{"id":456,"date":"2013-02-06T15:47:59","date_gmt":"2013-02-06T17:47:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=456"},"modified":"2018-02-09T16:33:54","modified_gmt":"2018-02-09T18:33:54","slug":"456","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/456\/","title":{"rendered":"Sobre o koan \u201cmu\u201d"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?attachment_id=461\" rel=\"attachment wp-att-461\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-461\" alt=\"Gavealua3\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Gavealua3-1024x631.jpg\" width=\"584\" height=\"359\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Gavealua3-1024x631.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Gavealua3-300x185.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Gavealua3-486x300.jpg 486w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Gavealua3.jpg 1723w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Voltando ao koan MU, devemos abordar a pergunta: \u201cUm cachorro tem a natureza-Buda ou n\u00e3o?\u201d, feita por um monge, com precau\u00e7\u00e3o, uma vez que n\u00e3o sabemos se ele \u00e9 ignorante ou est\u00e1 simulando ignor\u00e2ncia a fim de experimentar a Joshu. Quer Joshu responda \u201ctem\u201d ou \u201cn\u00e3o tem\u201d, ser\u00e1 abatido. Voc\u00eas v\u00eaem por qu\u00ea? Porque o que est\u00e1 envolvido n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de &#8220;ter&#8221; ou &#8220;n\u00e3o ter&#8221;. Sendo tudo natureza-Buda, qualquer uma das duas respostas seria absurda. Mas isto \u00e9 um \u201ccombate de Dharma\u201d. Joshu deve se desviar do golpe. Ele assim o faz retorquindo repentinamente: \u201cMU!\u201d. Aqui termina o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Em outras vers\u00f5es do mesmo koan, o monge continua perguntando: &#8220;Por que o cachorro n\u00e3o tem uma natureza-Buda, quando o sutra do Nirvana diz que todos os seres dotados de sensa\u00e7\u00e3o a t\u00eam?&#8221;. Joshu rebateu com: &#8220;Todos tem seu karma pr\u00f3prio&#8221;. Isto significa que a natureza-Buda do cachorro n\u00e3o \u00e9 diferente do karma. Os atos realizados com uma mente iludida produzem resultados dolorosos. Isto \u00e9 um karma. Em palavras mais claras, um cachorro \u00e9 um cachorro como resultado do seu karma passado que o condiciona a ser cachorro. \u00c9 o funcionamento da natureza-Buda. Portanto, n\u00e3o falem como se houvesse uma coisa particular chamada \u201cnatureza-Buda\u201d. \u00c9 isto o que se deduz do Mu de Joshu. \u00c9 claro, ent\u00e3o, que o Mu nada tem que ver com a exist\u00eancia ou n\u00e3o exist\u00eancia da natureza-Buda, mas \u00e9 ele mesmo a natureza-Buda. A resposta \u201cMU!\u201d exp\u00f5e e ao mesmo tempo projeta inteiramente diante de n\u00f3s a natureza-Buda. Agora, ainda que voc\u00eas sejam totalmente incapazes de compreender o que estou dizendo, n\u00e3o se extraviar\u00e3o se interpretarem a natureza-Buda desta forma.<br \/>\nA natureza-Buda n\u00e3o pode ser compreendida pelo intelecto. Para experiment\u00e1-la diretamente dever\u00e3o explorar suas mentes com a maior devo\u00e7\u00e3o at\u00e9 que estejam absolutamente convencidos de sua exist\u00eancia, pois afinal de contas, s\u00e3o voc\u00eas mesmo esta natureza-Buda. Quando lhes disse antes que a natureza-Buda era shunya &#8211; impessoal, destitu\u00edda de volume, n\u00e3o fixa e capaz de infinitas transforma\u00e7\u00f5es, apenas lhes apresentei uma figura dela. \u00c9 poss\u00edvel pensar na natureza-Buda nestes termos, mas voc\u00eas dever\u00e3o compreender que, seja o que for o que pensem ou imaginem, ser\u00e1 necessariamente irreal. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 outro meio sen\u00e3o experimentar a verdade em sua pr\u00f3pria mente. Este caminho foi mostrado com a maior delicadeza por Mumon.