{"id":5042,"date":"2018-06-12T12:35:10","date_gmt":"2018-06-12T14:35:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5042"},"modified":"2018-08-17T16:05:30","modified_gmt":"2018-08-17T18:05:30","slug":"o-eu-observador","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-eu-observador\/","title":{"rendered":"O eu observador"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-eu-observador\/o-eu-observador-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5044\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-eu-observador-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5044\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-eu-observador-300x300.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-eu-observador-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-eu-observador-50x50.jpg 50w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-eu-observador.jpg 693w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>O eu observador<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sempre-zen\/\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/div>\n<hr \/>\n<p>&quot;Quem est&aacute; a&iacute;?&quot;, pergunta Deus. &quot;Sou eu.&quot;<br \/>\n&quot;V&aacute; embora&quot;, diz Deus&#8230; Mais tarde&#8230;<br \/>\n&quot;Quem est&aacute; a&iacute;?&quot;, pergunta Deus. &quot;V&oacute;s.&quot;<br \/>\n&quot;Entra&quot;, responde Deus.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Aquilo que costumamos pensar que &eacute; o eu tem muitos aspectos. H&aacute; o eu que pensa, o que tem emo&ccedil;&otilde;es, o funcional que realiza e faz coisas. Nada h&aacute; nessas &aacute;reas que n&atilde;o possamos descrever; por exemplo, podemos descrever nosso funcionamento f&iacute;sico: andamos, voltamos para casa, sentamo-nos. Quanto &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es, normalmente podemos descrever como nos sentimos; quando ficamos excitados de satisfa&ccedil;&atilde;o ou deprimidos; podemos dizer que nossas emo&ccedil;&otilde;es aumentam, t&ecirc;m um ponto m&aacute;ximo e depois diminuem. Podemos descrever nosso pensar. Estes aspectos do eu pass&iacute;veis de descri&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os fatores prim&aacute;rios de nossa vida: nosso eu pensador, nosso eu emocional e nosso eu funcional.<\/p>\n<p>H&aacute;, no entanto, um outro aspecto de n&oacute;s mesmos que aos poucos come&ccedil;amos a conhecer, quando praticamos o zazen: o eu observador. &Eacute; importante para algumas terapias ocidentais. Ali&aacute;s, quando bem empregado, &eacute; por que as terapias funcionam, mas elas nem sempre percebem a diferen&ccedil;a radical entre o eu observador e os outros aspectos da pessoa, assim como nem sempre entendem sua natureza. Todas as partes que descrevemos e chamamos n&oacute;s, s&atilde;o limitadas. E tamb&eacute;m lineares; v&ecirc;m e v&atilde;o dentro do tempo. Por&eacute;m, o eu observador n&atilde;o pode ser enquadrado na mesma categoria, independente do quanto nos esforcemos nesse sentido. O que observa n&atilde;o pode ser encontrado nem descrito. Se procurarmos por essa dimens&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; nada. Uma vez que n&atilde;o h&aacute; nada a saber a seu respeito, quase podemos dizer que &eacute; uma outra dimens&atilde;o.