{"id":5814,"date":"2018-10-02T09:24:54","date_gmt":"2018-10-02T11:24:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?page_id=5814"},"modified":"2018-10-02T09:24:54","modified_gmt":"2018-10-02T11:24:54","slug":"flamboyant-em-chamas","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/flamboyant-em-chamas\/","title":{"rendered":"Flamboyant em chamas"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/quanto-tempo-praticar\/attachment\/526\/\" rel=\"attachment wp-att-1753\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/526.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"277\" class=\"alignleft size-full wp-image-1753\" \/><\/a><br \/>\n<i><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/thich-nhat-hanh\/\">de Thich Nhat Hanh<\/a><\/div>\n<p><\/i><br \/>\nEditora Vozes<\/div>\n<p><b>Pref&aacute;cio<\/b><br \/>\nQuando conheci Thich Nhat Hanh, foi por acaso. Ou melhor, aceitei ir a um retiro meramente para conversar com algu&eacute;m do Vietn&atilde;, fosse ele monge ou n&atilde;o: Budismo, Zen, eram palavras que pouco significavam para mim. Minha ignor&acirc;ncia a respeito do conte&uacute;do dessas palavras era total. Vietn&atilde;, pelo contr&aacute;rio, significava muito: a culpa coletiva, a corresponsabilidade pelas v&aacute;rias guerras, pelos horrores passados por um povo sem que o resto do mundo fizesse algo suficiente a fim de parar aquele genoc&iacute;dio. Significava o filho vietnamita que eu quis adotar sem que Saigon deixasse: significava Dien Ben Puh; significava falar franc&ecirc;s. Tudo menos medita&ccedil;&atilde;o. Quando me vi sentada (pela primeira vez em posi&ccedil;&atilde;o de l&oacute;tus, ai de mim!), a coisa com que me deparei de pronto foram dois tamancos que pareciam mover-se a alguns mil&iacute;metros do solo. Era o pr&oacute;prio Thay, como seus disc&iacute;pulos o chamam. Dava a impress&atilde;o de flutuar. Quando posteriormente li seus livros, percebi que ele estava levando &agrave;s &uacute;ltimas conseq&uuml;&ecirc;ncias o que ensinava: &quot;Ande como se pisasse em flores de l&oacute;tus, sem amass&aacute;-las&quot;.<\/p>\n<p>A segunda surpresa com que me defrontei foram duas crian&ccedil;as, de tr&ecirc;s e quatro anos, que ele segurava pela m&atilde;o e que, juro, ficaram &quot;meditando, andando&quot; durante vinte minutos, medidos no rel&oacute;gio, em sil&ecirc;ncio total, sem nenhuma impaci&ecirc;ncia, acompanhando em perfeita harmonia seus passes mi&uacute;dos. Tive a impress&atilde;o que a calma do Thay, a paz que ele irradia, faria com que pudesse entrar inc&oacute;lume numa jaula de le&otilde;es. Tive a impress&atilde;o que ele transcendia a paz. Que ele era a pr&oacute;pria paz.<\/p>\n<p>Durante a medita&ccedil;&atilde;o e as palestras, sentei perto dele e, fitando-o, eu via simultaneamente um menino de doze anos e um anci&atilde;o de 200. N&atilde;o consegui adivinhar sua faixa et&aacute;ria: n&atilde;o tinha uma ruga sequer; seu sorriso era o de uma crian&ccedil;a; seus olhos tamb&eacute;m sorriam, mas refletiam uma sabedoria de quem tinha visto tudo. Parecia eterno (Depois soube que tinha 62 anos).<\/p>\n<p>Ouvi ent&atilde;o suas palestras. Com minha falta de pr&aacute;tica nesse g&ecirc;nero, pareceu-me uma poesia oriental, um canto, um encanto. Ao mesmo tempo que exalava paz, exalava agora poesia.