{"id":5818,"date":"2018-10-02T09:33:49","date_gmt":"2018-10-02T11:33:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?page_id=5818"},"modified":"2018-10-02T09:40:22","modified_gmt":"2018-10-02T11:40:22","slug":"jesus-e-buda-irmaos","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/jesus-e-buda-irmaos\/","title":{"rendered":"Jesus e Buda irm\u00e3os"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/quanto-tempo-praticar\/527-2\/\" rel=\"attachment wp-att-1754\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/527-194x300.jpg\" alt=\"\" width=\"194\" height=\"300\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1754\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/527-194x300.jpg 194w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/527.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 194px) 100vw, 194px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\">\n<i>de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/thich-nhat-hanh\/\">Thich Nhat Hanh<\/a><\/i><br \/>\nEditora Bertrand Brasil\n<\/div>\n<p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O<\/b><\/p>\n<p>No in&iacute;cio da &uacute;ltima grande Era Glacial, os artistas neol&iacute;ticos criaram uma s&eacute;rie de pinturas extraordin&aacute;rias nos rec&ocirc;nditos da Terra, na regi&atilde;o a sudoeste da Fran&ccedil;a, atualmente conhecida como Dordogne. Estas obras-primas talvez sejam a mais antiga express&atilde;o conhecida do esp&iacute;rito humano. A terra acima dessas catedrais subterr&acirc;neas &eacute;, nos dias de hoje, rica e f&eacute;rtil, aben&ccedil;oada n&atilde;o apenas com um clima favor&aacute;vel, solo rico e &aacute;gua em abund&acirc;ncia, mas tamb&eacute;m com um povo que a cultiva. Em grande parte deve-se a eles mesmos o fato de esta regi&atilde;o da Fran&ccedil;a, ao contr&aacute;rio de tantas outras na Terra, ser mais f&eacute;rtil agora do que quando o primeiro <i>homo sapiens <\/i>se estabeleceu ali h&aacute; 30 mil anos.<\/p>\n<p>A regi&atilde;o, hoje em dia, &eacute; basicamente voltada para a agricultura, favorecendo vinhedos, pomares com ameixeiras e campos cobertos por girass&oacute;is. Cultivar e comer uma comida saud&aacute;vel &eacute; um modo de vida, uma paix&atilde;o, uma arte. Poucos turistas v&ecirc;m a esta remota regi&atilde;o a leste de Bordeaux em seus roteiros tur&iacute;sticos por causa da <i>belle France <\/i>e menos ainda exploram suas ruas estreitas e vilarejos. Os habitantes desta regi&atilde;o ainda n&atilde;o mostram interesse pelo ritmo fren&eacute;tico da vida na cidade moderna; eles continuam em sintonia com o compasso natural do sol e a passagem das esta&ccedil;&otilde;es sobre os campos.<\/p>\n<p>Neste ber&ccedil;o de humanidade existe uma cadeia de tr&ecirc;s pequenas vilas, ou aldeias: duas delas s&atilde;o antigas fazendas e a terceira j&aacute; foi um albergue para jovens. Na entrada, a placa indicadora, desbotada e levemente torta, informa aos visitantes que eles chegaram no Village des Pruniers (Vila das Ameixeiras). &Agrave; primeira vista, os pr&eacute;dios no Village des Pruniers parecem t&iacute;picos da zona rural vizinha. Constru&iacute;dos principalmente de rochas, resistiram ao passar dos s&eacute;culos como celeiros, casas de fazenda, galp&otilde;es de ferramentas e silos para armazenamento de gr&atilde;os. Sob um exame mais minucioso observa-se que agora est&atilde;o sendo usados como cozinhas, dormit&oacute;rios e sal&otilde;es para medita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As paredes, a maioria das quais algum dia foi embo&ccedil;ada, encontram-se despidas de qualquer ornamenta&ccedil;&atilde;o, mostrando as pedras, argila e lama usadas em sua constru&ccedil;&atilde;o h&aacute; centenas de anos. Neste local revelam-se a grandeza e a riqueza da pr&oacute;pria terra. As janelas s&atilde;o simples, os pisos inacabados. O calos com freq&uuml;&ecirc;ncia, vem da madeira que queima em estufas fabricadas a partir de velhos barris adaptados.