{"id":4931,"date":"2018-06-10T19:43:07","date_gmt":"2018-06-10T21:43:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=4931"},"modified":"2020-06-10T15:19:50","modified_gmt":"2020-06-10T17:19:50","slug":"o-preco-da-pratica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-preco-da-pratica\/","title":{"rendered":"O pre\u00e7o da pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-pre\u00e7o-da-pr\u00e1tica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-pre\u00e7o-da-pr\u00e1tica-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"210\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5906\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-pre\u00e7o-da-pr\u00e1tica-300x210.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-pre\u00e7o-da-pr\u00e1tica-429x300.jpg 429w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-pre\u00e7o-da-pr\u00e1tica.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>O&#9;pre&ccedil;o da pr&aacute;tica<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"default.asp?menu=53\" class=\"broken_link\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/i><\/div>\n<hr \/>\n<p>Quando achamos nossa vida desagrad&aacute;vel ou insatisfat&oacute;ria, tentamos nos livrar desse inc&ocirc;modo por meio de v&aacute;rios mecanismos de escape sutis. Com tais tentativas, estamos tratando nossa vida como se houvesse um <i>mim <\/i>e uma <i>vida fora de mim. <\/i>Enquanto tratamos nossa vida dessa forma, faremos com que todos os nossos esfor&ccedil;os se dirijam ao encontro de algo ou de algu&eacute;m que cuide de nossa vida por n&oacute;s. Podemos procurar por um amante, um mestre, uma religi&atilde;o, um centro \u2014 algum lugar, algu&eacute;m ou alguma coisa que resolva nossa dificuldade por n&oacute;s. Enquanto virmos nossa vida desse modo dualista, estaremos nos enganando e acreditaremos que n&atilde;o &eacute; preciso pagar pre&ccedil;o algum por uma vida realizada. Todos partilhamos essa desilus&atilde;o em graus vari&aacute;veis; e isso s&oacute; nos leva a uma vida de torturas.<\/p>\n<p>Conforme nossa pr&aacute;tica prossegue, a decep&ccedil;&atilde;o passa a ser confrontada e, aos poucos, vamos entendendo (horror dos horrores!) que <i>temos <\/i>um pre&ccedil;o a pagar pela liberdade. E ningu&eacute;m, a n&atilde;o ser n&oacute;s mesmos, nunca poder&aacute; pag&aacute;-lo. Quando me dei conta dessa verdade, levei um dos maiores choques de toda minha vida. Enfim, um dia compreendi que apenas <i>eu <\/i>posso pagar o pre&ccedil;o da realiza&ccedil;&atilde;o e do percebimento. Ningu&eacute;m mais, ningu&eacute;m mais mesmo, pode faz&ecirc;-lo por mim. At&eacute; que compreendamos essa dura verdade, continuaremos resistindo &agrave; pr&aacute;tica. Mesmo depois de a termos visto, nossa resist&ecirc;ncia prosseguir&aacute;, embora n&atilde;o t&atilde;o intensa. &Eacute; dif&iacute;cil sustentar o conhecimento em sua plena pot&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Quais s&atilde;o algumas das maneiras pelas quais podemos nos esquivar ao pagamento desse pre&ccedil;o? A principal delas &eacute; nossa constante m&aacute; vontade em tolerar nosso pr&oacute;prio sofrimento. Pensamos que podemos nos esquivar dele ou ignor&aacute;-lo, ou dissolv&ecirc;-lo em nossas id&eacute;ias, ou persuadir outra pessoa a remov&ecirc;-lo em nosso lugar. Acreditamos ter o direito de n&atilde;o sentir a dor que est&aacute; em nossa vida. Esperamos e planejamos com ardor que algu&eacute;m \u2014 nosso marido ou esposa, o amante, o filho \u2014 cuide da dor por n&oacute;s. Tal resist&ecirc;ncia mina nossa pr&aacute;tica: &quot;N&atilde;o sentarei esta manh&atilde;; apenas n&atilde;o sinto vontade&quot;; &quot;N&atilde;o estou indo participar de um <i>sesshin; <\/i>n&atilde;o gosto do que ocorre l&aacute;&quot;; &quot;Quando fico com raiva, n&atilde;o consigo controlar minha l&iacute;ngua. Por que n&atilde;o consigo?&quot;. Cedemos em nossa integridade, quando &eacute; doloroso mant&ecirc;-la. Desistimos de um relacionamento que j&aacute; n&atilde;o satisfaz mais nossos sonhos. Por tr&aacute;s de todas essas evas&otilde;es est&aacute; a cren&ccedil;a de que os outros t&ecirc;m de nos servir; os outros t&ecirc;m de organizar a bagun&ccedil;a que fazemos.