{"id":5057,"date":"2018-06-12T13:06:53","date_gmt":"2018-06-12T15:06:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5057"},"modified":"2018-06-12T13:20:05","modified_gmt":"2018-06-12T15:20:05","slug":"aspiracao-e-expectativa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/aspiracao-e-expectativa\/","title":{"rendered":"Aspira\u00e7\u00e3o e expectativa"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/aspiracao-e-expectativa\/aspiracao-e-expectativa-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5059\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Aspira\u00e7\u00e3o-e-expectativa-300x140.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"140\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5059\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Aspira\u00e7\u00e3o-e-expectativa-300x140.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Aspira\u00e7\u00e3o-e-expectativa.jpg 329w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Aspira&ccedil;&atilde;o e expectativa<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sempre-zen\/\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/div>\n<hr \/>\n<p>A aspira&ccedil;&atilde;o &eacute; um elemento b&aacute;sico de nossa pr&aacute;tica. Podemos dizer que a pr&aacute;tica do zen decorre inteiramente de nossa aspira&ccedil;&atilde;o. Sem ela, nada pode acontecer. Ao mesmo tempo, ouvimos que devemos praticar sem qualquer expectativa. Parece contradit&oacute;rio, porque costumamos confundir aspira&ccedil;&atilde;o e expectativa.<\/p>\n<p>No contexto da pr&aacute;tica, a aspira&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas nossa verdadeira natureza, buscando realizar-se e expressar-se. Somos de modo intr&iacute;nseco Budas, mas nossa natureza Buda est&aacute; encoberta. A aspira&ccedil;&atilde;o &eacute; a chave para a pr&aacute;tica, porque, sem ela, nossa natureza Buda &eacute; como um lindo carro: at&eacute; que algu&eacute;m entre, sente-se no banco do motorista e d&ecirc; a partida, &eacute; uma coisa in&uacute;til. Quando come&ccedil;amos a praticar, nossa aspira&ccedil;&atilde;o pode ser muito pequena, mas, se mantivermos nosso prop&oacute;sito, ela crescer&aacute;. Depois de seis meses de pr&aacute;tica, a aspira&ccedil;&atilde;o da pessoa ser&aacute; muito diferente do que era no in&iacute;cio e, depois de dez anos, ser&aacute; diferente do que era aos seis meses. Est&aacute; sempre mudando sua forma externa sem, no entanto, alterar sua ess&ecirc;ncia. Enquanto vivermos, ela continuar&aacute; aumentando.<\/p>\n<p>Uma pista segura para distinguirmos se estamos sendo motivados pela aspira&ccedil;&atilde;o ou pela expectativa &eacute; que a aspira&ccedil;&atilde;o sempre &eacute; satisfat&oacute;ria; pode n&atilde;o ser agrad&aacute;vel, mas &eacute; sempre satisfat&oacute;ria. Por outro lado, a expectativa &eacute; sempre insatisfat&oacute;ria, porque vem de nossas pequenas mentes, de nosso ego. Desde o in&iacute;cio na inf&acirc;ncia, procuramos satisfa&ccedil;&atilde;o em nossa vida, buscando coisas externas a n&oacute;s. Procuramos uma maneira de ocultar o medo b&aacute;sico de que algo esteja faltando em nossa vida. Vamos de uma coisa em outra tentando preencher a lacuna que pensamos existir.<\/p>\n<p>Existem muitas maneiras pelas quais tentamos esconder nossa insatisfa&ccedil;&atilde;o. Uma delas, por exemplo, &eacute; lutando para alcan&ccedil;ar algo. Em si, alcan&ccedil;ar coisas &eacute; natural. E importante que aprendamos a conduzir bem nossas vidas. Por&eacute;m, enquanto procurarmos recompensas no futuro fora de n&oacute;s, estamos fadados ao desapontamento em nossas expectativas. A vida toma conta disso muito bem; ela tem formas de nos decepcionar de maneira eficiente e regular.<\/p>\n<p>Em geral olhamos para a vida em termos de duas quest&otilde;es: &quot;Ser&aacute; que vou lucrar alguma coisa?