{"id":5064,"date":"2018-06-12T13:20:53","date_gmt":"2018-06-12T15:20:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5064"},"modified":"2018-06-12T13:22:25","modified_gmt":"2018-06-12T15:22:25","slug":"enxergando-alem-da-sobrestrutura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/enxergando-alem-da-sobrestrutura\/","title":{"rendered":"Enxergando al\u00e9m da sobrestrutura"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/enxergando-alem-da-sobrestrutura\/enxergando-alm-da-sobrestrutura\/\" rel=\"attachment wp-att-5066\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Enxergando-aleacutem-da-sobrestrutura.jpg\" alt=\"\" width=\"286\" height=\"176\" class=\"alignleft size-full wp-image-5066\" \/><\/a><br \/>\n<b>Enxergando al&eacute;m da sobrestrutura<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sempre-zen\/\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/div>\n<hr \/>\n<p>Vamos imaginar que falamos de nossa vida como se fosse uma casa, vivemos nela, e a vida vai em frente. Temos dias de tempestade, dias de bom tempo; &agrave;s vezes, a casa precisa de uma pintura. Todo o drama que acontece dentro dela, envolvendo os que nela moram, simplesmente se desenrola. Podemos estar bem de sa&uacute;de ou doentes. Podemos estar felizes ou infelizes. &Eacute; assim para a maioria. Vamos apenas vivendo a vida. Vivemos numa casa ou num apartamento e as coisas acontecem tal como acontecem. Mas aqui &eacute; onde a pr&aacute;tica se torna importante \u2014temos esta casa, e &eacute; como se ela estivesse dentro de uma outra casa. E como se peg&aacute;ssemos um morango e o mergulh&aacute;ssemos no chocolate. Temos um morango com cobertura de chocolate. Temos uma casa muito linda e, em cima e &agrave; volta dela, outra casa, encobrindo a casa b&aacute;sica dentro da qual moramos.<\/p>\n<p>&#9;Nossa vida, por&eacute;m, (essa casa) tal qual vivemos, est&aacute; muito bem. N&atilde;o costumamos pensar assim, mas n&atilde;o h&aacute; nada errado com nossa vida, assim como est&aacute;. Entretanto, erguemos outra casa bem em cima desta que temos. Se n&atilde;o olharmos com cuidado para o que acrescentamos camada extra pode ficar muito grossa e escura. E a casa em que moramos parecer&aacute; escura e confinada, porque a recobrimos com algo pesado. Essa cobertura pode parecer impenetr&aacute;vel, assustadora, depressiva. O maior erro que cometemos em nossa vida e em nossa pr&aacute;tica &eacute; pensar que a casa em que moramos \u2014 que &eacute; nossa vida do jeito que ela &eacute;, com todos os seus problemas, seus reveses tem algo de intrinsecamente errado. Por pensarmos assim, ficamos ocupados a maior parte dos anos de nossa vida, elaborando a estrutura extra.<\/p>\n<p>A pr&aacute;tica zen &eacute;, antes de mais nada, ver o que fizemos e, depois, o que &eacute; a sobrestrutura, como ela funciona, do que &eacute; composta, o que temos ou n&atilde;o a fazer com ela. Em geral pensamos: &quot;E desagrad&aacute;vel, preciso me desfazer disso&quot;. Quanto a mim, n&atilde;o penso que seja esse o caminho. Essencialmente, essa estrutura extra que recobre nossa vida n&atilde;o tem realidade. Apareceu ali porque utilizamos nossa mente de modo err&ocirc;neo. N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de nos livrarmos dela porque n&atilde;o tem realidade; mas &eacute; uma quest&atilde;o de enxergar sua natureza. Ao observarmos sua natureza, em vez de ser t&atilde;o grossa e escura, a cobertura fica mais transparente e enxergamos atrav&eacute;s dela. A ilumina&ccedil;&atilde;o (o trazer mais luz para dentro) &eacute; o que acontece na pr&aacute;tica. Na realidade, n&atilde;o estamos nos livrando de uma estrutura; estamos enxergando atrav&eacute;s dela, como o sonho que &eacute;, e, quando nos damos conta de sua verdadeira natureza, sua fun&ccedil;&atilde;o em nossa vida se enfraquece por inteiro e, ao mesmo tempo, conseguimos ver com mais exatid&atilde;o o que est&aacute; acontecendo em nossa vida di&aacute;ria. E como se d&eacute;ssemos a volta no c&iacute;rculo completo. Nossa vida est&aacute; sempre certa. N&atilde;o h&aacute; nada de errado com ela. Mesmo que tenhamos problemas horr&iacute;veis, &eacute; apenas nossa vida. Todavia, na medida em que nos recusamos a aceitar a vida como ela est&aacute;, por causa de nossa predile&ccedil;&atilde;o por coisas agrad&aacute;veis, escolhemos e selecionamos elementos da vida. Em outras palavras, n&atilde;o temos inten&ccedil;&atilde;o alguma de nos acomodar com a vida que temos, quando ela n&atilde;o nos conv&eacute;m.