{"id":4999,"date":"2018-06-11T18:56:22","date_gmt":"2018-06-11T20:56:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=4999"},"modified":"2018-06-11T18:58:03","modified_gmt":"2018-06-11T20:58:03","slug":"vivenciar-e-comportamento","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/vivenciar-e-comportamento\/","title":{"rendered":"Vivenciar e comportamento"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/vivenciar-e-comportamento\/vivenciar-e-comportamento-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5001\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Vivenciar-e-comportamento-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5001\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Vivenciar-e-comportamento-300x224.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Vivenciar-e-comportamento-768x575.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Vivenciar-e-comportamento-401x300.jpg 401w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Vivenciar-e-comportamento.jpg 993w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Vivenciar e comportamento<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"default.asp?menu=53\" class=\"broken_link\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/div>\n<hr \/>\n<p>Por vivenciar quero dizer aquele primeiro instante em que recebemos a vida, antes que a mente desperte. Por exemplo: antes que eu pense: &quot;Olha uma camisa vermelha&quot;, existe apenas o ver. Podemos falar tamb&eacute;m de s&oacute; ouvir, s&oacute; tocar, s&oacute; saborear, s&oacute; pensar. Isso &eacute; o absoluto; podemos cham&aacute;-lo Deus, natureza Buda, o que voc&ecirc;s quiserem. Essa experi&ecirc;ncia, filtrada por meu mecanismo humano particular, cria meu mundo. N&atilde;o podemos apontar coisa alguma no mundo, tanto dentro como fora de n&oacute;s, que n&atilde;o seja o vivenciar. Mas n&atilde;o ter&iacute;amos aquilo a que chamamos vida humana, a menos que esse vivenciar fosse transformado em comportamento. Por comportamento entendo o modo como algo se faz. Por exemplo, como ser humano voc&ecirc; faz si mesmo; voc&ecirc; senta, anda, come, fala. Neste sentido, at&eacute; tapetes t&ecirc;m comportamento: o comportamento do tapete &eacute; ficar apenas estendido. (Se o observ&aacute;ssemos com um microsc&oacute;pio bastante potente, ver&iacute;amos que ele n&atilde;o &eacute; absolutamente inerte. &Eacute; um mar de energia que se move com uma velocidade assombrosa.)<\/p>\n<p>Portanto, podemos distinguir o emergente \u2014 que &eacute; Deus, a natureza Buda, o absoluto, aquilo que simplesmente &eacute; \u2014 do mundo, que se forma de modo instant&acirc;neo, o outro lado do emergente. Na verdade, os dois lados s&atilde;o um s&oacute;: o emergente e o que chamamos de mundo n&atilde;o s&atilde;o diferentes. Se na realidade conseguirmos entender isso, nunca mais teremos problemas na vida, porque fica evidente que n&atilde;o existe nem passado nem futuro, e observamos que tudo aquilo com o que nos preocupamos &eacute; pura bobagem.<\/p>\n<p>Em geral, s&oacute; temos uma vaga no&ccedil;&atilde;o consciente de nosso experimentar. Mas sabemos com uma certa imprecis&atilde;o que, de um jeito ou de outro, nosso comportamento e nossas viv&ecirc;ncias se interligam. Se estou com dor de cabe&ccedil;a e me comporto de modo irritado, talvez percebo que existe uma liga&ccedil;&atilde;o entre a cabe&ccedil;a latejante e meu comportamento irritadi&ccedil;o. Por isso, embora n&atilde;o estejamos plenamente conscientes de nossa pr&oacute;pria viv&ecirc;ncia, pelo menos n&atilde;o nos vemos t&atilde;o distanciados de nossa experi&ecirc;ncia. Por&eacute;m, se as outras pessoas est&atilde;o irritadas, &eacute; poss&iacute;vel que separemos o comportamento que est&atilde;o apresentando de suas experi&ecirc;ncias. N&atilde;o podemos senti-las; e, por isso, julgamos sua conduta. Se pensamos: &quot;Ela n&atilde;o deveria ser t&atilde;o arrogante&quot;, s&oacute; enxergamos seu comportamento e o julgamos porque n&atilde;o estamos cientes de sua verdade (suas experi&ecirc;ncias, suas sensa&ccedil;&otilde;es corporais de medo). Entramos no n&iacute;vel das opini&otilde;es pessoais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; arrog&acirc;ncia.<\/p>\n<p>\u2022 Comportamento &eacute; o que observamos. N&atilde;o podemos observar experi&ecirc;ncias. No momento em que temos uma observa&ccedil;&atilde;o a respeito de um evento, ele &eacute; passado; a experi&ecirc;ncia nunca est&aacute; no passado. Por isso &eacute; que os sidras dizem que n&atilde;o podemos toc&aacute;-la, v&ecirc;-la, ouvi-la, pensar a respeito dela, porque no minuto em que tentarmos fazer isso, o tempo e a separa&ccedil;&atilde;o ter&atilde;o se instaurado (nosso mundo fenom&ecirc;nico). Quando observo meu bra&ccedil;o levantando-se, ele n&atilde;o &eacute; eu. Quando observo meus pensamentos, eles n&atilde;o s&atilde;o eu. Ao pensar &quot;Este sou eu&quot;, tento proteger esse &quot;eu&quot;. Ali&aacute;s, tudo o que eu observar a meu respeito (mesmo que seja um fen&ocirc;meno interessante com o qual eu esteja intimamente associado) n&atilde;o &eacute; eu. Esse &eacute; o meu comportamento, o mundo fenom&ecirc;nico; quem eu sou est&aacute; apenas vivenciando a si, para sempre desconhecido. No momento em que o denomino, ele se vai.