{"id":1017,"date":"2014-08-05T12:21:14","date_gmt":"2014-08-05T14:21:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?page_id=1017"},"modified":"2018-02-12T19:18:49","modified_gmt":"2018-02-12T21:18:49","slug":"sermao-de-tetsugen-sobre-o-zen-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sermao-de-tetsugen-sobre-o-zen-2\/","title":{"rendered":"Serm\u00e3o de Tetsugen sobre o Zen"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/ZENSOL.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-879\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/ZENSOL-300x201.jpg\" alt=\"ZENSOL\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/ZENSOL-300x201.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/ZENSOL-1024x687.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/ZENSOL-446x300.jpg 446w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O SERM\u00c3O DE TETSUGEN* SOBRE O ZEN<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cLe Sermon de Tetsugen sur le Zen\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Versi\u00f3n castellana de Mar\u00eda de las Mercedes Resano Editorial Paidos<\/em> <em> Vers\u00e3o p\/ o portugu\u00eas de Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso.<\/em><\/p>\n<p>Tetsugen, monge budista que nasceu em Kyushu, Jap\u00e3o, em 1630, e morreu com 53 anos foi quem editou pela primeira vez em seu pa\u00eds a cole\u00e7\u00e3o completa dos textos budistas, que compreende 6056 volumes. Somente este antecedente determina o conhecimento profundo que sobre este assunto possu\u00eda o autor deste livro. Al\u00e9m de certas obras, consideradas como sagradas em seu g\u00eanero \u2013 o Prajnaparamita Hridaya Sutra, ou o Saddharmapunddarika Sutra, por exemplo \u2013 \u201cO Serm\u00e3o sobre o Zen\u201d se ap\u00f3ia na experi\u00eancia imediata, e comporta tamb\u00e9m a explica\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do budismo zen. Neste sentido a obra une \u00e0 sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica uma s\u00e1bia dosagem do pensamento e dos obst\u00e1culos que dever\u00e1 superar o praticante.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Com muit\u00edssima maior certeza que no caso de outras disciplinas \u2013 poesia, pintura \u2013, os te\u00f3ricos est\u00e3o de acordo que o zen \u00e9 imposs\u00edvel de explicar. E, por contraste, s\u00e3o muitos os livros que tentam defini-lo, aproximando-se de seus princ\u00edpios ou despertar uma rea\u00e7\u00e3o que no melhor dos casos permita visualiz\u00e1-lo ainda que por via indireta. J\u00e1 no Tao Te King se alude a impossibilidade de defini\u00e7\u00e3o, de explica\u00e7\u00e3o, pois ela em \u00faltima instancia, limita. O mesmo livro agrega: \u201cAs palavras n\u00e3o denotam sabedoria. A sabedoria n\u00e3o reside nas palavras\u201d. \u201cEnsinar sem palavras, atuar sem a\u00e7\u00e3o\u201d. Talvez a defini\u00e7\u00e3o mais valorosa \u00e9 a de D. Suzuki, quando afirma que se trata de uma \u201cexperi\u00eancia\u201d: \u201cAt\u00e9 aqui temos analisado o zen do ponto de vista intelectual para demonstrar que \u00e9 imposs\u00edvel apreend\u00ea-lo por este caminho; na verdade, tratar o zen filosoficamente \u00e9 n\u00e3o lhe fazer justi\u00e7a. O zen recha\u00e7a os meios, mesmo os intelectuais, porque em primeira e \u00faltima inst\u00e2ncia \u00e9 uma disciplina e uma experi\u00eancia que n\u00e3o depende de nenhuma explica\u00e7\u00e3o; a explica\u00e7\u00e3o consome tempo e energia e nunca acerta o alvo e, atrav\u00e9s dela, somente obtemos conceitos equivocados e uma perspectiva retorcida das coisas\u201d. Freq\u00fcentemente o zen descarta a l\u00f3gica, \u00e9 um inimigo dos textos; o pr\u00f3prio Tokusan queima os textos e assinala: \u201cPor mais profundo que seja nosso conhecimento da filosofia secreta, \u00e9 como um monte de cabelos que voam na vastid\u00e3o do espa\u00e7o; por mais importante que seja nossa experi\u00eancia das coisas mundanas, \u00e9 como uma gota d\u2019\u00e1gua jogada no abismo insond\u00e1vel\u201d. Tampouco se trata, como se tem especificado reiteradamente, de que a disciplina zen trata de cair na auto-sugest\u00e3o por interm\u00e9dio da medita\u00e7\u00e3o. A \u201cverdade zen\u201d se encontra ligada ao Satori, por\u00e9m para chegar a esta experi\u00eancia deve-se despojar de toda limita\u00e7\u00e3o, tentar um \u201cchoque\u201d, como advertem os mestres, que provoque esse \u201cdescartar conceitual da verdade\u201d. Donde a aproxima\u00e7\u00e3o dessa verdade exclui o sup\u00e9rfluo, o que n\u00e3o \u00e9 mais que um conceito ilus\u00f3rio ao qual nos encontramos sujeitos. No Vajrachedika Sutra ou Sutra do Diamante se l\u00ea:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Todas as coisas compostas (samskrita)<\/em> <em> Assemelham-se ao sonho, fantasma, espuma, sombra,<\/em> <em> Se parecem com a gota do orvalho e o brilho do rel\u00e2mpago;<\/em> <em> Assim devemos consider\u00e1-las.<\/em><\/p>\n<p>Os praticantes zen recordam da est\u00f3ria do Buda e de Mahakashyapa \u2013 transmiss\u00e3o de um estado, sem palavras \u2013 e se esta destaca-se entre as melhores imagens das tentativas de ilustrar a comunica\u00e7\u00e3o, outra est\u00f3ria, registrada no Surangama Sutra ou Sutra do Ato Her\u00f3ico, prop\u00f5e o desest\u00edmulo da apar\u00eancia: \u201cO Buda pede a Rahula que fa\u00e7a soar o sino, e solicita aos ali reunidos que escutem. Todos dizem ouvir o sino. O sino \u00e9 tocado de novo, e todos afirmam que existe um som que ouvem e que este desaparece quando o sino deixa de soar. As mesmas perguntas e as correspondentes respostas se repetem, at\u00e9 que o Buda afirma que todos est\u00e3o errados, pois se encontram perseguindo o que apropriadamente n\u00e3o lhes pertence, esquecendo completamente sua Ess\u00eancia interior que funciona atrav\u00e9s daqueles meios e condi\u00e7\u00f5es objetivas. Temos de perceber a Ess\u00eancia, n\u00e3o a audi\u00e7\u00e3o e o som. A confus\u00e3o deste \u00faltimo com a realidade \u00e9 resultado da mentalidade confusa. Mediante a pr\u00e1tica de Vipassana isto se apaga de tal modo que a Ess\u00eancia da Mente \u00e9 sempre reconhecida em todas as fun\u00e7\u00f5es da mente emp\u00edrica [objetiva], como em todos os fen\u00f4menos do denominado mundo objetivo. Ao captar dessa maneira a Ess\u00eancia da Mente, h\u00e1 uma \u201cinterpenetra\u00e7\u00e3o perfeita\u201d dos seis Vijnanas, o que constitui a Ilumina\u00e7\u00e3o. Pode inferir-se a dificuldade para definir, explicar ou talvez interiorizar o zen, e a complexidade que isso reveste para um ocidental. Por isso nenhum exemplo para estimular uma poss\u00edvel aproxima\u00e7\u00e3o \u00e9 mais eficaz que um Koan. Este exerc\u00edcio para a mente, que viola os princ\u00edpios da l\u00f3gica, \u00e9 um di\u00e1logo, proposi\u00e7\u00e3o ou pergunta, cuja maior virtude \u00e9 deslindar toda conceitua\u00e7\u00e3o estabelecida, toda racionaliza\u00e7\u00e3o. Quando Bodhidharma permaneceu sentado durante longos anos frente ao muro, o princ\u00edpio do Dhyana \u00e9 uma forma de medita\u00e7\u00e3o que n\u00e3o exclui o v\u00f4o da experi\u00eancia pessoal. Por\u00e9m mesmo essa consci\u00eancia da medita\u00e7\u00e3o foi dif\u00edcil para muitos realizar, por isso os mestres acudiram com a ajuda do Koan. A proposta de Hakuin, de solicitar aos seus disc\u00edpulos a explica\u00e7\u00e3o do ru\u00eddo que emanava de u\u2019a m\u00e3o (aplaudir com uma s\u00f3 m\u00e3o) admite-se como o recha\u00e7ar de todo o sistema l\u00f3gico, de toda ordem especulativa. O princ\u00edpio do koan prop\u00f5e uma liberdade conceitual suficientemente profunda para ultrapassar a transitoriedade do apego e do mundano, ou a relatividade do aparente. N\u00e3o obstante, D. Suzuki esclarece que \u201cO Koan n\u00e3o \u00e9 nem uma adivinha\u00e7\u00e3o nem uma observa\u00e7\u00e3o engenhosa, tem um objetivo definido: despertar a d\u00favida e impulsion\u00e1-la at\u00e9 seus \u00faltimos limites. De uma afirma\u00e7\u00e3o constru\u00edda sobre uma base l\u00f3gica \u00e9 poss\u00edvel aproximar-se porque \u00e9 racional; qualquer d\u00favida ou dificuldade que possamos ter sobre ela pode desaparecer se seguirmos o fluxo natural das id\u00e9ias. Os rios desembocam no oceano, por\u00e9m o koan \u00e9 como uma parede de ferro que corta o caminho e amea\u00e7a subjugar nosso esfor\u00e7o intelectual quando tratamos de super\u00e1-lo. N\u00e3o h\u00e1 forma l\u00f3gica de entender o dito de Joshu \u201co cipreste no p\u00e1tio\u201d ou o significado da m\u00e3o levantada de Hakuin. Sentimos como se o movimento de nosso pensamento se houvesse detido subitamente. Vacilamos, duvidamos, nos sentimos perturbados e agitados e n\u00e3o sabemos como superar o muro que parece intranspon\u00edvel. Ao chegar \u00e0 este cl\u00edmax, toda a nossa personalidade, nossa vontade \u00edntima, e nossa natureza profunda decidem resolver a situa\u00e7\u00e3o, e se lan\u00e7am direta e decididamente contra o muro de ferro do koan sem pensar no eu ou no n\u00e3o-eu, em isto ou aquilo, o arremesso de todo o nosso ser contra o koan abre de imediato uma regi\u00e3o da mente desconhecida at\u00e9 o momento. Intelectualmente, isto significa transcender os limites do dualismo l\u00f3gico, por\u00e9m, ao mesmo tempo, \u00e9 uma regenera\u00e7\u00e3o, o despertar de um sentido interno que torna poss\u00edvel a vis\u00e3o do aut\u00eantico funcionamento das coisas. Pela primeira vez, o significado do koan se torna claro, da mesma maneira que conhecemos que o gelo \u00e9 frio e gelado. Os olhos v\u00eaem, o ouvido escuta, certamente, por\u00e9m \u00e9 a mente como um todo que experimenta o satori; \u00e9 sem sombra de d\u00favida, um ato de percep\u00e7\u00e3o, por\u00e9m uma percep\u00e7\u00e3o no mais elevado sentido. Aqui reside o valor da disciplina zen, porque d\u00e1 nascimento a uma convic\u00e7\u00e3o irremov\u00edvel de que existe algo que vai muito al\u00e9m do intelecto\u201d. Se a aproxima\u00e7\u00e3o do zen \u00e9 complexa e pode parecer contrastante e paradoxal, o \u00e9 ainda mais para u\u2019a mente ocidental, em geral disciplinada, talvez muito esquem\u00e1tica e inclusive bastante presa \u00e0s conven\u00e7\u00f5es, o oriente parte das bases mais claras para chegar a solu\u00e7\u00f5es bem definidas. Salva\u00e7\u00e3o. Refer\u00eancia essencial, e fim. Os m\u00e9todos s\u00e3o t\u00e3o m\u00faltiplos como coincidentes na proemin\u00eancia da libera\u00e7\u00e3o. De um ponto de vista completamente pessoal, toda experi\u00eancia aludida ao zen, realizada no Jap\u00e3o, atrav\u00e9s de diferentes tentativas, me separou desse \u201cestado dependente\u201d, de que falam alguns mestres. Embora os sistemas, as formas de uma incipiente aproxima\u00e7\u00e3o, se realizem por interm\u00e9dio da contempla\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Porque a atra\u00e7\u00e3o de um pensamento que n\u00e3o pode agarrar-se aos textos ou imagens, se soma a admiss\u00e3o da conduta de um exerc\u00edcio di\u00e1rio do dever e, especialmente, a devo\u00e7\u00e3o pelo est\u00e9tico. Em tal sentido pode afirmar-se que o zen n\u00e3o recha\u00e7a uma harmonia abstrato-simb\u00f3lica (das pinturas de Ma Yuan \u00e0s de Sessh\u00fa; do despojamento dos jardins de pedras \u00e0 diagrama\u00e7\u00e3o austera e contemplativa do Chanoyu), por\u00e9m que nela se permite outra medida de aproxima\u00e7\u00e3o ao fim proposto. Examine-se o ret\u00e2ngulo branco, no estilo Karesansui, do jardim de pedra do Rioan-ji: as virtudes do mandala budista, o apoio meditativo, se torna mais esclarecedor. \u00c0 repeti\u00e7\u00e3o das imagens se op\u00f5e a clara ordena\u00e7\u00e3o das pedras, dispostas assimetricamente. Aonde se encontrar\u00e1 a centelha da revela\u00e7\u00e3o? Os praticantes zen n\u00e3o cedem em conceder uma resposta. Todas as respostas podem gerar uma limita\u00e7\u00e3o. Uma harm\u00f4nica claridade no desenho; o piso penteado pelo ancinho, derivando at\u00e9 um s\u00edmbolo de imperman\u00eancia. Se pode \u201cler\u201d nos vazios apenas balanceados pelo agrupamento de v\u00e1rias pedras dispostas assimetricamente. No jardim do Daisen-in, as duas primeiras partes recordam conceitos vertidos mediante s\u00edmbolos abstratos, embora com elementos reais (pedras, madeira, bambu, \u00e1rvores, musgo), por\u00e9m no \u00faltimo n\u00edvel (grande oceano), o despojo \u00e9 igualmente a base de sua simplicidade e sua profundidade. N\u00e3o importa as alus\u00f5es ao oceano m\u00e9dio, tais como a pedra da ilha Kogameshina da pequena tartaruga; Dokuseiseki ou pedra da experi\u00eancia; Butsubanseki ou a marca do p\u00e9 de Buda; Kannonishi ou a alus\u00e3o \u00e0 deusa da compaix\u00e3o; Kameshina ou a ilha da tartaruga (s\u00edmbolo das profundas possibilidades da mente humana); Horaisan ou o monte Horai do tesouro; a cascata Taki; a pedra do caracol Horagalishi; Tsurushima ou a ilha da grua (s\u00edmbolo do elevado que pode chegar \u00e0 mente humana); Darumaishi ou a pedra do Dharma; Maikyoseki ou a pedra do espelho brilhante; Kotoseki ou a pedra de cabe\u00e7a de tigre; Ryotoseki ou a pedra da cabe\u00e7a de drag\u00e3o; Takarabune ou pedra do ba\u00fa do tesouro, ou Shinjyuishi ou pedra da perola. No Grande Oceano restar\u00e1 uma s\u00f3 pergunta, talvez a \u00fanica. As alus\u00f5es j\u00e1 desapareceram, e a simplicidade \u00faltima \u00e9 t\u00e3o sugestiva como o sentido mesmo de um Haiku. O conhecido Haiku de Basho sobre a r\u00e3 que mergulha, por exemplo, em que toda apreens\u00e3o, todo conhecimento, n\u00e3o \u00e9 direto, por\u00e9m que a ele se deve chegar por via da infer\u00eancia. Igualmente acontece ao tratar o emprego do espa\u00e7o em uma pintura Sung do sul, ou na paisagem Haboku Sansui de Sessh\u00fb. Um espa\u00e7o permanente. O mesmo satori tem sido definido como um \u201colhar intuitivo na natureza mesma das coisas\u201d. Uma natureza ainda mais profunda do que a prevista em qualquer texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">D\u00f4gen alude a ela em um poema:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Meia-noite<\/em> <em> O ar \u00e9 calmo. Serenidade.