{"id":107,"date":"2012-11-15T17:43:43","date_gmt":"2012-11-15T19:43:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=107"},"modified":"2018-02-09T22:05:31","modified_gmt":"2018-02-10T00:05:31","slug":"uniao-sujeitoobjeto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/uniao-sujeitoobjeto\/","title":{"rendered":"Uni\u00e3o Sujeito\/Objeto"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<em>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/TaozenCOR.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-109\" title=\"TaozenCOR\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/TaozenCOR-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/TaozenCOR-300x300.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/TaozenCOR-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/TaozenCOR-1024x1024.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/TaozenCOR.jpg 1635w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<h1 align=\"center\">\u00a0Conta-se que um c\u00e9lebre mestre zen da dinastia\u00a0<em>T\u2019ang, Nan Ch\u2019\u00fcan<\/em>, declarava, mostrando uma flor aberta no p\u00e1tio: <em>\u201cAs pessoas comuns v\u00eam esta flor como se estivessem imersas em um sonho\u201d.<\/em> A flor, tal como a vemos efetivamente no jardim, deve assemelhar-se a uma flor vista durante um sonho, basta-nos sair do sonho para ver a flor tal como \u00e9 em si mesma realmente. Isto quer dizer, simplesmente, que o sujeito deve realizar a todo custo uma transforma\u00e7\u00e3o pessoal absoluta, se quiser contemplar a realidade das coisas. Por\u00e9m, de que g\u00eanero de transforma\u00e7\u00e3o se trata? E qual \u00e9 a realidade das coisas, vistas por n\u00f3s depois dessa transforma\u00e7\u00e3o?<\/h1>\n<p>O que\u00a0<em>Nan Ch\u2019\u00fcan<\/em>\u00a0quer dizer est\u00e1 claro: uma flor, tal como a vemos em condi\u00e7\u00f5es normais, \u00e9 um\u00a0<strong><em>objeto<\/em><\/strong><em>\u00a0<\/em>que se encontra diante de um\u00a0<strong><em>sujeito<\/em><\/strong>\u00a0que o percebe. Esse \u00e9 o sentido da express\u00e3o \u201cuma flor vista em um sonho\u201d. A flor est\u00e1 aqui representada como algo diferente do ser humano que a contempla. A flor, em sua realidade \u00e9, no entanto, para\u00a0<em>Nan Ch\u2019\u00fcan<\/em>, uma flor que n\u00e3o-\u00e9, uma flor que n\u00e3o pode distinguir-se do ser humano que a contempla: do\u00a0<strong><em>sujeito<\/em><\/strong>. Trata-se aqui, pois, de um estado que n\u00e3o \u00e9 nem objetivo nem subjetivo, por\u00e9m que \u00e9 ao mesmo tempo subjetivo e objetivo: um estado no qual o\u00a0<strong><em>sujeito<\/em><\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong><em>objeto<\/em><\/strong>, o ser humano e a flor,\u00a0<strong><em>se fundem<\/em><\/strong>\u00a0de modo indescrit\u00edvel em uma unidade absoluta. Ao menos, com a finalidade de compreender um pouco o cerne do problema, teremos que colocar em seu contexto o lugar exato das palavras de\u00a0<em>Nan Ch\u2019\u00fcan\u00a0<\/em>no conhecido livro de budismo zen, o\u00a0<em>\u201cPi Yen Lu\u201d.<\/em>\u00a0Ali podemos ler o seguinte:<\/p>\n<p>Um dia, o grande governador\u00a0<em>Lu K\u00eang<\/em>\u00a0encontrava-se conversando com\u00a0<em>Nan Ch\u2019\u00fcan,<\/em>\u00a0quando\u00a0<em>Lu<\/em>\u00a0fez a seguinte observa\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Seng Chao<\/em>\u00a0disse um dia:\u00a0<strong><em>\u2018O c\u00e9u e a terra (quer dizer, o universo inteiro) t\u00eam a mesma raiz que minha pr\u00f3pria mente e todas as coisas s\u00e3o uma s\u00f3 comigo\u2019<\/em><\/strong><em>,<\/em>\u00a0para mim, isto \u00e9 muito dif\u00edcil de compreender\u201d. Ent\u00e3o, apontando uma flor com o dedo,\u00a0<em>Nan Ch\u2019\u00fcan<\/em>\u00a0declarou:\u00a0<strong>\u201c<\/strong><strong><em>As pessoas comuns v\u00eam esta flor como se estivessem imersas no meio de um sonho<\/em><\/strong><strong>\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>No contexto pode-se compreender a inten\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Nan Ch\u2019\u00fcan<\/em>. \u00c9 o mesmo que houvesse dito:\u00a0<strong><em>\u201cObserva esta flor aberta no p\u00e1tio. Pelo fato mesmo de sua exist\u00eancia, est\u00e1 atestado que todas as coisas formam uma s\u00f3 coisa com o ser que n\u00f3s somos na Unidade Fundamental da Realidade \u00daltima\u201d.<\/em><\/strong>\u00a0<strong><em>A verdade est\u00e1 a\u00ed em toda a sua pureza, plenamente aparente. Desvela-se, a cada momento atrav\u00e9s de cada coisa particular, de modo claro e sem equ\u00edvocos. Por\u00e9m as pessoas comuns n\u00e3o possuem o olho em condi\u00e7\u00f5es de ver a realidade desnuda. Todas as coisas s\u00e3o observadas como atrav\u00e9s de v\u00e9us.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Como as pessoas comuns v\u00eam tudo atrav\u00e9s dos v\u00e9us do seu pr\u00f3prio ego relativo e determinado, tudo quanto v\u00eaem \u00e9 percebido como em um sonho. Por\u00e9m elas mesmas est\u00e3o convencidas de que a flor, tal como efetivamente a contemplam enquanto\u00a0<strong><em>\u201cobjeto\u201d<\/em><\/strong>\u00a0no mundo exterior,\u00a0<strong><em>\u00e9<\/em><\/strong>\u00a0a realidade. Para estar em condi\u00e7\u00f5es de afirmar que tal vis\u00e3o da flor est\u00e1 absolutamente afastada da realidade at\u00e9 o ponto de ser quase um sonho, temos que transformar em\u00a0<em>outro<\/em>\u00a0o eu emp\u00edrico. Somente ent\u00e3o se poder\u00e1 dizer, com o monge\u00a0<em>Chao<\/em>, que\u00a0<strong><em>o\u00a0sujeito\u00a0e o\u00a0objeto\u00a0se confundem de um modo infinitamente sutil e delicado em um s\u00f3 e, finalmente, se incorporam no fundo original do Vazio.\u00a0<\/em><\/strong>[&#8230;]<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Extra\u00eddo do livro: EL K\u00d4AN ZEN de Toshihiko Izutsu<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Vers\u00e3o p\/portugu\u00eas: Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso<\/em><\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0Conta-se que um c\u00e9lebre mestre zen da dinastia\u00a0T\u2019ang, Nan Ch\u2019\u00fcan, declarava, mostrando uma flor aberta no p\u00e1tio: \u201cAs pessoas comuns v\u00eam esta flor como se estivessem imersas em um sonho\u201d. 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