{"id":6121,"date":"2020-06-16T12:24:21","date_gmt":"2020-06-16T14:24:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?page_id=6121"},"modified":"2020-06-16T12:24:21","modified_gmt":"2020-06-16T14:24:21","slug":"o-dzogchen","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-dzogchen\/","title":{"rendered":"O Dzogchen"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justufy\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/quanto-tempo-praticar\/5b\/\" rel=\"attachment wp-att-1630\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/5b-300x72.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"72\" class=\"alignjustify size-medium wp-image-1630\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/5b-300x72.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/5b-500x120.jpg 500w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/5b.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><a name=\"inicio\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>VIS&Atilde;O DZOGCHEN<br \/><font size=\"3\">&nbsp;<\/font><\/b><\/font><\/div>\n<p><\/a>  <\/p>\n<div style=\"text-align:right\">&nbsp;<font size=\"1\"><br \/>Extratos do Livro: VAZIO LUMINOSO<br \/>De Francisca Fremantle \u2013 Ed. Nova Era<br \/>[P&aacute;g. 264-273]<\/font><\/div>\n<p><\/font><font face=\"Verdana\" size=2><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Um texto complementar &agrave; <i>&quot;Libera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da audi&ccedil;&atilde;o&quot;<\/i> [Livro tibetano dos Mortos], descoberto por Karma Lingpa no mesmo ciclo do <i>terma<\/i>, apresenta lindamente a Vis&atilde;o <i>Dzogchen<\/i>. Este texto &eacute; chamado &quot;<i>Autolibera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da vis&atilde;o nua mostrando a consci&ecirc;ncia<\/i>&quot;. Ele oferece instru&ccedil;&otilde;es sobre como reconhecer e permanecer no estado de consci&ecirc;ncia suprema, que descreve com grande profundidade. Se um praticante torna-se acostumado com este estado ao longo da vida, ent&atilde;o ele ou ela ser&aacute; capaz de entrar nele facilmente na hora da morte. [&#8230;]<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ele come&ccedil;a por afirmar o ponto fundamental que mente confusa e mente desperta s&atilde;o uma e a mesma em ess&ecirc;ncia, e que todos os diferentes caminhos dentro do budismo levam ao mesmo fim, o reconhecimento da natureza verdadeira da mente.<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Maravilhoso!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Uma mente abrange todo o samsara e o nirvana.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Eacute; a pr&oacute;pria natureza da pessoa desde o in&iacute;cio,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No entanto n&atilde;o &eacute; reconhecida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sua claridade e consci&ecirc;ncia fluem incessantemente,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No entanto n&atilde;o &eacute; encontrada face a face.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Raiando sem obstru&ccedil;&atilde;o por toda parte, <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sua realidade n&atilde;o &eacute; captada.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">De tal forma que este si pr&oacute;prio possa reconhecer a si pr&oacute;prio,<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Todas as inconceb&iacute;veis 84 mil portas para o Dharma s&atilde;o ensinadas pelos budhas do passado, do presente e do futuro.<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os budhas n&atilde;o ensinam nada <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Exceto a realiza&ccedil;&atilde;o desse si pr&oacute;prio.<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Eacute; importante lembrar que no budismo &quot;uma mente&quot; n&atilde;o implica em nenhuma entidade c&oacute;smica ou subst&acirc;ncia. Ela se refere simplesmente &agrave; faculdade iluminadora, conhecedora da mente, que &eacute; a mesma, proceda ela de acordo com a verdade, que cria o <i>nirvana<\/i>, ou de uma forma distorcida, que cria o <i>samsara<\/i>. N&atilde;o pode ser chamada precisamente de individual ou universal, de pessoal ou impessoal, porque tais distin&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se aplicam a ela. Essa mente cont&eacute;m o espectro total do estado desperto : seu vazio essencial, sua energia radiante e sua manifesta&ccedil;&atilde;o incessante.