{"id":1263,"date":"2017-07-31T17:40:04","date_gmt":"2017-07-31T19:40:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=1263"},"modified":"2017-07-31T17:40:04","modified_gmt":"2017-07-31T19:40:04","slug":"chan-zen-na-china","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/chan-zen-na-china\/","title":{"rendered":"Ch&#8217;an (Zen) na China"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1264\" rel=\"attachment wp-att-1264\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-1264\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/chan-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Mais ou menos no ano 520, Bodhidharma cruzou o Oceano \u00cdndico, indo para a China. Sua chegada \u00e0s terras do imperador Amarelo marcou o in\u00edcio do Ch\u2019an e ele tomou-se o primeiro patriarca Chin\u00eas.<\/p>\n<p>Embora diversas escolas do Budismo tenham sido criadas na China, muito antes de Bodhidharma chegar, sua reputa\u00e7\u00e3o de renomado mestre de Dhyana antecedeu-o; por isso, o imperador Chin\u00eas Wu-ti (502-540), que era um budista devoto, convidou Bodhidharma para visitar o Pal\u00e1cio Imperial, a fim de transmitir seus ensinamentos. O Imperador tinha patrocinado a constru\u00e7\u00e3o de muitos mosteiros e templos budistas e sustentado diversos mestres de v\u00e1rias seitas budistas. Segundo sua maneira de entender os ensinamentos, achava que, em conseq\u00fc\u00eancia de tudo o que fazia, deveria \u2018merecer\u2019 um feliz e pr\u00f3spero reino, e ter o privilegio de reencarnar no lugar que os budistas chamam de &#8220;Na\u00e7\u00e3o Pura&#8221;, onde, ao contr\u00e1rio da terra, todas as condi\u00e7\u00f5es de vida conduziriam \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O imperador estava encantado por ter a oportunidade de encontrar um mestre profundamente iluminado e ansioso para conhecer suas realiza\u00e7\u00f5es espirituais. Conta-se que, ao encontrar Bodhidharma o imperador perguntou:<\/p>\n<p>&#8220;Tenho constru\u00eddo muitos templos, copiado in\u00fameros Sutras e ordenado muitos monges, desde que me tomei imperador. Portanto, pergunto-lhe: qual \u00e9 o meu m\u00e9rito?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Nenhum!&#8221;, respondeu Bodhidharma.<\/p>\n<p>O Imperador insistiu: &#8220;Por que n\u00e3o tenho m\u00e9rito?&#8221;<\/p>\n<p>Bodhidharma replicou: &#8220;Fazer as coisas para obter m\u00e9rito tem um motivo impuro e s\u00f3 revelar\u00e1 o fruto mesquinho do renascimento.&#8221;<\/p>\n<p>O imperador, um tanto aborrecido, ent\u00e3o, perguntou &#8220;Qual \u00e9 o principio mais importante do Budismo?&#8221;<\/p>\n<p>Ao que Bodhidharma respondeu: &#8220;Um grande vazio. Nada sagrado.&#8221;<\/p>\n<p>O imperador agora confuso e bastante indignado inquiriu: &#8220;Quem \u00e9 este que est\u00e1 diante de mim?&#8221;<\/p>\n<p>Bodhidharma falou: &#8220;Eu n\u00e3o sei.&#8221;<\/p>\n<p>Vendo que o Imperador n\u00e3o entendeu, Bodhidharma cruzou o rio para Shaolin, onde ficou em medita\u00e7\u00e3o durante nove anos, voltado para a parede de uma gruta.<\/p>\n<p>Wu-ti, mais tarde, conversou com um de seus ministros Budistas sobre o encontro que tivera com Bodhidharma. O ministro perguntou: \u2018Vossa Majestade imperial sabe quem \u00e9 esta pessoa?