{"id":1920,"date":"2018-05-17T00:21:22","date_gmt":"2018-05-17T02:21:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=1920"},"modified":"2018-05-17T00:24:55","modified_gmt":"2018-05-17T02:24:55","slug":"sobre-o-zazen","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sobre-o-zazen\/","title":{"rendered":"Sobre o zazen"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sobre-o-zazen\/kosho-uchiyama-2\/\" rel=\"attachment wp-att-1922\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Kosho-Uchiyama-2-263x300.jpg\" alt=\"\" width=\"263\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1922\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Kosho-Uchiyama-2-263x300.jpg 263w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Kosho-Uchiyama-2.jpg 560w\" sizes=\"auto, (max-width: 263px) 100vw, 263px\" \/><\/a><\/p>\n<div align=\"justify\" >\n<div align=\"center\" >\n<a name=\"inicio\"><font size=\"4\"><b>SOBRE O ZAZEN<\/b><\/font><\/a><\/div>\n<p align=\"right\"><font size=\"1\"><b>de Uchiyama Kosho Roshi<br \/>Texto  extra\u00eddo do livro <br \/>Shikantaza &#8211; Uma  introdu\u00e7\u00e3o ao zazen,<br \/>publicado pelo Kyoto Soto-Zen Center.<br \/>Tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas: <br \/>Shohaku Okumura<br \/> Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: <br \/>Centro Zen do Rio de Janeiro<\/b><\/font><\/p>\n<p><center><\/p>\n<table width=\"80%\" border=\"0\">\n<tr>\n<td>\n<p align=\"justify\"><font face=\"Arial\" size=\"2\" color=\"#800000\"><strong>Uchiyama Kosho Roshi<\/strong> (1912-&nbsp; ) estudou filosofia ocidental na Universidade Waseda, em T\u00f3quio. Ensinou na Escola Teol\u00f3gica Miyazaki durante algum tempo antes de se tornar monge zen sob a orienta\u00e7\u00e3o de Kodo Sawaki Roshi em 1941. Uchiyama Roshi publicou muitos livros em japon\u00eas sobre o zen. Dois deles foram traduzidos para o ingl\u00eas: <strong>Approach to zen<\/strong> (Japan Publications, Inc.) e <strong>Refining your life<\/strong> (Weatherhill).<\/font><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p><\/center><\/p>\n<hr \/>\n<p align=justify>Em resumo, fazer zazen \u00e9 parar de fazer tudo, ficar de<br \/>\nfrente para a parede e sentar, sendo apenas voc\u00ea mesmo que \u00e9 somente<br \/>\no Eu (Self). Ao fazermos zazen, dever\u00edamos nos abster de fazer tudo,<br \/>\nno entanto, como somos humanos, come\u00e7amos a pensar; envolvemo-nos em<br \/>\num di\u00e1logo com os pensamentos em nossa mente. &#8220;Eu deveria ter<br \/>\nvendido naquela hora; n\u00e3o, eu deveria ter comprado&#8221; ou &#8220;deveria ter<br \/>\nesperado um pouco&#8221;. Se voc\u00ea \u00e9 um corretor da bolsa pensar\u00e1 assim. Se<br \/>\nvoc\u00ea \u00e9 um jovem amante, pode achar que sua namorada aparece<br \/>\ninevitavelmente todo o tempo. Se voc\u00ea \u00e9 uma sogra que n\u00e3o se d\u00e1 bem<br \/>\ncom sua nora, pensar\u00e1 somente na mulher do seu filho. Qualquer que<br \/>\nseja a situa\u00e7\u00e3o em que esteja envolvido, os pensamentos surgir\u00e3o por<br \/>\nconta pr\u00f3pria enquanto voc\u00ea est\u00e1 fazendo zazen. Uma vez que voc\u00ea<br \/>\npercebe que est\u00e1 pensando, quando n\u00e3o deveria estar fazendo nada, e<br \/>\nretorna ao zazen, os pensamentos que apareciam de forma t\u00e3o clara<br \/>\ndiante de voc\u00ea como se fossem imagens numa tela de TV, desaparecem<br \/>\nde repente, como se voc\u00ea tivesse desligado a TV. Resta apenas a<br \/>\nparede \u00e0 sua frente. Por um instante&#8230; \u00e9 isto. Isto \u00e9 o zazen. No<br \/>\nentanto, os pensamentos novamente aparecem por si pr\u00f3prios.