &eacute; conhecida por todo o mundo. No templo, muitas pessoas sabem o poema de cor e &eacute; o modelo perfeito para a pr&aacute;tica da paci&ecirc;ncia.<br \/>\nTodos n&oacute;s sentimos &agrave;s vezes que somos v&iacute;timas de injusti&ccedil;as. N&oacute;s sofremos tantas injusti&ccedil;as, at&eacute; mesmo das pessoas que amamos. E queremos consertar aquela injusti&ccedil;a, queremos reclamar. N&oacute;s queremos praticar o desatar a injusti&ccedil;a que ag&uuml;entamos por tanto tempo no passado. Eis por que sempre estamos prontos para falar a outras pessoas sobre nosso sofrimento e a injusti&ccedil;a que sofremos. Talvez no fundo de nosso cora&ccedil;&atilde;o, queremos que a justi&ccedil;a seja feita por qualquer tipo de meio. Talvez n&oacute;s queiramos uma solu&ccedil;&atilde;o militar. &Agrave;s vezes voc&ecirc; quer usar uma arma. &Agrave;s vezes voc&ecirc; quer usar um bast&atilde;o. &Agrave;s vezes voc&ecirc; quer usar um ex&eacute;rcito. Como uma na&ccedil;&atilde;o, se voc&ecirc; sente que &eacute; v&iacute;tima de injusti&ccedil;a, &eacute; tentado a usar uma solu&ccedil;&atilde;o militar. Mas se voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; uma na&ccedil;&atilde;o, fica inclinado a usar outros tipos de vingan&ccedil;a &#8211; usar bast&otilde;es e contratar algu&eacute;m para bater na outra pessoa, usar uma arma, ou voc&ecirc; quer manipular a situa&ccedil;&atilde;o, quer usar meios pol&iacute;ticos para consertar sua injusti&ccedil;a.<\/p>\n<p>Mas de acordo com o ensino do Buddha, voc&ecirc; s&oacute; pode consertar aquela injusti&ccedil;a em si, s&oacute; pode transcend&ecirc;-la, transformando-a. O &uacute;nico modo &eacute; praticar as quatro mentes imensur&aacute;veis &#8211; maitri, que &eacute; o amor pleno; karuna, que &eacute; a compaix&atilde;o; mudita, a alegria,; e upeksha, a equanimidade. E para cultivar estas quatro qualidades, voc&ecirc; tem que usar a pr&aacute;tica de olhar profundamente, isto &eacute;, acalmando-se e olhando &#8211; samatha e vipasyana. Voc&ecirc; faz seu melhor para permanecer tranq&uuml;ilo, permanecer concentrado. Voc&ecirc; faz seu melhor para olhar profundamente na natureza de seu sofrimento, e o entendimento de repente vem e seu cora&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a se expandir. De repente voc&ecirc; sente que tem o poder de ag&uuml;entar aquela injusti&ccedil;a; pode sobreviver a isso, pode viver com isso, e voc&ecirc; at&eacute; mesmo pode transform&aacute;-la.<br \/>\nO Buddha disse que quando voc&ecirc; &eacute; golpeado atrav&eacute;s de uma seta, voc&ecirc; sofre. Mas se uma segunda seta vem exatamente &agrave; mesma ferida, voc&ecirc; n&atilde;o sofre duas vezes, mas talvez trinta vezes mais. Quando voc&ecirc; sofre algo e se enraivece, seu sofrimento n&atilde;o s&oacute; ser&aacute; dobrado, mas trinta vezes mais intenso. Voc&ecirc; amplia seu sofrimento com sua ignor&acirc;ncia, sua raiva, sua frustra&ccedil;&atilde;o, seu &oacute;dio. Por que voc&ecirc; tem que sofrer tanto? De fato, por que voc&ecirc; tem que receber a segunda seta? Com uma seta, e com um pouco de compreens&atilde;o e pratica, voc&ecirc; n&atilde;o sofreria muito e poderia remover a seta rapidamente. Mas por causa de nossa ignor&acirc;ncia, nossa falta de pr&aacute;tica, n&oacute;s ficamos raivosos, n&oacute;s deixamos o b&oacute;dio e o desespero nos dominar &#8211; eis por que nosso sofrimento fica insuport&aacute;vel. Este &eacute; o ensinamento do Buddha no Samyutta Nikaya (Samyutta Nikaya: 4, 210) sobre a primeira seta e a segunda seta. A segunda seta &eacute; a ignor&acirc;ncia.<br \/>\nO outro dia n&oacute;s usamos a imagem de uma pequena crian&ccedil;a destro&ccedil;ando uma borboleta. A pequena crian&ccedil;a n&atilde;o sabe que fazendo isso est&aacute; infligindo muita injusti&ccedil;a e sofrimento ao pequeno inseto. A pequena crian&ccedil;a apenas quer brincar. Ela n&atilde;o sabe que esmagando uma borboleta assim est&aacute; fazendo um ser vivo sofrer. A crian&ccedil;a faz assim por ignor&acirc;ncia. Quando n&oacute;s falamos para a pequena crian&ccedil;a, &#8220;Meu bem, voc&ecirc; sabe que hoje &agrave; noite a pequena borboleta n&atilde;o poder&aacute; ir para casa dos seus pais? O que voc&ecirc; sentiria se n&atilde;o pudesse regressar hoje &agrave; noite para seus pais? Eles sofreriam muito.