{"id":1988,"date":"2018-05-17T11:22:06","date_gmt":"2018-05-17T13:22:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=1988"},"modified":"2018-05-17T12:11:14","modified_gmt":"2018-05-17T14:11:14","slug":"meditacao-mahamudra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/meditacao-mahamudra\/","title":{"rendered":"Medita\u00e7\u00e3o Mahamudra"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/introducao-a-meditacao\/bokar-rimpoche\/\" rel=\"attachment wp-att-1937\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche-296x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"296\" height=\"300\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1937\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche-296x300.jpeg 296w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche-768x778.jpeg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche-50x50.jpeg 50w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bokar-Rimpoche.jpeg 966w\" sizes=\"auto, (max-width: 296px) 100vw, 296px\" \/><\/a><a name=\"inicio\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>Medita&ccedil;&atilde;o Mahamudra<\/b>.<\/font><\/div>\n<p><\/a><br \/>\n<\/font><font size=\"1\"> <\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i>de <b>Bokar Rimpoche <\/b><br \/>Extra\u00eddo do livro &quot;Medita&ccedil;&atilde;o \u2013 Conselhos ao Principiante&quot;<\/i><\/p>\n<\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p>A INDIZ&Iacute;VEL MENTE<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O<b><i> <\/i><\/b>mahamudra<sup>1<\/sup> &eacute; um termo que designa o modo de ser, a natureza &uacute;ltima, de todos os seres.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Qual &eacute;, fundamentalmente, essa mente que caracteriza os seres?  Est&aacute; ela no corpo? &Eacute; ela exterior ao corpo? Ou em algum lugar entre os dois? &Eacute; ela branca, vermelha ou de uma outra cor?  Qual &eacute; sua forma?  Qual &eacute; sua dimens&atilde;o?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Se examinarmos a mente com aten&ccedil;&atilde;o, constatamos que ela &eacute; vazia por natureza.  N&atilde;o podemos atribuir-lhe nenhuma caracter&iacute;stica material.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A mente &eacute; vazia, ela n&atilde;o &eacute; uma coisa.  Isso quer dizer que ela n&atilde;o &eacute; nada?  Tamb&eacute;m n&atilde;o.  A mente n&atilde;o pode ser uma simples vacuidade, um simples nada, visto que, segundo a experi&ecirc;ncia que temos dela, ela &eacute; a<b> <\/b>base de surgimento dos m&uacute;ltiplos pensamentos da exist&ecirc;ncia condicionada.  Dela nascem, do lado negativo, a c&oacute;lera e as outras emo&ccedil;&otilde;es conflituosas, assim como, do lado positivo, a f&eacute; e a<b> <\/b>compaix&atilde;o.  Essa produ&ccedil;&atilde;o natural dos pensamentos basta para demonstrar que ela n&atilde;o &eacute; apenas vacuidade.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando procuramos o modo de ser da mente e nos perguntamos o que ela &eacute;, n&atilde;o podemos dar, de fato, nenhuma resposta, n&atilde;o podemos dizer que<b> <\/b>ela seja algo.  Se disso conclu&iacute;mos que<b> <\/b>ela n&atilde;o &eacute; absolutamente nada, devemos tamb&eacute;m admitir que essa conclus&atilde;o n&atilde;o &eacute; pertinente, pois h&aacute; sentimentos de felicidade e de sofrimento.  A mente n&atilde;o pode ser definida pelas no&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia e de n&atilde;o-exist&ecirc;ncia.<sup>2<\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Em verdade, se a natureza da mente &eacute; indiz&iacute;vel, &eacute; porque ela &eacute; o <i>dharmakaya<\/i><sup>3<\/sup><i> <\/i>o &quot;Corpo Absoluto&quot;. Ora, esse<i> dharmakaya <\/i>est&aacute; para al&eacute;m do campo do pensamento ordin&aacute;rio, para al&eacute;m do que podem exprimir as palavras, para al&eacute;m de todo conceito.  