{"id":1936,"date":"2018-05-17T08:53:00","date_gmt":"2018-05-17T10:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=1936"},"modified":"2018-05-17T08:53:00","modified_gmt":"2018-05-17T10:53:00","slug":"introducao-a-meditacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/introducao-a-meditacao\/","title":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o a medita\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/introducao-a-meditacao\/bokar-rimpoche\/\" rel=\"attachment wp-att-1937\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche.jpeg\" alt=\"\" width=\"966\" height=\"979\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1937\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche.jpeg 966w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche-296x300.jpeg 296w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche-768x778.jpeg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche-50x50.jpeg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 966px) 100vw, 966px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o a medita\u00e7\u00e3o<\/b><\/font><\/div>\n<p> <\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i>do livro &#8220;Medita\u00e7\u00e3o  &#8211; Conselhos ao<br \/> Principiante&#8221; de <b>Bokar Rimpoche<\/b><\/i><\/div>\n<p><b>POR QUE MEDITAR?<\/b><\/p>\n<p>Os homens s\u00e3o afligidos por sofrimentos, angustias e medos inumer\u00e1veis que s\u00e3o incapazes de evitar. A medita\u00e7\u00e3o tem por fun\u00e7\u00e3o eliminar esses sofrimentos e essas angustias. Pensamos, geralmente, que felicidades e sofrimentos surgem de circunstancias exteriores. Sempre atarefados, de uma ou de outra maneira, a reorganizar o mundo, tentamos afastar um pouco de sofrimento aqui, acrescentar um pouco de felicidade ali, sem jamais alcan\u00e7ar o resultado desejado. 0 ponto de vista budista, que tamb\u00e9m \u00e9 o ponto de vista da medita\u00e7\u00e3o, considera, ao contrario, que felicidades e sofrimentos n\u00e3o dependem fundamentalmente das circunstancias exteriores, mas da pr\u00f3pria mente. <\/p>\n<p>Uma atitude de mente positiva engendra a felicidade, uma atitude negativa produz o sofrimento. Como compreender esse engano que nos faz procurar fora aquilo que podemos encontrar dentro? Uma pessoa de rosto limpo e n\u00edtido ao se olhar em um espelho v\u00ea um rosto limpo e n\u00edtido. Aquele cujo rosto e sujo e maculado de lama v\u00ea no espelho um rosto sujo e maculado. Em verdade, o reflexo n\u00e3o tem exist\u00eancia; s\u00f3 o rosto existe. Esquecendo o rosto, tomamos seu reflexo por real. A natureza positiva ou negativa de nossa mente se reflete nas apar\u00eancias exteriores que nossa pr\u00f3pria imagem nos envia. A manifesta\u00e7\u00e3o exterior \u00e9 uma resposta a qualidade de nosso mundo interior. <\/p>\n<p>A felicidade que desejamos n\u00e3o vir\u00e1 da reestrutura\u00e7\u00e3o do mundo que nos cerca, mas da reforma de nosso mundo interior. 