{"id":6482,"date":"2020-06-29T19:32:47","date_gmt":"2020-06-29T21:32:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?page_id=6482"},"modified":"2020-06-29T19:38:50","modified_gmt":"2020-06-29T21:38:50","slug":"as-linhagens-tibetanas","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/as-linhagens-tibetanas\/","title":{"rendered":"As linhagens Tibetanas"},"content":{"rendered":"<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><a name=\"inicio1\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/linhagens-tibetanas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/linhagens-tibetanas.jpg\" alt=\"\" width=\"1072\" height=\"843\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6485\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/linhagens-tibetanas.jpg 1072w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/linhagens-tibetanas-300x236.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/linhagens-tibetanas-768x604.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/linhagens-tibetanas-1024x805.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/linhagens-tibetanas-381x300.jpg 381w\" sizes=\"auto, (max-width: 1072px) 100vw, 1072px\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/font><font face=\"Verdana\" size=\"2\" color=\"#000000\"><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p>As quatro tradi\u00e7\u00f5es tibetanas tem muito em comum, e a maioria das diferen\u00e7as est\u00e1 na forma como interpretam a vacuidade e o funcionamento da mente. Aqui, analisamos algumas das semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre as escolas Nyingma, Sakya, Kagyu e Gelug.<\/p>\n<p><strong>Tradi\u00e7\u00e3o Mon\u00e1stica<\/strong><\/p>\n<p>Dezoito diferentes escolas do Hinayana desenvolveram-se na \u00cdndia e somente tr\u00eas linhagens principais de votos mon\u00e1sticos do vinaya existem hoje, que s\u00e3o:<\/p>\n<p>Theravada \u2013 no sudoeste asi\u00e1tico<br \/>\nDharmaguptaka \u2013 no leste asi\u00e1tico<br \/>\nMulasarvastivada \u2013 no Tibete e \u00c1sia Central.<\/p>\n<p>Todas as quatro tradi\u00e7\u00f5es tibetanas compartilham a linhagem Mulasarvastivada de votos de novi\u00e7os para monges e monjas e votos completos para monges, e todas as quatro tamb\u00e9m t\u00eam praticantes leigos. Entretanto, assim como na tradi\u00e7\u00e3o Theravada, a Mulasarvastivada n\u00e3o mais tem monjas com ordena\u00e7\u00e3o completa \u2014 elas somente podem ser encontradas na escola Dharmaguptaka \u2014 uma vez que a linhagem de ordena\u00e7\u00e3o nunca foi transmitida no Tibete.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o Nyingma tamb\u00e9m tem ordena\u00e7\u00e3o ngagpa (mantrika). Os Ngagpas possuem um extenso conjunto de votos t\u00e2ntricos e s\u00e3o especializados em medita\u00e7\u00e3o e em fazer rituais para a comunidade leiga. Tornar-se um ngagpa nunca foi a principal alternativa para a institui\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica e por isso eles sempre foram bastante raros.<\/p>\n<p><strong>Estudos, Rituais e Medita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Todas as quatro tradi\u00e7\u00f5es combinam estudos dos sutras e tantras com rituais e medita\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o budista em cada um deles compreende memoriza\u00e7\u00e3o de textos dos quatro sistemas principais indianos e debate formal de seus significados. Diferen\u00e7as na interpreta\u00e7\u00e3o de pontos sutis de diferentes textos de estudo mon\u00e1stico aparecem n\u00e3o somente nas quatro escolas tibetanas, mas at\u00e9 dentro de cada escola. Tais diferen\u00e7as tornam os debates mais vividos e geram uma compreens\u00e3o mais clara.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s completar com sucesso os seus estudos, os Gelugpas recebem o titulo de \u201cGeshe\u201d e nas outras tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es o t\u00edtulo de \u201cKhenpo\u201d. \u201cKhenpo\u201d tamb\u00e9m \u00e9 o t\u00edtulo conferido aos abades. Todas as quatro tradi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tem o sistema de \u201ctulkus\u201d de lamas reencarnados. Tulkus e abades recebem o t\u00edtulo de \u201cRinpoche\u201d, independente de seu n\u00edvel de escolaridade.