{"id":1157,"date":"2015-01-31T10:15:03","date_gmt":"2015-01-31T12:15:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=1157"},"modified":"2015-09-26T19:05:54","modified_gmt":"2015-09-26T21:05:54","slug":"a-manifestacao-da-iluminacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-manifestacao-da-iluminacao\/","title":{"rendered":"A Manifesta\u00e7\u00e3o da Ilumina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/terlua1.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-556 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/terlua1-300x223.jpg\" alt=\"terlua1\" width=\"300\" height=\"223\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/terlua1-300x223.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/terlua1-1024x763.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/terlua1-402x300.jpg 402w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/terlua1.jpg 1095w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Manifesta\u00e7\u00e3o da Ilumina\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n(GENJO KOAN)<br \/>\n<strong><em>Dogen Zenji<\/em><\/strong><br \/>\nTraduzido por Giovanni Dienstmann<\/p>\n<p>Quando todas as coisas s\u00e3o o Buda-Dharma, h\u00e1 ilumina\u00e7\u00e3o, ilus\u00e3o, pr\u00e1tica, vida-e-morte, Budas e seres sencientes. Quando todas as coisas s\u00e3o vistas como carecendo de um eu, n\u00e3o h\u00e1 ilumina\u00e7\u00e3o nem ilus\u00e3o, nem Budas nem seres sencientes, nem vida-e-morte. Originalmente o Caminho transcende a si mesmo bem como a qualquer ideia de abundancia ou falta \u2013 mesmo assim h\u00e1 vida-e-morte, ilus\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o, seres sencientes e Budas. Entretanto, as pessoas odeiam ver as flores morrendo e n\u00e3o gostam que as ervas daninhas cres\u00e7am.<\/p>\n<p>\u00c9 uma ilus\u00e3o tentar realizar a nossa pr\u00e1tica e ilumina\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de n\u00f3s mesmos, mas ter pr\u00e1tica e ilumina\u00e7\u00e3o <em>atrav\u00e9s<\/em> dos fen\u00f4menos \u00e9 ilumina\u00e7\u00e3o. Buda \u00e9 quem tem uma grande ilumina\u00e7\u00e3o sobre a ilus\u00e3o; ser sensciente \u00e9 quem tem uma grande ilus\u00e3o sobre a ilumina\u00e7\u00e3o. Ainda, alguns alcan\u00e7am a ilumina\u00e7\u00e3o al\u00e9m da ilumina\u00e7\u00e3o, enquanto outros acrescem ilus\u00f5es sobre ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando os Budas se tornam Budas, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para eles estarem conscientes de que s\u00e3o Budas. Entretanto, eles s\u00e3o ainda Budas iluminados, e continuamente realizam o Buda. Atrav\u00e9s do corpo e mente n\u00f3s podemos compreender a forma e os sons das coisas. Eles funcionam em conjunto como unidade. Todavia, n\u00e3o \u00e9 como o reflexo de uma sombra num espelho, ou como a lua refletida na \u00e1gua. Se voc\u00ea olhar apenas para um lado, o outro lado fica obscuro.<\/p>\n<p><strong><em>Estudar o Caminho do Buda \u00e9 estudar a si mesmo. Estudar sobre si mesmo \u00e9 esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo \u00e9 perceber-se sendo todas as coisas. Realizar isso \u00e9 abandonar o corpo e mente do eu e dos outros. Quando voc\u00ea alcan\u00e7a esse est\u00e1gio voc\u00ea estar\u00e1 livre at\u00e9 mesmo da ilumina\u00e7\u00e3o, mas continuar\u00e1 a pratic\u00e1-la sem pensar sobre ela.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Quando as pessoas come\u00e7am a buscar o Dharma [fora de si mesmas] elas imediatamente se afastam de sua verdadeira localiza\u00e7\u00e3o. Quando o Dharma \u00e9 recebido atrav\u00e9s de sua correta transmiss\u00e3o, o nosso eu real aparece imediatamente.