0 indesej\u00e1vel sofrimento s\u00f3 cessar\u00e1 na medida em que n\u00e3o embotarmos nossa mente com todos os tipos de negatividades. Enquanto n\u00e3o reconhecermos que felicidades e sofrimentos tem sua origem em nossa pr\u00f3pria mente, enquanto n\u00e3o soubermos distinguir o que, por nossa mente, \u00e9 proveitoso ou nocivo, e que a deixamos a sua insalubridade ordin\u00e1ria, permanecemos impotentes para estabelecer um estado de felicidade aut\u00eantica, impotentes para evitar as cont\u00ednuas ressurg\u00eancias do sofrimento. Qualquer que seja nossa esperan\u00e7a, ela \u00e9 sempre decepcionada. <\/p>\n<p>Se, ao descobrirmos no espelho a sujidade de nosso rosto, decid\u00edssemos lavar o espelho, mesmo que esfreg\u00e1ssemos fortemente durante anos com sab\u00e3o e \u00e1gua em abund\u00e2ncia, nada aconteceria, nem a m\u00ednima sujeira, nem a m\u00ednima mancha desapareceria do reflexo. Por falta de orientarmos nossos esfor\u00e7os para o objeto justo, eles permanecem perfeitamente v\u00e3os. Eis por que o budismo e a medita\u00e7\u00e3o tem por primordial compreender que felicidades e sofrimentos n\u00e3o dependem fundamentalmente do mundo exterior, mas de nossa pr\u00f3pria mente. Na falta dessa compreens\u00e3o, nunca nos voltar\u00edamos para o interior e continuar\u00edamos a investir nossa energia e nossas esperan\u00e7as numa v\u00e3 busca exterior. Uma vez adquirida essa compreens\u00e3o, podemos lavar nosso rosto: o reflexo surgiria limpo no espelho. [&#8230;]<\/p>\n<p><b>OS FRUTOS DA MEDITA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Num primeiro momento, nossa mente n\u00e3o poder\u00e1 permanecer est\u00e1vel e em repouso por muito tempo. A perseveran\u00e7a e a regularidade levam, no entanto, a desenvolver progressivamente a calma e a estabilidade. Sentimo-nos tamb\u00e9m mais a vontade f\u00edsica e interiormente. Por outro lado, o imp\u00e9rio das circunstancias exteriores, felizes ou dif\u00edceis, atualmente muito forte sobre n\u00f3s, diminui e ficamos menos submetidos a elas. 0 aprofundamento de nossa experi\u00eancia da verdadeira natureza da mente tem por efeito o fato de que o mundo exterior perde sua influ\u00eancia sobre n\u00f3s e torna-se incapaz de prejudicar-nos. 0 fruto ultimo da medita\u00e7\u00e3o \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o do Perfeito Despertar, o Estado de Buda. Estamos, ent\u00e3o, totalmente libertos do ciclo das exist\u00eancias condicionadas assim como dos sofrimentos que formam seu tecido, ao mesmo tempo que possu\u00edmos o poder de ajudar efetivamente o pr\u00f3ximo. 0 caminho da medita\u00e7\u00e3o comporta duas fases: a primeira, dita shine (a pacifica\u00e7\u00e3o mental), acalmando gradualmente nossa agita\u00e7\u00e3o interior; a segunda, dita lhaktong (a vis\u00e3o superior), levando a desenraizar o apego egoc\u00eantrico, fundamento do ciclo das exist\u00eancias. A via interior, e s\u00f3 ela, conduz ao Despertar; nenhuma subst\u00e2ncia, nenhuma inven\u00e7\u00e3o exterior possui esse poder. <\/p>\n<p><b>CONCLUS\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Engajar-se na via da medita\u00e7\u00e3o implica o conhecimento de sua finalidade, os meios utilizados, e os resultados obtidos: <\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>Reconhecer que a fonte de todo sofrimento e de toda felicidade \u00e9 a pr\u00f3pria mente e, por conseq\u00fc\u00eancia, s\u00f3 um trabalho sobre a mente permite eliminar o primeiro e estabelecer a segunda de maneira aut\u00eantica e definitiva;\n\t<\/li>\n<li>Conhecer