{"id":337,"date":"2013-01-04T10:39:30","date_gmt":"2013-01-04T12:39:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=337"},"modified":"2018-02-10T14:19:05","modified_gmt":"2018-02-10T16:19:05","slug":"o-buda-darma-como-liberdade-absoluta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-buda-darma-como-liberdade-absoluta\/","title":{"rendered":"O Buda-Darma como liberdade absoluta"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\nTraduzido por Giovanni Kakugen<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1471\" rel=\"attachment wp-att-1471\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/liberdade.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"532\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1471\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/liberdade.jpg 840w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/liberdade-300x190.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/liberdade-768x486.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/liberdade-474x300.jpg 474w\" sizes=\"auto, (max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Mestre Dogen<\/strong><\/p>\n<p>Palestra da monja Joshin Sensei<\/p>\n<p>O que significa estudar Mestre Dogen hoje? Que respostas podemos encontrar para a nossa pr\u00e1tica do Darma e para a nossa vida di\u00e1ria?<\/p>\n<p>Parece-me que \u00e9 precisamente esta pergunta que surge para todos os praticantes em um momento ou em outro: \u201cComo n\u00f3s podemos fazer uma conex\u00e3o entre a pr\u00e1tica do zazen \u2013 que ocorre num certo momento e local, atrav\u00e9s de uma forma precisa \u2013 e o resto de nossas vidas \u2013 nossa vida familiar, profissional, enfim, nossa vida ocidental do s\u00e9culo XXI?\u201d E tudo isso em uma sociedade que n\u00e3o parece se prestar \u00e0 busca espiritual, para n\u00e3o dizer mais. Como podemos fazer para que a nossa pr\u00e1tica concretamente se entenda a todas as nossas atividades? Pessoalmente, a primeira resposta que eu recebi veio do Tenzo Kyokun. Voc\u00eas todos conhecem esse texto, Instru\u00e7\u00f5es Para O Cozinheiro de Um Templo Zen. Voc\u00eas sabem como Mestre Dogen usa toda a sua compaix\u00e3o para nos ajudar a superar o nosso pensamento dualista, o pensamento que classifica, julga e compara. Ele diz por exemplo: \u201cN\u00e3o seja negligente e desatento se os ingredientes para a refei\u00e7\u00e3o lhe parecerem comuns, e n\u00e3o se exalte se voc\u00ea tiver ingredientes de qualidade superior. Uma pessoa que se deixa influenciar pela qualidade de uma coisa, ou que muda a sua atitude, maneira de falar e conduta dependendo da apar\u00eancia e posi\u00e7\u00e3o das pessoas que encontra, n\u00e3o \u00e9 um estudante do Caminho\u201d. Essas palavras foram um grande espelho para mim; eu vi claramente que eu estava colocando as coisas (pessoas, situa\u00e7\u00f5es) na minha pr\u00f3pria ordem \u2013 o que eu gostava colocava no topo e o que eu n\u00e3o gostava colocava embaixo \u2013 baseada nas minhas pr\u00f3prias id\u00e9ias e julgamentos. Como podemos deixar de fazer isso? Bem, no come\u00e7o do texto, ao falar sobre as v\u00e1rias pessoas com responsabilidades dentro da comunidade, incluindo o tenzo, Mestre Dogen diz: \u201cTodos os monges respons\u00e1veis realizam as a\u00e7\u00f5es do Buda atrav\u00e9s de suas atividades.\u201d<\/p>\n<p>Como posso eu, meu eu pequeno, realizar uma A\u00e7\u00e3o-de-Buda ao lavar a lou\u00e7a ou descascar uma cenoura? Mestre Dogen continua, citando o Chanyuan Quinzzi, os \u201cRegulamentos Mon\u00e1sticos\u201d escrito na China no s\u00e9culo XII: \u201cTrabalhe com a sua Mente-B\u00fadica, a mente que busca o despertar.