{"id":2040,"date":"2018-05-17T17:18:49","date_gmt":"2018-05-17T19:18:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=2040"},"modified":"2018-05-17T17:18:49","modified_gmt":"2018-05-17T19:18:49","slug":"o-base","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-base\/","title":{"rendered":"O base"},"content":{"rendered":"<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-mente-em-meditacao\/sogyal-rinpoche\/\" rel=\"attachment wp-att-1911\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Sogyal-Rinpoche.jpg\" alt=\"\" width=\"139\" height=\"186\" class=\"alignleft size-full wp-image-1911\" \/><\/a><a name=\"inicio\"><\/p>\n<div style=\"text-align:center\"><font size=\"4\"><b>A BASE<\/b><\/font><\/div>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Sogyal Rinpoche<\/b><\/i><\/div>\n<p><\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li><a href=\"#a\"><font size=\"2\">a base<\/font>\n<li><a href=\"#b\"><font size=\"2\">a base da mente ordin\u00e1ria<\/font>\n<li><a href=\"#c\"><font size=\"2\">o encontro da m\u00e3e com a filha<\/font>\n<li><a href=\"#d\"><font size=\"2\">a dura\u00e7\u00e3o da luminosidade de base<\/font>\n<li><a href=\"#d\"><font size=\"2\">a morte de um mestre<\/font><br \/>\n<\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<p><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h5><a name=\"a\">A BASE<\/a><\/h5>\n<div style=\"text-align:justify\">Ouvimos sempre afirma\u00e7\u00f5es como esta: &#8220;A morte \u00e9 o momento da verdade&#8221;, ou &#8220;A morte \u00e9 o instante em que finalmente voc\u00ea se v\u00ea face a face consigo mesmo&#8221;. E vimos como aqueles que passam por experi\u00eancias de quase-morte \u00e0s vezes relatam que ao testemunharem a vida ser repassada diante de si fazem-se perguntas como: &#8220;Que fez voc\u00ea da sua vida? Que fez voc\u00ea pelos outros?&#8221; Tudo isso leva a um fato: na morte n\u00e3o podemos escapar de quem ou do que realmente somos. Gostemos ou n\u00e3o a nossa verdadeira natureza \u00e9 revelada. Mas \u00e9 importante saber que h\u00e1 dois aspectos do nosso ser que s\u00e3o mostrados no momento da morte: nossa natureza absoluta e nossa natureza relativa &#8211; como somos e como temos sido nesta vida.<br \/>\nComo j\u00e1 expliquei, na morte todos os elementos que integram o\tnosso corpo e mente v\u00e3o sendo removidos e desintegram-se. \u00c0 medida que o corpo morre, dissolvem-se os sentidos e os elementos sutis, vindo em seguida a morte do aspecto ordin\u00e1rio da mente com todas suas emo\u00e7\u00f5es negativas de raiva, desejo e ignor\u00e2ncia. Finalmente, nada fica para obscurecer a nossa verdadeira natureza, uma vez que tudo o que anuviava a mente iluminada desapareceu. E o que se revela \u00e9 a base primordial da nossa natureza absoluta, que \u00e9 como um c\u00e9u puro e sem nuvens.<\/p>\n<p>Chama-se a isso o despontar da Luminosidade Base, ou &#8220;Clara Luz&#8221;, em que a pr\u00f3pria consci\u00eancia se dissolve no espa\u00e7o todoabrangente da verdade. O Livro Tibetano dos Mortos diz sobre esse momento:<\/p>\n<p>A natureza de tudo \u00e9 aberta vazia e nua como o c\u00e9u.<br \/>\nVacuidade luminosa, sem centro nem circunfer\u00eancia:<br \/>\n o puro e desnudo R\u00edgpa desponta.<\/p>\n<p>Padmasambhava descreve a luminosidade da seguinte maneira:<\/p>\n<p>A Clara Luz auto-gerada, que jamais, nem mesmo no princ\u00edpio, teve nascimento,<br \/>\n\u00c9 a filha de Rigpa, que por sua vez n\u00e3o tem pais- que  extraordin\u00e1rio!<br \/>\nEssa sabedoria que a si mesma gerou e n\u00e3o foi criada por ningu\u00e9m &#8211; que extraordin\u00e1rio!<br \/>\nQue nunca experienciou nascimento, e n\u00e3o tem nada em si mesma que poderia causar-lhe a morte &#8211; que extraordin\u00e1rio!<br \/>\nEmbora obviamente vis\u00edvel, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m l\u00e1 que a veja &#8211;  que extraordin\u00e1rio!