{"id":1972,"date":"2018-05-17T10:51:51","date_gmt":"2018-05-17T12:51:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=1972"},"modified":"2018-05-17T11:07:17","modified_gmt":"2018-05-17T13:07:17","slug":"fukanzazengi","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/fukanzazengi\/","title":{"rendered":"Fukanzazengi"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/fukanzazengi\/taisen-deschimaru\/\" rel=\"attachment wp-att-1975\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Taisen-Deschimaru-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1975\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Taisen-Deschimaru-200x300.jpg 200w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Taisen-Deschimaru.jpg 481w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>FUKANZAZENGI,<br \/>OS PRINC\u00cdPIOS DO ZAZEN DE MESTRE DOGEN<\/b><\/font><\/div>\n<div style=\"text-align:right\"><i>Texto extra\u00eddo de &#8220;O Anel do Caminho&#8221; <br \/> de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/taizen-deshimaru\/\"><font size=\"2\"><b>Taisen Deschimaru<\/b><\/font><\/a><\/i><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">\nDeveis abandonar a pr\u00e1tica fundada no conhecimento intelectual, correndo atr\u00e1s das palavras e atendo-vos \u00e0 letra. Deveis aprender a meia-volta que dirige a vossa luz para o interior, para iluminar-vos a verdadeira natureza. O corpo e o esp\u00edrito se apagar\u00e3o por si mesmos e o vosso verdadeiro rosto aparecer\u00e1. Se quiserdes atingir a ipseidade, devereis pratic\u00e1-la sem tardan\u00e7a.<\/p>\n<p>Para o zazen, conv\u00e9m um aposento silencioso. Comei e bebei com sobriedade. N\u00e3o penseis: isso est\u00e1 bem, isso est\u00e1 mal. N\u00e3o tomeis partido, nem a favor nem contra. Suspendei todos os movimentos do esp\u00edrito consciente. N\u00e3o julgueis pensamentos e perspectivas. N\u00e3o alimenteis desejo algum de tornar-vos um Buda. Zazen n\u00e3o tem absolutamente nada que ver com a posi\u00e7\u00e3o sentada ou com a posi\u00e7\u00e3o deitada.<\/p>\n<p>No lugar em que tendes o costume de sentar-vos, estendei uma esteira grossa e colocai uma almofada em cima. Sentai-vos na posi\u00e7\u00e3o de l\u00f3tus ou de meio-l\u00f3tus. Na posi\u00e7\u00e3o de l\u00f3tus, colocai primeiro o p\u00e9 direito sobre a coxa esquerda, depois o p\u00e9 esquerdo sobre a coxa direita. Na posi\u00e7\u00e3o de meio-l\u00f3tus, contentai-vos com colocar o p\u00e9 esquerdo contra a coxa direita.<\/p>\n<p>N\u00e3o vos esque\u00e7ais de desapertar as roupas e o cinto, arrumai-vos  convenientemente.<\/p>\n<p>Em seguida, colocai a m\u00e3o direita sobre a perna esquerda e a m\u00e3o esquerda, virada para o alto, sobre a direita; as extremidades dos polegares se tocam.<\/p>\n<p>Sentai-vos bem aprumado, na atitude corporal correta, nem inclinado para a esquerda, nem inclinado para a direita, nem para a frente, nem para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Certificai-vos de que as orelhas est\u00e3o no mesmo plano dos ombros e que o nariz se acha na mesma linha vertical do umbigo.<\/p>\n<p>Empurrai a l\u00edngua para a frente, contra o palato; a boca est\u00e1 fechada, os dentes se tocam.<\/p>\n<p>Os olhos devem permanecer sempre abertos, e deveis respirar suavemente pelo nariz.