{"id":338,"date":"2012-12-31T12:48:35","date_gmt":"2012-12-31T14:48:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=338"},"modified":"2018-02-11T19:27:35","modified_gmt":"2018-02-11T21:27:35","slug":"nada-fazer-nao-ir-a-lugar-nenhum","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nada-fazer-nao-ir-a-lugar-nenhum\/","title":{"rendered":"Nada fazer, n\u00e3o ir a lugar nenhum"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1301\" rel=\"attachment wp-att-1301\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/ocidente2.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"194\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1301\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: right;\">\nThich Nhat Hanh<br \/>\nDo livro: NADA FAZER, N\u00c3O IR A LUGAR NENHUM<br \/>\nPag. 154\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Coment\u00e1rio 12<\/strong><\/p>\n<p>Mestre Linji adverte aos amigos que est\u00e3o na senda, \u00e0queles que sinceramente est\u00e3o tentando viver o Darma, que n\u00e3o se deixem enganar pelos dem\u00f4nios, pelas pessoas de cabe\u00e7a raspada, que vestem t\u00fanica de monge, vivem no templo e prostram-se ante o Buda, mas ainda almejam riqueza e ganho pessoal.<\/p>\n<p>As palavras do s\u00e9culo IX s\u00e3o um pouquinho diferentes das do s\u00e9culo XXI, embora tenham o mesmo significado. N\u00f3s dizemos: \u201cS\u00ea tu mesmo. N\u00e3o tentes ser mais ningu\u00e9m\u201d. O Mestre Linji disse \u201cTentai ser pessoas comuns. Uma pessoa comum j\u00e1 \u00e9 maravilhosa\u201d.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 trabalho duro. Quando trabalhamos demais em qualquer coisa, quer numa atividade, quer na ilumina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguimos parar para ver todas as maravilhas da vida dentro e ao redor de n\u00f3s. O Sutra do Cora\u00e7\u00e3o Prajnaparamita diz isto claramente: \u201cNenhuma consecu\u00e7\u00e3o, nenhuma realiza\u00e7\u00e3o\u201d, porque v\u00f3s j\u00e1 sois o que quereis ser. N\u00e3o h\u00e1 nada a se conseguir. Paremos. N\u00e3o fa\u00e7amos nada. Talvez pare\u00e7a que n\u00e3o estamos indo a lugar nenhum, mas na verdade estamos profundamente neste momento e conseguimos alcan\u00e7ar a suprema dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Nossa mente comum j\u00e1 \u00e9 a Senda. Se ficarmos pensando em sair e achar alguma coisa na casa do vizinho, j\u00e1 estamos errados. Sabemos quem \u00e9 o Buda? Sabemos quem somos? Podemos at\u00e9 ter uma id\u00e9ia sobre n\u00f3s pr\u00f3prios, mas essa id\u00e9ia ainda n\u00e3o \u00e9 o que realmente somos. Ainda n\u00e3o encontramos nosso verdadeiro ser.<\/p>\n<p>A palavra \u201cBuda\u201d \u00e9 apenas isso, uma palavra. Podemos pensar que o Mestre Linji est\u00e1 dizendo \u201cN\u00e3o procureis o Buda, mas procurai o Darma\u201d. Mas isto tamb\u00e9m \u00e9 perigoso porque n\u00f3s tamb\u00e9m temos nomes e palavras que conjuram uma imagem do Darma, e n\u00e3o a sua verdadeira natureza. Darma \u00e9 o Darma da mente. A mente n\u00e3o tem forma, permeia as Dez Dire\u00e7\u00f5es e manifesta a sua atividade bem na nossa frente. O que estamos a procurar \u00e9 t\u00e3o diferente da realidade como a terra \u00e9 diferente do c\u00e9u. Nossa mente \u00e9 como um pintor, que cria um fac-s\u00edmile da verdadeira realidade.<\/p>\n<p>A realidade definitiva s\u00f3 parece dif\u00edcil porque ao tentar explic\u00e1-la n\u00f3s j\u00e1 estamos discriminando, e com isso perdemos a ess\u00eancia do definitivo, que \u00e9 a n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o Nossa mente tende a discriminar. Ela divide o mundo em sujeito e objeto. Eu sou diferente de ti, o pai \u00e9 diferente do filho, as nuvens s\u00e3o diferentes dos c\u00f3rregos.<\/p>\n<p>A mente \u00e9 como uma faca afiada que corta a realidade em peda\u00e7os. Dizemos \u201cAdoro isto, detesto \u00e0quilo; gosto disto, isso me desagrada. Amo o Buda, odeio Mara. Amamos a beleza, detestamos a feiura; amamos a vida, odiamos a morte. Mas morte e vida coexistem. A cada minuto, cada segundo, muitas c\u00e9lulas morrem e muitas c\u00e9lulas novas nascem. Portanto, morte e nascimento s\u00e3o apenas dois lados de uma \u00fanica realidade. Quando o pensamento dualista n\u00e3o se apresenta, tudo fica claro. Isto est\u00e1 expresso na estrofe de um poema atribu\u00eddo ao Terceiro Patriarca, Sengcan:<\/p>\n<p>A grande Senda, a verdade absoluta n\u00e3o \u00e9 nada dif\u00edcil.<br \/>\nEla s\u00f3 \u00e9 dif\u00edcil porque h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nBasta que n\u00e3o amemos nem odiemos,<br \/>\ne ent\u00e3o, naturalmente, ela se tomar\u00e1 muito clara.