{"id":1124,"date":"2015-01-18T12:54:57","date_gmt":"2015-01-18T14:54:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=1124"},"modified":"2017-07-31T16:15:38","modified_gmt":"2017-07-31T18:15:38","slug":"1124","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/1124\/","title":{"rendered":"O vazio e a n\u00e3o-dualidade"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-147\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse-300x168.jpg\" alt=\"Eclipse\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse-300x168.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse-500x281.jpg 500w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse.jpg 853w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/strong>O VAZIO E A N\u00c3O-DUALIDADE<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>O Ser\/N\u00e3o-ser, Vazio\/N\u00e3o-dualidade<\/strong><br \/>\n<strong>Nas religi\u00f5es, na Ci\u00eancia e nas Filosofias.<\/strong><br \/>\n<em>Compilado e organizado por: Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso\/Karma Tenpa Dhargye<\/em><\/p>\n<p><strong>NAS\u00a0 RELIGI\u00d5ES<\/strong><br \/>\n<strong>HINDUISMO:<\/strong><br \/>\n<strong>ISHA UPANISHAD<\/strong><br \/>\n<strong>1) &#8211; BRAHMAN\u00a0<\/strong><strong>&#8211; A UNIDADE<\/strong><strong> : <\/strong>Unidade de Deus e o Mundo\u00a0\u00a0 [versos 4-5] O senhor e o mundo, ainda quando parecem distintos, n\u00e3o diferem na realidade um do outro, eles s\u00e3o um s\u00f3 Brahma.<\/p>\n<p><strong>O \u00daNICO IM\u00d3VEL<\/strong><\/p>\n<p>Brahma \u00e9 a \u00fanica realidade est\u00e1vel e eterna. \u00c9 Uno porque n\u00e3o h\u00e1 nada mais, dado que toda exist\u00eancia e n\u00e3o-exist\u00eancia se trata dele. \u00c9 est\u00e1vel e im\u00f3vel, porque movimento implica mudan\u00e7a no espa\u00e7o e mudan\u00e7a no tempo, e Ele, ao estar al\u00e9m do espa\u00e7o e do tempo, \u00e9 imut\u00e1vel. Possui eternamente em si tudo o que \u00e9, foi ou sempre ser\u00e1 e, portanto Ele n\u00e3o aumenta nem diminui. Esta al\u00e9m da causalidade e da relatividade e, portanto, em Seu ser n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a de rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>MAIS VELOZ QUE A MENTE<\/strong><\/p>\n<p>O mundo \u00e9 um movimento c\u00edclico <em>(samsara)<\/em> da exist\u00eancia divina no espa\u00e7o e no tempo. Sua lei e, em um sentido, seu objeto \u00e9 a progress\u00e3o; existe pelo movimento e se dissolver\u00e1 por cessa\u00e7\u00e3o de movimento. Mas a base deste movimento n\u00e3o \u00e9 material; \u00e9 a energia da consci\u00eancia ativa a qual, por seu movimento e multiplica\u00e7\u00e3o em diferentes princ\u00edpios [diferentes em apar\u00eancia, iguais em ess\u00eancia], cria oposi\u00e7\u00f5es de unidade e multiplicidade, divis\u00f5es de tempo e espa\u00e7o, rela\u00e7\u00f5es e agrupamentos de circunst\u00e2ncia e causalidade. Todas essas coisas s\u00e3o reais na consci\u00eancia, por\u00e9m, somente simb\u00f3licas do ser, como se o imaginado por uma mente criadora fosse verdadeira representa\u00e7\u00e3o de s\u00ed mesma, sem constituir-se em absolutamente real em compara\u00e7\u00e3o com ela mesma, ou real com um g\u00eanero diferente de realidade. Por\u00e9m a consci\u00eancia mental n\u00e3o \u00e9 o poder que cria o universo. Trata-se de algo infinitamente mais potente, veloz e livre de restri\u00e7\u00f5es que a mente. \u00c9 a pura e onipotente auto-sapi\u00eancia do Absoluto isenta de ataduras de qualquer lei da relatividade. As leis da relatividade, sustentadas pelos deuses, s\u00e3o suas cria\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias. Sua aparente eternidade \u00e9 somente dura\u00e7\u00e3o, incomensur\u00e1vel para n\u00f3s, do mundo que eles governam. S\u00e3o leis que regulam o movimento e a mudan\u00e7a, n\u00e3o leis que liguem o senhor ao movimento. Os deuses, portanto, s\u00e3o descritos como correndo em seu deslocamento. Mas o senhor est\u00e1 livre e n\u00e3o lhe afeta seu pr\u00f3prio movimento. A cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fazer, por\u00e9m chegar-a-ser em termos e formas de exist\u00eancia consciente. No vir-a-ser, cada indiv\u00edduo \u00e9 Brahma diversamente representado e entrando em diversas rela\u00e7\u00f5es com Aquele no rol da consci\u00eancia divina; no Ser, cada indiv\u00edduo \u00e9 todo Brahma. Brahma, como o Absoluto ou o Universal, tem o poder de colocar-se atr\u00e1s de S\u00ed Mesmo narelatividade. (multiplicidade) (&#8230;) O indiv\u00edduo pode at\u00e9 se considerar como eternamente diferente do Uno, ou se quiser, eternamente uno com Ele, por\u00e9m ainda diferente, ou pode, em sua consci\u00eancia, voltar inteiramente \u00e0 pura Identidade. Por\u00e9m nunca pode considerar-se como independente de certo g\u00eanero de Unidade, pois tal parecer corresponderia a uma verdade inconceb\u00edvel no universo ou al\u00e9m dele. (&#8230;) Essa coexist\u00eancia, dif\u00edcil de conceber para o intelecto l\u00f3gico, pode experimentar-se mediante a identifica\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia com Brahma. Inclusive ao afirmar a Unidade, devemos recordar que Brahma est\u00e1 al\u00e9m de nossas diferencia\u00e7\u00f5es mentais e se trata de um fato que n\u00e3o condiz com o pensamento que discrimina, sen\u00e3o com o Ser que \u00e9 Absoluto, Infinito, e que escapa a nossa discrimina\u00e7\u00e3o. Nossa consci\u00eancia \u00e9 representativa e simb\u00f3lica; n\u00e3o pode conceber a coisa-em-si-mesma, o Absoluto, a n\u00e3o ser por nega\u00e7\u00e3o, em uma esp\u00e9cie de Vazio, esvaziando de tudo quanto pare\u00e7a conter o Universo, e tudo o que est\u00e1 aqui no espa\u00e7o\/tempo e al\u00e9m do espa\u00e7o\/tempo. A id\u00e9ia de uma meta final no movimento da Natureza mesma \u00e9 ilus\u00f3ria. Pois Brahma \u00e9 Absoluto e Infinito. Nada, dentro das apar\u00eancias do universo, pode ser inteiramente Brahma enquanto consci\u00eancia relativa; tudo \u00e9 somente uma representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do Incognosc\u00edvel. <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Todas as coisas j\u00e1 se realizaram em Brahma<\/strong><strong>.<\/strong><\/p>\n<p>(&#8230;) A vis\u00e3o humana ou ego\u00edsta \u00e9 a de um mundo de inumer\u00e1veis criaturas separadas, cada uma auto-existente e diferente das demais, cada uma procurando lograr o m\u00e1ximo proveito poss\u00edvel dos demais e do mundo, por\u00e9m a vis\u00e3o divina, o modo como \u201cDeus v\u00ea\u201d o mundo, \u00e9 Ele mesmo, como Ser \u00fanico, que vive inumer\u00e1veis exist\u00eancias que s\u00e3o Ele mesmo.(&#8230;) O ser individual tem de mudar a vis\u00e3o humana e ego\u00edsta pela divina, suprema e universal, e viver nessa realiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, ter o conhecimento da unidade, na equa\u00e7\u00e3o, EU SOU ELE <em>(So ham),<\/em> e nesse conhecimento estender a exist\u00eancia consciente de si de modo tal que abarque toda a multiplicidade. Este \u00e9 o ideal duplo ou sint\u00e9tico do <em>Isha Upanishad<\/em><em>;<\/em> abarcar simultaneamente <em>Vidya<\/em> e <em>Avidya<\/em>, o Um e os Muitos; existir no mundo, por\u00e9m mudar os termos da morte pelos termos da imortalidade; ter a liberdade e a paz do N\u00e3o-Nascimento simultaneamente com a atividade do Nascimento. (versos 9-14) \u201cIsha Upanishad\u201c &#8211; Ed. Kier &#8211; Sri Aurobindo \u00a0 <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>TAOISMO:<\/strong> <strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>TAO TE KING<\/strong> <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1)<\/strong> <strong>\u00a0<\/strong><strong>O Tao que pode ser pronunciado<\/strong> <strong><em>n\u00e3o \u00e9 o Tao eterno.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O nome que pode ser proferido<\/em><\/strong> <strong><em>n\u00e3o \u00e9 o Nome eterno.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Ao princ\u00edpio do C\u00e9u e da Terra\u00a0 chamo\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>N\u00c3O-SER.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A m\u00e3e dos seres individuais chamo SER<\/em><\/strong><\/p>\n<h3><strong><i>DIRIGIR-SE<\/i><i> \u00a0<\/i><em>para o N\u00e3o-Ser\u00a0 leva<\/em><\/strong><\/h3>\n<p><strong><em>\u00e0 contempla\u00e7\u00e3o da maravilhosa Ess\u00eancia;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>dirigir-se para o Ser leva <\/em><\/strong> <strong><em>\u00e0 contempla\u00e7\u00e3o das limita\u00e7\u00f5es espaciais.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Pela origem,\u00a0 AMBOS S\u00c3O UMA COISA S\u00d3,<\/em><\/strong> <strong><em>Diferindo apenas\u00a0 no nome.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Em sua Unidade, esse Um \u00e9 mist\u00e9rio.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O mist\u00e9rio dos mist\u00e9rios<\/em><\/strong> <strong><em>\u00e9 o portal por onde entram as maravilhas. <\/em><\/strong> <strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Pode se designar com o nome de \u201cn\u00e3o-ser\u201d ao mundo da ess\u00eancia e com o nome de \u201cser\u201d, ao mundo dos fen\u00f4menos. O \u201cn\u00e3o-ser\u201d \u00e9 ent\u00e3o, o princ\u00edpio do C\u00e9u e da Terra; o \u201cSer\u201d, a origem de todos os Entes. Por isso, concentrando-nos sobre o \u201cn\u00e3o-ser\u201d, contemplamos os segredos da ess\u00eancia e, concentrando-nos sobre o \u201cser\u201d, contemplamos a apar\u00eancia externa, espacial, das coisas. N\u00e3o se deve, no entanto, pensar que se trata de um mundo duplo, de um aqu\u00e9m e de um al\u00e9m. Ao contr\u00e1rio, a diferen\u00e7a reside apenas no nome. O nome de um \u00e9 \u201cser\u201d; o outro \u00e9 \u201cn\u00e3o-ser\u201d. Mas, apesar da diferen\u00e7a dos nomes, trata-se de um \u00fanico e mesmo fato: o obscuro segredo de cuja profundeza brotam todos os milagres<sup>1<\/sup>. Quando o intelecto se defronta com o Vazio ele chega ao seu limite. Da\u00ed em diante a linguagem l\u00f3gica, os conceitos, julgamentos de valor, n\u00e3o poder\u00e3o mais ser usados. Para exprimir o inexprim\u00edvel teremos de recorrer ent\u00e3o \u00e0s par\u00e1bolas, contradi\u00e7\u00f5es, e aos paradoxos. O Vazio, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 somente o limite do pensamento humano, \u00e9 tamb\u00e9m a porta para o transcendental.<\/p>\n<p><sup>[1] &#8211; TAO &#8211; TE\u00a0 KING &#8211; Lao-Tzu &#8211; Trad. Richard Wilhelm [pag. 135]<\/sup><\/p>\n<p><strong>BUDISMO<\/strong><\/p>\n<p><strong>MAHA-PRAJNA-PARAMITA<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A MAIS ALTA E PERFEITA SABEDORIA<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Assim, eu ouvi. Certa vez, o Aben\u00e7oado, juntamente com v\u00e1rios dos maiores <em>Bodhysattvas<\/em> e um grande n\u00famero de <em>bhikhus<\/em>, se encontravam em Rajagriha, no monte Gridhrakuta. O Aben\u00e7oado estava absorvido no <em>samadhi<\/em> e o nobre Avalokitesvara meditava sobre o profundo <em>Prajna-Paramita<\/em>. O vener\u00e1vel Sariputra, influenciado pelo Aben\u00e7oado, absorvido no <em>samadhi,<\/em> perguntou ao nobre <em>Bodhysattva<\/em> Avalokitesvara: &#8211; Se um homem ou uma mulher quisesse estudar o <em>Prajna-Paramita<\/em>, como podia faz\u00ea-lo? O nobre Avalokitesvara respondeu: &#8211; Deve o homem ou a mulher primeiramente se livrar de todas as suas id\u00e9ias egoc\u00eantricas. Dever\u00e1 refletir: \u201cPersonalidade? O que \u00e9 personalidade? Ser\u00e1 uma entidade permanente ou ser\u00e1 feita de subst\u00e2ncias impermanentes que desaparecem?\u201d. A personalidade \u00e9 composta dos cinco agregados do apego: A forma, a sensa\u00e7\u00e3o, a percep\u00e7\u00e3o, as forma\u00e7\u00f5es mentais e a consci\u00eancia, que s\u00e3o, por natureza, desprovidas de natureza pr\u00f3pria. <strong><em>A forma<\/em><\/strong> \u00e9 vazia de qualquer subst\u00e2ncia pr\u00f3pria e o vazio n\u00e3o \u00e9 diferente da forma; na realidade, a forma \u00e9 o vazio. <strong><em>A sensa\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> \u00e9 vazia de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria, o vazio n\u00e3o \u00e9 diferente da sensa\u00e7\u00e3o, nem a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente do vazio; na realidade, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 o vazio <strong><em>A percep\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> tamb\u00e9m \u00e9 vazia de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria, o vazio n\u00e3o \u00e9 diferente da percep\u00e7\u00e3o, nem a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente do vazio; na verdade, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 o vazio. <strong><em>As forma\u00e7\u00f5es mentais\u00a0<\/em><\/strong>tamb\u00e9m s\u00e3o vazias de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria, o vazio n\u00e3o \u00e9 diferente das forma\u00e7\u00f5es mentais, nem forma\u00e7\u00f5es mentais s\u00e3o diferente do vazio; na verdade, as forma\u00e7\u00f5es mentais s\u00e3o vazias. <strong><em>A consci\u00eancia\u00a0<\/em><\/strong>tamb\u00e9m \u00e9 vazia de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria, o vazio n\u00e3o \u00e9 diferente da consci\u00eancia, nem a consci\u00eancia \u00e9 diferente do vazio; portanto na verdade, a consci\u00eancia \u00e9 vazia. Assim sendo, Sariputra, todas as coisas que t\u00eam\u00a0 a natureza do vazio n\u00e3o t\u00eam nem princ\u00edpio nem fim. Eles n\u00e3o s\u00e3o culpados, nem sem culpa; eles n\u00e3o s\u00e3o perfeitos nem imperfeitos. No vazio n\u00e3o h\u00e1 forma, nem sensa\u00e7\u00e3o, nem percep\u00e7\u00e3o, nem consci\u00eancia. Na realidade n\u00e3o h\u00e1 olhos, nem ouvidos, nem nariz, nem l\u00edngua, nem sensibilidade do contato, nem mente. N\u00e3o h\u00e1 vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, olfato, gusta\u00e7\u00e3o, tato, nem processos mentais, nem objetos desses processos mentais, nem conhecimento, (consci\u00eancia) nem ignor\u00e2ncia. N\u00e3o h\u00e1 destrui\u00e7\u00e3o dos objetos ou cessa\u00e7\u00e3o do conhecimento, nem cessa\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia. [n\u00e3o h\u00e1 subst\u00e2ncia pr\u00f3pria] Na Realidade [Absoluto] n\u00e3o existem as Quatro Nobres Verdades: n\u00e3o h\u00e1 Dor, nem causa da Dor, nem cessa\u00e7\u00e3o da Dor, nem Nobre Caminho que leva \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o da Dor. N\u00e3o h\u00e1\u00a0 decad\u00eancia ou morte, nem destrui\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de decad\u00eancia e morte. N\u00e3o h\u00e1 o conhecimento do Nirvana, n\u00e3o h\u00e1 obten\u00e7\u00e3o do Nirvana, nem n\u00e3o-obten\u00e7\u00e3o do <em>Nirvana<\/em>. Porque n\u00e3o h\u00e1 obten\u00e7\u00e3o do <em>Nirvana<\/em><em>?