<\/p>\n<p>Quando tiverdes assumido a postura correta, respirai profundamente uma vez, inspirai e expirai. Inclinai o corpo para a direita e para a esquerda, e imobilizai-vos numa posi\u00e7\u00e3o sentada est\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Zen est\u00e1 al\u00e9m de todo e qualquer dualismo; por sua simplicidade, d\u00e1 acesso ao estado absoluto de sabedoria; e \u00e9 aqui que a significa\u00e7\u00e3o do zazen assume toda a for\u00e7a: Shikantaza, apenas sentar-se, sentar-se e mais nada.<\/p>\n<p>O Zen \u00e9 a filosofia da gratuidade, do n\u00e3o-lucro; cada qual trabalha, na vida, para uma finalidade, por uma id\u00e9ia, com um objetivo; cada qual quer dar e receber, mas s\u00f3 se atinge a vida espiritual mais alta do homem quando n\u00e3o h\u00e1 busca de lucro nem medo de perda.<\/p>\n<p>Conservai as m\u00e3os abertas, toda a areia do deserto passar\u00e1 por entre elas; fechai-as e n\u00e3o conseguireis sen\u00e3o alguns gr\u00e3os.<\/p>\n<p>A menor no\u00e7\u00e3o de guardar, de permanecer na consci\u00eancia, \u00e9 um obst\u00e1culo. A harmonia com o sistema c\u00f3smico \u00e9 o abandono de tudo. Somos unidade e recebemos ent\u00e3o a energia do cosmo.<\/p>\n<p>Tudo indica que a educa\u00e7\u00e3o baseada unicamente no conhecimento intelectual, nas religi\u00f5es e morais tradicionais j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o capazes de fornecer solu\u00e7\u00f5es. Angustiados, desorientados, desequilibrados, os homens fogem, buscando os prazeres moment\u00e2neos e a facilidade, e assim se apartam da ess\u00eancia espiritual e do verdadeiro sentido da humanidade. As contradi\u00e7\u00f5es e insatisfa\u00e7\u00f5es s\u00e3o numerosas, rompeu-se o equil\u00edbrio natural dos humanos porque eles j\u00e1 n\u00e3o sabem viver na condi\u00e7\u00e3o normal do corpo e do esp\u00edrito.<\/p>\n<p><b>Estudar o Caminho do Buda \u00e9 estudar-se a si mesmo.<br \/> Estudar-se a si mesmo \u00e9 esquecer-se de si mesmo.<br \/>\nEsquecer-se de si mesmo \u00e9 estar identificado com todas as exist\u00eancias do cosmos.<br \/>\nEstar identificado com todas as exist\u00eancias do cosmo \u00e9 despojar-se do corpo e da mente.<br \/>\nDespojar-se do corpo e da mente \u00e9 despojar-se do seu eu.<\/b><\/p>\n<p>Qual \u00e9 a ess\u00eancia de todas as religi\u00f5es, de todas as filosofias? <br \/>Compreender-se a si mesmo. <br \/>N\u00e3o uma compreens\u00e3o lograda unicamente atrav\u00e9s da imagina\u00e7\u00e3o, da parte frontal, intelectual do c\u00e9rebro, mas uma compreens\u00e3o lograda atrav\u00e9s do corpo. Vivemos gra\u00e7as \u00e0 energia do cosmos. Durante o zazen, nossa consci\u00eancia e nosso corpo se harmonizam com o sistema c\u00f3smico, gra\u00e7as \u00e0 respira\u00e7\u00e3o, aos cinco sentidos e \u00e0 consci\u00eancia, que se acalmam, perdem as ansiedades, os temores, natural, autom\u00e1tica, inconscientemente. \u00c9 a verdadeira religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa postura exata influi na consci\u00eancia, nas sensa\u00e7\u00f5es, nos pensamentos. Zazen \u00e9 a volta \u00e0s condi\u00e7\u00f5es normais, \u00e0 sa\u00fade do corpo. Ser\u00e1 dif\u00edcil associar ao zazen um corpo em mau estado. Zazen \u00e9 o bar\u00f4metro da sa\u00fade, da mente.<\/p>\n<p>As doen\u00e7as aparecem sempre a partir das deforma\u00e7\u00f5es do corpo e da mente. Gra\u00e7as \u00e0 postura do zazen localizamos nossas deforma\u00e7\u00f5es e nossos pontos fracos. Zazen significa olhar para n\u00f3s mesmos, compreender o nosso ego, o nosso karma e os maus h\u00e1bitos do corpo e da mente. Quando praticardes zazen mantende uma postura justa. Do inconsciente surgem desejos e pensamentos. Assim podeis observar-vos a v\u00f3s mesmos. Se sentirdes pontos dolorosos pelo corpo ou mesmo um desequil\u00edbrio entre o lado direito e o esquerdo, essa deforma\u00e7\u00e3o pode vir a ser a causa de uma doen\u00e7a futura.