Entretanto, embora o <i>dharmakaya<\/i> seja a nossa verdadeira natureza, n&atilde;o o reconhecemos e vagamos no <i>samsara, <\/i>o ciclo das exist&ecirc;ncias e do sofrimento.  Reconhecer o <i>dharmakaya &eacute; <\/i>a fun&ccedil;&atilde;o do <i>dharma <\/i>e mais particularmente da medita&ccedil;&atilde;o do <i>mahamudra.<\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">&nbsp;<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p>A FONTE DA PR&Aacute;TICA<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na linhagem <i>kagyupa, <\/i>a pr&aacute;tica do mahamudra foi em sua origem revelada pelo Buddha primordial Vajradhara ao grande realizado indiano Tilopa que, tendo atingido a realiza&ccedil;&atilde;o &uacute;ltima, transmitiu-a a Naropa.  De Naropa ela passou &agrave; Marpa, o tradutor, depois a Milarepa, em seguida a Gampopa, que a transmitiu a Tusum Khyenpa, o primeiro Karmapa.  A tradi&ccedil;&atilde;o foi, em seguida, mantida pela sucess&atilde;o dos Karmapas, sem interrup&ccedil;&atilde;o e na &iacute;ntegra.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Eu mesmo recebi a transmiss&atilde;o da gra&ccedil;a do <i>mahamudra <\/i>de meus lamas-ra&iacute;zes, o d&eacute;cimo sexto Karmapa e Kalu Rimpoche.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p>UM CORPO COMPLETO<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A pr&aacute;tica do <i>mahamudra, <\/i>para ser completa, deve reunir tr&ecirc;s elementos, que comparamos &agrave;s partes de um corpo, a aus&ecirc;ncia de uma ou de outra impedem o conjunto de ser funcional.  Dizemos que:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><dir><br \/>\n<\/dir><dir><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00b7&#9;O n&atilde;o-apego s&atilde;o as pernas do <i>mahamudra;<\/i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00b7&#9;A devo&ccedil;&atilde;o &eacute; sua cabe&ccedil;a;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00b7&#9;A medita&ccedil;&atilde;o &eacute; seu tronco ou seu corpo.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><\/dir><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Um corpo s&oacute; &eacute; funcional se estiver completo.  Um corpo sem cabe&ccedil;a de nada serviria, assim como um corpo sem tronco.  Um corpo que teria cabe&ccedil;a e tronco, mas desprovido de pernas tamb&eacute;m n&atilde;o poderia realizar as atividades de um corpo completo.  Um corpo, para preencher plenamente sua fun&ccedil;&atilde;o, deve possuir a integridade de seus membros.  Da mesma maneira, para que a pr&aacute;tica do <i>mahamudra <\/i>seja efetiva, ela deve ser completa: cabe&ccedil;a, pernas e tronco.  Na falta disso, n&atilde;o seria um mahamudra aut&ecirc;ntico.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">&nbsp;<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p>AS PERNAS: O N&Atilde;O-APEGO<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando somos apanhados por um fort&iacute;ssimo apego por esta vida, somos como que impedidos de avan&ccedil;ar na via do <i>mahamudra.  <\/i>Eis por que ser livre desse apego constitui as pernas da pr&aacute;tica.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Semelhante n&atilde;o-apego procede de uma compreens&atilde;o da natureza dos fen&ocirc;menos.  No estado de n&atilde;o-realiza&ccedil;&atilde;o, todos os fen&ocirc;menos, os objetos exteriores que s&atilde;o as formas, os sons, os odores, etc., assim como nosso corpo ou as apar&ecirc;ncias interiores produzidas em nossa mente, tudo &eacute; apreendido como dotado de uma exist&ecirc;ncia real e permanente, o que &eacute; uma apreens&atilde;o err&ocirc;nea.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&Eacute; preciso, ao contr&aacute;rio, tomar consci&ecirc;ncia do fato segundo o qual os fen&ocirc;menos exteriores que nossos sentidos percebem, longe de serem dotados dessa perman&ecirc;ncia que n&oacute;s lhes atribu&iacute;mos, s&atilde;o transit&oacute;rios: modificam-se a cada instante.  