<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Dentro de si o trikaya &eacute; indivis&iacute;vel e completo em um:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Vazio onde absolutamente nada existe &eacute; o dharmakaya,<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Claridade, a radi&acirc;ncia interior do vazio, &eacute; o sambhogakaya,<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nascendo em toda parte sem obstru&ccedil;&atilde;o &eacute; o nirmanakaya,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os tr&ecirc;s completos em um s&atilde;o sua natureza espec&iacute;fica.<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">J&aacute; que nossa mente &eacute; inerentemente budha, tudo que precisamos fazer &eacute; reconhecer e se basear em nossa verdadeira natureza. A partir desse ponto de vista, o estado desperto &eacute; a nossa mente perfeitamente comum, a experi&ecirc;ncia di&aacute;ria. No entanto, mesmo depois que ela nos foi mostrada, parecemos ser incapazes de reter essa realiza&ccedil;&atilde;o. Nossas pr&oacute;prias tentativas de faze-lo nos atrapalham, porque erram seu objetivo. Come&ccedil;amos fazendo esfor&ccedil;o para mudar, para encontrar alguma coisa, ou para atingir alguma meta, mas esses mesmos esfor&ccedil;os se tornam contraproducentes. No sentido &uacute;ltimo, n&atilde;o h&aacute; realmente nada a fazer e nada a mudar. No entanto come&ccedil;amos a ter d&uacute;vidas e sentimos que somos incapazes de conquistar qualquer coisa. Desesperamo-nos para chegar em algum lugar, quando realmente n&atilde;o h&aacute; nenhum lugar para ir. Esse paradoxo &eacute; enfatizado com uma s&eacute;rie de perguntas para nos chocar e fazer ver o absurdo de toda a situa&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando o m&eacute;todo poderoso de entrar nesse si pr&oacute;prio &eacute; mostrado,<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Seu pr&oacute;prio auto-conhecimento no momento presente &eacute; apenas isso!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sua pr&oacute;pria auto-ilumina&ccedil;ao n&atilde;o elaborada &eacute; apenas isso,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o porque dizer que n&atilde;o consegue compreender a natureza da mente?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N&atilde;o existe nada mesmo para meditar dentro dela,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o porque dizer que nada acontece quando voc&ecirc; medita?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia direta de consci&ecirc;ncia &eacute; apenas isso,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o porque dizer que voc&ecirc; n&atilde;o consegue encontrar sua pr&oacute;pria mente?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Consci&ecirc;ncia ininterrupta e claridade s&atilde;o apenas isso,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o  por que dizer que n&atilde;o consegue reconhecer a sua mente!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Aquele que pensa sobre a mente &eacute; a pr&oacute;pria mente,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o por que dizer que n&atilde;o consegue encontr&aacute;-la mesmo se voc&ecirc; procurar?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N&atilde;o existe nada mesmo para ser feito com ela,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o por que dizer que nada acontece, n&atilde;o importa o que voc&ecirc; fa&ccedil;a?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ela s&oacute; precisa ser deixada naturalmente em seu pr&oacute;prio lugar,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o por que dizer que ela n&atilde;o vai parar quieta?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ela s&oacute; precisa ser deixada &agrave; vontade, fazendo nada,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o por que dizer que voc&ecirc; n&atilde;o consegue fazer isso?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Claridade, consci&ecirc;ncia e vazio insepar&aacute;veis est&atilde;o espontaneamente presentes,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o por que dizer que sua pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; bem-sucedida?