<br \/>\nEmbora tenha vagado pelo samsara, nenhum mal a atingiu -que extraordin\u00e1rio!<br \/>\nEmbora tenha visto o pr\u00f3prio estado b\u00fadico, disso n\u00e3o lhe adveio nenhum bem &#8211; que extraordin\u00e1rio!<br \/>\nEmbora exista em todos e em toda parte, passou irreconhecida &#8211; que extraordin\u00e1rio!<br \/>\nE, no entanto voc\u00ea continua esperando conseguir, em outro lugar, algum outro fruto que n\u00e3o esse &#8211; que extraordin\u00e1rio!<br \/>\nAinda que ela seja o mais essencialmente seu, voc\u00ea a procura em outra parte &#8211; que extraordin\u00e1rio!<\/p>\n<p>Por que esse estado \u00e9 conhecido como &#8220;Luminosidade&#8221; ou Clara Luz? Os mestres t\u00eam modos diferentes de explicar. Uns dizem que isso expressa a claridade irradiante da natureza da mente sua condi\u00e7\u00e3o totalmente livre das trevas ou do obscurecimento: &#8220;livre da escurid\u00e3o de desconhecer e dotada da habilidade de conhecer. Outro mestre descreve a luminosidade da Clara Luz como &#8220;um estado em que a distra\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00ednima&#8221;, porque todos os elementos, sentidos e objetos dos sentidos foram dissolvidos. O importante \u00e9 n\u00e3o confundi-la nem com a luz f\u00edsica que conhecemos, nem com as experi\u00eancias de luz que se desdobrar\u00e3o em breve no pr\u00f3ximo bardo a luminosidade que surge na morte \u00e9 a radi\u00e2ncia natural da sabedoria de nosso pr\u00f3prio Rigpa, &#8220;a natureza una, presente por todo o samsara e o nirvana&#8221;.<br \/>\nO\tsurgimento da Luminosidade Base ou Clara Luz no momento da morte \u00e9 a maior oportunidade para a libera\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 essencial perceber em que termos \u00e9 dada essa oportunidade. Alguns autores e estudiosos modernos da morte subestimaram a profundidade desse momento. Porque leram e interpretaram o Livro Tibetano dos Mortos sem o benef\u00edcio das instru\u00e7\u00f5es orais e o treinamento que explicam plenamente seu sentido sagrado, eles o supersimplificaram tirando conclus\u00f5es precipitadas. Uma das afirma\u00e7\u00f5es que fazem \u00e9 a de que o surgimento da Luminosidade Base \u00e9 a ilumina\u00e7\u00e3o. Gostamos de identificar a morte com o c\u00e9u ou a ilumina\u00e7\u00e3o, por\u00e9m mais importante do que essa identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 saber que o momento da morte s\u00f3 oferece uma oportunidade real para a libera\u00e7\u00e3o se tivermos sido introduzidos \u00e0 natureza da nossa mente, nosso Rigpa, e se o estabelecemos e estabilizamos atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o, integrando-o em nossa vida.<\/p>\n<p>Ainda que a Luminosidade Base se apresente naturalmente a todos n\u00f3s, muitos est\u00e3o despreparados para a sua absoluta imensid\u00e3o, a vasta e sutil profundeza da sua simplicidade desnuda. A maioria de n\u00f3s simplesmente n\u00e3o disp\u00f5e de meios para reconhec\u00ea-la, porque n\u00e3o se familiarizaram durante a vida com o modo de obter esse reconhecimento. O que acontece, ent\u00e3o, \u00e9 que tendemos a reagir de modo instintivo com os nossos medos, h\u00e1bitos e condicionamentos passados, todos os nossos velhos reflexos. Embora as emo\u00e7\u00f5es negativas tenham morrido para a luminosidade aparecer, os h\u00e1bitos de muitas vidas ainda permanecem &#8211; escondidos no fundo da nossa mente ordin\u00e1ria; embora toda a nossa confus\u00e3o morra na morte, em vez de nos rendermos e abrirmos para a luminosidade, retra\u00edmo-nos em nossos medos e ignor\u00e2ncia, e instintivamente enfatizamos o nosso apego.