<\/p>\n<p>Andando de barco, se voc\u00ea olhar apenas para a costa, pode pensar que ela est\u00e1 se movendo; mas se voc\u00ea olhar para o barco ver\u00e1 que \u00e9 ele que est\u00e1 se movendo. Semelhantemente, se voc\u00ea tentar entender a natureza dos fen\u00f4menos usando a sua pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o confusa voc\u00ea erroneamente acreditar\u00e1 que sua natureza \u00e9 permanente. Al\u00e9m disso, se voc\u00ea tiver uma pr\u00e1tica correta e retornar \u00e0 origem voc\u00ea ver\u00e1 claramente que todas as coisas carecem de um eu permanente.<\/p>\n<p>Uma vez que a lenha \u00e9 reduzida \u00e0 cinzas ela n\u00e3o mais volta a ser lenha; mas n\u00e3o devemos pensar que \u201clenha\u201d \u00e9 o antes e \u201ccinzas\u201d \u00e9 o depois. As cinzas s\u00e3o cinzas e a lenha \u00e9 lenha. Elas t\u00eam o seu pr\u00f3prio passado e futuro, e sua pr\u00f3pria exist\u00eancia independente.<\/p>\n<p>Assim, tamb\u00e9m, depois de morrer o ser humano n\u00e3o volta \u00e0 vida; mas no Budismo nunca dizemos que a vida se transforma em morte. Esse \u00e9 um ensinamento estabelecido do Dharma Budista. N\u00f3s o chamamos de \u201cn\u00e3o-nascimento\u201d. Tamb\u00e9m a morte n\u00e3o se transforma em vida. Esse \u00e9 outro principio do Dharma, chamado de \u201cn\u00e3o-morte\u201d. A vida e a morte tem exist\u00eancia absoluta, tal como o relacionamento de inverno e primavera. N\u00e3o pense que o inverno se torna primavera, ou que a primavera se torna ver\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>Atingir a ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 como a lua refletida na \u00e1gua. A lua aparece na \u00e1gua, mas n\u00e3o se molha; a \u00e1gua reflete a lua sem ser perturbada por ela. Al\u00e9m disso, a luz da lua ilumina a terra inteira, e ainda assim pode ser contida at\u00e9 mesmo em uma gota d\u2019\u00e1gua.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Assim como a lua n\u00e3o perturba a \u00e1gua, a ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o perturba as pessoas. A ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o obstaculiza a vida. As profundezas da gota d\u2019\u00e1gua refletem as alturas do c\u00e9u.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Quando o verdadeiro Dharma ainda n\u00e3o foi completamente atingido temos a tend\u00eancia de pensar que j\u00e1 alcan\u00e7amos o suficiente, e que nosso trabalho est\u00e1 acabado. Se o Dharma est\u00e1 completamente presente, percebemos as nossas insufici\u00eancias.<\/p>\n<p>Por exemplo, no meio do oceano, onde n\u00e3o se v\u00ea nada a n\u00e3o ser \u00e1gua, olhamos para os lados e temos a impress\u00e3o de que o oceano \u00e9 redondo. Entretanto, o oceano n\u00e3o \u00e9 redondo \u2013 suas qualidades s\u00e3o infinitas! Ele \u00e9 como um pal\u00e1cio, ou um ornamento de j\u00f3ias preciosas. Mas, para n\u00f3s, o oceano parece ser apenas um enorme c\u00edrculo de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Vemos todas as coisas dessa maneira. Dependendo do ponto de vista n\u00f3s vemos as coisas de formas diferentes. A percep\u00e7\u00e3o correta depende do estudo e da pr\u00e1tica de cada um. Para poder entender v\u00e1rios pontos de vista diferentes devemos estudar os inumer\u00e1veis aspectos e virtudes dos oceanos e montanhas, ao inv\u00e9s de apenas c\u00edrculos. Dever\u00edamos saber que isso \u00e9 assim n\u00e3o s\u00f3 ao nosso redor, mas tamb\u00e9m dentro de n\u00f3s \u2013 at\u00e9 em uma \u00fanica gota d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Os peixes no oceano n\u00e3o encontram um fim para a \u00e1gua; os p\u00e1ssaros voando n\u00e3o encontram limites para o c\u00e9u. Todavia, nem os peixes nem os p\u00e1ssaros se separam de seus elementos. Quando a sua necessidade \u00e9 grande, seu uso \u00e9 grande; quando \u00e9 pequena, o uso \u00e9 pequeno. Eles verdadeiramente utilizam ao m\u00e1ximo cada aspecto \u2013 livremente, ilimitadamente. Entretanto, dever\u00edamos