{"id":4826,"date":"2018-06-08T12:37:18","date_gmt":"2018-06-08T14:37:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=4826"},"modified":"2020-06-11T10:05:46","modified_gmt":"2020-06-11T12:05:46","slug":"iniciando-a-pratica-zen","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/iniciando-a-pratica-zen\/","title":{"rendered":"Iniciando a pr\u00e1tica zen"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Iniciando-a-pr\u00e1tica-zen.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Iniciando-a-pr\u00e1tica-zen-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5952\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Iniciando-a-pr\u00e1tica-zen-300x169.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Iniciando-a-pr\u00e1tica-zen-768x432.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Iniciando-a-pr\u00e1tica-zen-500x281.jpg 500w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Iniciando-a-pr\u00e1tica-zen.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"default.asp?menu=53\" class=\"broken_link\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/i><\/div>\n<hr \/>\n<p>Minha cadela n&atilde;o se preocupa com o significado da vida. Ela pode se preocupar em receber ou n&atilde;o a refei&ccedil;&atilde;o pela manh&atilde;, mas n&atilde;o se senta preocupada em conseguir ou n&atilde;o a realiza&ccedil;&atilde;o, a liberta&ccedil;&atilde;o, a ilumina&ccedil;&atilde;o. Desde que receba um pouco de comida e afeto, a vida lhe corre bem. Por&eacute;m n&oacute;s, seres humanos, n&atilde;o somos como os c&atilde;es. Temos mentes centradas em si mesmas que nos remetem a muitos problemas. Se n&atilde;o entendermos o equ&iacute;voco em nossa forma de pensar, nossa autopercep&ccedil;&atilde;o, que &eacute; nossa maior b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, torna-se tamb&eacute;m nossa perdi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Todos n&oacute;s acreditamos que, em certa medida, a vida &eacute; dif&iacute;cil, intrigante e opressiva. Mesmo quando tudo corre bem, como acontece por certo tempo, preocupamo-nos que ela n&atilde;o se mantenha assim. Dependendo de nossa hist&oacute;ria pessoal, chegamos &agrave; idade adulta tendo muitos sentimentos desencontrados a respeito da vida. Se eu lhes dissesse que sua vida j&aacute; &eacute; perfeita, completa e inteira exatamente do jeito que est&aacute;, voc&ecirc;s pensariam que estou maluca. Ningu&eacute;m acredita que sua vida &eacute; perfeita. No entanto, existe no &iacute;ntimo de cada um uma dimens&atilde;o que sabe que somos ilimitados, infinitos. <\/p>\n<p>Vemo-nos presos &agrave; contradi&ccedil;&atilde;o de encontrar a vida em meio a um quebra-cabe&ccedil;a muito desconcertante, capaz de nos causar muitos sofrimentos; ao mesmo tempo, temos uma vaga consci&ecirc;ncia da natureza ilimitada, infinita da vida. Desta maneira, come&ccedil;amos a procurar uma resposta a esse enigma.<\/p>\n<p>A primeira forma de procurar &eacute; buscar solu&ccedil;&otilde;es fora de n&oacute;s mesmos. No come&ccedil;o, pode acontecer num n&iacute;vel bastante comum. Existem muitas pessoas no mundo que acreditam que se tivessem um carro maior, uma casa mais bonita, f&eacute;rias melhores, um patr&atilde;o mais compreensivo, ou um parceiro mais interessante, suas vidas seriam muito melhores. N&atilde;o h&aacute; quem n&atilde;o pense assim. Lentamente, vamos descartando os &quot;se ao menos&quot;, essas coisas que nos fariam viver melhor. &quot;Se ao menos eu tivesse isto, isso ou aquilo, ent&atilde;o minha vida seria outra&quot;. Na pr&aacute;tica, todos est&atilde;o com alguns desses &quot;se ao menos&quot;, na cabe&ccedil;a em algum momento, contudo aos poucos essas id&eacute;ias v&atilde;o se desgastando. Primeiro, as mais grosseiras. Depois nossa busca dirige-se a n&iacute;veis mais sutis. <\/p>\n<p>Por fim, na procura pelo elemento externo a n&oacute;s mesmos que, em nossa expectativa, ir&aacute; nos completar, voltamo-nos para uma disciplina espiritual. Infelizmente, nossa tend&ecirc;ncia &eacute; considerar com a perspectiva anterior essa nova possibilidade. Muitas das pessoas que buscam o Zen Center n&atilde;o cr&ecirc;em que a resposta esteja num Cadillac mais novo, mas em alcan&ccedil;ar a ilumina&ccedil;&atilde;o. Conseguiram um novo recurso, um novo se ao menos.