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, observamos \u2014 ou tomamos consci&ecirc;ncia \u2014de tudo quanto podemos, que diz respeito a nosso eu observ&aacute;vel. A maioria das terapias faz isso em certo grau. Mas o zazen, quando mantido ao longo dos anos, cultiva o eu observador com mais profundidade do que a maior parte das terapias. Quando praticamos, devemos observar como trabalhamos, como fazemos amor, como comemos numa festa, como nos portamos numa nova situa&ccedil;&atilde;o quando s&oacute; h&aacute; desconhecidos. N&atilde;o h&aacute; nada a nosso respeito que n&atilde;o deva passar por um escrut&iacute;nio. N&atilde;o que detenhamos as outras atividades. Mesmo quando nos encontramos inteiramente absortos na vida di&aacute;ria, o eu observador est&aacute; em a&ccedil;&atilde;o. Qualquer aspecto de nossa pessoa que n&atilde;o seja observado permanecer&aacute; indistinto, confuso, misterioso. Ser&aacute; semi-independente de n&oacute;s, como se pudesse acontecer por si mesmo e, ent&atilde;o, ficaremos presos em suas malhas e arrastados pela confus&atilde;o.<\/p>\n<p>&#9;Num momento ou noutro, todos somos levados pelo rold&atilde;o de alguma esp&eacute;cie de raiva. (Com &quot;raiva&quot; refiro-me tamb&eacute;m a irritabilidade, ci&uacute;me, aborrecimento e at&eacute; mesmo depress&atilde;o.) Anos e anos praticando o sentar permitem que coloquemos a descoberto a anatomia da raiva e de outras emo&ccedil;&otilde;es-pensamentos. Num epis&oacute;dio de raiva, precisamos conhecer todos os pensamentos relacionados a ele. Esses pensamentos n&atilde;o s&atilde;o reais, mas est&atilde;o vinculados a sensa&ccedil;&otilde;es e sentimentos corporais de contra&ccedil;&atilde;o. Precisamos observar os m&uacute;sculos contra&iacute;dos e onde h&aacute; m&uacute;sculos descontra&iacute;dos. Algumas pessoas ficam com raiva no rosto, outras nas costas e h&aacute; aquelas no corpo todo. Quanto mais soubermos \u2014 quanto mais forte for o observador \u2014 menos misteriosa ser&atilde;o essas emo&ccedil;&otilde;es e menos seremos suas presas.<\/p>\n<p>&#9;Existem v&aacute;rias maneiras de praticar. Uma &eacute; pela concentra&ccedil;&atilde;o pura e simples (muito comum nos Centros Zen), em que com um koan esfor&ccedil;amos ao m&aacute;ximo para romper os limites. Com essa abordagem, o que estamos fazendo de fato &eacute; empurrar os falsos pensamentos e emo&ccedil;&otilde;es para esconderijos cada vez mais sutis. Por n&atilde;o serem reais, supomos que est&aacute; correto empurr&aacute;-los para fora do caminho. &Eacute; verdade que se formos muito persistentes e insistirmos num koan pelo tempo suficiente, &agrave;s vezes, podemos nos ver temporariamente lan&ccedil;ados em meio &agrave; maravilha da vida livre do ego. Outra maneira, que constitui nossa pr&aacute;tica aqui, &eacute; abrirmo-nos devagar para a maravilha do que &eacute; o viver pela meticulosa aten&ccedil;&atilde;o dedicada &agrave; anatomia do momento presente. Devagar, muito devagar, tornamo-nos cada vez mais sofisticados e conhecedores, de modo que (por exemplo) podemos saber que quando n&atilde;o gostamos de algu&eacute;m o canto esquerdo de nossa boca pende para baixo. Segundo essa abordagem, tudo que &eacute; nossa vida, bons e maus acontecimentos, nossa excita&ccedil;&atilde;o, nossa depress&atilde;o, nossas decep&ccedil;&otilde;es, nossa irritabilidade, torna-se proveitoso. N&atilde;o que busquemos dificuldades e problemas, mas o aluno maduro recebe-os com satisfa&ccedil;&atilde;o porque &eacute; com as experi&ecirc;ncias que vamos aos poucos aprendendo que, conforme a anatomia vai se tornando mais clara, a liberdade e a compaix&atilde;o aumentam proporcionalmente.