{"id":6134,"date":"2020-06-16T12:52:21","date_gmt":"2020-06-16T14:52:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?page_id=6134"},"modified":"2020-06-16T12:52:21","modified_gmt":"2020-06-16T14:52:21","slug":"08-a-fonte-suprema","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/08-a-fonte-suprema\/","title":{"rendered":"08 -A FONTE SUPREMA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-fonte-suprema.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-fonte-suprema.jpg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"900\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6137\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-fonte-suprema.jpg 1600w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-fonte-suprema-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-fonte-suprema-768x432.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-fonte-suprema-1024x576.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/A-fonte-suprema-500x281.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/a><\/p>\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><\/p>\n<div align=\"justify\" >\n<div align=\"center\" ><a name=\"inicio\"><font size=\"4\"><b>08 -A FONTE SUPREMA<\/b><\/font><\/a><\/div>\n<p><b><font face=\"Verdana\" size=1><\/p>\n<p align=\"RIGHT\">INTRODU&Ccedil;&Atilde;O AO DZOGCHEN<br \/><i>Uma vis&atilde;o do Dzogchen atrav&eacute;s dos textos<br \/><\/i><\/p>\n<p><\/font><\/b>Este &eacute; um trabalho de sele&ccedil;&atilde;o e ordena&ccedil;&atilde;o de textos <br \/>de v&aacute;rios autores e mestres dzogchen por<br \/><b>Karma Tenpa Darghye<\/b>.<\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A meta do Dzogchen &eacute; o redespertar do indiv&iacute;duo para o estado primordial de ilumina&ccedil;&atilde;o que &eacute; encontrado naturalmente em todos os seres. O mestre introduz o estudante a sua natureza real, a qual j&aacute; &eacute; perfeita e iluminada, por&eacute;m, somente pelo reconhecimento desta natureza e estabilidade neste estado de reconhecimento durante todas as atividades di&aacute;rias &eacute; que o estudante torna-se um aut&ecirc;ntico praticante do Dzogchen do caminho direto de auto-libera&ccedil;&atilde;o. O praticante do Dzogchen est&aacute; consciente da claridade absoluta e pureza da sua pr&oacute;pria mente e, sem tentar modificar o que por si mesmo j&aacute; &eacute; perfeito, sem lutar para obter de qualquer outro lugar o estado de realiza&ccedil;&atilde;o<b>,<\/b> permanece sempre na natureza real da exist&ecirc;ncia, a suprema fonte de todos os fen&ocirc;menos. &quot;Os que tentam meditar e realizar esta condi&ccedil;&atilde;o por meio do esfor&ccedil;o s&atilde;o tais como um cego que tenta moldar o c&eacute;u&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Neste livro, o ensinamento do Dzogchen &eacute; apresentado por meio de um dos seus textos mais antigos, o <i>tantra Kundjed Gyalpo<\/i>, &quot;O Rei que Tudo Cria&quot; \u2013 uma personifica&ccedil;&atilde;o do estado primordial de ilumina&ccedil;&atilde;o.  Este <i>tantra<\/i> &eacute; a escritura fundamental da <i>Semde<\/i> &#8211; a tradi&ccedil;&atilde;o Dzogchen da &quot;Natureza da Mente&quot; &#8211; e &eacute; a fonte mais autorizada para se entender a vis&atilde;o do Dzogchen. O coment&aacute;rio oral por <i>Chogyal Namkhai Norbu<\/i> facilita intuir as profundezas deste texto desde um ponto de vista pr&aacute;tico. Adriano Clemente traduziu a sele&ccedil;&atilde;o de passagens principais do <i>tantra<\/i> original. A Fonte Suprema ser&aacute; de grande interesse para todos os estudantes de budismo tibetano.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O que segue &eacute; um extrato deste livro.