<\/em> <em> A \u00e1gua, um espelho,<\/em> <em> A lua, luz na \u00e1gua, luz no ar, em todas os lugares<\/em> <em> Pura, oh! Pura, transparente, um barco voga.<\/em> <em> O impermanente, ao contr\u00e1rio,<\/em><em>aflora \u00e0s vezes como uma senten\u00e7a, e assim o sente<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ikkyu:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Se teu cora\u00e7\u00e3o aspira \u00e0 manh\u00e3,<\/em> <em> Ao ver as cerejeiras em flor<\/em> <em> Sabes acaso se a tormenta repentina<\/em> <em> N\u00e3o destruir\u00e1 esta noite todas as flores?<\/em><\/p>\n<p>Apesar das m\u00faltiplas maneiras poss\u00edveis de aproxima\u00e7\u00e3o ao zen, todas elas indiretas e \u00e0s vezes desconcertantes, apesar do atrativo que o apoio est\u00e9tico oferece para chegar de uma maneira inclusive visual, o zen n\u00e3o despreza um plano de conduta, a necessidade de atuar compreendendo a import\u00e2ncia do cotidiano, de penetrar simplesmente as coisas da vida. A a\u00e7\u00e3o, por\u00e9m sem apegar-se; o real como viv\u00eancia di\u00e1ria, levando disso o jubilo de tudo o que vive, at\u00e9 que se chegue a transcend\u00ea-lo. Com simpatia recordam os praticantes zen a est\u00f3ria do monge Hyakujo Ekai, o qual instado por seus alunos para que lhes ensinasse o zen, mandou-os primeiro trabalhar. Ao finalizar as tarefas voltaram a v\u00ea-lo, e o mestre, sem proferir palavra, somente abriu seus bra\u00e7o. Como no di\u00e1logo do Buda com Mahakasyapa, a comunica\u00e7\u00e3o no zen se encontra al\u00e9m de qualquer explica\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia do zen, do satori, tal como relata o mesmo Bukko, \u00e9 t\u00e3o reveladora como a que teve antes Hakuin: \u201cQuando tinha dezessete anos decidi estudar o budismo, e me propus terminar os estudos no espa\u00e7o de um ano, por\u00e9m n\u00e3o pude faz\u00ea-lo. Outro ano ainda, e depois tr\u00eas subseq\u00fcentes, sem conseguir nenhum progresso. Uma noite me encontrava sentado, com meus olhos muito abertos, e de repente, o som de uma pancada contra a mesa, em frente \u00e0 habita\u00e7\u00e3o do monge superior, chegou at\u00e9 meus ouvidos e me revelou instantaneamente \u201co homem original\u201d em minha integridade. Ent\u00e3o n\u00e3o retive nada mais da vis\u00e3o que havia tido ao fechar os olhos. Abandonei meu assento precipitadamente e corri na noite, sob o luar. E cheguei a um jardim cont\u00edguo \u00e0 uma casa chamada Ganki, aonde, olhando o c\u00e9u ri estrepitosamente: \u201cOh! Que grande \u00e9 o Dharmakaya! Oh! Qu\u00e3o grande \u00e9, imenso, eternamente&#8230;!\u201d. Meu gozo n\u00e3o conheceu limites. N\u00e3o podia mais sentar-me no recinto da medita\u00e7\u00e3o. Me lancei entre as montanhas, sem um fim determinado, caminhando de um lugar a outro. Pensava no sol e na lua, ao atravessar em um dia, um espa\u00e7o de quatro milh\u00f5es de milhas de profundidade. \u201cMeu domicilio atual est\u00e1 na China\u201d, pensava. \u201ce o distrito de Yang \u00e9 o centro da terra. Se isto \u00e9 certo, este lugar se encontra a dois milh\u00f5es de milhas de dist\u00e2ncia do lugar aonde o sol se levanta, e como \u00e9 poss\u00edvel que desde que nascem, os raios tamb\u00e9m iluminem minha figura?\u201d. Logo pensei: \u201cOs raios de meus olhos devem viajar t\u00e3o rapidamente como os do sol: meus olhos, minha mente, n\u00e3o s\u00e3o o pr\u00f3prio Dharmakaya? \u201dE meditando dessa maneira, senti que todas as amarras que me haviam atado durante longos anos, se destru\u00edam e caiam em peda\u00e7os. Durante quantos incalcul\u00e1veis anos havia estado sentado em um formigueiro? Hoje, no vazio de meus cabelos residem todos os Budas das dez dire\u00e7\u00f5es! E pensei ainda: \u201cE ainda que n\u00e3o experimente mais o grande satori, sou agora o mestre de mim mesmo!\u201d. E o mesmo Bukko sente a necessidade de express\u00e1-lo de uma forma po\u00e9tica:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>De um golpe, rompi completamente o covil dos fantasmas!<\/em> <em> Olhe: \u00e9 ali aonde se v\u00ea o rosto de ferro do monstro Nata,<\/em> <em> Alguns ouvidos est\u00e3o surdos e minha l\u00edngua presa<\/em> <em> Se te arriscas e tocas ali, as arrogantes estrelas aparecem.<\/em><\/p>\n<p>O Serm\u00e3o de Tetsugen estuda os cinco agregados que comp\u00f5e os dharmas, as sensa\u00e7\u00f5es, as percep\u00e7\u00f5es, as forma\u00e7\u00f5es mentais e a consci\u00eancia, e procura estabelecer um ensinamento sobre o comportamento mental. \u00c0s vezes podemos encontrar a rela\u00e7\u00e3o do Serm\u00e3o com v\u00e1rios princ\u00edpios indianos, com transcend\u00eancia pr\u00e1tica. \u201cCrer no nascimento e na morte \u00e9 o sono do extravio\u201d, afirma Tetsugen. Do mesmo modo que os mestres do vedanta e do budismo. E no que se refere aos sentidos, lembra que o engano, a impress\u00e3o, encontram-se ligados tanto ao sofrimento como ao prazer. Uma forma de ilus\u00e3o (delus\u00e3o) cuja paradoxal atra\u00e7\u00e3o somente estabelece a fal\u00e1cia. A ilus\u00e3o faz da sombra dos bambus ou da claridade da lua, fantasmas que, no entanto n\u00e3o deixam de ser ilus\u00f5es. \u00c9 o espelho onde submergem a limita\u00e7\u00e3o das coisas. Tetsugen analisa e canaliza um ensinamento ao mesmo tempo pr\u00e1tico e moral, na possibilidade de criar a necess\u00e1ria atmosfera para tentar a busca do zen. Buscar esta Ess\u00eancia da Mente, infinita, imut\u00e1vel, longe das mesmas coloca\u00e7\u00f5es ou do agarrar-se da consci\u00eancia: \u201cA consci\u00eancia se parece tamb\u00e9m ao estado de uma pessoa adormecida. Se esta \u00faltima n\u00e3o dorme, n\u00e3o pode sonhar. Quando dorme, tem todo tipo de sonhos e toma como verdadeiras todas as esp\u00e9cies de coisas que n\u00e3o existem. O mesmo sucede com a consci\u00eancia. Quando \u00e9 a Mente Infinita proveniente das origens e n\u00e3o est\u00e1 adormecida pela ignor\u00e2ncia, nem pelas distra\u00e7\u00f5es que existem nos tr\u00eas mundos, nem nos seis caminhos, nem no inferno, nem no mundo dos deuses, nem no mundo aonde vivemos, existem. Por conseguinte, a que se op\u00f5e o Para\u00edso? Posto que originalmente nem nascimento nem morte existem, n\u00e3o h\u00e1 sentido em buscar o Conhecimento Supremo. Se n\u00e3o existem seres vivos na origem, n\u00e3o h\u00e1 porque nos converter em Buda. Se a mente n\u00e3o se extraviou absolutamente, que ilumina\u00e7\u00e3o devemos realizar agora? Tudo \u00e9 assim. Que magn\u00edfico, inef\u00e1vel, \u00e9 a Ess\u00eancia da Mente Infinita! Ao insistir em suas caracter\u00edsticas, o chamamos o Reino pr\u00f3prio ou nosso Rosto Original\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Osvaldo Svanascini<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O SERM\u00c3O DE TETSUGEN* SOBRE O ZEN<\/strong><\/p>\n<p>Lemos no Prajana Paramita Hridaya Sutra 1 : \u201cSe percebermos que os cinco agregados s\u00e3o totalmente vazios, podemos livrar-nos de todos os sofrimentos\u201d. Isto significa: se reconhecermos que os cinco agregados s\u00e3o originalmente vazios, e conhecermos claramente esta verdade, \u00e9 poss\u00edvel liberarmo-nos de todos os sofrimentos do nascimento e da morte, e harmonizarmo-nos com o Corpo de Ess\u00eancia (Dharmakaya) 2 dotado de sabedoria. Os cinco agregados se dividem em: Forma, Sensa\u00e7\u00f5es, Percep\u00e7\u00f5es, Forma\u00e7\u00f5es mentais, e Consci\u00eancia. As caracter\u00edsticas destes cinco agregados s\u00e3o diferentes, por\u00e9m se reduzem, em suma, a corpo e mente. A mat\u00e9ria concerne ao corpo e os outros quatro agregados \u00e0 mente. Embora todos os seres vivos sejam originalmente a subst\u00e2ncia Nirv\u00e2nica3 eternamente feliz e o corpo de ess\u00eancia \u2013 este corpo de Conhecimento, que encerra a Sabedoria \u2013 convertem-se em ignorantes que erram nos tr\u00eas mundos 4, por causa do extravio da forma e da mente por estes cinco agregados. \u00c9 in\u00fatil distingui-los ou separ\u00e1-los em dois grupos: a forma e a mente, ambos conduzem a um mesmo extravio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>DO PRIMEIRO AGREGADO<\/strong><\/p>\n<p>A forma \u00e9 meu corpo e tudo que tem mat\u00e9ria e cor; o c\u00e9u a terra e as plantas no universo, tudo est\u00e1 contido na mat\u00e9ria. O Surangama Sutra declara: \u201cExtraviados por um eu desde um tempo sem come\u00e7o, todos os seres vivos cr\u00eaem que eles mesmos s\u00e3o coisas e, ao n\u00e3o perceberem sua Mente Infinita, transformam-se, portanto, em coisas\u201d. Isto significa que n\u00e3o reconhecendo todos os \u201cdharmas\u201d 5 como a subst\u00e2ncia do Constante do Corpo de Ess\u00eancia6, equivocamo-nos sobre eles, considerando-os como todas as coisas do c\u00e9u e da terra, e enganados por elas, quer dizer, pelos objetos, a mente se engana e produz as diversas ilus\u00f5es. Por outro lado, um anci\u00e3o dizia que o Corpo de Ess\u00eancia se escondia no \u00e2mago das Formas. O \u00e2mago da Forma sens\u00edvel \u00e9 nosso corpo. Embora este corpo seja originalmente a subst\u00e2ncia do Corpo de Ess\u00eancia, n\u00e3o sabemos que ele \u00e9 o Corpo de Ess\u00eancia e acreditamos que seja nosso. Enganamo-nos com rela\u00e7\u00e3o ao Corpo de Ess\u00eancia ao confundi-lo com nosso corpo e, enganados por nosso corpo, criamos a m\u00e1cula das paix\u00f5es e do \u00f3dio, e nos fundimos profundamente nos Maus Caminhos 7. Por outro lado, h\u00e1 duas formas de extravios que se cometem ao erroneamente n\u00e3o tomar o \u201cTath\u00e2gata\u201d 8, considerado o Corpo de Ess\u00eancia, como todas as coisas que nos rodeiam ou como nosso corpo. Um dos extravios \u00e9 o seguinte: meu corpo \u00e9 um composto provis\u00f3rio de quatro elementos: terra, \u00e1gua, fogo e ar. A pele, a carne, os m\u00fasculos, os ossos, etc., do meu corpo s\u00e3o a terra. As l\u00e1grimas, a saliva, o sangue, s\u00e3o a \u00e1gua. O que \u00e9 quente, \u00e9 o fogo. A respira\u00e7\u00e3o \u00e9 o movimento do ar. Fora destes elementos (terra, \u00e1gua, fogo, e ar) n\u00e3o h\u00e1 nada em meu corpo. Se minha vida terminasse nesse momento e se a terra, a \u00e1gua, o fogo e o ar que est\u00e3o em meu corpo voltassem a sua origem, n\u00e3o poderia mais de nenhum modo, contar com meu corpo. N\u00e3o seria est\u00fapido tomar esta vil ossatura branca como se fosse meu corpo e, conduzido por este cr\u00e2nio, cometer somente a\u00e7\u00f5es dignas do inferno durante os milhares de nascimentos e mir\u00edades de \u201ckalpas\u201d, para terminar por cair nos Tr\u00eas Maus Caminhos? Desconhecemos que o corpo composto de terra, \u00e1gua, fogo e ar \u00e9 um corpo provis\u00f3rio; (cremos ao contr\u00e1rio, que esse corpo nos pertence, ainda que vivamos dez milh\u00f5es de anos) e nos apegamos obstinadamente a ele. Isto \u00e9 um extravio de ignorantes. E agora os seres destes dois ve\u00edculos (os ouvintes e os Buda-para-si), ao serem mais inteligentes que os ignorantes, v\u00eaem bem que seus corpos s\u00e3o compostos provis\u00f3rios (de terra, \u00e1gua, fogo e ar) e, olhando seus corpos como verdadeiros esqueletos, n\u00e3o se apegam a eles, como n\u00e3o se apegam ao p\u00f3. N\u00e3o concebem jamais ego\u00edsmo ou orgulho por causa de seus corpos, nem desejos, nem \u00f3dio. N\u00e3o conhecem a mentira nem a adula\u00e7\u00e3o, nem a inveja ou a maledic\u00eancia. Apesar de n\u00e3o haverem obtido desta maneira o conhecimento supremo, ainda n\u00e3o sabem que seus corpos s\u00e3o o Tath\u00e2gata do Corpo de Ess\u00eancia. Al\u00e9m disso, o Venerado do Mundo tinha muita compaix\u00e3o por eles porque estas id\u00e9ias pertencem ao pequeno ve\u00edculo (hinayana). Como n\u00e3o conheciam a Verdadeira Substancia do Corpo de Ess\u00eancia, com a sapi\u00eancia dos dois ve\u00edculos n\u00e3o podiam ainda, nem sequer em sonhos, imaginar a experi\u00eancia anterior do Buda e o dom\u00ednio de um Bodhisatva. Isto tamb\u00e9m constitui um extravio dos seres dos dois ve\u00edculos, o que produz, com o extravio precedente dos ignorantes, um duplo extravio. Os seres dos dois ve\u00edculos se extraviam somente por causa do Corpo de Ess\u00eancia, por\u00e9m os ignorantes s\u00e3o v\u00edtimas do duplo extravio, porque se extraviam pela origem do Corpo de Ess\u00eancia e tamb\u00e9m pela origem do conhecimento supremo obtido pelos dois Ve\u00edculos. O Bodhisatva superou o estado dos extravios dos ignorantes e dos seres dos dois Ve\u00edculos, e sabe que seu corpo \u00e9 o Tath\u00e2gata do Corpo de Ess\u00eancia. Isto se encontra no \u201cPrajna Paramita Hridaya Sutra\u201d: \u201cA forma \u00e9 o vazio e o vazio \u00e9 a forma\u201d. A forma \u00e9 o meu corpo. O vazio significa o verdadeiro Vazio. O verdadeiro vazio \u00e9 o Corpo de Ess\u00eancia; o Corpo de Ess\u00eancia \u00e9 o Tath\u00e2gata. Dito de outra maneira, meu corpo \u00e9 o Corpo de Ess\u00eancia e o Corpo de Ess\u00eancia \u00e9 o meu corpo. Os seres dos dois ve\u00edculos