<\/p>\n<p>Quase todas as religi\u00f5es procuram o controle por meio do espiritual. Mas se quisermos controlar o esp\u00edrito pelo esp\u00edrito complicar-nos-emos. Querer controlar o esp\u00edrito pela vontade \u00e9 como querer apagar o fogo com o fogo.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o Zen n\u00e3o \u00e9 cient\u00edfica. A educa\u00e7\u00e3o Zen est\u00e1 al\u00e9m da ci\u00eancia, al\u00e9m da filosofia. O pensamento Zen pratica-se com o corpo. E inclui as contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No Zen, n\u00e3o pensamos no problema da exist\u00eancia ou da n\u00e3o-exist\u00eancia de uma subst\u00e2ncia. Propomos os problemas seguintes: Que fazer? Como existir aqui e agora?<\/p>\n<p>Dizia Mestre Kodo Sawaki que conduzir a nossa vida \u00e9 como andar de bicicleta. Uma boa pr\u00e1tica faz-se necess\u00e1ria. Se o corpo e o c\u00e9rebro estiverem r\u00edgidos, n\u00e3o poderemos conduzir; n\u00e3o poderemos vencer a dificuldade. \u00c9 preciso pedalar sem parar. Se n\u00e3o pedalarmos, n\u00e3o avan\u00e7aremos, se executarmos uma manobra errada, cairemos.<\/p>\n<p>Precisamos utilizar o c\u00e9rebro como utilizamos a bicicleta. Agora, agir de tal maneira, cada momento \u00e9 diferente. O aqui e agora difere a cada instante, como o tempo que passa. Por isso mesmo, o c\u00e9rebro n\u00e3o deve permanecer unilateral. Se s\u00f3 decidirmos segundo nossas pr\u00f3prias categorias, o c\u00e9rebro n\u00e3o evoluir\u00e1 e n\u00e3o poderemos criar sabedoria.<\/p>\n<p>Da pergunta: Como somos?, devemos passar \u00e0 pergunta: Como devemos ser em nossa vida real? Nesse momento, a alta verdade da pr\u00e1tica da f\u00e9 e da religi\u00e3o pode assumir numerosas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 de suma import\u00e2ncia entrar na pr\u00e1tica e na experi\u00eancia.<\/p>\n<p> No Zen, devemos rejeitar at\u00e9 os ju\u00edzos sobre o bem e o mal.<\/p>\n<p>O bem e o mal n\u00e3o s\u00e3o mais que o verso e o reverso da mesma medalha.<\/p>\n<p>Se nos apegarmos a um ju\u00edzo, ele se fixar\u00e1 e assumir\u00e1 uma subst\u00e2ncia pr\u00f3pria. Por isso mesmo, no Zen, n\u00e3o fazemos sen\u00e3o negar, negar, sem parar, todas as coisas.<\/p>\n<p><b>O Caminho do Meio, \u00e9  o fato de se controlar. De equilibrar.<\/b><\/p>\n<p>Nas religi\u00f5es modernas, s\u00f3 nos concentramos nos ensinamentos, nos sutras, no estudo, na teologia. Esquecemos a pr\u00e1tica, assim como a f\u00e9. Da\u00ed, que o ensinamento sem a pr\u00e1tica e sem a f\u00e9 n\u00e3o pode dar lugar ao despertar.<\/p>\n<p>No interior do esp\u00edrito das pessoas, as vagas e o vento est\u00e3o sempre em movimento.<\/p>\n<p>O ser humano cria suas pr\u00f3prias ilus\u00f5es. A persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s sombras da consci\u00eancia engendra a ilus\u00e3o ou o erro. A maioria das pessoas fala segundo as pr\u00f3prias ilus\u00f5es est\u00fapidas. Seus discursos s\u00e3o err\u00f4neos, pois decidem acerca do bem e do mal atrav\u00e9s das ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>Devem-se as ilus\u00f5es \u00e0 mente inst\u00e1vel que se move e erra em fun\u00e7\u00e3o do meio. O satori \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, normal e original da mente.