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><b><\/p>\n<p align=\"CENTER\">O <i>Atiyoga <\/i>do Dzogchen<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Com o atiyoga alcan&ccedil;amos a culmin&acirc;ncia dos caminhos da realiza&ccedil;&atilde;o: o Dzogchen &#8211; &quot;a perfei&ccedil;&atilde;o total&quot; &#8211; cujo caminho caracter&iacute;stico, baseado no conhecimento da auto-libera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o demanda qualquer outra transforma&ccedil;&atilde;o. De fato, quando entendemos o princ&iacute;pio da auto-libera&ccedil;&atilde;o, reconhecemos que nem mesmo o m&eacute;todo transformador do <i>tantra<\/i> &eacute; o caminho final. O ponto fundamental da pr&aacute;tica do Dzogchen, chamado de <i>tregch&ouml;d,<\/i> o &quot;relaxamento das tens&otilde;es&quot;, &eacute; repousar no estado da contempla&ccedil;&atilde;o, enquanto que o caminho de permanecer neste estado &eacute; chamado <i>chogshag,<\/i> &quot;deixando como est&aacute;&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Fazer uma visualiza&ccedil;&atilde;o, uma pr&aacute;tica de transforma&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o impura em uma <i>mandala<\/i> e etc. significa &quot;construir&quot; alguma coisa, trabalhar com a mente, enquanto que no estado da contempla&ccedil;&atilde;o, o corpo, fala e mente est&atilde;o totalmente relaxados, e &eacute; necess&aacute;rio que seja assim. Um termo usado muito freq&uuml;entemente no Dzogchen &eacute; <i>mach&ouml;pa,<\/i> &quot;n&atilde;o corrigido&quot;, &quot;n&atilde;o alterado&quot;, enquanto que transforma&ccedil;&atilde;o significa corrigir, considerando que, por um lado, h&aacute; vis&atilde;o impura e, pelo outro, vis&atilde;o pura. Ent&atilde;o, tudo o que se necessita para se entrar no estado de contempla&ccedil;&atilde;o &eacute; relaxar, n&atilde;o havendo necessidade de qualquer pr&aacute;tica de transforma&ccedil;&atilde;o. Algumas pessoas cr&ecirc;em que o Dzogchen &eacute; apenas a fase final do processo <i>t&acirc;ntrico,<\/i> semelhante ao <i>Mahamudra<\/i> da tradi&ccedil;&atilde;o moderna, mas isso se d&aacute; porque o ponto de chegada do caminho do <i>anuyoga,<\/i> tamb&eacute;m &eacute; chamado de Dzogchen. Na verdade, o <i>atiyoga<\/i> do Dzogchen &eacute; um caminho completo em si mesmo e que, como mencionado acima, &eacute; independente do caminho dos m&eacute;todos de transforma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando seguimos o ensinamento do Dzogchen, se tivermos capacidade suficiente, poderemos iniciar diretamente pela pr&aacute;tica de contempla&ccedil;&atilde;o. A &uacute;nica coisa que &eacute; indispens&aacute;vel &eacute; a pr&aacute;tica de guru <i>yoga<\/i>, a &quot;unifica&ccedil;&atilde;o com o estado do professor&quot;, pois &eacute; do professor que recebemos a introdu&ccedil;&atilde;o direta ao conhecimento.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os <i>tantras<\/i> originais sobre <i>Atiyoga,<\/i> como o <i>Kundjed Gyalpo<\/i>, afirmam freq&uuml;entemente que a qualidade caracter&iacute;stica do Dzogchen &eacute; a falta dos dez requisitos para a pr&aacute;tica do <i>tantra:<\/i> inicia&ccedil;&atilde;o<i>, mantra, mandala<\/i>, visualiza&ccedil;&atilde;o e etc. Por que estes n&atilde;o est&atilde;o presentes no Dzogchen? Porque s&atilde;o maneiras de corrigir ou alterar a natureza pr&oacute;pria do indiv&iacute;duo, mas na realidade nada h&aacute; para ser mudado ou melhorado, tudo o que &eacute; necess&aacute;rio &eacute; a descoberta da condi&ccedil;&atilde;o real e permanecer repousado neste estado. Assim, &eacute; importante que se compreenda que a palavra Dzogchen refere-se ao estado (original) do indiv&iacute;duo, e que o prop&oacute;sito do ensinamento do Dzogchen &eacute; capacitar &agrave; pessoa a entender esta condi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em geral, o ensinamento do Dzogchen &eacute; explicado por meio de tr&ecirc;s aspectos fundamentais: a base, o caminho e o fruto. A base &eacute; o estado primordial do indiv&iacute;duo e ser&aacute; explicado posteriormente por meio do princ&iacute;pio das \u2018tr&ecirc;s