<\/p>\n<p>Todos que est&atilde;o aqui sentados t&ecirc;m um conjunto particular de eventos que apenas n&atilde;o deseja que seja sua vida. &quot;N&atilde;o &eacute; nada disso! N&atilde;o pode acontecer assim!&quot; Por exemplo, quando eu era adolescente, se eu n&atilde;o tivesse programa para s&aacute;bado &agrave; noite, n&atilde;o considerava isso justo de modo algum. Eu fazia uma pilha monumental de problemas em cima do diminuto fato de n&atilde;o ter nada o que fazer: &quot;Tem algo errado. Preciso mudar meu cabelo. Vou comprar uma cor diferente de esmalte. Preciso&#8230; preciso&#8230;&quot;. Esse &eacute; um exemplo tolo, sem d&uacute;vida. Por&eacute;m, mesmo diante dos piores traumas de nossa vida, fazemos a mesma coisa. Diante de nossa pouca disposi&ccedil;&atilde;o para deixar que a vida seja apenas o que ela &eacute;, sempre acrescentamos algo. N&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m aqui que n&atilde;o aja assim. Ningu&eacute;m. Enquanto vivermos, provavelmente existir&aacute; sempre pelo menos uma fina camada de cobertura envolvendo a estrutura essencial de nossa vida. Quanto &eacute; a quest&atilde;o.<br \/>\nA pr&aacute;tica zen n&atilde;o diz respeito a um lugar especial ou a uma paz especial, mas apenas a estar com a nossa vida, seja ela qual for. E uma das coisas mais dif&iacute;ceis para as pessoas conseguirem: perceber que as pr&oacute;prias dificuldades deste momento sejam a perfei&ccedil;&atilde;o. &quot;Mas como, s&atilde;o a perfei&ccedil;&atilde;o?! Vou praticar e me livrar delas!&quot; N&atilde;o. N&atilde;o temos de nos livrar delas, devemos antes enxergar sua natureza. A estrutura fica mais t&ecirc;nue (ou assim parece); fica mais leve e, &agrave;s vezes, podemos fazer um furo que a atravesse. Ocasionalmente. Por isso, uma das coisas que desejo que voc&ecirc;s fa&ccedil;am &eacute; identificar, cada qual para si, o que est&aacute; havendo agora na vida que est&atilde;o levando e n&atilde;o est&atilde;o gostando muito que seja desse jeito. Pode ser as dificuldades com o parceiro, o desemprego, as decep&ccedil;&otilde;es com respeito a metas n&atilde;o alcan&ccedil;adas. Mesmo se o que estiver acontecendo for amedrontador e opressivo, tudo bem. E muito dif&iacute;cil chegar nesse est&aacute;gio. E preciso uma pr&aacute;tica forte para conseguir uma incis&atilde;o que esteja na superf&iacute;cie de nossa maneira habitual de ver a vida. E dif&iacute;cil chegar a ver que n&atilde;o temos de nos livrar das calamidades. Calamidades, tudo bem. Voc&ecirc;s n&atilde;o t&ecirc;m de gostar, mas est&aacute; certo que elas estejam aqui, agora.<\/p>\n<p>O primeiro passo da pr&aacute;tica &eacute; darmo-nos conta de que erguemos essa sobrestrutura. Assim, ao praticarmos o zazen (em particular, ao rotularmos os pensamentos) come&ccedil;amos a reconhecer que na pr&aacute;tica nunca estamos vivendo pura e simplesmente nossa vida, tal e qual ela &eacute;. Nossas vidas est&atilde;o perdidas em meio a pensamentos autocentrados, imersas na sobrestrutura. (Presumo que estejamos querendo enxergar atrav&eacute;s dela. H&aacute; quem n&atilde;o queira. Est&aacute; bem mesmo assim. Nem todos deveriam fazer um pr&aacute;tica como a do zen. E algo exigente, desilude. Pode parecer proibitiva, quando somos novatos. Esse &eacute; apenas um de seus lados. O outro, &eacute; que a vida se torna mil vezes mais satisfat&oacute;ria &agrave; medida que praticamos. Os dois lados andam juntos.) Portanto, o processo da pr&aacute;tica, antes de mais nada, &eacute; ter uma conscientiza&ccedil;&atilde;o, talvez difusa a princ&iacute;pio, do que constru&iacute;mos; o segundo passo &eacute; praticar. A liberta&ccedil;&atilde;o est&aacute; em ver atrav&eacute;s dessa sobrestrutura irreal que constru&iacute;mos. Sem ela, a vida apenas transcorre sem obst&aacute;culos. Isso faz sentido? Parece loucura, n&atilde;o &eacute;?