<\/p>\n<p>Uma terceira maneira de praticar (que considero pobre) &eacute; substituir um pensamento negativo por outro positivo. Por exemplo: se estamos com raiva, substitu&iacute;mo-la por um pensamento amoroso. Pode at&eacute; ser que esse condicionamento alterado possa nos fazer sentir melhor, contudo n&atilde;o enfrenta bem as press&otilde;es da vida. Substituir um condicionamento por outro &eacute; perder a pr&aacute;tica de vista. A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; que uma emo&ccedil;&atilde;o positiva &eacute; melhor do que uma negativa, mas todos os pensamentos e emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o impermanentes, mut&aacute;veis ou (em termos budistas) vazios. N&atilde;o t&ecirc;m a menor realidade. Nossa &uacute;nica liberdade est&aacute; em saber, ap&oacute;s v&aacute;rios anos de observa&ccedil;&atilde;o e viv&ecirc;ncias, que todos os pensamentos e as emo&ccedil;&otilde;es centrados no indiv&iacute;duo (assim como as a&ccedil;&otilde;es deles decorrentes) s&atilde;o vazios. S&atilde;o vazios, e se n&atilde;o forem vistos dessa forma, podem ser prejudiciais. Quando nos damos conta disso, podemos abandon&aacute;-los. Quando isso nos acontece, entramos de modo muito natural no espa&ccedil;o do deslumbramento.<\/p>\n<p>Este espa&ccedil;o de deslumbramento entrar no reino do c&eacute;u \u2014 abre-se quando n&atilde;o estamos mais aprisionados dentro de n&oacute;s mesmos, quando n&atilde;o mais respondemos: &quot;Sou eu&quot; e, sim, &quot;V&oacute;s&quot;. Sou todas as coisas, quando n&atilde;o h&aacute; barreiras. Essa &eacute; a vida da compaix&atilde;o e ningu&eacute;m vive dessa forma o tempo todo. Na pr&aacute;tica do confronto visual, em que meditamos de frente para outra pessoa, quando conseguimos deixar de lado nossas emo&ccedil;&otilde;es e nossos pensamentos pessoais, e olhamos de verdade para os olhos do outro, vemos o espa&ccedil;o do n&atilde;o-eu. Vemos a maravilha, e vemos que aquela pessoa &eacute; n&oacute;s. Isso tem um maravilhoso poder de cura, em especial para as pessoas, cujos relacionamentos n&atilde;o est&atilde;o indo em frente. Por um segundo vemos o que a outra pessoa &eacute;: &eacute; o n&atilde;o-eu, assim como n&oacute;s somos n&atilde;o-eu e somos ambos o deslumbramento.<\/p>\n<p>H&aacute; alguns anos, num workshop, pratiquei o exerc&iacute;cio do encontro visual com uma mo&ccedil;a que revelou que sua vida tinha sido muito abalada pela morte do pai. Contou tudo que tinha feito at&eacute; ent&atilde;o, mas n&atilde;o tinha tido paz devido a perda. Durante sessenta minutos ficamos olhando nos olhos uma da outra. O treino de zazen dava-lhe for&ccedil;a suficiente para manter com facilidade meu olhar est&aacute;vel e firme. Quando ela vacilava, eu conseguia traz&ecirc;-la de volta. Ao final ela come&ccedil;ou a chorar. Fiquei sem saber o que poderia estar errado, e ent&atilde;o ela disse: &quot;Meu pai n&atilde;o foi embora para parte alguma! Eu n&atilde;o o perdi. Est&aacute; tudo bem, estou em paz afinal&quot;. Ela vira quem era e quem era seu pai. Seu pai n&atilde;o era apenas um corpo desaparecido. No espa&ccedil;o do deslumbramento, tinha se reconciliado.