&quot;  &quot;Se ao menos eu tivesse condi&ccedil;&atilde;o de entender do que se trata a compreens&atilde;o, seria feliz&quot;. &quot;Se ao menos eu tivesse uma pequena experi&ecirc;ncia de ilumina&ccedil;&atilde;o, seria feliz.&quot; Ao iniciarmos uma pr&aacute;tica como o zen, trazemos nossas no&ccedil;&otilde;es habituais de estar chegando em algum lugar, de alcan&ccedil;ar alguma coisa \u2014 no caso, a ilumina&ccedil;&atilde;o podendo a partir de ent&atilde;o comer todos os docinhos que antes nos tinham sido proibidos.<\/p>\n<p>Toda a nossa vida consiste neste pequeno indiv&iacute;duo, olhando &agrave; sua volta em busca de objetos. No entanto, se voc&ecirc; olha algo que &eacute; limitado \u2014 como o s&atilde;o o corpo e a mente \u2014 e procura alguma coisa fora de si, esta coisa torna-se um objeto e tamb&eacute;m deve ser limitado. Assim, existe alguma coisa limitada procurando algo limitado e, no final, s&oacute; fica maior aquela velha loucura que o vem tornando uma pessoa t&atilde;o infeliz.<\/p>\n<p>Todos passam anos a fio consolidando uma vis&atilde;o condicionada da vida. Existe o &quot;eu&quot; e existe essa &quot;coisa&quot; a&iacute; adiante que ou me fere ou me agrada. Nossa tend&ecirc;ncia &eacute; levar a vida de modo a tentar evitar tudo o que nos magoe ou nos desagrade, reparando nos objetos, nas pessoas ou situa&ccedil;&otilde;es que, a nosso ver, parecem nos proporcionar dor ou prazer; evitaremos uns e perseguiremos outros. Sem exce&ccedil;&atilde;o, todos n&oacute;s fazemos isso. Mantemo-nos distantes de nossa vida, olhando-a, analisando-a, julgando-a, buscando respostas para perguntas como &quot;O que ganho com isso? Vou ter prazer ou conforto, ou ser&aacute; preciso que eu fuja?&quot;. Fazemos esse questionamento de manh&atilde; &agrave; noite. Por tr&aacute;s de nossas fachadas agrad&aacute;veis e amistosas ferve um constrangimento consider&aacute;vel. Se eu pudesse raspar o verniz e ir um pouco mais fundo do que a superf&iacute;cie de qualquer pessoa, encontraria medo, dor e uma ansiedade desvairada. Todos temos m&eacute;todos para encobrir tais sentimentos. Comemos demais, bebemos demais, trabalhamos demais; assistimos &agrave; televis&atilde;o demais. Estamos sempre fazendo algo para encobrir nossa ansiedade existencial b&aacute;sica. Algumas pessoas vivem dessa forma at&eacute; o final de seus dias. <\/p>\n<p>Essa situa&ccedil;&atilde;o piora conforme o tempo vai passando. O que talvez n&atilde;o seja t&atilde;o ruim quando voc&ecirc; tem 25 anos parecer&aacute; terr&iacute;vel quando chegar aos cinq&uuml;enta. Todos conhecemos aquelas pessoas que j&aacute; morreram e se esqueceram de deitar-se; elas t&ecirc;m uma mentalidade t&atilde;o contra&iacute;da em seus pontos de vista limitados, que a conviv&ecirc;ncia &eacute; muito penosa tanto para quem est&aacute; &agrave; sua volta como para elas mesmas. A flexibilidade, a alegria e o fluir da vida j&aacute; se foram. Essa possibilidade t&atilde;o sombria amea&ccedil;a a todos n&oacute;s a menos que acordemos para o fato de ser necess&aacute;rio trabalhar nossa pr&oacute;pria vida, <b>praticar<\/b>. <\/p>\n<p>&#9;&#9;&Eacute; preciso que enxerguemos a miragem de que existe um &quot;eu&quot; destacado de um &quot;aquilo&quot;. Nossa pr&aacute;tica consiste em anular essa dist&acirc;ncia. Apenas no momento em que n&oacute;s e os objetos nos tornarmos um, &eacute; que poderemos enxergar o que &eacute; nossa vida.<\/p>\n<p>A ilumina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; algo que se atinge. &Eacute; a aus&ecirc;ncia de alguma coisa. A vida inteira, a pessoa vai atr&aacute;s de algo, perseguindo suas metas. A ilumina&ccedil;&atilde;o est&aacute; em deixar tudo isso de lado. Entretanto, falar sobre ela n&atilde;o adianta muito. A pr&aacute;tica precisa ser executada por cada um. N&atilde;o h&aacute; o que a substitua. Podemos ler a seu respeito durante mil anos e n&atilde;o adiantar&aacute; de nada para n&oacute;s. &Eacute; preciso que todos n&oacute;s pratiquemos, e temos de fazer com todo nosso empenho pelo resto da vida.