n\u00e3o sabem que a terra, a \u00e1gua, o fogo e o ar s\u00e3o originalmente a Subst\u00e2ncia do Corpo de Ess\u00eancia (Dharmakaya), e cr\u00eaem que estes elementos constituem coisas inanimadas. Quando um Bodhisatva os olha, v\u00ea que a terra, a \u00e1gua, o fogo e o ar s\u00e3o, em seu conjunto \u00e9 a verdadeira Subst\u00e2ncia do Corpo de Ess\u00eancia (Dharmakaya). \u00c9 por isso que o \u201cSurangama Sutra\u201d declara: \u201cA mat\u00e9ria da Natureza \u00e9 o verdadeiro vazio e o verdadeiro vazio \u00e9 a mat\u00e9ria da Natureza\u201d. Por mat\u00e9ria se entende a terra e a natureza. Como esta \u00e9 na origem a Subst\u00e2ncia da Natureza do Corpo de Ess\u00eancia, portanto se diz que \u201cmat\u00e9ria da Natureza\u201d \u00e9 o verdadeiro vazio. O mesmo Sutra declara, por outro lado sobre a \u00e1gua: \u201cA \u00e1gua da natureza \u00e9 o verdadeiro vazio e o verdadeiro vazio \u00e9 a \u00e1gua da Natureza\u201d; diz sobre o fogo: \u201cO fogo da Natureza \u00e9 o verdadeiro vazio e o verdadeiro vazio \u00e9 o fogo da Natureza\u201d; e diz sobre o ar: \u201cO ar da Natureza \u00e9 o verdadeiro vazio e o verdadeiro vazio \u00e9 o ar da Natureza\u201d. Assim falei que a terra, a \u00e1gua, o fogo e o ar s\u00e3o o Corpo de Ess\u00eancia (Dharmakaya) e o Corpo de Ess\u00eancia \u00e9 a terra, a \u00e1gua, o fogo e o ar. Por conseguinte, a terra, a \u00e1gua, o fogo, e o ar, n\u00e3o s\u00e3o originalmente a terra, a \u00e1gua, o fogo, e o ar, sen\u00e3o a Subst\u00e2ncia Maravilhosa do Constante do Corpo de Ess\u00eancia (Dharmakaya), sobre a qual os seres dos dois Ve\u00edculos e os ignorantes enganam-se ao consider\u00e1-las como a terra, a \u00e1gua, o fogo e o ar. Se tomarmos consci\u00eancia de que a terra, a \u00e1gua, o fogo, e o ar originalmente s\u00e3o o Buda, n\u00e3o somente meu corpo \u00e9 originalmente o Corpo de Ess\u00eancia (Dharmakaya), mas, de igual modo, o c\u00e9u, a terra, o espa\u00e7o e todo o universo s\u00e3o a Subst\u00e2ncia do Maravilhoso do Corpo de Ess\u00eancia (Dharmakaya). Quando esta ilumina\u00e7\u00e3o se realiza, diz-se: \u201cTodos os dharmas tem o car\u00e1ter verdadeiro\u201d ou \u201cTodas as plantas e a Terra se convertem em Buda\u201d. N\u00e3o somente as plantas e a Terra, sen\u00e3o tamb\u00e9m o espa\u00e7o, \u00e9 a Subst\u00e2ncia do Corpo de Ess\u00eancia e que, por engano, o temos considerado como espa\u00e7o. Quando esta ilumina\u00e7\u00e3o for realizada, a ilus\u00e3o sobre o espa\u00e7o desaparece e se compreende que todos os dharmas est\u00e3o unificados no absoluto. Por isso, o Surangama Sutra declara: \u201cSe uma pessoa realiza a Verdade e retorna \u00e0 origem, o espa\u00e7o das dez dire\u00e7\u00f5es desaparece de repente\u201d. Portanto, o Sutra do Conhecimento Supremo Total declara: \u201cO universo sem limites se revela na Ilumina\u00e7\u00e3o\u201d. A escola Zen diz ent\u00e3o: \u201cA Terra funde-se e o c\u00e9u desmorona-se\u201d. E mais, se o Buda falou do Para\u00edso como de uma terra dourada: \u00e9 porque empregou palavras diferentes para pregar aos ignorantes. Se obtiver essa ilumina\u00e7\u00e3o, vejo que meu corpo, sem deixar de ser meu corpo, existe originalmente como Subst\u00e2ncia do Corpo de Ess\u00eancia, que n\u00e3o teve nascimento. Posto que n\u00e3o nasceu, n\u00e3o conhece a morte. \u00c9 o que se chama \u201cn\u00e3o-nascimento\u201d e \u201cn\u00e3o-destrui\u00e7\u00e3o\u201d ou o \u201cBuda da vida infinita\u2019\u2019 (o n\u00e3o-nascido). Crer no nascimento e na morte \u00e9 o sonho do extravio. Se \u00e9 assim para meu corpo, tamb\u00e9m \u00e9 para os outros corpos. Se \u00e9 assim para o homem, tamb\u00e9m \u00e9 para tudo: os p\u00e1ssaros, os animais, as plantas, a terra e as pedras. O Amit\u00e2bha Sutra declara: \u201cO p\u00e1ssaro aqu\u00e1tico e a \u00e1rvore recitam preces ao Buda, ao Dharma e \u00e0 Sangha\u201d e tamb\u00e9m: \u201cO Buda das dez dire\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o aparece nos universos infinitos e prega a lei com a larga e comprida l\u00edngua dos Budas\u201d. Estes fatos acontecem no momento em que realizamos a ilumina\u00e7\u00e3o. Lemos no Saddharma Pundarika Sutra: \u201cTodos os dharmas tem naturalmente o car\u00e1ter do vazio, sem descontinuidade desde a origem\u201d. Tudo isso indica que a ilumina\u00e7\u00e3o foi realizada. \u201cRealizai esta ilumina\u00e7\u00e3o pela medita\u00e7\u00e3o sentada, fervorosa, em harmonia com a Subst\u00e2ncia do Verdadeiro Corpo de Ess\u00eancia, liberando-se do extravio do agregado da mat\u00e9ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>DO SEGUNDO AGREGADO<\/strong><\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o significa compila\u00e7\u00e3o. Dito de outra maneira \u00e9 o fato de receber e acumular. \u00c9 o fato pelo qual a mente capta o campo dos seis objetos exteriores9 por meio dos cinco \u00f3rg\u00e3os: os olhos, os ouvidos, o nariz, a l\u00edngua e o corpo. Os olhos; captam a cor, os ouvidos; o som, o nariz; o odor, a l\u00edngua; o sabor e o corpo; o tato. Pois bem, h\u00e1 tr\u00eas classes de sensa\u00e7\u00f5es: agrad\u00e1vel, desagrad\u00e1vel, e neutra. Antes de tudo, a impress\u00e3o desagrad\u00e1vel \u00e9 aquela pela qual se experimenta um sofrimento pelos olhos, os ouvidos, o nariz, a l\u00edngua e o corpo. A sensa\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel \u00e9 aquela que nos d\u00e1 prazer por esses \u00f3rg\u00e3os. A sensa\u00e7\u00e3o neutra n\u00e3o nos d\u00e1 nem o sofrimento, nem o prazer. Por exemplo, n\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel nem desagrad\u00e1vel andar balan\u00e7ando os bra\u00e7os. Assim, chamo sensa\u00e7\u00e3o neutra o fato de n\u00e3o sentir nada ao olhar com os olhos, ao cheirar com o nariz, ao saborear com a boca. O sofrimento e o prazer que resultam dos desvios causados pelas sensa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis ou agrad\u00e1veis fazem com que todos os homens procurem n\u00e3o sentir mais o sofrimento nem pelos olhos, nem pelos ouvidos, e que n\u00e3o pensem sen\u00e3o em sentir prazer ao ver pelos olhos, ao escutar pelos ouvidos, ao cheirar pelo nariz, ao saborear pela boca e ao tocar em seu corpo. Resulta que, atormentando os outros, fazendo sofrer seu corpo, roubando, mentindo, desejando os bens alheios, matando animais e p\u00e1ssaros, projetando prejudicar todo mundo, realizam noite e dia a\u00e7\u00f5es que merecem o inferno. Do extravio de um pensamento, do qual se esperava prazer, nascem inumer\u00e1veis sofrimentos. No mundo, os ladr\u00f5es bebem \u00e1lcool (t\u00f3xicos), comem carne, se entregam \u00e0 lux\u00faria, fazem sexo com prostitutas e querem vestir-se magnificamente. Portanto, o desejo de um pouco de prazer os arrasta ao roubo e a mentira, e quando finalmente o v\u00edcio \u00e9 descoberto, o castigo e a morte os esperam. A origem de todos estes males encontra-se no desejo de um m\u00ednimo de prazer. Tal \u00e9 o sentido desta antiga afirma\u00e7\u00e3o: \u201cTodos os desejos s\u00e3o sofrimentos\u201d. Portanto, o inseto no ver\u00e3o se precipita para o fogo e o peixe no lago morde a isca. Assim, um m\u00ednimo de desejo chega a provocar a morte. Padecer os castigos de cento e trinta infernos, a fome das tr\u00eas esp\u00e9cies, das nove classes de fantasmas famintos10, tomar a forma de animais peludos e chifrudos, e as formas de asuras11, armados de arco e flechas e de lan\u00e7as: n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 desses sofrimentos que n\u00e3o tenha sua origem no desejo. Sofrem duras penas durante milhares de Kalpas querendo provar uma gota de doce prazer. Lament\u00e1vel engano! Por outro lado, equivocamo-nos ao acreditar sentir prazer, quando o que tomamos por sofrimento ou um prazer n\u00e3o \u00e9 originalmente nem sofrimento nem prazer. A raz\u00e3o \u00e9 a seguinte: quando uma hiena, um corvo, v\u00eaem um animal apodrecido, pensam que ali existe uma iguaria sem par. Ent\u00e3o, regozijam-se em primeiro lugar atrav\u00e9s da vista, depois cheiram e o saboreiam, o agarram com as patas e se deleitam mais e mais e cr\u00eaem haver encontrado ali o maior prazer. Por\u00e9m, aos olhos do homem, tudo isso \u00e9 incomparavelmente repugnante e asqueroso. Se for\u00e7\u00e1ssemos o homem a comer essas porcarias, seu sofrimento seria imenso. As podrid\u00f5es que repugnam de tal forma o homem atraem a hiena e o corvo, que as devoram. \u00c9 que, tendo outros condicionamentos, tomam o que para n\u00f3s seria sofrimento como prazer, embora isso n\u00e3o seja o prazer na realidade. Sucede o mesmo com aquilo que o homem julga agrad\u00e1vel. Como n\u00e3o \u00e9 s\u00e1bio, est\u00e1 completamente entregue, por seu apego, \u00e0 sua mulher e filhos; a riqueza o desencaminha, come carnes e p\u00e1ssaros e regozija-se com isso. Para os Budas e Bodisatvas, o homem \u00e9 mais vulgar do que s\u00e3o a hiena e o corvo para o homem. Disto se deduz que, aquilo que o extraviado considera como prazer, apesar do sofrimento, \u00e9 julgado agrad\u00e1vel. Se, por causa de uma grande falta, o culpado visse seu filho e sua mulher mortos a t\u00edtulo de advert\u00eancia para o povo, e depois fosse for\u00e7ado a com\u00ea-los, se encheria de dor ante tal vis\u00e3o e esse gosto. Sucede o mesmo quando comemos animais e p\u00e1ssaros. Quando os consideramos com os olhos do Conhecimento Supremo, os animais e os p\u00e1ssaros s\u00e3o tamb\u00e9m o Tath\u00e2gata do Corpo de Ess\u00eancia e est\u00e3o unidos originalmente ao Buda. Por outro lado, o Budas e Bodisatvas olham todos os seres vivos considerando que t\u00eam o mesmo corpo que eles, portanto os consideram como seu filho \u00fanico, por causa de sua grande compaix\u00e3o. Apesar deste car\u00e1ter de todos os seres vivos, o ignorante de mente vulgar, por considerar \u00f3tima a ca\u00e7a, corta sua carne, quebra seus ossos, bebe e come e sente-se feliz. Aos olhos do Buda, este fato n\u00e3o se diferencia da a\u00e7\u00e3o dos dem\u00f4nios. O homem vulgar corta a cabe\u00e7a dos seus filhos, estra\u00e7alha sua carne e, apesar de tudo, est\u00e1 muito contente do que v\u00ea, do que sente, do que saboreia; \u00e9 o que se chama um ignorante com id\u00e9ias erradas. Estes atos s\u00e3o considerados como fonte de prazer, quando na realidade n\u00e3o s\u00e3o prazer, mas sim um grande sofrimento. Extraviar-se entre o prazer e o sofrimento \u00e9 o que se designa como segundo agregado: A Sensa\u00e7\u00e3o. Levado de um lado para outro, na onda dos tr\u00eas mundos, nenhum ignorante pode escapar da oscila\u00e7\u00e3o entre o sofrimento e o prazer. Por isso, se sentirmos prazer ao ver como se abre uma flor, logo sofreremos ao v\u00ea-la cair. Se nos regozijarmos ao ver a Lua aparecer, nos entristeceremos quando ela se esconder atr\u00e1s da montanha. Se sentirmos alegria por um encontro fortuito, mais penosa se tornar\u00e1 a separa\u00e7\u00e3o. Quem se regozijar por sua prosperidade tanto mais sofrer\u00e1 vendo-a declinar. O pobre sofre por n\u00e3o ter nada, o rico se atormenta por possuir. A adula\u00e7\u00e3o \u00e9 um sofrimento, e na realidade, o orgulho tamb\u00e9m. O amor \u00e9 um sofrimento e o ci\u00fame tamb\u00e9m. Qu\u00e3o grandes s\u00e3o estas duas percep\u00e7\u00f5es: o sofrimento e o prazer! Por elas, todos os seres vivos dos tr\u00eas mundos est\u00e3o submersos e n\u00e3o podem jamais emergir. O fato de nascer est\u00e1 acompanhado pelo sofrimento do nascimento; tornar-se velho pela decrepitude; adoecer por uma enfermidade; e morrer, pelo sofrimento da morte. O homem tem muitos sofrimentos, a mulher tamb\u00e9m. O campon\u00eas sofre, os homens que pertencem a outras profiss\u00f5es sofrem tamb\u00e9m. O servi\u00e7al sofre, por\u00e9m o prisioneiro sofre muito mais. O s\u00fadito sofre, por\u00e9m o rei n\u00e3o pode tamb\u00e9m fugir do sofrimento. N\u00e3o s\u00f3 o laico sofre, tamb\u00e9m o monge. Nos exemplos que se seguem, se toma como prazeroso, por engano, um estado no qual o sofrimento \u00e9 relativamente leve e logo cessa. Por exemplo, uma pessoa que leva uma bagagem pesada sente al\u00edvio ao descarregar. Tamb\u00e9m, uma pessoa que estava gravemente enferma e se cura, sente-se num estado agrad\u00e1vel. Por outro lado, aquele que encontra prazer ao beber vinho, ao comer animais e a entregar-se \u00e0 lux\u00faria, pode comparar-se a uma pessoa que sofre de um prurido sifil\u00edtico e que acha agrad\u00e1vel expor sua pele diante do fogo ou lav\u00e1-la em \u00e1gua quente. A picada \u00e9 prefer\u00edvel \u00e0 dor, por\u00e9m, na realidade, aquela \u00e9 igualmente penosa. Sentir-se em um estado agrad\u00e1vel ao expor-se diante do fogo ou ao lavar-se com \u00e1gua quente \u00e9 confundir o sofrimento com o prazer. Uma pessoa atacada de s\u00edfilis sente um verdadeiro prazer ao expor-se diante do fogo e n\u00e3o \u00e9 um prazer errado. Se compreendermos isso transcenderemos o sofrimento e o prazer, abandonando o engano do segundo agregado, a Sensa\u00e7\u00e3o, e alcan\u00e7amos a grande alegria do Nirvana.