Nosso corpo e nossa mente s&atilde;o submetidos ao mesmo processo de modifica&ccedil;&atilde;o constante.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tomemos como exemplo a casa na qual nos encontramos.  Aparentemente, &eacute; a mesma de ontem, a mesma do ano passado.  Parece que nada mudou. &Eacute; apenas uma falsa apar&ecirc;ncia.  No n&iacute;vel impercept&iacute;vel das mol&eacute;culas constitutivas do edif&iacute;cio produz-se uma mudan&ccedil;a cont&iacute;nua, de modo que ele nunca permanece semelhante a ele mesmo.  Uma casa nova n&atilde;o continua a ser nova em raz&atilde;o dessa constante modifica&ccedil;&atilde;o.  Esta mudan&ccedil;a rege seu envelhecimento e assegura que surja inelutavelmente um dia em que ela n&atilde;o ser&aacute; mais do que uma ru&iacute;na e, por fim, desapare&ccedil;a completamente.  Isso vale para todas as coisas, inclusive aquelas que nos parecem as mais duradouras, como as montanhas ou os rochedos.  Tudo &eacute; impermanente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nosso corpo e nossa mente n&atilde;o escapam a essa regra.  Considero, por exemplo, que hoje sou Bokar Tulku, que ontem fui Bokar Tulku, que<b> <\/b>no ano passado tamb&eacute;m fui Bokar Tulku.  Eu teria, ent&atilde;o, tend&ecirc;ncia a pensar que sou sempre o mesmo Bokar Tulku.  Todavia, meu corpo modifica-se a cada instante, assim como minha mente,<sup>5<\/sup> que j&aacute; n&atilde;o &eacute; agora o que foi outrora.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A essa compreens&atilde;o da imperman&ecirc;ncia deve acrescentar-se a tomada de consci&ecirc;ncia do sofrimento pr&oacute;prio ao ciclo das exist&ecirc;ncias.  Ainda que levemos em considera&ccedil;&atilde;o t&atilde;o somente os seres que povoam a terra, podemos constatar o n&uacute;mero de sofrimentos cont&iacute;nuos que os afligem, tanto f&iacute;sicos quanto interiores.  Acontece, as vezes, que parecemos felizes e que nenhum sofrimento &eacute; vis&iacute;vel; por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; uma verdadeira felicidade, pois n&atilde;o &eacute; definitiva e se transformar&aacute; em sofriniento mais cedo ou mais tarde.  Mesmo um estado neutro, sem sofrimento nem felicidade, pela opaciclade mental que ele implica, tamb&eacute;m provocar&aacute; um sofriniento.  Diz-se que existem tr&ecirc;s tipos de sofrimentos: o sofrimento <u>doloroso<\/u>, o sofrimento da <u>mudan&ccedil;a<\/u> e o sofrimento <u>inerente<\/u> a tudo o que &eacute; composto.  Desse modo, nenhum ser do <i>samsara <\/i>conhece um estado de felicidade aut&ecirc;ntica.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A partir do momento em que compreendemos que todos os fen&ocirc;menos exteriores e interiores s&atilde;o impermanentes, que s&atilde;o todos maculados pelo sofrimento e que o <i>samsara <\/i>&eacute; desprovido de interesse, nosso apego as apar&ecirc;ncias desta vida diminui.  Ent&atilde;o, voltamo-nos para os m&eacute;todos de liberta&ccedil;&atilde;o que permitem atingir o estado de Buddha.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p>A CABE&Ccedil;A: A DEVO&Ccedil;&Atilde;O<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A devo&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada como a cabe&ccedil;a da pr&aacute;tica do <i>mahamudra.  <\/i>Essa devo&ccedil;&atilde;o tem por objeto todos os lamas da linhagem de transmiss&atilde;o e, mais particularmente, aquele denominado &#8220;lama-raiz&#8221;, quer dizer, o mestre que<b> <\/b>nos introduz diretamente &agrave; natureza de nossa pr&oacute;pria mente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A devo&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial, pois, sem ela, n&atilde;o podemos abrirmos &agrave; gra&ccedil;a e, sem esta, a realiza&ccedil;&atilde;o do <i>mahamu<\/i>dra permaneceria imposs&iacute;vel.  