{"id":1101,"date":"2015-01-01T11:10:45","date_gmt":"2015-01-01T13:10:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=1101"},"modified":"2018-02-09T11:08:12","modified_gmt":"2018-02-09T13:08:12","slug":"heraclito","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/heraclito\/","title":{"rendered":"Her\u00e1clito"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1325\" rel=\"attachment wp-att-1325\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/heraclito.jpg\" alt=\"\" width=\"310\" height=\"163\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1325\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/heraclito.jpg 310w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/heraclito-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>Her\u00e1clito (540 &#8211; 470 a.C.)<\/strong> [*]<\/p>\n<p>Era contempor\u00e2neo de Parm\u00eanides. \u00c9 conhecido pelos seus escritos n\u00e3o muito claros, especialmente em sua obra Acerca da Natureza onde aparecem diversas senten\u00e7as breves em forma de prosa. <\/p>\n<p>Ele observa o constante devir das coisas, o mundo est\u00e1 em um perp\u00e9tuo fluxo. O mundo inicia com uma subst\u00e2ncia, essa subst\u00e2ncia explica o devir constante atrav\u00e9s de si pr\u00f3prio. Para ele essa subst\u00e2ncia \u00e9 o fogo, que n\u00e3o \u00e9 algo corp\u00f3reo, mas ativo, com intelig\u00eancia e foi criado. Qualquer mudan\u00e7a que ocorre no mundo se d\u00e1 atrav\u00e9s do fogo. O que est\u00e1 mudando ou est\u00e1 indo ao fogo ou est\u00e1 voltando. Esse fluxo eterno \u00e9 um processo dial\u00e9tico. Para ele a dial\u00e9tica \u00e9 inicialmente o raciocinar de uma dire\u00e7\u00e3o \u00e0 outra. Ela \u00e9 pr\u00f3pria do objeto a que se observa, mas est\u00e1 tamb\u00e9m no sujeito que observa. Her\u00e1clito tenta com isso fundar e buscar a dial\u00e9tica como come\u00e7o. <\/p>\n<p>Her\u00e1clito consegue com o devir trazer um grande avan\u00e7o para a filosofia. Com o devir a filosofia deixa de ser est\u00e1tica e passa a contemplar tamb\u00e9m o movimento. O movimento para o fil\u00f3sofo de \u00c9feso \u00e9 o pr\u00f3prio princ\u00edpio. <\/p>\n<p>Para Her\u00e1clito o Ser \u00e9 o \u00fanico. \u00c9 nele que tudo come\u00e7a e ap\u00f3s ele temos o devir. Desta forma ele \u00e9 o primeiro fil\u00f3sofo a utilizar a especula\u00e7\u00e3o para fazer filosofia. Para fazer especula\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas ele utiliza a pesquisa e atrav\u00e9s da pesquisa busca alcan\u00e7ar clareza para os pressupostos da filosofia. A pr\u00f3pria natureza da filosofia imp\u00f5e que ela seja feita atrav\u00e9s da pesquisa e a especula\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria porque essa natureza gosta de se esconder. A natureza n\u00e3o entrega seus fundamentos de forma f\u00e1cil. Alcan\u00e7ar seus conhecimentos \u00e9 uma busca dif\u00edcil para os fil\u00f3sofos e imposs\u00edvel para a maioria dos homens. <\/p>\n<p>Os fil\u00f3sofos v\u00e3o al\u00e9m da esperteza demonstrada por alguns indiv\u00edduos que aparentam saber muitas coisas, mas n\u00e3o alcan\u00e7am a verdadeira intelig\u00eancia. A verdadeira intelig\u00eancia dos fil\u00f3sofos vai se dedicar a estudar os diversos objetos, mas buscando sempre coloc\u00e1-los em uma unidade. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do mundo o homem deve examinar a si pr\u00f3prio. Na pesquisa o fil\u00f3sofo pode encontrar diversas respostas diretas e claras a respeito do mundo. Mas ao pesquisar a si pr\u00f3prio o homem vai encontrar uma profundidade infinita de conhecimentos a serem descobertos. Quanto mais nos aprofundamos em n\u00f3s mesmos mais percebemos que somos mais profundos. Essa descoberta de n\u00f3s mesmos jamais termina. A raz\u00e3o \u00faltima do que sou vai sempre estar fora do meu alcance, quanto mais conhecimento tenho de mim mesmo mais percebo que tenho outros conhecimentos a conhecer sobre mim mesmo. Esse processo cada vez mais profundo e cada vez mais \u00edntimo de conhecer a mim mesmo n\u00e3o tem fim. <\/p>\n<p>Outro rumo que as pesquisas filos\u00f3ficas devem tomar, al\u00e9m do mundo e de si mesmo, \u00e9 tamb\u00e9m sobre a nossa rela\u00e7\u00e3o com os outros. Buscar a ess\u00eancia da nossa rela\u00e7\u00e3o com os outros \u00e9 mais um dos objetivos da filosofia, pois estamos ligados aos outros atrav\u00e9s de uma comunidade natural. O fil\u00f3sofo deve buscar a raz\u00e3o, a ess\u00eancia da natureza que nos liga a n\u00f3s mesmos, ao mundo e aos outros. Esta raz\u00e3o