as condi\u00e7\u00f5es auxiliares necess\u00e1rias: o desejo de meditar, um instrutor qualificado, um local retirado;\n\t<\/li>\n<li>Saber colocar sua mente em medita\u00e7\u00e3o: sem seguir os pensamentos do passado ou do futuro, estabelecer no presente sua mente, aberta, calma, l\u00facida, e fix\u00e1-la sobre o objeto de concentra\u00e7\u00e3o escolhido;\n  <\/li>\n<li>Saber quais s\u00e3o os frutos tempor\u00e1rios e \u00faltimos da medita\u00e7\u00e3o: a serenidade, a liberdade em face das circunst\u00e2ncias, e, enfim, o Estado de Buda. [&#8230;]\n<\/li>\n<\/ul>\n<p><b>O C\u00c9U \u00c9 A MENTE<\/b><\/p>\n<p>Muitas pessoas desejam meditar. Elas compreendem muito bem que a medita\u00e7\u00e3o concerne a mente, mas de um modo geral n\u00e3o sabem o que ela \u00e9 com precis\u00e3o. <\/p>\n<p>\u00c9  um pouco como o c\u00e9u. Todo mundo sabe o que ele \u00e9; ningu\u00e9m jamais dir\u00e1: &#8220;0 c\u00e9u? n\u00e3o conhe\u00e7o.&#8221; Todavia, a id\u00e9ia que temos do c\u00e9u \u00e9 muito imprecisa e \u00e9 rar\u00edssimo encontrar algu\u00e9m capaz de defini-lo. Se perguntarem &#8220;0 que e o c\u00e9u?&#8221; a pessoa interrogada mal poder\u00e1 apontar o dedo para o alto e dizer: &#8220;\u00c9 aquilo o c\u00e9u.&#8221;  0 mesmo acontece com a medita\u00e7\u00e3o: sabe-se que ela existe, pensa-se na maioria das vezes que e uma boa coisa, mas n\u00e3o se sabe realmente o que ela \u00e9. 0 que \u00e9 o c\u00e9u? Dir-se-\u00e1 habitualmente que o sol esta no centro do c\u00e9u, a no\u00e7\u00e3o de centro implicando a de confins. Um franc\u00eas estar\u00e1 inclinado a conceber esse centro e esses confins em rela\u00e7\u00e3o com a Fran\u00e7a, porem, um habitante de um outro pais aplicar\u00e1 essa mesma rela\u00e7\u00e3o a seu pais. Isso basta para mostrar que as no\u00e7\u00f5es de centro e confins do c\u00e9u s\u00e3o subjetivas e n\u00e3o correspondem a uma descri\u00e7\u00e3o da realidade. As pessoas que tem a imensa felicidade de habitar a Proven\u00e7a dizem bem ami\u00fade: &#8220;Como o c\u00e9u \u00e9 belo em nossa regi\u00e3o!&#8221;. Assim, \u00e9 poss\u00edvel delimitar um peda\u00e7o de c\u00e9u do qual se poderia dizer, de maneira exclusiva: &#8220;Essa parte do c\u00e9u \u00e9 o c\u00e9u da Proven\u00e7a&#8221;. Todo mundo sabe ainda que o c\u00e9u \u00e9 azul. Mas bem poucas pessoas sabem a raz\u00e3o dessa cor. De onde ela vem. <\/p>\n<p>\u00c9 ela material? Imaterial? Qual \u00e9 tamb\u00e9m a dimens\u00e3o do c\u00e9u? A medita\u00e7\u00e3o concerne a mente. A mente \u00e9 muito semelhante ao c\u00e9u: sem forma, sem subst\u00e2ncia, sem dimens\u00e3o. Tal como o c\u00e9u, todos sabem que ela existe, mas rar\u00edssimos s\u00e3o aqueles que sabem o que ela \u00e9 verdadeiramente. Tal como o c\u00e9u, a mente \u00e9 desprovida de centro e de limites. N\u00e3o temos, contudo, a experi\u00eancia desse estado ilimitado; reduzimos, ao contrario, o infinito ao finito e permanecemos encerrados nos limites estreitos do que chamamos &#8220;eu&#8221;. Esse estreitamento corresponde a limita\u00e7\u00e3o subjetiva implicada na no\u00e7\u00e3o de &#8220;nosso c\u00e9u&#8221; quando um proven\u00e7al, por exemplo, fala do c\u00e9u do sul da Fran\u00e7a, como se existisse um peda\u00e7o