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>DO TERCEIRO AGREGADO<\/strong><\/p>\n<p>O terceiro agregado \u00e9 o das Percep\u00e7\u00f5es, quer dizer, os conceitos que se apresentam \u00e0 mente a cada dia, e a cada noite, mas s\u00e3o ilus\u00f5es durante o dia e sonhos durante a noite. Todo mundo cr\u00ea que somente o sonho da noite \u00e9 desprovido de realidade, e que todos os pensamentos do dia s\u00e3o verdadeiros. No entanto, \u00e9 um grande erro. Sabemos que todos os pensamentos de um homem deludido, mesmo aqueles que t\u00eam durante o dia, s\u00e3o semelhantes aos sonhos e s\u00e3o ilus\u00f5es, por\u00e9m consideramo-los como verdadeiros. A ilus\u00e3o \u00e9 uma v\u00e3 imagina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem subst\u00e2ncia real, por\u00e9m parece ter. Por exemplo, a sombra se assemelha a uma figura e o sonho se assemelha ao real. Nem a sombra nem o sonho existem realmente, por\u00e9m o que est\u00e1 no sonho parece existir. Uma sombra n\u00e3o \u00e9 nada, por\u00e9m quando um objeto est\u00e1 colocado diante da luz da lua, ou do sol, ou de uma l\u00e2mpada, em seguida sua sombra o acompanha; se o objeto se transforma, sua sombra se transforma igualmente e, quando o objeto se det\u00e9m, ela se det\u00e9m tamb\u00e9m. O mesmo sucede com a imagem refletida pelo espelho ou pela \u00e1gua: esta n\u00e3o \u00e9 absolutamente nada, por\u00e9m no princ\u00edpio parece que existe realmente. Acontece o mesmo com as ilus\u00f5es do homem. Na realidade n\u00e3o s\u00e3o absolutamente nada, por\u00e9m, quando se apresentam \u00e0 mente, parece-nos que existem realmente; odiar, amar, detestar, invejar, suspirar e arder de amor por algu\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o mais que ilus\u00f5es que n\u00e3o diferem em absoluto do sonho. Minha mente infinita \u00e9 como um espelho puro ou a \u00e1gua l\u00edmpida: originalmente estas ilus\u00f5es n\u00e3o existem de nenhum modo nela. Como n\u00e3o se conhece bem essa mente infinita, e retemos o reflexo da ilus\u00e3o que est\u00e1 refletida sobre ela, o tomamos como verdadeiro e nos apegamos obstinadamente a ela, acrescentando mais e mais, e o engano fica cada vez mais profundo. O \u00f3dio e o amor s\u00e3o, ambos, produto de nossa imagina\u00e7\u00e3o. S\u00e3o o que se chama de ilus\u00f5es. Reafirmo que o \u00f3dio e o amor s\u00e3o produtos de nossa imagina\u00e7\u00e3o. Com efeito, quando n\u00e3o conhec\u00edamos uma pessoa, n\u00e3o a odi\u00e1vamos nem a am\u00e1vamos, apesar de que agora a odiamos ou a amamos. Quando vemos esta pessoa pela primeira vez, a conhecemos somente de um modo superficial, enquanto n\u00e3o tivermos rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas com ela, n\u00e3o nos apegamos. Quando ficamos cada vez mais \u00edntimos dela, sentimos uma profunda amizade e come\u00e7amos a am\u00e1-la e nosso cora\u00e7\u00e3o sente-se atra\u00eddo por ela. Geralmente, a for\u00e7a de uma paix\u00e3o se aplica a um sentimento de amor, o amor aumenta de tal forma que podemos sacrificar nossa vida por ele. Se o amor se torna muito ardente, todo o cora\u00e7\u00e3o se enche de amor e n\u00e3o podemos encontrar \u00f3dio em nosso cora\u00e7\u00e3o, embora o vasculhemos atentamente. Ent\u00e3o parece que o cora\u00e7\u00e3o chegou ao amor perfeito e este amor n\u00e3o mudar\u00e1 t\u00e3o cedo em milhares de kalpas, por\u00e9m isso n\u00e3o \u00e9 correto. Quando duas pessoas discutem e brigam porque se ofenderam mutuamente por algum motivo, apesar do seu amor, ou quando o amor de uma delas dirige-se para outra pessoa, como \u00e9 comum no amor, o \u00f3dio atual \u00e9 mais vivo que o intenso amor de antes. O ressentimento e o \u00f3dio se tornam t\u00e3o profundos que decidimo-nos a, finalmente, sacrificar nosso amor por termos nos apegado demasiadamente. Por esta raz\u00e3o, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 uma ilus\u00e3o, um engano semelhante a um sonho, haver amado antes e, portanto, odiar agora tamb\u00e9m \u00e9 uma ilus\u00e3o. Se o amor n\u00e3o fosse um engano, n\u00e3o se transformaria em \u00f3dio em t\u00e3o pouco tempo. Se o \u00f3dio fosse verdadeiro, n\u00e3o ter\u00edamos amado antes. Como amar e odiar s\u00e3o, na realidade, ilus\u00f5es, o cora\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel muda como o sonho. \u00c9 um erro est\u00fapido o deixar-se enganar pelo sonho de uma ilus\u00e3o, o consumir-se de amor, o atormentar-se e chegar at\u00e9 a perder a vida. Depois de constatar que o amor e o \u00f3dio s\u00e3o ilus\u00f5es, deduzimos que o pesar e o desejo tamb\u00e9m s\u00e3o ilus\u00f5es. O mesmo sucede com o ressentimento, a inveja, o prazer e a tristeza. Todas essas paix\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o por acaso ilus\u00f5es? Enganando-se no sonho com essas ilus\u00f5es, nobres e plebeus, s\u00e1bios e ignorantes, velhos e jovens, homens e mulheres fazem crescer as sementes do inferno. Ao n\u00e3o compreender que essas ilus\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o mais que sonhos, desde o passado que n\u00e3o teve princ\u00edpio at\u00e9 o presente, transmigram no ciclo eterno e caem no inferno, convertem-se em fantasmas famintos, renascem como animais ou se transformam em asuras. Se cairmos no inferno ou nos convertermos em Buda, a causa n\u00e3o deve ser buscada em outra parte: agarramo-nos \u00e0 ilus\u00e3o ou ent\u00e3o nos liberamos. Considerando-a atentamente, deveis saber que esta ilus\u00e3o traz desdita e que a ilus\u00e3o, \u00e9 somente um sonho, n\u00e3o tem nem uma part\u00edcula de exist\u00eancia. \u00c9 pela ilus\u00e3o de um instante, nascida do desejo, que um homem rouba no mundo; \u00e9 castigado segundo as disposi\u00e7\u00f5es da lei; perde a honra totalmente nesta vida e cair\u00e1 por muito tempo no inferno na pr\u00f3xima vida. E tamb\u00e9m \u00e9 pela ilus\u00e3o de um s\u00f3 momento que, ao projetar mudar a sociedade e derrubar o governo pela revolu\u00e7\u00e3o, um homem se castiga severamente a si mesmo e \u00e9 respons\u00e1vel pelos sofrimentos insuport\u00e1veis de sua mulher, de seus filhos, de seus irm\u00e3os e de seus pais. A primeira id\u00e9ia com que nos inspiramos quando projetamos uma revolu\u00e7\u00e3o vem da ilus\u00e3o de um instante, t\u00e3o pouco consistente como o fumo do tabaco. Como n\u00e3o sabemos que esta ilus\u00e3o de um instante \u00e9 a origem da desgra\u00e7a, nos agarramos ardentemente a esta ilus\u00e3o; esta termina por espraiar-se como a nuvem se espalha no c\u00e9u e n\u00e3o podemos jamais renunciar a ela. \u00c9 incomparavelmente mais f\u00e1cil apag\u00e1-la no cora\u00e7\u00e3o se compreendermos bem, desde o primeiro momento, que se trata de uma ilus\u00e3o. Um prov\u00e9rbio diz: \u201cA \u00e1rvore, que mede varias bra\u00e7as, nasce tamb\u00e9m de um g\u00e9rmen min\u00fasculo\u201d. Ainda que a grande \u00e1rvore tenha alcan\u00e7ado mais de cinco ou dez bra\u00e7as, quando come\u00e7ava a crescer era apenas um g\u00e9rmen t\u00e3o pequeno como a ponta de uma agulha. No momento da germina\u00e7\u00e3o, era f\u00e1cil arrancar o g\u00e9rmen e jog\u00e1-lo fora. Convertido em uma grande \u00e1rvore \u00e9 imposs\u00edvel arranc\u00e1-la, embora seis mil ou dez mil pessoas unam as suas for\u00e7as. O mesmo sucede com a ilus\u00e3o. Temos de recha\u00e7\u00e1-la imediatamente quando surge o primeiro pensamento. \u00c9 por seu desenvolvimento que a ilus\u00e3o traz o sofrimento. Quando o revolucion\u00e1rio converte-se em perigoso inimigo do governo, ao apegar-se com ardor a uma ilus\u00e3o, pode-se julgar pelas desgra\u00e7as produzidas por ela que cresceu como a grande \u00e1rvore. No entanto a ilus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de extirpar como a grande \u00e1rvore que \u00e9 composta de mat\u00e9ria. Por muito que seja o tempo durante o qual nos apegamos a esta ilus\u00e3o, uma vez decididos a abandon\u00e1-la, a coisa \u00e9 f\u00e1cil. A ilus\u00e3o desaparece num instante, como a escurid\u00e3o acaba ao amanhecer. O desaparecimento da ilus\u00e3o \u00e9 semelhante ao desaparecer das trevas no momento em que as l\u00e2mpadas se acendem em um quarto que esteve escuro por mil anos. Embora a escurid\u00e3o tenha reinado muito tempo, uma vez acesa a l\u00e2mpada, n\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil ver claramente. A ilus\u00e3o \u00e9 assim. Quando a mente se esclarece, mesmo a ilus\u00e3o arraigada durante muito tempo desaparece num instante. Ao compreender isso e abandonar a ilus\u00e3o, que \u00e9 semelhante a um sonho, nossas a\u00e7\u00f5es surgir\u00e3o de uma mente iluminada. Se nos apegarmos \u00e0 ilus\u00e3o com ardor, sem abandon\u00e1-la, nos converteremos em dem\u00f4nios, ou em serpentes nesta vida, e isso sem falar na pr\u00f3xima. Estes exemplos abundam. Dizem que a mulher, em particular, pela dificuldade de abandonar a ilus\u00e3o, est\u00e1 cheia de pecados. Dez milh\u00f5es de \u201cTriquilhiomegaquilocosmos\u201d prov\u00eam das ilus\u00f5es dos vivos e os infernos, no total de cento e trinta e seis, s\u00e3o criados por suas ilus\u00f5es. Que limitado \u00e9 o ignorante, ao acender o fogo da ilus\u00e3o e queimar-se nele durante mir\u00edades de kalpas! Abandonem as ilus\u00f5es e elevem-se al\u00e9m do terceiro agregado, o dos conceitos, e alcancem a ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>DO QUARTO AGREGADO<\/strong><\/p>\n<p>O quarto agregado \u00e9 composto pelas forma\u00e7\u00f5es mentais, quer dizer, pelos condicionamentos; dito de outro modo, pelas s\u00e9ries de nascimentos e mortes de minha mente e as mudan\u00e7as que delas resultam. Se existem ilus\u00f5es na mente, esta \u00faltima n\u00e3o permanece est\u00e1vel nem um s\u00f3 instante; muda sem parar. Podemos compar\u00e1-la com a \u00e1gua que flui continuamente e n\u00e3o se det\u00e9m, e como a chama que tremula e nunca se imobiliza. Observem atentamente como o pensamento varia sem cessar de manh\u00e3 \u00e0 noite. Somos absolutamente inconstantes, porque mudamos a cada instante, tudo passa com rapidez do rel\u00e2mpago ou do raio. Os dharmas dos enganos, que s\u00e3o condicionados, s\u00e3o vicissitudes do agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais, portanto impermanentes e inst\u00e1veis; produzidos e destru\u00eddos a cada momento e n\u00e3o se fixam nem um s\u00f3 segundo. O simples nascimento e a simples destrui\u00e7\u00e3o de uma mente s\u00e3o compreens\u00edveis mesmo para a mente de um ignorante limitado, por\u00e9m as mudan\u00e7as sutis de cada instante, que resultam dos nascimentos e das destrui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podem ser compreendidas pelo ignorante e pelos seres dos dois ve\u00edculos. Como estes nascimentos e destrui\u00e7\u00f5es acontecem em suas mentes, lhes parecem que todos os dharmas nascem na mente. \u00c9 com este significado que o \u201cSutra do Conhecimento Supremo\u201d declara: \u201cQuando a nuvem se desloca r\u00e1pido, a lua parece mover-se e quando o barco navega, a costa parece deslocar-se\u201d. Quando o deslocamento da nuvem \u00e9 r\u00e1pido, a lua parece mover-se e quando a navega\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida, a costa e a montanha parecem mover-se. Isto n\u00e3o se produz pelo movimento da montanha, mas sim pelo movimento do barco em que estou. Porque as nuvens de minha mente s\u00e3o r\u00e1pidas, vejo deslocar-se a Lua do Constante. Embora originalmente os dharmas tenham aspectos reais, levam sempre com eles os caracteres do aniquilamento, e \u00e9 por causa do engano do agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais que consideramos o passado, o presente e o futuro como uma sucess\u00e3o de mudan\u00e7as, e as quatro esta\u00e7\u00f5es como um ciclo sem fim. \u00c9 nesse sentido que o \u201cNirvana Sutra\u201d 13 declara: \u201cAs forma\u00e7\u00f5es mentais s\u00e3o impermanentes, \u00e9 a lei da produ\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o\u201d. As forma\u00e7\u00f5es mentais constituem o agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais. Isto significa que todos os dharmas mudam sem conhecer um s\u00f3 instante de estabilidade por causa da produ\u00e7\u00e3o, das circunst\u00e2ncias e da transforma\u00e7\u00e3o do agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais. Se n\u00e3o superarmos totalmente o engano da produ\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o, condicionados por essas forma\u00e7\u00f5es mentais, o gozo do Nirvana, que \u00e9 a estabiliza\u00e7\u00e3o e o incondicional, n\u00e3o aparecem. Quando a produ\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o das forma\u00e7\u00f5es mentais cessam, a lei da estabiliza\u00e7\u00e3o aparece, e ent\u00e3o se chega ao gozo maravilhoso do Nirvana, onde todos os dharmas se unificam no Absoluto, onde tem seu verdadeiro car\u00e1ter: extin\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o, esse \u00e9 o grande gozo da estabiliza\u00e7\u00e3o. Embora meu corpo, minha mente e a de todos os dharmas sejam a Subst\u00e2ncia do Corpo de Ess\u00eancia Eterno e originalmente n\u00e3o sofram produ\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o, por causa do engano do agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais, n\u00e3o percebemos que elas s\u00e3o a Subst\u00e2ncia do Constante e os confundimos com os dharmas produzidos e destru\u00eddos nos tr\u00eas mundos. Transcendendo o engano do agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais, minha mente se estabiliza; n\u00e3o varia mais. Se minha mente n\u00e3o varia, os dharmas tamb\u00e9m se estabilizam. A estabilidade de minha Mente Infinita se assemelha \u00e0 da mat\u00e9ria com a qual se faz um espelho. Olhe o que reflete todo dia um espelho l\u00edmpido; reflete o c\u00e9u, a terra, a flor, o vegetal, o homem, o p\u00e1ssaro e o animal. Todas as esp\u00e9cies de cores e de objetos acontecem nesse espelho, sem se deterem nele um s\u00f3 momento. No entanto, esse espelho n\u00e3o \u00e9 nem