{"id":4979,"date":"2018-06-11T14:41:27","date_gmt":"2018-06-11T16:41:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=4979"},"modified":"2018-06-11T14:55:14","modified_gmt":"2018-06-11T16:55:14","slug":"sem-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sem-esperanca\/","title":{"rendered":"Sem esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sem-esperanca\/sem-esperanca-2\/\" rel=\"attachment wp-att-4981\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Sem-esperan\u00e7a.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"225\" class=\"alignleft size-full wp-image-4981\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Sem-esperan\u00e7a.jpg 225w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Sem-esperan\u00e7a-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Sem-esperan\u00e7a-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Sem esperan&ccedil;a<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"default.asp?menu=53\" class=\"broken_link\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/i><\/div>\n<hr \/>\n<p>H&aacute; poucos dias fui informada que um amigo se suicidara, algu&eacute;m que eu n&atilde;o via h&aacute; muitos anos. J&aacute; naquela ocasi&atilde;o o suic&iacute;dio era tudo que ele conseguia mencionar e, por isso, n&atilde;o me espantei com a not&iacute;cia. N&atilde;o que para mim a morte seja uma trag&eacute;dia. Todos morremos; essa n&atilde;o &eacute; a trag&eacute;dia. Talvez nada seja uma trag&eacute;dia, mas penso que podemos afirmar que viver sem apreciar a vida &eacute;, pelo menos, uma pena.<\/p>\n<p>&Eacute; uma oportunidade preciosa a que temos, estarmos vivos como seres humanos. Tem sido dito que a chance de ter um vida humana &eacute; algo como ser escolhido como um gr&atilde;o de areia dentre todos os gr&atilde;os de uma praia.<\/p>\n<p>&Eacute; uma rara oportunidade e, no entanto, de algum modo, como no caso do meu amigo, acontece algum erro. Parte desse erro est&aacute; presente em todos n&oacute;s, na medida em que n&atilde;o damos o justo valor ao mero fato de estarmos vivos.<\/p>\n<p>Hoje, portanto, quero falar a respeito de n&atilde;o ter esperan&ccedil;a. Parece terr&iacute;vel, n&atilde;o &eacute;? Mas, na verdade, n&atilde;o &eacute; nenhum pouco terr&iacute;vel. Uma vida vivida sem esperan&ccedil;a &eacute; pac&iacute;fica, alegre e compadecida. Enquanto nos identificarmos com esta mente e este corpo \u2014 e todos fazem isso \u2014esperaremos que aconte&ccedil;am coisas que, em nossa opini&atilde;o, tomar&atilde;o conta de nosso corpo e de nossa mente. Esperamos ter sucesso. Esperamos ter sa&uacute;de. Esperamos alcan&ccedil;ar a ilumina&ccedil;&atilde;o. H&aacute; todo tipo de coisa que esperamos nos aconte&ccedil;a; e, evidentemente, toda forma de esperan&ccedil;a consiste em dimensionar o passado e projet&aacute;-lo no futuro.<\/p>\n<p>A pessoa que j&aacute; praticou o sentar, seja qual for o per&iacute;odo que durou sua pr&aacute;tica, sabe que n&atilde;o existe passado ou futuro, exceto em nossa mente. N&atilde;o h&aacute; nada al&eacute;m do si-mesmo e o si-mesmo est&aacute; sempre a&iacute;, presente. N&atilde;o est&aacute; oculto. Corremos para todo lado como loucos, tentando encontrar algo chamado si-mesmo, esse maravilhoso e oculte si-mesmo. Onde ele estar&aacute; oculte? Esperamos por alguma coisa que venha tomar conta desse pequenino si-mesmo porque n&atilde;o nos damos conta de que j&aacute; somos si-mesmo. Nada h&aacute; a nossa volta que n&atilde;o seja si-mesmo. O que estamos procurando?<\/p>\n<p>H&aacute; poucos dias um aluno me emprestou um livro que continha um texto de D&otilde;gen Zenji chamado Tenzo Ky&otilde;kun. S&atilde;o suas id&eacute;ias do que um tenzo \u2014 o cozinheiro-chefe \u2014deve ser: quais as qualidades e a vida que um tenzo, a seu ver, deve ter.