de c\u00e9u que se pudesse recortar e definir como se reportando especificamente a uma regi\u00e3o. <\/p>\n<p>Na mente infinita, sem centro nem limites, n\u00f3s nos assimilamos a uma entidade reduzid\u00edssima: o ego. Dai surgem todos os nossos sofrimentos e todas as nossas dificuldades, tanto f\u00edsicas como mentais. \u00c9 verdade que certos sofrimentos est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com as circunstancias exteriores e que \u00e9 mais ou menos poss\u00edvel proporcionar solu\u00e7\u00f5es materiais a eles. Perante os sofrimentos interiores, ao contr\u00e1rio, todo rem\u00e9dio material permanece in\u00fatil. Suponhamos um rei num pa\u00eds em paz e pr\u00f3spero, a noite, em seu pal\u00e1cio bem guardado. Esse rei, que possui todas as circunst\u00e2ncias exteriores da felicidade, dorme. Em seu sonho surge um inimigo que o persegue e procura mat\u00e1-lo. 0 rei sofre de ang\u00fastia e pavor. Os sofrimentos desse sonho n\u00e3o poderiam ser aliviados por nenhum rem\u00e9dio exterior a mente do sonhador. Podemos, do mesmo modo, possuir todas as condi\u00e7\u00f5es materiais necess\u00e1rias para ser felizes. No entanto, elas n\u00e3o tem utilidade para a mente que sofre. S\u00f3 o caminho espiritual e a medita\u00e7\u00e3o permitem que nos liberte-mos dos sofrimentos, das ang\u00fastias e das dificuldades interiores. <\/p>\n<p><b>O EGO E OS CINCO VENENOS<\/b> <\/p>\n<p>Nossa mente \u00e9 fundamentalmente infinita, n\u00e3o \u00e9 limitada pelas opress\u00f5es de uma exist\u00eancia individualizada. N\u00e3o existe ego. Conquanto ele n\u00e3o exista, n\u00f3s nos assimilamos a esse ego ilus\u00f3rio. Ele \u00e9 o centro e a pedra de toque de todas as nossas rela\u00e7\u00f5es: tudo o que reconforta sua exist\u00eancia, tudo o que lhe \u00e9 favor\u00e1vel, torna-se objeto de apego; tudo o que, ao contr\u00e1rio, amea\u00e7a sua integridade toma-se um inimigo, fonte de avers\u00e3o. Por sinal, a simples presen\u00e7a do ego oculta a verdadeira natureza de nossa mente e dos fen\u00f4menos, torna-nos incapazes de distinguir entre o real e o ilus\u00f3rio. Somos, nesse sentido, prisioneiros da opacidade mental. 0 ego tamb\u00e9m engendra a inveja em rela\u00e7\u00e3o a toda pessoa considerada como um rival poss\u00edvel, em qualquer dom\u00ednio que seja. Enfim, o ego deseja ser superior aos outros: \u00e9 o orgulho. Apego, avers\u00e3o, opacidade mental, inveja, orgulho, s\u00e3o os cinco venenos de base produzidos pela apreens\u00e3o egoc\u00eantrica. <\/p>\n<p>Eles constituem um obst\u00e1culo irrevog\u00e1vel a paz interior, criando sem descontinuidade inquietudes, perturba\u00e7\u00f5es, dificuldades, ang\u00fastias e sofrimentos. N\u00e3o apenas para si mesmo, mas ainda para o pr\u00f3ximo. \u00c9 evidente, por exemplo, que a c\u00f3lera \u00e9 sofrimento para si mesmo e para aquele a quem ela se dirige, afligido por um rosto furioso, impreca\u00e7\u00f5es e palavras ofensivas. 0 ego e os cinco venenos levam-nos, al\u00e9m do mais, a realizar atos de car\u00e1ter nocivo que imprimem em nossa mente um potencial c\u00e1rmico negativo, cuja matura\u00e7\u00e3o se exprimir\u00e1 sob a forma de circunst\u00e2ncias dolorosas. 