<\/p>\n<p>Pr\u00e1ticas rituais em todas as quatro tradi\u00e7\u00f5es incluem cantos acompanhados por c\u00edmbalos, tambores e trombetas, e oferenda de bolos esculpidos em forma de cones, chamadas tormas, feitos de farinha de cevada e manteiga. Cantos e estilos musicais s\u00e3o geralmente similares, embora o canto gutural harmonioso \u00e9 encontrado mais frequentemente entre os monges Gelugpa.<\/p>\n<p>Todas as quatro tradi\u00e7\u00f5es instruem seus seguidores a fazer as pr\u00e1ticas preliminares do ngondro com 100 mil repeti\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias pr\u00e1ticas, como prostra\u00e7\u00f5es e guru yoga. Os versos recitados e o n\u00famero espec\u00edfico de repeti\u00e7\u00f5es, contudo, diferem levemente. Medita\u00e7\u00e3o em cada escola inclui pr\u00e1tica di\u00e1ria, retiros curtos de alguns meses e retiros de tr\u00eas anos. A principal diferen\u00e7a \u00e9 a \u00e9poca da vida em que os praticantes far\u00e3o os seus retiros. Sakya, Nyingma e Kagyu tendem a fazer o ngondro e retiros mais cedo em seus treinamentos, enquanto que os Gelugpas fazem mais tarde, ao longo do caminho.<\/p>\n<p><strong>Defini\u00e7\u00f5es e Pontos de Vista<\/strong><\/p>\n<p>Algumas das principais diferen\u00e7as nas explica\u00e7\u00f5es que as tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es d\u00e3o dos ensinamentos v\u00eam do seu modo de definir e usar os termos t\u00e9cnicos, bem como, da apresenta\u00e7\u00e3o do Dharma a partir de pontos de vista diferentes.<\/p>\n<p>Por exemplo, a dupla \u201cpermanente\/impermanente\u201d pode significar tanto est\u00e1tico\/n\u00e3o est\u00e1tico como eterno\/tempor\u00e1rio. Quando os Gelugpas dizem que a mente \u00e9 impermanente, est\u00e3o se referindo ao fato de a mente estar ciente de diferentes objetos a cada momento e assim nunca est\u00e1 est\u00e1tica. Por outro lado, quando Kagyu e Nyingma explicam que a mente \u00e9 permanente, referem-se ao fato de que a natureza da mente nunca muda e que n\u00e3o tem nem in\u00edcio nem fim. Ambos concordariam, por\u00e9m, com a asser\u00e7\u00e3o do outro, embora a sua posi\u00e7\u00e3o perante a imperman\u00eancia ou perman\u00eancia da mente, superficialmente, seja diametricamente oposta.<\/p>\n<p>Outra diferen\u00e7a \u00e9 que os Gelugpas explicam o Dharma do ponto de vista dos seres comuns, a tradi\u00e7\u00e3o Sakya do ponto de vista de aryas altamente realizados no caminho, enquanto as Kagyu e Nyingma do ponto de vista de seres iluminados. Ent\u00e3o, por exemplo, Gelugpas dizem que a mente mais sutil ainda tem os h\u00e1bitos da ignor\u00e2ncia, como na hora da morte; a escola Sakya diz que ela \u00e9 bem-aventurada por natureza ; enquanto que as Kagyu e Nyingma explicam que ela \u00e9 completa e plena de boas qualidades, como no caso dos Budas . Al\u00e9m disso, Gelug e Sakya explicam do ponto de vista do praticante que procede lentamente, em etapas, enquanto Kagyu e Nyingma frequentemente apresentam o caminho como ele ocorre com aqueles praticantes raros, para quem \u201ctudo acontece de uma vez\u201d.<\/p>\n<p><strong>Explica\u00e7\u00e3o e uma Forma de Meditar sobre a Vacuidade<\/strong><\/p>\n<p>Todas as quatro tradi\u00e7\u00f5es concordam que as explica\u00e7\u00f5es da vacuidade \u2014 a aus\u00eancia de exist\u00eancia realmente estabelecida \u2014 dadas nos textos Madhyamaka s\u00e3o as mais profundas. Elas diferem, contudo, em como dividem a Madhyamaka em sub-escolas e como estas escolas diferem uma da outra. O ponto \u00faltimo \u00e9 atingirmos o reconhecimento n\u00e3o conceitual da vacuidade \u2014 utilizando o n\u00edvel grosseiro da mente, no sutra, e a mente mais sutil de clara luz, ou consci\u00eancia pura de rigpa, no tantra mais elevado. Isso significa atingir um certo estado mental e reconhecer um certo objeto, a vacuidade, como o seu objeto. Os Gelugpas enfatizam o objeto na medita\u00e7\u00e3o, enquanto as tradi\u00e7\u00f5es Sakya, Kagyu e Nyingma, enfatizam a mente.<\/p>\n<p>Cada tradi\u00e7\u00e3o ensina seus pr\u00f3prios meios h\u00e1beis para atingirmos o entendimento n\u00e3o conceitual e para acessarmos e ativarmos a mente sutil. O que os Gelugpas chamam n\u00e3o conceitual, as escolas Kagyu e Nyingma chamam \u201cal\u00e9m de palavras e conceitos.