{"id":1253,"date":"2017-07-31T16:28:22","date_gmt":"2017-07-31T18:28:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=1253"},"modified":"2017-07-31T16:36:23","modified_gmt":"2017-07-31T18:36:23","slug":"raizes-do-zen","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/raizes-do-zen\/","title":{"rendered":"Ra\u00edzes do Zen"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1250\" rel=\"attachment wp-att-1250\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1250\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/raizesdozen.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"800\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/raizesdozen.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/raizesdozen-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/raizesdozen-300x300.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/raizesdozen-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><br \/>\nBuda nasceu em Kipilavastu,<br \/>\nIluminado em Magadha;<br \/>\nEnsinou em Varanasi;<br \/>\nEntrou no Nirvana em Kusinagara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">C\u00e2ntico Soto Zen para a hora da refei\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O Zen japon\u00eas, com sua \u00eanfase sobre a pr\u00e1tica do zazen, estudo do Koan e a realiza\u00e7\u00e3o do satori, tem suas origens na China. Aqui, os primeiros mestres Zen ensinaram e os primeiros mosteiros reconhecidamente Zen foram fundados. Entretanto, as ra\u00edzes mais profundas do Zen encontram-se na \u00cdndia, onde o Sidarta Gautama nasceu, alcan\u00e7ou a Ilumina\u00e7\u00e3o e fundou a religi\u00e3o budista. A hist\u00f3ria da sua vida desperta um interesse mais do que hist\u00f3rico, j\u00e1 que, para os seguidores do Zen, ele \u00e9 o modelo supremo de algu\u00e9m que seguiu o Caminho at\u00e9 o fim e realizou a Ilumina\u00e7\u00e3o perfeita. Buda (palavra s\u00e2nscrita que significa O Desperto) n\u00e3o \u00e9 uma figura abstrata do passado, mas um homem com o qual um mestre Zen pode sentir um relacionamento pessoal na consci\u00eancia de suas lutas compartilhadas. O seguidor do Zen acredita que cada um de n\u00f3s tem o potencial para alcan\u00e7ar o despertar total e que o caminho de Buda n\u00e3o est\u00e1 reservado para uns poucos escolhidos, mas definitivamente aberto para todos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Buda nasceu no sexto s\u00e9culo a.C., a noroeste da \u00cdndia. Quando nasceu, seu pai, Suddhodana, consultou um astr\u00f3logo, o qual previu que o jovem Sidharta cresceria para ser um her\u00f3i e conquistaria o mundo, ou seria um grande s\u00e1bio. Suddhodana, evidentemente, preferiu a primeira op\u00e7\u00e3o e tomou provid\u00eancias para que seu filho fosse criado com todas as virtudes dos reis e guerreiros da \u00e9poca, protegendo-o, tanto quanto poss\u00edvel, de qualquer coisa que pudesse lev\u00e1-lo a questionar o significado da vida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">De in\u00edcio, os objetivos de Suddhodana foram bem sucedidos, e Sidharta tomou-se um jovem forte e feliz. Casou-se e sua mulher deu \u00e0 luz um menino. Entretanto, embora n\u00e3o percebesse claramente por que, come\u00e7ou a sentir-se inquieto, achando que a sua vida n\u00e3o lhe trazia nenhuma satisfa\u00e7\u00e3o. Decidiu fugir secretamente do pal\u00e1cio e aventurar-se entre os s\u00faditos de seu pai. Pela primeira vez na vida, deparou-se com as realidades: doen\u00e7a, velhice e morte e, como resultado dessa experi\u00eancia, tomou-se cada vez mais