o c\u00e9u, nem a terra, nem a flor, nem o vegetal, nem o homem, nem o p\u00e1ssaro e nem o animal; \u00e9 somente um espelho puro e sem manchas. Deveis compreender, pela compara\u00e7\u00e3o com o espelho, que, refletindo todos os dharmas, a Mente Infinita n\u00e3o participa de suas diferen\u00e7as e n\u00e3o transita nem pela produ\u00e7\u00e3o nem pela destrui\u00e7\u00e3o. O deludido v\u00ea somente o que \u00e9 projetado no espelho n\u00e3o podendo perceber o espelho da Mente Infinita. \u00c9 o que o Buda declara no \u201cSutra do Conhecimento Supremo\u201d: \u201cO homem confunde os reflexos causados pelos seis sentidos com o aspecto real de sua pr\u00f3pria mente\u201d. E, ent\u00e3o, \u00e9 um grande tolo tamb\u00e9m o que cr\u00ea ver um espelho somente depois de haver limpado todas as imagens que se refletiam nele, sabendo que s\u00e3o vazias e enganosas. Olha bem esse simples espelho: quando reflete indistintamente a flor e o animal, n\u00e3o tem passado nem futuro, nem cor nem odor. \u00c9 o que se chama o Corpo da Ess\u00eancia e o Constante. \u00c9 essa subst\u00e2ncia maravilhosa do Constante que o \u201cVijn\u00e2ptim\u00e2tra Sastra\u201d 14 explica nestes termos: \u201cO Constante significa o verdadeiro que existe sem engano ou tamb\u00e9m o permanente que existe sem mudan\u00e7a\u201d. O \u201cSutra do Diamante\u201d15 declara referindo-se tamb\u00e9m a ele como o \u201cTath\u00e2gata do Corpo da Ess\u00eancia\u201d: \u201cO Tath\u00e2gata n\u00e3o procede de nenhuma parte e n\u00e3o se dirige a nenhum lugar\u201d. Se a Mente Infinita \u00e9 como este espelho, sucede o mesmo com todos os dharmas. \u00c9 pela imagem que nos d\u00e1 o espelho que consideramos que todos os dharmas s\u00e3o o c\u00e9u, a terra e todos os fen\u00f4menos do universo. A subst\u00e2ncia total de todos os dharmas \u00e9 o espelho l\u00edmpido. Se empregarmos uma compara\u00e7\u00e3o, \u00e9 como fabricar todo tipo de figuras com ouro. Tomado do ponto de vista de suas formas, o dem\u00f4nio \u00e9 tem\u00edvel, o Buda \u00e9 vener\u00e1vel, o velho est\u00e1 cheio de rugas, um rosto jovem \u00e9 belo, a gar\u00e7a tem patas compridas, o pato as tem curtas, o pinheiro \u00e9 reto, o espinheiro \u00e9 retorcido, a planta \u00e9 atrativa e a flor \u00e9 elegante. Do ponto de vista do ouro, o dem\u00f4nio \u00e9 feito de ouro, o Buda tamb\u00e9m \u00e9 de ouro; n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre a gar\u00e7a pousada no alto e o pato com suas patas curtas, tamb\u00e9m s\u00e3o de ouro. A flor, o vegetal, o pinheiro e o espinheiro s\u00e3o tamb\u00e9m ouro, \u00e9 a mesma subst\u00e2ncia e entre eles n\u00e3o existe a menor diferen\u00e7a. O mesmo sucede com todos os dharmas. Ao consider\u00e1-los do ponto de vista do Constante, todos s\u00e3o como o ouro e n\u00e3o encontramos neles a menor diferen\u00e7a; ao consider\u00e1-los como todos os dharmas, apresentam todos os tipos de formas. Os seres vivos s\u00e3o enganados por estas formas; os Budas conhecem sua condi\u00e7\u00e3o Constante. Quando conhecermos este ouro, que \u00e9 a Subst\u00e2ncia do Constante, todos os tipos de formas que parecem diferentes s\u00e3o na realidade homog\u00eaneas e com a mesma ess\u00eancia, embora suas diferen\u00e7as existam. N\u00e3o existe um dem\u00f4nio abomin\u00e1vel, e n\u00e3o existem Budas vener\u00e1veis. Posto que n\u00e3o h\u00e1 nada para amar, com mais raz\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 nada para odiar. A quem odiamos? A quem amamos? Quem condenamos? Quem veneramos? O ressentimento e a inveja n\u00e3o existem. Todas as paix\u00f5es desaparecem por si mesmas, sem que tenhamos que destru\u00ed-las, porque n\u00e3o existem. Como a escurid\u00e3o da noite que desaparece, por si s\u00f3, \u00e0 sa\u00edda do sol, sem que busquemos suprimi-la. Da mesma maneira, sem propormos a destrui\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o ou o abandono do engano, como existe somente um \u00fanico aspecto real das coisas, j\u00e1 n\u00e3o se percebe o engano. Em tempos passados, o segundo patriarca16 obteve a paz espiritual pela realiza\u00e7\u00e3o desta verdade, e o sexto patriarca17, ao conhecer esta verdade, transmitiu seus ensinamentos aos seus disc\u00edpulos. No \u201cSutra do Diamante\u201d se l\u00ea: \u201cOs tr\u00eas tempos (passado, presente, futuro) s\u00e3o impercept\u00edveis\u201d; e no \u201cSaddharmapundarika Sutra\u201d: \u201cTodos os dharmas tem a ess\u00eancia verdadeira\u201d. Por\u00e9m, isto \u00e9 somente verso e reverso da mesma id\u00e9ia. Assim como os tr\u00eas mundos s\u00e3o impercept\u00edveis, todos os dharmas t\u00eam ess\u00eancia verdadeira, e como todos os dharmas tem ess\u00eancia verdadeira, os tr\u00eas mundos s\u00e3o impercept\u00edveis. Que sublime \u00e9 a palavra de ouro do Tath\u00e2gata! Deveis medit\u00e1-la cuidadosamente. E assim, uma vez que sabemos que a Mente Infinita \u00e9 permanente, liberada de produ\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o, de ir e vir, as imagens que se transformavam sem cessar na mente se tornam tamb\u00e9m permanentes e indestrut\u00edveis. A raz\u00e3o \u00e9 a seguinte: as diferen\u00e7as que apresenta o Universo e as imagens de produ\u00e7\u00e3o e de destrui\u00e7\u00e3o no passado, no presente e no futuro, s\u00e3o originalmente falsas e \u00e9 por isso que n\u00e3o v\u00eam, nem v\u00e3o, que n\u00e3o se produzem nem se destroem. E se n\u00e3o h\u00e1 nem produ\u00e7\u00e3o nem destrui\u00e7\u00e3o, nem chegada nem partida, ent\u00e3o as diferen\u00e7as tampouco existem. Deveis compreender esta raz\u00e3o pela compara\u00e7\u00e3o do reflexo no espelho. Ainda que v\u00edssemos o reflexo pela primeira vez no espelho, isto n\u00e3o significa que o reflexo entrou nele. Por outro lado, se o reflexo jamais entrou no espelho, \u00e9 improv\u00e1vel que saia. Posto que n\u00e3o existe originalmente nem entrada nem sa\u00edda, para o reflexo o espelho sempre foi o mesmo e jamais transformou-se em reflexo. Assim como um espelho reflete sem transformar-se em reflexo, toda a natureza sem cessar, \u00e9 refletida claramente por ele. Quase \u00e9 imposs\u00edvel dizer que \u201creflete\u201d ou \u201cn\u00e3o reflete\u201d. Desse modo, embora algumas das figuras fabricadas com ouro n\u00e3o sejam nem um dem\u00f4nio nem o Buda, no entanto tomam a forma de um dem\u00f4nio e de um Buda. Pode se dizer que s\u00e3o e que n\u00e3o s\u00e3o; diz-se: \u201cTodos os dharmas s\u00e3o como fantasmas\u201d. A palavra fantasma \u00e9 empregada para designar os seres vivos criados pela m\u00e1gica. N\u00e3o se pode dizer dos seres vivos criados pela magia que s\u00e3o ou que n\u00e3o s\u00e3o. Se disserdes que n\u00e3o s\u00e3o, vos digo que voam ou que correm diante dos meus olhos em forma de p\u00e1ssaros ou de animais. Se disserdes que s\u00e3o, vos digo que n\u00e3o s\u00e3o nem p\u00e1ssaros verdadeiros nem animais verdadeiros, por\u00e9m peda\u00e7os de madeira ou toalhas transformadas em seres vivos pela m\u00e1gica. O mesmo sucede com o c\u00e9u, a terra e todos os dharmas desses tr\u00eas mundos e tamb\u00e9m com os corpos humanos. Se os olharmos do ponto de vista da Subst\u00e2ncia Original da Mente \u00danica, ser\u00e3o na verdade \u201ca aus\u00eancia absoluta desde a origem\u201d; s\u00e3o o reino real da Mente que n\u00e3o cont\u00e9m nenhum p\u00f3. Portanto, nem Buda, nem os seres vivos, nem o passado, nem o presente, nem o c\u00e9u nem a terra, nem um, nem outro, existem. S\u00f3 existe o mundo de um Dharma que \u00e9 uniforme e tem somente uma ess\u00eancia. \u00c9 como se os objetos fabricados com ouro fossem considerados do ponto de vista do ouro. Por isso se fala do \u201cAspecto Absoluto da Mente18\u201d. Ao consider\u00e1-los do ponto de vista dos dharmas, o c\u00e9u, a terra, o sol e a lua s\u00e3o diferentes e todos os fen\u00f4menos do Universo tamb\u00e9m. A flor sempre \u00e9 vermelha, a grama sempre verde, o fogo \u00e9 quente, a \u00e1gua \u00e9 fria, o vento se desloca, a terra est\u00e1 calma, o pinheiro \u00e9 reto, o espinheiro retorcido, a gar\u00e7a \u00e9 branca, o corvo \u00e9 negro, o c\u00e9u \u00e9 alto e a terra \u00e9 baixa. Existem os Budas, os ignorantes, n\u00f3s mesmos, os outros, as quatro esta\u00e7\u00f5es: a primavera, o ver\u00e3o, o outono, o inverno, e as diferentes esp\u00e9cies de cores: azul, amarelo, vermelho e branco, etc. Todos estes elementos est\u00e3o ordenados. \u00c9 como se tudo isso n\u00e3o fosse considerado do ponto de vista da ess\u00eancia do ouro, por\u00e9m do ponto de vista de seus diversos aspectos. Por isso se fala do \u201caspecto emp\u00edrico da Mente\u201d. Todos os seres vivos est\u00e3o enganados pelos diversos aspectos de todos os dharmas, desejam ao v\u00ea-los com os olhos, disputam ao ouvi-los com seus ouvidos, apegam-se a tudo que percebem com o olfato, o gosto e o tato. Por isso n\u00e3o sabem, em absoluto, que todos esses dharmas s\u00e3o como sonhos, fantasmas, borbulhas, sombras, como imagens em um espelho, como o reflexo da lua na \u00e1gua, s\u00e3o como ilus\u00f5es. Ao receberem as quatro classes de nascimento: viv\u00edparo, ov\u00edparo, por cissiparidade ou metam\u00f3rfico, ao passar suas vidas sob os quatro aspectos (da produ\u00e7\u00e3o, do tempo, da mudan\u00e7a e da destrui\u00e7\u00e3o) e ao apegarem-se ao dom\u00ednio dos cinco desejos, todos os seres vivos criam as delus\u00f5es pelos seis \u00f3rg\u00e3os, depois s\u00e3o queimados, durante milhares de kalpas, pelas chamas do inferno e, na morada dos fantasmas famintos, em cada nova vida, submergem-se em sofrimentos padecidos pelos animais ou pelos asuras. Embora nas\u00e7am como homens, confundem seus corpos, compostos pelos quatro elementos, com o ego e d\u00e3o um significado \u00e0s falsas imagens de seus seis sentidos. Assim, passam sucessivamente pelo nascimento, pela decrepitude, pela enfermidade e pela morte, e conhecem alternadamente a primavera, o ver\u00e3o, o outono e o inverno; seus cabelos de \u00e9bano se tornam rapidamente brancos e finalmente a tez delicada de seu rosto murcha, assim como desaparece o orvalho matinal ou a n\u00e9voa do entardecer que sobe ao c\u00e9u. Assim, como meu corpo se transforma sem cessar, com a rapidez do raio ou da centelha, esse mundo impermanente, que se transforma continuamente, n\u00e3o pode deter-se nem um instante no mesmo estado. Como a \u00e1gua que sempre flui e como a chama que vacila sem cessar, esse mundo e meu corpo n\u00e3o conhecem nem um instante de estabilidade. \u00c9 justamente esse o aspecto do agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais. Entretanto, por que todos os seres vivos transmigram pelos tr\u00eas mundos? Porque n\u00e3o sabem que todos os dharmas s\u00e3o fantasmas, agarram-se \u00e0s seis emo\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o somente sonhos e fantasmas, e cometem atos fantasmag\u00f3ricos, que s\u00e3o as dez faltas maiores e os \u00fanicos erros de condena\u00e7\u00e3o imediata. O fruto fantasmag\u00f3rico desses atos \u00e9 o inferno ou o mundo dos fantasmas famintos. Meu corpo \u00e9 originalmente um fantasma, minha mente \u00e9 tamb\u00e9m um fantasma. Posto que minha mente \u00e9 um fantasma, minhas paix\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o fantasmas. Como as paix\u00f5es s\u00e3o originalmente fantasmas, os maus atos inspirados por elas tamb\u00e9m s\u00e3o fantasmag\u00f3ricos, seus frutos penosos que constituem os Tr\u00eas Maus Caminhos s\u00e3o tamb\u00e9m fantasmas. Por serem fantasmag\u00f3ricos os Tr\u00eas Maus Caminhos, o mundo dos humanos, dos deuses, e semi-deuses, s\u00e3o tamb\u00e9m fantasmag\u00f3ricos. Por serem fantasmag\u00f3ricos, o nascimento e a morte nos tr\u00eas mundos, todas as causas e todos os efeitos dos quatro modos de produ\u00e7\u00e3o dos seres s\u00e3o fantasmas. No grande mundo do dharma n\u00e3o existe nada que n\u00e3o seja fantasmag\u00f3rico. Todos os seres vivos padecem sofrimentos fantasmag\u00f3ricos porque cometem atos fantasmag\u00f3ricos; os Budas ao demonstrarem uma bondade fantasmag\u00f3rica, explicam os dharmas fantasmag\u00f3ricos; que os salvam dos sofrimentos fantasmag\u00f3ricos e lhes d\u00e3o um prazer fantasmag\u00f3rico; a isso chamamos o grande gozo do Nirvana. Recebemos este grande gozo porque reconhecemos esses dharmas fantasmag\u00f3ricos. Todos os seres vivos, ao serem enganados pelos dharmas fantasmag\u00f3ricos, padecem sofrimentos fantasmag\u00f3ricos. Os Budas conhecem os dharmas fantasmag\u00f3ricos, se liberam dos sofrimentos fantasmag\u00f3ricos, que eles transformam em gozo fantasmag\u00f3rico. Extraviados pelos dharmas fantasmag\u00f3ricos, os seres viventes s\u00e3o enganados pela produ\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o fantasmag\u00f3ricas, e padecem os sofrimentos das forma\u00e7\u00f5es do nascimento e da morte, e tamb\u00e9m da imperman\u00eancia, e criam as vicissitudes do agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais. Os Budas, que conhecem os dharmas fantasmag\u00f3ricos, fazem do nascimento e da morte, que n\u00e3o s\u00e3o mais que sonhos e ilus\u00f5es, o Nirvana; por isso, ao suprimir o sofrimento das forma\u00e7\u00f5es mentais, alcan\u00e7am o gozo eterno. Partindo dos sofrimentos causados pelas forma\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o, como alcan\u00e7am o gozo eterno do Nirvana? Chegam naturalmente. Os Budas sabem simplesmente que as vicissitudes de todos os dharmas, que a lei do sofrimento e da morte, s\u00e3o somente sonhos