&quot; ou &quot;Isso ir&aacute; me magoar?&quot;. Podemos dar a impress&atilde;o de serenidade, contudo, sob a superf&iacute;cie, essas duas d&uacute;vidas fervilham. Chegamos numa pr&aacute;tica como a do zen tentando encontrar a paz e a satisfa&ccedil;&atilde;o que at&eacute; ent&atilde;o se esquivaram de n&oacute;s, e o que fazemos? Adotamos os mesmos h&aacute;bitos com que vivemos a vida toda e encaixamos a pr&aacute;tica dentro desse molde. Institu&iacute;mos uma meta depois da outra, mantendo o h&aacute;bito vital&iacute;cio de correr atr&aacute;s de alguma coisa:<\/p>\n<p>&quot;Fico pensando em quantos koans conseguirei passar com este sesshin&quot;; &quot;J&aacute; estou praticando h&aacute; mais tempo que aquele ali, mas parece que ele est&aacute; progredindo mais depressa&quot;; &quot;Meu zazen foi t&atilde;o fant&aacute;stico ontem! Quisera poder repeti-lo&quot;. De um jeito ou de outro, nossa forma de abordar a pr&aacute;tica est&aacute; fundamentada nos mesmos tipos de esfor&ccedil;o, de que despendemos para alcan&ccedil;ar algo: obter o reconhecimento dos colegas, ser importante dentro dos c&iacute;rculos zen, encontrar um buraco seguro onde se esconder. Estamos fazendo de novo a mesma coisa que sempre fizemos: estamos na expectativa de que alguma coisa (neste caso, a pr&aacute;tica zen) nos d&ecirc; satisfa&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>D&oacute;gen Zenji dizia: &quot;Procurar o dharma Buda fora de sua pr&oacute;pria pessoa &eacute; como colocar um dem&ocirc;nio em cima de voc&ecirc;&quot;. Mestre Rinzai dizia: &quot;N&atilde;o coloque cabe&ccedil;a alguma acima da sua&quot;. Em outras palavras, &eacute; in&uacute;til procurar fora de n&oacute;s pela verdadeira paz e satisfa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; importante examinarmo-nos continuamente para ver para onde estamos direcionando nossa busca e o que &eacute; que estamos buscando. O que voc&ecirc; est&aacute; procurando fora de si? O que voc&ecirc; acredita que resolver&aacute; a quest&atilde;o? Posi&ccedil;&atilde;o? Relacionamentos? Ultrapassar os koans? Repetidas vezes, os mestres zen dizem-nos para n&atilde;o colocar cabe&ccedil;a alguma acima da nossa, para n&atilde;o acrescentarmos extras &agrave; nossa vida.<\/p>\n<p>Cada momento, tal como &eacute;, &eacute; completo e pleno em si. Quando enxergamos isso, independente do que ocorrer a cada instante, deixamos que aconte&ccedil;a. Neste exato momento, qual &eacute; seu momento? Felicidade? Ansiedade? Prazer? Des&acirc;nimo? Temos altos e baixos, todavia cada momento &eacute; exatamente o que cada momento &eacute;. Nossa pr&aacute;tica, nossa aspira&ccedil;&atilde;o, &eacute; ser esse momento e devemos, deix&aacute;-lo ser o que &eacute;. Se voc&ecirc; tem medo, seja s&oacute; esse medo e, ent&atilde;o, voc&ecirc; o perde.<\/p>\n<p>Existe a hist&oacute;ria de tr&ecirc;s pessoas que est&atilde;o contemplando um monge que est&aacute; parado no alto de uma colina. Depois de observarem-no por um certo tempo, uma disse: &quot;Ele deve ser um pastor procurando uma ovelha perdida&quot;. A segunda falou: &quot;N&atilde;o, ele n&atilde;o est&aacute; olhando para os lados. Acho que ele deve estar esperando um amigo&quot;. E a terceira comentou: &quot;E prov&aacute;vel que ele seja s&oacute; um monge. Creio que est&aacute; meditando&quot;. Come&ccedil;am a discutir sobre o que o monge estaria fazendo e, enfim, para finalizar, sobem at&eacute; o topo da colina e aproximam-se dele. &quot;Est&aacute; procurando uma ovelha?&quot; &quot;N&atilde;o, n&atilde;o tenho ovelhas que procurar.&quot; &quot;Ent&atilde;o, deve estar esperando por algum amigo?&quot; &quot;N&atilde;o, n&atilde;o estou esperando pessoa alguma.&quot; &quot;Bem, ent&atilde;o deve estar meditando.&quot; &quot;N&atilde;o, estou aqui apenas, em p&eacute;. N&atilde;o estou fazendo absolutamente nada.