<\/em> Porque o <em>Nirvana<\/em> \u00e9 o dom\u00ednio do \u201cn\u00e3o-pensar\u201d. Se o ego ou a personalidade fosse uma entidade permanente, n\u00e3o se poderia alcan\u00e7ar o <em>Nirvana<\/em>. Somente porque a personalidade \u00e9 constitu\u00edda de elementos impermanentes que se desintegram, essa personalidade pode alcan\u00e7ar o <em>Nirvana<\/em>. Enquanto o homem estiver \u00e0 procura da mais alta e perfeita Sabedoria, ele estar\u00e1 ainda habitando o dom\u00ednio da consci\u00eancia objetiva. No mais profundo <em>Samadhi<\/em>, tendo transcendido a consci\u00eancia objetiva, ele tamb\u00e9m ultrapassa a discrimina\u00e7\u00e3o e o conhecimento; transcendendo as garras do medo, \u201cele\u201d j\u00e1 estar\u00e1 se deliciando no <em>Nirvana<\/em>. A perfeita compreens\u00e3o e a paciente aceita\u00e7\u00e3o disso \u00e9 a mais alta e perfeita Sabedoria \u2013 <em>Prajna-Paramita<\/em>. Todos os Budhas do passado, presente e futuro, tendo alcan\u00e7ado o mais alto <em>Samadhi,<\/em> se encontram na realiza\u00e7\u00e3o da Suprema Sabedoria. Assim sendo, Sariputra, todos deveriam procurar a auto-realiza\u00e7\u00e3o da Suprema Sabedoria &#8211; <em>Prajna-Paramita<\/em>, da Verdade Transcendental, que realiza o fim de todos os sofrimentos, a Verdade que \u00e9 eternamente verdadeira. \u00d3 <em>Prajna-Paramita<\/em>! Verdade Transcendental que se estende ao agitado oceano da vida e morte, leva contigo em seguran\u00e7a todos os teus seguidores para a outra margem, para a Ilumina\u00e7\u00e3o. Ou\u00e7am o <em>mantra<\/em>, o Grande Misterioso <em>Mantra<\/em><em>:<\/em>\u00a0 \u201cV\u00e1, v\u00e1 em seguran\u00e7a \u00e0 outra margem, \u00f3 <em>Prajna-Paramita<\/em>! Que assim seja!\u201d <strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Tadyata Om Gate, Gate, Parasamgate, Bodhi, SOha<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Segundo Nagarjuna, o vazio (s\u00e2nsc<em>. shunya<\/em><em>)<\/em> \u00e9 a aus\u00eancia de uma ess\u00eancia [pr\u00f3pria], de uma exist\u00eancia inerente (s\u00e2nsc. <em>svabhava<\/em>). A aus\u00eancia de uma ess\u00eancia n\u00e3o significa que os fen\u00f4menos n\u00e3o existam, e sim que eles s\u00e3o destitu\u00eddos de \u201cexist\u00eancia pr\u00f3pria\u201d, de uma \u201cnatureza pr\u00f3pria\u201d, e que eles \u201cexistem\u201d apenas em depend\u00eancia de causas, partes e condi\u00e7\u00f5es (origina\u00e7\u00e3o dependente ou <em>pratitya samutpada<\/em>). O <em>nirvana<\/em> (incondicionado) e o <em>samsara<\/em> (condicionado) seriam igualmente vazios. O surgimento interdependente dos fen\u00f4menos \u00e9 a vacuidade e vice-versa. \u00c9 como olhar os dois lados de uma mesma moeda. O vazio de exist\u00eancia por si mesmo [exist\u00eancia inerente] significa que o mundo que alucinamos, cheio de objetos e pessoas independentes e permanentes, n\u00e3o existe. Isso n\u00e3o quer dizer, por\u00e9m, que nada existe e que podemos ficar hist\u00e9ricos ou explodir de energia nervosa. Essa \u00e9, normalmente, a rea\u00e7\u00e3o exagerada que temos quando nossa mente toca pela primeira vez o espa\u00e7o absoluto, mas ainda n\u00e3o compreende ou n\u00e3o aceita essa realidade. O que existe s\u00e3o coisas, pessoas e objetos surgidos interdependentemente, transformando-se e funcionando momento ap\u00f3s momento segundo a lei do <em>karma<\/em>. A lei do <em>karma<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma coisa m\u00edstica, mas uma an\u00e1lise precisa da transmuta\u00e7\u00e3o da energia e dos fen\u00f4menos, que parece ter alguma semelhan\u00e7a com as leis de conserva\u00e7\u00e3o da energia da f\u00edsica moderna.<\/p>\n<p><sup>(T.Y.S. Lama Gangchen, Ngelso)<\/sup><\/p>\n<p>Pelo enfoque da Escola da Vis\u00e3o do Caminho do Meio, a Escola <em>Madhyamaka<\/em>, n\u00e3o h\u00e1 qualquer apego a qualquer conceito sobre a natureza absoluta, essencial. Em nenhuma experi\u00eancia dos agregados h\u00e1 algo verdadeiramente real. Se examinarmos a natureza b\u00e1sica da realidade, n\u00e3o encontraremos nada que constitua a sua ess\u00eancia, mas isto n\u00e3o implica num mero nada. A falta de uma realidade palp\u00e1vel, n\u00e3o obstante, permite a express\u00e3o cont\u00ednua de todos os tipos de experi\u00eancias. Ao investigarmos a Natureza \u00daltima, descobrimos que n\u00e3o h\u00e1 qualquer caracter\u00edstica fundamental, realidade essencial, palp\u00e1vel, ou qualquer realidade verdadeira, absoluta, o que significa que todas as coisas s\u00e3o \u201cvazias\u201d. No entanto, a Vacuidade n\u00e3o \u00e9 distingu\u00edvel da apar\u00eancia dos fen\u00f4menos que experimentamos. Os fen\u00f4menos n\u00e3o s\u00e3o separ\u00e1veis da Natureza Fundamental e, assim, nossa experi\u00eancia b\u00e1sica do mundo \u00e9, na verdade, t\u00e3o somente a \u201cVacuidade Fundamental\u201d, ou a falta de Realidade \u00daltima de todas as coisas [Formas da vacuidade]. Desta forma, a \u201cVerdade Relativa\u201d (sobre o modo como as apar\u00eancias e experi\u00eancias funcionam) e a \u201cVerdade Absoluta\u201d (sobre a natureza fundamentalmente vazia e sem realidade constat\u00e1vel nas coisas) s\u00e3o insepar\u00e1veis, n\u00e3o s\u00e3o duas coisas diferentes, mas um todo integrado.\u00a0 [Os fen\u00f4menos s\u00e3o o vazio, e o vazio s\u00e3o os fen\u00f4menos. O vazio e as formas se interpenetram] Este \u00e9 o ponto de vista b\u00e1sico da Escola <em>Madhyamaka<\/em> conforme explicado pelo S\u00e1bio Nagarjuna e \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o do verdadeiro ponto de vista de um Iluminado sobre a Realidade. H\u00e1 v\u00e1rias maneiras de se alcan\u00e7ar este ponto de vista: atingindo-o por est\u00e1gios, entendendo-o todo de uma s\u00f3 vez, reconhecendo-o por meio de met\u00e1foras, etc. Meramente descrevi aqui, em termos gerais, qual \u00e9 a natureza deste ponto de vista.\u00a0 [&#8230;]<\/p>\n<p>Segundo a perspectiva da <em>Madhymaka<\/em>, a verdade do sofrimento, a verdade da fonte do sofrimento, bem como dos atos de comer, de dormir e de praticar quaisquer atividades corriqueiras mundanas, s\u00e3o todos igualmente desprovidos de qualquer realidade intr\u00ednseca. Ocorrem atrav\u00e9s de surgimentos condicionados sem possu\u00edrem qualquer Realidade Fundamental, seja l\u00e1 qual for. Somente em assim sendo o caso, pode o mundo tal qual o experimentamos surgir, j\u00e1 que se existisse alguma Realidade Fundamental relativa a este mundo, ou, se a Vacuidade fosse algo completamente diferente da nossa experi\u00eancia usual, n\u00e3o haveria nenhuma maneira pela qual qualquer experi\u00eancia pudesse ter ocorrido inicialmente. A Vacuidade Fundamental n\u00e3o \u00e9 isolada de nossa experi\u00eancia corriqueira, nem \u00e9 em hip\u00f3tese alguma divorciada das Quatro Nobres Verdades e do Caminho da Liberta\u00e7\u00e3o do Sofrimento. Agora, todas estas formas de surgimento condicionado, conforme demonstramos por meio das Quatro Per\u00edcias da Madhyamaka \u2013 O Pequeno Diamante, etc. \u2013 n\u00e3o possuem nenhuma Realidade Absoluta. N\u00e3o obstante, surgem como se verdadeiramente l\u00e1 estivessem, exatamente como o elefante, em nosso sonho, parece realmente l\u00e1 estar. Mas, se examinarmos as condi\u00e7\u00f5es do mundo, se examinarmos de que forma aparecem, se examinarmos como produzem frui\u00e7\u00e3o, e procurarmos pela Qualidade Essencial, constataremos que, de qualquer um destes pontos de vista, as coisas n\u00e3o possuem nenhuma realidade intr\u00ednseca \u2013 tudo ocorre devido a determinadas causas e condi\u00e7\u00f5es. Este ponto de vista \u00e9 desenvolvido em maiores detalhes por Nagarjuna no <em>Prajna Nama Mula Madhyamaka Karika<\/em>. Da mesma forma como uma pessoa trancada em uma pris\u00e3o n\u00e3o tem nenhum jeito de escapar exceto se abrir a porta, tamb\u00e9m n\u00f3s, que ca\u00edmos sob os dom\u00ednios do sofrimento, n\u00e3o temos como nos livrar exceto atrav\u00e9s da compreens\u00e3o, atrav\u00e9s do reconhecimento da Natureza Fundamental da Realidade: a Vacuidade. O reconhecimento da Natureza Fundamental da Realidade \u00e9 por vezes chamado de \u201cOs Tr\u00eas Fatores Libertadores\u201d, quais sejam:<\/p>\n<p><strong>(1)<\/strong> \u2013 <em>Que nenhuma fonte real pode jamais ser descoberta;<\/em> <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>(2) <\/strong>\u2013<em>Que as condi\u00e7\u00f5es resultantes n\u00e3o tem nenhuma natureza verdadeira intr\u00ednseca; e,<\/em><\/p>\n<p><strong>(3)<\/strong> \u2013 <em>O reconhecimento da qualidade essencial vazia de todas as apar\u00eancias.<\/em><\/p>\n<p>Pela apreens\u00e3o da verdade destes tr\u00eas fatores, podemos alcan\u00e7ar a compreens\u00e3o e podemos nos libertar do <em>samsara<\/em>. Esta vis\u00e3o suprema da Vacuidade une, invisivelmente, a Verdade Relativa e a Verdade Absoluta. Quer dizer, a Vacuidade apontada pela Escola <em>Madhyamaka<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma nulidade em branco, n\u00e3o \u00e9 uma mera aus\u00eancia de qualidades, muito embora, em uma an\u00e1lise final, ela seja indescrit\u00edvel. A Vacuidade \u00e9 uma potencialidade total na medida em que d\u00e1 vaz\u00e3o a todos os surgimentos e a todas as apar\u00eancias que ocorrem aos seres sensoriais. \u00c9 a vis\u00e3o integrada dos n\u00edveis convencional e \u00faltimo que precisa ser obtida a fim de se alcan\u00e7ar a Realiza\u00e7\u00e3o. Este campo supremo de Vis\u00e3o Interior, o <em>Dharmadhatu<\/em>, ou Espa\u00e7o B\u00e1sico de todos os <em>Dharmas<\/em>, \u00e9 freq\u00fcentemente apontado como sendo a M\u00e3e de Todos os <em>Budhas<\/em> e <em>Bodhisatvas<\/em>, pois exatamente como uma m\u00e3e d\u00e1 nascimento \u00e0s crian\u00e7as, igualmente a Vis\u00e3o Interior da Natureza Fundamental produz todos os seres iluminados do passado, do presente e do futuro. A Natureza Fundamental da Vacuidade e Apar\u00eancia Integrais \u00e9 similar, muito parecida, como o interior de um espa\u00e7o vazio e, embora tenhamos tentado descrev\u00ea-la nos ensinamentos precedentes, \u00e9 basicamente indescrit\u00edvel no que toca a impossibilidade de predicados (ou de constru\u00e7\u00f5es conceituais) serem a ela aplicados: transcende a todas as afirma\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas. Se permanecermos na consci\u00eancia meditativa com respeito a esta Sabedoria N\u00e3o-Discriminativa, al\u00e9m de qualquer poss\u00edvel concep\u00e7\u00e3o e, saindo de nossa medita\u00e7\u00e3o, reconhecermos todos os <em>dharmas<\/em> como sendo ilus\u00f5es, sonhos, ou reflex\u00f5es, os quais aparecem, mas n\u00e3o possuem nenhuma realidade fundamental, desenvolveremos confian\u00e7a na Vis\u00e3o Reta, a Natureza Integral das Duas Verdades. Tal \u00e9 a grande ferramenta do conhecimento transcendente, a Perfei\u00e7\u00e3o da Sabedoria, o <em>Prajna-Paramita<\/em>.<\/p>\n<p><sup>\u201cA Porta Aberta para a Vacuidade\u201d &#8211; Kenchen Thrangu Rinpoche &#8211; Ed. <\/sup><sup>Bodigaya<\/sup> M. Eckhart cita Sto. Agostinho:<\/p>\n<p>\u201cA alma tem uma porta celestial para penetrar na natureza divina, onde algumas coisas s\u00e3o reduzidas ao vazio\u201d. Evidentemente temos de esperar que a porta celestial se abra ante as nossas repetidas batidas ou incessantes pancadas, quando se \u00e9 \u201cignorante no saber\u201d, \u201cinsens\u00edvel no amor\u201d, \u201cescuro na luz\u201d. Tudo vem dessa experi\u00eancia fundamental, e somente quando ela \u00e9 compreendida \u00e9 que penetramos no reino do vazio onde a divindade mant\u00e9m nossas mentes discriminat\u00f3rias\u00a0 inteiramente \u201creduzidas ao vazio\u201d. <sup>2<\/sup> Para entrar em contato com essa \u201cfonte\u201d e saber o que ela \u00e9, (para ver minha pr\u00f3pria face antes mesmo que eu tenha nascido), tenho de mergulhar no \u201cGrande Vazio do Tao Absoluto\u201d.