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 o que nos impede de verdadeiramente utilizar esse momento poderoso como uma oportunidade para a libera\u00e7\u00e3o. Padmasambhava diz: &#8220;Todos os seres viveram e morreram e renasceram incont\u00e1veis vezes. Vez ap\u00f3s vez eles experimentaram a indescrit\u00edvel Clara Luz. Mas, obscurecidos pelas trevas da ignor\u00e2ncia, vagam infinitamente num ilimitado samsara&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<h5><a name=\"b\">A BASE DA MENTE ORDIN\u00c1RIA<\/a><\/h5>\n<p>Todas essas tend\u00eancias habituais &#8211; resultado do nosso carma negativo &#8211; que nasceram da escurid\u00e3o da ignor\u00e2ncia, ficam acumuladas na base da mente ordin\u00e1ria. Sempre me pergunto qual seria um bom exemplo para ajudar a descrever essa base da mente ordin\u00e1ria. Pode-se compar\u00e1-la a uma bolha de vidro transparente, uma fina pel\u00edcula el\u00e1stica, uma barreira quase invis\u00edvel ou um v\u00e9u que obscurece o todo da nossa mente; mas a imagem mais \u00fatil que me ocorre talvez seja a de uma porta de vidro. Imagine-se sentado em frente a uma porta de vidro que d\u00e1 para o seu jardim, olhando atrav\u00e9s dela, fitando o espa\u00e7o. Na apar\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 nada entre voc\u00ea e o c\u00e9u, pois voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea a porta. Pode at\u00e9 dar com o nariz nela se se levantar e tentar atravess\u00e1-la pensando n\u00e3o haver nada. Mas se tocar o vidro ver\u00e1 imediatamente que h\u00e1 algo em que ficam suas impress\u00f5es digitais, alguma coisa que se p\u00f5e entre voc\u00ea e o espa\u00e7o l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, a base da mente ordin\u00e1ria impede-nos de abrir caminho at\u00e9 a natureza da nossa mente &#8211; que tem qualidades similares \u00e0s do c\u00e9u &#8211; ainda que possamos vislumbr\u00e1-la. Como eu disse, os mestres explicam que h\u00e1 um perigo de os praticantes de medita\u00e7\u00e3o se equivocarem tomando a experi\u00eancia da base da mente ordin\u00e1ria pela verdadeira natureza da mente. Quando descansam em estado de grande calma e quietude, podem estar descansando apenas na base da mente ordin\u00e1ria. \u00c9 a diferen\u00e7a entre olhar para o c\u00e9u de dentro de um domo de vidro e olhar para esse mesmo c\u00e9u do lado de fora, ao ar livre. Precisamos deixar a base da mente comum para descobrir o ar fresco e puro de Rigpa, e deix\u00e1-lo entrar.<br \/>\nAssim, purificar essa barreira sutil, enfraquec\u00ea-la e romp\u00ea-la \u00e9 o alvo ou prop\u00f3sito de toda a nossa pr\u00e1tica espiritual, e tamb\u00e9m a real prepara\u00e7\u00e3o para o momento da morte. Quando essa barreira desmoronou por completo, nada se interp\u00f5e entre voc\u00ea e o estado de onisci\u00eancia.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza da mente dada pelo mestre atravessa a base da mente ordin\u00e1ria, j\u00e1 que \u00e9 atrav\u00e9s dessa dissolu\u00e7\u00e3o da mente conceitual que a mente iluminada se revela explicitamente. Ent\u00e3o, cada vez que repousamos na natureza da mente, a base da mente ordin\u00e1ria se torna mais fraca. Mas perceberemos que o tempo que podemos ficar no estado da natureza da mente depende por completo da estabilidade da nossa pr\u00e1tica. Infelizmente, &#8220;os velhos h\u00e1bitos custam a morrer&#8221;, e a base da mente ordin\u00e1ria retorna. Nossa mente \u00e9 como o alco\u00f3latra que pode abandonar o v\u00edcio por algum tempo, mas que recai nele quando \u00e9 tentado ou est\u00e1 deprimido.<\/p>\n<p>Tal como a porta de vidro ret\u00e9m toda a sujeira da sua m\u00e3o e dos seus dedos, tamb\u00e9m a base da mente comum re\u00fane e armazena todo seu carma e seus h\u00e1bitos. E assim como temos sempre que limpar o vidro, temos tamb\u00e9m que ficar purificando a base da mente ordin\u00e1ria. \u00c9 como se o vidro fosse ficando mais fino \u00e0 medida que o limpamos, como se surgissem buracos nele e por fim se dissolvesse no ar.