&quot;<\/p>\n<p>&#9;&Eacute; muito dif&iacute;cil concebermos que algu&eacute;m esteja apenas em p&eacute;, sem fazer nada, porque estamos sempre tentando de modo fren&eacute;tico chegar em algum lugar para fazer alguma coisa. E imposs&iacute;vel sairmos desse momento; n&atilde;o obstante, costumamos tentar o tempo todo. Levamos essa mesma atitude &agrave; nossa pr&aacute;tica zen: &quot;Sei que a natureza Buda deve estar l&aacute; fora, em algum lugar. Se eu procurar bastante e praticar bastante o sentar acabarei encontrando-a!&quot;. Por&eacute;m, para vermos a natureza Buda, &eacute; preciso antes esvaziar por completo tudo isso, para sermos inteiramente cada momento, de modo que qualquer que seja a atividade em que estejamos envolvidos a procura de uma ovelha perdida, a espera por um amigo, a medita&ccedil;&atilde;o \u2014 seja apenas o ficar ali em p&eacute;, naquele exato momento, sem fazer absolutamente nada.<\/p>\n<p>Se tentarmos ficar calmos, s&aacute;bios e maravilhosamente iluminados com a pr&aacute;tica zen, n&atilde;o atingiremos o entendimento. Cada instante, sendo o que &eacute;, &eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o repentina da verdade absoluta. Se praticarmos tendo a aspira&ccedil;&atilde;o de sermos apenas o momento presente, nossas vidas ir&atilde;o de forma gradual transformar-se e crescer de uma maneira maravilhosa. Em v&aacute;rios momentos teremos insights repentinos, mas o mais importante &eacute; praticar a cada momento, com um a profunda aspira&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Quando estivermos dispostos a estar aqui, exatamente como somos, a vida ficar&aacute; sempre bem; ent&atilde;o sentir-se bem ser&aacute; bom, sentir-se mal ser&aacute; bom; se as coisas estiverem indo bem se estiverem indo mal &oacute;timo. Os reveses emocionais que experimentamos s&atilde;o problemas, porque n&atilde;o queremos que as coisas sejam como s&atilde;o. Todos temos expectativas, mas, conforme a pr&aacute;tica se desenvolve, elas aos poucos se esfarelam e, como uma folha fenecida, apenas ser&atilde;o desfeitas. Cada vez mais ficaremos com o que existe exatamente aqui e agora. Pode parecer assustador, porque nossas mentes, repletas de expectativas, querem que a vida aconte&ccedil;a de uma certa forma: queremos nos sentir bem, n&atilde;o ficar confusos, n&atilde;o ficar aborrecidos; cada um tem sua pr&oacute;pria lista.<\/p>\n<p>Contudo, quando estamos cansados depois do trabalho, esse &eacute; o Buda cansado. Quando as pernas doem durante zazen, esse &eacute; o Buda dolorido; quando voc&ecirc; est&aacute; decepcionado com algum aspecto de si mesmo, esse &eacute; o Buda de decepcionado. E isso!<\/p>\n<p>Ao termos aspira&ccedil;&atilde;o, olhamos para as coisas de um modo completamente diferente do que quando temos expectativas. Temos a coragem de nos sentar atravessando um momento depois do outro, pois, na realidade, cada um deles &eacute; s&oacute; o que existe. Se a mente divaga em expectativas, ter aspira&ccedil;&atilde;o significa retomar com suavidade o caminho de volta para o momento presente. A mente divagar&aacute; o tempo todo, e, quando isso acontece, basta retornar ao momento sem se preocupar ou sem ficar alterado. Samadhi, a centra&ccedil;&atilde;o, a totalidade ir&atilde;o desenvolver-se de modo natural e inevit&aacute;vel, a partir dessa esp&eacute;cie de pr&aacute;tica, e a pr&oacute;pria aspira&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ficar&aacute; mais profunda e clara.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aspira&ccedil;&atilde;o e expectativa Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; A aspira&ccedil;&atilde;o &eacute; um elemento b&aacute;sico de nossa pr&aacute;tica. Podemos dizer que a pr&aacute;tica do zen decorre inteiramente de nossa aspira&ccedil;&atilde;o. Sem ela, nada pode acontecer. 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