angustiado, compreendendo que, por maior que fosse a prote\u00e7\u00e3o, o conforto e o luxo que o pai proporcionava, n\u00e3o podiam impedir que ele, nem ningu\u00e9m, lutasse pela vida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Refletindo sobre o problema e em busca de uma resposta, decidiu tornar-se mendigo errante. Naquela \u00e9poca, este era o caminho para os que queriam entender a morte e o sofrimento da humanidade. Assim, Sidharta renunciou \u00e0 riqueza, ao poder e \u00e0 fam\u00edlia, partindo em busca da verdade. Ele tinha quase trinta anos, estava na plenitude da vida e era muito determinado. Estava abandonando tudo por um futuro totalmente incerto. Como era praxe, n\u00e3o possu\u00eda nada, dormia ao relento e obtinha comida esmolando.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Procurou v\u00e1rios mestres, aprendendo tudo que eles sabiam, mas continuava sem solucionar suas d\u00favidas a respeito do significado da vida. Na sua determina\u00e7\u00e3o para equacionar este problema, sujeitou-se a todas as formas de rigorosa austeridade, ganhando a reputa\u00e7\u00e3o de asceta. Um pequeno c\u00edrculo de seguidores reuniu-se em tomo dele. Juntos, jejuavam, expunham-se aos rigores do calor e do frio, e submetiam-se a mortifica\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. Depois de cinco anos desta vida, Sidharta estava quase morto de fome e exaust\u00e3o, e ainda n\u00e3o tinha conseguido solucionar sua d\u00favida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Finalmente, concluiu que o significado da vida n\u00e3o tinha de ser descoberto por meio de um ascetismo extremo e, assim, abandonou esta pr\u00e1tica. N\u00e3o devemos desprezar o significado desta sua atitude. Com efeito, ele chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que os cinco ou seis anos em que sujeitou-se, voluntariamente, \u00e0 mais incr\u00edvel dureza (e reconquistou algum status pessoal, em conseq\u00fc\u00eancia disso) foram uma completa perda de tempo. Da mesma forma como quando decidiu abandonar o pal\u00e1cio de Suddhodana, deve ter sido necess\u00e1rio uma tremenda coragem e autoconfian\u00e7a para chegar a este reconhecimento. E isto tamb\u00e9m comprova a for\u00e7a de sua d\u00favida pessoal a respeito do significado da vida, bem como sua f\u00e9 e determina\u00e7\u00e3o para solucion\u00e1-la.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Pela primeira vez, em muitos anos, comeu uma refei\u00e7\u00e3o decente. O resto do grupo, que o tinha como mestre, partiu revoltado. Profundamente frustrado por seu pr\u00f3prio fracasso, Sidharta, de repente, lembrou-se de uma \u00e9poca de sua inf\u00e2ncia em que, sentado debaixo de uma \u00e1rvore, no jardim do pal\u00e1cio, espontaneamente experimentara um estado de perfeita harmonia e paz com a vida. Com determina\u00e7\u00e3o renovada, sentou-se debaixo de uma \u00e1rvore pr\u00f3xima e resolveu que s\u00e9 se levantaria quando sua d\u00favida a respeito da vida estivesse totalmente satisfeita.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O dia cedeu lugar \u00e0 noite, e a noite trouxe a aurora. Ent\u00e3o, de acordo com a vers\u00e3o existente no Zen, a estrela da manh\u00e3 despontou no horizonte e, vendo-a, Sidharta, subitamente, compreendeu que nunca havia faltado respostas para suas d\u00favidas. Vida e morte eram apenas fen\u00f4menos passageiros, no palco do N\u00e3o Nascido, o qual n\u00e3o era outro sen\u00e3o ele pr\u00f3prio. \u2018Isto \u00e9 um milagre!