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Espontaneamente auto-manifestada sem causa ou condi&ccedil;&atilde;o,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o por que dizer que voc&ecirc; n&atilde;o consegue mesmo  se tentar?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Pensamentos s&atilde;o liberados instantaneamente assim que surgem,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o por que dizer que ant&iacute;dotos t&ecirc;m poder?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Saber no presente momento &eacute; apenas isso,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o por que dizer que voc&ecirc; n&atilde;o o sabe?<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Essa passagem est&aacute; cheia de termos t&iacute;picos dzogchen, como auto-conhecimento, auto-consci&ecirc;ncia, auto-ilumina&ccedil;&atilde;o e assim por diante. Eles s&atilde;o amb&iacute;guos, e algumas vezes &eacute; dif&iacute;cil decidir que aspecto apresentar na tradu&ccedil;&atilde;o. A palavra usada para aqui &quot;ser&quot; (em s&acirc;nscrito <i>sva<\/i>, em tibetano <i>rang<\/i>) tamb&eacute;m significa &quot;seu pr&oacute;prio&quot;, portanto em alguns contextos parece apropriado enfatizar que &eacute; a sua pr&oacute;pria mente, sua pr&oacute;pria claridade, sua pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia. Essas qualidades n&atilde;o s&atilde;o criadas por ningu&eacute;m, n&atilde;o v&ecirc;m de nenhum outro lugar e n&atilde;o precisam ser alcan&ccedil;adas ou aperfei&ccedil;oadas de nenhuma forma. &Eacute; por isso que com freq&uuml;&ecirc;ncia encontramos tradu&ccedil;&otilde;es como &quot;natural&quot;, &quot;inerente&quot; ou &quot;intr&iacute;nseco&quot;. Entretanto, existe mais do que isso. No uso comum, auto-conhecimento implica conhecimento de suas condi&ccedil;&otilde;es interiores, como sendo diferentes do conhecimento do mundo exterior; mas aqui, o que quer que a pessoa saiba, perceba ou experimente, &eacute; reconhecido como estando dentro da mente, e portanto &eacute; auto-conhecimento (<i>rang shes<\/i>). O que quer que a mente experimente est&aacute; experimentando a si pr&oacute;pria. A claridade da mente faz com que as apar&ecirc;ncias surjam e se tornem vis&iacute;veis; isso &eacute; chamado auto-claridade ou auto-ilumina&ccedil;&atilde;o (<i>rang gsal<\/i>). Os fen&ocirc;menos que surgem s&atilde;o a pr&oacute;pria mente, embora pare&ccedil;am ser externos; s&atilde;o conhecidos como auto-apar&ecirc;ncia ou auto-exibi&ccedil;&atilde;o (<i>rang snang<\/i>). Auto-conscici&ecirc;ncia (<i>rang-rig<\/i>) em particular se refere ao conhecer fundamental, inato da realidade. Ela &eacute; a consci&ecirc;ncia da inseparabilidade do vazio e das apar&ecirc;ncias: a mente estando consciente de suas pr&oacute;prias cria&ccedil;&otilde;es, do jogo entre o observador e o observado, e ao mesmo tempo estando consciente dessa consci&ecirc;ncia. Dzogchen tamb&eacute;m utiliza o significativo termo <i>auto-libera&ccedil;&atilde;o<\/i> (<i>rang grol<\/i>) [discutido no cap&iacute;tulo dois do livro]. Tudo que parece nos prender e nos  iludir vem da nossa pr&oacute;pria percep&ccedil;&atilde;o equivocada; a mente construiu sua pr&oacute;pria pris&atilde;o e sua pr&oacute;pria teia de enganos. Portanto, assim que a verdadeira natureza da mente &eacute; realizada, ela &eacute; vista como tendo estado sempre essencialmente livre; naquele instante, ela se libera por seu pr&oacute;prio poder. O texto nos exorta a olhar cuidadosamente para nossa pr&oacute;pria mente e nos assegurar de que ela &eacute; de fato verdadeira.<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Eacute; certo que a natureza da mente &eacute; vazia, sem fundamento; <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sua mente &eacute; n&atilde;o-existente como o espa&ccedil;o vazio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Olhe para sua pr&oacute;pria mente! Ela &eacute; assim ou n&atilde;o?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Eacute; certo que o que quer que apare&ccedil;a &eacute; tudo auto-exibi&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Originando-se de si pr&oacute;pria como uma apar&ecirc;ncia, como uma imagem em um espelho.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Olhe para sua pr&oacute;pria mente! Ela &eacute; assim ou n&atilde;o?