<br \/>\nConsideremos agora o coment\u00e1rio de Mumon. Ele come\u00e7a dizendo: \u201cNa pr\u00e1tica do zazen&#8230;\u201d O zazen, recebendo o dokusan (isto \u00e9, as instru\u00e7\u00f5es em particular), ouvindo o teisho &#8211; todas estas s\u00e3o pr\u00e1ticas do Zen. Ficar atento aos detalhes da vida cotidiana \u00e9 tamb\u00e9m treinamento do Zen. Quando sua vida e o Zen forem uma s\u00f3 coisa, voc\u00eas estar\u00e3o verdadeiramente vivendo o Zen. A n\u00e3o ser que concorde com suas atividades cotidianas, o Zen \u00e9 apenas um ornamento. Devem ter cuidado de n\u00e3o ostentarem o Zen, mas fundi-lo despretensiosamente com sua vida. Para dar um exemplo concreto de aten\u00e7\u00e3o: quando voc\u00eas tiram os tamancos no p\u00f3rtico ou na cozinha ou deixam os chinelos antes de entrar no banheiro, devem ter o cuidado de deix\u00e1-los bem arrumados, de modo que a pr\u00f3xima pessoa possa us\u00e1-los prontamente, mesmo que seja no escuro. Tal presen\u00e7a da mente \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do Zen. Se voc\u00eas p\u00f5em seus tamancos ou sapatos distraidamente, n\u00e3o est\u00e3o atentos. Quando andam, devem dar os passos prestando aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o trope\u00e7arem nem ca\u00edrem. N\u00e3o sejam negligentes!<br \/>\nMas estou fazendo uma digress\u00e3o. Para continuar: \u201c&#8230;voc\u00eas devem atravessar o port\u00e3o \u2013 uma barreira colocada pelos Patriarcas. &#8220;O Mu \u00e9 exatamente esta tal barreira, j\u00e1 lhes mostrei, de in\u00edcio, que n\u00e3o existe barreira alguma. Sendo tudo natureza-Buda, n\u00e3o existe port\u00e3o atrav\u00e9s do qual se entra ou sai. Mas, a fim de nos despertar para a verdade de que tudo \u00e9 natureza-Buda, os Patriarcas com relut\u00e2ncia colocaram barreiras e nos incitaram a atravess\u00e1-las. Condenam nossa pr\u00e1tica defeituosa e rejeitam nossas respostas incompletas. \u00c0 medida que se vai crescendo em sinceridade; um dia repentinamente chegar-se-\u00e1 \u00e0 Auto-percep\u00e7\u00e3o. Quando isto acontecer voc\u00eas ser\u00e3o capazes de atravessar facilmente o port\u00e3o-barreira.<br \/>\nO Mumonkan \u00e9 um livro que cont\u00e9m quarenta e oito dessas barreiras. A linha seguinte come\u00e7a:<br \/>\n&#8220;Para que se realize esta coisa extraordin\u00e1ria chamada ilumina\u00e7\u00e3o&#8230;&#8221; Notem a palavra extraordin\u00e1ria&#8221;. Porque a ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 inexplic\u00e1vel e inconceb\u00edvel, \u00e9 descrita como extraordin\u00e1ria. &#8220;&#8230;Voc\u00eas devem olhar no interior, na pr\u00f3pria fonte de seus pensamentos e assim extermin\u00e1-los&#8221;. Isto significa que \u00e9 in\u00fatil abordar o Zen do ponto de vista l\u00f3gico ou da hip\u00f3tese. Voc\u00eas nunca chegar\u00e3o \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da infer\u00eancia, cogni\u00e7\u00e3o ou conceitua\u00e7\u00e3o. Deixem de se apegar a todas as formas de pensamento! Saliento isto porque \u00e9 o ponto central da pr\u00e1tica Zen. E em particular, n\u00e3o cometam o erro de pensar que ilumina\u00e7\u00e3o deve ser isto ou aquilo.<br \/>\n&#8220;Se n\u00e3o puderem atravessar a barreira, isto \u00e9, eliminar o surgimento de pensamentos, voc\u00eas s\u00e3o como um fantasma, apegando-se \u00e0s \u00e1rvores, e \u00e0 grama&#8221;.\n<\/p><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltando ao koan MU, devemos abordar a pergunta: \u201cUm cachorro tem a natureza-Buda ou n\u00e3o?\u201d, feita por um monge, com precau\u00e7\u00e3o, uma vez que n\u00e3o sabemos se ele \u00e9 ignorante ou est\u00e1 simulando ignor\u00e2ncia a fim de experimentar a Joshu. &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/456\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":461,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,25],"tags":[],"class_list":["post-456","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao","category-mestres"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=456"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1383,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456\/revisions\/1383"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/461"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}