<br \/>\nPodemos praticar ficando com raiva: os pensamentos que surgem, as mudan&ccedil;as no corpo, o calor, a tens&atilde;o. Normalmente n&atilde;o vemos o que est&aacute; acontecendo porque, quando ficamos com raiva, estamos identificados com nosso desejo de termos &quot;raz&atilde;o&quot;. Para falar a verdade, n&atilde;o estamos sequer interessados na pr&aacute;tica. &Eacute; muito estonteante ficar com raiva. Quando ela &eacute; muito forte, achamos dif&iacute;cil praticar com ela. Uma pr&aacute;tica &uacute;til &eacute; trabalhar com as raivas menores que ocorrem no cotidiano. Quando conseguimos praticar com elas, &agrave; medida que ocorrem, aprendemos, e, quando os grandes tumultos aparecem, aqueles que comumente nos tragariam em sua voragem, n&atilde;o entramos t&atilde;o completamente nessa vertigem; com o tempo, ficamos cada vez menos presos nas malhas de nossa raiva.<\/p>\n<p>H&aacute; um antigo koan a respeito de um monge que foi at&eacute; seu mestre e lhe disse: &quot;Sou uma pessoa muito irada e desejo que me ajude&quot;. O mestre respondeu: &quot;Mostre-me sua raiva&quot;. O monge comentou: &quot;Bem, neste exato momento n&atilde;o estou com raiva e n&atilde;o posso mostr&aacute;-la&quot;. O mestre argumentou: &quot;Ent&atilde;o, &eacute; evidente que n&atilde;o &eacute; voc&ecirc;, pois &agrave;s vezes n&atilde;o est&aacute; nem a&iacute;&quot;. Quem somos tem muitas faces, mas elas n&atilde;o s&atilde;o quem somos.<\/p>\n<p>J&aacute; me perguntaram: &quot;O observar n&atilde;o &eacute; uma pr&aacute;tica dualista? Porque quando estamos observando, alguma coisa est&aacute; observando outra coisa&quot;. Por&eacute;m, na realidade, n&atilde;o &eacute; dualista. O observador est&aacute; vazio. Em vez de um observador em separado, devemos dizer que existe apenas o observar. N&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m que ouve, h&aacute; apenas o ouvir. N&atilde;o h&aacute; algu&eacute;m que enxergue, h&aacute; apenas o enxergar. No entanto, n&atilde;o apreendemos isso muito bem. Se praticarmos o suficiente, contudo, aprenderemos que n&atilde;o s&oacute; o observador est&aacute; vazio, mas tamb&eacute;m aquilo que &eacute; observado est&aacute; vazio. Nesse ponto, desfaz-se o observador (a testemunha). Esse &eacute; o est&aacute;gio final da pr&aacute;tica; n&atilde;o precisamos nos preocupar a seu respeito. Por que o observador finalmente se desfaz? Quando nada v&ecirc; nada, o que temos? S&oacute; o deslumbramento da vida. N&atilde;o h&aacute; algu&eacute;m separado de outra coisa. Existe apenas a vida, vivendo: o ouvir, o tocar, o ver, o cheirar, o pensar. Esse &eacute; o estado de amor ou compaix&atilde;o; n&atilde;o &eacute; o &quot;Sou eu&quot;, e, sim, o &quot;V&oacute;s.&quot;<\/p>\n<p>Por isso, o caminho de praticar que me pareceu mais eficiente, consiste em intensificar o poder do observador. Toda vez que ficamos aborrecidos, perdemos esse poder. N&atilde;o podemos ficar aborrecidos se estamos observando, porque o observador jamais fica aborrecido. &#8220;Nada&quot;, n&atilde;o pode ficar aborrecido. Portanto, se conseguirmos ser o observador, podemos assistir a qualquer drama sem interesse ou afeto, sem tamb&eacute;m ficarmos aborrecidos. Nunca conheci algu&eacute;m que tivesse se tornado completamente um observador. Mas h&aacute; uma enorme diferen&ccedil;a entre algu&eacute;m que pode s&ecirc;-lo quase o tempo todo, e algu&eacute;m que s&oacute; o consegue raras vezes. A meta da pr&aacute;tica &eacute; aumentar o espa&ccedil;o impessoal. Embora possa parecer frio \u2014 