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Eacute; certo que todas as qualidades s&atilde;o espontaneamente auto-liberadas:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Auto-produzidas e auto-liberadas como nuvens no c&eacute;u.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Olhe para sua pr&oacute;pria mente! Ela &eacute; assim ou n&atilde;o<\/p>\n<p><\/i>?<i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><\/i>Para entender todo esse conceito, n&atilde;o basta pensar ou sentir que nada &eacute; real ou que est&aacute; tudo na mente; &eacute; preciso uma percep&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na da ess&ecirc;ncia do que a mente &eacute; realmente. &Eacute; por isso que os ensinamentos sobre o vazio e o n&atilde;o-ser s&atilde;o fortemente enfatizados antes de qualquer outra coisa. A pr&oacute;pria mente fundamental, a fonte de toda essa exibi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; a &quot;minha mente&quot; ou a &quot;sua mente&quot; no sentido limitado e egoc&ecirc;ntrico. Toda a ilus&atilde;o do &quot;eu&quot; e do &quot;outro&quot; acontece dentro da mente, que abrange a ambos. Mas enquanto ainda acreditarmos em um eu separado e um mundo l&aacute; fora, a ilus&atilde;o &eacute; certamente real em seus pr&oacute;prios termos. Dizer que tudo &eacute; mente a partir daquele ponto de vista seria loucura. Os praticantes dzogchen s&atilde;o conhecidos por serem extremamente pr&aacute;ticos e realistas. Longchenpa, um grande mestre do s&eacute;c. XIV, iria rir das pessoas que sustentam vis&otilde;es filos&oacute;ficas idealistas, dizendo que &eacute; claro que o mundo externo &eacute; real! Com a realiza&ccedil;&atilde;o da auto-consci&ecirc;ncia, tudo &eacute; visto como sendo real de uma maneira inteiramente diferente, como a express&atilde;o da natureza desperta. Entre essas vis&otilde;es da vida, existe o per&iacute;odo de transmuta&ccedil;&atilde;o, cheio de paradoxos e ambig&uuml;idades. Precisamos estabelecer, por meio da experi&ecirc;ncia pessoal direta,  os diferentes est&aacute;gios de percep&ccedil;&atilde;o que levam ao estado &uacute;ltimo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Trungpa Rinpoche costumava dizer que a pr&aacute;tica do <i>Vajrayana<\/i> &eacute; baseada no abandono da esperan&ccedil;a de atingir o <i>nirvana<\/i> e do medo de permanecer no <i>samsara<\/i>. Ele chamou essa atitude de desesperan&ccedil;a, e descreveu toda a vida e o ensinamento de Padmakara como uma ilustra&ccedil;&atilde;o da desesperan&ccedil;a. Para a maioria das pessoas, incluindo grandes santos como Naropa e Milarepa, desesperan&ccedil;a realmente significa o total desespero de perder toda a esperan&ccedil;a, indo at&eacute; o fundo, antes que sejamos capazes de aceitar a verdade simples e &oacute;bvia. Se o que estamos procurando j&aacute; est&aacute; dentro de n&oacute;s, se nossa pr&oacute;pria natureza j&aacute; est&aacute; desperta, ent&atilde;o procurar em qualquer outro lugar s&oacute; pode nos levar para mais longe dela. A intensidade da nossa desesperan&ccedil;a, sua completitude e sua genuinidade determinam se podemos dar o salto para o reconhecimento direto, imediato, ou se precisamos seguir um caminho mais gradual de transforma&ccedil;&atilde;o. Durante o est&aacute;gio de cria&ccedil;&atilde;o do <i>vajrayana<\/i>, a pessoa realiza sua pr&aacute;tica com a atitude de que o resultado j&aacute; est&aacute; alcan&ccedil;ado, de tal forma que a esperan&ccedil;a de sucesso ou o medo do fracasso se desfazem gradualmente. Essa convic&ccedil;&atilde;o &eacute; o caminho para superar o materialismo espiritual, a atitude de apego que v&ecirc; a ilumina&ccedil;&atilde;o como um pr&ecirc;mio a ser conquistado no final da jornada. Com f&eacute; e confian&ccedil;a na realidade sempre presente da natureza de budha, o caminho se torna um processo cont&iacute;nuo de redescoberta, um revelar daquilo que j&aacute; est&aacute; plenamente presente, em vez de uma jornada dif&iacute;cil at&eacute; uma meta muito distante.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Como &eacute; estranho que ele seja desconhecido, embora esteja presente em toda a parte!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Como &eacute; estranho esperar por um fruto diferente, outro que n&atilde;o esse!