<br \/>\nNovamente voc\u00ea retorna ao zazen e eles desaparecem. N\u00f3s simplesmente<br \/>\nrepetimos isto; isto \u00e9 chamado de kakusoku (consci\u00eancia da<br \/>\nRealidade). O ponto mais importante \u00e9 repetir esse kakusoku bilh\u00f5es<br \/>\nde vezes. \u00c9 desta forma que dever\u00edamos praticar o<br \/>\nzazen.<\/p>\n<p align=justify>Se<br \/>\npraticarmos dessa forma, n\u00e3o poderemos deixar de perceber que nossos<br \/>\npensamentos s\u00e3o, realmente, nada mais que secre\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro.<br \/>\nAssim como nossas gl\u00e2ndulas salivares produzem saliva ou nossos<br \/>\nest\u00f4magos produzem suco g\u00e1strico, da mesma forma nossos pensamentos<br \/>\nnada mais s\u00e3o que secre\u00e7\u00f5es cerebrais.<\/p>\n<p align=justify>Geralmente, no entanto, as pessoas n\u00e3o entendem isto. Quando<br \/>\npensamos: &#8220;Eu o odeio&#8221;, odiamos a pessoa, esquecendo que o<br \/>\npensamento \u00e9 simplesmente uma secre\u00e7\u00e3o. O \u00f3dio ocupa nossa mente<br \/>\ntiranizando-a. Ao odiar uma pessoa, ficamos subordinados a esse<br \/>\ntirano. Quando amamos algu\u00e9m somos arrastados para longe por nosso<br \/>\napego \u00e0 esta pessoa; tornamo-nos escravizados a esse amor. Esta \u00e9 a<br \/>\nfonte de todos os nossos problemas.<\/p>\n<p align=justify>Por<br \/>\nexemplo, nossos est\u00f4magos liberam suco g\u00e1strico para a digest\u00e3o da<br \/>\ncomida. Se eles liberam demais, isso n\u00e3o \u00e9 bom, podemos desenvolver<br \/>\numa \u00falcera ou at\u00e9 mesmo um c\u00e2ncer de est\u00f4mago. Nossos est\u00f4magos<br \/>\nliberam suco g\u00e1strico para nos manter vivos, mas em excesso \u00e9<br \/>\nperigoso. Hoje em dia as pessoas sofrem de um excesso de<br \/>\nsecre\u00e7\u00f5es-cerebrais e, al\u00e9m disso, elas se permitem ser tiranizadas<br \/>\npor estas secre\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 a causa de todos os nossos<br \/>\nerros.<\/p>\n<p align=justify>Na<br \/>\nRealidade, os v\u00e1rios pensamentos que surgem em nossas mentes s\u00e3o<br \/>\napenas o cen\u00e1rio da Vida do Eu. Este cen\u00e1rio existe sobre o terreno<br \/>\nda nossa Vida. Como disse anteriormente, n\u00e3o dever\u00edamos ficar cegos,<br \/>\nou inconscientes deste cen\u00e1rio. O zazen tem uma vis\u00e3o de todas as<br \/>\ncoisas como o cen\u00e1rio da Vida do Eu. Em antigos textos zen refere-se<br \/>\na isso como &#8220;hochino fuko&#8221; (o cen\u00e1rio do terreno<br \/>\noriginal).<\/p>\n<p align=justify>N\u00e3o<br \/>\n\u00e9 que nos tornemos a Vida-universal como resultado da nossa pr\u00e1tica.<br \/>\nTodos e cada um de n\u00f3s recebe e vive esta Vida-universal. Somos um<br \/>\ncom o universo inteiro, por\u00e9m n\u00e3o o manifestamos como sendo o<br \/>\nuniverso no verdadeiro sentido.<\/p>\n<p align=justify>J\u00e1<br \/>\nque nossas mentes est\u00e3o discriminando, percebemos apenas a<br \/>\nextremidade das secre\u00e7\u00f5es. Quando fazemos zazen, n\u00f3s largamos os<br \/>\npensamentos e ent\u00e3o os pensamentos caem. Aquilo que surge em nossas<br \/>\nmentes, desaparece. A\u00ed, a Vida-universal se manifesta.\n<\/p>\n<p align=justify>Dogen Zenji chamava isto de shojo-no-shu (pr\u00e1tica baseada na<br \/>\nilumina\u00e7\u00e3o). A Vida-universal \u00e9 a ilumina\u00e7\u00e3o. Baseados nisto, n\u00f3s<br \/>\npraticamos sendo o universo inteiro. Isto tamb\u00e9m \u00e9 chamado<br \/>\nshusho-ichinyo (pr\u00e1tica e ilumina\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma coisa s\u00f3).