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>[2,3] &#8211; M\u00edstica Crist\u00e3 e Budista &#8211; Suzuki O que pensam os crist\u00e3os de \u201co divino n\u00facleo de absoluta quietude\u201d ou de \u201co simples n\u00facleo que \u00e9 o deserto tranq\u00fcilo em que n\u00e3o se insinuam quaisquer distin\u00e7\u00f5es\u201d?\u00a0 M. Eckart est\u00e1 de perfeito acordo com a doutrina budista do <em>Shunyata<\/em>, [VAZIO], quando sustenta a id\u00e9ia da divindade como \u201cpuro nada\u201d, <em>[ein bloss niht].<\/em> <sup>4<\/sup> Realmente, o que foi criado n\u00e3o tem realidade; \u201cTodas as criaturas s\u00e3o puro vazio\u201d, todas as coisas foram feitas por ele e, sem ele, nada do que foi feito, se fez. [Jo\u00e3o, 1,3] O imperador Wu era um bom estudante da filosofia budista e desejava que o primeiro princ\u00edpio fosse elucidado por Bodhidarma o grande mestre vindo da \u00cdndia. O primeiro princ\u00edpio consiste na identidade do Ser e do N\u00e3o-ser, al\u00e9m da qual os fil\u00f3sofos n\u00e3o podem ir. O imperador imaginou se esse bloqueio n\u00e3o poderia, de algum modo, ser rompido por Bodhidarma. Da\u00ed sua pergunta. Bodhidarma sabia que qualquer resposta que desse seria decepcionante. Ent\u00e3o respondeu as quest\u00f5es; \u201cQue \u00e9 a Realidade? Que \u00e9 a Divindade?\u201d\u00a0 \u201cA vasta Vacuidade, sem nada Santo dentro dela\u201d. [4,5] &#8211; M\u00edstica Crist\u00e3 e Budista- Suzuki Uma passagem do <em>\u201cPrajnaparamita-Hridaya-Sutra\u201d<\/em> bastante impregnada da id\u00e9ia de <em>\u201cShunyata\u201d.<\/em> \u201cAssim \u00f3 Shariputra, todas as coisas t\u00eam o car\u00e1ter do vazio\u201d. \u00c0 pergunta \u201ccomo pode o iniv\u00edduo estar sempre com Budha?\u201d. Obteve a seguinte resposta de um mestre Zen: \u201cN\u00e3o tenhais perturba\u00e7\u00f5es na mente. Sede perfeitamente sereno com rela\u00e7\u00e3o ao mundo objetivo. Permanecer assim todo o tempo, num vazio absoluto e calmo, \u00e9 o caminho para a uni\u00e3o com Budha<sup>7<\/sup>\u201d.<\/p>\n<p><sup>\u00a0[6,7] &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o ao Zen Budismo &#8211; Suzuki<\/sup><\/p>\n<p><strong>PRODUZIR O VAZIO<\/strong><\/p>\n<p>No Tao\u00edsmo o trabalho integral para consumar a ess\u00eancia e a vida se encontra inclu\u00eddo na express\u00e3o \u201cPRODUZIR O VAZIO\u201d. Encontrar o elixir espiritual, para passar da morte \u00e0 vida. Em que consiste este elixir espiritual? Significa: Permanecer sempre sem finalidade. O segredo profundo do \u201cbanho\u201d, que \u00e9 o mais profundo do nosso ensinamento, \u00e9 limitado desse modo ao trabalho de fazer VAZIO O CORA\u00c7\u00c3O. Com isso se tranq\u00fciliza o cora\u00e7\u00e3o. O que aqui revelei com palavras \u00e9 fruto de muito trabalho. Vamos esclarecer a tr\u00edplice concentra\u00e7\u00e3o budista sobre o VAZIO, ilus\u00e3o, e centro. Das tr\u00eas contempla\u00e7\u00f5es vem como primeira o VAZIO. Se observarmos todas as coisas como vazias, logo segue a ilus\u00e3o. Embora se saiba que s\u00e3o vazias, n\u00e3o as destru\u00edmos mas continuamos nossos afazeres no meio do vazio. Por\u00e9m se as coisas n\u00e3o s\u00e3o destru\u00eddas por n\u00f3s, tampouco\u00a0 damos valor a elas: isto \u00e9 a contempla\u00e7\u00e3o do centro. Enquanto se pratica a contempla\u00e7\u00e3o do vazio, sabemos que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel destruir as in\u00fameras coisas, e, no entanto n\u00e3o as tomamos em considera\u00e7\u00e3o. Desta maneira coincidem as tr\u00eas contempla\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m finalmente a for\u00e7a repousa na contempla\u00e7\u00e3o do VAZIO. Portanto quando praticamos a contempla\u00e7\u00e3o do VAZIO, o vazio esta seguramente vazio, por\u00e9m tamb\u00e9m a ilus\u00e3o \u00e9 vazia e o centro \u00e9 vazio. \u00c9 necess\u00e1ria uma grande for\u00e7a para praticar a contempla\u00e7\u00e3o da ilus\u00e3o, por\u00e9m tamb\u00e9m o vazio \u00e9 ilus\u00e3o e o centro \u00e9 tamb\u00e9m ilus\u00e3o. No caminho do centro criamos imagens do vazio, por\u00e9m n\u00e3o a denominamos vazias, mas de centrais. Praticamos tamb\u00e9m a contempla\u00e7\u00e3o da ilus\u00e3o, por\u00e9m n\u00e3o a chamamos de central. E quanto ao que concerne ao centro, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de falar mais<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p><sup>\u00a0[8]- O SEGREDO DA FLOR DE OURO &#8211;\u00a0\u00a0 C. G. Jung e R. Wilhelm<\/sup><\/p>\n<p><strong>A VACUIDADE TRANSCENDE AS DUALIDADES<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<em>Nirvana<\/em>\u201d \u00e9 outra denomina\u00e7\u00e3o de Vacuidade. A express\u00e3o vacuidade, pode ser mal interpretada, por diversos motivos. <strong>1 : \u00a0<\/strong>A lebre e o coelho n\u00e3o t\u00eam chifres, a tartaruga n\u00e3o tem pelos. Isso \u00e9 uma forma de vacuidade. <strong>O \u201cShunyata\u201d budista n\u00e3o significa aus\u00eancia<\/strong> <strong>2 : \u00a0\u00a0<\/strong>Um fogo estava aceso at\u00e9 agora e j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1. Eis uma nova forma de vacuidade.<strong> O \u201cShunyata\u201d budista n\u00e3o significa extin\u00e7\u00e3o.<\/strong> <strong>3 : \u00a0\u00a0<\/strong>A parede cerca o aposento: deste lado h\u00e1 uma mesa e do outro n\u00e3o h\u00e1 coisa alguma, o espa\u00e7o est\u00e1 desocupado.<strong> O \u201cShunyata\u201d budista n\u00e3o significa lacuna<\/strong>. Aus\u00eancia, extin\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o constituem a concep\u00e7\u00e3o budista de vacuidade. A vacuidade n\u00e3o est\u00e1 no plano da relatividade. \u00c9 a Vacuidade Absoluta, que transcende todas as formas de rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua, de sujeito e objeto, de nascimento e morte, de Deus e do mundo, de alguma coisa e nada, de sim e n\u00e3o, de afirma\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o. Na Vacuidade n\u00e3o existe tempo, nem espa\u00e7o, nem tornar-se, nem n\u00e3o ser. Ela \u00e9 o que faz todas as coisas poss\u00edveis; \u00e9 o zero pleno de infinitas possibilidades, \u00e9 o v\u00e1cuo de conte\u00fado inesgot\u00e1vel.<sup>9<\/sup><\/p>\n<p>[9] &#8211; M\u00cdSTICA CRIST\u00c3 E BUDISTA &#8211; Suzuki <strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>C\u00e9u e terra tem a mesma raiz.<\/em><\/strong> <strong><em>Tudo \u00e9 Um.<\/em><\/strong> <strong><em>A forma vis\u00edvel das coisas n\u00e3o \u00e9 diferente do vazio,<\/em><\/strong> <strong><em>que \u00e9 sua natureza essencial.<\/em><\/strong> <strong><em>Um \u201csatori\u201d fraco \u00e9 aquele em que o mundo do vazio<\/em><\/strong> <strong><em>\u00e9 ainda visto como diferente do mundo da forma.<\/em><\/strong> <strong><em>Sua m\u00fatua interpenetra\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi percebida.<\/em><\/strong> <strong><em>A mente \u00e9 a verdadeira natureza das coisas.<\/em><\/strong> <strong><em>Buda \u00e9 Mente.<\/em><\/strong> <strong><em>A Mente n\u00e3o est\u00e1 no interior, nem no exterior,<\/em><\/strong> <strong><em>nem entre os dois.<\/em><\/strong> <strong><em>N\u00e3o \u00e9 o Ser ou o N\u00e3o-Ser, o nada ou o n\u00e3o-nada.<\/em><\/strong> <strong><em>Portanto \u00e9 chamada a Mente sem morada.<\/em><\/strong> <strong><em>A Mente transcende todas as formas,<\/em><\/strong> <strong><em>mas \u00e9 insepar\u00e1vel delas.<\/em><\/strong> <strong><em>Qual \u00e9 a subst\u00e2ncia desse Buda ou Natureza-Dharma?<\/em><\/strong> <strong><em>No Budismo se chama \u201cShunya\u201d (Vazio).<\/em><\/strong> <strong><em>Ora, o \u201cShunya\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas o esvaziamento.<\/em><\/strong> <strong><em>\u00c9 aquilo que esta vivendo, din\u00e2mico, carente de volume, n\u00e3o fixo, para al\u00e9m da individualidade <\/em><\/strong> <strong><em>ou personalidade. \u00a0A<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0Matriz de todo o fen\u00f4meno.<\/em><\/strong> <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Temos aqui o princ\u00edpio fundamental, a Doutrina, ou a Filosofia Budista.\u00a0 Com a experi\u00eancia da ilumina\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a fonte de toda doutrina budista, percebemos o mundo de <em>\u201cshunyata\u201d.<\/em> Este mundo n\u00e3o fixo, carente de conte\u00fado, para al\u00e9m da realidade ou da personalidade [existe fora do dom\u00ednio da imagina\u00e7\u00e3o]. De acordo com isso, a verdadeira subst\u00e2ncia das coisas, isto \u00e9, sua <em>Natureza-Budha<\/em> ou <em>\u201cDharma\u201d,<\/em> \u00e9 inconceb\u00edvel e inescrut\u00e1vel. Uma vez que tudo que \u00e9 imagin\u00e1vel compartilha da forma e da cor, seja o que for que se imagine ser a <em>Natureza-Buda<\/em> dever\u00e1 necessariamente ser irreal. A mente do ego, e a Mente C\u00f3smica s\u00e3o dois lados da mesma Realidade. Quando se compreende a verdadeira natureza do Universo sabe-se que n\u00e3o existe realidade nem objetiva nem subjetiva. Nesse mesmo instante estruturas \u201c<em>k\u00e1rmicas<\/em><em>\u201d<\/em> que carregariam voc\u00ea ao mais profundo dos infernos s\u00e3o apagadas. Esta verdadeira natureza \u00e9 a raiz e subst\u00e2ncia de todo ser sens\u00edvel. O homem custa a se convencer que sua pr\u00f3pria mente \u00e9 a Grandiosa Integridade compreendida por Budha, por isso se apega as formas superficiais e olha para a verdade fora de sua mente, lutando para ser um Budha, atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas. O que busca e n\u00e3o encontra ainda, est\u00e1 amarrado por suas ilus\u00f5es dos dois mundos: um da perfei\u00e7\u00e3o que esta al\u00e9m, de paz sem luta, de alegria sem fim; outro o mundo do cotidiano do sofrimento e do mal, sem sentido, com o qual vale muito pouco a pena se relacionar. Secretamente ele deseja o primeiro, mesmo porque abertamente despreza o \u00faltimo. Entretanto,\u00a0 hesita em mergulhar no fecundo Vazio, no abismo de sua pr\u00f3pria Natureza-Original, porque, na sua\u00a0 mais profunda inconsci\u00eancia, receia abandonar seu mundo familiar de dualismo pelo mundo desconhecido da Unidade, de cuja realidade ainda duvida. Neste mundo h\u00e1 incont\u00e1veis objetos e cada um \u00e9, respectivamente, o mundo inteiro. Quando algu\u00e9m chega a compreender esse fato, percebe que cada objeto, cada ser vivo \u00e9 o todo, mesmo\u00a0 que ele pr\u00f3prio n\u00e3o\u00a0 compreenda.<\/p>\n<p><strong><em>Se compreendermos o corpo de Budha,<\/em><\/strong> <strong><em>N\u00e3o existe mais nada.<\/em><\/strong> <strong><em>Fonte original,<\/em><\/strong> <strong><em>Nossa pr\u00f3pria natureza<\/em><\/strong> <strong><em>\u00c9 o puro e verdadeiro Budha.<\/em><\/strong> <strong><em>\u00a0<\/em><\/strong> <em>\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Esse verso do <em>Sutra Shodoka<\/em>, \u201cO canto do <em>Satori <\/em>imediato\u201d, de Yoka Da\u00efshi, significa que, se compreendemos a realidade, se obtivermos a realiza\u00e7\u00e3o completa, nosso corpo torna-se Budha. Tornar-se Budha significa receber e apreender a vida C\u00f3smica. Temos de compreender que nosso corpo e o Cosmos n\u00e3o est\u00e3o separados; eles formam uma unidade. A ess\u00eancia do <em>sutra<\/em> do <em>Hannya Shingyo<\/em> <em>(Prajna Paramita)<\/em> \u00e9:<\/p>\n<p><strong><em>Os fen\u00f4menos n\u00e3o s\u00e3o diferentes do vazio,<\/em><\/strong> <strong><em>o vazio n\u00e3o \u00e9 diferente dos fen\u00f4menos <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><sup>10<\/sup><\/strong><strong>.