\u2019 exclamou. \u2018Todos os seres vivos s\u00e3o intrinsecamente iluminados, quanto ao significado da vida e da morte, s\u00e3o perfeitamente dotados de sabedoria e da compaix\u00e3o dos Despertos, mas, dados seus pensamentos ilus\u00f3rios, n\u00e3o podem perceb\u00ea-lo.\u2019 Compreendendo esta verdade, sua d\u00favida foi resolvida e Sidharta Gautama tornou-se Buda Shakyamuni.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A verdade descoberta era t\u00e3o simples e sutil, que ele teve d\u00favidas de que algu\u00e9m fosse capaz de entender. Entretanto, ao meditar, deu-se conta de que deveria haver, pelo menos, algumas pessoas prontas para sensibilizarem-se com seus ensinamentos e, assim, iniciou uma vida dedicada ao ensino que deveria se prolongar por quase quarenta anos, e cujas repercuss\u00f5es s\u00e3o sentidas at\u00e9 os nossos dias.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Existem tantas formula\u00e7\u00f5es do ensinamento de Buda (o \u2018Dharma\u2019) quantas s\u00e3o as escolas do Budismo. A escola do Zen afirma transmitir a verdadeira ess\u00eancia do Dharma, sem apoiar-se nas palavras e letras da doutrina. Isto n\u00e3o quer dizer que o Zen ignore o Budismo can\u00f4nico, mas muito pelo contr\u00e1rio, como Vimalakirti, os mestres Zen consideram mais importante manifestar a ess\u00eancia do Budismo do que meramente falar sobre ele. Foi assim que Hui-neng (638-713), o Sexto Patriarca do Zen Chin\u00eas, embora analfabeto e, portanto, incapaz de estudar os Sutras, p\u00f4de explic\u00e1-los na integra para quem se dedicasse a ler as passagens para ele. Certa vez, Hui-neng disse: \u2018N\u00e3o deixe o Sutra derrub\u00e1-lo; em vez disso, derrube-o voc\u00ea.\u2019<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os ensinamentos de Buda eram pragm\u00e1ticos, diretos e adaptados \u00e0s necessidades de seus ouvintes. Ele nunca perdeu de vista os abismos profundos da confus\u00e3o, nos quais a maior parte da humanidade est\u00e1 mergulhada, e estava pronto para usar todos os modos de ensinamentos proveitosos para ajudar seus seguidores em seus equ\u00edvocos e dificuldades. Assim, quando foi abordado por uma mulher que trazia o filho morto nos bra\u00e7os, buscando consolo e como compreender por que essa coisa horr\u00edvel tinha lhe acontecido, disse que poderia ajud\u00e1-la, desde que trouxesse uma semente de mostarda de uma casa que n\u00e3o tivesse conhecido o sofrimento. A mulher foi de casa em casa procurando a tal semente e, apesar de muitos terem oferecido sementes, ela n\u00e3o encontrou nenhuma casa que n\u00e3o tivesse conhecido o sofrimento. Assim sendo, voltou ao Buda, que disse:<\/p>\n<p>Minha irm\u00e3, voc\u00ea descobriu<br \/>\nProcurando aquilo que ningu\u00e9m acha, o b\u00e1lsamo amargo<br \/>\nQue eu tinha que lhe dar. Aquele que voc\u00ea amou<br \/>\nCaiu morto no seu peito ontem; hoje<br \/>\nVoc\u00ea sabe que o mundo inteiro chora<br \/>\nCom sua tristeza.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Buda desenvolveu muitos m\u00e9todos t\u00e1ticos para levar as pessoas a abandonarem os apegos das suas mentes discriminadoras (que ele via como a fonte dos problemas). Explicou por que agia desta forma, atrav\u00e9s da par\u00e1bola da casa em chamas:<\/p>\n<p>Em uma cidade de um determinado pa\u00eds, havia um grande anci\u00e3o, cuja casa era enorme, mas s\u00f3 tinha uma porta estreita. Esta casa estava muito estragada e um dia, de repente, irrompeu um grande inc\u00eandio que rapidamente come\u00e7ou a se alastrar. Dentro da casa estavam muitas crian\u00e7as, e o anci\u00e3o come\u00e7ou a implorar para que sa\u00edssem. Mas todas estavam absortas nas suas brincadeiras e, embora tudo levasse a crer que iriam morrer queimadas, elas n\u00e3o prestaram a menor aten\u00e7\u00e3o ao que o anci\u00e3o dizia e n\u00e3o mostravam pressa de sair.