0 ego e seu s\u00e9quito s\u00e3o nossos verdadeiros inimigos, n\u00e3o inimigos vis\u00edveis que as armas ou algum objeto material poderiam vencer, mas inimigos invis\u00edveis cuja derrota s\u00f3 a medita\u00e7\u00e3o e o caminho espiritual provocam. A ci\u00eancia contempor\u00e2nea criou armas de extremo poder, bombas capazes de matar de uma vez centenas de milhares de pessoas. Mas nenhuma bomba pode aniquilar o ego e os cinco venenos. Neste campo, a verdadeira bomba at\u00f4mica \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o. [&#8230;]<\/p>\n<p><b>TOMAR UM OBJETO<\/b><\/p>\n<p>[&#8230;]<br \/>\nCom efeito, quando aprendemos a meditar, \u00e9 ami\u00fade muito dif\u00edcil repousar a mente em sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. Assim, tomamos suportes para conduzi-la a calma interior. Todo objeto exterior pode convir: um copo, uma mesa, uma luz, uma est\u00e1tua do Buda, qualquer objeto que nos agrade. Fixamos, ent\u00e3o, toda a nossa aten\u00e7\u00e3o sobre o objeto, sem distra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma simples aten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o implica nem an\u00e1lise nem coment\u00e1rio. Se, por exemplo, concentramo-nos sobre um copo, n\u00e3o examinamos sua forma, n\u00e3o discorremos sobre suas caracter\u00edsticas, n\u00e3o avaliamos suas qualidades, assim como n\u00e3o nos perguntamos se ele contem \u00e1gua ou outra bebida. A mente simplesmente repousa sobre o copo, sem distra\u00e7\u00e3o e sem discurso. Se, quando desse exerc\u00edcio, a apar\u00eancia do copo \u00e9 muito clara e precisa, \u00e9 o sinal de que nossa mente est\u00e1 verdadeiramente concentrada. Se, ao contr\u00e1rio, o copo torna-se uma apar\u00eancia vaga e imprecisa, \u00e9 sinal de que nossa mente est\u00e1 arrebatada por outros pensamentos. Feito regularmente, esse tipo de exerc\u00edcio, qualquer que seja o objeto escolhido, trar\u00e1 grandes beneficios. <\/p>\n<p>Se voc\u00ea reside na cidade, voc\u00ea se encontra sem duvida no meio de numerosos ru\u00eddos: os autom\u00f3veis, as maquinas, etc., todas essas coisas das quais pensamos que elas nos impedem de meditar. Entretanto, se, em vez de considerar esses ru\u00eddos como obst\u00e1culos, voc\u00ea faz deles o pr\u00f3prio objeto de sua aten\u00e7\u00e3o, eles se tornam o suporte de sua medita\u00e7\u00e3o. Nesse caso, um ru\u00eddo forte ou fraco, agrad\u00e1vel ou desagrad\u00e1vel, isso n\u00e3o faz nenhuma diferen\u00e7a. Ai, ainda, voc\u00ea pode verificar facilmente a qualidade de sua aten\u00e7\u00e3o: se os sons s\u00e3o percebidos sem interrup\u00e7\u00e3o e de maneira precisa, \u00e9 o sinal que ela e boa. Uma percep\u00e7\u00e3o descont\u00ednua e vaga revelar\u00e1, ao contr\u00e1rio, sua insufici\u00eancia. Podemos faze-lo igualmente com os outros objetos dos sentidos: odores, sabores, contatos, de tal forma que, onde quer que estejamos, podemos aprender a meditar, sem que seja necess\u00e1rio abandonar tudo. Retirar-se para uma montanha n\u00e3o tem por objetivo sen\u00e3o isolar-nos dos objetos que provocam a distra\u00e7\u00e3o. Se podemos meditar tomando por suporte esses mesmos objetos, \u00e9 igualmente bom. <\/p>\n<p><b>MEDITAR SOBRE A MENTE <\/b><\/p>\n<p>Esfor\u00e7ando-nos regularmente para concentrar-nos