\u201d Essa Mente-B\u00fadica \u00e9 doshin: \u2018do\u2019 significa \u201cO Caminho\u201d; \u2018shin\u2019 significa tanto \u201cmente\u201d no sentido ocidental quanto \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d, todo o nosso ser, e eu gostaria de traduzir doshin como \u201ccorac\u00e3o-mente\u201d. Doshin \u00e9 o nosso cora\u00e7\u00e3o-mente, que n\u00e3o \u00e9 diferente do cora\u00e7\u00e3o-mente do Buda, o despertar; \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o-mente que busca o Caminho e que, atrav\u00e9s dessa busca, manifesta-o [ou \u201cconcretiza-o\u201d ou \u201crealiza-o\u201d] neste momento, como Hotetsu se abanando[1]. Em sua grande compaix\u00e3o Mestre Dogen nos ajuda a ver e a reconhecer esse cora\u00e7\u00e3o-mente em n\u00f3s, e a superar o que n\u00f3s experimentamos como separa\u00e7\u00e3o, corte, sofrimento: eu\/fora, eu\/outros. No Yuibutsu Yobutsu ele diz: \u201cO universo inteiro \u00e9 o verdadeiro corpo do homem, o universo inteiro \u00e9 o portal da libera\u00e7\u00e3o. O verdadeiro corpo do homem significa o seu verdadeiro corpo, quer voc\u00ea saiba disso ou n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Como podemos entender isso? Como pode a nossa mente compreender algo maior que ela mesma? Talvez o nosso cora\u00e7\u00e3o possa nos ajudar, fazendo-nos ir al\u00e9m da dualidade de dar e receber. No Gakudo Yojinshu lemos: \u201cCom um corpo e mente pac\u00edficos, receba os ensinamentos do seu mestre como a \u00e1gua que \u00e9 derramada de um recipiente a outro\u201d. \u201cEm todas as manh\u00e3s\u201d explica Mestre Dogen no Tenzo Kyokun, \u201cO tenzo recebe de uma outra autoridade do templo a comida que ser\u00e1 preparada ao longo do dia. E,\u201d diz Dogen, \u201cele deve dar tanta aten\u00e7\u00e3o a essa comida quanto daria \u00e0 pupila de seus olhos\u201d. Como eu vou receber, cada manh\u00e3, tudo o que o dia me trar\u00e1 \u2013 como eu vou olhar como sendo precioso tanto aquilo que eu gosto quanto o que eu n\u00e3o gosto, o que quero e o que eu n\u00e3o quero, a felicidade e a tristeza, o amargo e o doce \u2013 se permanecer dentro do meu pequeno eu, do meu eu-gaki [2], sempre faminto de desejos e emo\u00e7\u00f5es? Como podemos apreciar com gratid\u00e3o tudo a nossa volta \u2013 o ar, o sol, a chuva, todos os seres sencientes \u2013 Recebamos este alimento agradecidos [3]&#8230; Como posso receber os outros \u2013 aqueles que me incomodam, que me irritam \u2013 com respeito? Mestre Dogen nos mostra que aquilo que \u00e9 recebido com respeito e gratid\u00e3o pode ser devolvido com respeito e gratid\u00e3o. \u201cDepois de o alimento ter sido cuidadosamente preparado, coloque o seu Kesa e desdobre o seu zazu. Voltando-se em dire\u00e7\u00e3o ao zendo, onde todos os monges est\u00e3o sentados em zazen, ofere\u00e7a incenso e prostre-se nove vezes, e ent\u00e3o leve a comida para dentro do zendo\u201d.<\/p>\n<p>O universo inteiro recebeu, o universo inteiro deu. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a. Sem preocupa\u00e7\u00e3o, sem medo, podemos receber tudo e deixar que tudo passe atrav\u00e9s de n\u00f3s, pois nada nos falta. A nossa mente-gaki n\u00e3o consegue acreditar nisso, mas podemos viver isso. \u201cDesde que a sua mente n\u00e3o seja limitada, voc\u00ea naturalmente receber\u00e1 uma riqueza sem limites\u201d.