<\/p>\n<p>Nos caminhos de cascalho alinham-se flores, bambus e &aacute;rvores frut&iacute;feras. Tamb&eacute;m existem, espalhadas aqui e ali, pequenas placas recomendando ao pedestre &quot;respirar e sorrir&quot;, pois &quot;cada momento &eacute; um momento maravilhoso&quot; ou que &quot;a paz est&aacute; em cada passo&quot;. A beleza e encanto rust&iacute;cos do lugar, entretanto, n&atilde;o s&atilde;o respons&aacute;veis pela caracter&iacute;stica mais not&aacute;vel do Village des Pruniers \u2014 a profunda tranq&uuml;ilidade.<\/p>\n<p>Essa tranq&uuml;ilidade do Village des Pruniers n&atilde;o se limita &agrave; simples aus&ecirc;ncia de barulho. &Eacute; outra coisa. Trata-se de um local verdadeiramente calmo. As pessoas movimentam-se lentamente, os sorrisos est&atilde;o por toda parte, as respira&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mais profundas e longas. A pr&oacute;pria terra, de certa maneira, parece mais agrad&aacute;vel, e o tempo, mais ameno, mesmo nos dias frios. No final de dezembro, com o Gulf Stream do Atl&acirc;ntico vindo em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; costa a apenas uma centena de milhas a oeste, o tempo no Village des Pruniers tende a ser bastante chuvoso. Os caminhos tornam-se lamacentos e o barro espesso gruda nas solas dos sapatos. Do lado de fora do sal&atilde;o de medita&ccedil;&atilde;o principal, os p&eacute;s est&atilde;o cobertos de terra vermelha. As pessoas &agrave; espera para entrar amontoam-se debaixo de guarda-chuvas, buscando um lugar seco para guardar os sapatos. Entram rapidamente no sal&atilde;o, ou com tanta rapidez quanto a permitida pelo ritmo do local, e encontram uma cadeira ou almofada para sentar.<\/p>\n<p>O dia esteve frio e &uacute;mido, mas todos se sentem aquecidos. O Natal &eacute; uma das maiores festas no Village des Pruniers e, com exce&ccedil;&atilde;o dos retiros de ver&atilde;o, &eacute; o que atrai a maioria dos visitantes. O dia come&ccedil;a &agrave;s quatro e meia da manh&atilde;, com medita&ccedil;&atilde;o e c&acirc;nticos, do mesmo modo que nos mosteiros crist&atilde;os a apenas alguns quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia. No Village des Pruniers, no entanto, os c&acirc;nticos n&atilde;o s&atilde;o em latim ou franc&ecirc;s, mas em vietnamita.<\/p>\n<p>Os monges e monjas reunidos nesta aldeia s&atilde;o franceses, tailandeses, ingleses, irlandeses, norte-americanos, alem&atilde;es, sul\u2014 africanos, vietnamitas, japoneses e, o mais not&aacute;vel, budistas. Embora esta terra tenha sido, durante s&eacute;culos, um baluarte do cristianismo, atualmente ela tamb&eacute;m suporta uma senda mais antiga. Neste dia as can&ccedil;&otilde;es e c&acirc;nticos vieram tanto das tradi&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s quanto das budistas. Bem cedo pela manh&atilde;, ainda na escurid&atilde;o, os hinos crist&atilde;os foram cantados juntamente com a litania di&aacute;ria dos sutras budistas, trocaram-se presentes e depositaram-se flores no altar para honrar os hom&ocirc;nimos do cristianismo e do budismo. O jantar, terminado h&aacute; pouco, incluiu pratos tradicionais crist&atilde;os de todas as nacionalidades representadas. Cantaram-se can&ccedil;&otilde;es em uma d&uacute;zia de idiomas diferentes. Neste dia, entre os visitantes do Village des Pruniers, h&aacute; sacerdotes e freiras das grandes cidadelas crist&atilde;s da Irlanda, Fran&ccedil;a e It&aacute;lia. Na medida em que as pessoas v&atilde;o se sentando, mais ou menos metade em almofadas no ch&atilde;o, no cl&aacute;ssico estilo de pernas cruzadas do Oriente, e a outra metade em cadeiras de pl&aacute;stico retiradas de uma pilha no canto, dois monges budistas norte-americanos, um falando suavemente, com sotaque nasalado do Texas, trabalham para acender o fogo na velha estufa rachada.