{"id":4936,"date":"2018-06-10T19:46:01","date_gmt":"2018-06-10T21:46:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=4936"},"modified":"2018-06-11T14:13:01","modified_gmt":"2018-06-11T16:13:01","slug":"a-recompensa-da-pratica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-recompensa-da-pratica\/","title":{"rendered":"A recompensa da pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-recompensa-da-pratica\/a-recompensa-da-pratica-2\/\" rel=\"attachment wp-att-4939\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/A-recompensa-da-pr\u00e1tica-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4939\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/A-recompensa-da-pr\u00e1tica-300x225.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/A-recompensa-da-pr\u00e1tica-768x576.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/A-recompensa-da-pr\u00e1tica-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/A-recompensa-da-pr\u00e1tica-400x300.jpg 400w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/A-recompensa-da-pr\u00e1tica.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>A recompensa da pr&aacute;tica<\/b><\/font><\/div>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"default.asp?menu=53\" class=\"broken_link\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/i><\/div>\n<hr \/>\n<p>Estamos sempre tentando levar nossa vida da infelicidade para a felicidade. Ou, poder&iacute;amos dizer, desejamos nos mudar de uma vida de lutas para uma de alegria. Mas essas coisas n&atilde;o s&atilde;o as mesmas: sair da infelicidade para a felicidade <i>n&atilde;o <\/i>&eacute; o mesmo que sair da luta para a alegria. Algumas terapias buscam levar-nos de um eu infeliz para um eu feliz. A pr&aacute;tica zen, por&eacute;m, (e, talvez, algumas outras disciplinas e terapias) pode ajudar-nos a sair do eu infeliz para o n&atilde;o-eu, que &eacute; a alegria.<\/p>\n<p>Ter um eu significa que somos autocentrados. Ser autocentrado \u2014 e, portanto, em oposi&ccedil;&atilde;o a coisas externas \u2014 &eacute; ser ansioso e ficar preocupado consigo mesmo, &eacute; reagir de imediato com aspereza, quando o meio externo se nos op&otilde;e. Ficamos aborrecidos facilmente. Sendo autocentrados, ficamos muitas vezes confusos. &Eacute; assim que a maioria das pessoas viv&ecirc;ncia a pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<p>Embora n&atilde;o estejamos familiarizados com o lado oposto ao eu (n&atilde;o-eu), tentemos pensar que esp&eacute;cie de vida poderia ser a do n&atilde;o-eu. N&atilde;o-eu n&atilde;o significa desaparecer do planeta ou deixar de existir. N&atilde;o &eacute; nem estar autocentrado, tampouco centrado no outro; apenas, &eacute; estar centrado. A vida do n&atilde;o-eu n&atilde;o est&aacute; centrada em coisa alguma em particular, mas em todas as coisas; ou seja, est&aacute; desapegada e, por isso, as caracter&iacute;sticas de um eu n&atilde;o podem aparecer. N&atilde;o somos ansiosos, ou preocupados, n&atilde;o nos irritamos com facilidade, n&atilde;o nos aborrecemos a todo instante, e, principalmente, nossa vida n&atilde;o tem o sabor caracter&iacute;stico da confus&atilde;o. Por isso, ser o n&atilde;o-eu &eacute; alegria. N&atilde;o apenas isso. O n&atilde;o-eu, por n&atilde;o se opor a nada, &eacute; ben&eacute;fico a tudo.