<\/p>\n<p align=justify>\nTodos n\u00f3s preferimos a felicidade ao infort\u00fanio, o para\u00edso ao<br \/>\ninferno, a sobreviv\u00eancia \u00e0 morte imediata. Estamos assim, sempre<br \/>\nbifurcando a Realidade, dividindo-a em algo bom e algo mal, algo do<br \/>\nqual gostamos e algo do qual n\u00e3o gostamos. Da mesma forma<br \/>\ndiscriminamos entre satori e ilus\u00e3o, e lutamos para alcan\u00e7ar o<br \/>\nsatori.<\/p>\n<p align=justify>\nPor\u00e9m, a realidade do universo est\u00e1 muito al\u00e9m da tal atitude<br \/>\nde avers\u00e3o e apego. Quando nossa atitude \u00e9 &#8220;qualquer que seja&#8221;, &#8220;o<br \/>\nque quer que seja&#8221;, &#8220;onde quer que seja&#8221;, ent\u00e3o manifestamos o<br \/>\nuniverso inteiro.<\/p>\n<p align=justify>Em<br \/>\nprimeiro lugar, a atitude de tentar ganhar alguma coisa \u00e9, por si<br \/>\nmesma, inst\u00e1vel. Quando voc\u00ea luta para ganhar o satori, voc\u00ea est\u00e1,<br \/>\nindiscutivelmente, iludido, porque voc\u00ea deseja escapar de um estado<br \/>\nde ilus\u00e3o.<\/p>\n<p align=justify>\nDogen Zenji ensinou que nossa atitude deve ser de pr\u00e1tica e<br \/>\ntrabalho diligente em qualquer situa\u00e7\u00e3o, seja ela qual for. Se<br \/>\nca\u00edmos no inferno, atravessamos o inferno; essa \u00e9 a atitude mais<br \/>\nimportante para se tomar. Se encontramos a infelicidade, devemos<br \/>\ntrabalh\u00e1-la com sinceridade. Apenas sente-se na Realidade da Vida,<br \/>\nvendo inferno e para\u00edso, afli\u00e7\u00e3o e alegria, vida e morte, todos com<br \/>\nos mesmos olhos. N\u00e3o importa a situa\u00e7\u00e3o, n\u00f3s vivemos a vida do Eu.<br \/>\nDevemos nos sentar im\u00f3veis sobre este princ\u00edpio. Isso \u00e9 essencial; \u00e9<br \/>\nisto o que significa &#8220;tornar-se um com o universo&#8221;.\n<\/p>\n<p align=justify>Se<br \/>\ndividimos o universo em dois, lutando para alcan\u00e7ar o satori e<br \/>\nescapar da ilus\u00e3o, n\u00e3o somos o universo inteiro. Felicidade e<br \/>\ninfelicidade, satori e ilus\u00e3o, vida e morte; veja-os todos com os<br \/>\nmesmos olhos. Em cada situa\u00e7\u00e3o o Eu vive a vida do Eu &#8211; tal eu deve<br \/>\nfazer-se por si pr\u00f3prio. Esta Vida-universal \u00e9 o lugar para onde<br \/>\nretornamos.<\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SOBRE O ZAZEN de Uchiyama Kosho RoshiTexto extra\u00eddo do livro Shikantaza &#8211; Uma introdu\u00e7\u00e3o ao zazen,publicado pelo Kyoto Soto-Zen Center.Tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas: Shohaku Okumura Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: Centro Zen do Rio de Janeiro Uchiyama Kosho Roshi (1912-&nbsp; ) &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sobre-o-zazen\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1922,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[59],"class_list":["post-1920","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao","tag-uchiyama-kosho-roshi"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1920","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1920"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1920\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1925,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1920\/revisions\/1925"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1922"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}