sabedorias\u2019, isto &eacute;, as tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es naturais: ess&ecirc;ncia, natureza e energia. Um dos exemplos mais claros que auxiliam a compreens&atilde;o deste ponto &eacute; o espelho. De fato, a condi&ccedil;&atilde;o relativa e a absoluta podem ambas ser representadas por um espelho, a primeira pelas imagens refletidas e a &uacute;ltima, pela capacidade intr&iacute;nseca do espelho de refletir. O mesmo acontece com o estado do indiv&iacute;duo. O que &eacute; o indiv&iacute;duo? &Eacute; aquele que possui o estado primordial de consci&ecirc;ncia, compar&aacute;vel &agrave; natureza do espelho que &eacute; pura, clara e l&iacute;mpida. Isto corresponde &agrave;s tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es chamadas &quot;ess&ecirc;ncia, natureza e limpidez&quot;. Tal como um reflexo emerge do espelho e, de certo modo, &eacute; uma qualidade do espelho, todos os pensamentos e todas as manifesta&ccedil;&otilde;es de nossa energia, quer seja bonita ou feia, s&atilde;o apenas a nossa pr&oacute;pria reflex&atilde;o, uma qualidade de nosso estado primordial. Se estivermos conscientes e se realmente estivermos neste estado, tudo se torna uma qualidade de n&oacute;s e n&atilde;o haver&aacute; mais qualquer separa&ccedil;&atilde;o entre sujeito e objeto ou qualquer considera&ccedil;&atilde;o sobre relativo ou absoluto.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Dissemos que, como indiv&iacute;duos, somos compostos por nosso pr&oacute;prio estado primordial como ess&ecirc;ncia, natureza e energia. Contudo, n&atilde;o devemos pensar nestes tr&ecirc;s aspectos como se fossem tr&ecirc;s objetos separados: a condi&ccedil;&atilde;o original &eacute; somente uma, e o fato de ser explicada por meio de tr&ecirc;s conceitos distintos &eacute; apenas para auxiliar a sua compreens&atilde;o. Na verdade, n&atilde;o podemos definir ou distinguir &quot;isto &eacute; pureza, aquilo &eacute; claridade e esse outro &eacute; limpidez&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O que &eacute; a ess&ecirc;ncia? A fim de descobrir o que &eacute; o estado primordial &eacute; necess&aacute;rio refletir, o que neste caso envolve o corpo, fala e mente, mais particularmente esta &uacute;ltima. De fato, &eacute; da mente que os pensamentos surgem. Se um pensamento surge enquanto estamos observando a mente, poder&iacute;amos procurar de onde o pensamento se originou, onde ele se mant&eacute;m, onde ele desaparece. Contudo, no momento em que reconhecemos o pensamento, ele desaparece e n&atilde;o encontramos nada sequer: n&atilde;o h&aacute; origem, n&atilde;o local onde se mantenha, nem lugar onde ele desaparece. Encontramos que n&atilde;o h&aacute; nada, de onde se diz que a ess&ecirc;ncia &eacute; vacuidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O conceito de vacuidade, <i>sunyata,<\/i> &eacute; muito divulgado no Budismo <i>Mahayana,<\/i> particularmente na tradi&ccedil;&atilde;o <i>Praj&ntilde;aparamita.<\/i> Contudo o ponto fundamental a ser entendido &eacute; que a vacuidade &eacute; a ess&ecirc;ncia real dos fen&ocirc;menos materiais e n&atilde;o uma entidade abstrata e separada. De fato, o mesmo exerc&iacute;cio no qual se procura a origem do pensamento pode ser aplicado a qualquer objeto percept&iacute;vel aos sentidos. Se enxergamos um objeto bonito e analisarmos de onde vem essa &quot;beleza&quot; e onde ela desaparece, n&atilde;o achamos nada que seja concreto: tudo est&aacute; no mesmo n&iacute;vel, tanto o objeto quanto o sujeito s&atilde;o, em ess&ecirc;ncia, vacuidade.  Assim tamb&eacute;m &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o &uacute;ltima da individualidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O que &eacute; claridade? Se a ess&ecirc;ncia &eacute; vacuidade isto n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o exista nada. Quando observamos um pensamento e ele desaparece, imediatamente a seguir surge outro pensamento, que poderia ser &quot;estou procurando a natureza do pensar e n&atilde;o estou achando nada!