<\/p>\n<p>Pela nossa pr\u00e1tica vamos estabilizando a natureza da mente mais e mais, at\u00e9 que ela deixa de ser simplesmente a nossa natureza absoluta e torna-se a nossa realidade de todo dia. Com o desenvolvimento desse processo, nossos h\u00e1bitos se dissolvem e a diferen\u00e7a entre medita\u00e7\u00e3o e vida cotidiana diminui. Aos poucos voc\u00ea se torna algu\u00e9m que pode caminhar diretamente para o jardim atrav\u00e9s da porta de vidro, sem obstru\u00e7\u00e3o. E o sinal de que a base da mente ordin\u00e1ria est\u00e1 enfraquecendo \u00e9 que aumenta a nossa possibilidade de repousar, com cada vez menos esfor\u00e7o, na natureza da mente.<\/p>\n<p>Quando surge a Luminosidade Base, o ponto crucial ser\u00e1 o quanto fomos capazes de repousar na natureza da mente, de unir a nossa natureza absoluta da mente com a nossa vida cotidiana, e de purificar nossa condi\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria no estado de pureza primordial.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<h5><a name=\"c\">O\tENCONTRO DA M\u00c3E COM A FILHA<\/a><\/h5>\n<p>H\u00e1 um meio de nos prepararmos integralmente para reconhecer o surgimento da Luminosidade Base no momento da morte. \u00c9 atrav\u00e9s do mais alto n\u00edvel de medita\u00e7\u00e3o &#8211; como expliquei no cap\u00edtulo 10, &#8220;A Ess\u00eancia Mais Profunda&#8221; &#8211; em que se d\u00e1 a frui\u00e7\u00e3o completa da pr\u00e1tica do Dzogchen. \u00c9 a chamada &#8220;Uni\u00e3o de Duas Luminosidades&#8221;, tamb\u00e9m conhecida como &#8220;Fus\u00e3o das Luminosidades M\u00e3e e Filha&#8221;.<\/p>\n<p>A Luminosidade M\u00e3e \u00e9 o nome que se d\u00e1 \u00e0 Luminosidade Base. Essa \u00e9 a natureza fundamental e inerente de tudo, subjacente a toda nossa experi\u00eancia e que se manifesta em toda sua gl\u00f3ria no momento da morte.<\/p>\n<p>A Luminosidade Filha, tamb\u00e9m chamada Luminosidade Caminho, \u00e9 a natureza da nossa mente que, se introduzida pelo mestre e reconhecida por n\u00f3s, podemos estabilizar pela medita\u00e7\u00e3o e integrar de maneira cada vez mais completa em nossa a\u00e7\u00e3o na vida. Quando a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 completa, o reconhecimento \u00e9 integral e ocorre a realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que a Luminosidade Base seja nossa natureza inerente e a natureza de tudo, n\u00f3s n\u00e3o a reconhecemos e ela se mant\u00e9m como se estivesse oculta. Gosto de pensar na Luminosidade Filha como uma chave que o mestre nos d\u00e1 para auxiliar-nos a abrir a porta do reconhecimento da Luminosidade Base, sempre que surge a oportunidade.<\/p>\n<p>Imagine que voc\u00ea tem de encontrar uma mulher que chega de avi\u00e3o. Se n\u00e3o tem id\u00e9ia de como ela \u00e9, pode estar no aeroporto e ela passar direto por voc\u00ea sem que se encontrem; mas se vir uma fotografia dela e a mantiver firme na mem\u00f3ria, voc\u00ea a reconhecer\u00e1 t\u00e3o logo se aproxime. <\/p>\n<p>Uma vez que a natureza da mente foi introduzida e voc\u00ea a reconhece, tem a chave para reconhec\u00ea-la novamente. Mas da mesma forma que precisa conservar a fotografia com voc\u00ea, e continuar olhando para ela repetidas vezes a fim de ter a certeza de reconhecer a pessoa que vai encontrar no aeroporto, precisa tamb\u00e9m continuar aprofundando e estabilizando seu reconhecimento da natureza da mente atrav\u00e9s da pr\u00e1tica regular. Ent\u00e3o, esse reconhecimento fica t\u00e3o arraigado em voc\u00ea, passa de tal modo a fazer parte de voc\u00ea, que a fotografia j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1ria; quando encontrar a pessoa o reconhecimento ser\u00e1 espont\u00e2neo e imediato. Desse modo, depois de continuada pr\u00e1tica do reconhecimento da natureza da mente, quando no instante da morte surgir a Luminosidade Base voc\u00ea estar\u00e1 pronto para reconhec\u00ea-la e fundir-se com ela &#8211; t\u00e3o instintivamente, dizem os mestres do passado, quanto uma criancinha correndo para o colo da m\u00e3e, como velhos amigos se encontrando ou um rio desaguando no mar.