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do D&otilde;gen Zenji, o tenzo deve ser um dos mais maduros e meticulosos alunos do monast&eacute;rio. Se sua pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; aquela que um tenzo deve ter, ent&atilde;o, segundo o D&otilde;gen Zenji, a vida de todo o monast&eacute;rio sofre. &Eacute; claro que o autor, ao descrever essas qualidades desej&aacute;veis no tenzo al&eacute;m das instru&ccedil;&otilde;es de como ele deve proceder em seu trabalho, n&atilde;o est&aacute; apenas se referindo a ele. Est&aacute; se pronunciando sobre a vida de todo e qualquer estudioso do zen, de qualquer bodhisattva. Por isso &eacute; uma leitura muito instrutiva e pertinente.<\/p>\n<p>O que &eacute; que descobrimos, ent&atilde;o, enquanto ele descreve a vida de um tenzo iluminado? Alguma vis&atilde;o m&iacute;stica? Algum estado de vertiginosa entrega? Absolutamente n&atilde;o. H&aacute; muitos par&aacute;grafos sobre como separar a areia do arroz ou o arroz da areia. Explica&ccedil;&otilde;es muito, muito detalhadas. N&atilde;o h&aacute; nada na administra&ccedil;&atilde;o da cozinha que D&otilde;gen Zenji tenha deixado de fora. Ele escreve sobre onde colocar as conchas, como pendur&aacute;-las etc.<\/p>\n<p>Quero mostrar-lhes um par&aacute;grafo: &quot;A seguir, voc&ecirc; n&atilde;o deve, descuidadamente, jogar fora a &aacute;gua que restou depois da lavagem do arroz. Antigamente, empregava-se um saco de pano para filtr&aacute;-la antes de jog&aacute;-la fora. Depois de terminar a lavagem do arroz, coloque-o na panela. Tome muito cuidado para que um camundongo n&atilde;o caia por acidente l&aacute; dentro. Em nenhuma circunst&acirc;ncia permita que algu&eacute;m que, por acaso, estiver passando pela cozinha ponha o dedo na panela ou olhe l&aacute; dentro&quot;<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p>O que D&otilde;gen Zenji est&aacute; nos dizendo? Ele n&atilde;o escreveu isso apenas para o tenzo. O que podemos todos n&oacute;s aprender?<\/p>\n<p>Com seu texto, D&otilde;gen Zenji est&aacute; repetindo uma famosa hist&oacute;ria. Se a entendermos, entenderemos na realidade o que &eacute; a pr&aacute;tica zen. Quando jovem, ele se dirigiu &agrave; China para visitar monast&eacute;rios, desejando praticar e estudar. Certo dia, num deles, numa tarde de junho que estava especialmente quente, ele viu o mais idoso dos tenzo trabalhando do lado de fora da cozinha. Ele estava espalhando cogumelos para que secassem sobre uma esteira de palha.<\/p>\n<p>Estava usando uma vara de bambu e n&atilde;o tinha chap&eacute;u na cabe&ccedil;a. Os raios do sol estavam t&atilde;o fortes que os ladrilhos do caminho queimavam os p&eacute;s. (Ele) trabalhava sem parar e estava coberto de suor. N&atilde;o pude evitar de sentir que aquele era um trabalho demasiado &aacute;rduo para ele. Suas costas estavam curvadas num arco teso e suas longas sobrancelhas eram inteiramente brancas.<br \/>\nAproximei-me e perguntei sua idade. Ele respondeu que tinha 68 anos. A seguir perguntei-lhe por que n&atilde;o usava um assistente.<br \/>\nEle respondeu: &quot;Os outros n&atilde;o s&atilde;o eu&#8221;.<br \/>\n&quot;O senhor tem raz&atilde;o&quot;, ponderei, &quot;posso ver que seu trabalho &eacute; a atividade do Budadharma, mas por que est&aacute; trabalhando tanto, sob um sol t&atilde;o abrasador?&quot;.<br \/>\nEle respondeu: &quot;Se eu n&atilde;o o fizer agora, quando mais poderei faz&ecirc;-lo?&quot;.<br \/>\nN&atilde;o havia mais nada que eu pudesse dizer. Enquanto continuava atravessando aquela passagem, comecei a sentir profundamente o significado do papel do tenzo&quot;.<\/p>\n<p>O tenso vetusto salientou: &quot;Os outros n&atilde;o s&atilde;o eu&quot;. Consideremos este depoimento. O que ele est&aacute; dizendo &eacute; que sua vida &eacute; absoluta. Ningu&eacute;m pode viv&ecirc;-la em seu lugar. Ningu&eacute;m mais pode senti-la. Ningu&eacute;m pode ofert&aacute;-la a ele. Meu trabalho, meu sofrimento, minha alegria s&atilde;o absolutos. N&atilde;o h&aacute; meios, por exemplo, de voc&ecirc;s sentirem a dor no dedo do meu p&eacute;, ou de eu sentir a dor no p&eacute; de voc&ecirc;s. N&atilde;o h&aacute; como. Voc&ecirc;s n&atilde;o podem engolir por mim. N&atilde;o podem dormir por mim. A&iacute; est&aacute; o paradoxo: quando me aproprio inteiramente da dor, da alegria, da responsabilidade pela minha vida \u2014 quando enxergo com clareza este ponto \u2014 ent&atilde;o estou livre. N&atilde;o tenho esperan&ccedil;as. N&atilde;o tenho necessidade de mais nada.