<br \/>\nNa realidade, ningu&eacute;m \u2014 mas ningu&eacute;m mesmo \u2014 pode vivenciar nossa vida por n&oacute;s. Ningu&eacute;m pode sentir por n&oacute;s a dor que a vida nos traz de modo inevit&aacute;vel, O pre&ccedil;o que devemos pagar para crescer est&aacute; sempre bem diante de nossa vista; e nunca teremos uma pr&aacute;tica real, enquanto n&atilde;o nos dermos conta do qu&atilde;o pouco interessados estamos em pagar o pre&ccedil;o que for. Infelizmente, enquanto estivermos na manobra da esquiva, estaremos nos impedindo a percep&ccedil;&atilde;o do deslumbramento do que a vida &eacute; e do que n&oacute;s somos. Tentamos apegar-nos a pessoas que pensamos ter poder para mitigar nossa dor por n&oacute;s. Tentamos domina-las, mant&ecirc;-las conosco, e at&eacute; engan&aacute;-las para que se incumbam de nosso sofrimento. Contudo, &eacute; preciso reconhecer, n&atilde;o h&aacute; almo&ccedil;o gr&aacute;tis, tampouco donativos. Uma j&oacute;ia de grande valor nunca &eacute; um donativo. Devemos conquist&aacute;-la, atrav&eacute;s de uma pr&aacute;tica perseverante e consistente.<br \/>\nDevemos conquist&aacute;-la a cada momento, e n&atilde;o apenas no &quot;lado espiritual&quot; de nossa vida. De que modo cumprimos nossos compromissos para com terceiros, de que modo os servimos, se fazemos ou n&atilde;o o esfor&ccedil;o de aten&ccedil;&atilde;o que &eacute; preciso a cada variado momento da vida; tudo isso &eacute; pagar o pre&ccedil;o da j&oacute;ia.<\/p>\n<p>N&atilde;o estou falando sobre estruturar um novo conjunto de ideais a respeito de &quot;como eu deveria ser&quot;. Refiro-me a alcan&ccedil;ar a integridade e a plenitude de nossa vida atrav&eacute;s de cada ato que executamos, de cada palavra que pronunciamos. Do ponto de vista comum, o pre&ccedil;o que deve ser pago &eacute; enorme; quando visto pela &oacute;ptica da clareza, n&atilde;o existe pre&ccedil;o algum: &eacute;, de fato, um privil&eacute;gio. Quanto mais cresce nossa pr&aacute;tica, mais compreendemos esse privil&eacute;gio.<\/p>\n<p>Nesse processo, descobrimos que a dor dos outros e a nossa n&atilde;o s&atilde;o mundos separados. N&atilde;o &eacute; &quot;minha pr&aacute;tica &eacute; minha pr&aacute;tica e a sua &eacute; a sua&quot;, pois, quando estivermos verdadeiramente abertos para nossas pr&oacute;prias vidas, abriremo-nos para <i>toda <\/i>a vida. A desilus&atilde;o da separatividade diminui, conforme pagamos o pre&ccedil;o da pr&aacute;tica atenta. Superar essa decep&ccedil;&atilde;o &eacute; perceber que, com a pr&aacute;tica, n&atilde;o estamos s&oacute; pagando o pre&ccedil;o por n&oacute;s, mas por todos os outros no mundo. Enquanto nos ativermos &agrave; nossa separa&ccedil;&atilde;o \u2014 minhas id&eacute;ias a respeito do que sou, do que voc&ecirc; &eacute;, e do que preciso e quero de voc&ecirc; \u2014 essa dist&acirc;ncia em si significa que ainda n&atilde;o estamos pagando o pre&ccedil;o da j&oacute;ia. Pagar o pre&ccedil;o quer dizer que devemos dar o que a vida exige que seja dado (o que n&atilde;o pode ser confundido com a indulg&ecirc;ncia, com consentir com as pr&oacute;prias fraquezas). Talvez tempo, ou dinheiro, ou bens materiais; &agrave;s vezes &eacute; <i>n&atilde;o <\/i>dar essas coisas, se for melhor assim. O esfor&ccedil;o da pr&aacute;tica &eacute; sempre ver o que a vida exige que lhe demos, em contraste com o que desejamos pessoalmente dar; e isso n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Essa &aacute;rdua pr&aacute;tica &eacute; o pagamento exigido, se desejamos encontrar a j&oacute;ia.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos reduzir nossa pr&aacute;tica apenas ao tempo que empregamos no <i>zazen, <\/i>embora ele seja crucial. Nosso treino \u2014 pagar o pre&ccedil;o \u2014 deve ocorrer vinte e quatro horas por dia.<\/p>\n<p>Quanto mais nos dedicarmos a esse esfor&ccedil;o no transcorrer do tempo, cada vez mais conseguiremos valorizar a j&oacute;ia que &eacute; nossa vida. Mas se continuarmos a remoer nossa vida como se ela fosse um problema, ou se investirmos nosso tempo tentando escapar a problemas (que s&atilde;o imagin&aacute;rios), a j&oacute;ia permanecer&aacute; sempre oculta.<\/p>\n<p>Conquanto oculta, a j&oacute;ia est&aacute; sempre presente, mas nunca a veremos a menos que nos disponhamos a pagar seu pre&ccedil;o. Descobrir essa j&oacute;ia &eacute; no que consiste a vida. Quantos est&atilde;o dispostos a pagar o pre&ccedil;o?<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O&#9;pre&ccedil;o da pr&aacute;tica Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; Quando achamos nossa vida desagrad&aacute;vel ou insatisfat&oacute;ria, tentamos nos livrar desse inc&ocirc;modo por meio de v&aacute;rios mecanismos de escape sutis. 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