<\/strong> <strong>\u00a0<\/strong>(A ess\u00eancia e os fen\u00f4menos se interpenetram)<\/p>\n<p>[10] &#8211; SHODOKA &#8211; \u201cO CANTO DO IMEDIATO SATORI\u201d de Yoka Da\u00efshi &#8211; Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Ta\u00efsen Deshimaru. <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>ZERO = INFINITO<\/strong><\/p>\n<p>O \u201c<em>Prajna<\/em><em>\u201d<\/em> n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ado quando algu\u00e9m atinge o mais profundo centro interno do \u201cpr\u00f3prio\u201d ser. N\u00e3o consiste na \u201cperman\u00eancia\u201d em um ponto m\u00edstico secreto do \u201cpr\u00f3prio\u201d ser, mas perman\u00eancia em parte alguma em particular, no ser ou fora dele. N\u00e3o consiste na auto-realiza\u00e7\u00e3o como afirma\u00e7\u00e3o do \u201cpr\u00f3prio\u201d ser limitado, ou no gozo da \u201cpr\u00f3pria\u201d ess\u00eancia espiritual interna, mas ao contr\u00e1rio \u00e9 isenta da necessidade de auto-afirma\u00e7\u00e3o e auto-realiza\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie. Numa palavra, <em>Prajna<\/em> n\u00e3o \u00e9 auto-realiza\u00e7\u00e3o, mas realiza\u00e7\u00e3o pura e simples al\u00e9m do sujeito e do objeto. Evidentemente, numa realiza\u00e7\u00e3o desse tipo a \u201cVacuidade\u201d j\u00e1 n\u00e3o mais se op\u00f5e \u00e0 \u201cPlenitude\u201d, porque Vacuidade e Plenitude s\u00e3o UM. O Zero \u00e9 igual ao Infinito. Onde existe \u201calguma coisa\u201d, um objeto definido ou limitado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel existir a \u201cPlenitude\u201d. Mais uma vez, a \u201cVacuidade\u201d de todas as formas limitadas \u00e9 a plenitude do \u201cUM\u201d: entretanto, o UM jamais deve ser encarado como uma forma isolada. Para evitar essa tenta\u00e7\u00e3o, os mestres Zen sempre se referem a Vacuidade<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<p><sup>[11]\u00a0 &#8211; Trechos do Livro THE ZEN DOCTRINE OF NO MIND\u00a0\u00a0 <\/sup> <sup>&#8211;\u00a0\u00a0 Daisetz Teitaro Suzuki<\/sup><\/p>\n<p><strong>NA CI\u00caNCIA MODERNA<\/strong> <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>BUDISMO, CI\u00caNCIA E TECNOLOGIA,<\/strong> <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Novo ve\u00edculo de Sabedoria<\/strong> <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Todas os fen\u00f4menos dos mundos externo e interno, com exce\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o natural e da vacuidade, existem na imperman\u00eancia. Das maiores cadeias de montanhas, estrelas e gal\u00e1xias \u00e0 corrente interna de energia de vida dos seres humanos com suas emo\u00e7\u00f5es e pensamentos sempre em muta\u00e7\u00e3o, tudo est\u00e1 continuamente se desintegrando momento a momento e se transformando em outra manifesta\u00e7\u00e3o de vida e de energia elemental. A dan\u00e7a c\u00f3smica da cria\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o, nos n\u00edveis grosseiro, sutil e muito sutil, segue o ritmo c\u00f3smico fundamental e a melodia do carma, da vacuidade e do surgimento interdependente dos fen\u00f4menos. Em minha opini\u00e3o, os yogues t\u00e2ntricos antigos e modernos, os mahasiddhas, santos, fil\u00f3sofos tibetanos (gueshes) e outros Seres Sagrados que pesquisam o mundo interior e os f\u00edsicos do s\u00e9culo XX, que investigam o mundo externo, independentemente uns dos outros, descobriram a verdade da vacuidade e da interdepend\u00eancia dos fen\u00f4menos. \u00c9 claro, que da perspectiva budista, tudo isso \u00e9 criado pela mente. Acreditamos que a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica interna da mente sutil e da energia, realizada por muitas gera\u00e7\u00f5es de yogues, santos e grandes meditadores, \u00e9 muito mais profunda e poderosa que a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do n\u00edvel grosseiro, realizada por nossa gera\u00e7\u00e3o atual. Entretanto, ambos parecem estar tocando a mesma realidade a partir de \u00e2ngulos diferentes e em diferentes n\u00edveis, Os cientistas est\u00e3o tocando a vacuidade e o surgimento interdependente dos fen\u00f4menos do ponto de vista objetivo, no n\u00edvel grosseiro, baseados nos objetos manifestos e no que pode ser registrado pelas m\u00e1quinas e conceitualmente formulado pela matem\u00e1tica. Os mahasiddhas e grandes meditadores tocam a vacuidade diretamente, subjetivamente e sem conceitos, nos n\u00edveis sutil e muito sutil, baseados em sua experi\u00eancia pessoal da dissolu\u00e7\u00e3o de seus elementos, ventos e consci\u00eancia, resultado de terem aprendido a cuidar de seus canais, ventos e gotas. Ambos est\u00e3o tocando a vacuidade e o surgimento interdependente dos fen\u00f4menos utilizando as estruturas de suas pr\u00f3prias metodologias cient\u00edficas. Os <em>yogues <\/em>budistas afirmam o seguinte:<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os fen\u00f4menos f\u00edsicos e mentais s\u00e3o vazios de exist\u00eancia em si mesmos, pois todos os fen\u00f4menos s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es de nossa mente nos n\u00edveis grosseiro, sutil e muito sutil, e o criador supremo do universo fenom\u00eanico \u00e9 nossa mente muito sutil de clara luz.<\/li>\n<li>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todos os fen\u00f4menos se manifestam interdependentemente e funcionam devido ao <em>karma<\/em> (a lei de causa e efeito). Podemos examinar n\u00edveis diferentes de surgimento interdependente dos fen\u00f4menos, desde o mais grosseiro (as coisas dependem de suas partes, causas e condi\u00e7\u00f5es) at\u00e9 a interdepend\u00eancia no n\u00edvel muito sutil, quando percebemos que nosso \u201crotular\u201d mental dos fen\u00f4menos \u00e9 o verdadeiro ato de cria\u00e7\u00e3o que os traz \u00e0 realidade.<\/li>\n<li>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O macrocosmo \u00e9 um reflexo do microcosmo e vice-versa.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Conforme posso entender, as id\u00e9ias defendidas pelos cientistas s\u00e3o as seguintes:<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nenhum fen\u00f4meno do mundo material existe de forma concreta substancial ou independente como normalmente aparentam. Verificando o interior dos \u00e1tomos, n\u00e3o encontramos nada al\u00e9m de espa\u00e7o e energia em movimento.<\/li>\n<li>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todos os fen\u00f4menos materiais est\u00e3o se desintegrando e se transformando momento a momento, no n\u00edvel sutil, de acordo com uma precisa lei de conserva\u00e7\u00e3o da energia, segundo a qual, a energia nunca pode ser perdida no universo e, assim, se transforma continuamente em novas formas.<\/li>\n<li>Todos os fen\u00f4menos do macrocosmo e do microcosmo s\u00e3o uma grande rede interdependente, O macrocosmo reflete-se no microcosmo tal como os campos eletromagn\u00e9ticos de nossos corpos.<\/li>\n<li>Alguns pesquisadores da f\u00edsica qu\u00e2ntica afirmam que o universo material n\u00e3o pode ser entendido sem uma refer\u00eancia \u00e0 consci\u00eancia humana e que, de alguma forma, a mente est\u00e1 ajudando a criar os fen\u00f4menos materiais.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em minha opini\u00e3o, a vis\u00e3o dos yogues budistas est\u00e1 muito pr\u00f3xima da vis\u00e3o dos f\u00edsicos de hoje. Talvez suas explica\u00e7\u00f5es sejam exatamente as mesmas, ou talvez, muito pouco diferentes. Mesmo n\u00e3o podendo ter certeza sobre isso, n\u00e3o h\u00e1 como negar que os f\u00edsicos de hoje podem virtualmente concordar com a vis\u00e3o budista da realidade. Por isso, muitos cientistas est\u00e3o come\u00e7ando a se interessar por aspectos espec\u00edficos do budismo tibetano, e tamb\u00e9m por outras tradi\u00e7\u00f5es espirituais antigas, como o hindu\u00edsmo e o tao\u00edsmo. Os cientistas est\u00e3o iniciando um di\u00e1logo com os yogues budistas porque o budismo pesquisou por completo a rela\u00e7\u00e3o mente-mat\u00e9ria, os n\u00edveis sutil e muito sutil de consci\u00eancia e os cinco elementos. Se os cientistas tivessem acesso a esse n\u00edvel sutil subjetivo e objetivo da realidade, n\u00e3o precisariam comunicar-se com os Lamas. Isso n\u00e3o significa que os cientistas precisam tornar-se budistas. Os Lamas modernos como eu desejam apenas oferecer a ess\u00eancia da pr\u00e1tica e da filosofia Prajnaparamita, Pramana, Abhidharmakosha, do Tantra e outros m\u00e9todos aos cientistas, para que eles os utilizem como lhes parecer mais adequado. Sua Santidade o Dalai Lama est\u00e1 pedindo \u00e0 gera\u00e7\u00e3o atual de Lamas que mostrem a qualidade da investiga\u00e7\u00e3o budista ao mundo. Hoje em dia, quase tudo j\u00e1 foi examinado e pesquisado. As \u00fanicas coisas interessantes que ainda n\u00e3o foram pesquisadas por completo s\u00e3o as mensagens das antigas culturas de sabedoria, como o budismo tibetano. Precisamos fazer uma ponte entre a maravilhosa pesquisa dos cientistas modernos e a maravilhosa investiga\u00e7\u00e3o dos lamas, yogues e mahasiddhas. Eu gostaria de organizar uma s\u00e9rie de confer\u00eancias sobre isso e publicar os resultados para poder apresentar com clareza as boas novas dos cientistas e yogues ao mundo. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que os cientistas entendam tudo sobre o budismo ou que os budistas entendam tudo sobre a ci\u00eancia. Precisamos apenas explorar conjuntamente as \u00e1reas de interesse comum e fazer uma ponte, iniciar o di\u00e1logo e a comunica\u00e7\u00e3o. Essa troca \u00e9 muito importante pois, no pr\u00f3ximo s\u00e9culo, todos n\u00f3s estaremos ligados \u00e0 ci\u00eancia ou \u00e0 tecnologia, mas ainda estaremos procurando respostas profundas para o \u201csentido da vida e da realidade\u201d. Se voc\u00ea est\u00e1 interessado em pesquisar o solo comum entre o budismo e a ci\u00eancia, por favor, considere as seguintes cita\u00e7\u00f5es de uma sele\u00e7\u00e3o dos mais influentes cientistas do mundo interno e externo dos \u00faltimos dois mil e quinhentos anos como ponto de partida para sua reflex\u00e3o. Por favor, n\u00e3o se sinta desencorajado ou impaciente ao ler suas palavras. \u00c9 natural que os cientistas, em seu trabalho de investiga\u00e7\u00e3o da realidade, usem seus termos cient\u00edficos pr\u00f3prios para explicar suas descobertas. Mesmo n\u00e3o conhecendo o significado de algumas destas palavras, \u00e9 poss\u00edvel ter algum sentimento sobre as verdades que eles est\u00e3o tentando revelar. Precisamos sentir e entender que essas duas correntes de vis\u00e3o e resultados experimentais possuem ambas a capacidade de desvelar algo da natureza fundamental do universo. Embora os cientistas do mundo interno e externo se expressem de formas diferentes, sinto que existe certamente uma rela\u00e7\u00e3o entre suas vis\u00f5es de mundo e, se fosse poss\u00edvel sintetiz\u00e1-las, isso seria de grande benef\u00edcio para a sociedade, tanto em termos do desenvolvimento da ci\u00eancia e da tecnologia, quanto para o desenvolvimento da paz interior e da paz no mundo.<\/p>\n<p><strong>A<\/strong> <strong>VACUIDADE<\/strong> <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O bodisatva Avalokitesvara disse no Sutra da Ess\u00eancia da Perfei\u00e7\u00e3o da Sabedoria, h\u00e1 dois mil e quinhentos anos:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cForma \u00e9 Vacuidade, Vacuidade \u00e9 Forma<\/em><\/strong> <strong><em>Vacuidade n\u00e3o \u00e9 outra coisa que forma. Forma tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 outra coisa que vacuidade\u201d.<\/em><\/strong> <strong><em>\u201cAssim, os sentimentos, a discrimina\u00e7\u00e3o e os fatores composicionais s\u00e3o vazios. Portanto&#8230; na vacuidade n\u00e3o h\u00e1 corpo existente por si mesmo, sentimento existente por si mesmo, consci\u00eancia existente por si mesma. N\u00e3o h\u00e1 forma existente por si mesma, som existente por si mesmo, cheiro existente por si mesmo, gosto existente por si mesmo, objetos t\u00e1teis existentes por si mesmos, fen\u00f4menos mentais existentes por si mesmos\u201d.<\/em><\/strong> <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Tchandrakirti, um famoso <em>mahasiddha <\/em>indiano do s\u00e9culo IV, fil\u00f3sofo e cientista interno, disse em seu coment\u00e1rio das quatrocentas estrofes de Aryadeva: <em>\u201cQue as coisas existam por si mesmas significa que as coisas n\u00e3o s\u00e3o dependentes de outros fatores para sua exist\u00eancia. Mas porque as coisas realmente dependem de outros fatores, n\u00e3o pode haver exist\u00eancia por si mesma\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Robert Oppenheimer, o f\u00edsico que desenvolveu a bomba de hidrog\u00eanio para os americanos durante a Segunda Guerra Mundial, afirmou: <em>\u201cSe perguntarmos, por exemplo, se a posi\u00e7\u00e3o do el\u00e9tron permanece a mesma, devemos responder que n\u00e3o; se perguntarmos se a posi\u00e7\u00e3o do el\u00e9tron muda com o tempo, devemos responder que n\u00e3o; se perguntarmos se ele est\u00e1 em movimento, devemos responder que n\u00e3o.<\/em> <em>Buda deu as mesmas respostas quando interrogado sobre as condi\u00e7\u00f5es do \u2018eu\u2019 do homem ap\u00f3s a morte. Mas essas n\u00e3o s\u00e3o respostas familiares \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do s\u00e9culo XVII ou XVIII\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Thomas Stapp disse em seu relat\u00f3rio para a comiss\u00e3o de energia at\u00f4mica dos Estados Unidos: <em>\u201cCom certeza n\u00e3o existe um mundo f\u00edsico substancial\u201d<\/em> <em>\u00a0<\/em>Heisenberg comentou a descoberta da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica com as seguintes palavras: <em>\u201cFoi como se nos tirassem o ch\u00e3o. N\u00e3o havia mais nenhuma funda\u00e7\u00e3o firme sobre a qual se pudesse construir algo\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Niels Bohr, o pai da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica ganhador do Pr\u00eamio Nobel, afirmou: <em>\u201cA mec\u00e2nica qu\u00e2ntica imp\u00f5e a necessidade de uma ren\u00fancia definitiva \u00e0s id\u00e9ias cl\u00e1ssicas de causalidade, assim como uma revis\u00e3o radical de nossa atitude em rela\u00e7\u00e3o ao problema da realidade f\u00edsica\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>A INTERDEPEND\u00caNCIA<\/strong> <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Na ci\u00eancia interna budista, temos a imagem de uma rede feita de j\u00f3ias cobrindo o telhado do pal\u00e1cio de Indra, na qual cada j\u00f3ia reflete a rede e o pal\u00e1cio inteiros. Lama Tsong Khapa, um famoso budista tibetano, cientista interno e fil\u00f3sofo do s\u00e9culo XIV, fundador da escola Guelupa, afirmou: <em>\u201cA Rainha das Raz\u00f5es, a Interdepend\u00eancia dos Fen\u00f4menos, mostra que \u201ctodas as coisas carecem de exist\u00eancia por si mesmas, pois s\u00e3o<\/em><em>fen\u00f4menos dependentemente relacionados\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>E em seu texto <em>Os Tr\u00eas Principais Aspectos do Caminho, <\/em>ele diz: <em>\u201cQuem enxergar a rela\u00e7\u00e3o causa-efeito completamente n\u00e3o ilus\u00f3ria de todos os fen\u00f4menos do samsara e do Nirvana e destruir todas as percep\u00e7\u00f5es dualistas enganosas entrar\u00e1 no caminho que satisfaz os conquistadores\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Pantchen Tchoekyi Gyaltsen, um famoso budista tibetano do s\u00e9culo XVI, cientista interno e detentor da linhagem de Lama Tsong Khapa, afirmou em seu texto <em>Lama Tchoepa:<\/em> <em>\u00a0<\/em><em>\u201cN\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o, mas sim harmonia, entre a aus\u00eancia de um \u00fanico \u00e1tomo existente por si mesmo no samsara e no Nirvana e a rela\u00e7\u00e3o dependente n\u00e3o ilus\u00f3ria entre causa e efeito.