Comparamos ami&uacute;de a gra&ccedil;a do mestre a uma montanha nevada e a devo&ccedil;&atilde;o do disc&iacute;pulo ao sol cujos raios incidem sobre as encostas da montanha.  O calor do sol faz a neve fundir, podemos coletar a &aacute;gua e beb&ecirc;-la. Mas se o sol da devo&ccedil;&atilde;o n&atilde;o brilha, a neve n&atilde;o fundir&aacute;. N&atilde;o receberemos, assim, a indispens&aacute;vel gra&ccedil;a.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">&nbsp;<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p>O<\/p>\n<p><\/b> <b>CORPO: A MEDITA&Ccedil;&Atilde;O<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O<b> <\/b>n&atilde;o-apego ao ciclo das exist&ecirc;ncias e o desejo de libertar-se dele, por um lado, e, por outro, a devo&ccedil;&atilde;o, formam as pernas e a cabe&ccedil;a da pr&aacute;tica.  N&atilde;o poder&iacute;amos nos abster de abordar o terceiro ponto: a medita&ccedil;&atilde;o que observa a natureza da mente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Essa medita&ccedil;&atilde;o requer saber &#8220;posicionar&#8221; o corpo e saber &#8220;posicionar&#8221; a mente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Uma grande import&acirc;ncia &eacute; concedida &agrave; postura do corpo, pois h&aacute; interdepend&ecirc;ncia entre o nosso corpo e a mente.  Uma postura correta do corpo favorecer&aacute; a estabilidade da mente, enquanto uma postura incorreta ser&aacute; nociva a essa estabilidade.  Tomamos, portanto, de modo ideal, a postura dita de &#8220;Vairochana de sete pontos&#8221;:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><dir><\/p>\n<p>&#9;1 &#8211; as pernas cruzadas na postura do <i>vajra<\/i>;<br \/>\n&#9;2 &#8211; as m&atilde;os no <i>mudra <\/i>da medita&ccedil;&atilde;o;<br \/>\n&#9;3 &#8211; a coluna vertebral reta como uma flecha;<br \/>\n&#9;4 &#8211; os ombros afastados como as asas de um<b> <\/b>abutre;<br \/>\n&#9;5 &#8211; o queixo recuado;<br \/>\n&#9;6 &#8211; a l&iacute;ngua pousada contra o palato de maneira relaxada e os l&aacute;bios soltos;<br \/>\n&#9;7 &#8211; o olhar pousado no vago, [+- 1,5m] obliquamente para baixo.<\/p>\n<p><\/dir><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para aqueles que encontram dificuldades para manter essa postura, podemos resumi-la a dois pontos essenciais: a coluna vertebral perfeitamente reta e as m&atilde;os no <i>mudra <\/i>da medita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Uma vez o corpo bem<b> <\/b>estabelecido dessa maneira, &eacute; preciso, em seguida, aprender a posicionar a mente.  Como faz&ecirc;-lo?<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em primeiro lugar, constatamos que surge em<b> <\/b>nossa mente uma infinidade de pensamentos concernentes ao passado ou ao futuro.  Os pensamentos do passado podem referir-se ao que ocorreu h&aacute; v&aacute;rios anos, alguns meses, algumas horas, ou nos minutos precedentes.  Do mesmo modo, os pensamentos do futuro podem referir-se a eventos que ocorrer&atilde;o daqui a v&aacute;rios anos, em alguns dias, algumas horas, ou nos minutos a seguir.  Esses pensamentos do passado ou do futuro, n&atilde;o os seguimos.  Permanecemos unicamente na mente tal como ela &eacute; no <u>presente<\/u>, sem distra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><u><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Permanecer sem distra&ccedil;&atilde;o na mente do presente &eacute; o que denominamos medita&ccedil;&atilde;o do <i>mahamudra.<\/i><\/p>\n<p><\/u><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Certas pessoas pensar&atilde;o que meditar dessa maneira, sem ser tomado pelos pensamentos do passado e do futuro, deve ser extremamente dif&iacute;cil, e mesmo penoso.  No entanto, se a mente cessa de projetar-se no que foi ou no que ser&aacute; e permanece tal como &eacute; no presente, aberta e relaxada, ela conhece uma sensa&ccedil;&atilde;o de repouso que torna a medita&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil e agrad&aacute;vel.