&quot;. Isto tamb&eacute;m &eacute; um pensamento, n&atilde;o &eacute;? &Eacute; um pensamento que pensa sobre a origem do pensar. Desta forma, muitos pensamentos surgem continuamente. Mesmo que possamos estar convencidos de que sua ess&ecirc;ncia &eacute; vacuidade, eles ainda se manifestam continuamente. O mesmo se aplica aos nossos sentidos: todos os objetos que percebemos s&atilde;o o surgimento incessante de nossa vis&atilde;o<i>k&aacute;rmica<b>.<\/b><\/i> Esta, ent&atilde;o, &eacute; a natureza da claridade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O que &eacute; a energia, ou a potencialidade da energia? &Eacute; a fun&ccedil;&atilde;o ativa e ininterrupta da natureza de nosso estado primordial. Em geral, se fala da &quot;fun&ccedil;&atilde;o de sabedoria&quot; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vis&atilde;o pura de um ser iluminado e da &quot;fun&ccedil;&atilde;o da mente&quot; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vis&atilde;o impura de <i>samsara<\/i>. Por exemplo, pensamos em algo e ent&atilde;o seguimos este pensamento e entramos em a&ccedil;&atilde;o. Ou ainda, enquanto estamos praticando, transformamo-nos em uma deidade com o <i>mandala<\/i> daquela deidade e dimens&atilde;o pura. Tudo isto evidencia a vis&atilde;o pura de energia nos aspectos de sua continuidade e sua capacidade de produzir algo.  Atrav&eacute;s de nossa energia surgem todas as manifesta&ccedil;&otilde;es em termos de sujeito e objeto, as quais podem ser puras ou impuras, bonitas ou feias, etc. Se colocarmos um cristal na luz solar, vemos imediatamente que ele irradia muitos raios luminosos. Neste caso, o cristal representa o estado do indiv&iacute;duo e as cores que se manifestam externamente representam tudo o que vemos e percebemos pelos sentidos.  Este &quot;modo de manifesta&ccedil;&atilde;o&quot; da energia, no qual a reflex&atilde;o se manifesta externamente, &eacute; chamado <i>tsal<\/i> em tibetano. A vis&atilde;o impura ligada ao <i>karma<\/i> e &agrave; dimens&atilde;o material e a vis&atilde;o pura no n&iacute;vel de sujeito e objeto s&atilde;o ambas manifesta&ccedil;&otilde;es de energia <i>tsal.<\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">H&aacute; tamb&eacute;m um modo no qual a energia se manifesta &quot;internamente&quot;, no sujeito em si, da mesma forma que imagens se refletem num espelho: isto &eacute; chamado de <i>rolpa<\/i>. Por exemplo, quando fazemos uma pr&aacute;tica <i>t&acirc;ntrica<\/i> e transformamos a n&oacute;s mesmos na dimens&atilde;o da deidade com seu <i>mandala<\/i>, estamos trabalhando com este tipo de energia, pois tudo est&aacute; ocorrendo dentro de n&oacute;s. Obviamente, no primeiro est&aacute;gio da pr&aacute;tica de transforma&ccedil;&atilde;o, &eacute; muito importante utilizar a mente, a concentra&ccedil;&atilde;o, etc., a fim de alcan&ccedil;ar esta fun&ccedil;&atilde;o concretamente. Mas em um certo ponto, a dimens&atilde;o pura do <i>mandala<\/i> pode se manifestar mesmo sem qualquer esfor&ccedil;o da nossa parte, e isto ocorre por meio da energia de <i>rolpa<\/i>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A terceira maneira pela qual a energia se manifesta &eacute; chamada de <i>dang<\/i>, e representa somente a condi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica da energia, sua potencialidade para assumir qualquer forma conforme as circunst&acirc;ncias.  O exemplo tradicional &eacute; o de um cristal colocado em um tecido: o cristal assumir&aacute; a cor do tecido mesmo sendo por si mesmo transparente e sem cor.