<br \/>\nN\u00f3s sabemos disso, \u00e9 claro; tocamos isso durante o zazen. Tudo est\u00e1 l\u00e1. N\u00e3o \u00e9 preciso correr atr\u00e1s de nada, n\u00e3o \u00e9 preciso lutar \u2013 j\u00e1 temos tudo. \u201cO universo inteiro \u00e9 o verdadeiro corpo do homem\u201d. A pr\u00e1tica do Buda ir\u00e1 nutrir a maneira como n\u00f3s expressamos o Buda-Darma atrav\u00e9s de nossa vida, em todas as atividades da nossa vida. Dar e receber s\u00e3o um. Em um templo colocamos esse \u201cum\u201d em pr\u00e1tica o tempo todo \u2013 isso \u00e9 gassh\u00f4, gassh\u00f4 frente a uma pessoa, um zafu, as tigelas&#8230; Com cada gassh\u00f4 retornamos \u00e0 pr\u00e1tica de Buda.<\/p>\n<p>Parece-me que a relev\u00e2ncia de Mestre Dogen reside nesta primeira articula\u00e7\u00e3o: entre o lado concreto da nossa vida \u2013 seja dentro ou fora de um templo \u2013 e esse cora\u00e7\u00e3o, que precisa ser nutrido, especialmente porque a dimens\u00e3o espiritual est\u00e1 esquecida no mundo atual. Quando compreendemos a pr\u00e1tica do Buda nos tornamos unificados dentro e fora. Essa pr\u00e1tica se ap\u00f3ia na confian\u00e7a e se desenvolve atrav\u00e9s da devo\u00e7\u00e3o: confian\u00e7a em n\u00f3s mesmos, em nossos esfor\u00e7os e em nossa pr\u00f3pria for\u00e7a \u2013 \u201cAqueles que relutantemente consagram seu corpo e mente ao Buda-Darma com profunda sinceridade inevitavelmente receber\u00e3o ajuda compassiva\u201d; mas tamb\u00e9m confian\u00e7a em nossa verdadeira natureza, a Natureza B\u00fadica \u2013 \u201cTodos os seres dos seis reinos podem fazer surgir a mente do Despertar\u201d. Confian\u00e7a neste \u201cnascimento-e-morte\u201d que nos atravessa a cada instante, e que \u00e9 a natureza do Despertar.<\/p>\n<p>Essa confian\u00e7a \u00e9 fundamental. Mestre Hui-hui escreveu: \u201cUm pensamento baseado na confian\u00e7a: tal \u00e9 a origem da entrada no Caminho, depois de in\u00fameras vidas\u201d. E a partir dessa confian\u00e7a extra\u00edmos a for\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o: a devo\u00e7\u00e3o que ajuda a nos abrir ao \u201cn\u00f3s\u201d nos outros e a expressar a alegria e gratid\u00e3o que apagam os limites do eu. Essa pr\u00e1tica na vida cotidiana nos leva a uma segunda articula\u00e7\u00e3o: compreender o que n\u00e3o pode ser compreendido \u00e9 a estrutura do Shobogengo.<br \/>\n\u00c0s vezes vemos surgir nos praticantes o que \u00e9 conhecido na China como a \u201cdoen\u00e7a do Zen\u201d. Mestre Dogen cita um exemplo no texto \u201cSenmen\u201d (\u201cLavando o Rosto\u201d); primeiro ele cita uma passagem do Sutra de L\u00f3tus que fala sobre a necessidade de lavar o corpo e colocar roupas limpas, e ele acrescenta: \u201cOs b\u00eabados, est\u00fapidos demais para ouvir os ensinamentos do Buda, retrucam \u2018N\u00f3s podemos enxaguar a nossa pele o quanto quisermos, mas como n\u00e3o podemos lavar os cinco \u00f3rg\u00e3os e as seis v\u00edsceras, n\u00e3o podemos ser puros. Ent\u00e3o \u00e9 in\u00fatil nos lavar. Esses ignorantes\u201d, continua Mestre Dogen, \u201cn\u00e3o conhecem o Buda-Darma e nunca encontraram um verdadeiro mestre\u201d.<\/p>\n<p>Certamente hoje em dia n\u00f3s encontramos esse tipo de pessoa que caiu na armadilha do vazio (Ku)[4], que recusam os fen\u00f4menos baseando-se em uma id\u00e9ia ilus\u00f3ria de vacuidade! Mas se ouvirmos apenas essa parte do texto n\u00f3s apenas compreenderemos que \u201clavar-se \u00e9 uma pr\u00e1tica de Buda\u201d, o que n\u00e3o \u00e9 falso, mas incompleto; poder\u00edamos talvez dizer, muito simplesmente: ir do eu ao Darma, dos fen\u00f4menos \u00e0 vacuidade. Mas, Mestre Dogen prossegue dizendo: \u201cApenas os Budas e Ancestrais mant\u00eam o princ\u00edpio de lavar aquilo que ainda n\u00e3o foi sujo, e de lavar aquilo que j\u00e1 foi purificado. Receio que esse b\u00eabado ainda n\u00e3o conhe\u00e7a o nosso m\u00e9todo de lavar a vacuidade. Conhecendo a vacuidade lavamos a vacuidade, e conhecendo a vacuidade lavamos o nosso corpo e mente\u201d.