e uma pr&aacute;tica &eacute; uma coisa fria \u2014 n&atilde;o produz pessoas frias. Muito pelo contr&aacute;rio. Quando atingirmos o est&aacute;gio no qual a testemunha est&aacute; se desfazendo, come&ccedil;amos a saber o que e a vida. N&atilde;o &eacute;, entretanto, nada de fantasmag&oacute;rico; s&oacute; quer dizer que, quando olho para outra pessoa, olho para ela. N&atilde;o acrescento dez mil pensamentos sobre o que estou vendo. Esse &eacute; o espa&ccedil;o da compaix&atilde;o. N&atilde;o temos de tentar encontr&aacute;-lo. &Eacute; nosso estado natural, quando o ego est&aacute; ausente.<\/p>\n<p>Tornamo-nos seres muito artificiais. Mas com todas as nossas dificuldades, temos uma oportunidade aberta para n&oacute;s, que nenhum outro animal tem. Um gato &eacute; uma maravilha, mas ele n&atilde;o sabe disse, ele apenas vive. J&aacute; os seres humanos tem a capacidade de se dar conta disso. At&eacute; onde eu saiba, somos as &uacute;nicas criaturas deste planeta dotados dessa capacidade. Tendo sido agraciados com ela \u2014 feitos &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus \u2014 devemos sentir uma intermin&aacute;vel gratid&atilde;o por essa oportunidade de perceber o que &eacute; a vida e quem somos n&oacute;s.<\/p>\n<p>Portanto, precisamos ter paci&ecirc;ncia \u2014 n&atilde;o apenas nos sesshins, mas a cada dia de nossa vida \u2014 para enfrentar essa desafiadora tarefa: observarmos meticulosamente todos os aspectos de nossa vida para poder enxergar sua natureza, at&eacute; que o observador n&atilde;o veja mais nada quando o olhar, exceto a vida tal como ela &eacute;, em todo seu deslumbramento. Todos t&ecirc;m momentos dessa qualidade. Ap&oacute;s um sesshin, podemos olhar para uma flor e, por um segundo, n&atilde;o h&aacute; barreiras. Nossa pr&aacute;tica &eacute; abrir nossa vida dessa forma, cada vez mais. &Eacute; para fazer isso que estamos na face desta Terra. Todas as disciplinas religiosas dizem, no fundo, a mesma coisa: eu e meu Pai somos um. O que &eacute; meu Pai? Nada que n&atilde;o eu, a pr&oacute;pria vida em si: as pessoas, as coisas, os acontecimentos, as velas, a grama, o concreto, eu e meu Pai somos um. Conforme praticamos vamos de modo progressivo entendendo isso melhor.<\/p>\n<p>O sesshin &eacute; um campo de treinamentos. Tenho um enorme interesse pelo que voc&ecirc;s estar&atilde;o fazendo daqui a duas semanas, quando se perceberem no meio de uma crise. Ent&atilde;o, entender&atilde;o como praticar? Observando os pensamentos, vivenciando o corpo, em vez de se permitirem levar pelos pensamentos assustados, pela sensa&ccedil;&atilde;o de contra&ccedil;&atilde;o na boca do est&ocirc;mago, observar que s&atilde;o s&oacute; m&uacute;sculos contra&iacute;dos, e ent&atilde;o sentir a base de apoio pr&oacute;prio em meio &agrave; crise. O que torna a vida t&atilde;o amea&ccedil;adora &eacute; que nos deixamos arrastar em meio ao lixo de nossa mente vertiginosas. N&atilde;o temos de fazer isso. Por favor, sentem-se bem.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O eu observador Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; &quot;Quem est&aacute; a&iacute;?&quot;, pergunta Deus. &quot;Sou eu.&quot; &quot;V&aacute; embora&quot;, diz Deus&#8230; Mais tarde&#8230; &quot;Quem est&aacute; a&iacute;?&quot;, pergunta Deus. &quot;V&oacute;s.&quot; &quot;Entra&quot;, responde Deus. 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