e fantasmas. Por isso \u00e9 que o \u201cSutra do Conhecimento Supremo\u201d esclarece: \u201cApenas ao reconhecer que eram fantasmas, nos liberamos deles imediatamente\u201d. \u201cN\u00e3o h\u00e1 meios artificiais para consegui-lo. Liberar-se dos fantasmas \u00e9 chegar ao Conhecimento Supremo. Tampouco existe um caminho progressivo para alcan\u00e7ar este \u00faltimo\u201d. A raz\u00e3o \u00e9 a seguinte: Todos os dharmas dos tr\u00eas mundos j\u00e1 s\u00e3o fantasmas e os fantasmas n\u00e3o s\u00e3o produzidos na origem. Os dharmas, ao n\u00e3o serem produzidos, quando poder\u00e3o ser destru\u00eddos? Posto que n\u00e3o participam nem da destrui\u00e7\u00e3o nem da transmigra\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o s\u00e3o o Nirvana sem produ\u00e7\u00e3o nem destrui\u00e7\u00e3o? Ao ser a Subst\u00e2ncia sem produ\u00e7\u00e3o nem destrui\u00e7\u00e3o, como poder\u00edamos conhecer o bem ou o mal, os benef\u00edcios e as perdas? Posto que n\u00e3o participam nem da destrui\u00e7\u00e3o, nem da transmigra\u00e7\u00e3o, por que n\u00e3o s\u00e3o o Nirvana sem produ\u00e7\u00e3o nem destrui\u00e7\u00e3o? Posto que nem o nascimento nem morte existem originalmente, a palavra \u201cNirvana\u201d \u00e9 uma palavra provis\u00f3ria. Posto que nem nascimento, nem morte, nem Nirvana existem, as paix\u00f5es e o Conhecimento Supremo n\u00e3o s\u00e3o diferentes e os seres vivos e os Budas tamb\u00e9m n\u00e3o o s\u00e3o. A inquietude do nascimento e da morte \u00e9 causa das paix\u00f5es. Se as paix\u00f5es n\u00e3o existissem, tamb\u00e9m n\u00e3o existiria o Conhecimento Supremo. Se nem paix\u00f5es, nem nascimento, nem morte existem, a quem devemos chamar seres vivos? Os Budas s\u00e3o seres vivos que realizaram a ilumina\u00e7\u00e3o. Por outro lado, na origem, n\u00e3o havia seres vivos; ao realizarem agora a ilumina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se convertem em Budas. Disto se deduz que a ilumina\u00e7\u00e3o consiste em descobrir, (reconhecer) com certeza, o estado original dos homens, que, ent\u00e3o, n\u00e3o se extraviaram. Nesse sentido, o \u201cSutra do Conhecimento Supremo\u201d declara: \u201cSei pela primeira vez que os seres vivos s\u00e3o originalmente Budas\u201d. Os seres vivos tampouco devem ser chamados de Budas, porque n\u00e3o existiam na origem; no entanto, empregamos a palavra Buda para insistir no fato de que estes \u00faltimos n\u00e3o estavam extraviados na origem. Portanto, embora eu declare que n\u00e3o existe nem nascimento nem morte, nem Nirvana, isto n\u00e3o significa que a Subst\u00e2ncia da Ilumina\u00e7\u00e3o Maravilhosa, que permanece impenetr\u00e1vel para o ignorante, n\u00e3o exista. \u00c9 o que o \u201cLank\u00e2vat\u00e2ra Sutra\u201d assim define: \u201cAssim como a natureza do cavalo n\u00e3o \u00e9 a da vaca, a natureza da vaca n\u00e3o \u00e9 a do cavalo\u201d. O sentido desta frase \u00e9 a seguinte: ainda que, por exemplo, neguemos a natureza da vaca, isto n\u00e3o quer dizer que a natureza do cavalo n\u00e3o exista, e ainda que neguemos a natureza do cavalo, isto n\u00e3o quer dizer que a natureza e a Subst\u00e2ncia da vaca n\u00e3o existam. Desta maneira, quando nego ao mesmo tempo o nascimento, a morte e o Nirvana, as paix\u00f5es e o Conhecimento Supremo, os seres vivos e o Buda, \u00e9 como quando nego a vaca. Assim, embora negue a vaca (ou o nascimento, a morte, e o Nirvana) isto n\u00e3o significa que a natureza e a Subst\u00e2ncia do cavalo (ou a Ilumina\u00e7\u00e3o maravilhosa e misteriosa) n\u00e3o existam. Isto se assemelha, por exemplo, ao que segue: quando digo ao homem que sonha, que todas as coisas que v\u00ea n\u00e3o s\u00e3o reais, que o sol e a terra que v\u00ea n\u00e3o s\u00e3o reais e que tudo o que considera como ele mesmo, ou o outro, como sofrimento ou prazer, n\u00e3o \u00e9 real, ele, ao escutar isso, sup\u00f5e que n\u00e3o h\u00e1, com efeito, nem c\u00e9u, nem terra, nem ervas, nem \u00e1rvores, nem pa\u00edses, nem ele mesmo, nem os outros, e que a vacuidade \u00e9 o Conhecimento Supremo. N\u00e3o \u00e9 nem isso nem aquilo. Com efeito, mesmo que todas as coisas que vemos nos sonhos sejam ilus\u00f5es que n\u00e3o deixam marcas e n\u00e3o s\u00e3o reais, no estado de sonho as tomamos por reais e, ao agarrarmo-nos a elas, experimentamos prazer ou sofrimento. Por conseguinte desperte o sonhador para que conhe\u00e7a o c\u00e9u, a terra e o mundo reais durante o estado de vig\u00edlia. Se eu disser agora ao deludido que n\u00e3o existe nem nascimento, nem morte, nem Nirvana, nem seres vivos, nem Buda, acreditar\u00e1 obstinadamente que tudo \u00e9 Nada e que o estado de Vacuidade \u00e9 a Verdadeira Ilumina\u00e7\u00e3o. Se disser ao sonhador que tudo o que ele v\u00ea \u00e9 irreal, acreditar\u00e1 que, quando permanece no estado verdadeiro de vig\u00edlia, a verdade \u00e9 que o c\u00e9u, a terra, o mundo, est\u00e3o vazios e inexistentes. N\u00e3o poderemos saber exatamente o que \u00e9 a ilumina\u00e7\u00e3o, se alguma vez n\u00e3o nos despertarmos bruscamente do engano de um sonho pela ilumina\u00e7\u00e3o. No \u201cSuddharmapundarika Sutra\u201d, Buda declara: \u201cAssim permanece a Forma, assim permanece a Natureza, assim permanece a Subst\u00e2ncia, assim permanece a for\u00e7a, assim permanece a a\u00e7\u00e3o, assim permanecem as causas, assim permanecem os fatores, assim permanecem os frutos, assim permanecem as retribui\u00e7\u00f5es, assim permanece a exist\u00eancia em todas as coisas, do primeiro ao \u00faltimo dos caracteres precedentes\u201d. O mesmo sucede no momento em que o sonho do engano se desfaz. Quer dizer: \u201cOs dharmas descansam no Constante e a ess\u00eancia do mundo \u00e9 permanente\u201d. Tamb\u00e9m da maneira seguinte: \u201cAinda quando os seres virem o violento inc\u00eandio do fim dos tempos, esta terra permanecer\u00e1 tranq\u00fcila e sempre cheia de deuses\u201d. Isto quer dizer o seguinte: no fim dos tempos, quando o mundo for destru\u00eddo, os seres deludidos acreditar\u00e3o ver o fogo surgir de repente, do inferno, sem interrup\u00e7\u00e3o, e consumir todas as coisas at\u00e9 o c\u00e9u do primeiro \u00eaxtase19, por\u00e9m, aos olhos do Tath\u00e2gata Sakyamuni 20, este mundo permanecer\u00e1 tranq\u00fcilo, cheio de deuses e de homens, decorado com jardins, com numerosos pal\u00e1cios, com toda a esp\u00e9cie de tesouros; os seres vivos se entreter\u00e3o com \u00e1rvores de subst\u00e2ncias preciosas, cobertas de flores e frutos; os deuses tocar\u00e3o sem parar todas as esp\u00e9cies de flautas, acompanhando-se de seus tambores; convidar\u00e3o os Budas e lhes jogar\u00e3o bel\u00edssimas flores; tamb\u00e9m as derramar\u00e3o sobre as massas, e o Tath\u00e2gata ver\u00e1 outros incont\u00e1veis prazeres. Quando v\u00eaem a \u00e1gua, o fantasma faminto confunde a \u00e1gua com fogo, enquanto que o homem reconhece a \u00e1gua como \u00e1gua verdadeira. Se n\u00e3o estivermos deludidos, este mundo n\u00e3o \u00e9 a morada do fogo dos tr\u00eas mundos, mas a Terra Pura. Ao contr\u00e1rio, para o deludido este mundo \u00e9 constitu\u00eddo pelos tr\u00eas mundos e os seis reinos, como a \u00e1gua parece fogo para o fantasma faminto. Algu\u00e9m pergunta: \u201cQuando escuto esses racioc\u00ednios, em todos os detalhes, compreendo a maioria, n\u00e3o duvido que sou originalmente Buda e que este mundo foi sempre a Terra Pura. No entanto, quando vejo esse mundo condicionado transformar-se e que meu corpo tamb\u00e9m participa do nascimento, da decrepitude, da enfermidade e da morte, parece-me que n\u00e3o posso ainda livrar-me dos sofrimentos das forma\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o. Como posso livra-me destes sofrimentos das forma\u00e7\u00f5es e chegar a desconhecer para sempre o nascimento e a morte?\u201d O Mestre (Tetsugen) responde: \u201cUma compreens\u00e3o como a sua se chama convic\u00e7\u00e3o (apenas conceitual) e prov\u00eam de uma imagina\u00e7\u00e3o particularizante. Embora se pare\u00e7a um pouco com a ilumina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, a realiza\u00e7\u00e3o da verdadeira Ilumina\u00e7\u00e3o; n\u00e3o \u00e9, portanto, o despertar do sonho e da ignor\u00e2ncia. Em conseq\u00fc\u00eancia, embora voc\u00ea conhe\u00e7a aproximadamente a verdade, n\u00e3o se liberou do ego\u00edsmo e do orgulho que est\u00e3o em seu corpo, de sonhos e de fantasmas, e est\u00e1, por\u00e9m, profundamente submerso no \u00f3dio, no amor, no bem e no mal. Ao extraviar-se no pa\u00eds dos sonhos e dos fantasmas, voc\u00ea se entrega freq\u00fcentemente \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es entre as vantagens e as desvantagens, os benef\u00edcios e as perdas, e comete atos dignos dos tr\u00eas maus caminhos. Isto \u00e9 inteiramente um sonho\u201d. O \u201cSutra do Conhecimento Supremo\u201d destaca: \u201cSe conjecturarmos o Conhecimento Supremo sem sair da transmigra\u00e7\u00e3o, este Conhecimento Supremo tamb\u00e9m retornar\u00e1 \u00e0 transmigra\u00e7\u00e3o\u201d. Isto quer dizer que quando se busca adivinhar com a imagina\u00e7\u00e3o o que \u00e9 a Subst\u00e2ncia do Conhecimento Supremo, sem ter realizado ainda a ilumina\u00e7\u00e3o, este Conhecimento Supremo se transforma tamb\u00e9m em transmigra\u00e7\u00e3o. Se quiserem identificar realmente a Subst\u00e2ncia da Ilumina\u00e7\u00e3o, abandonem toda a raz\u00e3o e toda paix\u00e3o, elevem-se acima do bem e do mal, do perverso e do correto, e com uma vontade verdadeira e s\u00f3lida, como se tivesse de enfrentar uma montanha de prata ou um muro de ferro, meditem com ardor acerca de uma quest\u00e3o (koan), sem olhar para frente nem para tr\u00e1s, nem \u00e0 esquerda, nem \u00e0 direita, e duvidem sem cessar, esquecendo-se de dormir, de comer, do frio e do calor; ao chegar a hora, quebrar\u00e3o o recipiente cheio dessa laca (espessa e negra) que \u00e9 a ignor\u00e2ncia de toda a eternidade. E ent\u00e3o, despertar\u00e3o pela primeira vez do sono da longa noite, aplaudir\u00e3o e rir\u00e3o; realizar\u00e3o seu Rosto Original, o Reino pr\u00f3prio e a ilumina\u00e7\u00e3o buscada desde muitos milhares de kalpas. Somente \u00e9 dif\u00edcil destruir a ignor\u00e2ncia quando n\u00e3o temos a verdadeira e grande aspira\u00e7\u00e3o. Em outros tempos, o Vener\u00e1vel Tchang-chuei21, ao duvidar sobre o significado desta frase do \u201cSurangama Sutra\u201d: \u201cPor que a pura Subst\u00e2ncia das Origens revela-se repentinamente aos nossos olhos como se fosse a Natureza?\u201d, perguntou Hui-kio22 ao mestre de Lang-sie: \u201cQue quer dizer: porque a pura Subst\u00e2ncia das Origens se revela de repente aos nossos olhos como se fosse a Natureza?\u201d. Lang-sie respondeu: \u201cPorque a pura Subst\u00e2ncia das Origens revela-se repentinamente aos nossos olhos como se fosse a Natureza\u201d. T\u00e3o logo escutou esta resposta, Tchang-chuei realizou, de repente, a grande Ilumina\u00e7\u00e3o, como se o fundo do balde tivesse se desprendido. Encontrava-se precisamente no estado onde transcendeu o agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais. O significado dessa frase do \u201cSurangama Sutra\u201d \u00e9 a seguinte; quando o Venerado do Mundo declarou \u00e0 assembl\u00e9ia do Surangama: \u201cEste mundo \u00e9 originalmente a Terra Pura da pura Subst\u00e2ncia\u201d, o vener\u00e1vel Purna23 lhe perguntou: \u201cSe esse mundo \u00e9 a Terra da pura Subst\u00e2ncia, como v\u00f3s chamais ao Tath\u00e2gata, por que ele sonha de repente todos os aspectos condicionados da Natureza que passam pelas vicissitudes da produ\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o?\u201d. Tchang-chuei, tendo se despertado previamente do sonho do agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais, duvidava profundamente do sentido dessa frase. Ent\u00e3o, formulou a pergunta e, quando Lang-sie respondeu, despertou-se desse sonho pela primeira vez e descobriu o n\u00edvel da Subst\u00e2ncia Pura. Em outros tempos, um monge perguntou a um mestre antigo: \u201cQue posso fazer se n\u00e3o tenho paz por causa da produ\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o?\u201d O mestre respondeu: \u201cDeve se converter imediatamente em cinza fria e \u00e1rvore seca!\u201d E o monge voltou a perguntar a outro mestre a mesma pergunta. O mestre respondeu: \u201cTolo! Onde h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o?