assim sobre objetos, n\u00f3s nos preparamos para meditar sobre a mente. Vimos como nossa mente estava ocupada por um cont\u00ednuo fluxo de pensamentos, apoiando-se principalmente sobre o passado e sobre o futuro. Um pouco de reflex\u00e3o faz-nos, portanto, tomar consci\u00eancia, em primeiro lugar, da inutilidade dos pensamentos concernentes ao passado. Fazemos ressurgir em nossa mente acontecimentos do passado, e sofremos por isso. Todavia, s\u00e3o apenas pensamentos, nada mais. Alem disso, agitam o que n\u00e3o existe absolutamente mais: o passado passou, em definitivo. A partir do momento em que compreendemos a n\u00e3o-exist\u00eancia presente desses acontecimentos, em que compreendemos a falta de sentido, de utilidade e de beneficio desse tipo de pensamentos, desde logo eles cessam de nos prejudicar. <\/p>\n<p>Temos a mesma atitude em rela\u00e7\u00e3o ao futuro: pensamos no que deveremos fazer num futuro pr\u00f3ximo ou long\u00ednquo, o que engendra inquietudes e preocupa\u00e7\u00f5es e, por conseq\u00fc\u00eancia, sofrimento. A\u00ed ainda, se refletimos bem sobre isso, compreendemos que o futuro, no momento, n\u00e3o existe em absoluto. N\u00e3o h\u00e1, portanto, nenhuma utilidade em criarmos dificuldades em rela\u00e7\u00e3o com o que n\u00e3o tem exist\u00eancia. Meditar sobre a mente significa que n\u00e3o seguimos os pensamentos que nos levam para o futuro, que tamb\u00e9m n\u00e3o seguimos aqueles que nos puxam para o passado. Deixamos a mente no presente, tal como ela \u00e9, sem distra\u00e7\u00e3o, sem procurar fazer nada. <\/p>\n<p>Assim, uma certa experi\u00eancia nasce na mente. Permanecer nessa experi\u00eancia o m\u00e1ximo de tempo que se puder, \u00e9 isso meditar. Quando meditamos assim, permanecemos simplesmente nessa experi\u00eancia, sem nada acrescentar a isso. N\u00e3o nos dizemos: &#8220;Aqui esta bem; aqui n\u00e3o est\u00e1 bem; pronto, aqui estou; n\u00e3o, n\u00e3o estou aqui; a mente \u00e9 vazia; n\u00e3o, de fato ela n\u00e3o \u00e9 vazia&#8221;, etc. Permanecemos sem coment\u00e1rios. <\/p>\n<p>A experi\u00eancia da medita\u00e7\u00e3o implica a paz e a felicidade, mas ela permanece fundamentalmente indescrit\u00edvel. \u00c9 imposs\u00edvel dizer disso: &#8220;\u00e9 isso&#8221; ou &#8220;n\u00e3o \u00e9 isso&#8221;. [&#8230;]<\/p>\n<p><b><\/b><b>A DISTRA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>In\u00fameras pessoas cr\u00eaem que a medita\u00e7\u00e3o deve necessariamente ser um estado desprovido de todos os pensamentos. Ora, quando elas meditam, pensamentos aparecem e elas concluem disso que s\u00e3o incapazes de meditar, que a medita\u00e7\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio completamente fora de seu alcance. Esse a priori \u00e9 um erro: meditar n\u00e3o \u00e9 apagar todo pensamento. Como abordar o problema dos pensamentos?<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, antes de tudo, evitar dois erros: <\/p>\n<p>1 &#8211; O primeiro \u00e9 n\u00e3o tomar consci\u00eancia de que os pensamentos se produzem nem segui-los maquinalmente;<\/p>\n<p>2 &#8211; O segundo \u00e9 procurar dete-los.