<\/p>\n<p>Fiquei tamb&eacute;m impressionada com seu delicado senso de humor. Com sua voz, contrastando terrivelmente com a nossa, exuberantemente latina; respondia simples e inesperadamente, de maneira suave e gentilmente ir&ocirc;nica, &agrave;s perguntas, nem sempre brilhantes, que lhe faz&iacute;amos: &quot;na medita&ccedil;&atilde;o andando, &eacute; melhor come&ccedil;ar com o p&eacute; direito ou esquerdo?&quot;. Respondia ele: &quot;Que bom n&atilde;o sermos centop&eacute;ia para s&oacute; termos uma alternativa&quot;. Pergunt&aacute;vamos se era melhor sentar em posi&ccedil;&atilde;o de l&oacute;tus ou meio-l&oacute;tus. Respondia: &quot;L&oacute;tus, meio-l&oacute;tus ou cris&acirc;ntemo&quot;. E se insist&iacute;ssemos para saber como era a posi&ccedil;&atilde;o de cris&acirc;ntemo, respondia que era &quot;qualquer outra posi&ccedil;&atilde;o&quot;. Como podia uma pessoa que tinha visto tanto horror nos olhos das crian&ccedil;as ser t&atilde;o alegre, manter um eterno sorriso e brilho nos olhos? Enigmas para mim.<br \/>\nEnigmas, at&eacute; que li seus livros. At&eacute; que traduzisse este. E com que prazer! Nunca nenhum trabalho me deu tanta alegria. Sou-lhe grata por ter-me confiado essa tarefa.<\/p>\n<p>Seria injusto n&atilde;o mencionar aqui, agradecendo-lhe, Irm&atilde; Phuong (&quot;Flamboyant&quot; em vietnamita), uma monja-anjo de guarda-cantora, que acompanha e ajuda o Thay e que me mandou muitas informa&ccedil;&otilde;es preciosas sobre detalhes do Vietn&atilde;, para melhor entender alguns aspectos da tradu&ccedil;&atilde;o francesa.<\/p>\n<p>Para que faixa et&aacute;ria se destina esse livro? Foi uma pergunta que me fiz ao longo da tradu&ccedil;&atilde;o e que &eacute; t&atilde;o indefin&iacute;vel quanto a idade do Thay. Parece ser ora para adolescentes, ora para adultos. Ou talvez, como diria Saint-Exup&eacute;ry numa f&oacute;rmula cl&aacute;ssica: &quot;Destina-se &agrave; crian&ccedil;a que ainda vive dentro de n&oacute;s&quot;. Aos jovens que lerem este livro e que n&atilde;o acompanharam a guerra do Vietn&atilde; quero dizer que n&atilde;o se trata de fic&ccedil;&atilde;o. Quase tudo &eacute; verdade neste livro e, assim, vivenciado pelo Autor. Os bombardeios, os rostos dilacerados das crian&ccedil;as, os desfolhantes, a dor das crian&ccedil;as perdidas dos pais e a dos adultos impotentes para mitigar a dor das crian&ccedil;as, infelizmente nada disso foi fic&ccedil;&atilde;o. O monge que pregava a paz e era aprisionado por isso, as pra&ccedil;as de mercado bombardeadas, os fiamboyants em chama, tudo isso foi verdade para maior vergonha da humanidade.<\/p>\n<p>Para quem conhece o budismo, ser&aacute; f&aacute;cil reconhecer neste livro, apenas sugeridos, muitos tra&ccedil;os da sua filosofia. J&aacute; no s&eacute;culo XIII, Dogen, mestre Zen, dizia:<br \/>\n&quot;A cor das montanhas &eacute; o corpo puro de Buda.<\/p>\n<p>O&#9;som da &aacute;gua escorrendo &eacute; seu grande serm&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p><i>Observa&ccedil;&atilde;o \u2014 Como em todos seus livros, os direitos autorais, assim como os do tradutor, s&atilde;o doados a crian&ccedil;as carentes brasileiras. E j&aacute; que o livro me foi t&atilde;o precioso, recorri &agrave; ilustradora que considero a melhor:<\/p>\n<p>In&ecirc;s Cabral de Melo, que tamb&eacute;m doou seu magn&iacute;fico trabalho.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p align=\"RIGHT\">Giselle Machline de Oliveira e Silva<\/p>\n<p><\/b><\/i><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>de Thich Nhat Hanh Editora Vozes Pref&aacute;cio Quando conheci Thich Nhat Hanh, foi por acaso. 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