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><\/sup><b><\/p>\n<p>MENTE IM&Oacute;VEL, MENTE EM MOVIMENTO<\/p>\n<p><\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nesse estado de relaxamento do corpo e de n&atilde;o distra&ccedil;&atilde;o interior, <u>a mente vai, por momentos, permanecer im&oacute;vel, sem nenhum pensamento<\/u>.  Por momentos pensamentos v&atilde;o surgir, e a mente estar&aacute; assim em movimento.  Quando a mente est&aacute; im&oacute;vel, reconhece-se isso e permanece-se nesse estado. Quando surgem pensamentos, da mesma maneira, reconhece-se isso.  A maneira justa de proceder &eacute; ent&atilde;o evitar duas atitudes:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><dir><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#9;1 &#8211; considerar que os pensamentos s&atilde;o uma coisa ruim e que &eacute; preciso deter sua produ&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#9;2 &#8211; segui-los sem se dar conta disso.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p><\/dir><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ao contr&aacute;rio, sem deter, nem seguir, permanece-se relaxado no estado de simples reconhecimento.<\/p>\n<p><u><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A mente que permanece no presente &eacute; a medita&ccedil;&atilde;o do <i>mahamudra.<\/i><\/p>\n<p><\/u><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os principiantes, quando sua mente permanece calma e est&aacute;vel, t&ecirc;m tend&ecirc;ncia a regozijar-se dizendo-se que sua medita&ccedil;&atilde;o &eacute; boa.  Quando, ao contr&aacute;rio, muitos pensamentos apresentam-se, sentem-se decepcionados e desencorajados, considerando que nunca conseguir&atilde;o meditar.  Estas s&atilde;o duas rea&ccedil;&otilde;es err&ocirc;neas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Habitualmente, seguimos os pensamentos sem estarmos sequer conscientes disso; somos enganados por eles.  Por isso, a medita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o implica tem&ecirc;-los, desejar seu desaparecimento e tentar det&ecirc;-los.  Em rela&ccedil;&atilde;o aos pensamentos, devemos permanecer sem<b> <\/b>rejei&ccedil;&atilde;o, nem aceita&ccedil;&atilde;o.  Que ocorram ou n&atilde;o, isso n&atilde;o tem import&acirc;ncia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O ponto importante da medita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute;<b> <\/b>a aus&ecirc;ncia de pensamentos, mas a manuten&ccedil;&atilde;o de uma vigil&acirc;ncia n&atilde;o-distra&iacute;da, destitu&iacute;da de julgamento, livre das no&ccedil;&otilde;es de bom ou de ruim.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Tais s&atilde;o, portanto, as tr&ecirc;s partes que tornam completa e aut&ecirc;ntica a pr&aacute;tica do <i>mahamudra: <\/i>as pernas do n&atilde;o-apego, a cabe&ccedil;a da devo&ccedil;&atilde;o, e o tronco da mente instalada no presente, tal como &eacute;, sem distra&ccedil;&atilde;o, sem nada recusar e sem nada tomar.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Notas:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<hr align=\"LEFT\" width=\"73%\" size=1\/>\n<p align=\"JUSTIFY\">1 &#8211; O termo <i>mahamudra <\/i>designa ao mesmo tempo a natureza &uacute;ltima da mente e a medita&ccedil;&atilde;o que conduz a reconhec&ecirc;-la, medita&ccedil;&atilde;o da <i>qual &quot;shine e lhaktong&quot; <\/i>s&atilde;o etapas.  Ele se refere, portanto, ao grau mais elevado da pr&aacute;tica.  Embora a palavra seja feminina em s&acirc;nscrito, foi difundido o uso no masculino em franc&ecirc;s (e tamb&eacute;m em portugu&ecirc;s), uso que respeitamos aqui.