{"id":1279,"date":"2017-07-31T18:08:51","date_gmt":"2017-07-31T20:08:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=1279"},"modified":"2017-07-31T18:08:51","modified_gmt":"2017-07-31T20:08:51","slug":"zen-no-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/zen-no-ocidente\/","title":{"rendered":"Zen no Ocidente"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1280\" rel=\"attachment wp-att-1280\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1280\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/ocidente.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"180\" \/><\/a><br \/>\nEmbora muitas vezes o associem \u00e0s artes marciais, medicina alternativa, cozinha macrobi\u00f3tica, manuten\u00e7\u00e3o de motocicleta etc., muitos ocidentais, pelo menos, j\u00e1 ouviram falar no Zen hoje em dia. Ele tem sido popularizado em filmes, m\u00fasica, artes e fic\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o existem boas livrarias ou bibliotecas que n\u00e3o tenham, pelo menos, uma publica\u00e7\u00e3o sobre o assunto.O trabalho pioneiro de D.T. Suzuki, Alan Watts e Christmas Humphries, juntamente com o interc\u00e2mbio cultural deste s\u00e9culo, tamb\u00e9m tomou muito f\u00e1cil, para diversas gera\u00e7\u00f5es de mestres Zen orientais, trazer o Dharma para o Ocidente.Talvez por causa do relacionamento desenvolvido entre as for\u00e7as americanas de ocupa\u00e7\u00e3o e os nacionalistas japoneses, os primeiros mestres Zen do Jap\u00e3o que viajaram para o exterior foram inicialmente para a Am\u00e9rica do Norte. No in\u00edcio, reuni\u00f5es informais conduzidas por Nyogen Senzaki e outros, despertaram um interesse nos retiros (sesshin) formais do Zen, sob a orienta\u00e7\u00e3o, por exemplo, dos Roshis Shunryu Suzuki, Hakuin Yasutani e Soen Nakagawa. No in\u00edcio da d\u00e9cada de setenta, centros de treinamento formal foram fundados na Am\u00e9rica para o Soto e o Rinzai Zen, bem como para o Ch\u2019an chin\u00eas e o \u2018Son\u2019 coreano.<\/p>\n<p>Como os monges japoneses Eisai e Dogen, que foram para a China e retomaram para o Jap\u00e3o com o Dharma, alguns ocidentais, interessados no Zen, foram para o Oriente, de l\u00e1 regressando para fundar seus pr\u00f3prios centros de treinamento como sat\u00e9lites de mosteiros do Jap\u00e3o ou independentes. Entre estes est\u00e3o o Roshi Jiyu Kennet, o Vener\u00e1vel Myoko-ni e o Roshi Philip Kapleau. Juntos, os disc\u00edpulos americanos e europeus e os mestres japoneses no Ocidente, que conclu\u00edram seu pr\u00f3prio treinamento formal, representam uma gera\u00e7\u00e3o de mestres Zen nativos, alguns dos quais agora t\u00eam seus pr\u00f3prios sucessores do Dharma.<\/p>\n<p>Apesar de ainda estarmos nos primeiros anos de seu desenvolvimento, ficou claro que o Zen, no Ocidente, vai ser diferente de seus cong\u00eaneres orientais. Isto se reflete nas expectativas dos pr\u00f3prios disc\u00edpulos, seus mestres e no Dharma em si. Deste modo, assim como tem tido um not\u00e1vel crescimento, o Zen no Ocidente tem tamb\u00e9m experimentado muitos mal-entendidos e dificuldades: duras li\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo aprendidas tanto pelos disc\u00edpulos como pelos mestres.<\/p>\n<p>Tem havido consider\u00e1vel experimenta\u00e7\u00e3o com os m\u00e9todos de ensino tradicionais, e um dos resultados \u00e9 que os mestres ficaram mais dispostos a falar e explicar o Zen do que no passado. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m diferen\u00e7as de estilo marcantes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00e1rias linhagens que est\u00e3o surgindo no Ocidente. Vejamos o Soto Zen, por exemplo; a escola franco-europ\u00e9ia, fundada pelo Roshi Taisen Dshimaru (19141982), \u00e9 muito diferente, na sua abordagem para treinamento, da brit\u00e2nica do Roshi Jiyu Kennet e da Ordem norte-americana dos budistas contemplativos.<\/p>\n<p>Tudo isto \u00e9 de esperar enquanto os mestres adaptam o treinamento para atender \u00e0s necessidades dos disc\u00edpulos. Uma impress\u00e3o que se tem do Ch\u2019an desenvolvido \u00e9 de que se tornou reconhecidamente diferente dos sistemas do Budismo Mahayana de Dhyana, no qual teve origem. De maneira semelhante, o Soto e o Rinzai japoneses, conforme existem hoje, s\u00e3o muito diferentes das suas origens do s\u00e9culo XII. J\u00e1 que o Zen trata da valoriza\u00e7\u00e3o da vida, em vez da devo\u00e7\u00e3o a dogmas e credos espec\u00edficos, suas formas europ\u00e9ias e norte-americanas, com certeza, evoluir\u00e3o com as conhecidas caracter\u00edsticas da cultura ocidental.