\u201d<\/em> <em>\u00a0<\/em>Niels Bohr, o f\u00edsico dinamarqu\u00eas do s\u00e9culo XIX ganhador do Pr\u00eamio Nobel, afirmou: <em>\u201cAs part\u00edculas materiais isoladas s\u00e3o abstra\u00e7\u00f5es, sendo suas propriedades defin\u00edveis e observ\u00e1veis apenas por meio da intera\u00e7\u00e3o com outros sistemas\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Thomas Stapp, um famoso f\u00edsico americano do s\u00e9culo XX, afirmou em um relat\u00f3rio patrocinado pela Comiss\u00e3o Norte-\u00adAmericana de Energia At\u00f4mica: <em>\u201cO mundo f\u00edsico n\u00e3o \u00e9 uma estrutura constru\u00edda a partir de entidades n\u00e3o analis\u00e1veis existentes independentes umas das outras, mas sim uma rede ele rela\u00e7\u00f5es entre elementos cujos significados surgem totalmente a partir de suas rela\u00e7\u00f5es com o todo\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>e <em>\u00a0<\/em><em>\u201cUma part\u00edcula elementar n\u00e3o \u00e9 uma entidade n\u00e3o-analis\u00e1vel que existe independente de outras, mas sim um conjunto de rela\u00e7\u00f5es que se estendem a outras coisas\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h1><strong>A RELA\u00c7\u00c3O ENTRE O MACROCOSMO E O MICROCOSMO<\/strong><\/h1>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O Tantra de Kalachakra diz: <em>\u201cAssim como \u00e9 no mundo externo, tamb\u00e9m \u00e9 no mundo interno\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Segundo Bohm, um famoso f\u00edsico do s\u00e9culo XX: <em>\u201cAs partes s\u00e3o vistas como estando em conex\u00e3o imediata, na qual suas rela\u00e7\u00f5es din\u00e2micas dependem irredutivelmente do estado do sistema<\/em><em>como um todo e do todo do universo. Somos, portanto, levados <\/em>\u00e0 <em>nova no\u00e7\u00e3o de uma totalidade sem quebras, que nega a ideia cl\u00e1ssica da possibilidade de se analisar o mundo em partes separadas e existentes independentemente umas das outras\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h2><strong>A MENTE EST\u00c1 CRIANDO A REALIDADE MATERIAL<\/strong><\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Uma das conclus\u00f5es da f\u00edsica qu\u00e2ntica \u00e9a de que os fen\u00f4menos s\u00e3o trazidos \u00e0 <strong>exist\u00eancia <\/strong>pelo nosso ato mental que os rotula ou os nomeia, por exemplo, \u201cgato vivo ou gato morto\u201d. Segundo essa teoria, talvez os fen\u00f4menos n\u00e3o existam sen\u00e3o como qualifica\u00e7\u00f5es mentais. Isso \u00e9o mesmo que os s\u00e1bios budistas v\u00eam dizendo h\u00e1 s\u00e9culos. Estas s\u00e3o as palavras de Saraha, um mahasiddha indiano do s\u00e9culo X: <em>\u201cApenas a mente \u00e9 a semente de todas as realidades, de onde se originamso samsara e o Nirvana\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Segundo James Jeans, um grande f\u00edsico americano do s\u00e9culo XX: <em>\u201cO curso do conhecimento est\u00e1 se movendo em dire\u00e7\u00e3o a uma realidade n\u00e3o mec\u00e2nica. O universo come\u00e7a a se parecer mais como um grande pensamento do que com uma grande m\u00e1quina\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Fritzof Capra, um f\u00edsico americano do s\u00e9culo XX, afirmou: \u201cA <em>abordagem \u2018bootstrap\u2019 abre a possibilidade in\u00e9dita de sermos for\u00e7ados a incluir explicitamente o estudo da consci\u00eancia humana nas futuras teorias da mat\u00e9ria.\u201d<\/em> <em>\u00a0<\/em>E Evan Walker, um f\u00edsico americano do s\u00e9culo XX, disse: <em>\u201cA consci\u00eancia pode ser associada a todos os processos da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Wolfgang Pauli, um f\u00edsico ganhador do Pr\u00eamio Nobel: <em>\u201cA partir de um centro interno, a psique parece mover-se para fora no sentido de uma extrovers\u00e3o no interior do mundo f\u00edsico\u201d.<\/em> <em>\u00a0<\/em>Eugene Wigner, um f\u00edsico americano do s\u00e9culo XX: <em>\u201cN\u00e3o foi poss\u00edvel formular as leis da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica de uma forma completamente consistente sem referir-se \u00e0 consci\u00eancia\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em><sup>NGELSO \u2013 AUTOCURA III \u2013 T.Y.S. Lama Gangchen Tulku Rimpoche<\/sup><\/em><\/p>\n<p>\u201cToda a neurofisiologia, escreveu o Prof. P. Chauchard, repousa sobre a atividade psico-qu\u00edmica do sistema nervoso. A atividade nervosa \u00e9 uma verdadeira sociologia neur\u00f4nica de onde emerge o indiv\u00edduo superior\u201d. Os fen\u00f4menos da consci\u00eancia s\u00e3o n\u00e3o somente ligados a transforma\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas, mas n\u00e3o se limitam somente a interven\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios espec\u00edficos. Assim escreve o Prof. Pierre Rylant: \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, como mostrou claramente Sherrington, limitar a consci\u00eancia a interven\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios espec\u00edficos\u201d. Uma certa forma de consci\u00eancia se acha intimamente ligada a energia formando a ess\u00eancia de toda materialidade. \u00c9 de se supor que os caracteres de surgimento e de renova\u00e7\u00e3o onde se encontram marcados os mais altos estados de consci\u00eancia espiritual est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o processo de cria\u00e7\u00e3o constante que se persegue nas profundezas do mundo at\u00f4mico. Assim se exprime P. Jordan: \u201cA cada instante, h\u00e1 qualquer coisa de totalmente nova no interior de cada \u00e1tomo\u201d.<\/p>\n<p><sup>\u201cLe Zen\u201d \u2013 de Robert Linssen \u2013 Ed. <\/sup><sup>Marabout Universit\u00e9<\/sup><\/p>\n<p>Matthieu Ricard: \u2013 Quando fala da \u2018vacuidade\u2019 dos fen\u00f4menos, o budismo diz que estes \u2018aparecem\u2019, mas n\u00e3o refletem absolutamente a exist\u00eancia de entidades fixas. A f\u00edsica moderna nos diz que um el\u00e9tron, por exemplo, pode ser considerado uma part\u00edcula ou uma onda, duas no\u00e7\u00f5es completamente incompat\u00edveis, segundo o senso comum. Certos fen\u00f4menos de interfer\u00eancia causados por el\u00e9trons s\u00f3 podem ser explicados supondo-se que um el\u00e9tron passe no mesmo instante por dois buracos diferentes. Segundo o budismo, os \u00e1tomos n\u00e3o podem ser considerados como entidades fixas, existentes sob um modo \u00fanico e determinado; por conseguinte, como o mundo da manifesta\u00e7\u00e3o grosseira, que supostamente \u00e9 composto dessas part\u00edculas, teria uma realidade fixa? Tudo isso contribui para destruir nossa no\u00e7\u00e3o de solidez das apar\u00eancias. \u00c9 nesse sentido que o budismo afirma que a natureza \u00faltima dos fen\u00f4menos \u00e9 vacuidade, e que essa vacuidade traz em si um potencial infinito de manifesta\u00e7\u00f5es. <em>\u00a0<\/em>[&#8230;]. Fala-se de part\u00edculas que \u2018n\u00e3o tem partes\u2019, que n\u00e3o podem ser subdivididas. Ou seja, o componente \u00faltimo da mat\u00e9ria. Consideremos agora uma dessas part\u00edculas indivis\u00edveis, concebida como uma entidade aut\u00f4noma. Como poderia ela se associar com outras part\u00edculas para constituir a mat\u00e9ria? Se essas part\u00edculas se tocarem, o oeste de uma part\u00edcula, por exemplo, tocar\u00e1 o leste da outra. Mas se t\u00eam dire\u00e7\u00f5es, elas podem ser novamente divididas e ent\u00e3o perdem seu car\u00e1ter \u2018indivis\u00edvel\u2019. Se n\u00e3o tem nem lados nem dire\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o se assemelham a um ponto matem\u00e1tico \u2013 sem dimens\u00e3o, espessura ou subst\u00e2ncia. Se tentarmos juntar duas part\u00edculas sem dimens\u00e3o, ou elas n\u00e3o se tocam e n\u00e3o podem se juntar, ou entram em contato e, ao fazerem isso, se confundem. Assim, uma montanha de part\u00edculas indivis\u00edveis poderia se fundir em uma s\u00f3 dessas part\u00edculas! A conclus\u00e3o, portanto, \u00e9 que n\u00e3o podem existir part\u00edculas indivis\u00edveis, descont\u00ednuas, dotadas de uma exist\u00eancia intr\u00ednseca, que seriam os constituintes da mat\u00e9ria. Al\u00e9m disso, se um \u00e1tomo possui uma massa, uma dimens\u00e3o, uma carga etc., ser\u00e1 ele id\u00eantico ao conjunto de seus atributos? Existe fora de seus atributos? O \u00e1tomo n\u00e3o \u00e9 id\u00eantico a sua massa nem a sua dimens\u00e3o. Tampouco \u00e9 outra coisa al\u00e9m de sua massa e de sua dimens\u00e3o. O \u00e1tomo, portanto, tem um conjunto de caracter\u00edsticas, mas \u201dn\u00e3o \u00e9\u201d nenhuma delas. O \u00e1tomo, portanto, n\u00e3o passa de um conceito, uma etiqueta que n\u00e3o abarca uma entidade existente de modo independente e absoluto. Tem uma exist\u00eancia apenas convencional, relativa. [&#8230;] Ao demonstrar que n\u00e3o podem existir part\u00edculas indivis\u00edveis, o budismo n\u00e3o pretende dar conta de fen\u00f4menos f\u00edsicos, no sentido no qual a ci\u00eancia os entende hoje: ele procura quebrar o conceito<em> intelectual<\/em> da solidez do mundo fenomenal. Pois \u00e9 esse conceito que faz apegar-nos ao \u2018eu\u2019 e aos fen\u00f4menos; portanto, \u00e9 esse conceito a causa da dualidade entre o eu e o outro, exist\u00eancia e n\u00e3o-exist\u00eancia, apego e repulsa etc., \u00e9 a causa de todos os nossos tormentos. De qualquer modo, nesse particular o budismo vai ao encontro, intelectualmente falando, de certas vis\u00f5es da f\u00edsica contempor\u00e2nea e sua contribui\u00e7\u00e3o deveria ser inclu\u00edda na hist\u00f3ria das id\u00e9ias. Eu gostaria de citar, por exemplo, um dos grandes f\u00edsicos de nossa \u00e9poca, Henri Margenau, professor da Universidade de Yale, que escreve: \u201cNo fim do s\u00e9culo XIX, sustentava-se que todas as intera\u00e7\u00f5es implicavam objetos materiais. Hoje em dia, em geral j\u00e1 n\u00e3o se considera isso uma verdade. Prefere-se pensar que se trata da intera\u00e7\u00e3o de campos de energia ou de outras for\u00e7as que s\u00e3o, basicamente, n\u00e3o-materiais\u201d. E Heisenberg dizia: \u201cOs \u00e1tomos n\u00e3o s\u00e3o coisas\u201d. Para Bertrand Russel: \u201cA id\u00e9ia de que existe ali uma bolinha, uma massinha s\u00f3lida que seria o el\u00e9tron, \u00e9 uma intrus\u00e3o ileg\u00edtima do senso comum, derivada da no\u00e7\u00e3o do tato\u201d, e ele acrescenta: \u201cA mat\u00e9ria \u00e9 uma f\u00f3rmula c\u00f4moda para descrever o que sobrev\u00eam no lugar onde, na verdade, a mat\u00e9ria n\u00e3o est\u00e1, portanto, no lugar onde n\u00e3o h\u00e1 nada\u201d. Por outro lado, Sir James Jeans, em suas<em> Rede\u2019s lectures (Conferencias de rede)<\/em> chegava a dizer que \u201cO universo come\u00e7a a parecer mais um grande pensamento do que uma grande m\u00e1quina\u201d. [&#8230;] \u201cO Monge e o Fil\u00f3sofo\u201d &#8211;\u00a0 Jean-Fran\u00e7ois Revel (Fil\u00f3sofo) e Matthieu Ricard (Monge)<\/p>\n<h1><\/h1>\n<h1><strong>BUDISMO E CI\u00caNCIA MODERNA<\/strong><strong>.<\/strong><\/h1>\n<p><strong>\u00a0<em>\u201cA vida e a consci\u00eancia existem ao n\u00edvel das part\u00edculas intranucleares\u201d.<\/em><\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<em>Dr. D. Lawden<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que o progresso da ci\u00eancia moderna, especialmente da f\u00edsica e da psicologia, trazem\u00a0 a luz certas similitudes entre os ensinamentos da ci\u00eancia e do Budismo. A rapidez da evolu\u00e7\u00e3o recente das ci\u00eancias obriga os pesquisadores a se descartar cada vez mais dos valores antigos. Esta atitude encontra indiretamente a do <em>Ch\u2019an<\/em> e do <em>Zen,<\/em> definida por um eminente cientista franc\u00eas, G. Cahen: <strong><em>\u201cA despersonaliza\u00e7\u00e3o do julgamento cient\u00edfico \u00e9 considerado como uma condi\u00e7\u00e3o essencial de sua validade. Em toda medida o f\u00edsico deve lutar contra a precariedade duma constata\u00e7\u00e3o que seria muito individual. Ele deve sempre que poss\u00edvel eliminar sua equa\u00e7\u00e3o pessoal. Face ao fato, ele se torna invis\u00edvel, passivo, impessoal, inexistente\u201d.<\/em><\/strong> <em>\u00a0<\/em>Nessa mesma obra G. Cahen conclui por um lado pela identidade da ess\u00eancia entre o intelecto e o universo, e por outro lado a exist\u00eancia de um \u201cvazio\u201d como realidade fundamental do universo, o que nos lembra o <em>Sunyata <\/em>Budista. Ele declara: <em>\u201c<strong>O exame dos fen\u00f4menos em face ao conte\u00fado imediato de nossas percep\u00e7\u00f5es, apresenta dois caracteres que colocaremos em evid\u00eancia. Por um lado, esse processo revela uma identidade de ess\u00eancia entre o intelecto e o universo. Por outro lado esse conte\u00fado se esvazia progressivamente de sua subst\u00e2ncia aparente: a mat\u00e9ria tendendo ela mesma a n\u00e3o ser mais que uma forma vazia,<\/strong><\/em><strong><em>[Como \u00e9 dito no Maha-Prajna-Paramita Sutra: \u201cA forma \u00e9 vazia de qualquer subst\u00e2ncia pr\u00f3pria e o vazio n\u00e3o \u00e9 diferente da forma; na realidade, a forma \u00e9 o vazio\u201d] um campo de a\u00e7\u00e3o das propriedades estruturais de nossa mente, quer dizer qualquer coisa de imaterial&#8221;.