\u201d<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre mente e seus objetos, os Gelugpas explicam que somente podemos contar com a exist\u00eancia de objetos como sendo aquilo a que as palavras e conceitos se referem; mas claro que rotular mentalmente com conceitos e designar com palavras n\u00e3o cria nenhum objeto poss\u00edvel de ser encontrado. Sakya, Kagyu e Nyingma enfatizam a n\u00e3o dualidade da mente e seus objetos; mas isso n\u00e3o significa que os dois s\u00e3o iguais. Neste caso, est\u00e3o se referindo a inseparabilidade da mente e suas apar\u00eancias. As duas posi\u00e7\u00f5es das escolas tibetanas n\u00e3o s\u00e3o contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, ambos os lados concordam que, ap\u00f3s an\u00e1lise, nada pode ser encontrado existindo independentemente, por si s\u00f3, estabelecendo sua exist\u00eancia por si s\u00f3, embora causa e efeito ainda funcionem. Os Gelugpas explicam que as apar\u00eancias da exist\u00eancia verdadeiramente estabelecida s\u00e3o como uma ilus\u00e3o, ou seja, n\u00e3o correspondem a nada real: enquanto as outras tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es enfatizam que a exist\u00eancia verdadeiramente estabelecida \u00e9 de fato uma ilus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Teoria da Percep\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As escolas n\u00e3o Gelug dizem que o que percebemos n\u00e3o-conceitualmente \u00e9 apenas sensibilia \u2013 o que nossos sentidos captam, como as formas coloridas em nossa vis\u00e3o, por exemplo. Al\u00e9m do mais, percebemos apenas um momento de cada vez. E ainda, objetos convencionais podem ser reconhecidos atrav\u00e9s de v\u00e1rios sentidos diferentes: podemos apreender uma ma\u00e7\u00e3 pela vis\u00e3o, olfato, paladar ou sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica em nossas m\u00e3os, e isto se d\u00e1 atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de momentos de percep\u00e7\u00e3o. Por conta disso, as escolas Sakya, Kagyu e Nyingma pressup\u00f5em que s\u00f3 conseguimos reconhecer objetos comuns convencionais, como uma ma\u00e7\u00e3, de forma conceitual. Claro que isso n\u00e3o significa que ma\u00e7\u00e3s s\u00f3 existem em nossas mentes conceituais, mas que somente podemos reconhec\u00ea-las atrav\u00e9s de constru\u00e7\u00f5es mentais.<\/p>\n<p>Gelugpas afirmam que mesmo de forma n\u00e3o conceitual, n\u00f3s n\u00e3o vemos somente um momento de formas coloridas, mas a cada momento tamb\u00e9m vemos objetos convencionais, como ma\u00e7\u00e3s, que podem ser reconhecidos atrav\u00e9s de v\u00e1rios sentidos e que perduram no tempo. A rela\u00e7\u00e3o entre pensamento conceitual e objetos convencionais n\u00e3o \u00e9 que objetos s\u00f3 possam ser reconhecidos conceitualmente, ou que eles sejam apenas a cria\u00e7\u00e3o do pensamento conceitual. Mas que s\u00f3 podemos explicar sua exist\u00eancia em termos de r\u00f3tulos mentais do pensamento conceitual, conforme explicado acima. Portanto, ambos os lados concordam que entender o papel do pensamento conceitual no nosso caminho para reconhecer o mundo \u00e9 essencial para sobrepujar e eliminar para sempre nossa confus\u00e3o e ignor\u00e2ncia sobre a realidade \u2013 a causa mais profunda de todo nosso sofrimento.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito importante seguir uma abordagem n\u00e3o sect\u00e1ria, como Sua Santidade o Dalai Lama constantemente enfatiza. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de torcermos como para um time de futebol pelas linhagens, e pensar que uma \u00e9 melhor que a outra. O melhor ant\u00eddoto contra o sectarismo \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Quanto mais aprendemos sobre as diferentes tradi\u00e7\u00f5es, mais vemos o quanto elas se complementam, mesmo que frequentemente descrevam as coisas de forma bem diferente. Desta forma, podemos respeitar os ensinamentos de todas as linhagens<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Fonte<\/strong>: https:\/\/studybuddhism.com\/pt\/estudos-avancados\/abhidharma-e-sistemas-de-ensinamentos\/as-tradicoes-tibetanas\/como-diferem-as-tradicoes-budistas-tibetanas-entre-si<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\"><font size=\"2\">Topo<\/font><\/a><\/div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As quatro tradi\u00e7\u00f5es tibetanas tem muito em comum, e a maioria das diferen\u00e7as est\u00e1 na forma como interpretam a vacuidade e o funcionamento da mente. 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