{"id":4898,"date":"2018-06-10T18:32:54","date_gmt":"2018-06-10T20:32:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=4898"},"modified":"2018-06-10T18:34:16","modified_gmt":"2018-06-10T20:34:16","slug":"o-ponto-de-estrangulamento-do-medo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-ponto-de-estrangulamento-do-medo\/","title":{"rendered":"O ponto de estrangulamento do medo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-ponto-de-estrangulamento-do-medo\/o-ponto-de-estrangulamento-do-medo-2\/\" rel=\"attachment wp-att-4900\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-ponto-de-estrangulamento-do-medo.jpg\" alt=\"\" width=\"279\" height=\"181\" class=\"alignleft size-full wp-image-4900\" \/><\/a><br \/>\n<b>O ponto de estrangulamento do medo<\/b><\/font><\/div>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"default.asp?menu=53\" class=\"broken_link\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/i><\/div>\n<hr \/>\n<p>As limita&ccedil;&otilde;es da vida est&atilde;o presentes na concep&ccedil;&atilde;o. Os pr&oacute;prios fatores gen&eacute;ticos s&atilde;o limita&ccedil;&otilde;es: somos do sexo masculino ou feminino, temos propens&atilde;o a determinadas doen&ccedil;as ou fraquezas corporais. Todas as linhagens gen&eacute;ticas re&uacute;nem-se para produzir determinados temperamentos. &Eacute; evidente a qualquer m&atilde;e com o feto em seu ventre, as tremendas diferen&ccedil;as que existem entre os beb&ecirc;s, antes mesmo de nascerem. No entanto, para a discuss&atilde;o que propomos, come&ccedil;aremos com o beb&ecirc; ao nascer. Para os adultos, o rec&eacute;m-nascido parece aberto e n&atilde;o-condicionado. Durante suas primeiras semanas de vida, o imperativo do beb&ecirc; &eacute; a sobreviv&ecirc;ncia. Basta ouvir um nen&ecirc; rec&eacute;m-nascido berrando: &eacute; f&aacute;cil perceber como o som atravessa a casa toda. N&atilde;o consigo me lembrar de nada que tenha a mesma qualidade revolucion&aacute;ria que o choro de um rec&eacute;m-nascido. Quando ou&ccedil;o aquele som quero fazer alguma coisa, qualquer coisa, para interromp&ecirc;-lo. N&atilde;o leva muito tempo para o beb&ecirc; aprender que, apesar de seus esfor&ccedil;os incessantes, a vida nem sempre &eacute; agrad&aacute;vel. Lembro-me de deixar meu filho mais velho cair de cabe&ccedil;a, quando tinha seis semanas. Pensei que eu era uma m&atilde;e nova muito esperta, mas ele estava ensaboado e&#8230;<\/p>\n<p>Desde muito cedo, todos come&ccedil;amos a tentar nos proteger das amea&ccedil;adoras ocorr&ecirc;ncias que nos atingem com regularidade. Diante do medo que nos causam, come&ccedil;amos <i>a <\/i>nos contrair. A natureza aberta e espa&ccedil;osa do in&iacute;cio da vida vai se estreitando num funil dentro do gargalo do medo. Assim que aprendemos a falar, a rapidez dessa contra&ccedil;&atilde;o aumenta. Conforme nossa intelig&ecirc;ncia aumenta, o processo realmente toma-se mais veloz; ent&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; tentamos manipular a amea&ccedil;a, armazenando-a em cada c&eacute;lula de nosso corpo, como (atrav&eacute;s da mem&oacute;ria) relacionamos cada nova amea&ccedil;a a todas as anteriores e o processo forma-se de modo acumulativo.<\/p>\n<p>Estamos todos familiarizados com o processo de condicionamento: imaginemos que, quando eu era bem pequena, um menino grande, forte, de 5 anos e cabelos ruivos, apoderou-se de meu brinquedo favorito. Fiquei apavorada e condicionada. Hoje, toda vez que uma pessoa ruiva passa pela minha vida fico inquieta por nenhum motivo aparente. Poder&iacute;amos dizer ent&atilde;o que o condicionamento &eacute; o problema? N&atilde;o, n&atilde;o exatamente. Mesmo quando repetido com freq&uuml;&ecirc;ncia, o condicionamento se esvai com o tempo.