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">As prela\u00e7\u00f5es sobre o Darma n\u00e3o s\u00e3o a verdade. O verdadeiro Darma existe na mente dos alunos como sementes e as prela\u00e7\u00f5es sobre o Darma s\u00e3o apenas como uma nuvenzinha que traz chuva e faz essas sementes germinarem e se manifestarem. Os professores do Darma n\u00e3o s\u00e3o mais capazes de transmitir a verdade do que o pai que consegue transmitir completamente suas experi\u00eancias ao filho. Quanto mais um pai ralha com o filho, mais bloqueado este fica. O melhor que um pai pode fazer \u00e9 ser como a nuvem de chuva e nutrir as sementes de sabedoria no filho. Quando o filho crescer, trope\u00e7ar em dificuldades e tiver sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, a sabedoria que foi regada h\u00e1 de se manifestar.Mestre Linji ensinou: \u201cFalo do Darma da mente da terra para ajudar as pessoas a penetrarem no sagrado e no profano, no puro e no maculado, no verdadeiro e no convencional. Entretanto, o verdadeiro e o convencional, o sagrado e o profano dentro de v\u00f3s n\u00e3o podem ser descritos em termos e conceitos de sagrado, profano, verdadeiro e convencional. O profano, o sagrado, o convencional e o verdadeiro nunca se referem a si mesmos como profano, sagrado, convencional e verdadeiro\u201d.<\/p>\n<p>Embora tenhamos o supremo, o comum, o sagrado e o profano dentro de n\u00f3s, n\u00e3o devemos usar estas palavras porque a verdade delas \u00e9 algo muito diferente. Quando pensamos em Paris, n\u00f3s temos uma id\u00e9ia, uma vis\u00e3o sobre Paris, bem como palavras para descrever Paris. Mas Paris \u00e9 muito diferente da vis\u00e3o e das palavras que temos. Talvez tenhamos ficado alguns dias fazendo compras em Paris e achemos que j\u00e1 a conhecemos. H\u00e1 pessoas que viveram dez ou vinte anos em Paris e n\u00e3o descobriram toda a verdade da cidade. N\u00e3o devemos confundir a palavra e a id\u00e9ia com a verdade.<\/p>\n<p>Se pudermos entender este aspecto crucial, essencial, devemos aplic\u00e1-la imediatamente na vida cotidiana. Somos pobres, mas pensamos ser pr\u00f3speros. Somos escravos, mas pensamos ser amos. Somos a continua\u00e7\u00e3o de todos os nossos ancestrais, mas pensamos estar sozinhos. N\u00e3o devemos ficar presos a palavras e terminologias.<\/p>\n<p>Mestre Linji ensinou: \u201cO Darma deste monge montanh\u00eas \u00e9 muito diferente do Darma de pessoas que est\u00e3o apegadas ao mundo. At\u00e9 mesmo se Manjushri e Samantabadra aparecessem diante de mim em suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es e me perguntassem sobre o Darma, assim que abrissem a boca e dissessem \u201cMestre Reverendo\u201d, eu conseguiria reconhec\u00ea-los&#8221;.<br \/>\nEle est\u00e1 dizendo que pode olhar para algu\u00e9m e saber de quem se trata. N\u00e3o discrimina entre comum e santo com base na apar\u00eancia externa. Que um monge se chame Manjushri, como o bodisatva de grande sabedoria, n\u00e3o quer dizer que ele seja santo. Que uma mulher tenha um simples nome comum n\u00e3o significa que ela seja \u00edmpia.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes discriminamos antes mesmo de a pessoa abrir a boca. Se nos deparamos com um franc\u00eas, logo temos alguma id\u00e9ia sobre o que significa ser franc\u00eas. N\u00e3o permitimos que a realidade dessa pessoa nos seja revelada. Quando sabemos que algu\u00e9m \u00e9 padre cat\u00f3lico ou monge budista, logo fazemos uma id\u00e9ia do que isto indica quanto a essa pessoa. Muitas pessoas disfar\u00e7am-se de Bodisatva Manjushri ou Bodisatva Samantabadra. Se nos livrarmos da discrimina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderemos ser ludibriados.<\/p>\n<p>Para estudar budismo, n\u00f3s procuramos um professor e acreditamos que ele tem sabedoria. Temos de acreditar que ele \u00e9 santo e que outras pessoas s\u00e3o comuns para podermos seguir esse professor. O professor veste a t\u00fanica da santidade e n\u00f3s acreditamos que ele se torna santo automaticamente. Isso \u00e9 o que nos mata. Fugirmos do comum em busca do que achamos ser santo \u00e9 uma esp\u00e9cie de morte. Estamos fugindo de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode ludibriar o Mestre Linji porque ele n\u00e3o mais discrimina entre o sagrado e o profano. N\u00e3o importa que algu\u00e9m se apresente dizendo ser um bodisatva ou uma simples pessoa comum, pois o Mestre Linji reconhecer\u00e1 a sua verdadeira natureza.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thich Nhat Hanh Do livro: NADA FAZER, N\u00c3O IR A LUGAR NENHUM Pag. 154 Coment\u00e1rio 12 Mestre Linji adverte aos amigos que est\u00e3o na senda, \u00e0queles que sinceramente est\u00e3o tentando viver o Darma, que n\u00e3o se deixem enganar pelos dem\u00f4nios, &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nada-fazer-nao-ir-a-lugar-nenhum\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1301,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,27],"tags":[],"class_list":["post-338","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao","category-thay"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=338"}],"version-history":[{"count":10,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1602,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338\/revisions\/1602"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1301"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}