<\/p>\n<p>O Darma n\u00e3o se separa do eu. \u201cForma nada mais \u00e9 do que vazio, vazio nada mais \u00e9 do que forma\u201d [5]. Ir da forma ao vazio, e do vazio \u00e1 forma.<\/p>\n<p>Assim, vemos no Tenzo Kyokun o velho tenzo com sobrancelhas grossas responder ao jovem monge: \u201cOs outros n\u00e3o sou eu\u201d. \u00c9 porque o eu deve reaparecer para concretizar [ou \u201cmanifestar\u201d (N.T.)] o Despertar. Isso \u00e9 shusho, \u201cPr\u00e1tica e Ilumina\u00e7\u00e3o s\u00e3o um, Ilumina\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1tica s\u00e3o um\u201d. Voltamos a Hotetsu se abanando.<\/p>\n<p>Eu preciso praticar, isto \u00e9, realizar a\u00e7\u00f5es, e mais precisamente a\u00e7\u00f5es voltadas aos outros, para que essa Ilumina\u00e7\u00e3o [ou \u201cDespertar\u201d] que j\u00e1 est\u00e1 presente se manifeste [ou \u201crealize\u201d (N.T.)]. Mas, \u00e9 claro, isso \u00e9 falso, pois falando assim eu crio uma separa\u00e7\u00e3o entre eu e os outros; mas, ainda, temos que \u201cos outros n\u00e3o sou eu\u201d! \u00c9 isso que \u00e9 t\u00e3o extraordin\u00e1rio no ensinamento de Mestre Dogen: por um lado vemos como a cada instante estamos tomando partidos e escolhendo, e com isso caindo em erro \u2013 n\u00e3o que isso seja falso \u201cem si mesmo\u201d, (pois n\u00e3o h\u00e1 um \u201csi mesmo\u201d), mas porque n\u00f3s nos limitamos: \u201cAo olhar para o arroz veja tamb\u00e9m a areia, e ao olhar para a areia, veja tamb\u00e9m o arroz\u201d [6]. E por outro lado ainda precisamos remover a areia e lavar o arroz! Mas na verdade n\u00e3o h\u00e1 nada a rejeitar, nada a remover ou acrescentar: \u201cN\u00e3o h\u00e1 nascimento e morte a serem rejeitados nem Nirvana a ser buscado\u201d [7]. No entanto sempre buscamos remover algo, remover as partes de n\u00f3s mesmos e dos outros que n\u00e3o gostamos, que nos incomodam, remover a dor ou os pensamentos durante o zazen&#8230; Ou ent\u00e3o tentamos acrescentar algo, um pouco mais de felicidade, um pouco mais de satisfa\u00e7\u00e3o, ou um pouco de ilumina\u00e7\u00e3o para finalmente ter alguma paz.<\/p>\n<p>No Hotsubodaishin lemos: \u201cSem pensamento discriminador (em s\u00e2nscrito citta) n\u00e3o podemos fazer surgir a mente do despertar; isso n\u00e3o significa, entretanto, que a mente dualista \u00e9 igual \u00e0 mente do despertar, mas sim que \u00e9 usando o pensamento (citta) que podemos produzir o despertar\u201d. N\u00f3s n\u00e3o temos que fazer nada a n\u00e3o ser deixar o nosso cora\u00e7\u00e3o-mente ser. Ele \u00e9 o universo inteiro, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do tenzo. Daishin dai significa \u201cvasto, sem limites\u201d; shin \u00e9 \u201ccora\u00e7\u00e3o-mente\u201d; est\u00e1vel como uma grande montanha, vasto como o oceano: \u201cTodos os rios des\u00e1guam no oceano. E o grande oceano os recebe, mistura-os e os torna um\u201d. \u201cSimplesmente deixar ser&#8230; e, no entanto precisamos retirar a areia e lavar o arroz\u201d. \u00c9 \u201cforma \u00e9 vazio, vazio \u00e9 forma\u201d.