<\/p>\n<p>Nossa silhueta muda a cada instante como a chama que arde. Muda a cada instante o conte\u00fado das concep\u00e7\u00f5es ou das categorias. N\u00e3o h\u00e1 nada fixo.<\/p>\n<p>No mundo vis\u00edvel, nada \u00e9 id\u00eantico, cada objeto \u00e9 diferente. <\/p>\n<p>Tudo existe numa reIa\u00e7\u00e3o de interdepend\u00eancia, sem no\u00fameno (ess\u00eancia), sem subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Durante o zazen, o c\u00e9rebro equivale a uma janela atrav\u00e9s da qual sopra forte corrente de ar.<\/p>\n<p><b>Sem n\u00f3doa<br \/>\nNa \u00e1gua da mente<br \/>\nPermanece a claridade da Lua.<br \/>\nAt\u00e9 as vagas ali se quebram,<br \/>\nE se transformam em luz pura.<\/b><\/p>\n<p>Durante o zazen, o c\u00e9rebro e a consci\u00eancia se purificam. Exatamente como a \u00e1gua suja que deixamos decantar num copo. A sujeira, progressivamente, se deposita no fundo e a \u00e1gua se torna pura.<\/p>\n<p><b>As pessoas ignoram<br \/>\nA j\u00f3ia preciosa<br \/>\nE, no entanto, cada qual a possui<br \/>\nProfundamente enterrada<br \/>\nNa consci\u00eancia Alaya, o inconsciente.<\/b><\/p>\n<p>Quando a consci\u00eancia Alaya emerge e se manifesta, aparece o espelho da sabedoria.<\/p>\n<p>O satori do Zen Soto \u00e9, pois, o redescobrimento do estado original esquecido, al\u00e9m de todas as observa\u00e7\u00f5es de que \u00e9 suscet\u00edvel a consci\u00eancia sa\u00edda do c\u00e9rebro frontal; deixa de ser, portanto, subjetivo, para ser totalmente objetivo.<\/p>\n<p>O zazen, que \u00e9 a ess\u00eancia do ensino do Buda e dos Patriarcas que lhe sucederam, permite a ultrapassagem de todas as contradi\u00e7\u00f5es; \u00e9 um salto para al\u00e9m das categorias, \u00e9 Hishiryo, o pensar n\u00e3o-pensado, o pensar oriundo do n\u00e3o-pensamento. Todos os fen\u00f4menos que chegam aqui e agora n\u00e3o se distinguem do satori, constituem o verdadeiro satori, a verdadeira natureza de Buda. Na natureza de Buda n\u00e3o existe forma nem n\u00e3o-forma.<\/p>\n<p><b>Zazen tem um gosto muito simples, leve, quase neutro.<br \/>\nSe dermos gosto ao zazen, f\u00e1-lo-emos vulgar.<br \/>\n\u00c9 semelhante ao largo c\u00e9u.<br \/>\nE ao oceano sem limites.<\/b><\/p>\n<p>O satori \u00e9 unifica\u00e7\u00e3o, unidade, n\u00e3o-separa\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio zazen \u00e9 satori. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 a certifica\u00e7\u00e3o do satori. O satori n\u00e3o \u00e9, pois, um acontecimento, mas um estado permanente que subsiste at\u00e9 a morte. Entretanto, nem por isso devemos esperar entrar no caix\u00e3o para obt\u00ea-lo, ser\u00e1 tarde demais. Para cada pessoa, o satori \u00e9, a um tempo, diferente e id\u00eantico, como a Lua que se reflete tanto numa gota de orvalho ou numa gota de xixi de cachorro quanto no oceano. Cumpre rejeitar tudo, corpo e mente, para que o zazen nos acompanhe; seguimo-lo sem fazer uso da for\u00e7a, da consci\u00eancia. Inconsciente, natural, automaticamente, n\u00f3s nos separamos das ilus\u00f5es e obtemos o satori.<\/p>\n<p>A postura do zazen \u00e9 o satori.<\/p>\n<p>O zazen deve arrastar o pensamento humano na dire\u00e7\u00e3o do Buda, da ordem c\u00f3smica. A postura do zazen \u00e9 semelhante \u00e0 postura alongada do le\u00e3o, ao rugido do drag\u00e3o. \u00c9 digna do m\u00e1ximo respeito.