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, costumamos viver em v&atilde;o, na esperan&ccedil;a de que alguma coisa ou algu&eacute;m fa&ccedil;a nossa vida ficar mais f&aacute;cil, mais agrad&aacute;vel. Gastamos quase todo o nosso tempo tentando dispor a vida de tal sorte que a vontade venha a se tornar realidade. Quando, pelo contr&aacute;rio, a alegria de nossa vida est&aacute; em fazer totalmente, e suportar, apenas, o que deve ser suportado, em fazer s&oacute; o que tem de ser feito. N&atilde;o &eacute; nem o que tem de ser feito: est&aacute; ali para ser feito, ent&atilde;o o fazemos.<\/p>\n<p>D&otilde;gen Zenji fala do si-mesmo que se instala naturalmente no si-mesmo. O que ele deseja dizer com isso? Que apenas a pessoa pode vivenciar a pr&oacute;pria dor, a pr&oacute;pria alegria. Se uma impress&atilde;o que chega at&eacute; sua vida n&atilde;o &eacute; recebida, naquele instante voc&ecirc; morreu um pouquinho. Ningu&eacute;m vive completamente assim, mas ainda n&atilde;o &eacute; preciso que percamos 90% das experi&ecirc;ncias de nossa vida.<\/p>\n<p> &quot;Se eu n&atilde;o o fizer agora, quando &eacute; que poderei faz&ecirc;-lo?&quot; S&oacute; eu mesmo posso tomar de mim todo o dia, da manh&atilde; &agrave; noite. S&oacute; eu posso receber vida. &Eacute; esse contato, segundo a segundo, que constitui o tema sobre o qual D&ocirc;gen Zenji se pronuncia quando descreve o dia do tenso. Atentem para isso, para aquilo e para aquilo outro. N&atilde;o &eacute; s&oacute; lavar o arroz, mas faz&ecirc;-lo com cuidado, gr&atilde;o por gr&atilde;o. N&atilde;o &eacute; apenas jogar a &aacute;gua fora. Cada bocado de alimento. Cada palavra que pronuncio. Cada palavra que voc&ecirc;s pronunciam. Cada encontro, cada segundo. &Eacute; isso. N&atilde;o cantarolar distra&iacute;do, com a mente em outra parte. N&atilde;o fazer pela metade a limpeza da lou&ccedil;a, nem qualquer outra coisa.<\/p>\n<p>Lembro-me de uma &eacute;poca em que eu costumava devanear literalmente durante quatro a cinco horas todos os dias. Agora vejo com tristeza muitas pessoas desperdi&ccedil;ando a pr&oacute;pria vida em devaneios. Por vezes &eacute; um sonho como o parceiro ou a parceira ideal; ficam sonhando o tempo todo. Mas quando nossa vida est&aacute; nos sonhos e nas esperan&ccedil;as, ent&atilde;o o que a vida pode nos oferecer \u2014 aquele homem ou aquela mulher logo ali &agrave; nossa frente, comuns, sem encantos especiais \u2014 essas maravilhas da vida, escapam-nos porque estamos na esperan&ccedil;a de alguma coisa muito especial, de algum ideal. O que D&otilde;gen Zenji est&aacute; nos alertando &eacute; que a pr&aacute;tica real n&atilde;o tem nada que ver com isso.<\/p>\n<p>Estamos novamente dizendo que o zazen, que o sentar, &eacute; a ilumina&ccedil;&atilde;o. Por qu&ecirc;? Porque um segundo ap&oacute;s o outro, enquanto estamos na pr&aacute;tica, &eacute; s&oacute; isso. O vetusto tenso espalhando algas: eis uma vida apaixonada, pass&aacute;-la preparando comida para os outros. Na realidade, todos n&oacute;s estamos o tempo todo preparando alimento para os outros. Esse &quot;alimento&quot; pode ser datilografar, fazer exerc&iacute;cios de matem&aacute;tica ou f&iacute;sica, tomar conta de nossos filhos. Entretanto, levamos nossa vida com essa atitude de considera&ccedil;&atilde;o por nosso trabalho? Ou estamos sempre esperando que &quot;em algum lugar tenha de haver mais do que isto&quot;? Sim, estamos todos nessa expectativa.<\/p>\n<p>N&oacute;s n&atilde;o s&oacute; esperamos, como na realidade entregamos nossa vida a essa esperan&ccedil;a, a esses pensamentos e a essas fantasias em v&atilde;o. Quando eles n&atilde;o &quot;produzem&quot; para n&oacute;s os resultados, ficamos ansiosos e at&eacute; mesmo desesperados.