<br \/>\nLogo, Th&acirc;y chegar&aacute;. Th&acirc;y &eacute; o nome carinhoso dado ao Vener&aacute;vel Thich Nhat Hanh, o fundador do Village des Pruniers. Com setenta e dois anos de idade, Th&acirc;y viveu uma vida maravilhosa em uma &eacute;poca extraordin&aacute;ria. <i>&Eacute; <\/i>monge budista desde os dezessete anos, vivendo a vida de um asceta e buscador do caminho. Sobreviveu a tr&ecirc;s guerras, persegui&ccedil;&atilde;o, tentativas de assassinato e a trinta e tr&ecirc;s anos de ex&iacute;lio. E o mestre de um templo no Vietn&atilde;, cuja linhagem remonta a mais de<br \/>\nduzentos anos e sem d&uacute;vida pass&iacute;vel de ser vinculado ao pr&oacute;prio Buda. Ele tamb&eacute;m escreveu mais de cem livros de poesia, fic&ccedil;&atilde;o e filosofia, fundou universidades e organiza&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia social, salvou refugiados em barcos, chefiou a delega&ccedil;&atilde;o budista na Confer&ecirc;ncia de Paz em Paris e foi indicado para o Pr&ecirc;mio Nobel da Paz pelo Reverendo Martin Luther King Jr.<\/p>\n<p>No decurso de sua vida, Th&acirc;y tamb&eacute;m aprendeu a conhecer e a amar o Ocidente e suas tradi&ccedil;&otilde;es espirituais. &Eacute; um dos maiores mestres espirituais vivos da atualidade, e a sua mensagem de fundamento budista foi aceita, tornando-se parte da cristandade. Em seu altar n&atilde;o h&aacute; apenas uma imagem de Buda, seu tradicional ancestral espiritual, mas tamb&eacute;m a de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Quando Th&acirc;y cruza a porta, todos se levantam para saud&aacute;-lo. Ele anda serena e lentamente, sem hesita&ccedil;&atilde;o, em dire&ccedil;&atilde;o ao piso elevado, pequeno e r&uacute;stico, constru&iacute;do a mais ou menos meio metro de altura. Com extremo cuidado retira o seu manto e se senta. Depois ergue o copo &agrave; sua frente e, com um movimento gracioso, leva-o aos l&aacute;bios e bebe um pouco de ch&aacute; quente. Ap&oacute;s acomodar o copo, levanta os olhos e junta as m&atilde;os na cl&aacute;ssica sauda&ccedil;&atilde;o budista. Curva-se, dizendo silenciosamente a si mesmo: &quot;Curvo-me ante voc&ecirc;, um futuro ser iluminado.&quot;<\/p>\n<p>A comunidade curva-se em resposta &agrave; sauda&ccedil;&atilde;o e, em um momento, ouve-se o soar de um sino. O som &eacute; profundo, prolongado e agrad&aacute;vel. Os sons do sino propagam-se em ondas e finalmente quem o toca p&otilde;e a m&atilde;o suavemente na borda e interrompe as reverbera&ccedil;&otilde;es. Segue-se outra pausa para reflex&atilde;o, e Th&acirc;y, falando com uma voz muito suave e doce, mistura de sotaque vietnamita e franc&ecirc;s, diz: &quot;Caros amigos, hoje &eacute; o dia vinte e quatro de dezembro&#8230;&quot; E todos ali presentes, quando ouvem aquela voz, sabem que Thich Nhat Hanh &eacute;, sem a menor d&uacute;vida, seu caro amigo.<br \/>\n<b><\/p>\n<p align=\"right\">PRITAM SINGH<br \/>\n<i>South Woodstock, Vermont<\/i><\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>de Thich Nhat Hanh Editora Bertrand Brasil INTRODU&Ccedil;&Atilde;O No in&iacute;cio da &uacute;ltima grande Era Glacial, os artistas neol&iacute;ticos criaram uma s&eacute;rie de pinturas extraordin&aacute;rias nos rec&ocirc;nditos da Terra, na regi&atilde;o a sudoeste da Fran&ccedil;a, atualmente conhecida como Dordogne. 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