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O anci\u00e3o pensou um momento. Como era muito forte, poderia colocar todas dentro de um caixote e tir\u00e1-las rapidamente. Mas, depois, viu que, se o fizesse, algumas poderiam cair e se queimar. Por isso, resolveu alert\u00e1-las sobre os horrores do inc\u00eandio, para que sa\u00edssem por sua livre e espont\u00e2nea vontade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Aos gritos, pediu que fugissem imediatamente, por\u00e9m as crian\u00e7as deram uma olhada e n\u00e3o tomaram conhecimento.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O grande anci\u00e3o lembrou-se que todas as crian\u00e7as queriam carro\u00e7as de brinquedo e, assim, chamou-as dizendo que viessem depressa ver as carro\u00e7as de bodes, veados e bois que tinham chegado.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ao ouvirem isto, as crian\u00e7as finalmente prestaram aten\u00e7\u00e3o e ca\u00edram umas sobre as outras, na \u00e2nsia de sa\u00edrem, fugindo, desta maneira, da casa em chamas. O anci\u00e3o ficou aliviado por terem escapado ilesas do perigo, e, quando elas come\u00e7aram a perguntar pelas carro\u00e7as, deu a cada uma n\u00e3o aquelas simples que elas queriam, por\u00e9m carro\u00e7as magnificamente decoradas com objetos preciosos, puxadas por grandes novilhos brancos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O simbolismo desta est\u00f3ria talvez esteja bastante \u00f3bvio. O anci\u00e3o \u00e9 Buda, a casa em chamas \u00e9 a natureza da exist\u00eancia que Buda chamou de \u2018Duka\u2019 (isto \u00e9, incapaz de dar uma satisfa\u00e7\u00e3o duradoura, porque, em todos os aspectos, \u00e9 inconsistente e transit\u00f3ria). As crian\u00e7as s\u00e3o a humanidade e suas brincadeiras representam as divers\u00f5es mundanas com as quais estamos t\u00e3o ocupados que, muito embora estejamos vagamente conscientes da vida e do verdadeiro Self, n\u00e3o prestamos aten\u00e7\u00e3o para isto. As carro\u00e7as de bode, veado e boi s\u00e3o os m\u00e9todos de ensino tempor\u00e1rios, na realidade o \u2018chamariz\u2019 atrav\u00e9s do qual Buda pode nos fazer escutar e come\u00e7ar a praticar o Dharma, e as carro\u00e7as magn\u00edficas, puxadas por grandes novilhos brancos, representam a pr\u00f3pria Ilumina\u00e7\u00e3o, para a qual Buda s\u00f3 nos conduzir\u00e1 se tiver nossa coopera\u00e7\u00e3o e entrega.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O esp\u00edrito da est\u00f3ria toda do Dharma de Buda talvez esteja resumido nesta est\u00f3ria. Ela foi adaptada e difundida por meio de todos os seus grandes sucessores do Dharma. Demonstra tamb\u00e9m a natureza provisional daquilo que Buda ensinou, associando seu ensinamento a um remo, que \u00e9 \u00fatil enquanto a pessoa est\u00e1 atravessando a \u00e1gua, mas que poder\u00e1 ser abandonado depois. E por isso que, na tradi\u00e7\u00e3o Zen, o Dharma foi chamado de o dedo que aponta para a lua.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No Sutra Lankavatara, Buda \u00e9 mencionado como tendo dito: \u2018Se um homem se apega ao significado literal das palavras.., a respeito do estado original da ilumina\u00e7\u00e3o, o qual \u00e9 n\u00e3o nascido e que n\u00e3o morre&#8230;, come\u00e7a a ter pontos de vista positivos ou negativos. Assim como as diferen\u00e7as dos objetos s\u00e3o vistas como ilus\u00e3o, e distinguidas como reais, se afirma\u00e7\u00f5es err\u00f4neas forem feitas, as distin\u00e7\u00f5es err\u00f4neas continuam. E por meio do ignorante que as distin\u00e7\u00f5es continuam, e o s\u00e1bio faz o contr\u00e1rio.