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Como &eacute; estranho procura-lo em outro lugar, embora ele esteja em si pr&oacute;prio!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Maravilhoso!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Isso, consciente no momento presente, claro, embora insubstancial,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Apenas isso &eacute; a culmina&ccedil;&atilde;o de todas as Vis&otilde;es!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Isso, sem objeto de pensamento, todo abrangente, embora livre de tudo,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Apenas isso &eacute; a culmina&ccedil;&atilde;o de toda a medita&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Isso, que &eacute; chamado de natural, mundano e relaxado,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Apenas isso &eacute; a culmina&ccedil;&atilde;o de toda a conduta!<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Isso, n&atilde;o buscado, espontaneamente existente desde o in&iacute;cio de tudo,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Apenas isso &eacute; a culmina&ccedil;&atilde;o de toda a frui&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Atingir a ilumina&ccedil;&atilde;o pode parecer n&atilde;o ser nada de especial; aqueles que a atingiram parecem viver de uma maneira completamente comum e mundana, sem mesmo meditar, sem nenhum sentido de ter conquistado algo. O estado ideal de ser de um praticante dzogchen &eacute; totalmente natural; combina consci&ecirc;ncia focada com relaxamento sem esfor&ccedil;o. Desse ponto de vista, toda a medita&ccedil;&atilde;o &eacute; inventada e todas as pr&aacute;ticas s&atilde;o artificiais. Tentar atingir a libera&ccedil;&atilde;o por meio delas &eacute; como uma cobra se enroscando em n&oacute;s cada vez mais apertados, em vez de se desenroscar sem esfor&ccedil;o no espa&ccedil;o. A pessoa deveria simplesmente se apoiar natural e espontaneamente na natureza b&aacute;sica da mente.  Existe uma hist&oacute;ria sobre um lama chamado Zurchungpa que ilustra  o estado cont&iacute;nuo de consci&ecirc;ncia focada que isso requer. Ele estava sendo questionado por um estudante de uma tradi&ccedil;&atilde;o diferente que perguntou: &quot;No dzogchen, a medita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; considerada a coisa mais importante?&quot;  Zurchungpa respondeu; &quot;O que h&aacute; para se meditar a respeito?&quot;.  Ent&atilde;o o estudante perguntou: &quot;Bem, voc&ecirc; nunca medita?&quot; Ao que Zurchungpa respondeu: &quot;O que &eacute; que existe que possa jamais me perturbar [distrair]?<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">J&aacute; que n&atilde;o existe nada sobre o que meditar, n&atilde;o meditar em nada mesmo,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">J&aacute; que n&atilde;o existe nada para ser perturbado, est&aacute;vel em obsequiosidade,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Olhe de maneira desapegada para o estado de n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o-perturba&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Auto-consci&ecirc;ncia, auto-conhecer, auto-iluminar, brilha claramente:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Essa pr&oacute;pria alvorada &eacute; chamada mente desperta.<\/p>\n<p><i><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Se algu&eacute;m olhou fundo o suficiente para a natureza da mente e &eacute; capaz de tornar-se como a base daquele estado, ent&atilde;o se torna poss&iacute;vel usar todas as percep&ccedil;&otilde;es dos sentidos e toda a experi&ecirc;ncia da vida, para aumentar sua pr&oacute;pria realiza&ccedil;&atilde;o. Sem jamais perder de vista o vazio b&aacute;sico da mente, o que quer que aconte&ccedil;a &eacute; reconhecido como a exibi&ccedil;&atilde;o de seu aspecto luminoso. Esse &eacute; o caso durante nosso estado de vig&iacute;lia di&aacute;rio, durante sonhos e tamb&eacute;m ap&oacute;s a morte durante o <i>bardo<\/i>. Torna-se especificamente importante reconhecer quando as vis&otilde;es do <i>bardo<\/i> aparecem. Se nos tornarmos acostumados a reconhecer o que quer que surja como uma express&atilde;o da natureza luminosa e vazia de nossa mente, ent&atilde;o n&atilde;o seremos levados por nenhuma apar&ecirc;ncia, por mais impressionante ou aterrorizante que ela possa ser. <\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Consci&ecirc;ncia de todas as apar&ecirc;ncias como mente, sem apego,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Est&aacute; desperta, embora ver e visto surjam.