\u2019 O Imperador disse que n\u00e3o sabia. O ministro falou: \u2018Ele \u00e9 o Bodhisattva da compaix\u00e3o portador do selo do cora\u00e7\u00e3o de Buda.\u2019 Cheio de arrependimento o Imperador quis chamar Bodhidharma de volta \u00e0 corte, mas o ministro advertiu: \u2018Ainda que voc\u00ea o mandasse buscar, ele n\u00e3o viria. Nem mesmo se todo o mundo, na China, fosse pedir-lhe.\u2019 Ao mesmo tempo, Bodhidharma atraia um c\u00edrculo de seguidores e, com o passar dos anos, confirmou\u2019 Eka (o chin\u00eas Hui K\u2019o) como seu pr\u00f3prio sucessor do Dharma.<\/p>\n<p>Os mestres de Dhyana rapidamente descobriram que os chineses tinham um sistema contemplativo pr\u00f3prio nos ensinamentos de Lao-tsu\u2019 e de Ch\u2019ung-tsU (o qual se chama coletivamente de Tao\u00edsmo). A maneira simples de viver em harmonia com a vida, associada ao Tao\u00edsmo, est\u00e1 resumida no principio \u2018Wu-wei\u2019, que significa \u2018n\u00e3o-fazer\u2019 ou \u2018n\u00e3o-esfor\u00e7o\u2019 (no sentido de seguir as ilus\u00f5es da mente). O texto cl\u00e1ssico do Tao\u00edsmo, o Tao Te Ching, come\u00e7a assim:<\/p>\n<p>O Tao que pode ser contado n\u00e3o \u00e9 o Tao eterno.<br \/>\nO nome que pode ser especificado n\u00e3o \u00e9 o nome eterno.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o tem nome \u00e9 o eternamente real.<br \/>\nDar nomes \u00e9 a origem de todas as coisas pessoais.<\/p>\n<p>Livre do desejo, voc\u00ea compreende o mist\u00e9rio.<br \/>\nApanhado em desejo, s\u00f3 v\u00ea as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Embora mist\u00e9rio e manifesta\u00e7\u00f5es surjam da mesma fonte.<br \/>\nEsta fonte chama-se escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>Escurid\u00e3o dentro da escurid\u00e3o.<br \/>\nA porta de todo o entendimento.<\/p>\n<p>As similaridades com o Dhyana Budista eram marcantes e, mais tarde, Ch\u2018an \u00e9 impregnado pela influ\u00eancia do Tao\u00edsmo que, assim, deu a Ch\u2019an seu sabor distinto. Veja, por exemplo, o Hsin Hsin Ming, escrito pelo Terceiro Patriarca, Sengstan (em japon\u00eas, Sosan) que assim come\u00e7a:<\/p>\n<p>O Grande caminho n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil<br \/>\nPara aqueles que n\u00e3o t\u00eam prefer\u00eancias.<br \/>\nQuando amor e \u00f3dio est\u00e3o ausentes<br \/>\nTudo se toma claro e indistinto.<br \/>\nFa\u00e7a a menor distin\u00e7\u00e3o, entretanto,<br \/>\nE o c\u00e9u e a terra ser\u00e3o infinitamente postos de lado.<\/p>\n<p>Depois do Quarto Patriarca, Tao-hsin, os mestres do Ch\u2019an come\u00e7aram a construir e fundar mosteiros para treinamento e, quando chegou a \u00e9poca do Quinto, Hung-jen (601-704), j\u00e1 havia mil monges estudando na mesma \u00e1rea.<\/p>\n<p>O SEXTO PATRIARCA<\/p>\n<p>Um dos disc\u00edpulos do mosteiro de Hung-jen era um campon\u00eas analfabeto que, depois, tomou-se o Sexto Patriarca. Seu nome era Hui-neng e, ao lado de Bodhidharma e Shakyamuni, \u00e9 talvez o mestre mais renomado na hist\u00f3ria do Zen.