\u2019 E, como vemos no Sutra Vajraechedika (do Diamante):<\/p>\n<p>Assim voc\u00ea deve pensar deste mundo fugaz;<br \/>\nUma estrela no amanhecer, uma espuma no regato;<br \/>\nUma fa\u00edsca de rel\u00e2mpago, em uma nuvem de ver\u00e3o;<br \/>\nUma l\u00e2mpada cintilando, um fantasma, e um sonho.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Muito embora o Dharma tenha sido formulado dentro das Quatro Nobres Verdades, do Caminho \u00d3ctuplo, das Cinco Virtudes Espirituais e dos Cinco Obst\u00e1culos \u00e0 Pr\u00e1tica, dos Doze Elos da Exist\u00eancia Condicionada e muito mais, todos estes constituem os diversos meios pr\u00e1ticos para compreendermos a verdadeira natureza do cora\u00e7\u00e3o e da mente humanos. Por isso, em outro lugar, os Sutras nos falam que, entre a Ilumina\u00e7\u00e3o, em Magadha, e a morte ou paranirvana, em Kusinagara, Buda n\u00e3o proferiu nenhuma palavra de ensinamento; que n\u00e3o alcan\u00e7ou a Ilumina\u00e7\u00e3o embaixo da \u00e1rvore Bodi, em Magadha, e que eternamente esteve sentado sobre o \u2018Pico dos Abutres\u2019, pregando o Dharma para a assembl\u00e9ia (o Sangha).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em <i>Zen Flesh, Zen Bones<b>, <\/b><\/i>tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas de Nyogen Senzaki e Paul Reeps, encontramos o seguinte:<\/p>\n<p>Buda disse: Considero a condi\u00e7\u00e3o dos reis e legisladores como gr\u00e3os de poeira. Observo os tesouros de ouro e as pedras preciosas como sendo tijolos e seixos. Para mim, as mais finas vestes de seda s\u00e3o trapos esfarrapados. Vejo mundos de mir\u00edades, no universo, como pequenas sementes de fruta, e o maior lago da \u00cdndia como uma gota de \u00f3leo no meu p\u00e9. Percebo os ensinamentos do mundo como a ilus\u00e3o dos m\u00e1gicos. Distingo a mais alta concep\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o como um brocado dourado de um sonho, e vejo o caminho sagrado dos iluminados como flores que aparecem nos olhos de algu\u00e9m. Encaro a medita\u00e7\u00e3o como o pilar de uma montanha, o Nirvana como um pesadelo no dia. Considero o julgamento do que \u00e9 certo e errado como a dan\u00e7a sinuosa de um drag\u00e3o, e o aparecer e desaparecer das cren\u00e7as como nada mais do que vest\u00edgios das quatro esta\u00e7\u00f5es.\u2019<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o Zen, diz-se que, durante todos os quarenta anos de ensinamento, Buda s\u00f3 teve um sucessor no Dharma, seu disc\u00edpulo mais antigo, Mahakashyapa. \u00c9 assim que D.T. Suzuki conta a est\u00f3ria do Dai-Kensho de Mahakashyapa:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Buda estava um dia no Monte dos Abutres, pregando para uma congrega\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos. Ele n\u00e3o recorreu a nenhuma longa alocu\u00e7\u00e3o verbal para explicar o assunto que estava tratando. Simplesmente, levantou, perante a assembl\u00e9ia, um buqu\u00ea de flores que um dos disc\u00edpulos lhe havia oferecido. Nenhuma palavra saiu de sua boca. Ningu\u00e9m entendeu o significado dessa atitude, a n\u00e3o ser o vener\u00e1vel Mahakashyapa, que serenamente sorriu para o mestre, como quem tinha compreendido muito bem o seu ensinamento silencioso.