{"id":1120,"date":"2015-01-20T11:10:49","date_gmt":"2015-01-20T13:10:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=1120"},"modified":"2015-05-08T20:22:54","modified_gmt":"2015-05-08T22:22:54","slug":"a-doutrina-zen-da-nao-mente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-doutrina-zen-da-nao-mente\/","title":{"rendered":"A doutrina Zen da n\u00e3o mente"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-935\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07-300x214.jpg\" alt=\"07-07\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07-300x214.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07-1024x730.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07-420x300.jpg 420w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07.jpg 1442w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Shunya-symbol-2.jpg\" class=\"broken_link\"><br \/>\n<\/a>Para interpretar o esquema de pensamento concebido por Hui-Neng e sua escola, pode ser de utilidade seguinte interpreta\u00e7\u00e3o para os leitores n\u00e3o acostumados ao modo oriental de observar o mundo.<\/p>\n<p>O que chega em primeiro lugar na filosofia de Hui-Neng \u00e9 a id\u00e9ia da \u201cAuto-natureza\u201d. Porem a Auto-natureza, devo advertir ao leitor, n\u00e3o devemos concebe-la como algo da subst\u00e2ncia. N\u00e3o se trata do \u00faltimo res\u00edduo que fica depois de haver-se extra\u00eddo todo o relativo e convencional da no\u00e7\u00e3o de um ser individual. N\u00e3o se trata de um eu, nem da alma, nem do esp\u00edrito, tal como, comumente se considera. N\u00e3o \u00e9 algo pertencente a categoria alguma da compreens\u00e3o. N\u00e3o pertence a este mundo de relatividades. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a mais divina natureza que geralmente se atribui a Deus, ou ao Atman, ou a Brahma. N\u00e3o se pode descrever nem definir de modo algum, porem sem ela, tal como a vemos e usamos na vida cotidiana, o mundo se desmorona. Dizer que existe \u00e9 nega-la. \u00c9 algo estranho, por\u00e9m com o que se segue seu significado se tornar\u00e1 mais claro.<br \/>\nSegundo a terminologia tradicional do budismo, a auto-natureza \u00e9 a \u201cnatureza-Budha\u201d a qual estrutura o estado b\u00fadico; o Vazio absoluto, o \u201cShunyata\u201d, o \u201cTathata\u201d. Pode chamar-se Ser puro, segundo a terminologia filos\u00f3fica ocidental? Porquanto nada tenha a ver ainda com o mundo dualista de sujeito-objeto, por conveni\u00eancia o chamarei de Mente, com mai\u00fascula e tamb\u00e9m de Inconsciente. Como a fraseologia budista est\u00e1 saturada de termos psicol\u00f3gicos, e como a religi\u00e3o se relaciona principalmente com a filosofia da vida, estes termos, Mente e Inconsciente, se usam aqui como sin\u00f4nimos de Auto-natureza, por\u00e9m temos de ter o m\u00e1ximo cuidado de n\u00e3o confundi-los com os da psicologia emp\u00edrica.<br \/>\nNesta Auto-natureza, h\u00e1 um movimento, um despertar, e o Inconsciente se torna consciente de si mesmo. Este n\u00e3o \u00e9 o lugar em que se possa formular as perguntas \u201cPor que?\u201d nem \u201cComo?\u201d O despertar, movimento ou como queiram chamar, deve tomar-se como um fato que transcende a refuta\u00e7\u00e3o. Soa o sino e ou\u00e7o as vibra\u00e7\u00f5es transmitidas atrav\u00e9s do ar. \u00c9 um fato claro da percep\u00e7\u00e3o. Do mesmo modo, o surgimento da consci\u00eancia no Inconsciente \u00e9 um assunto da experi\u00eancia; nenhum mist\u00e9rio \u00e9 relacionado a isto. por\u00e9m, dito logicamente, h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o aparente que, uma vez iniciada, segue contradizendo-se eternamente. Seja o que for, agora temos um Inconsciente autoconsciente ou uma Mente autoreflexiva. Transformada dessa maneira, a Autonatureza se conhece como \u201cPrajna\u201d.<br \/>\nO \u201cPrajna\u201d, que \u00e9 o despertar da consci\u00eancia no Inconsciente funciona em dupla dire\u00e7\u00e3o. Uma aponta o Inconsciente e outra ao consciente. O \u201cPrajna\u201d orientado para o inconsciente \u00e9 o Prajna propriamente dito, enquanto o Prajna da consci\u00eancia passa a chamar-se mente porem com letra min\u00fascula. Desta mente surge um mundo dualista: sujeito e objeto, o eu interior e o mundo exterior, etc. Na Mente, portanto se distingue dois aspectos: a mente-Prajna da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o e a mente dualista. A mente do primeiro aspecto pertence a este mundo, porem ao estar ligada com o Prajna se encontra em comunica\u00e7\u00e3o direta com o Inconsciente, \u00e9 a Mente; enquanto a mente do segundo aspecto pertence totalmente a este mundo, se deleita com ele e se mistura com todas as suas multiplicidades.