<\/p>\n<p>Quer estejais sentado, de p\u00e9 ou deitado, deveis ser parecido com o rei dos le\u00f5es, que permanece totalmente livre e forte, bravo e sem medo; se outras pessoas vierem ver a vossa postura, esta deve ser tal que elas  n\u00e3o possam aproximar-se, tamanha a dignidade que dela emana.<\/p>\n<p>Rejeitai, num s\u00f3 golpe, todo pensamento e todo saber e, se fizerdes Shikantaza e sentardes em zazen abandonando tudo, pouco a pouco vos familiarizareis com o satori. Atingireis ent\u00e3o o Caminho utilizando o corpo de modo apropriado, especialmente se vos sentardes.<\/p>\n<p>Os homens que desejam o satori oriundo de um conhecimento limitado e seletivo duvidam da suprema sabedoria do Buda, nascida da consci\u00eancia c\u00f3smica ilimitada. Assim, se n\u00e3o acreditardes na sabedoria suprema, sereis prisioneiro do vosso eu consciente e experimentareis sofrimentos. O cora\u00e7\u00e3o deve deixar-se arrebatar pela f\u00e9, confiar-se natural e inconscientemente \u00e0 Mente C\u00f3smica em vez de agarrar-se ao eu objetivo. A mente cont\u00e9m todo o cosmo.<\/p>\n<p>No mundo da verdade, eu e os outros n\u00e3o somos separados.<br \/>\nL\u00e1 n\u00e3o existe nenhum vest\u00edgio de dualismo: fen\u00f4meno e ess\u00eancia mutuamente se interpenetram e se encaixam com perfei\u00e7\u00e3o. Quando a mente n\u00e3o se det\u00e9m em nada, a verdadeira mente aparece.<\/p>\n<p>Na maioria das medita\u00e7\u00f5es, seja mesmo em certas formas de Zen, os adeptos, mestres e disc\u00edpulos sempre se esfor\u00e7am por destruir as ilus\u00f5es e permanecer no n\u00e3o-pensamento, por destruir a mente err\u00f4nea e permanecer na n\u00e3o-mente, por matar a atividade viva em si mesmos e estagnarem-se num estado de n\u00e3o-vivo, de n\u00e3o-atividade. Do mesmo jeito que sempre quiseram matar o aspecto e brincar com o n\u00e3o-aspecto. Raz\u00e3o pela qual esse g\u00eanero de medita\u00e7\u00e3o sempre enfraqueceu a maioria das escolas e seus praticantes.<\/p>\n<p>O verdadeiro zazen \u00e9 como o espelho que reflete todas as formas ou todos os fen\u00f4menos, e em que a vossa mente se torna completamente clara. \u00c0 medida que a vossa mente so\u00e7obra, kontin vos precipita nos abismos do sono e, quando a vossa mente flutua, sanran vos afunda nos abismos da confus\u00e3o. Por isso mesmo, durante o zazen, acautelai-vos dos dois obst\u00e1culos, kontin e sanran, modorra e exalta\u00e7\u00e3o. Mas se viveis no centro do pal\u00e1cio luminoso da tranq\u00fcilidade c\u00f3smica, sanran se acalma por si mesmo merc\u00ea dessa tranq\u00fcilidade perfeita. E a vossa mente se acalma completamente, at\u00e9 em presen\u00e7a de sanran.<\/p>\n<p>Da mesma forma kontin se aquieta pela observa\u00e7\u00e3o da vossa pr\u00f3pria luz, e podeis tornar-vos totalmente essa luz, mesmo com a exist\u00eancia de kontin.<\/p>\n<p>Por conseguinte, deveis observar kontin durante o zazen e tornar-vos luminosos com kontin; e deveis deter sanran durante o zazen e acalmar-vos com sanran. Como o javali que descobriu uma mina de ouro ou como o vento que espalha ao longe o perfume das flores olorosas, inconscientemente.<\/p>\n<p>Na verdadeira mente espiritual n\u00e3o h\u00e1 ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>Se pudermos usufruir da verdadeira e perfeita liberdade da mente, at\u00e9 a nuvem branca e a montanha azul se transformam em sombra em nosso pensamento \u00fanico, e a bruma sobre a floresta de pinheiros ou a neve que recobre a floresta de bambu tamb\u00e9m se transformam em sombra em nosso pensamento \u00fanico. Poderemos, ent\u00e3o, pescar a Lua e lavrar a nuvem.