<\/p>\n<p>Contudo, comportamento e viv&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o fundamentalmente distantes. Quando vivencio voc&ecirc; (v&ecirc;-lo, toc&aacute;-lo, ouvi-lo), voc&ecirc; &eacute; meu vivenciar s&oacute; isso. Mas a tend&ecirc;ncia humana &eacute; n&atilde;o parar a&iacute;; em vez de voc&ecirc; ser apenas minha experi&ecirc;ncia daquele momento, a ela acrescento minhas opini&otilde;es sobre o que parece que voc&ecirc; est&aacute; fazendo; nesse instante, separei-me de voc&ecirc;. Quando o mundo parece algo separado, penso que tenha de ser examinado, analisado e julgado, Ao vivermos dessa maneira, em vez de a partir do experimentar em si, estamos numa grande confus&atilde;o. Temos de ter mem&oacute;ria, temos de ter conceitos; mas se n&atilde;o entendermos sua natureza, se n&atilde;o os usarmos de maneira adequada, criamos o caos.<\/p>\n<p>Tal como n&oacute;s, outros indiv&iacute;duos est&atilde;o simplesmente experimentando o que parece ser comportamento. No entanto, consideramos suas experi&ecirc;ncias como comportamento. S&oacute; enxergamos o comportamento deles, e n&atilde;o temos consci&ecirc;ncia de suas experi&ecirc;ncias. Na verdade, o vivenciar &eacute; universal porque &eacute; isso que somos. Quando pudermos enxergar a tolice de nossa vincula&ccedil;&atilde;o aos pensamentos e &agrave;s opini&otilde;es, e aumentarmos o tempo que vivemos experimentando, seremos mais capazes de sentir a verdadeira vida \u2014 o verdadeiro vivenciar \u2014 de uma outra pessoa. <\/p>\n<p>Quando temos uma vida que n&atilde;o &eacute; dominada por opini&otilde;es pessoais, mas, ao contr&aacute;rio, &eacute; um puro vivenciar, ent&atilde;o come&ccedil;amos a nos importar com todos, conosco e com os outros. N&atilde;o poderemos mais ent&atilde;o considerar os outros como objetos, como macacos comportamentais que n&atilde;o passam de seus comportamentos.<\/p>\n<p>A pr&aacute;tica consiste em retornarmos ao puro vivenciar. Disso emergir&atilde;o um pensamento e uma a&ccedil;&atilde;o muito adequados. O mais comum, no entanto, &eacute; sermos incapazes de faz&ecirc;-lo e, em lugar de tal atitude, devemos agir de conformidade com os pensamentos e as opini&otilde;es que rodopiam em nossa cabe&ccedil;a, isto &eacute;, levando-nos para tr&aacute;s.<\/p>\n<p>Quase sempre vemos as outras pessoas como mero comportamento. N&atilde;o estamos interessados no fato de seu comportamento n&atilde;o poder separar-se de seu vivenciar. Conosco, conseguimos essa percep&ccedil;&atilde;o em certa medida, por&eacute;m n&atilde;o totalmente. No zazen, vemos que apenas uma fra&ccedil;&atilde;o de n&oacute;s mesmos nos &eacute; conhecida e, conforme essa capacidade de vivenciar for aumentando, nossas a&ccedil;&otilde;es ir&atilde;o transformar-se; come&ccedil;ar&atilde;o a vir n&atilde;o s&oacute; tanto de nossos condicionamentos e recorda&ccedil;&otilde;es como da pr&oacute;pria vida tal e qual ela &eacute;, neste instante.<\/p>\n<p>Essa &eacute; a verdadeira compaix&atilde;o. Quanto mais vivermos como nosso vivenciar mais veremos que, apesar de termos um corpo e uma mente que se comportam de determinadas maneiras, existe algo (uma n&atilde;o-coisa) em que corpo e mente est&atilde;o contidos. Intu&iacute;mos que todos se encontram numa situa&ccedil;&atilde;o semelhante. Embora o comportamento de outra pessoa possa ser irrespons&aacute;vel e talvez nos oponhamos de maneira firme &agrave; sua conduta, somos \u2014 n&oacute;s e o outro \u2014 intrinsecamente o mesmo. S&oacute; na propor&ccedil;&atilde;o em que tivermos uma vida composta por experi&ecirc;ncias &eacute; que teremos possibilidade de compreender a vida do outro. A compaix&atilde;o n&atilde;o &eacute; nem uma id&eacute;ia, nem um ideal; &eacute; um espa&ccedil;o informe e todo-poderoso que, com o zazen, cresce cada vez mais.<\/p>\n<p>Esse espa&ccedil;o est&aacute; sempre presente. N&atilde;o &eacute; algo que tenhamos de buscar, ou tentar obter. &Eacute; sempre o que somos, porque &eacute; nosso experimentar. N&atilde;o podemos ser outra coisa al&eacute;m disso, mas podemos encobrir essa verdade com nossa ignor&acirc;ncia. N&atilde;o temos de &quot;encontra?\u2019 nada; por esse motivo foi que Buda disse que, depois de quarenta anos ele n&atilde;o tinha alcan&ccedil;ado nada, O que h&aacute; para ser alcan&ccedil;ado? O que est&aacute; sempre aqui.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><font><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivenciar e comportamento Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; Por vivenciar quero dizer aquele primeiro instante em que recebemos a vida, antes que a mente desperte. 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