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">2 &#8211; As no&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia e de n&atilde;o-exist&ecirc;ncia aplicadas  &agrave; nossa mente podem parecer-nos de dif&iacute;cil apreens&atilde;o, ainda mais porque podemos ter a cren&ccedil;a impl&iacute;cita de que nossa mente &eacute; um produto do c&eacute;rebro, enquanto o budismo v&ecirc; este apenas como um <u>suporte<\/u> de funcionamento moment&acirc;neo.  Essas no&ccedil;&otilde;es constituem a &#8220;vis&atilde;o&#8221;, quer dizer, o fundamento te&oacute;rico sobre o qual vai apoiar-se a pr&aacute;tica da medita&ccedil;&atilde;o.  Seriam necess&aacute;rios longos e sutis desenvolvimentos para apoiar essa vis&atilde;o.  Bokar Rimpoclie apresenta aqui apenas o essencial a fim de permitir melhor compreens&atilde;o da medita&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">3 &#8211; A plenitude do Despertar &eacute; explicacla pela no&ccedil;&atilde;o de &#8220;Tr&ecirc;s Corpos&#8221; de Buddha, a<b> <\/b>palavra &quot;corpo&quot; n&atilde;o se refere aqui a organismo f&iacute;sico, mas a diferentes modalidades do ser. <\/p>\n<p><i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O dharmakaya <\/p>\n<p><\/i>(Corpo Absoluto), &eacute; n&atilde;o-manifestado, escapando a toda determina&ccedil;&atilde;o.  Ele &eacute; a-temporal e n&atilde;o-espacial, embora todo tempo e todo espa&ccedil;o procedam de suas potencialidades.<br \/>\n<i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O sambhogakaya  <\/p>\n<p><\/i>(Corpo de Gl&oacute;ria) &eacute; um corpo de luz manifestando-se em dom&iacute;nios diferentes dos nossos e para n&oacute;s inacess&iacute;vel em<b> <\/b>raz&atilde;o dos v&eacute;us que<b> <\/b>obscurecem nossa mente.<br \/>\n<i><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O nirmanakaya <\/p>\n<p><\/i>(Corpo de Manifesta&ccedil;&atilde;o) &eacute; o aparecimento sobre a terra, ou em outros lugares da exist&ecirc;ncia condicionada, de um ser Desperto.  Foi o caso, por exemplo, do Buddha Shakyamuni.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para ressaltar que esses tr&ecirc;s Corpos n&atilde;o s&atilde;o realidades separadas, acrescentamos a eles ami&uacute;de um quarto, o <i>svabhavikakaya<\/i> (Corpo de Unidade essencial).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">4 &#8211; Dos mestres da linhagem aqui mencionados os dois primeiros s&atilde;o indianos e os seguintes tibetanos.  Eis suas datas: <\/p>\n<p><dir><br \/>\n<\/dir><dir><br \/>\n<\/dir><dir><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n&#9;&#9;&#9;&#9; Tilopa: 988-1069;<br \/>\n&#9;&#9;&#9;&#9; Naropa: 1016-1100;<br \/>\n&#9;&#9;&#9;&#9; Marpa: 1012-1097;<br \/>\n&#9;&#9;&#9;           Milarepa: 1040-1123;<br \/>\n&#9;&#9;&#9;&#9; Gampopa; 1079-1153;<br \/>\n&#9;&#9;&#9;           Tusum Kyenpa: 1110-1193;<br \/>\n&#9;&#9;&#9;&#9; D&eacute;cimo sexto Karmapa: 1924-1981;<br \/>&#9;&#9;&#9;&#9; Kalu Rimpoche: 1904-1989.<\/p>\n<p><\/dir><\/p>\n<p>5 \u2013 Mente refere-se aqui ao psiquismo, que &eacute; mut&aacute;vel. Em contrapartida, a ess&ecirc;ncia da mente &eacute; imut&aacute;vel.<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medita&ccedil;&atilde;o Mahamudra. de Bokar Rimpoche Extra\u00eddo do livro &quot;Medita&ccedil;&atilde;o \u2013 Conselhos ao Principiante&quot; A INDIZ&Iacute;VEL MENTE O mahamudra1 &eacute; um termo que designa o modo de ser, a natureza &uacute;ltima, de todos os seres. Qual &eacute;, fundamentalmente, essa mente que &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/meditacao-mahamudra\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1937,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[61],"class_list":["post-1988","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao","tag-bokar-rimpoche"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1988"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1993,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1988\/revisions\/1993"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1937"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}