&#8221; Se voc&ecirc; fala para uma crian&ccedil;a assim, da pr&oacute;xima vez ela n&atilde;o destro&ccedil;ar&aacute; uma borboleta com suas m&atilde;os. Ela ser&aacute; capaz de proteger a vida. &#8220;Senhor, perdoai-os pois eles n&atilde;o sabem o que fazem.&#8221; As pessoas fazem umas &agrave;s outras sofrer, e n&atilde;o sabem disto. Elas reagem por raiva ou &oacute;dio; elas n&atilde;o t&ecirc;m felicidade dentro delas. Elas s&atilde;o subjugados pela ignor&acirc;ncia, pelo &oacute;dio, pela raiva, e eis por que elas fazem as pessoas ao seu redor sofrerem. E n&oacute;s podemos estar fazendo a mesma coisa, mas n&oacute;s n&atilde;o sabemos disto.<\/p>\n<p>[Sino]<\/p>\n<p>Acontece de vez em quando em todos lugares que uma pessoa usar&aacute; uma arma para matar pessoas em uma feira; de repente em uma escola secund&aacute;ria algu&eacute;m com uma arma aparece e mata tr&ecirc;s, quatro, cinco estudantes sem qualquer raz&atilde;o. Sua filha, seu filho, vai como sempre para a escola. E naquela manh&atilde; acontece que sua filha foi morta por aquele homem louco. Esta &eacute; uma forma de injusti&ccedil;a. E voc&ecirc;s poderiam criar muito &oacute;dio por aquele homem. Mas se olharmos no interior daquele homem e olharmos profundamente, veremos que aquele homem est&aacute; cheio de loucura, que est&aacute; cheio de ignor&acirc;ncia, que est&aacute; cheio de &oacute;dio, de aliena&ccedil;&atilde;o. Quando um homem segura uma arma e atira em pessoas assim sem raz&atilde;o, deve haver uma motivo. E pessoas como ele ou ela existem no mundo. Como um homem pode se tornar assim? Como era sua fam&iacute;lia, como era sua sociedade, como foi sua educa&ccedil;&atilde;o? Algu&eacute;m cuidou dele afinal? Claro que, se estiv&eacute;ssemos l&aacute; n&oacute;s tentar&iacute;amos ao m&aacute;ximo lhe impedir de continuar matando outras pessoas. Seria urgente que ag&iacute;ssemos imediatamente, colocando-o em uma situa&ccedil;&atilde;o onde ele n&atilde;o poderia continuar machucando as pessoas, at&eacute; mesmo o trancando em uma cela de pris&atilde;o; n&oacute;s ter&iacute;amos que fazer isso. Mas n&oacute;s temos que fazer isso com sabedoria e compaix&atilde;o. N&oacute;s n&atilde;o podemos fazer isso com raiva e &oacute;dio. N&oacute;s n&atilde;o fazemos isto com a inten&ccedil;&atilde;o de castigar o homem, porque aquele homem j&aacute; sofreu demais&#8230;<\/p>\n<p>(Sino) <\/p>\n<p>[Fim da Palestra de Dharma]<\/p>\n<hr \/>\n<p><b>Nota 1:<br \/>\nPara livre distribui&ccedil;&atilde;o, como exerc&iacute;cio de Dharma. Aqueles que desejarem oferecer uma doa&ccedil;&atilde;o ao Templo orientado por Thich Nhat Hanh, podem envia-la para o seguinte endere&ccedil;o:<br \/>\nTranscription Project<br \/>\nPlum Village &#8211; Lower Hamlet<br \/>\nMeyrac, Loubes-Bernac, 47120 FRANCE<br \/>\nSite do Templo: http:\/\/plumvillage.org\/ <\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ensinamentos do Mestre Thich Nhat Hanh Retiro em Lower Hamlet 28 de julho, 1996 Transcrito e editado por Carol Fegan, Chan An Cu Revisado por Brendan Sillifant Traduzido ao Portugu&ecirc;s por Claudio Miklos Queridos Amigos, Estas transcri&ccedil;&otilde;es das palestras de &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/transcendendo-a-injustica-a-historia-de-quan-am-thi-kinh\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5801,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-5798","page","type-page","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5798"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5807,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5798\/revisions\/5807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5801"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}