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Apar&ecirc;ncias n&atilde;o s&atilde;o equivocadas, o erro vem atrav&eacute;s do apego;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Conhecendo o pensamento de apego como mente, ele &eacute; auto-liberado.<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O texto continua:<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"> N&atilde;o existe nenhuma apar&ecirc;ncia que n&atilde;o seja conhecida como originada da mente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Qualquer apar&ecirc;ncia que surja &eacute; a pr&oacute;pria mente, desobstru&iacute;da.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Embora ela surja, como a &aacute;gua e as ondas do oceano, <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">J&aacute; que elas n&atilde;o s&atilde;o duas, isso &eacute; liberado na natureza da mente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><\/i>Nossa ess&ecirc;ncia intr&iacute;nseca &eacute; um estado da maior simplicidade, embora durante o processo de se revelar tenhamos de trabalhar com  a complexidade e a confus&atilde;o de nossas mentes, como elas s&atilde;o [est&atilde;o] no presente. Pode parecer que ensinamentos como esse na verdade encorajem a n&atilde;o meditar ou fazer qualquer tipo de pr&aacute;tica. Entretanto, as vidas dos grandes mestres dzogchen mostram que eles passaram muitos anos em retiro e fizeram esfor&ccedil;os tremendos, antes que atingissem o estado espont&acirc;neo da consci&ecirc;ncia natural. Em adi&ccedil;&atilde;o, suas biografias revelam que tiveram uma f&eacute; e uma devo&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;rias a seus <i>gurus<\/i> e grande respeito por todos os est&aacute;gios do caminho. Podem existir algumas poucas pessoas que, como resultado de pr&aacute;ticas de vidas anteriores, possam penetrar direto na ess&ecirc;ncia em um curto per&iacute;odo de tempo, mas a grande maioria de n&oacute;s precisa passar por um per&iacute;odo mais longo de prepara&ccedil;&atilde;o. Para se basear no estado de n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o-perturba&ccedil;&atilde;o [n&atilde;o-distra&ccedil;&atilde;o], precisamos praticar a medita&ccedil;&atilde;o convencional primeiro, sen&atilde;o apenas permanecemos sob a influencia da perturba&ccedil;&atilde;o\/distra&ccedil;&atilde;o, quer estejamos conscientes disso ou n&atilde;o. Como diz o texto:<i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Todos os seres s&atilde;o na realidade a ess&ecirc;ncia desperta,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mas sem praticarem de fato eles n&atilde;o ir&atilde;o despertar.<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mesmo que n&atilde;o possamos perceber aquela ess&ecirc;ncia no presente, simplesmente sabendo a respeito dela e tendo f&eacute; nela fazem uma enorme diferen&ccedil;a. Esses maravilhosos ensinamentos s&atilde;o como o sol num dia nublado: podemos ter completa confian&ccedil;a que o sol est&aacute; sempre por tr&aacute;s das nuvens. A vis&atilde;o dzogchen pode impregnar subitamente todo caminho, qualquer que seja a pr&aacute;tica na qual estejamos engajados e em qualquer est&aacute;gio que tenhamos atingido. O texto conclui com este &uacute;ltimo conselho:<\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ver sua pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia de forma nua e direta,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Essa Auto-libera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da vis&atilde;o nua &eacute; muito profunda,<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ent&atilde;o comece a conhecer isso por si mesmo, sua pr&oacute;pria auto-consci&ecirc;ncia!<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<p><\/i><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VIS&Atilde;O DZOGCHEN&nbsp; &nbsp;Extratos do Livro: VAZIO LUMINOSODe Francisca Fremantle \u2013 Ed. 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