[8]<\/p>\n<p>Mestre Dogen nos ensina como ver ambos a diferen\u00e7a (\u201cOs outros n\u00e3o sou eu\u201d.) e a unidade (\u201cCom o passar do tempo, os outros se tornam eu e eu me torno os outros\u201d)&#8230; Isso \u00e9 o Sandokai, a harmonia entre a diferen\u00e7a e a unidade: se quisermos caminhar precisamos avan\u00e7ar um p\u00e9, e depois o outro \u2013 n\u00e3o os dois ao mesmo tempo. Nem podemos decidir colocar o p\u00e9 direito sempre na frente, pois ele n\u00e3o existe sem o p\u00e9 esquerdo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o avan\u00e7amos assim \u2013 um p\u00e9 ap\u00f3s o outro, ancorado na terra, ancorado na nossa pr\u00e1tica \u2013 nyoho : \u201dPr\u00e1tica e ensinamento s\u00e3o um\u201d, em harmonia com tudo o que existe. Uma pr\u00e1tica t\u00e3o correta quanto uma caixa e sua tampa. Uma pr\u00e1tica de a\u00e7\u00f5es, completamente transparente \u2013 um fazer que \u00e9 tamb\u00e9m n\u00e3o-fazer. Essa \u00e9 a pr\u00e1tica da forma atrav\u00e9s da n\u00e3o-forma: \u00e9 o p\u00e1ssaro que voa pelo c\u00e9u e n\u00e3o est\u00e1 separado do c\u00e9u; o peixe que nada no oceano e tamb\u00e9m \u00e9 um com o oceano.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o cada a\u00e7\u00e3o, cada respira\u00e7\u00e3o se torna a express\u00e3o viva do Buda-Darma, e n\u00e3o est\u00e1 separado do zazen. Assim, o zazen se torna a nossa pr\u00f3pria vida e a nossa pr\u00f3pria vida se torna zazen.<br \/>\nCada instante \u00e9 exatamente \u201cesse instante\u201d; zazen pode fazer zazen atrav\u00e9s de n\u00f3s. Nenhum obst\u00e1culo. Apenas unidade.<br \/>\nGratid\u00e3o al\u00e9m das palavras ao ensinamento supremo, ao Mestre Dogen, a todos os mestres que o preservaram e o transmitiram at\u00e9 n\u00f3s.<\/p>\n<p>Muito obrigada.<\/p>\n<p>(Palestra dada por Joshin Sensei no evento \u201cServi\u00e7o Memorial Preliminar pelo aniversario de 750 anos da entrada de Dogen Zenji no Nirvana\u201d, evento comemorativo que ocorreu nos dias 16 e 17 de junho de 2001, na Europa.)<br \/>\n(Traduzido em Julho de 2004, em Hokaiji. Revisado em Outubro de 2004)<\/p>\n<p>NOTAS:<br \/>\n[1] O Mestre Zen Pao-che do Monte Ma-Ku estava se abanando quando veio um monge e lhe perguntou: \u201cA natureza do vento \u00e9 eterna e alcan\u00e7a todos os lugares. Por que, ent\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 se abanando?\u201d Pao-che disse: \u201cVoc\u00ea pode saber que a natureza do vento \u00e9 eterna, mas n\u00e3o conhece o significado dela alcan\u00e7ar todos os lugares\u201d. O monge perguntou: \u201cO que voc\u00ea quer dizer com isso?\u201d Mas Pao-che apenas continuou se abanando. Vendo isso o monge inclinou-se com gratid\u00e3o perante o mestre.<br \/>\n[2] Gaki &#8211; em japon\u00eas: preta, em s\u00e2nscrito: fantasma faminto.<br \/>\n[3] Primeira frase do Sutra das Refei\u00e7\u00f5es.<br \/>\n[4] Ku significa \u201cvacuidade\u201d em japon\u00eas. O mesmo ideograma tamb\u00e9m significa \u201cc\u00e9u\u201d.<br \/>\n[5] Shiki soku ze ku, ku soku ze shiki. Trecho do Sutra do Cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n[6] Trecho do Tenzo Kyokun.<br \/>\n[7] Trecho do Shoji, \u201cVida-e-morte\u201d (Cap\u00edtulo 91 do Shobogenzo de Mestre Dogen) .<br \/>\n[8] Cap\u00edtulo 79 do Shobogenzo.<\/p>\n<p>copiado do site:http:\/\/www.daissen.org.br\/hp\/index.php?id=&#038;s=textos\n<\/p><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Traduzido por Giovanni Kakugen Mestre Dogen Palestra da monja Joshin Sensei O que significa estudar Mestre Dogen hoje? Que respostas podemos encontrar para a nossa pr\u00e1tica do Darma e para a nossa vida di\u00e1ria? 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