<\/p>\n<p>No relato biogr\u00e1fico de sua vida, o Sutra da Declara\u00e7\u00e3o de Prinelpios do Sexto Patriarca, conta como chegou at\u00e9 Hung-jen, de-pois de ter ficado todo iluminado ao escutar, por acaso, um monge ler oSutra do Diamante. Hung-jen, percebendo a sua Ilumina\u00e7\u00e3o, colocou-o para trabalhar na cozinha, pois n\u00e3o queria criar uma situa\u00e7\u00e3o embara\u00e7osa para os monges mais velhos. Passaram-se oito meses at\u00e9 que Hung-jen chamou todos os monges para uma reuni\u00e3o e anunciou que, se algum deles pudesse compor uma poesia, explicando a ess\u00eancia do Zen, lhe seria dada a \u2018transmiss\u00e3o\u2019, e receberia o manto e a tigela do Sexto Patriarca. O favorito para o t\u00edtulo era o monge-chefe, Shen-hsin. Ele escreveu o verso a seguir, sem assinar, na parede do mosteiro, altas horas da noite.<\/p>\n<p>Nosso corpo \u00e9 a \u00e1rvore-Bodi<br \/>\nNossa mente, um espelho brilhante.<br \/>\nCuidadosamente n\u00f3s os limpamos minuto a minuto<br \/>\nE n\u00e3o deixamos nenhuma poeira ali pousar.<\/p>\n<p>Os outros monges ficaram maravilhados e decidiram que n\u00e3o poderia haver nada melhor. Entretanto, Hui-neng, passando pelo corredor, perguntou pelo verso que seria lido para ele (ele n\u00e3o sabia do teste de Hung-jen), e ditou seu pr\u00f3prio poema:<\/p>\n<p>A \u00e1rvore Bodi n\u00e3o existe<br \/>\nNem sequer um espelho brilhante.<br \/>\nJ\u00e1 que tudo \u00e9 vazio<br \/>\nOnde pode a poeira pousar?<\/p>\n<p>Todos ficaram surpresos, e o mestre, reconhecendo que este era o trabalho de algu\u00e9m que verdadeiramente entendeu a ess\u00eancia da mente, apagou-o, temendo que pudesse expor Hui-neng \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o dos monges com ci\u00fames, por lealdade a Shen-hsui. Hui-neng tinha sido convocado para ver o mestre naquela mesma noite. Ele tinha recebido o manto e a tigela (que se dizia terem pertencido a Bodhidharma), e tinha sido avisado para seguir para o sul. Durante quinze anos, Hui-neng ficou no anonimato at\u00e9 decidir que j\u00e1 era a hora certa de revelar que ele era o Sexto Patriarca. A escola do Zen por ele fundada passou a ser conhecida comq Escola do Sudeste, e a de Shen-hsui \u2014 que aos poucos iria desaparecer \u2014, como Escola do Nordeste.<\/p>\n<p>Tal era a genialidade de Hui-neng que, com grande capacidade, transmitiu o Dharma para 43 sucessores! Da\u00ed em diante, apareceram muitas linhas diferentes de transmiss\u00e3o do Zen, sendo que essa foi a semente para o desenvolvimento das duas principais seitas Zen no Jap\u00e3o: a Soto e a Rinzai.<\/p>\n<p>A Dinastia T\u2019ang (620-906) foi a Idade de Ouro do Zen na China. Ela produziu grandes mestres, como Joshu (778-897) e Nansen (748-834), e as est\u00f3rias e casos desses mestres foram reunidas em cole\u00e7\u00f5es como a Mumokan, Hekiganroku, Shoyoroku e Tetteki Tosui, e estudadas pelos disc\u00edpulos do Zen at\u00e9 os dias de hoje. Um dos maiores professores e que gozou de maior influ\u00eancia, nessa \u00e9poca, foi Lin-Chi.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Extra\u00eddo de &#8220;Elementos do Zen&#8221; de David Scott e Tony Doubleday<\/em><\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais ou menos no ano 520, Bodhidharma cruzou o Oceano \u00cdndico, indo para a China. Sua chegada \u00e0s terras do imperador Amarelo marcou o in\u00edcio do Ch\u2019an e ele tomou-se o primeiro patriarca Chin\u00eas. 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