\u201d T\u00e3o logo escutou essas palavras, o monge realizou a grande ilumina\u00e7\u00e3o. Estes exemplos mostram o estado dos homens que se harmonizaram com o Reino Original pelo agregado das forma\u00e7\u00f5es mentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>DO QUINTO AGREGADO<\/strong><\/p>\n<p>Os outros quatro agregados t\u00eam como base a consci\u00eancia: forma, sensa\u00e7\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es e forma\u00e7\u00f5es mentais; a consci\u00eancia (vijnana) d\u00e1 vida aos tr\u00eas mundos e aos seis Caminhos, d\u00e1 vida a tudo, desde o corpo dos homens at\u00e9 os fen\u00f4menos do universo, ao c\u00e9u, \u00e0 terra, ao espa\u00e7o; quer dizer que \u00e9 a origem dos enganos. Embora a consci\u00eancia seja a Mente Infinita em sua totalidade e n\u00e3o haja diferen\u00e7a entre as duas, chamamos consci\u00eancia em virtude dos problemas criados pela ignor\u00e2ncia. Se n\u00e3o estivesse entorpecida pela ignor\u00e2ncia, se chamaria Mente Infinita. Kuei-fong disse: \u201cAs consci\u00eancias s\u00e3o como ilus\u00f5es e os sonhos; s\u00f3 existe a Mente \u00danica\u201d. Quando falamos de consci\u00eancia, existe ilus\u00e3o, como quando um m\u00e1gico, por exemplo, de um peda\u00e7o de pano faz toda esp\u00e9cie de p\u00e1ssaros e animais. Embora o peda\u00e7o de pano pare\u00e7a na verdade transformar-se em seres vivos, que voam e correm, \u00e9 sempre um peda\u00e7o de pano e n\u00e3o se transforma em p\u00e1ssaro nem em animal. \u00c9 a ilus\u00e3o da m\u00e1gica que nos mostra como houvesse se transformado, quando na realidade n\u00e3o houve mudan\u00e7a. Desta maneira, embora a consci\u00eancia, em virtude da ilus\u00e3o da m\u00e1gica e da ignor\u00e2ncia, veja a Mente Infinita como se mudasse de forma, entretanto a Subst\u00e2ncia da Mente Infinita, n\u00e3o muda. A consci\u00eancia se parece tamb\u00e9m com uma pessoa adormecida. Se esta \u00faltima n\u00e3o dorme, n\u00e3o pode sonhar. Quando dorme, tem muitos sonhos e toma como reais todas as esp\u00e9cies de coisas que n\u00e3o existem. O mesmo sucede com a consci\u00eancia. Quando ela \u00e9 a Mente Infinita provinda das origens, e n\u00e3o est\u00e1 adormecida pela ignor\u00e2ncia, as distin\u00e7\u00f5es que existem nos tr\u00eas mundos, bem como nos seis caminhos, ou no inferno, ou no mundo dos deuses, ou ainda no mundo onde vivemos, n\u00e3o existem. Em conseq\u00fc\u00eancia a que opormos o Para\u00edso? Posto que originalmente nem nascimento nem morte existem, n\u00e3o se pode falar de Nirvana. Posto que as paix\u00f5es tampouco existem na origem, n\u00e3o faz sentido buscar o conhecimento Supremo. Se n\u00e3o existem seres vivos na origem, n\u00e3o temos que nos converter em Buda. Se a mente n\u00e3o se extraviou em absoluto, que ilumina\u00e7\u00e3o devemos realizar agora? Tudo \u00e9 assim! Que magn\u00edfico, inef\u00e1vel, \u00e9 a Subst\u00e2ncia da Mente Infinita! Ao insistir em seus caracteres, a chamaremos o Reino pr\u00f3prio, ou nosso Rosto Original. Quando o sonho da ignor\u00e2ncia cobre o nosso Rosto Original, dizemos que h\u00e1 ignor\u00e2ncia fundamental. \u00c9 o come\u00e7o dos enganos. Ao imperar esse sonho da ignor\u00e2ncia fundamental, temos todos os tipos de sonhos. Primeiro acreditamos que o espa\u00e7o existe. \u00c9 justamente o princ\u00edpio dos sonhos. \u00c9 neste sentido que o Surangama Sutra destaca: \u201cA escurid\u00e3o cria o espa\u00e7o\u201d ou \u201cA ignor\u00e2ncia \u00e9 insepar\u00e1vel do espa\u00e7o\u201d. Como acreditamos que o espa\u00e7o existe, cremos tamb\u00e9m que o c\u00e9u e a terra est\u00e3o no espa\u00e7o, que todas as coisas est\u00e3o no c\u00e9u e na terra, que os homens est\u00e3o entre as coisas, eu e o outro estamos entre os homens, e est\u00e3o tamb\u00e9m os p\u00e1ssaros, os animais, a lua e as flores. De maneira que cada um tem coisas que odeia, que ama, que acha agrad\u00e1vel ou desagrad\u00e1vel. Ao ter, cada um, alguma coisa que desejar, ou que lamentar, sonha com toda esp\u00e9cie de paix\u00f5es, no total de 84.000. Por causa dessas paix\u00f5es, matamos seres vivos, roubamos, nos entregamos \u00e0 lux\u00faria, mentimos e cometemos todas as esp\u00e9cies de outras m\u00e1s a\u00e7\u00f5es. Todas as m\u00e1s a\u00e7\u00f5es s\u00e3o desvios causados por essas paix\u00f5es. Se cometermos m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, cairemos em um destes maus caminhos: do inferno, dos fantasmas famintos, dos animais; seremos queimados pelas terr\u00edveis chamas durante inumer\u00e1veis kalpas, ou ent\u00e3o os ossos ser\u00e3o aprisionados nos gelos do grande inferno do L\u00f3tus Vermelho 24, ou tamb\u00e9m, padeceremos sofrimentos insuport\u00e1veis do caminho dos fantasmas famintos, no qual nem sequer ouvimos falar de alimentos ou bebida durante milhares de kalpas e onde, quando encontramos \u00e1gua e procuramos beb\u00ea-la, esta se transforma em fogo e sentimos terr\u00edveis dores, como se queim\u00e1ssemos a garganta. Esses sofrimentos todos s\u00e3o formas tomadas pelo sonho, no sonho da ignor\u00e2ncia. Entretanto, se algu\u00e9m renuncia \u00e0s suas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es e observa as cinco proibi\u00e7\u00f5es 25 e os dez mandamentos do bem 26, libera-se dos tr\u00eas maus caminhos, obt\u00e9m a oportunidade de renascer homem ou deus. Renasce, portanto, para ser feliz em sua nova vida e ter\u00e1 mais ou menos prazeres, segundo a qualidade de suas boas a\u00e7\u00f5es nesta vida. No entanto, esses prazeres todos pertencem aos tr\u00eas mundos e est\u00e3o inclu\u00eddos no sonho de quem dorme na ignor\u00e2ncia; por conseguinte, ainda que sejam pass\u00edveis de gozo, n\u00e3o s\u00e3o verdadeiros prazeres. Embora, no fundo, sejam sofrimentos, s\u00e3o tomados como prazeres por causa das delus\u00f5es. Com mais raz\u00e3o, como existem oito dores no homem e cinco ocasos nos deuses, conseq\u00fcentemente os sofrimentos n\u00e3o cessam, n\u00e3o tem sentido o querer prolongar a estada neste mundo sams\u00e1rico que, ao contr\u00e1rio, temos que abandonar rapidamente. Quando um homem que compreendeu isto sabe que os prazeres do mundo dos humanos e dos deuses formam parte, apesar de suas apar\u00eancias, do ciclo dos Seis Reinos que s\u00e3o prazeres condicionados e impermanentes e que, por conseq\u00fc\u00eancia s\u00e3o falsos prazeres que pertencem ao sonho da ignor\u00e2ncia; quando este homem desperta para a grande Verdade e pratica a medita\u00e7\u00e3o sentada, os tr\u00eas estados \u2013 do bem, do mal e do indefinido \u2013 aparecem em seu cora\u00e7\u00e3o. Os bons pensamentos s\u00e3o o bem. Os maus pensamentos que flutuam no cora\u00e7\u00e3o s\u00e3o o mal. O indefinido n\u00e3o \u00e9 o bem nem o mal, mas um estado indiferente do cora\u00e7\u00e3o. Estas tr\u00eas classes de pensamentos surgem sem cessar, alternadamente, no cora\u00e7\u00e3o do homem. Algumas vezes n\u00e3o pensa no mal, sen\u00e3o no bem; outras vezes n\u00e3o pensa no bem, mas no mal. Quando, por um momento, nem os bons pensamentos nem os maus ocupam sua mente, esta est\u00e1 ausente e num estado de indiferen\u00e7a. Estes maus pensamentos s\u00e3o as sementes do inferno, dos fantasmas famintos, dos animais; os bons pensamentos s\u00e3o as sementes dos homens ou do mundo dos deuses. O indefinido \u00e9 o estado do tolo e do ignorante, os quais n\u00e3o distinguem o mal do bem. O iniciante que n\u00e3o tem ainda entusiasmo pela medita\u00e7\u00e3o sentada \u00e9, assim, v\u00edtima do bem, do mal ou do indefinido. Suas disposi\u00e7\u00f5es para a medita\u00e7\u00e3o sentada se acentuam quando afirma progressivamente sua vontade, sem ter em conta o surgimento desses pensamentos, e pratica a medita\u00e7\u00e3o sentada sem t\u00e9dio. \u00c0s vezes, quando j\u00e1 n\u00e3o surgem nem maus nem bons pensamentos, e n\u00e3o est\u00e1 no estado indefinido, sua mente se clarifica como espelho polido ou como \u00e1gua l\u00edmpida. Isto dura alguns instantes. \u00c9 o sinal, ef\u00eamero como orvalho, de que a mente se encontra disposta para a concentra\u00e7\u00e3o. Se tivermos uma experi\u00eancia semelhante, devemos praticar mais ardentemente a medita\u00e7\u00e3o sentada. Se a praticarmos sem cessar e sem neglig\u00eancia, nossa mente, que se purifica por pouco tempo a princ\u00edpio, fica cada vez mais purificada e permanece pura durante um ter\u00e7o ou dois ter\u00e7os do tempo da medita\u00e7\u00e3o sentada. Sucede tamb\u00e9m que, se a nossa mente permanece pura desde o come\u00e7o at\u00e9 o fim da medita\u00e7\u00e3o, sem que nem um s\u00f3 mau ou bom pensamento surja, sem que o estado indefinido a invada, que permanece pura como o c\u00e9u claro de outono ou como o espelho polido sobre seu pedestal; ent\u00e3o nossa mente \u00e9 semelhante \u00e0 vacuidade do espa\u00e7o e nos sentimos como se o mundo do Dharma existisse em nosso peito, como se uma frescura incompar\u00e1vel reinasse em n\u00f3s. Mais da metade do caminho da medita\u00e7\u00e3o sentada est\u00e1 feito. Isto se chama na escola Zen: \u201cResumir tudo em um\u201d, \u201cA situa\u00e7\u00e3o de uma s\u00f3 cor 27\u201d, \u201cNingu\u00e9m no estado da grande morte\u201d ou \u201cO Universo de Visvabhadra\u201d. No entanto, quando este estado continua algum tempo, o iniciante cr\u00ea que realizou a Ilumina\u00e7\u00e3o, e \u00e9 igual a Sakyamuni e a Bodhidharma 28, Por\u00e9m \u00e9 um grande erro. Haver chegado a este ponto \u00e9 encontrar o quinto agregado. \u00c9 o que o \u201cSurangama Sutra\u201d chama: \u201cEntrar na calma e unificar-se com ela \u00e9 estar \u00e0 beira da consci\u00eancia\u201d. Quando, ao praticar firmemente a medita\u00e7\u00e3o sentada, nos encontramos nesta situa\u00e7\u00e3o, imediatamente acreditamos que j\u00e1 realizamos a Ilumina\u00e7\u00e3o \u2013 que se pode comparar com as de Lin-Tsi e T\u00f6-chan, e proclamamos aos gritos que obtivemos o Rosto Original, que alcan\u00e7amos o Reino Pr\u00f3prio. Comportamo-nos como se fossemos um Mestre Zen, ao conceder ami\u00fade aos outros o certificado que lhes permite propagar o Zen, ao golpear com o bast\u00e3o ou ao gritar. Por\u00e9m, este tipo de gente n\u00e3o conhece ainda a experi\u00eancia interior do Buda e dos Patriarcas do Zen, e n\u00e3o chegaram ainda \u00e0 origem da Mente \u00danica. Sem chegar sequer a esta situa\u00e7\u00e3o, alguns compreenderam a Doutrina e cr\u00eaem que alcan\u00e7aram a Ilumina\u00e7\u00e3o; outros tamb\u00e9m reconhecem a Ilumina\u00e7\u00e3o naquele que faz mover os olhos, sua boca, trabalhar suas m\u00e3os e suas pernas. Todos est\u00e3o muito distanciados da Mente do Buda e dos Patriarcas Zen. Pois bem, aquele que, enganado pela consci\u00eancia, se acredita Iluminado \u00e9 muito diferente daqueles que tem conhecimentos superficiais. Embora suas pr\u00e1ticas o tenham feito progredir at\u00e9 aqui, por que se aproximou da Verdade, n\u00e3o sabe transcender esta consci\u00eancia; enganado por esta \u00faltima, a confunde com a Mente Infinita. \u00c9 porque suas pr\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o, todavia suficientes. O \u201cSurangama Sutra\u201d declara: \u201cO estado em que todas as discrimina\u00e7\u00f5es desaparecem n\u00e3o \u00e9 nem a mat\u00e9ria nem o vazio\u201d. A escola Gosari29, em sua cegueira, cr\u00ea alcan\u00e7ar a ilumina\u00e7\u00e3o m\u00edstica, \u201cpor\u00e9m separar-se das condi\u00e7\u00f5es dos dharmas \u00e9 perder a ess\u00eancia mesma do entendimento\u201d; e diz mais: \u201cAinda se guardarmos dentro de n\u00f3s uma tranq\u00fcilidade profunda, ao cessarmos o julgamento e a percep\u00e7\u00e3o, o reflexo da discrimina\u00e7\u00e3o causada pela poeira dos dharmas 30 ainda estar\u00e1 ali\u201d. Um antigo mestre explica o assunto assim: \u201cMuitos s\u00e1bios ao serem enterrados conservam essa serena tranq\u00fcilidade. Em meu parecer, \u00e9 pela conserva\u00e7\u00e3o da tranq\u00fcilidade que os Confuncionistas do Song 31 se apegavam ao estado mental onde n\u00e3o surge nenhum sentimento de gozo, de c\u00f3lera, de tristeza ou de prazer32. \u00c9 somente na conserva\u00e7\u00e3o desta tranq\u00fcilidade que Lao-Ts\u00e9 33 insiste para chegar ao fundo do vazio e observar a tranq\u00fcilidade e a serenidade. A concentra\u00e7\u00e3o na qual entram os Arhat 34 e os Budas-para-si do budismo, do mesmo modo que o fruto de sua Ilumina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se deve mais que \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da tranq\u00fcilidade da mente e a isso somente\u201d. Os Budas e os grandes mestres do Zen falaram do mesmo modo ao mostrar a aus\u00eancia de reflex\u00e3o e de pensamento depois de haver-se abandonado a discrimina\u00e7\u00e3o causada pela percep\u00e7\u00e3o. A Oitava Consci\u00eancia 35 dos seres vivos \u00e9 a causa dos enganos dos tr\u00eas mundos e dos seis caminhos. Por causa desta consci\u00eancia, os seres vivos t\u00eam imaginado o c\u00e9u, a terra, o espa\u00e7o, e todos os seres animados e inanimados que a\u00ed se encontram, da mesma maneira que vemos os mais diversos sonhos ao dormir. \u00c9 nesse sentido que Buda declara: \u201cOs tr\u00eas mundos s\u00e3o simplesmente uma s\u00f3 consci\u00eancia\u201d. E \u00e9 tamb\u00e9m neste sentido que declara: \u201cA Oitava consci\u00eancia \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o das cinco sensa\u00e7\u00f5es, das percep\u00e7\u00f5es e do mundo-recept\u00e1culo 36\u201d. O \u201cSurangama Sutra\u201d destaca tamb\u00e9m: \u201cO Ad\u00e2na \u00e9 uma consci\u00eancia sutil que cria a for\u00e7a do h\u00e1bito, e \u00e9 como uma torrente violenta. N\u00e3o explico sempre este assunto porque temo que o ignorante se extravie entre a verdade e o erro\u201d. Um antigo mestre comenta: \u201cSe o Buda declarasse somente este estado, como a verdade, o ignorante n\u00e3o se esfor\u00e7aria em seguir suas pr\u00e1ticas, mas cairia no orgulho. Se o Buda declarasse este estado somente como erro, o ignorante se desesperaria e acreditaria tudo terminar no momento de sua da morte. Por conseguinte, o Buda nunca explicou este assunto aos ignorantes dos dois Ve\u00edculos\u201d. Embora esta consci\u00eancia se pare\u00e7a com a verdadeira Mente Infinita, n\u00e3o \u00e9 esta Mente; por isso o Buda n\u00e3o a explicou imprudentemente aos tolos. A raz\u00e3o \u00e9 a seguinte; se o Buda declarasse que esta consci\u00eancia \u00e9 a verdade, o ignorante se deteria a\u00ed e, ficando satisfeito, n\u00e3o se esfor\u00e7aria em prosseguir nas pr\u00e1ticas. Se o Buda declarasse que a consci\u00eancia \u00e9 um erro, o ignorante suporia ent\u00e3o ser tudo somente vazio e que a Mente Infinita n\u00e3o