<\/em><\/strong> <em>Exprimiremos assim da maneira mais extrema a tend\u00eancia\u00a0\u00faltima\u00a0da ci\u00eancia: \u201c<strong>redu\u00e7\u00e3o da\u00a0realidade ao vazio\u201d.<\/strong><\/em> <em>\u00a0<\/em><strong>\u201cEsse vazio, esse N\u00e3o-Ser, esse \u201cNada\u201d, \u00e9 o Ser mais completo poss\u00edvel, pois ele cont\u00e9m potencialmente o universo\u201d.<\/strong> Podem-se estabelecer outros paralelismos entre os ensinamentos do Budismo e da ci\u00eancia moderna. Queremos mostrar aqui que o <em>satori<\/em>, esta experi\u00eancia fundamental do <em>Ch\u2019an<\/em> e do <em>Zen,<\/em> est\u00e1 em estreita liga\u00e7\u00e3o com uma interfus\u00e3o universal na qual participam todos os \u00e1tomos do corpo humano em rela\u00e7\u00e3o com o universo inteiro e reciprocamente. Tudo se sustenta, nada \u00e9 separado no universo, desde a densa mat\u00e9ria f\u00edsica at\u00e9 os \u00faltimos confins do universo n\u00e3o manifesto. As oposi\u00e7\u00f5es entre o mundo fenomenal e o mundo <em>no\u00famenal<\/em>, entre mat\u00e9ria e mente, entre o que \u00e9 regido pela lei de causa e efeito e o que est\u00e1 fora de toda a causalidade, entre o temporal e o atemporal, devem desaparecer. Elas existem somente em nosso intelecto. Na Antig\u00fcidade, tanto no Oriente como no Ocidente, n\u00e3o se estabeleciam distin\u00e7\u00f5es entre o pensamento filos\u00f3fico e o cient\u00edfico. Para o Budismo <em>Mahayana<\/em>, mente e mat\u00e9ria, o <em>Nirvana<\/em> e o <em>Samsara<\/em> s\u00e3o faces opostas, mas complementares de uma s\u00f3 e mesma realidade. Para Her\u00e1clito, Dem\u00f3crito, Pit\u00e1goras, Plat\u00e3o, e Arist\u00f3teles, os fen\u00f4menos naturais, a vida, o homem formam um todo homog\u00eaneo, insepar\u00e1vel. A recusa de considerar a unidade do f\u00edsico e do ps\u00edquico e as liga\u00e7\u00f5es existentes entre a microf\u00edsica e a metaf\u00edsica prov\u00e9m principalmente de uma tend\u00eancia que foi delineada no s\u00e9c. XVI, quando a ci\u00eancia se tornou experimental e se liberou de toda obedi\u00eancia religiosa, liberta\u00e7\u00e3o que permitiu \u00e0 ci\u00eancia e a t\u00e9cnica\u00a0 conseguirem os progressos extraordin\u00e1rios que atualmente assistimos, ao mesmo tempo perplexos e inquietos. N\u00f3s observamos um movimento durante o qual, desde o s\u00e9c. XIX, os s\u00e1bios foram obrigados a consagrarem-se a trabalhos cada vez mais espec\u00edficos e tornaram-se especialistas em raz\u00e3o da extens\u00e3o e da variedade dos fen\u00f4menos estudados. Eles recusaram de sa\u00edda qualquer inger\u00eancia da metaf\u00edsica na ci\u00eancia e tomaram atitudes parciais e sect\u00e1rias do cientificismo e do materialismo estrito, representados principalmente por Taine e Le Dautec. Veremos em seguida que esse movimento atravessa uma fase inversa. Os s\u00e1bios mais e mais numerosos adotam em nossos dias uma atitude absolutamente oposta. Eles cr\u00eaem superar as deforma\u00e7\u00f5es inerentes aos especialistas cujos conhecimentos, separados por compartimentos estanques, chegaram, voltados sobre eles mesmos, a verdadeiros impasses. Os s\u00e1bios compreendem hoje que todas as ci\u00eancias s\u00e3o solid\u00e1rias e que as descobertas aparentemente as mais afastadas se fecundam mutuamente em uma esp\u00e9cie de simbiose cont\u00ednua. Eles se dedicam de novo e de maneira definitiva ao estudo da unidade fundamental dos fen\u00f4menos. Eles se empenham em realizar uma s\u00edntese e uma coordena\u00e7\u00e3o das inumer\u00e1veis descobertas realizadas cada novo ano no mundo inteiro. \u00c9 assim que vemos reunidos no mesmo congresso astr\u00f4nomos, f\u00edsicos, qu\u00edmicos, especialistas em anatomia do c\u00e9rebro, cibern\u00e9ticos, bi\u00f3logos, m\u00e9dicos. Sem esta coopera\u00e7\u00e3o e esses confrontos cont\u00ednuos, sem tais \u00eaxitos o envio dos cosmonautas a Lua teria sido imposs\u00edvel. As s\u00ednteses novas que se formam de um encontro mais numeroso entre todos os especialistas de todos os setores nos for\u00e7am a repensar certas posi\u00e7\u00f5es tradicionais do pensamento. Nesta nova tend\u00eancia\u00a0 vemos reaparecer com uma for\u00e7a particular as institui\u00e7\u00f5es dos antigos s\u00e1bios do Oriente, impregnados de unidade e universalidade. Em um memor\u00e1vel estudo intitulado \u201cMicrof\u00edsica e Metaf\u00edsica\u201d, Mathilde Niel escreveu: <em>\u201c<strong>Os progressos conquistados nos dom\u00ednios muito variados da f\u00edsica, biologia, astronomia, psicologia conduzem a repensar certos problemas colocados a muito tempo pela espiritualidade e principalmente pela espiritualidade Oriental. As novas descobertas sobre o mundo at\u00f4mico e as part\u00edculas elementares obrigaram os pesquisadores a renovar inteiramente sua vis\u00e3o do universo e seu modo de pensar. A raz\u00e3o em si mesma que acredit\u00e1vamos imut\u00e1vel tem sido desmantelada, e Gaston Bachelard sa\u00fada a chegada de um novo esp\u00edrito cient\u00edfico. Mas essas descobertas tendem a transformar igualmente nosso senso metaf\u00edsico, ou se somos espiritualistas, nosso modo de experimentar o divino, \u00e9 preciso atentar que ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o racional sucede uma revolu\u00e7\u00e3o espiritual\u201d.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O ponto de partida da revolu\u00e7\u00e3o espiritual encontra-se nas revela\u00e7\u00f5es recentes sobre a natureza estranha do infinitamente pequeno. As descobertas relativas aos constituintes \u00faltimos da mat\u00e9ria s\u00e3o cada dia mais fascinantes. A import\u00e2ncia do papel do infinitamente pequeno\u00a0 em todos os fen\u00f4menos n\u00e3o somente f\u00edsicos mais igualmente bioqu\u00edmicos, biol\u00f3gicos, neurofisiol\u00f3gicos, e psicol\u00f3gicos se revela cada dia mais importante. Cada vez mais, a natureza energ\u00e9tica, n\u00e3o causal, atemporal e talvez n\u00e3o-condicionada do infinitamente pequeno nos conduz ao limiar de mundos f\u00edsicos e espirituais. Al\u00e9m da antiga mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, os s\u00e1bios, como Robert Tournaire, elaboraram uma mec\u00e2nica sub-qu\u00e2ntica. Nessa reside igualmente uma das revolu\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas e espirituais mais fundamentais dos tempos modernos. Esta posi\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio e s\u00edntese entre o materialismo ultrapassado e o espiritualismo se encontra, nos parece, definida nas tend\u00eancias modernas do <em>Zen<\/em>. Os progressos da biologia e da neurofisiologia psicol\u00f3gica s\u00e3o efeitos de descobertas do infinitamente pequeno. A evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, as muta\u00e7\u00f5es, correspondem a mudan\u00e7as de ordem molecular nos genes. O gene \u00e9 uma mol\u00e9cula complexa de \u00e1cido desoxiribonucleico [DNA] que transmite a hereditariedade desde a concep\u00e7\u00e3o. Os genes s\u00e3o reunidos em cromossomos. Cada c\u00e9lula humana cont\u00e9m 48 cromossomos ou 24 pares. E. Schr\u00f6dinger escreveu: <em>\u201cGrupamentos incrivelmente pequenos de \u00e1tomos, pequenos demais para se conformarem \u00e0s leis estat\u00edsticas exatas, jogam uma regra dominante nos eventos muito bem ordenados que se produzem no interior de um organismo vivo\u201d.<\/em> Na obra \u201cA F\u00edsica e o segredo da vida org\u00e2nica\u201d o f\u00edsico alem\u00e3o P. Jordan nos mostra como alguns f\u00f3tons de luz projetados sobre a retina\u00a0 de um olho habituado a escurid\u00e3o s\u00e3o suficientes para criar uma sensa\u00e7\u00e3o luminosa, portanto <em>\u201cum processo de consci\u00eancia no interior do c\u00e9rebro humano\u201d<\/em>. Jordan acrescenta que <em>\u201cos fen\u00f4menos de ordem de grandeza at\u00f4mica correspondem, do ponto de vista f\u00edsico, ao movimento t\u00e3o fino e t\u00e3o t\u00eanue dos pensamentos e das sensa\u00e7\u00f5es\u201d<\/em>. Os trabalhos do Dr. Roger Godel\u00a0 \u201cA experi\u00eancia liberadora, Vida e Renova\u00e7\u00e3o\u201d e os do Prof. Pierre Rylant, da Universidade de Bruxelas, colocaram em evid\u00eancia a import\u00e2ncia dos fen\u00f4menos eletr\u00f4nicos e el\u00e9tricos em todas as manifesta\u00e7\u00f5es da consci\u00eancia. <strong><em>\u201cToda a neurofisiologia, <\/em>escreveu o Prof. P. Chauchard,<em> repousa sobre a atividade psico-qu\u00edmica do sistema nervoso. A atividade nervosa \u00e9 uma verdadeira sociologia neur\u00f4nica de onde emerge o indiv\u00edduo superior\u201d<\/em>.<\/strong> Os fen\u00f4menos da consci\u00eancia s\u00e3o n\u00e3o somente ligados a transforma\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas, e n\u00e3o se limitam somente \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Assim escreve o Prof. Pierre Rylant: <strong><em>\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, como mostrou claramente Sherrington, limitar a consci\u00eancia a interven\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios espec\u00edficos\u201d.<\/em><\/strong> Uma certa forma de consci\u00eancia se acha intimamente ligada a energia formando a ess\u00eancia de toda materialidade. \u00c9 de se supor que os caracteres de surgimento e de renova\u00e7\u00e3o onde se encontram marcados os mais altos estados de consci\u00eancia espiritual est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o processo de cria\u00e7\u00e3o constante que se busca nas profundezas do mundo at\u00f4mico.<\/p>\n<p>Assim se exprime P. Jordan: <em>\u201c<strong>A cada instante, h\u00e1 qualquer coisa de totalmente nova no interior de cada \u00e1tomo\u201d<\/strong><\/em><strong>.<\/strong> Nos n\u00edveis mais profundos da vida espiritual, h\u00e1 precisamente alguma coisa integralmente nova e desconhecida, de instante a instante. \u00c9 em outros termos e em outro n\u00edvel, o que exprime igualmente M. Niel: <em>\u201c<strong>Se nosso sentimento de liberdade prov\u00e9m, como parece provar a nova psican\u00e1lise, da consci\u00eancia que n\u00e3o impede uma energia de ordem c\u00f3smica, ent\u00e3o a indetermina\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica e nosso sentimento de liberdade, embora diferentes um do outro, podem ter uma causa semelhante\u201d.<\/strong><\/em> Esta causa semelhante \u00e9 evidentemente, para os mestres Zen, a Mente C\u00f3smica. Esta realidade se manifesta sob a forma de um campo para o qual muitos s\u00e1bios tentam estabelecer uma f\u00f3rmula, por\u00e9m qualquer que seja ela escapa a toda tentativa de formula\u00e7\u00e3o. A no\u00e7\u00e3o de \u201cCampo Unificado\u201d preocupava particularmente A. Einstein, e Heisenberg. Na Fran\u00e7a J. Charon procurava a f\u00f3rmula de um campo unificado capaz de explicar em uma s\u00f3 equa\u00e7\u00e3o os campos nucleares, eletromagn\u00e9ticos, e gravitacionais. Os fen\u00f4menos nucleares, eletromagn\u00e9ticos, e gravitacionais s\u00e3o regidos por uma realidade id\u00eantica na qual est\u00e3o suspensas as manifesta\u00e7\u00f5es do universo inteiro. Esta realidade foi designada pelo astr\u00f4nomo ingl\u00eas Fred Hoyle como um \u201cCampo de Cria\u00e7\u00e3o\u201d. A no\u00e7\u00e3o de <em>campo<\/em> permite ultrapassar a antiga dualidade de mente e mat\u00e9ria. Tal \u00e9 igualmente a opini\u00e3o de Emile Br\u00e9hier que declara que <strong><em>\u201cO\u00a0Campo seria a Realidade Universal que ultrapassa a distin\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e do esp\u00edrito\u201d.<\/em><\/strong> Podemos deixar a conclus\u00e3o aos cuidados de M. Niel que escreveu: <em>\u201c\u00c9 curioso ver que a no\u00e7\u00e3o de campo, considerado como realidade universal, une certas intui\u00e7\u00f5es do pensamento oriental, principalmente a da Mente C\u00f3smica, do Zen-Budismo ou da Consci\u00eancia C\u00f3smica de Tagore\u201d.<\/em> \u201c\u00c9, pois a a\u00e7\u00e3o desse campo sobre as part\u00edculas elementares que parece determinar as combina\u00e7\u00f5es infinitas, as cria\u00e7\u00f5es de estruturas novas, lim\u00edtrofes ao que chamamos de mat\u00e9ria, de vida, de consci\u00eancia. <strong><em>\u201cMas uma vez surgida a consci\u00eancia individual, o Campo Universal agir\u00e1 ent\u00e3o por seu interm\u00e9dio. Ela ser\u00e1 pois criadora, porque tem a mesma natureza que o Campo fundamental da cria\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/strong> <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h1><strong>CAMPO DE CRIA\u00c7\u00c3O E SATORI<\/strong><\/h1>\n<p><strong>Em sua ess\u00eancia mais profunda, o Universo se resolve em um <em>Campo Unificado de Cria\u00e7\u00e3o Pura<\/em>. O Ser puro dos fil\u00f3sofos, o Deus dos m\u00edsticos n\u00e3o seriam, pois diferentes.