<\/p>\n<p>\u00c9 muito cedo para dizer que forma essas caracter\u00edsticas finalmente v\u00e3o tomar; por\u00e9m, neste est\u00e1gio, certas preocupa\u00e7\u00f5es e temas parecem bastante comuns em v\u00e1rias escolas ocidentais do Zen. Resumidamente s\u00e3o:<\/p>\n<p>1. Apesar de o Dogen insistir que homens e mulheres s\u00e3o igualmente capazes de realizar o Caminho, h\u00e1 uma diferen\u00e7a marcante entre o moderno Ocidente e o antigo Oriente quanto ao lugar e o status da mulher no treinamento Zen. A tend\u00eancia no Ocidente tem sido n\u00e3o fazer distin\u00e7\u00e3o de sexo. Centros de treinamento, mosteiros, sesshin, acesso aos mestres, todos est\u00e3o abertos para qualquer pessoa. Talvez, em conseq\u00fc\u00eancia disso, haja muito mais mulheres procurando o treinamento Zen no Ocidente do que no Oriente.<\/p>\n<p>2. A necessidade de, e a distin\u00e7\u00e3o entre treinamento leigo e mon\u00e1stico tem sido mat\u00e9ria para muita medita\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o no Ocidente. Alguns mestres s\u00e3o muito severos nas suas exig\u00eancias para com os disc\u00edpulos que querem se tomar monges, ao passo que outros encaram como natural, para qualquer um que pratique a medita\u00e7\u00e3o regularmente, tomar-se monge, se assim o desejar. A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m obscura porque n\u00e3o existe uma tradi\u00e7\u00e3o muito difundida, no Ocidente, para os leigos manterem as comunidades mon\u00e1sticas. Isto significa que quase todos os monges Zen ocidentais t\u00eam de trabalhar, pelo menos por algum tempo, em tarefas comuns, para se manterem. Em conseq\u00fc\u00eancia disso, nos centros Zen que ficam na cidade, mais do que nos mosteiros da zona rural, esta tem sido a regra. Onde centros de retiros mon\u00e1sticos foram fundados, a tend\u00eancia \u00e9 abrigar apenas pequenas comunidades residenciais, e a maior parte das pessoas ficar somente algumas semanas ou meses de cada vez.<\/p>\n<p>3. At\u00e9 que ponto o Zen ocidental dever\u00e1 adotar as formas orientais nas quais o Zen est\u00e1 \u2018condensado\u2019 \u00e9 um assunto que tem sido tratado amplamente, de diferentes maneiras. Algumas linhagens ocidentais t\u00eam feito um grande esfor\u00e7o para remover da pr\u00e1tica todos os vest\u00edgios das origens orientais. Assim, todos os termos de refer\u00eancia, os Sutras e os c\u00e2nticos t\u00eam sido traduzidos nos equivalentes pr\u00f3ximos europeus, e t\u00eam sido adotadas formas de apresenta\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es religiosas europ\u00e9ias. Outras t\u00eam sido mais conservadoras, entretanto, limitando-se, por exemplo, a traduzir para o vern\u00e1culo somente certos cantos.<\/p>\n<p>Os motivos para fazer ou deixar de fazer quaisquer modifica\u00e7\u00f5es no tratamento oriental do Zen ser\u00e3o testados com o passar do tempo; alguns surgir\u00e3o como bem sucedidos, outros ser\u00e3o desprezados como inadequados. Por enquanto, a escolha dos estilos de ensino e tradi\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para o iniciante \u00e9 muito grande, sen\u00e3o um pouco confusa. Talvez o melhor e mais imparcial conselho que possa ser dado \u00e9 aquele certa vez oferecido pelo Zenji Dogen:<\/p>\n<p><em>Mesmo as pessoas que est\u00e3o no mundo profano devem se concentrar em uma coisa e aprend\u00ea-la o m\u00e1ximo poss\u00edvel, para poder realiz\u00e1-la perante os outros, em vez de aprender muitas coisas, ao mesmo tempo, sem realizar verdadeiramente nenhuma delas. Isto \u00e9 tanto mais v\u00e1lido para o Dharma de Buda, que transcende o mundo profano e nunca foi aprendido ou praticado a partir do come\u00e7o sem come\u00e7o. N\u00f3s ainda n\u00e3o estamos familiarizados com ele. Al\u00e9m disso, nossa capacidade \u00e9 pobre. Se tentarmos aprender muitas coisas a respeito deste majestoso e ilimitado Dharma de Buda, n\u00e3o realizaremos nada. Mesmo que nos dediquemos a apenas uma coisa, devido a nossa natureza e capacidade inferiores, teremos dificuldade de esclarecer o Dharma de Buda completamente em uma vida. Disc\u00edpulos, concentrem-se em uma coisa s\u00f3..<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>&#8220;Elementos do Zen&#8221; de David Scott e Tony Doubleday<\/em><\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora muitas vezes o associem \u00e0s artes marciais, medicina alternativa, cozinha macrobi\u00f3tica, manuten\u00e7\u00e3o de motocicleta etc., muitos ocidentais, pelo menos, j\u00e1 ouviram falar no Zen hoje em dia. 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