<\/p>\n<p>E, no entanto isso \u00e9 extremamente dif\u00edcil. A \u00fanica maneira de assegurar esse reconhecimento \u00e9 estabilizar e aperfei\u00e7oar agora, enquanto estamos vivos, a pr\u00e1tica de fundir as duas luminosidades. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ao longo de uma vida inteira de treinamento e empenho. Como dizia meu mestre Dudjom Rinpoche, se n\u00e3o praticamos a fus\u00e3o das duas luminosidades agora, e de agora em diante, n\u00e3o se pode afirmar que o reconhecimento acontecer\u00e1 de forma natural por ocasi\u00e3o da morte.<\/p>\n<p>Como de fato fundimos as luminosidades? Essa \u00e9 uma pr\u00e1tica muito profunda e avan\u00e7ada, e aqui n\u00e3o \u00e9 a ocasi\u00e3o de explic\u00e1-la. Mas o que podemos dizer \u00e9 isto: quando o mestre nos introduz na natureza da mente, \u00e9 como se a nossa vis\u00e3o tivesse sido restaurada, pois estivemos cegos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Luminosidade Base que est\u00e1 em tudo. A introdu\u00e7\u00e3o do mestre abre em n\u00f3s um olho de sabedoria com que podemos ver claramente a verdadeira natureza de tudo o que surge, a natureza luminosa &#8211; a Clara Luz &#8211; de todos nossos pensamentos e emo\u00e7\u00f5es. Imagine que nosso reconhecimento da natureza da mente torna-se, depois de estabilizada e aperfei\u00e7oada a pr\u00e1tica, como um sol constantemente resplandecente. Pensamentos e emo\u00e7\u00f5es continuam a surgir; s\u00e3o como ondas de escurid\u00e3o. Mas, a cada vez que as ondas encapelam-se e encontram a luz, dissolvem-se de imediato.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que desenvolvemos mais e mais essa habilidade de reconhecer, ela se torna parte da nossa vis\u00e3o cotidiana. Quando somos capazes de trazer a realiza\u00e7\u00e3o da nossa natureza absoluta \u00e0 experi\u00eancia do dia-a-dia, temos maiores possibilidades de reconhecer a Luminosidade Base no momento da morte.<\/p>\n<p>A prova para saber se temos ou n\u00e3o essa chave ser\u00e1 o modo como vemos nossos pensamentos e emo\u00e7\u00f5es no instante em que surgem; se tivermos a capacidade de penetr\u00e1-los diretamente com a Vis\u00e3o e reconhecer a sua natureza luminosa inerente, ou se obscurecemos essa natureza com as nossas rea\u00e7\u00f5es instintivas habituais.<\/p>\n<p>Se a base da nossa mente comum est\u00e1 completamente purificada \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos destru\u00eddo o dep\u00f3sito do nosso carma e assim esvaziado o suprimento c\u00e1rmico dos futuros renascimentos. Entretanto, se n\u00e3o pudemos purificar a nossa mente por completo, ainda teremos res\u00edduos de h\u00e1bitos passados e tend\u00eancias c\u00e1rmicas estocados nesse dep\u00f3sito de carma. Sempre que se materializarem condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis eles se manifestar\u00e3o, impulsionando-nos para novos renascimentos.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<h5><a name=\"d\">A DURA\u00c7\u00c3O DA LUMINOSIDADE BASE<\/a><\/h5>\n<p>A Luminosidade Base surge; para um praticante, ela dura o quanto ele puder repousar, atento, no estado da natureza da mente. Para a maioria das pessoas, no entanto, ela n\u00e3o dura mais que um estalar de dedos, e para alguns, dizem os mestres, &#8220;o tempo que se gasta para fazer uma refei\u00e7\u00e3o&#8221;. A vasta maioria n\u00e3o reconhece em absoluto a Luminosidade Base, e em vez disso mergulha num estado de inconsci\u00eancia que pode prolongar-se por at\u00e9 tr\u00eas dias e meio. \u00c9 ent\u00e3o que a consci\u00eancia finalmente deixa o corpo.