<\/p>\n<p>A atitude justa ser\u00e1, ao contr\u00e1rio, estar consciente da produ\u00e7\u00e3o dos pensamentos, mas sem segui-los nem procurar para-los, mas simplesmente n\u00e3o ocupar-se deles. Se n\u00e3o nos ocupamos dos pensamentos, os pensamentos n\u00e3o tem for\u00e7a. Enquanto n\u00e3o conhecemos a natureza de nossa mente, esta produz pensamentos, que tanto podem ser positivos como negativos, dotados de uma grande for\u00e7a sobre n\u00f3s mesmos, pois eles s\u00e3o apreendidos como reais. Sem esta apreens\u00e3o, os pensamentos n\u00e3o tem nenhuma for\u00e7a. Quando deixamos a mente relaxada, vem de in\u00edcio um momento em que ela permanece sem pensamentos. Esse estado est\u00e1vel \u00e9 como um mar sem ondas. Nessa estabilidade, surge em seguida um pensamento. Este \u00e9 como uma onda que se forma na superf\u00edcie do mar. Na medida em que deixamos este pensamento sem nos ocuparmos dele, sem o &#8220;deter&#8221;, ele esvanece-se por si mesmo na mente de onde emanou. \u00c9 como a onda que se desfaz de novo no mar de onde surgiu. 0 mar e a onda, se n\u00e3o refletimos sobre isso, podem aparecer como duas realidades separadas. De fato, elas s\u00e3o indiferenciadas em ess\u00eancia, pois a ess\u00eancia da onda \u00e9 a \u00e1gua, bem como a ess\u00eancia do mar tamb\u00e9m o \u00e9. N\u00e3o podemos dizer que ambos sejam entidades diferentes. Ondas sobem \u00e0 superf\u00edcie do mar, mas nada podem fazer alem de fundir-se de novo no mar.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o podemos dizer que o mar estaria de in\u00edcio diminu\u00eddo ou que estaria em seguida aumentado. Da mesma maneira, quando deixamos acontecer o movimento dos pensamentos sem nos ocuparmos deles, nossa mente n\u00e3o se encontra deteriorada quando os pensamentos se produzem, e ela n\u00e3o se encontra melhorada quando \u00e9 desprovida de pensamentos. Enquanto n\u00e3o tivermos compreendido o que \u00e9 a mente, somos um pouco como aquele que estando na praia pensasse que o mar deve absolutamente ser desprovido de ondas. Quando uma onda vem em sua dire\u00e7\u00e3o, ele desejaria agarr\u00e1-la e joga-la para um lado, depois, agarrar a seguinte e joga-la do outro lado. E mesmo quando, independentemente de seus esfor\u00e7os, o mar se acalmasse por instantes, seria inevit\u00e1vel que ondas se formassem de novo ali. Aquele que esperasse estabelecer um mar definitivamente desprovido de ondas s\u00f3 poderia estar constantemente decepcionado. Querer, durante a medita\u00e7\u00e3o, eliminar os pensamentos, \u00e9 colocar-se na mesma situa\u00e7\u00e3o. Quando ondas surgem do mar, elas recaem no mar. Na realidade, o mar e as ondas n\u00e3o s\u00e3o diferentes. Se compreendemos isso, permanecemos sentados na praia, relaxados: n\u00e3o h\u00e1 ent\u00e3o nem fadiga nem dificuldade. Do mesmo modo, quando observamos a ess\u00eancia de nossa pr\u00f3pria mente, que existam pensamentos ou n\u00e3o, \u00e9 sem import\u00e2ncia; permanecemos simplesmente &#8211; relaxados.     <\/p>\n<hr \/>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o a medita\u00e7\u00e3o do livro &#8220;Medita\u00e7\u00e3o &#8211; Conselhos ao Principiante&#8221; de Bokar Rimpoche POR QUE MEDITAR? Os homens s\u00e3o afligidos por sofrimentos, angustias e medos inumer\u00e1veis que s\u00e3o incapazes de evitar. 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