<\/p>\n<p>Por essa raz&atilde;o, algu&eacute;m que fala: &quot;Se voc&ecirc; soubesse o que minha vida tem sido, n&atilde;o &eacute; de espantar que eu esteja nessa bagun&ccedil;a; sou t&atilde;o condicionado pelo medo, n&atilde;o tem jeito&quot;. Essa pessoa n&atilde;o est&aacute; captando o cerne do problema. O que &eacute; sem d&uacute;vida verdade &eacute; que n&oacute;s todos somos constantemente condicionados e, sob a influ&ecirc;ncia desses incidentes, revemos devagar nossas concep&ccedil;&otilde;es a respeito de quem somos. Depois de termos sido amea&ccedil;ados em nossa abertura e disponibilidade, decidimos que nosso ser mais aut&ecirc;ntico &eacute; a contra&ccedil;&atilde;o do medo. Revejo minhas no&ccedil;&otilde;es de pessoa e de mundo, e defino uma nova imagem de mim mesma; e, independente de essa imagem ser de coniv&ecirc;ncia, de rebeldia ou de recolhimento, n&atilde;o faz muita diferen&ccedil;a. O que difere &eacute; minha decis&atilde;o cega de agora ter de corresponder a essa imagem contra&iacute;da de mim mesma para poder sobreviver.<\/p>\n<p>O ponto de estrangulamento do medo n&atilde;o &eacute; causado pelo condicionamento, mas pela decis&atilde;o a meu respeito, tomada com base naquele condicionamento. Felizmente, como essa decis&atilde;o &eacute; composta por pensamentos e reflete-se em contra&ccedil;&atilde;o corporal, ela pode ser minha mestra quando me experimento neste exato momento. N&atilde;o necessito for&ccedil;osamente de um conhecimento intelectual do que foi meu condicionamento, embora ele possa ser &uacute;til. O que de fato necessito &eacute; saber que esp&eacute;cies de pensamentos insisto em alimentar neste presente momento, hoje, e que contra&ccedil;&otilde;es corporais exteriores, tenho exatamente, hoje. Ao atentar para os pensamentos e ao experimentar as contra&ccedil;&otilde;es corporais (fazendo o <i>zazen), <\/i>o ponto de estrangulamento do medo fica iluminado. Ao fazer isso, minhas falsas identifica&ccedil;&otilde;es com um <i>self <\/i>limitado (a decis&atilde;o) aos poucos desaparecem . Posso ser cada vez quem sou de verdade. Um <i>n&atilde;o-self, <\/i>uma resposta aberta e dispon&iacute;vel &agrave; vida. Meu verdadeiro <i>self, <\/i>desertado e esquecido h&aacute; tanto tempo, pode funcionar agora, pois observo que esse ponto &eacute; uma ilus&atilde;o.<\/p>\n<p>Nessa altura v&ecirc;m-me &agrave; mente dois famosos versos sobre um espelho (um de autoria de um monge que era especialista no Quinto Patriarca, e outro, de um an&ocirc;nimo que acabaria se tornando o Sexto Patriarca). Esses versos foram compostos de tal modo que o Quinto Patriarca deveria julgar se seu autor teria ou n&atilde;o alcan&ccedil;ado a verdadeira realiza&ccedil;&atilde;o. O verso do monge (aquele que n&atilde;o foi aceito pelo Quinto Patriarca como a verdade) afirmava que a pr&aacute;tica consistia em polir o espelho; em outras palavras, removendo o p&oacute; de nossos pensamentos e a&ccedil;&otilde;es ilus&oacute;rios, o espelho poderia brilhar (estar&iacute;amos purificados). O outro verso (que revelou ao Quinto Patriarca o profundo entendimento do homem que seria escolhido como seu sucessor) afirmava que, desde o princ&iacute;pio, &quot;n&atilde;o h&aacute; espelho onde se mirar, n&atilde;o h&aacute; espelho a ser