<\/p>\n<p>Nesse momento, como se realiza o m\u00e9rito infinitamente grande do zazen, podemos fazer entrar o cosmo numa semente de papoula, ou o oceano num poro da pele, e mudar a terra do inferno em terra do para\u00edso, inconsciente, natural, automaticamente.<\/p>\n<p>Por favor, meus caros disc\u00edpulos, considerai que a nossa vida \u00e9 t\u00e3o v\u00e3 e ef\u00eamera quanto a gota de orvalho sobre a relva de manh\u00e3, e que o nosso destino \u00e9 t\u00e3o impermanente quanto o sonho ou a ilus\u00e3o, a bolha d&#8217;\u00e1gua ou a sombra.<\/p>\n<p><b>Quando uma gota d&#8217;\u00e1gua cai no oceano,<br \/>\nQuando um gr\u00e3o de p\u00f3 cai na terra,<br \/>\nA gota d&#8217;\u00e1gua j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma gota d&#8217;\u00e1gua, torna-se oceano,<br \/>\nE o gr\u00e3o de poeira j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um gr\u00e3o de poeira, torna-se a terra inteira.<\/b><\/p>\n<p>O verdadeiro Zen n\u00e3o \u00e9 correr para alcan\u00e7ar o Caminho, por\u00e9m ser alcan\u00e7ado pelo Caminho. O verdadeiro Zen \u00e9 o despertar-metamorfose; n\u00e3o \u00e9 um satori pessoal. O sutra do nirvana repete as palavras que Buda pronunciou quando obteve o satori debaixo da \u00e1rvore Bodhi: &#8220;Eu e todos os seres vivos realizamos juntos o Caminho&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o pratiqueis o Dharma do Buda, n\u00e3o pratiqueis o zazen em vosso benef\u00edcio, com finalidade utilit\u00e1ria, pelas honras, pelos m\u00e9ritos, para lograr favores, milagres, mas apenas pelo Dharma do Buda. Shikantaza \u00e9 a mais alta, a maior, a mais pura dimens\u00e3o do corpo e do esp\u00edrito do homem.<\/p>\n<p>O zen de Dogen n\u00e3o \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o de vir a ser mais do que humano, um ser especial, Buda ou Deus. Tampouco \u00e9 a esperan\u00e7a de ter a vis\u00e3o da vacuidade, ou de fazer milagres. \u00c9 voltar \u00e0 condi\u00e7\u00e3o normal da mente humana.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica do zazen traz a paz interior. Al\u00e9m disso, o vosso zazen influ\u00eancia toda a humanidade, todo o cosmos.<\/p>\n<p>Zazen \u00e9 um jogo, o maior de todos. S\u00f3 os que o compreenderam continuam a praticar.\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FUKANZAZENGI,OS PRINC\u00cdPIOS DO ZAZEN DE MESTRE DOGEN Texto extra\u00eddo de &#8220;O Anel do Caminho&#8221; de Taisen Deschimaru Deveis abandonar a pr\u00e1tica fundada no conhecimento intelectual, correndo atr\u00e1s das palavras e atendo-vos \u00e0 letra. Deveis aprender a meia-volta que dirige a &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/fukanzazengi\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1714,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,40],"tags":[63],"class_list":["post-1972","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao","category-zen","tag-taisen-deschimaru"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1972"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1972\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1980,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1972\/revisions\/1980"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1714"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}