existe, terminaria assim acreditando que tudo acaba com a morte e n\u00e3o poderia conhecer verdadeiramente a Mente Infinita. Por conseguinte, esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante e o Buda n\u00e3o a explicou imprudentemente. Embora esta consci\u00eancia seja totalmente a Mente Infinita, n\u00e3o podemos cham\u00e1-la de Mente Infinita porque o sonho da ignor\u00e2ncia ainda se adere a ela. Embora n\u00e3o se possa cham\u00e1-la de Mente Infinita, isso n\u00e3o \u00e9 totalmente um engano, porque todas as ilus\u00f5es j\u00e1 foram abandonadas nesta situa\u00e7\u00e3o. Se o praticante chegou a este ponto, deve continuar praticando mais dedicadamente. J\u00e1 se mostram os sinais da realiza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 pr\u00f3xima \u00e0 verdadeira Ilumina\u00e7\u00e3o. Podemos dizer que nos encontramos no momento em que a noite clareia, por\u00e9m o sol ainda n\u00e3o saiu. Embora as trevas tenham se dissipado, o praticante n\u00e3o sabe como desaparecem nem como o mundo inteiro se clareia. Se deixarmos de lado as pr\u00e1ticas e tomarmos esse clarear das trevas como o final, n\u00e3o poderemos encontrar o sol. Se deixarmos de lado as pr\u00e1ticas e tomarmos o clarear das trevas da ilus\u00e3o e a limpidez do estado de nossa mente como a realiza\u00e7\u00e3o da Ilumina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderemos encontrar o sol da Sabedoria. Saiba bem que este estado n\u00e3o \u00e9 ainda a verdadeira Ilumina\u00e7\u00e3o, embora as trevas da ilus\u00e3o se tenham dissipado. Sem deixar de lado este estado, sem regozijar-se nele, sem permanecer \u00e0 espera da Ilumina\u00e7\u00e3o, e ao ficar somente em um estado sem reflex\u00e3o nem pensamento, continue praticando com todas as suas for\u00e7as. Ent\u00e3o, de repente, a verdadeira Ilumina\u00e7\u00e3o aparecer\u00e1 e iluminar\u00e1 todos os dharmas, como se cem s\u00f3is sa\u00edssem de uma s\u00f3 vez. Isto se chama \u201cConverte-se em Buda ao ver a sua pr\u00f3pria Natureza\u201d ou \u201cA grande Ilumina\u00e7\u00e3o e a grande penetra\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cO Gozo da Uni\u00e3o\u201d. Ent\u00e3o encontraremos todos os Budas do passado, do presente e do futuro ao mesmo tempo e conheceremos a ess\u00eancia de Shakyamuni e de Bodidarma, encontraremos a Natureza pr\u00f3pria de todos os seres vivos, penetraremos at\u00e9 a origem do c\u00e9u, da terra e de todas as coisas. O grande gozo desse momento \u00e9 inef\u00e1vel. Por isso, o \u201cSurangama Sutra\u201d declara: \u201cCom uma limpidez extrema, a luz penetra por todos os lados. Uma paz luminosa banha todo o espa\u00e7o. Ao voltarmos ao mundo, acreditamos haver sonhado\u201d. <strong>\u201cQuando esta Ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada, toda a natureza \u00e9 a Subst\u00e2ncia do Corpo de Ess\u00eancia, onde a calma e a Ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o separadas, e no Universo n\u00e3o existe nada que n\u00e3o seja a Mente Infinita\u201d<\/strong>. Assim, no \u201cSurangama Sutra\u201d se l\u00ea: \u201cEmbora a sensa\u00e7\u00e3o \u00f3tica e a condi\u00e7\u00e3o exterior pare\u00e7am objetos que aparecem diante de n\u00f3s, n\u00e3o s\u00e3o profundamente sen\u00e3o nossa Ilumina\u00e7\u00e3o\u201d. Representamos os outros \u00f3rg\u00e3os dos sentidos somente pelo \u00f3rg\u00e3o da vis\u00e3o. A condi\u00e7\u00e3o exterior \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o \u00f3tica significa o campo dos seis \u00f3rg\u00e3os dos sentidos, que s\u00e3o iguais a poeira e a todos os dharmas. Desta maneira explica-se que meu corpo e tamb\u00e9m todos os dharmas s\u00e3o somente a Subst\u00e2ncia da Mente \u00danica Infinita e da sublime Ilumina\u00e7\u00e3o. Disto se diz: \u201cMudar a terra em ouro e fazer do largo rio um creme ao bat\u00ea-lo. A\u00ed se encontra o verdadeiro Para\u00edso\u201d. Em outros tempos, um monge perguntou a Yun-men 49: que fazer quando n\u00e3o surge nenhum pensamento?\u201d Yun-men respondeu: \u201cO monte Sumeru50\u201d. Outro monge perguntou a Tchao-tcheu51: \u201cQue fazer quando n\u00e3o trago nada?\u201d Tchao-tcheu disse: \u201cAbandona\u201d. O monge perguntou de novo: \u201cN\u00e3o trago nada. Que \u00e9 que devo abandonar?\u201d Tchao-tcheu respondeu: \u201cSe n\u00e3o podeis abandon\u00e1-lo, caminha com ele\u201d. T\u00e3o logo Tchao-tcheu pronunciou estas palavras, o monge realizou a grande Ilumina\u00e7\u00e3o. Um desses monges dizia: \u201cNenhum pensamento surge\u201d. O outro: \u201cn\u00e3o trago nada\u201d. Os dois haviam chegado ao dom\u00ednio da n\u00e3o-reflex\u00e3o e do n\u00e3o-pensamento. Confundiam este estado com a Ilumina\u00e7\u00e3o, e foi nesse sentido que perguntaram a Yun-men e Tchao-tcheu. Estes \u00faltimos responderam como fizeram porque sabiam que esses monges n\u00e3o eram realizados espiritualmente. Com esse \u201cMonte Sumeru\u201d e esse \u201cAbandona\u201d, chegar\u00e3o ao mundo original e poder\u00e3o encontrar-se com os Yun-men e os Tchao-tcheu. Meditem bem e chegar\u00e3o a esse mundo. Por isso um anci\u00e3o disse: \u201cLevanta a m\u00e3o da borda do precip\u00edcio e fa\u00e7a a experi\u00eancia voc\u00ea mesmo. Se ressuscitar depois da morte, ningu\u00e9m poder\u00e1 engan\u00e1-lo\u201d. E outro disse: \u201cAo chegar \u00e0 extremidade de uma vara de cem p\u00e9s, d\u00e1 ainda outro passo e manifeste vosso corpo intacto ao mundo inteiro\u201d. Essas frases explicam o estado no momento em que esta Ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada. Medite bem e pratique o Zen, e alcan\u00e7ar\u00e1 esse estado. N\u00e3o caia por erro na armadilha do lobo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>NOTAS:<\/strong><\/p>\n<p>1. Prajna Paramita, este livro sagrado, muito conciso, explica a maneira essencial de chegar ao al\u00e9m pela sabedoria. O monge Zen aprende esse pequeno livro e sempre o recita. 2. O Corpo de Ess\u00eancia, Dharmakaya, \u00e9 vacuidade, perman\u00eancia, unidade, pureza: est\u00e1 separado para sempre do nascimento, da velhice, da doen\u00e7a e da morte. 3. Nirvana: Pacifica\u00e7\u00e3o ou libera\u00e7\u00e3o. Por supera\u00e7\u00e3o do nascimento e da morte, se chega \u00e0 sua ess\u00eancia, sem transmigra\u00e7\u00e3o. 4. Os tr\u00eas mundos. Os mundos perdidos, onde todos os seres vivos transmigram sem cessar: 1) o mundo do desejo; 2) o mundo da Forma e 3) O mundo da N\u00e3o-Forma. 5. O Dharma: esta palavra designa a lei sob todos os seus aspectos: religioso, civil, pol\u00edtica, social e metaf\u00edsica; de uma forma derivada: a religi\u00e3o, a virtude, ou o bem, a exist\u00eancia considerada como submetida \u00e0 relatividade das causas e efeitos. 6. O Constante: Bh\u00fbta-Tathata. Neste serm\u00e3o, Tetsugen cita a frase do Vijn\u00e3naptimatra-S\u00e2stra: \u201cO constante significa o verdadeiro que existe sem engano, ou tamb\u00e9m o permanente que existe sem mudan\u00e7a\u201d. 7. Os maus caminhos: os lugares onde se cai por m\u00e1s a\u00e7\u00f5es. 8. O Tath\u00e2gata, O Assim Vindo: \u00e9 um dos dez nomes de Buda. Buda vem aos tr\u00eas mundos pelo caminho do Constante e, realizando a ilumina\u00e7\u00e3o, ensina aos ignorantes. 9. Os seis p\u00f3s exteriores: os seis objetos dos sentidos; a cor, o som, o odor, o paladar, o tato, o fen\u00f4meno. 10. Defunto fam\u00e9lico: h\u00e1 tr\u00eas modos 1) Aquele que n\u00e3o pode escutar o nome da \u00e1gua, eternamente; 2) Aquele que pode comer somente uma pequena quantidade de pus, de sangue e de fezes do homem; 3) Aquele que pode saciar-se temporariamente. Em cada um desses tr\u00eas modos h\u00e1 tamb\u00e9m tr\u00eas classes, perfazendo assim um total de nove classes. 11. Asura = dem\u00f4nio que ama a briga. 13. Nirvana Sutra: este livro sagrado afirma que todos os seres vivos tem a ess\u00eancia Budha, que o Tath\u00e2gata \u00e9 permanente e n\u00e3o muda 14. O \u201cVijn\u00e2ptimatra-S\u00e3stra\u201d, a Teoria do nada mais que Consci\u00eancia. Obra de Vasubandhu, que viveu na \u00cdndia 900 anos depois da morte do Budha. 15. O Sutra do Diamante. \u00c9 uma met\u00e1fora. Chama-se Diamante \u00c1 Sabedoria, por sua solidez. 16. Segundo Patriarca, Hui-Ko (em japon\u00eas Yeka) 486 \u2013 593. 17. O sexto Patriarca, Hui-Neng (em japon\u00eas Yeno) 636 \u2013 712. Deu car\u00e1ter Chin\u00eas ao Zen transmitido por Bodhidharma. 18. Estas duas frases se encontram no \u201cO Despertar da F\u00e9 Mahayana\u201d de Asvagosha. 19. O C\u00e9u do Primeiro \u00caxtase: o mundo do formal \u00e9 superior ao mundo dos desejos e os seres aleijados do desejo habitam nele. Esse mundo \u00e9 distribu\u00eddo em quatro planos, de acordo com a profundidade do \u00eaxtase. 20. Sakyamuni (mais ou menos (563-483 a.C.). Fundador do Budismo, nascido na fam\u00edlia de um rei dos sakyas, Suddhodhana, que reinava em Kapilavastu, nos confins do Nepal. Muni significa tranq\u00fcilidade. Se chama Budha porque tem o conhecimento. 21. Tchang-chuei (em japon\u00eas, Tch\u00f4-sui): Um monge da escola Avatamsaka (Kegon), durante a \u00e9poca dos song. 22. Hui-ko (em japon\u00eas, Ye-kaku); Um mestre Zen da escola Lin-Tsi. Viveu na primeira metade do S\u00e9culo XI. 23. P\u00fbrna: um dos dez grandes disc\u00edpulos de Budha. Era o melhor predicador 24. O Inferno do L\u00f3tus Vermelho; A carne que caiu neste inferno, se desloca como o L\u00f3tus vermelho sob o efeito do frio. 25. As cinco proibi\u00e7\u00f5es: assassinato, roubo, luxuria, mentira, e uso de drogas. 26. Os dez mandamentos do Bem: n\u00e3o-matar, n\u00e3o-roubar, n\u00e3o-luxuria, n\u00e3o-mentira, n\u00e3o-linguagem grosseira, n\u00e3o-calunia, n\u00e3o-charlatanice, n\u00e3o-inveja, n\u00e3o-\u00f3dio, e n\u00e3o-erro. 27. Visvabhadra: Este e Manjusri s\u00e3o os dois Bodhisatvas que ajudam na instru\u00e7\u00e3o do Tath\u00e2gata. O primeiro est\u00e1 encarregado da pr\u00e1tica e o segundo da sabedoria. 28. Bodhidharma (em chin\u00eas, P\u00fa-ti Ta-mo; em japon\u00eas, Bodai-Daruma): O primeiro Patriarca da Escola C\u00b4han na China. Nasceu no Ceil\u00e3o e chegou \u00e0 China no princ\u00edpio do s\u00e9culo VI. 29. A Escola Gosari: uma das dez herejes, na \u00cdndia, fora do Budismo. 30. A poeira dos dharmas: um dos seis p\u00f3s. Os objetos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 consci\u00eancia. 31. Os Confuncionistas do song: Tcheu Tuen-yi, Tchang-Tsai, Tch\u00b4eng H\u00e3o, tch\u00b4eng YI,. tchen Hi, etc. 32. Encontramos esta frase em: \u201cO meio Invari\u00e1vel\u201d, de Tsen-sen. 33. Lao-Ts\u00e9 (VII a.C.): Filosofo chin\u00eas e fundador do Tao\u00edsmo. 34. Os Arhat: aqueles que realizam a Ilumina\u00e7\u00e3o do pequeno ve\u00edculo. Os que destru\u00edram todas as paix\u00f5es. 35. A Oitava Consci\u00eancia: \u00c9 o Alayavij\u00f1ana que significa \u201cvijnana = consci\u00eancia e alaya = dep\u00f3sito\u201d, do ponto de vista da escritura, ou \u201ctenda\u201d, do ponto de vista do sentido. Encerra o amor \u00e0 Unidade, o esfor\u00e7o pelo qual cada coisa procura perseverar em seu ser. Este esfor\u00e7o \u00e9 o germe de todas as coisas. 36. O mundo-recept\u00e1culo: o mundo exterior sobre o qual os seres vivos se apoiam. 37. Bodidharma (chin\u00eas: P\u2019u-ti Ta-mo, jap. Bodai-Daruna) 38. Lin-tsi (Jap. Rin-za\u00ef) morto em 867. fundador da escola Lin-tsi do zen. \u00c9 famoso por seus gritos. 39. To-chan (jap. Toku-san) 779-865. Famoso por seu \u2018bast\u00e3o ativo\u2019. Lin-tsi e T\u00f6-chan s\u00e3o dois grandes mestres e os mais ativos do zen. 40. A escola Gosari: uma das dez herejes na \u00cdndia fora do budismo. 41. As poeiras do Dharma: um a das seis poeiras. Os objetos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 consci\u00eancia. 42. Os confuncionistas do Song foram muito influenciados pelo zen. Eles tamb\u00e9m praticavam a medita\u00e7\u00e3o sentada. 43. encontramos essa frase em: \u201cO meio Invari\u00e1vel\u201d de Tseu-seu. 44. Lao-Ts\u00e9 (Sec. VII antes de J.C.) fil\u00f3sofo chin\u00eas e fundador do Tao. Sua obra Tao-te-King \u00e9 fundamental. 45. Os Arhat: aqueles que realizaram a Ilumina\u00e7\u00e3o do Pequeno Ve\u00edculo. Os que destru\u00edram todas as paix\u00f5es. 46. A oitava consci\u00eancia. \u00c9 o Alayavijnana que significa dep\u00f3sito de consci\u00eancias. 47. O mundo recept\u00e1culo: o mundo exterior sobre o qual todos os seres vivos se apoiam. 48. O Adana: a apropria\u00e7\u00e3o, \u201ctomar e manter\u201d ou \u201csem libera\u00e7\u00e3o\u201d. O outro nome de Alaya. Esta consci\u00eancia conserva e se atribui todos os \u00f3rg\u00e3os do Formal e \u00e9 o dep\u00f3sito de toda a mem\u00f3ria do universo. 49. Yun-men (em japon\u00eas Um-mon) morto em 996. Fundador da escola Yun-men do zen. \u00c9 famoso por causa da excel\u00eancia de sua palavra. 50. o Monte Sumeru. O indianao da antiguidade acreditava que esta montanha era o centro do universo. 51. Tchao-tcheu (em japon\u00eas J\u00f4-sh\u00fb) 778-897. Peregrinou at\u00e9 os 80 anos para adquirir conhecimento do zen. Viveu at\u00e9 120 anos. Seus di\u00e1logos com disc\u00edpulos s\u00e3o sempre atuais, por\u00e9m se revelam muito delicados e dif\u00edceis de compreender.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O SERM\u00c3O DE TETSUGEN* SOBRE O ZEN \u201cLe Sermon de Tetsugen sur le Zen\u201d Versi\u00f3n castellana de Mar\u00eda de las Mercedes Resano Editorial Paidos Vers\u00e3o p\/ o portugu\u00eas de Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso. 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