polido, e n&atilde;o h&aacute; onde o p&oacute; se apegar&#8230;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, embora, o verso do Sexto Patriarca seja o entendimento verdadeiro, para n&oacute;s o paradoxo &eacute; que temos de praticar com o verso que <i>n&atilde;o <\/i>foi aceito; precisamos mesmo polir o espelho; precisamos de fato tomar consci&ecirc;ncia de nossos pensamentos e atos; temos de nos conscientizar de nossas falsas rea&ccedil;&otilde;es &agrave; vida. Apenas agindo assim &eacute; que chegaremos a perceber que, desde o princ&iacute;pio, o ponto de estrangulamento do medo &eacute; uma ilus&atilde;o. &Eacute; &oacute;bvio que n&atilde;o temos de nos esfor&ccedil;ar para nos libertar dela. Mas n&atilde;o podemos e n&atilde;o queremos saber disso at&eacute; termos polido infatigavelmente o espelho que n&atilde;o existe.<\/p>\n<p>&Agrave;s vezes, as pessoas dizem: &quot;Bem n&atilde;o h&aacute; nada que precise ser feito. Nenhuma pr&aacute;tica (polir) &eacute; necess&aacute;ria. Se voc&ecirc; enxergar com suficiente clareza, tal pr&aacute;tica n&atilde;o tem sentido&quot;. &Eacute;&#8230; por&eacute;m n&oacute;s <i>n&atilde;o <\/i>vemos com suficiente nitidez e, quando isso acontece, criamos um caos deslumbrado para n&oacute;s e para os outros. &Eacute; preciso de fato praticar, precisamos na realidade polir o espelho, at&eacute; que possamos sentir em nossas v&iacute;sceras a verdade de nossa vida. Assim, podemos enxergar que, j&aacute; desde o in&iacute;cio, nada era necess&aacute;rio.<\/p>\n<p>Nossa vida sempre est&aacute; aberta, dispon&iacute;vel e &uacute;til. Contudo, n&atilde;o nos iludamos sobre quanta pr&aacute;tica sincera devemos realizar antes de vermos tudo com a mesma clareza com que enxergamos nosso pr&oacute;prio nariz.<\/p>\n<p>O que lhes estou apresentando &eacute;, sem d&uacute;vida, uma vis&atilde;o otimista da pr&aacute;tica, embora haja ocasi&otilde;es em que ela se tornar&aacute; desestimulante e dif&iacute;cil. Outra vez, por&eacute;m, a quest&atilde;o &eacute;: temos bastantes escolhas? Ou morremos \u2014 porque se permanecermos muito tempo entalados no ponto de estrangulamento do medo seremos estrangulados at&eacute; a morte \u2014 ou lentamente conquistamos uma certa compreens&atilde;o vivenciando o ponto e atravessando-o. N&atilde;o creio que tenhamos tantas escolhas assim. O que voc&ecirc;s pensam?<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ponto de estrangulamento do medo Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; As limita&ccedil;&otilde;es da vida est&atilde;o presentes na concep&ccedil;&atilde;o. Os pr&oacute;prios fatores gen&eacute;ticos s&atilde;o limita&ccedil;&otilde;es: somos do sexo masculino ou feminino, temos propens&atilde;o a determinadas doen&ccedil;as &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-ponto-de-estrangulamento-do-medo\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4900,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,40],"tags":[70],"class_list":["post-4898","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-joko","category-zen","tag-pratica-zen"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4898","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4898"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4898\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4902,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4898\/revisions\/4902"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4900"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}