<\/p>\n<p>Um de meus alunos contou-me uma boa hist&oacute;ria faz pouco tempo. Trata-se de um homem que estava sentado no telhado porque uma enchente invadia sua aldeia. A &aacute;gua j&aacute; estava no n&iacute;vel do telhado quando vieram salv&aacute;-lo num bote a remo. A equipe esfor&ccedil;ou-se muito para conseguir chegar at&eacute; ele e quando finalmente conseguiram, gritaram para que descesse e entrasse no bote. Ele respondeu: &quot;N&atilde;o, n&atilde;o. Deus vir&aacute; salvar-me&quot;. A &aacute;gua continuava elevando-se, cada vez mais e ele subia cada vez mais para o topo do telhado. A &aacute;gua estava muito turbulenta, mas um outro bote ainda conseguiu aproximar-se dele. De novo suplicaram-lhe que entrasse no bote para se salvar. E mais uma vez ele respondeu: &quot;N&atilde;o, n&atilde;o, n&atilde;o. Deus ir&aacute; salvar-me. Estou rezando. Deus ir&aacute; salvar-me!&quot;. Enfim quando a &aacute;gua j&aacute; estava praticamente cobrindo-o todo, s&oacute; sua cabe&ccedil;a estava de fora. Veio um helic&oacute;ptero, que pairou exatamente sobre ele. Chamaram-no: &quot;Venha logo. Essa &eacute; sua &uacute;ltima oportunidade! Suba!&quot;. Ele ainda comentou: &quot;N&atilde;o, n&atilde;o, n&atilde;o. Deus ir&aacute; salvar-me!&quot;. Por fim sua cabe&ccedil;a submergiu e ele se afogou. Quando chegou ao c&eacute;u, queixou-se a Deus: &quot;Deus, por que Voc&ecirc; n&atilde;o me salvou?&quot;. Deus disse: &quot;Mas Eu tentei: mandei dois botes a remo e um helic&oacute;ptero&quot;.<\/p>\n<p>Passamos muito tempo procurando uma coisa chamada verdade. E ela n&atilde;o existe, exceto em cada segundo, em cada atividade de nossa vida. Contudo, nossa v&atilde; esperan&ccedil;a por um lugar de descanso em algum lugar faz com que ignoremos e desconsideremos aquilo que temos bem &agrave; nossa frente. Por isso, nos sesshins, no zazen, o que significa n&atilde;o ter esperan&ccedil;a?<\/p>\n<p>Claro que significa fazer realmente o zazen, apenas sentar. N&atilde;o h&aacute; nada de errado com os sonhos e as fantasias. Apenas n&atilde;o se apeguem a eles; considerem como s&atilde;o irreais e afastem-se. Permane&ccedil;am com a &uacute;nica coisa que &eacute; real: a viv&ecirc;ncia da respira&ccedil;&atilde;o, do corpo e do meio imediato.<\/p>\n<p>No entanto, ningu&eacute;m quer abandonar a esperan&ccedil;a. Para ser honesta, ningu&eacute;m ir&aacute; abandon&aacute;-la de uma vez e pronto. Mas podemos ter per&iacute;odos nos quais, durante algumas horas ou minutos, existe s&oacute; o que est&aacute; a&iacute;, somente o fluir. Ent&atilde;o, permanecemos mais em contato com a &uacute;nica coisa que nunca teremos, que &eacute; nossa vida.<\/p>\n<p>Portanto, se praticarmos dessa forma, qual a recompensa que teremos? Se de fato praticarmos desse jeito, tudo que temos ser&aacute; levado embora. O que obteremos em troca? A resposta &eacute; clara: nada. Contudo, n&atilde;o tenhamos expectativas e esperan&ccedil;as. N&atilde;o obteremos coisa alguma. Obteremos nossa vida, &eacute; claro, mas isso j&aacute; temos. Portanto, n&atilde;o sejamos como aquele meu amigo que n&atilde;o consegue apreciar a vida e sua pr&aacute;tica. Esta vida &eacute; o nirvana<sup>1<\/sup>. Onde pens&aacute;vamos que ela estaria?<\/p>\n<p>Lembremo-nos do velho tenzo. Se praticarmos do modo como ele espalhava as algas, ent&atilde;o seremos recompensados com esse absolutamente nada.<\/p>\n<hr \/>\n<p><\/font><font size=\"1\"><b>Notas<\/b>:<br \/>\n1.   Nirvana \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia, o desejo e o despertar da Paz e da Liberdade interiores, O termo tamb\u00e9m pode ser empregado no sentido de um retorno \u00e0 pureza origina! da natureza de Buda depois da dissolu\u00e7\u00e3o do corpo f\u00edsico. E a perfeita liberdade de um estado incondicionado.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem esperan&ccedil;a Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; H&aacute; poucos dias fui informada que um amigo se suicidara, algu&eacute;m que eu n&atilde;o via h&aacute; muitos anos. 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