{"id":503,"date":"2013-02-12T12:51:40","date_gmt":"2013-02-12T14:51:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=503"},"modified":"2018-02-10T18:22:25","modified_gmt":"2018-02-10T20:22:25","slug":"batalha-zen","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/batalha-zen\/","title":{"rendered":"Batalha Zen"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: right;\"><strong>Thich Nhat Hanh<\/strong><\/div>\n<\/p>\n<div style=\"text-align:justify\"><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1301\" rel=\"attachment wp-att-1301\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/ocidente2.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"194\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1301\" \/><\/a><\/p>\n<p><b>Coment\u00e1rio 1<\/b><br \/>\nO Prefeito Wang vinha com freq\u00fc\u00eancia estudar a Sen\u00adda com o Mestre Linji, trazendo consigo outros pol\u00edticos, intelectuais ou conselheiros. Ele convidava o mestre zen a ascender \u00e0 cadeira do <i>Darma,<\/i> isto \u00e9, convidava-o a dar um ensinamento. Podeis imaginar isto. Todos os monges permaneciam de p\u00e9, enquanto o prefeito e seus acompa\u00adnhantes se sentavam. Assim se fazia ent\u00e3o; somente os h\u00f3spedes ilustres eram autorizados a tomar assento.<\/p>\n<p>Depois de subir, o mestre dizia: \u201cHoje, embora\u00a0contra\u00a0a minha vontade, eu segui o costume e tomei assento aqui em cima\u201d. Com isso ele estava dizendo: \u201cN\u00e3o quero faz\u00ea-lo, n\u00e3o quero subir ao trono do <i>Darma<\/i> e\u00a0desempenhar\u00a0o papel de um mestre zen. N\u00e3o gosto disso. Mas\u00a0estas\u00a0pessoas esperam que o fa\u00e7a, portanto devo faz\u00ea-lo\u201d.<\/p>\n<p>Por que o Mestre Linji n\u00e3o queria dar uma prele\u00e7\u00e3o sobre o <i>Darma?<\/i> Talvez achasse que n\u00e3o podia satisfazer as expectativas dos presentes. N\u00e3o que ele n\u00e3o tivesse a capacidade ou intelig\u00eancia para isso, mas sabia que o prefeito e seus acompanhantes estavam esperando coisas que ele n\u00e3o podia dar-lhes. Eles queriam conhecimento\u00a0sobre\u00a0o <i>Budadarma,<\/i> como alcan\u00e7ar a ilumina\u00e7\u00e3o. E o mestre sabia que por mais que eles estudassem e escutassem seu ensinamento, este n\u00e3o poderia transformar suas afli\u00e7\u00f5es \u2013 sua \u00e2nsia, sua ira e seu \u00f3dio. Logo, proporcionar-lhes mais conhecimento n\u00e3o era algo que ele quisesse fazer.<\/p>\n<p>O Mestre Linji concordou em subir ao assento e ensi\u00adnar, mas n\u00e3o da maneira que os presentes esperavam. Ele n\u00e3o queria satisfazer as expectativas deles, pois sabia que isso seria in\u00fatil. Portanto, n\u00e3o falou formalmente sobre a grande realiza\u00e7\u00e3o da escola zen. Sabia que o que o p\u00fablico procurava n\u00e3o podia ser alcan\u00e7ado mediante palavras e conceitos. Se oferecesse conhecimento quando o que se\u00a0esperava\u00a0era conhecimento, ele sairia do dom\u00ednio do mestre zen, do \u201cbom amigo espiritual\u201d. O <i>Darma<\/i> n\u00e3o \u00e9 um tema de confer\u00eancia. Se o que se quer \u00e9 adquirir conhecimento com palestras e livros, basta ir a uma universidade ou a um instituto budista e obter um doutorado em estudos bu\u00addistas. Mas n\u00e3o \u00e9 isto o que oferecemos no templo, no\u00a0centro\u00a0de pr\u00e1tica. O <i>Darma<\/i> \u00e9 quest\u00e3o de respirar, caminhar, comer e viver cada momento em paz e alegria. Mestre Lin-ji sabia que se abrisse a boca para falar, suas palavras n\u00e3o ajudariam. Logo, tudo o que podia fazer era sentar-se ali e sorrir. Mas se continuasse assim, eles n\u00e3o saberiam onde achar uma base s\u00f3lida, e o prefeito j\u00e1 fizera seu pedido\u00a0tantas\u00a0vezes! Como poderia o mestre ficar sem falar?