<br \/>\nPercebamos que nossos ideais s&atilde;o a sobrestrutura. Quando estamos apegados ao modo como pensamos que dever&iacute;amos ser ou que todo mundo deveria ser, podemos ter uma aprecia&ccedil;&atilde;o apenas reduzida da vida tal como &eacute;. A pr&aacute;tica precisa desestruturar os falsos ideais. Desse modo, estamos afirmando um fato que, para a maioria das pessoas, &eacute; inaceit&aacute;vel. Neste exato momento, considere sua pr&aacute;tica e veja se voc&ecirc; quer faz&ecirc;-la. Depois de termos ficado sentados um certo tempo, o que vem &eacute; o seguinte: &quot;N&atilde;o quero fazer isso! N&atilde;o quero fazer isso de jeito nenhum!&quot;. Entretanto, isso tamb&eacute;m faz parte da pr&aacute;tica!<\/p>\n<p>O processo de olhar para essa estrutura irreal que constru&iacute;mos &eacute; sutil e exigente. O segredo dessa dificuldade est&aacute; em que gostamos dela muito mais que da vida real. Sabe-se de pessoas que preferiram o suic&iacute;dio a demolir suas estruturas. Preferem efetivamente abrir m&atilde;o de sua exist&ecirc;ncia f&iacute;sica a ter de abandonar seu apego aos sonhos. Isso n&atilde;o &eacute; absolutamente incomum. Mas quer nos suicidemos quer n&atilde;o, se nosso apego aos sonhos permanece inquestionado e intacto, estamos nos matando, no sentido n&atilde;o f&iacute;sico, porque nossa verdadeira vida est&aacute; se escoando sem que quase nos demos conta disso. Vamos sendo mortos pelos ideais impregnados em nossos pensamentos a respeito de quem dever&iacute;amos ser e do modo como todos os outros deveriam ser. E um desastre. A raz&atilde;o pela qual n&atilde;o encaramos isso como um desastre &eacute; porque o sonho pode ser muito reconfortante, muito sedutor. Costumamos achar que desastre &eacute; o naufr&aacute;gio de um Titanic. Contudo, quando nos perdemos em ideais e fantasias, agrad&aacute;veis como s&oacute; elas sabem ser, isso &eacute; um desastre. Morremos.<\/p>\n<p>Outra coisa. Minha filha e eu convers&aacute;vamos a respeito de um homem que estava tomando atitudes repreens&iacute;veis. Eu falei entre dentes: &quot;Ele deveria ter mais consci&ecirc;ncia do que est&aacute; fazendo&quot;. Minha filha riu e disse: &quot;M&atilde;e, se ele &eacute; inconsciente, a natureza de ser inconsciente &eacute; o qu&ecirc;? S&oacute; ser inconsciente&quot;. Claro que ela estava com a raz&atilde;o: ser inconsciente significa que voc&ecirc; n&atilde;o v&ecirc; o que est&aacute; fazendo. Portanto, um dos problemas da pr&aacute;tica &eacute; que, em certo grau, somos todos inconscientes e n&atilde;o estamos assim t&atilde;o inclinados a ficar conscientes. Como resolver essa quest&atilde;o? Parte de meu trabalho &eacute; esse. A maior parte &eacute; e voc&ecirc;s. Lembro-me de um aluno adiantado, h&aacute; anos atr&aacute;s, que tinha acabado de apresentar uma linda palestra sobre o dar e a compaix&atilde;o. No dia seguinte, observei-o durante a chamada para fazer a fila para ver o mestre. Esse homem praticamente acotovelou meio mundo para conseguir ficar na frente, inconsciente de seu ego&iacute;smo. Enquanto n&atilde;o enxergarmos o que estamos fazendo, continuaremos a faz&ecirc;-lo. Portanto, em nossa pr&aacute;tica uma das tarefas &eacute; manter nossa capacidade de ver em constante foco de aperfei&ccedil;oamento. O que &eacute; muito ardiloso, j&aacute; que n&atilde;o temos mesmo o menor interesse em ver as coisas com clareza!<\/p>\n<p>Para alguns, disciplina tem uma conota&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;ar a fazer alguma coisa. Mas ela &eacute;, apenas, convocar toda a luz de que formos capazes, para que incida sobre nossa pr&aacute;tica, para que possamos ver um pouquinho mais. Pode ser formal, como no zendo, ou informal, como em nossa vida di&aacute;ria. Os alunos disciplinados s&atilde;o aqueles que, em suas atividades cotidianas, est&atilde;o constantemente tentando encontrar meios para despertar.