saber que se os p\u00e1ssaros forem separados de seu pr\u00f3prio elemento eles morrer\u00e3o. Dever\u00edamos saber que a \u00e1gua \u00e9 vida para os peixes e o c\u00e9u \u00e9 vida para os p\u00e1ssaros. No c\u00e9u, os p\u00e1ssaros s\u00e3o vida; na \u00e1gua, os peixes s\u00e3o vida. V\u00e1rias outras conclus\u00f5es podem ser tiradas disso. Existe a pr\u00e1tica e a ilumina\u00e7\u00e3o [como a rela\u00e7\u00e3o acima entre c\u00e9u e p\u00e1ssaros, \u00e1gua e peixes]. No entanto, depois de clarificar a \u00e1gua e o c\u00e9u podemos ver que se os p\u00e1ssaros e peixes tentarem <em>entrar<\/em> no c\u00e9u e na \u00e1gua eles n\u00e3o encontram nem um lugar, nem um caminho. Se compreendemos esse ponto h\u00e1 a manifesta\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o na nossa vida di\u00e1ria. Se alcan\u00e7armos esse Caminho, todas as nossas a\u00e7\u00f5es ser\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o. Este Caminho, este local, n\u00e3o \u00e9 nem grande nem pequeno, nem eu nem outros, nem passado nem presente \u2013 ele apenas \u00e9 como \u00e9.<\/p>\n<p>Assim, se praticamos e realizamos o Caminho do Buda podemos ensinar e penetrar em cada dharma; podemos confrontar e ensinar qualquer pr\u00e1tica. H\u00e1 um local onde podemos penetrar o Caminho e conhecer a extens\u00e3o das percep\u00e7\u00f5es. Isso ocorre, pois o nosso conhecimento coexiste simultaneamente com a efetiva\u00e7\u00e3o \u00faltima do Dharma Budista.<\/p>\n<p>Depois dessa efetiva\u00e7\u00e3o se tornar a base da nossa percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pense que nossa percep\u00e7\u00e3o ser\u00e1 necessariamente compreendida pelo intelecto. Apesar da ilumina\u00e7\u00e3o ser realizada rapidamente, ela n\u00e3o \u00e9 sempre totalmente manifestada [pois \u00e9 profunda e inesgot\u00e1vel demais para o nosso intelecto limitado].<\/p>\n<p>Certo dia, quando o Mestre Zen Hotetsu do monte Mayoku estava se abanando, um monge se aproximou e lhe perguntou: <em>\u201cA natureza do vento \u00e9 imut\u00e1vel e penetra em toda parte ent\u00e3o porque voc\u00ea est\u00e1 se abanando?\u201d<\/em> O mestre respondeu: <em>\u201cApesar de voc\u00ea saber que a natureza do vento \u00e9 imut\u00e1vel voc\u00ea n\u00e3o sabe o significado dela penetrar em toda parte\u201d.<\/em> O monge ent\u00e3o perguntou: <em>\u201cEnt\u00e3o, qual \u00e9 o significado dela penetrar em todas as partes?\u201d<\/em> Hotetsu apenas continuou se abanando. O monge compreendeu e prostrou-se com profundo respeito diante do mestre.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia, a realiza\u00e7\u00e3o, a viv\u00eancia e a correta transmiss\u00e3o do Dharma s\u00e3o assim. Dizer que n\u00e3o \u00e9 preciso se abanar porque a natureza do vento \u00e9 permanente e penetra em toda parte \u00e9 um erro, e mostra que a pessoa n\u00e3o conhece a natureza do vento e, nem o seu \u201cpenetrar em todas as partes\u201d. Assim como a natureza do vento \u00e9 imut\u00e1vel, o vento do Budismo torna a terra dourada e faz com que os rios corram com um doce leite fermentado.<\/p>\n<p><em>Escrito no outono de 1233 e dado a um disc\u00edpulo leigo chamado Yo-Ko-Shu de Kyushu.<\/em><\/p>\n<p><em>(Cap\u00edtulo 1 do Shobogengo. Baseado na vers\u00e3o inglesa de Kosen Nishiyama Roshi.)<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/daissen.org.br\/hp\/index.php?id=&amp;s=textos\" class=\"broken_link\">http:\/\/daissen.org.br\/hp\/index.php?id=&amp;s=textos<\/a>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Manifesta\u00e7\u00e3o da Ilumina\u00e7\u00e3o (GENJO KOAN) Dogen Zenji Traduzido por Giovanni Dienstmann Quando todas as coisas s\u00e3o o Buda-Dharma, h\u00e1 ilumina\u00e7\u00e3o, ilus\u00e3o, pr\u00e1tica, vida-e-morte, Budas e seres sencientes. 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