<\/p>\n<p>Ele perguntou se havia algum guerreiro disposto a entrar no campo de batalha e iniciar uma batalha zen, um di\u00e1logo entre mestre e aluno. Talvez desse confronto surgisse uma fa\u00edsca capaz de acender e queimar o v\u00e9u da ignor\u00e2ncia em nossos cora\u00e7\u00f5es. Tratar-se-ia de uma exi\u00adbi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a entre mestre e aluno. Talvez houvesse des\u00adtrui\u00e7\u00e3o. Talvez ambos sa\u00edssem vitoriosos.<\/p>\n<p>Um monge muito corajoso deu um passo \u00e0 frente e perguntou: \u201cQual \u00e9 o principal significado do Budadar\u00adma?\u201d Ele quis saber qual \u00e9 a ess\u00eancia, o cora\u00e7\u00e3o, a nata dos ensinamentos do Buda. Talvez este monge tenha\u00a0estudado\u00a0budismo durante muitos anos e pudesse\u00a0ministrar\u00a0belas prele\u00e7\u00f5es sobre a ess\u00eancia do <i>Budadarma,<\/i> mas ele ainda estava confuso e n\u00e3o conhecia a real ess\u00eancia do budismo. Quem \u00e9 esse monge? Tu \u00e9s esse monge?<\/p>\n<p>Qualquer praticante do zen que saiba um pouco de budismo poderia responder \u00e0 pergunta do monge.\u00a0Poder\u00edamos\u00a0dizer que o budismo \u00e9 um modo de ajudar-nos a viver com consci\u00eancia, paz e alegria no momento atual. Isto nos ajuda a ter concentra\u00e7\u00e3o, vis\u00e3o interior, a capacidade de estar em contato profundo e de compreender a\u00a0natureza\u00a0de n\u00e3o nascimento e n\u00e3o morte da realidade. Destarte, n\u00f3s podemos superar a dor, o medo e a ang\u00fastia.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos dizer isso tudo e seria correto. Mas seria\u00a0ben\u00e9fico\u00a0para algu\u00e9m? Ser\u00e1 que a pessoa para quem estamos falando poder\u00e1 realmente p\u00f4r isso em pr\u00e1tica quando sair da Sala do <i>Darma?<\/i> \u00c0s vezes centramos todo nosso\u00a0empenho\u00a0em responder uma pergunta e, mesmo sendo evidente que a outra pessoa escutou, ela recebeu a resposta apenas como uma\u00a0ideia\u00a0e n\u00e3o entendeu realmente. Pusemos todo o nosso empenho para tentar apresentar alguma quest\u00e3o, mas essa pessoa n\u00e3o entendeu nem um pouquinho. E\u00a0quando\u00a0algu\u00e9m se levanta para fazer outra pergunta, sentimos uma esp\u00e9cie de desespero: sentimos que fracassamos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, podemos compreender que qui\u00e7\u00e1 o Mestre Linji j\u00e1 tivesse tido o bastante deste tipo de coisa. Em resposta \u00e0 pergunta do monge, o mestre deu um grito. O grito era como uma espada a decepar a cabe\u00e7a da pergunta, a\u00a0eliminar\u00a0a nossa tend\u00eancia a procurar perguntas s\u00f3 com o intelecto e a acumular conhecimento. O grito significava muitas coisas: \u201cTu precisas realmente de outra defini\u00e7\u00e3o do budismo para compar\u00e1-la com as defini\u00e7\u00f5es que j\u00e1 tens? Isso te ajudar\u00e1? Eu n\u00e3o sou um vendedor de de\u00adfini\u00e7\u00f5es. N\u00e3o tentes comprar essas coisas de mim. N\u00e3o sou um mercador. Compreendes?\u201d Em resposta, o mon\u00adge se prostrou. N\u00e3o sabemos se ele compreendeu ou n\u00e3o. N\u00e3o sabemos como ele foi depois. Seu gesto de prostrar-\u00adse pode ter sido ilumina\u00e7\u00e3o ou pode ter sido medo; n\u00e3o temos como saber.<\/p>\n<p>Do livro:\u00a0<b>NADA FAZER, N\u00c3O IR A LUGAR ALGUM<\/b><br \/>\n<b style=\"color: #333333; font-size: 15.333333015441895px; font-style: normal; line-height: 16px; text-align: -webkit-center;\">P\u00e1gina 88<\/b><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thich Nhat Hanh Coment\u00e1rio 1 O Prefeito Wang vinha com freq\u00fc\u00eancia estudar a Sen\u00adda com o Mestre Linji, trazendo consigo outros pol\u00edticos, intelectuais ou conselheiros. 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