<\/p>\n<p>O que de fato queremos &eacute; uma vida natural. Nossas vidas s&atilde;o t&atilde;o artificiais que realizar uma pr&aacute;tica como a do zen, no come&ccedil;o, &eacute; bastante dif&iacute;cil. Por&eacute;m, assim que come&ccedil;armos a vislumbrar que o problema da vida n&atilde;o &eacute; algo externo a n&oacute;s, teremos come&ccedil;ado a percorrer o caminho. Quando o despertar se inicia, quando come&ccedil;amos a perceber que a vida pode ser mais aberta e alegre do que at&eacute; ent&atilde;o pens&aacute;ramos ser poss&iacute;vel, queremos praticar.<\/p>\n<p>Entramos numa disciplina como a pr&aacute;tica zen para podermos aprender a viver de modo l&uacute;cido, O zen tem quase mil anos e seus defeitos j&aacute; foram corrigidos; embora n&atilde;o seja f&aacute;cil, n&atilde;o &eacute; insano. &Eacute; sensato e muito pr&aacute;tico. Diz respeito &agrave; vida cotidiana. Refere-se a trabalhar melhor no escrit&oacute;rio, a criar melhor as crian&ccedil;as, e estabelecer relacionamentos melhores. Levar uma vida mais l&uacute;cida e satisfat&oacute;ria deve decorrer de uma pr&aacute;tica equilibrada e l&uacute;cida. O que desejamos fazer &eacute; encontrar uma maneira de trabalhar com a insanidade elementar que existe em fun&ccedil;&atilde;o de nossa cegueira.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso coragem para se sentar bem, O zen n&atilde;o &eacute; uma disciplina para todos. Precisamos estar dispostos a fazer algo que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Se o fizermos com paci&ecirc;ncia e perseveran&ccedil;a, com a orienta&ccedil;&atilde;o de um bom instrutor, ent&atilde;o, aos poucos, nossa vida ir&aacute; se aquietar, ficar mais equilibrada. Nossas emo&ccedil;&otilde;es n&atilde;o ser&atilde;o mais t&atilde;o dominadoras. Enquanto sentamos, descobrimos que a primeira coisa, a mais elementar, para trabalhar, &eacute; nossa mente ca&oacute;tica, ocupada. Estamos todos enredados num pensar fren&eacute;tico e o problema da pr&aacute;tica est&aacute; em come&ccedil;ar a trazer esse pensamento para a claridade e o equil&iacute;brio.<\/p>\n<p>Quando a mente fica limpa, clara, equilibrada, e n&atilde;o mais prisioneira dos objetos, ent&atilde;o poder&aacute; haver uma abertura e, por um instante, nos daremos conta de quem somos, na verdade.<br \/>\nContudo, sentar n&atilde;o &eacute; algo que praticamos durante um ou dois anos com a id&eacute;ia de dominar a quest&atilde;o. Sentar &eacute; algo que praticamos a vida inteira. N&atilde;o h&aacute; limites para a abertura poss&iacute;vel ao ser humano. Eventualmente percebemos que somos a base ilimitada e incontida do universo. Para o resto da vida, nossa incumb&ecirc;ncia ser&aacute; abrirmo-nos cada vez mais a essa imensid&atilde;o e express&aacute;-la. <\/p>\n<p>Quanto maior for nosso contato com essa realidade, mais aumentar&aacute; nossa, compaix&atilde;o pelos outros, maiores ser&atilde;o as altera&ccedil;&otilde;es em nossa vida cotidiana. Viveremos, trabalharemos e nos relacionaremos de modo diferente com as pessoas. O zen &eacute; um estudo para a vida toda. N&atilde;o &eacute; s&oacute; sentar-se numa almofada durante trinta ou quarenta minutos di&aacute;rios. Toda nossa vida torna-se uma pr&aacute;tica, vinte e quatro horas por dia.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; Minha cadela n&atilde;o se preocupa com o significado da vida. Ela pode se preocupar em receber ou n&atilde;o a refei&ccedil;&atilde;o pela manh&atilde;, mas n&atilde;o se senta preocupada em conseguir ou n&atilde;o &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/iniciando-a-pratica-zen\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,40],"tags":[70],"class_list":["post-4826","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-joko","category-zen","tag-pratica-zen"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4826"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4826\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5953,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4826\/revisions\/5953"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}