da natureza \u00e9 a lei que tudo regula, regula o homem, regula a rela\u00e7\u00e3o entre os homens e regula a natureza externa. Esta lei \u00e9 o ser do mundo e este ser \u00e9 que vai se revelar na pesquisa filos\u00f3fica. <\/p>\n<p>Ter essa atitude filos\u00f3fica \u00e9 para Her\u00e1clito uma op\u00e7\u00e3o constante que os homens t\u00eam que fazer. \u00c9 semelhante \u00e0 op\u00e7\u00e3o de estar acordado ou dormindo, entre fechar-se em si em seu pensamento e abrir-se \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o consigo mesmo, com os outros e com o mundo objetivo. Quem est\u00e1 dormindo se isola como indiv\u00edduo. Quem est\u00e1 acordado vai pesquisar al\u00e9m das apar\u00eancias e pode alcan\u00e7ar o mais profundo da pr\u00f3pria consci\u00eancia, da rela\u00e7\u00e3o com os outros e a ess\u00eancia da lei \u00fanica de todas as subst\u00e2ncias que coordena o mundo. Esta op\u00e7\u00e3o entre estar dormindo ou acordado para o mundo \u00e9 a op\u00e7\u00e3o que pode levar o homem \u00e0 esperteza ou \u00e0 sabedoria, ela determina tamb\u00e9m qual ser\u00e1 o car\u00e1ter do homem, que \u00e9 o que vai definir o seu destino. <\/p>\n<p>A pesquisa para Her\u00e1clito deve clarear e aprofundar o significado e tamb\u00e9m o seu contr\u00e1rio. O que fundamenta e cria tudo n\u00e3o \u00e9 uma unidade totalizante, mas nela coexistem e s\u00e3o necess\u00e1rios os contr\u00e1rios. Para entender o fundamento de tudo \u00e9 necess\u00e1rio juntar o completo e o incompleto. \u00c9 a uni\u00e3o dos opostos que vai gerar a unidade da mesma forma que da unidade v\u00e3o ser gerados os opostos. A diferen\u00e7a entre os opostos constitui um significado essencial e racional da pr\u00f3pria diferen\u00e7a. Com essas teorias ele funda tamb\u00e9m a dial\u00e9tica. <\/p>\n<p>Her\u00e1clito n\u00e3o percebe a unidade como harmonia, como sendo a s\u00edntese dos contr\u00e1rios, um ponto onde as diverg\u00eancias das oposi\u00e7\u00f5es se anulam. \u00c9 a unidade que permite a exist\u00eancia dos contr\u00e1rios. A diferen\u00e7a \u00e9 uma unidade porque \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel entre contr\u00e1rios. Se as diferen\u00e7as forem anuladas, anula-se tamb\u00e9m a unidade. Deus tamb\u00e9m \u00e9 identificado com essa rela\u00e7\u00e3o entre os contr\u00e1rios, entre os opostos, que apesar de mudarem constantemente continuam existindo e tem a capacidade de conter em si a unidade. <\/p>\n<p>Senten\u00e7as:<br \/>\n&#8211; N\u00e3o podemos entrar duas vezes no mesmo rio.<br \/>\n&#8211; A doen\u00e7a faz da sa\u00fade algo agrad\u00e1vel e bom.<br \/>\n&#8211; O Deus \u00e9 dia-noite, inverno-ver\u00e3o, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um.<br \/>\n&#8211; Os que procuram ouro escavam muita terra, mas encontram pouco metal.<br \/>\n&#8211; Procurei-me a mim mesmo.<br \/>\n&#8211; Tu n\u00e3o encontrar\u00e1s os confins da alma, caminhes o quanto caminhares, t\u00e3o profunda \u00e9 ela.<br \/>\n&#8211; Este mundo, que \u00e9 o mesmo para todos, n\u00e3o foi criado por qualquer dos deuses ou dos homens, mas foi sempre, \u00e9 e ser\u00e1 fogo eternamente vivo que ordenadamente se acende e regularmente se extingue.<br \/>\n&#8211; Se n\u00e3o esperares, n\u00e3o ir\u00e1s achar o inesperado, porque ele n\u00e3o se pode achar e \u00e9 inacess\u00edvel.<br \/>\n&#8211; \u00c9 necess\u00e1rio seguir o que \u00e9 comum a todos porque o que \u00e9 comum \u00e9 geral.<br \/>\n&#8211; S\u00e3o iguais, os vivos e os mortos, os que est\u00e3o acordados e os que dormem, os jovens e os velhos: porque cada um destes opostos quando se transformam tornam-se o anterior.<br \/>\n&#8211; A luta \u00e9 a regra do mundo e a guerra \u00e9 que cria todas as coisas.<\/p>\n<p> [*] &#8211; Her\u00e1clito era de \u00c9feso, na atual Turquia. Ele pertenceu \u00e0 nobreza pois sua fam\u00edlia era descendente do fundador da cidade. Pode ser que por esse motivo ele desprezava o povo simples e nunca interferiu na pol\u00edtica. Desprezou tamb\u00e9m os antigos poetas, os fil\u00f3sofos de sua \u00e9poca e a religi\u00e3o. <\/p>\n<p>Arildo Luiz Marconatto &#8211; www.sofilosofia.com.br\n<\/p><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Her\u00e1clito (540 &#8211; 470 a.C.) [*] Era contempor\u00e2neo de Parm\u00eanides. \u00c9 conhecido pelos seus escritos n\u00e3o muito claros, especialmente em sua obra Acerca da Natureza onde aparecem diversas senten\u00e7as breves em forma de prosa. 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