<\/strong> Quando estabelecemos em nossa mente uma vis\u00e3o panor\u00e2mica dos progressos recentes da maioria das ci\u00eancias, uma realidade emerge sobre qualquer outra: a do <em>campo unificado de cria\u00e7\u00e3o<\/em> onde se alimentam todas as manifesta\u00e7\u00f5es do universo vis\u00edvel e invis\u00edvel. Esta realidade ocupa um lugar de prioridade cuja evid\u00eancia se afirma dia a dia. Assim se exprime Schr\u00f6dinger: <strong><em>\u201cN\u00e3o existe sen\u00e3o uma s\u00f3 coisa, a pluralidade aparente \u00e9 uma s\u00e9rie de aspectos diferentes desta coisa \u00fanica\u201d. <\/em><\/strong> A complexidade da arquitetura celular que caracteriza o corpo humano manifesta uma admir\u00e1vel flexibilidade e uma receptividade\u00a0 perfeita dos ritmos mais profundos e mais sutis da natureza. O homem pode ser particularmente receptivo ao ritmo c\u00f3smico no qual se recria constantemente o universo porque sua ess\u00eancia e a do universo se confundem em <em>um campo de cria\u00e7\u00e3o id\u00eantico<\/em>. O <em>satori<\/em> do <em>Zen<\/em> ou do <em>Ch\u2019an<\/em> \u00e9 a experi\u00eancia viva do <em>Campo unificado da cria\u00e7\u00e3o pura<\/em> tomando consci\u00eancia de si mesmo por ele mesmo, em n\u00f3s. Mas trata-se de uma comodidade de linguagem que parece fazer ainda algumas concess\u00f5es ao dualismo. Na realidade, a experi\u00eancia do <em>satori<\/em> esta al\u00e9m da dualidade do experimentador e da experi\u00eancia. Ela n\u00e3o \u00e9 mais uma objetiva\u00e7\u00e3o semelhante a outras experi\u00eancias familiares. Krishnamurti, o <em>Ch\u2019an<\/em> e o <em>Zen<\/em>, insistem particularmente sobre esse ponto. Quer estejamos l\u00e1 ou n\u00e3o, o <em>Campo unificado de cria\u00e7\u00e3o pura<\/em> \u00e9 a realidade fundamental do universo e de n\u00f3s mesmos fora de qualquer distin\u00e7\u00e3o de objeto e de sujeito. Por esta raz\u00e3o, a experi\u00eancia viva do <em>Campo unificado da cria\u00e7\u00e3o<\/em> exige de nossa parte uma abertura mental e uma transpar\u00eancia interior totais.<\/p>\n<h5><strong>CO-EXTENSIVIDADE\u00a0 UNIVERSAL DO \u00c1TOMO E <em>SATORI<\/em><\/strong><\/h5>\n<p>Acabamos de examinar sumariamente as liga\u00e7\u00f5es que possam existir entre o\u00a0 <em>Campo unificado da cria\u00e7\u00e3o pura <\/em>e a\u00a0 experi\u00eancia do <em>Satori<\/em>. Propomo-nos agora examinar o comportamento do universo e dos \u00e1tomos que nos constituem, a um n\u00edvel mais aproximado do mundo fenomenal: onde perseguimos a extraordin\u00e1ria e constante interfus\u00e3o at\u00f4mica por interm\u00e9dio dos aspectos ondulat\u00f3rios da energia. Sabemos que a ess\u00eancia profunda da materialidade \u00e9 fluida, movente, em cont\u00ednua mudan\u00e7a. N\u00e3o podemos comparar o universo a um edif\u00edcio arquitetonicamente \u201cs\u00f3lido\u201d. O tempo, o espa\u00e7o, a solidez est\u00e3o ausentes nas \u201cbases \u00faltimas do mundo\u201d. Como exprime freq\u00fcentemente Lao-tzu, <strong><em>\u201cA flexibilidade e a espontaneidade s\u00e3o as leis da Vida\u201d. <\/em><\/strong> Temos mostrado repetidamente que esta flexibilidade e esta espontaneidade manifestam-se principalmente na forma de um processo fundamental: o processo das rela\u00e7\u00f5es. Definimos em detalhe as leis e as modalidades em uma outra obra que resumiremos aqui. Nas zonas \u00faltimas da materialidade, ao n\u00edvel intra-nuclear, assistimos \u00e0s inter-permuta\u00e7\u00f5es\u00a0 prodigiosas. Os corp\u00fasculos situados no interior dos n\u00facleos at\u00f4micos n\u00e3o t\u00eam nenhuma individualidade. Ap\u00f3s haver enunciado esse fato, enunciamos um principio: <em>\u201cNo intra-\u00e1tomo,\u00a0 o fato das rela\u00e7\u00f5es \u00e9 mais importante que a individualidade dos elementos interligados\u201d.<\/em> Podemos fazer a mesma constata\u00e7\u00e3o em biologia, onde a vida \u00e9 essencialmente fun\u00e7\u00e3o da habilidade celular, da flexibilidade, da rapidez e da fluidez das trocas. Os progressos da gen\u00e9tica moderna colocaram em evid\u00eancia a import\u00e2ncia da no\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o entre os genes de um indiv\u00edduo e os fatores do meio. O meio e a hereditariedade s\u00e3o fatores em cont\u00ednua intera\u00e7\u00e3o das quais depende todo comportamento do indiv\u00edduo. Os genes reagem entre eles, o meio reage sobre os genes e os genes por si mesmos mudam e operam por seu turno sobre um meio transformado. Isso, sobretudo no dom\u00ednio at\u00f4mico, assim uma vez mais descobriremos um novo aspecto do fato fundamental das rela\u00e7\u00f5es regendo o universo em todos os n\u00edveis. Evocamos precedentemente a intensidade das rela\u00e7\u00f5es ou das trocas no interior de um sistema at\u00f4mico entre o el\u00e9tron planet\u00e1rio e o n\u00facleo de um lado, do mesmo modo que no interior mesmo do n\u00facleo, por outro lado.<\/p>\n<p>Vamos examinar um fato bem mais significativo ainda. <strong><em>\u201cN\u00e3o existe no universo nenhum ser, nenhum objeto, alguma coisa, algum \u00e1tomo independente\u201d. <\/em><\/strong> Assim se exprime T. Chardin: <strong><em>\u201cQuanto mais, pelos meios de um poder sempre aumentado, penetramos profundamente na mat\u00e9ria, mais as interliga\u00e7\u00f5es de suas partes nos confundem. Cada elemento do cosmos esta positivamente tecido de todos os outros, mais acima dele mesmo, pelo misterioso fen\u00f4meno da composi\u00e7\u00e3o que o faz subsistente, num conjunto organizado, e mais abaixo, pela influ\u00eancia sofrida das unidades de ordem superior que o englobam e o dominam para sua pr\u00f3pria finalidade.<\/em><\/strong> <strong><em>Imposs\u00edvel cortar-se essa rede, isolar uma pe\u00e7a, sem que essa n\u00e3o se desfie e se desmanche por todos os lados. A perder de vista, a nossa volta, o universo se mant\u00e9m por seu conjunto&#8230; e n\u00e3o h\u00e1\u00a0 sen\u00e3o uma maneira realmente poss\u00edvel de o considerar, \u00e9 tomando-o como um bloco inteiro\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A f\u00edsica moderna nos ensina, com efeito, que independentemente do seu aspecto corpuscular claramente definido e localizado, cada corp\u00fasculo at\u00f4mico comporta um aspecto oposto complementar: o aspecto ondulat\u00f3rio. A a\u00e7\u00e3o de um el\u00e9tron, por seu aspecto ondulat\u00f3rio, se estende ao universo inteiro. Existe uma presen\u00e7a potencial do aspecto ondulat\u00f3rio de cada corp\u00fasculo at\u00f4mico que nos constituem, que se estende at\u00e9 os \u00faltimos confins do universo [em expans\u00e3o ou n\u00e3o]. E reciprocamente, cada \u00e1tomo das nebulosas situadas nos abismos insond\u00e1veis de milhares de anos luz, est\u00e1 presente em cada um de n\u00f3s, em cada objeto, em cada gr\u00e3o de areia de nosso planeta. L\u00e1 se encontra trabalhando a constante, mas invis\u00edvel interpenetra\u00e7\u00e3o m\u00fatua de todos os constituintes do universo. Tudo se comporta como se o cosmos inteiro n\u00e3o fosse mais que um bloco imenso perfeitamente homog\u00eaneo. Tudo est\u00e1 em tudo, verdadeiramente, com uma intensidade, uma continuidade, uma profundidade tais que a imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 impotente para conceber a mais fraca parte desta interfus\u00e3o universal. Repetindo \u2013 n\u00e3o diremos nunca suficientemente \u2013 afim de que cada um se impregne profundamente: Tudo est\u00e1 em tudo; o universo inteiro est\u00e1 em n\u00f3s e reciprocamente. Parece a primeira vista uma linguagem muito paradoxal vinda de um vision\u00e1rio ou poeta. Nada \u00e9, entretanto mais conforme \u00e0 verdade ao mesmo tempo f\u00edsica e metaf\u00edsica.<\/p>\n<p>Assim escreveu T. Chardin: <strong><em>\u201cO raio de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3prio a cada elemento c\u00f3smico deve ser prolongado por direito at\u00e9 os limites \u00faltimos do mundo. Pois que o \u00e1tomo \u00e9 naturalmente co-extensivo a todo espa\u00e7o no qual ele se situa, e j\u00e1 que este espa\u00e7o universal \u00e9 o \u00fanico que conhecemos, somos for\u00e7ados a admitir que \u00e9 esta imensid\u00e3o que representa o dom\u00ednio de a\u00e7\u00e3o comum a todos os \u00e1tomos. Cada um deles tem por volume, o volume do universo inteiro. O \u00e1tomo n\u00e3o \u00e9 mais o mundo microsc\u00f3pico e fechado que imagin\u00e1vamos&#8230; Ele \u00e9 o centro infinitesimal do mundo\u201d. <\/em><\/strong><\/p>\n<p>Compreendemos enfim que um fragmento de mat\u00e9ria qualquer n\u00e3o \u00e9 somente constitu\u00eddo pela soma dos \u00e1tomos que a comp\u00f5e. H\u00e1 infinitamente mais que uma simples soma de elementos justapostos. Mas esta perspectiva nova \u00e9 t\u00e3o diferente daquela que aprendemos, e tamb\u00e9m daquela que nos oferecem os sentidos, que admitimo-la com espanto e dificuldade. Existe uma for\u00e7a de liga\u00e7\u00e3o que une cada fragmento de mat\u00e9ria, todos os \u00e1tomos, o universo inteiro e reciprocamente. A energia inclusa nesta for\u00e7a de liga\u00e7\u00e3o \u00e9 consider\u00e1vel e faz parte integrante da mat\u00e9ria de cada objeto, de todas as coisas, de cada ser. Teilhard Chardin escreveu a esse prop\u00f3sito: <strong><em>\u201cOs centros inumer\u00e1veis que partilham em comum um dado volume de mat\u00e9ria n\u00e3o s\u00e3o, portanto independentes. Alguma coisa une uns aos outros, e os faz solid\u00e1rios. Longe de se comportar como um recept\u00e1culo inerte, o espa\u00e7o que permeia essa multid\u00e3o age sobre ela \u00e0 maneira de um meio ativo\u00a0 de dire\u00e7\u00e3o e de transmiss\u00e3o no seio do qual a<\/em><em>pluralidade se organiza. Simplesmente adicionados ou justapostos, os \u00e1tomos n\u00e3o fazem ainda a mat\u00e9ria. Uma misteriosa unidade os engloba e os cimenta de uma maneira que nossa mente se choca, mas \u00e9 finalmente for\u00e7ada a aceitar\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Compreendemos no presente como \u00e9 rid\u00edculo considerar um ser vivo, uma coisa ou um objeto quaisquer sob o angulo de um isolamento ou de uma independ\u00eancia quaisquer que seja. Nada \u00e9 independente, isolado. Tudo se interpenetra. Pretender o isolamento de um objeto, tal como um corta-pap\u00e9is met\u00e1lico, porque os sentidos da vis\u00e3o e do tato lhe conferem contornos definidos e exatos \u00e9, de fato uma infantilidade que \u00e9 importante denunciar. A a\u00e7\u00e3o dos \u00e1tomos deste corta-pap\u00e9is se estende a totalidade dos mundos\u00a0 inter-estelares. Ela enche o universo inteiro at\u00e9 milhares de anos luz com sua presen\u00e7a potencial. E reciprocamente, qualquer coisa de cada um dos \u00e1tomos situados nos \u00faltimos confins das gal\u00e1xias se acham no \u00e2mago desse corta-pap\u00e9is aparentemente isolado. \u00c9 muito prov\u00e1vel que, se essa qualquer coisa de proveni\u00eancia long\u00ednqua n\u00e3o est\u00e1 presente, uma modifica\u00e7\u00e3o not\u00e1vel na organiza\u00e7\u00e3o coletiva dos \u00e1tomos e das mol\u00e9culas intervir\u00e1 e dar\u00e1 um aspecto ao nosso corta-pap\u00e9is absolutamente irreconhec\u00edvel. Milhares de liames invis\u00edveis, mas intensamente ativos unem entre si todas as partes aparentemente separadas do universo. Isso ilustra de maneira impressionante, n\u00e3o somente o fato fundamental das rela\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m a da interfus\u00e3o universal. Esta interfus\u00e3o universal \u00e9 o fato fundamental de cada segundo que se escoa, enquanto que, simultaneamente, a um n\u00edvel mais profundo, o <em>campo unificado da cria\u00e7\u00e3o pura<\/em> regenera as \u00faltimas profundezas do universo. \u00c9 interessante notar\u00a0 que o que acabamos de dizer forma a base dos ensinamentos do <em>Avatamsaka Sutra<\/em> o qual o <em>Kegon<\/em>, muito pr\u00f3ximo ao <em>Zen<\/em>, nos tem dado desenvolvimentos profundos. O fato da interfus\u00e3o [interdepend\u00eancia] est\u00e1 ai. Quer pensemos nisso ou n\u00e3o, quer saibamos ou n\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o do aspecto ondulat\u00f3rio de todos os \u00e1tomos que nos constituem est\u00e1 presente no universo inteiro. E reciprocamente. Deste ponto de vista, o <em>Satori<\/em> n\u00e3o ser\u00e1 outra coisa do que uma tomada de consci\u00eancia desta interdepend\u00eancia, embora a um n\u00edvel mais profundo, o <em>campo unificado da cria\u00e7\u00e3o pura<\/em> se revela em n\u00f3s e por n\u00f3s. A condi\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia viva da interfus\u00e3o c\u00f3smica poder\u00e1 ser enunciada como segue: \u00e9 indispens\u00e1vel deixar esta interfus\u00e3o \u201cser o que ela \u00e9\u201d sem que intervenhamos por um ato de vontade ou escolha. [caso essa interven\u00e7\u00e3o fosse poss\u00edvel!]. N\u00e3o devemos querer \u201cinterfundir\u201d. <em>A Interfus\u00e3o \u00c9<\/em>. N\u00e3o devemos querer nos recriar segundo o ritmo do <em>campo unificado da cria\u00e7\u00e3o pura<\/em>. Ele se recria por si mesmo. N\u00e3o devemos proceder \u00e0 uma representa\u00e7\u00e3o mental qualquer da interfus\u00e3o ou da ubiq\u00fcidade do <em>campo unificado da cria\u00e7\u00e3o pura<\/em>. Eles s\u00e3o aut\u00f3genos, absolutos, onipresentes. Os despertos nos ensinam que a \u201csuprema ben\u00e7\u00e3o\u201d nos \u00e9 dada quando o que resta de n\u00f3s se torna perme\u00e1vel, vulner\u00e1vel, dispon\u00edvel ao ritmo da cria\u00e7\u00e3o\u00a0 do <em>campo unificado da cria\u00e7\u00e3o pura<\/em>, e a interfus\u00e3o c\u00f3smica. Assim \u00e9 dito no Tao: <em>\u201cDeixemos o imp\u00e9rio do Real ser sua pr\u00f3pria lei em n\u00f3s\u201d.