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ess&ecirc;ncia, natureza e energia s&atilde;o chamadas de &quot;as tr&ecirc;s sabedorias&quot; porque elas representam o estado de ilumina&ccedil;&atilde;o em sua inteireza. O indiv&iacute;duo possui estes tr&ecirc;s aspectos desde o pr&oacute;prio princ&iacute;pio e continua a t&ecirc;-los mesmo ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o da ilumina&ccedil;&atilde;o completa.  Poderia se pensar &quot;qual &eacute;, ent&atilde;o, o objetivo de se fazer pr&aacute;tica, se j&aacute; temos as mesmas qualidades que um Buda tem?&quot; &quot;Basta apenas ficarmos quietos sem fazer nada!&quot; &Eacute; claro que podemos ficar quietos sem fazer nada pelo tempo que for poss&iacute;vel se n&atilde;o tivermos perturba&ccedil;&otilde;es, pelo tempo que for poss&iacute;vel se estivermos realmente neste estado. Mas, se for de outra maneira, significa que somos escravos do dualismo, condicionados pelo objeto. Neste caso, n&atilde;o &eacute; suficiente pensar que temos a ess&ecirc;ncia, natureza e energia: condicionados pela vis&atilde;o dualista que &eacute; exatamente o obst&aacute;culo que necessitamos superar para permitir que o sol do estado primordial brilhe novamente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Este &eacute; o motivo pelo qual o caminho &eacute; necess&aacute;rio, o qual, por sua vez, engloba os tr&ecirc;s aspectos da vis&atilde;o, medita&ccedil;&atilde;o e conduta. No Dzogchen a &quot;vis&atilde;o&quot;, ou perspectiva, n&atilde;o se refere a algo externo, significando simplesmente a observa&ccedil;&atilde;o de si mesmo para se descobrir a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o verdadeira<b>. <\/b>Basicamente, significa discernir o condicionamento dualista atuando no corpo, na fala e na mente a fim de super&aacute;-lo pela pr&aacute;tica. O ensinamento do Dzogchen de forma alguma sugere que se deva construir uma nova gaiola no lugar desta na qual j&aacute; nos encontramos; pelo contr&aacute;rio, serve como a chave que abre a porta desta gaiola. De fato, n&atilde;o basta descobrirmos que estamos presos na pris&atilde;o do dualismo: necessitamos sair dela, este &eacute; o prop&oacute;sito de &quot;meditar&quot;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Com rela&ccedil;&atilde;o ao segundo aspecto, medita&ccedil;&atilde;o, mesmo desde o princ&iacute;pio &eacute; necess&aacute;rio fazer uso dos m&eacute;todos de concentra&ccedil;&atilde;o, respira&ccedil;&atilde;o, etc., para acalmar a mente e dar o sustento a uma condi&ccedil;&atilde;o de estabilidade, o real prop&oacute;sito da medita&ccedil;&atilde;o &eacute; a continuidade do estado desperto, isto &eacute;, a presen&ccedil;a do estado primordial. Aqui dever&iacute;amos falar sobre contempla&ccedil;&atilde;o, o ponto essencial do qual &eacute; a presen&ccedil;a instant&acirc;nea pura, ou <i>rigpa.<\/i> O praticante do Dzogchen procura compreender este estado de presen&ccedil;a por meio de diversas experi&ecirc;ncias de vacuidade, clareza, sensa&ccedil;&otilde;es prazerosas, e assim por diante. De fato, a meta dos m&eacute;todos dos <i>sutras<\/i> e <i>tantras<\/i> &eacute; t&atilde;o somente tamb&eacute;m incitar experi&ecirc;ncias. O caminho verdadeiro do praticante do Dzogchen, contudo, &eacute; a contempla&ccedil;&atilde;o. De fato, apenas quando estivermos contemplando &eacute; que todas as tens&otilde;es de corpo, fala e mente s&atilde;o finalmente liberadas sem esfor&ccedil;o: at&eacute; descobrirmos e mantermos estabilidade neste estado, nossa experi&ecirc;ncia de relaxamento ser&aacute; incompleta. Contempla&ccedil;&atilde;o, como sugerimos anteriormente, pode estar ligada a uma experi&ecirc;ncia de vacuidade, de clareza ou de gozo, mas seu estado &eacute; somente um: a presen&ccedil;a instant&acirc;nea de <i>rigpa<\/i>. H&aacute; v&aacute;rios m&eacute;todos para reconhecer, estabilizar e integrar este estado a todas as circunst&acirc;ncias da vida cotidiana em correla&ccedil;&atilde;o &agrave;s s&eacute;ries fundamentais do Dzogchen: <i>Semde, Longde<\/i> e <i>Mennagde.