<\/p>\n<p>Isso levou ao costume tibetano de evitar que o corpo seja tocado ou perturbado por tr\u00eas dias ap\u00f3s a morte. \u00c9 especialmente importante no caso de um praticante que pode ter-se fundido com a Luminosidade Base e estar repousando no estado da natureza da mente. Lembro-me, no Tibet, do cuidado que todos tinham em manter uma atmosfera de paz e sil\u00eancio em torno do corpo, particularmente no caso de um grande mestre ou praticante, de maneira a n\u00e3o causar a menor perturba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m era freq\u00fcente n\u00e3o mexer o corpo de uma pessoa comum antes de passados os tr\u00eas dias, j\u00e1 que nunca se sabe se uma pessoa \u00e9 ou n\u00e3o realizada, e \u00e9 incerto o momento em que a consci\u00eancia se separou do corpo. Acredita-se que se ele for tocado em determinado lugar &#8211; por exemplo, ao aplicar-se uma inje\u00e7\u00e3o &#8211; a consci\u00eancia pode ser desviada para esse ponto. Ent\u00e3o, a consci\u00eancia do morto pode sair pela abertura mais pr\u00f3xima, ao inv\u00e9s de pela fontanela, levando a um renascimento infeliz. <\/p>\n<p>Alguns mestres insistem mais que outros nessa quest\u00e3o de deixar o corpo em paz por tr\u00eas dias. Chadral Rinpoche, um mestre tibetano do tipo Zen que viveu na \u00cdndia e no Nepal, respondia a pessoas que argumentavam que um cad\u00e1ver podia cheirar mal se mantido em clima quente durante tanto tempo: &#8220;N\u00e3o como se tivesse de com\u00ea-lo, ou tentasse vend\u00ea-lo&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, num sentido estrito, \u00e9 melhor fazer aut\u00f3psias e crema\u00e7\u00f5es ap\u00f3s tr\u00eas dias de espera. Nos dias de hoje, no entanto, j\u00e1 que pode n\u00e3o ser pr\u00e1tico ou poss\u00edvel manter um corpo por esse tempo sem mov\u00ea-lo, pelo menos deve-se fazer a pr\u00e1tica de Phowa antes que ele seja tocado.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<h5><a name=\"d\">A MORTE DE UM MESTRE<\/a><\/h5>\n<p>Um praticante realizado continua no reconhecimento da natureza da mente no momento da morte e desperta na Luminosidade Base quando ela se manifesta. Ele ou ela pode permanecer nesse estado at\u00e9 por v\u00e1rios dias. Alguns praticantes e mestres morrem eretos e sentados na postura de medita\u00e7\u00e3o, e outros na &#8220;postura do le\u00e3o adormecido&#8221;. Al\u00e9m de seu perfeito equil\u00edbrio, ocorrem outros sinais que mostram que est\u00e1 repousando no estado de Luminosidade Base: h\u00e1 ainda um certo colorido e algum brilho no seu rosto, o nariz n\u00e3o afunda, a pele permanece macia e flex\u00edvel, o corpo n\u00e3o enrijece, diz-se que os olhos conservam um brilho suave e compassivo e ainda h\u00e1 um calor no cora\u00e7\u00e3o. Toma-se grande cuidado em n\u00e3o tocar o corpo do mestre e faz-se sil\u00eancio ao seu redor at\u00e9 que saia desse estado de medita\u00e7\u00e3o.\n<\/p><\/div>\n<p><\/a><\/font><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A BASE Sogyal Rinpoche a base a base da mente ordin\u00e1ria o encontro da m\u00e3e com a filha a dura\u00e7\u00e3o da luminosidade de base a morte de um mestre A BASE Ouvimos sempre afirma\u00e7\u00f5es como esta: &#8220;A morte \u00e9 o &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-base\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1911,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[58],"class_list":["post-2040","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","tag-sogyal-rinpoche"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2040"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2040\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2041,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2040\/revisions\/2041"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1911"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}