<\/p>\n<p>Para a absoluta maioria, por&eacute;m, a pr&aacute;tica precisa acontecer dentro de uma estrat&eacute;gia organizada, numa dissolu&ccedil;&atilde;o implac&aacute;vel do eu. O primeiro passo que devemos dar &eacute; nos mudar da infelicidade para a felicidade. Por qu&ecirc;? Porque n&atilde;o h&aacute; de modo algum meio pelo qual a pessoa infeliz \u2014 perturbada consigo ou com os outros, ou com as situa&ccedil;&otilde;es \u2014 possa ser a vida do n&atilde;o-eu. Assim, o primeiro est&aacute;gio da pr&aacute;tica deveria ser o nosso deslocamento da infelicidade para a felicidade, e os primeiros anos de <i>zazen <\/i>s&atilde;o principalmente dedicados a esse movimento. Para algumas pessoas, uma terapia inteligente pode ser proveitosa nessa etapa. Entretanto, as pessoas s&atilde;o muito diferentes entre si e n&atilde;o podemos generalizar. No entanto, n&atilde;o podemos (ou n&atilde;o devemos) tentar saltar este primeiro movimento de uma relativa infelicidade para uma relativa felicidade.<\/p>\n<p>Por que digo &quot;relativa&quot; felicidade? Independente do quanto podemos sentir que nossa vida &eacute; &quot;feliz&quot;, se ela estiver baseada num eu, n&atilde;o podemos ter uma resolu&ccedil;&atilde;o flnal. Por que n&atilde;o pode haver uma resolu&ccedil;&atilde;o final para uma vida que se baseia num eu? Porque tal vida est&aacute; fundamentada numa premissa falsa, a de que <i>somos <\/i>um eu. Sem exce&ccedil;&atilde;o, todos n&oacute;s acreditamos nisso. Toda pr&aacute;tica que interrompa a adapta&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria do eu &eacute;, em &uacute;ltima an&aacute;lise, insatisfat&oacute;ria.<\/p>\n<p>Compreender a pr&oacute;pria natureza como n&atilde;o-eu \u2014 um Buda \u2014 &eacute; fruto do <i>zazen <\/i>e do caminho da pr&aacute;tica. A coisa importante (j&aacute; que essa &eacute; a &uacute;nica realmente satisfat&oacute;ria) &eacute; seguir esse caminho. Enquanto nos debatemos com a quest&atilde;o de nossa verdadeira natureza \u2014 eu ou n&atilde;o-eu \u2014a base toda de nossa vida precisa mudar. Para travar de modo adequado essa batalha, todo sentimento, todo prop&oacute;sito, toda orienta&ccedil;&atilde;o da vida devem ser transformados. Quais poderiam ser os passos dessa pr&aacute;tica?<\/p>\n<p>O primeiro, como j&aacute; mencionei, &eacute; a sa&iacute;da da relativa infelicidade para a relativa felicidade. Na melhor das hip&oacute;teses, &eacute; um feito inst&aacute;vel, que facilmente se perde. Mas devemos ter um certo n&iacute;vel de felicidade relativa e de estabilidade para nos envolvermos com uma pr&aacute;tica s&eacute;ria. Ent&atilde;o, podemos estar em condi&ccedil;&otilde;es de tentar o est&aacute;gio seguinte: filtrar com intelig&ecirc;ncia e persist&ecirc;ncia as v&aacute;rias caracter&iacute;sticas da mente e do corpo atrav&eacute;s do <i>zazen. <\/i>Come&ccedil;amos a notar nossos padr&otilde;es; come&ccedil;amos a observar nossos desejos; nossas necessidades; nossos impulsos eg&oacute;icos; e come&ccedil;amos a perceber que esses padr&otilde;es, esses desejos, esses v&iacute;cios s&atilde;o o que chamamos de eu. Conforme nossa pr&aacute;tica continua, come&ccedil;amos a entender o vazio e a imperman&ecirc;ncia desses padr&otilde;es e acreditamos que podemos abandon&aacute;-los. N&atilde;o precisamos <i>tentar <\/i>abandon&aacute;-los; eles apenas se dissolvem lentamente com o tempo, pois, quando a luz da conscientiza&ccedil;&atilde;o incide no que quer que seja, diminui o falso e aumenta o verdadeiro; e nada incandesce mais essa luz do que um <i>zazen <\/i>inteligente, realizado todos os dias e nos <i>sesshins. <\/i>Com o desaparecimento de alguns desses padr&otilde;es, o n&atilde;o-eu \u2014 que est&aacute; sempre presente \u2014 pode come&ccedil;ar a manifestar-se e com ele aumentam a paz e a alegria ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Esse processo, embora f&aacute;cil de ser mencionado, &eacute; &agrave;s vezes assustador, desanimador, desencorajador; tudo aquilo que pens&aacute;vamos era n&oacute;s mesmos durante tantos anos, e est&aacute; sob ataques. Podemos sentir um medo imenso, enquanto essa transi&ccedil;&atilde;o est&aacute; acontecendo. Pode parecer encantadora enquanto falamos sobre ela, mas, ao p&ocirc;-la em pr&aacute;tica pode ser horr&iacute;vel.