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Buda, vendo o que se passava, solenemente proclamou: \u2018Tenho o mais precioso tesouro espiritual e, neste momento, estou transmitindo-o para voc\u00eas, \u00d3 Mahakashyapa.\u2019<\/p>\n<p>De fato, Buda estava dizendo para Mahakashyapa \u2018Esta flor \u00e9 o verdadeiro caminho e eu a entrego para voc\u00ea.\u2019 Mahakashyapa teve um <i>insight <\/i>imediato da experi\u00eancia do aqui e agora com \u2018apenas estas flores\u2019, da mesma maneira que Sakyamuni experimentou \u2018apenas a estrela matutina\u2019. Os s\u00edmbolos da Ilumina\u00e7\u00e3o, o manto e a tigela, foram passados adiante e, nas palavras do Sutra do Lotus Branco, \u2018Um Buda junto com outro Buda aprofundam a realidade da exist\u00eancia inteira!\u2019<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Mahakashyapa transmitiu o Dharma para Ananda, outro disc\u00edpulo de Buda, da seguinte maneira: Ananda perguntou para Kashyapa: \u2018O honrado pelo mundo lhe deu o manto dourado, voc\u00ea ganhou mais alguma coisa?\u2019 (Em outras palavras, teria o Buda transmitido para Mahakashyapa algum ensinamento secreto?) \u2018Ananda\u2019, gritou Kashyapa. \u2018Sim, Senhor\u2019, respondeu Ananda. \u2018Derrube o mastro da bandeira do port\u00e3o\u2019, disse Kashyapa. Debaixo do impacto de ouvir e responder, Ananda estava no momento completamente alerta. N\u00e3o faltava mais nada para ele compreender.<\/p>\n<p><i>Katsuki Selcida<\/i> diz o seguinte sobre isto:<\/p>\n<p>Quando vai haver a palestra de um mestre, a bandeira \u00e9 hasteada no mastro do port\u00e3o do templo. Mas, agora, o mastro tinha que ser derrubado. A palestra de Kashyapa acabou. A derrubada do mastro \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da transmiss\u00e3o do Dharma para Ananda. Derrubar O mastro da bandeira tem outra implica\u00e7\u00e3o importante: \u00e9 derrubar o seu pr\u00f3prio apego, derruba! o seu tesouro: Ilumina\u00e7\u00e3o, Zen, seu mestre, Buda, tudo. Este ato de derrubar \u00e9 usado como um Koan independente. O mestre perguntar\u00e1: Como voc\u00ea derruba o mastro da bandeira?\u2019<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A partir de Shakyamuni, a ess\u00eancia da Ilumina\u00e7\u00e3o de Buda foi transmitida, ao todo, atrav\u00e9s de 28 gera\u00e7\u00f5es de mestres Dhyana da \u00cdndia, at\u00e9 Bodhidharma, no sexto s\u00e9culo da era crist\u00e3. Sidharta Gautama, na verdade, tomou-se um her\u00f3i que conquistou o mundo, mas n\u00e3o exatamente da maneira que seu pai planejara.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0<em>Extra\u00eddo de &#8220;Elementos do Zen&#8221; de David Scott e Tony Doubleday<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buda nasceu em Kipilavastu, Iluminado em Magadha; Ensinou em Varanasi; Entrou no Nirvana em Kusinagara. &nbsp; C\u00e2ntico Soto Zen para a hora da refei\u00e7\u00e3o O Zen japon\u00eas, com sua \u00eanfase sobre a pr\u00e1tica do zazen, estudo do Koan e a &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/raizes-do-zen\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1250,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[7],"class_list":["post-1253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-zen","tag-zen-2"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1253"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1258,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1253\/revisions\/1258"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1250"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}