<br \/>\nA mente do segundo aspecto se chama, segundo Hui-Neng, \u201cpensamento\u201d. \u201cnen nien\u201d. Do ponto de vista relativo, a mente do primeiro aspecto pode designar-se \u201cn\u00e3o-mente\u201d para distingui-la, em contraposi\u00e7\u00e3o, \u00e0 mente do segundo aspecto. Como a \u00faltima pertence a este aspecto de nossa experi\u00eancia comum, a primeira \u00e9 transcendental e segundo os termos da filosofia Zen \u00e9 \u201caquilo-que-n\u00e3o-\u00e9-a-mente\u201d, ou \u201cn\u00e3o-mente\u201d, ou \u201cn\u00e3o-pensamento\u201d.<br \/>\nRepetindo: O \u201cPrajna\u201d \u00e9 uma espada de dois gumes, um lado corta o Inconsciente e o outro o consciente. O primeiro tamb\u00e9m se chama Mente, que corresponde \u00e0 \u201cn\u00e3o-mente\u201d.<\/p>\n<p>Com a interpreta\u00e7\u00e3o do pensamento Zen de Hui-Neng, auxiliado pela an\u00e1lise diagram\u00e1tica, vamos ler as seguintes defini\u00e7\u00f5es de \u201cwu-nien\u201d, \u201cn\u00e3o-pensamento\u201d ou \u201cn\u00e3o-mente\u201d extra\u00eddos do T\u2019an-ching, confiando que Hui-Neng ficar\u00e1 mais intelig\u00edvel, e com ele todos os mestres Zen.<br \/>\nHui-Neng define o \u201cwu-nien\u201d: \u201cTer pensamentos como se n\u00e3o os tivesse\u201d. [ou seria melhor: \u201cTer pensamentos e, contudo, n\u00e3o t\u00ea-los\u201d?] Isto evidentemente significa estar consciente do Inconsciente ou \u201cencontrar o Inconsciente na consci\u00eancia\u201d; isto pertence ao grau C acima do plano emp\u00edrico. Hui-Neng diz ainda sobre o \u201cwu-nien\u201d: \u201cEnfrentando todos os objetos circundantes, a mente permanece imaculada\u201d; vale dizer, n\u00e3o surgem pensamentos na mente. Com objetos circundantes se quer dizer um mundo de consci\u00eancias, e n\u00e3o manchar-se nele sinaliza ao Inconsciente, um estado onde nem os pensamentos nem a consci\u00eancia interferem com o funcionamento da Mente.<br \/>\nDiz ainda Hui-Neng:<br \/>\n\u201cQue \u00e9 \u201cwu-nien\u201d? [aus\u00eancia de pensamento] &#8211; Ver todas as coisas e contudo manter livre a mente da mancha do apego; isto \u00e9 a aus\u00eancia de pensamento\u201d.<br \/>\n\u201cQuem entende a id\u00e9ia de aus\u00eancia de pensamento tem um perfeito lugar de passagem no mundo das multiplicidades. Quem entende a id\u00e9ia da aus\u00eancia de pensamento v\u00ea o reino de todos os Budas e alcan\u00e7a a etapa do estado b\u00fadico\u201d.<br \/>\nNote-se com respeito ao diagrama, que o Inconsciente que se desenvolve por graus, por assim dizer, descendo at\u00e9 a mente emp\u00edrica, n\u00e3o tem nada a ver com nenhuma forma de grada\u00e7\u00e3o. Podemos imaginar que no Inconsciente h\u00e1 graus, no sentido de que s\u00e3o de diferentes naturezas, e que nos inferiores n\u00e3o h\u00e1 nada dos superiores. Isto n\u00e3o \u00e9 verdade, pois todos os Inconscientes est\u00e3o fundidos reciprocamente. Quando se capta integralmente um, se compreende todo o resto. Todos os Inconscientes s\u00e3o de um s\u00f3 sabor.<br \/>\nEnquanto a que significa o despertar do \u201cPrajna\u201d no sistema de Hui-Neng damos abaixo mais esclarecimentos:<br \/>\n\u201cQuando se desperta para o Prajna genu\u00edno e refletimos sua luz [na Autonatureza], desaparecem instantaneamente todos os falsos pensamentos. Quando se reconhece a Autonatureza, esta compreens\u00e3o conduz de imediato a etapa b\u00fadica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando o Prajna se reflete com sua luz e ilumina penetrantemente dentro e fora, reconheces tua pr\u00f3pria Mente. Quando tua pr\u00f3pria Mente \u00e9 reconhecida, h\u00e1 ent\u00e3o emancipa\u00e7\u00e3o. Quando tens emancipa\u00e7\u00e3o, isto significa que est\u00e1s no \u201cSamadhi\u201d do Prajna, o qual \u00e9 \u201cwu nien\u201d [aus\u00eancia de pensamento].<br \/>\n\u201cEssa Mente n\u00e3o \u00e9 outra que o Buda, e o Buda n\u00e3o \u00e9 outro que os seres. Quando \u00e9 os seres, esta Mente n\u00e3o demonstra decrescimento; quando \u00e9 o Buda, n\u00e3o demonstra incremento. Tenha somente uma intui\u00e7\u00e3o da Mente \u00danica, e saber\u00e1s que n\u00e3o h\u00e1 coisa alguma que possas reclamar como pr\u00f3pria. Este constitui o verdadeiro estado b\u00fadico.<\/p>\n<p>Trechos do Livro: THE ZEN DOCTRINE OF NO MIND &#8211; Daisetz Teitaro Suzuki\n<\/p><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para interpretar o esquema de pensamento concebido por Hui-Neng e sua escola, pode ser de utilidade seguinte interpreta\u00e7\u00e3o para os leitores n\u00e3o acostumados ao modo oriental de observar o mundo. 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