<\/p>\n<p>No entanto, para quem tiver paci&ecirc;ncia e determina&ccedil;&atilde;o em sua pr&aacute;tica, a alegria aumenta; a paz aumenta; aumenta a capacidade de viver de modo ben&eacute;fico e compadecido. E a vida, que talvez sofra com os caprichos das circunst&acirc;ncias externas, sutilmente se altera. Essa vida que se transforma devagar n&atilde;o &eacute;, contudo; isenta de problemas. Eles estar&atilde;o presentes. Durante um certo per&iacute;odo nossa vida pode ficar pior do que antes, &agrave; medida que pomos a nu o que antes mantivera-se encoberto. Mas, mesmo quando isso acontece, temos uma sensa&ccedil;&atilde;o de crescente sa&uacute;de interior e compreens&atilde;o, uma sensa&ccedil;&atilde;o de satisfa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica.<\/p>\n<p>Para manter a pr&aacute;tica atrav&eacute;s de dificuldades graves, devemos ter paci&ecirc;ncia, persist&ecirc;ncia e coragem. Por qu&ecirc;? Por causa de nosso costumeiro modo de viver em busca de felicidade, esfor&ccedil;ando-nos para satisfazer desejos, e lutando para evitar dores mentais e f&iacute;sicas; a pr&aacute;tica determinada &eacute; sempre solapada. Aprendemos na boca do est&ocirc;mago e n&atilde;o s&oacute; com nosso c&eacute;rebro que uma vida de alegria n&atilde;o est&aacute; na busca da felicidade e, sim, no experimentar e simplesmente <i>ser <\/i>as circunst&acirc;ncias de nossa vida, tais como s&atilde;o; n&atilde;o em satisfazer desejos pessoais, mas em satisfazer as necessidades da vida; n&atilde;o em evitar a dor, mas em s&ecirc;-la quando necess&aacute;rio. &Eacute; tarefa grande demais? Dif&iacute;cil demais? Pelo contr&aacute;rio, &eacute; o caminho mais f&aacute;cil.<\/p>\n<p>Uma vez que s&oacute; podemos viver nossa vida atrav&eacute;s de nossa mente e corpo, n&atilde;o h&aacute; quem n&atilde;o seja um ser psicol&oacute;gico. Temos pensamentos, esperan&ccedil;as, podemos ser feridos ou ficar aborrecidos. Por&eacute;m, a solu&ccedil;&atilde;o real deve vir de uma dimens&atilde;o que seja radicalmente diferente da dimens&atilde;o psicol&oacute;gica. A pr&aacute;tica do desapego, o crescimento do n&atilde;o-eu, &eacute; a chave do entendimento. Por fim, compreendemos que n&atilde;o h&aacute; caminho, n&atilde;o h&aacute; meio, n&atilde;o h&aacute; solu&ccedil;&atilde;o; porque, desde o come&ccedil;o, nossa natureza &eacute; o caminho, o meio, bem aqui e agora. Porque n&atilde;o h&aacute; caminho, nossa pr&aacute;tica &eacute; seguir infindavelmente esse n&atilde;o-caminho, sem se importar com nenhuma recompensa. Porque o n&atilde;o-eu &eacute; tudo, n&atilde;o necessita de recompensa; desde o n&atilde;o-in&iacute;cio &eacute; em si mesmo a realiza&ccedil;&atilde;o completa.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A recompensa da pr&aacute;tica Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; Estamos sempre tentando levar nossa vida da infelicidade para a felicidade. Ou, poder&iacute;amos dizer, desejamos nos mudar de uma vida de lutas para uma de alegria. 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