<\/em> A experi\u00eancia do <em>Satori <\/em>ou a <em>\u201clibera\u00e7\u00e3o\u201d<\/em> de um Krishnamurti n\u00e3o \u00e9, pois nenhuma proje\u00e7\u00e3o imaginativa, especula\u00e7\u00f5es, dos \u201ca priori\u201d, nem dos estados de auto-hipnose resultando de uma medita\u00e7\u00e3o sobre um determinado tema. O <em>satori<\/em> ser\u00e1 realizado no instante em que deixamos o <em>campo unificado da<\/em> <em>cria\u00e7\u00e3o<\/em> retomar o lugar que ele ocupa desde a eternidade. Para isto, todas as nossas interpreta\u00e7\u00f5es, nossas imagens as mais sutis relativas a esse campo devem previamente desaparecer ap\u00f3s terem sido evocadas. O mesmo para a interfus\u00e3o. Esta n\u00e3o ser\u00e1 experimentada sen\u00e3o a partir do momento onde qualquer tra\u00e7o de sua representa\u00e7\u00e3o mental de interfus\u00e3o for banida de nosso mente. Tratamos desse assunto porque ele \u00e9 interessante para os homens de certa cultura, quando de uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o. Mas para a aproxima\u00e7\u00e3o \u00faltima, dizem paradoxalmente os mestres <em>Zen<\/em> e do <em>Ch\u2019an<\/em>, tudo isso deve ser ultrapassado e esquecido. No seu discurso a seu disc\u00edpulo Thot, Hermmes Trimegisto disse que <em>\u201co infinito se move em sua estabilidade\u201d<\/em>. Este enunciado paradoxal parece ser bastante ver\u00eddico. O homem \u00e9 uma imagem estampada desse processo universal de interfus\u00e3o, de intera\u00e7\u00f5es no \u00e2mago de uma estabilidade aparente tanto quanto provis\u00f3ria. Qual significado teriam um f\u00edgado, ou um rim sem o conjunto do organismo para o equil\u00edbrio do qual eles contribuem? Somente a interliga\u00e7\u00e3o, a intera\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o do conjunto d\u00e3o, tanto ao indiv\u00edduo global como aos \u00f3rg\u00e3os particulares, sua plena significa\u00e7\u00e3o. Do mesmo modo que uma pedra \u00e9 exteriormente est\u00e1vel, tomada em bloco e de maneira superficial, malgrado sua estabilidade exterior, tudo se movimenta intensamente em profundidade, do mesmo modo a totalidade universal se move intensamente ao longo de sua aparente estabilidade exterior. Do mesmo modo que o homem parece \u00e0 primeira vista uma individualidade imut\u00e1vel cuja aparente continuidade, e a vida mesma, s\u00e3o baseadas na interfus\u00e3o r\u00e1pida e complexa da circula\u00e7\u00e3o sang\u00fc\u00ednea, alimentando os \u00f3rg\u00e3os separados, mas interdependentes. Igualmente a totalidade\u00a0 universal vive ao ritmo de uma interfus\u00e3o prodigiosa entre os elementos aparentemente separados que a constituem. Segundo uma antiga imagem indiana, a interfus\u00e3o infinitamente complexa e sutil \u00e9 o \u201crespirar\u201d da realidade universal. O ritmo de renova\u00e7\u00e3o do <em>campo unificado da cria\u00e7\u00e3o <\/em>ser\u00e1 a fonte de vida subjacente a esse \u201crespirar\u201d fundamental. Tudo que foi dito se aplica ao universo \u201cexterior\u201d ou mundo manifestado, de modo que nosso pensamento pode conceb\u00ea-lo e compreende-lo nos limites do tempo e do espa\u00e7o. Os mestres do <em>Ch\u2019an<\/em> e do <em>Zen<\/em> v\u00e3o muito mais em profundidade, em dire\u00e7\u00e3o ao que alguns fil\u00f3sofos chamam de <em>\u201cnoumeno\u201d<\/em> ou mundo n\u00e3o manifestado. A exposi\u00e7\u00e3o que acabamos de fazer serve de aproxima\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre essas duas faces opostas e complementares do Real.<\/p>\n<p><strong>OS <em>KOANS<\/em> E O \u201cMONDO\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Os <em>koans <\/em>s\u00e3o enunciados de pensamentos paradoxais empregados pelos mestres <em>Zen<\/em> para dar um choque psicol\u00f3gico em seus disc\u00edpulos. S\u00e3o tamb\u00e9m quest\u00f5es que n\u00e3o podem ser resolvidas pelo pensamento e criam um grande estado de tens\u00e3o intelectual que pode ser seguido por uma experi\u00eancia interior <em>[satori]<\/em>. O <em>\u201cmondo\u201d<\/em> \u00e9 apresentado mais comumente sob forma de perguntas e respostas com o mesmo fim. Os dois for\u00e7am o disc\u00edpulo a realiza\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio mental e projetam uma esp\u00e9cie de obst\u00e1culo em suas agita\u00e7\u00f5es. Gra\u00e7as a esse sil\u00eancio, os n\u00edveis mais profundos da consci\u00eancia podem se manifestar. Eis aqui um exemplo de <em>koan<\/em> seguido de nossos coment\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong><em>1 &#8211; No in\u00edcio as montanhas s\u00e3o as montanhas.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>2 &#8211; No meio as montanhas n\u00e3o s\u00e3o mais as montanhas.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>3 &#8211; No final, as montanhas s\u00e3o novamente as\u00a0 montanhas.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A primeira vista, esses enunciados parecem uma mistifica\u00e7\u00e3o. Na verdade eles est\u00e3o cheios de ensinamentos. A interpreta\u00e7\u00e3o correta desse texto permite dar uma vis\u00e3o panor\u00e2mica das etapas que conduzem ao <em>satori<\/em> segundo o <em>Ch\u2019an<\/em> e o <em>Zen<\/em>. Ao longo da fase anterior a qualquer procura n\u00e3o colocamos nada em d\u00favida, n\u00e3o refletimos sobre os grandes problemas da exist\u00eancia. Deixamos os outros pensarem por n\u00f3s. Quando vemos, dizemos muito simplesmente: \u201cEssas montanhas s\u00e3o montanhas\u201d. Os contornos exteriores\u00a0 representam aos nossos olhos a \u00fanica realidade. Os rochedos n\u00e3o s\u00e3o mais que rochedos, a terra \u00e9 a terra. Quando come\u00e7amos a despertar para a busca interior, descobrimos que as imagens que nos d\u00e3o nossos sentidos ao contato com o mundo exterior n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade. Vemos que nada \u00e9 im\u00f3vel. Tudo se move, tudo se transforma. Em lugar dos rochedos, da terra e das montanhas, descobrimos a a\u00e7\u00e3o duma energia prodigiosamente ativa animando part\u00edculas estranhas que se movem com a velocidade da luz. Conhecemos, seja por intui\u00e7\u00e3o, seja por pesquisa cient\u00edfica, a vida secreta e a natureza profunda de toda mat\u00e9ria. Os aspectos superficiais e sua multiplicidade de nuan\u00e7as s\u00e3o secund\u00e1rios diante de uma ess\u00eancia comum de natureza energ\u00e9tica formando sua realidade profunda. Quando olhamos as montanhas, ao longo dessa fase, elas n\u00e3o s\u00e3o mais, para n\u00f3s, as mesmas montanhas de antes. Elas parecem miragens desprovidas de qualquer consist\u00eancia real. No in\u00edcio de nossas buscas, temos tend\u00eancia a nos orientar para uma atitude de oposi\u00e7\u00e3o extrema \u00e0 nossa primeira atitude. Sofremos a tal ponto a magia encantadora da realidade profunda das coisas, que esta luz interior mascara aos nossos olhos sua apar\u00eancia de superf\u00edcie. A mat\u00e9ria se tornou para n\u00f3s o v\u00e9u, a ilus\u00e3o <em>[maya]<\/em> e dizemos: <em>\u201cas montanhas n\u00e3o s\u00e3o mais as montanhas\u201d.<\/em> Chegaremos a discernir um dia que n\u00e3o existe nenhuma cis\u00e3o entre o mundo material tal como o vemos superficialmente e a pura ess\u00eancia da Mente C\u00f3smica em profundidade. Essas distin\u00e7\u00f5es resultam de uma falta de penetra\u00e7\u00e3o e da faculdade de s\u00edntese de nossa mente. Tudo \u00e9 a Mente C\u00f3smica. Nem um gr\u00e3o de areia esta fora desta Totalidade Una. Deste instante em diante, quando nosso olhar pousa de novo sobre as montanhas, dizemos como no in\u00edcio: \u201cas montanhas s\u00e3o as montanhas\u201d. Mas situamos sua apar\u00eancia material no lugar justo que elas ocupam em um conjunto infinitamente mais vasto e profundo. As montanhas n\u00e3o s\u00e3o mais absolutamente uma ilus\u00e3o. A no\u00e7\u00e3o de ilus\u00e3o ou de <em>maya<\/em> prov\u00e9m de um v\u00edcio de funcionamento em nossa mente. \u00c9 essa \u00faltima que nos d\u00e1, dos seres, das coisas e de n\u00f3s mesmos no\u00e7\u00f5es ilus\u00f3rias. Quando o Desperto diz: <em>\u201cas montanhas s\u00e3o as montanhas\u201d <\/em>essas palavras exprimem um estado de vis\u00e3o panor\u00e2mica englobando as apar\u00eancias de superf\u00edcie e a realidade profunda. Seus olhos lhes d\u00e3o uma imagem do mundo exterior condicionada por sua escala de observa\u00e7\u00e3o f\u00edsica enquanto que, simultaneamente, a Mente C\u00f3smica se revela como sendo a \u00fanica realidade das montanhas ao n\u00edvel das profundidades \u00faltimas. Quando de nosso contato com o Prof. D. T. Suzuki, o eminente especialista do Zen nos apresentou o seguinte <em>koan<\/em>: <em>\u201cQuando eu entendo, eu vejo; e quando eu vejo, entendo\u201d<\/em>, o que parece menos paradoxal. Por isso, devemos compreender que na experi\u00eancia do <em>satori <\/em>nossa percep\u00e7\u00e3o das coisas n\u00e3o \u00e9 distinta, mas global, mas isso n\u00e3o diminui nada a capacidade que temos de perceber claramente a singularidade das coisas em um certo n\u00edvel. Quando capto o som de um sino long\u00ednquo, duas possibilidades se apresentam na minha maneira de reagir. Ou bem estou distra\u00eddo, sem nenhuma profundeza de percep\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia \u00e9 banal. Ela se limita a simples audi\u00e7\u00e3o de um som que n\u00e3o tem nenhum dom de me emocionar ou de me revelar o que quer que seja. Fico fechado em mim mesmo. O sino e o som s\u00e3o fen\u00f4menos completamente estranhos que n\u00e3o me interessam. Ou bem eu estou <em>\u201cdesperto\u201d,<\/em> nesse caso, todas as provoca\u00e7\u00f5es do meio, quer sejam visuais, auditivas, olfativas, t\u00e1teis, me revelam a unidade e a interdepend\u00eancia dos seres e das coisas. Quando entendo o som de um sino long\u00ednquo, sou eu em certo sentido \u2013 pela Mente C\u00f3smica \u2013 a ess\u00eancia energ\u00e9tica desse sino. Sou as mol\u00e9culas do ar que ele faz vibrar, sou a onda sonora que se propaga no espa\u00e7o. Sou a ess\u00eancia mesma do espa\u00e7o. Estando atento \u00e0 natureza profunda de todas as coisas, todo evento exterior, todo movimento me permite vibrar em perfeita identidade de ess\u00eancia comum por uma resson\u00e2ncia secreta renovando-se de instante em instante. Num certo sentido tudo que vejo, eu percebo atrav\u00e9s desta realidade mais profunda. N\u00e3o se trata de uma auto-sugest\u00e3o, nem duma cria\u00e7\u00e3o mental qualquer. Ao contr\u00e1rio. Tudo que escuto, compreendo atrav\u00e9s desta identidade insond\u00e1vel. Ela acaba por ocupar a meu ver um lugar de tal modo preponderante que \u00e9 ela que forma a nota dominante de todas as percep\u00e7\u00f5es distintas. Ao final desse processo eu posso dizer efetivamente: <em>\u201cQuando entendo, eu vejo; quando eu vejo, entendo\u201d<\/em>.<\/p>\n<p><em><sup>Extratos\u00a0 do livro de\u00a0\u00a0 Robert Linssen &#8211; \u201cLE ZEN\u201d &#8211; Ed . marabout universit\u00e9 Tradu\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso<\/sup><\/em><\/p>\n<p>A vis\u00e3o da mat\u00e9ria que emerge do estudo dos \u00e1tomos e dos n\u00facleos mostra-nos que essa mat\u00e9ria, em sua maior parte, acha-se concentrada em min\u00fasculas gotas separadas por dist\u00e2ncias consider\u00e1veis. No vasto espa\u00e7o existente entre as gotas nucleares compactas e intensamente ferventes movem-se os el\u00e9trons. Estes constituem apenas uma reduzid\u00edssima fra\u00e7\u00e3o da massa total, embora confiram a mat\u00e9ria seu aspecto s\u00f3lido e forne\u00e7am os v\u00ednculos necess\u00e1rios a constru\u00e7\u00e3o das estruturas moleculares. Eles se acham ainda envolvidos nas rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, sendo tamb\u00e9m respons\u00e1veis pelas propriedades qu\u00edmicas da mat\u00e9ria. As rea\u00e7\u00f5es nucleares, por outro lado, geralmente n\u00e3o se verificam de modo natural nessa forma de mat\u00e9ria, em virtude do fato de que as energias dispon\u00edveis n\u00e3o s\u00e3o suficientemente elevadas para perturbar o equil\u00edbrio nuclear. Essa forma de mat\u00e9ria, entretanto, com sua grande variedade de formas e texturas e sua complexa arquitetura molecular, s\u00f3 consegue existir sob condi\u00e7\u00f5es muito especiais, quando a temperatura n\u00e3o \u00e9 muito elevada, de modo que as part\u00edculas n\u00e3o se agitem em demasia. Quando a energia t\u00e9rmica aumenta cerca de cem vezes mais, como sucede na maioria das estrelas, todas as <\/p><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O VAZIO E A N\u00c3O-DUALIDADE \u00a0O Ser\/N\u00e3o-ser, Vazio\/N\u00e3o-dualidade Nas religi\u00f5es, na Ci\u00eancia e nas Filosofias. Compilado e organizado por: Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso\/Karma Tenpa Dhargye NAS\u00a0 RELIGI\u00d5ES HINDUISMO: ISHA UPANISHAD 1) &#8211; BRAHMAN\u00a0&#8211; A UNIDADE : Unidade de Deus e o &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/1124\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":147,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1124","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1124","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1124"}],"version-history":[{"count":16,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1124\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1196,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1124\/revisions\/1196"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}