<\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&quot;Conduta&quot;, o &uacute;ltimo dos tr&ecirc;s aspectos do caminho, diz respeito &agrave; atitude que os praticantes devem ter com rela&ccedil;&atilde;o ao momento no qual eles &quot;saem&quot; de uma sess&atilde;o contemplativa e assumem as suas demais atividades. O prop&oacute;sito disto &eacute; alcan&ccedil;ar a integra&ccedil;&atilde;o total da contempla&ccedil;&atilde;o com a vida cotidiana, superando qualquer diferencia&ccedil;&atilde;o que possa haver entre medita&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o-medita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Retomemos agora o terceiro e &uacute;ltimo aspecto do ensinamento do Dzogchen, o fruto ou o &quot;resultado&quot; da pr&aacute;tica: a realiza&ccedil;&atilde;o. J&aacute; dissemos que o estado primordial cont&eacute;m de forma potencial a manifesta&ccedil;&atilde;o da ilumina&ccedil;&atilde;o. O sol, por exemplo, possui naturalmente luz e raios, por&eacute;m, quando o c&eacute;u est&aacute; nublado, ningu&eacute;m pode v&ecirc;-los.  As nuvens, neste caso, representam nossos obst&aacute;culos que s&atilde;o um resultado do dualismo e condicionamento: quando forem superados, o estado da auto-perfei&ccedil;&atilde;o brilha com todas as suas manifesta&ccedil;&otilde;es de energia, sem que nada tenha sido alterado ou melhorado. Este &eacute; o princ&iacute;pio caracter&iacute;stico do Dzogchen. N&atilde;o compreender este ponto pode levar &agrave; id&eacute;ia de que o Dzogchen &eacute; o mesmo que o <i>Zen<\/i> e o <i>Ch\u2019an<\/i>. Em seu &acirc;mago, o <i>Zen<\/i>, que sem d&uacute;vida alguma &eacute; um ensinamento budista elevado e direto, &eacute; baseado no princ&iacute;pio da vacuidade tal como esta &eacute; explicada em <i>sutras<\/i> como o <i>Praj&ntilde;aparamita.<\/i> Mesmo deste ponto de vista, em conte&uacute;do, n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a com o Dzogchen, a particularidade do Dzogchen reside na introdu&ccedil;&atilde;o direta ao estado primordial n&atilde;o como &quot;vacuidade pura&quot; mas sim como este estando dotado com todos os aspectos da auto-perfei&ccedil;&atilde;o de energia. &Eacute; por meio da aplica&ccedil;&atilde;o destes que se atinge a realiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Com respeito ao fruto, h&aacute; os tr&ecirc;s <i>kayas,<\/i> &quot;corpos&quot; ou &quot;dimens&otilde;es&quot;: <b><i>dharmakaya<\/i>, <i>samboghakaya<\/i> e <i>nirmanakaya<\/i><\/b>. De forma alguma os <i>kayas<\/i> s&atilde;o n&iacute;veis de realiza&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o h&aacute; como haver um <i>dharmakaya<\/i> sem um <i>nirmanakaya,<\/i> e vice-versa. Para entender o seu significado, devemos retornar aos conceitos de ess&ecirc;ncia, natureza e energia. <i>Kaya<\/i> significa &quot;corpo&quot;, e, por isso, a dimens&atilde;o completa, tanto a material quanto a imaterial, na qual n&oacute;s pr&oacute;prios nos achamos.  Assim, <b>o <i>dharmakaya<\/i> <\/b>&eacute; a dimens&atilde;o total da exist&ecirc;ncia, sem qualquer exclus&atilde;o. Por isso, corresponde &agrave; ess&ecirc;ncia, a condi&ccedil;&atilde;o inef&aacute;vel e imensur&aacute;vel al&eacute;m dos conceitos e limites do dualismo.<\/p>\n<p><b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sambogha<\/p>\n<p><\/i><\/b> quer dizer &quot;bem-aventuran&ccedil;a&quot;, &quot;desfrute&quot;, portanto, <i>samboghakaya<\/i> quer dizer &quot;a dimens&atilde;o da bem-aventuran&ccedil;a&quot;. Neste caso, bem-aventuran&ccedil;a n&atilde;o se refere a algo material, mas sim, &agrave;s qualidades perfeitas-por-si-mesmas que se manifestam atrav&eacute;s das subst&acirc;ncias dos elementos, isto &eacute;, por meio das cores. De fato, quando os elementos tomam o estado material, eles passam do n&iacute;vel de &quot;cor&quot; ao n&iacute;vel s&oacute;lido dos elementos f&iacute;sicos. Em resumo, tudo o que consideramos ser a dimens&atilde;o pura da <i>mandala<\/i> e da deidade pertence ao <i>samboghakaya<\/i>, a fonte de transmiss&atilde;o do <i>tantra<\/i>. Este corresponde ao aspecto da &quot;natureza&quot; de claridade do estado primordial.<b><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nirmana<\/p>\n<p><\/i> <\/b>significa &quot;manifesta&ccedil;&atilde;o&quot;, &quot;emana&ccedil;&atilde;o&quot; e corresponde ao aspecto da energia ininterrupta. Ent&atilde;o, <i>nirmanakaya<\/i> quer dizer &quot;dimens&atilde;o da manifesta&ccedil;&atilde;o&quot;. De fato, atrav&eacute;s da energia, tanto a vis&atilde;o pura quanto a impura podem se manifestar e ambas s&atilde;o acreditadas como dimens&atilde;o <i>nirmanakaya<\/i>. A vis&atilde;o pura transcende a dimens&atilde;o material e constitui a ess&ecirc;ncia dos elementos, enquanto que a vis&atilde;o impura ao que &eacute; chamado de <i>&quot;vis&atilde;o k&aacute;rmica&quot;,<\/i> produzida como a conseq&uuml;&ecirc;ncia de determinadas a&ccedil;&otilde;es feitas no passado.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A palavra <i>nirmanakaya<\/i> pode tamb&eacute;m se referir a um indiv&iacute;duo realizado, tal como o <i>Sakyamuni Buddha<\/i>, que assumiu uma forma f&iacute;sica para transmitir os ensinamentos. De fato, apenas no<b> <\/b><i>nirmanakaya<\/i> &eacute; que os ensinamentos podem ser ditos e transmitidos em termos de sujeitos e objeto. O <i>samboghakaya<\/i> &eacute; aquela dimens&atilde;o na qual as potencialidades de som, luz e raios <i>(sgra, \u2018od e zer),<\/i> as tr&ecirc;s fontes fundamentais da manifesta&ccedil;&atilde;o, aparecem como a vis&atilde;o pura da mandala, a origem dos ensinamentos <i>t&acirc;ntricos<\/i>. Os livros chamados <i>&quot;tantras&quot;,<\/i> que cont&ecirc;m as revela&ccedil;&otilde;es destas manifesta&ccedil;&otilde;es, constituem o testemunho de mestres que tiveram contato direto com o <i>samboghakaya<\/i> e, somente depois, puseram por escrito. No que toca ao ensinamento do Dzogchen em particular, os seus <i>tantras<\/i> se diz que emanaram diretamente do <i>dharmakaya<\/i>, simbolizado pelo Buda primordial <i>Samantabhadra<\/i>, cuja imagem &eacute; a de um Buda azul celeste, nu e sem adornos, a pureza original do estado do indiv&iacute;duo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\"><sup>O Tantra Fundamental para o Dzogchen Semde \u2013 Coment&aacute;rios por Chogyal Namkhai Norbu &amp; Adriano Clemente[Extra&iacute;do de SNOW LION, P.\u00ba Box 6483 Ithaca, NY 14851 USA, vol 14, n&uacute;mero  4, fall 1999, p&aacute;g 1, 2 e 3.  Tradu&ccedil;&atilde;o por Andr&eacute; Collasiol \u2013 revis&atilde;o pelo <b>Lama Padma Samten<\/b> \u2013 CEBB Caminho do Meio \u2013 mar&ccedil;o 2000]<\/sup><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\"><font size=\"2\">Topo<\/font><\/a><br \/><a href=\"default.asp?menu=1099\" class=\"broken_link\"><font size=\"2\">Anterior<\/font><br \/><\/a><a href=\"default.asp?menu=1100\" class=\"broken_link\"><font size=\"2\">Pr\u00f3ximo<\/font><\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>08 -A FONTE SUPREMA INTRODU&Ccedil;&Atilde;O AO DZOGCHENUma vis&atilde;o do Dzogchen atrav&eacute;s dos textos Este &eacute; um trabalho de sele&ccedil;&atilde;o e ordena&ccedil;&atilde;o de textos de v&aacute;rios autores e mestres dzogchen porKarma Tenpa Darghye. A meta do Dzogchen &eacute; o redespertar do &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/08-a-fonte-suprema\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6137,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-6134","page","type-page","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6134"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6134\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6138,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/6134\/revisions\/6138"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6137"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}