<\/p>\n<p>A quest&atilde;o &eacute; sempre a mesma: neste momento, o que vemos e o que n&atilde;o vemos? Se estivermos praticando bem, um dia veremos algo que nunca t&iacute;nhamos visto antes. Ent&atilde;o, podemos trabalhar com isso. A pr&aacute;tica est&aacute; em manter uma press&atilde;o sutil, em a&ccedil;&atilde;o da manh&atilde; at&eacute; a noite. Agindo assim, a sobrestrutura come&ccedil;ar&aacute; a ficar mais leve e conseguiremos ver com mais clareza nossa vida, tal como &eacute;.<\/p>\n<p>Aqui estou falando sobre o curso geral da pr&aacute;tica e essas palestras podem enfatizar demais uma coisa e deixar de lado outras, o que &eacute; inevit&aacute;vel. As perguntas podem ajudar a esclarecer os pontos levantados.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b>&#9;Sim, existem dois eus aqui, e ficamos confusos quando voc&ecirc; faz as palestras desse jeito. O meu primeiro tem muitos ideais&#8230;<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>&#9;Certo, &eacute; justo isso o que queremos demolir.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>&#9;Voc&ecirc; est&aacute; dizendo que eu n&atilde;o deveria dedicarme ao trabalho institucional?<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>&#9;Claro que n&atilde;o!<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>&#9;Mas esse &eacute; um ideal!<br \/>\n<b>JOKO:<\/b>&#9;N&atilde;o, n&atilde;o&#8230; Ele n&atilde;o &eacute; um ideal, voc&ecirc; faz. Por&eacute;m, reconhe&ccedil;a os pensamentos idealistas que voc&ecirc; acrescenta ao que faz. Se algu&eacute;m est&aacute; morrendo de fome na recep&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o, com certeza n&atilde;o questionaremos o que fazer. Vamos em busca de comida para lhe dar. Entretanto, em seguida, pode ser que pensemos que somos boas pessoas por termos agido assim. E isso o que acrescentamos. A&iacute; est&aacute; a sobrestrutura. Existe a a&ccedil;&atilde;o em si, depois a sobrestrutura. Sem d&uacute;vida alguma, fa&ccedil;a. O meio mais eficaz de desgastar a sobrestrutura &eacute; manter em andamento todas as coisas insensatas que fazemos sempre, mas executando-as com tanta percep&ccedil;&atilde;o consciente quanto poss&iacute;vel. Ent&atilde;o, enxergamos mais.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>&#9;Bem, isso &eacute; uma parte minha. A outra &eacute; desemprego e depress&atilde;o, e uma esp&eacute;cie de fome, e algumas pessoas que dependem de mim.<br \/>\nO que ou&ccedil;o voc&ecirc; dizer &eacute; que eu deveria simplesmente apreciar minha fome e meu desemprego e talvez nem devesse procurar um emprego?<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> N&atilde;o, n&atilde;o. De jeito nenhum! Se voc&ecirc; est&aacute; sem servi&ccedil;o esforce-se para arranjar algum. Ou, se ficar doente, fa&ccedil;a tudo que estiver a seu alcance para ficar melhor. Todavia, &eacute; o que voc&ecirc; acrescenta a essas a&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas o que chamo de sobrestrutura. Poderia ser, por exemplo, &quot;sou um cara t&atilde;o desajeitado que jamais ningu&eacute;m vai querer me empregar!&quot;. Isso &eacute; a sobrestrutura. Estar desempregado significa considerar quais s&atilde;o suas possibilidades ocupacionais dentro do mercado de trabalho atual, e, se necess&aacute;rio, obter um treinamento especializado para aumentar suas qualifica&ccedil;&otilde;es. Mas o que sempre acrescentamos a esses fatos b&aacute;sicos de uma situa&ccedil;&atilde;o?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>&#9;Tenho considerado a vida que meus pais levam e meu relacionamento com eles. Em certos aspectos parecem fracos e pare&ccedil;o ter dificuldades com isso. Os psic&oacute;logos dizem que as impress&otilde;es nos primeiros cinco anos de vida s&atilde;o t&atilde;o fortes, que elas compor&atilde;o a base da vida da pessoa. Voc&ecirc; poderia comentar a esse respeito?<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> Bem, existe o ponto de vista absoluto e o relativo. Do ponto de vista relativo, temos um hist&oacute;rico. Aconteceu muita coisa a todos n&oacute;s e, em parte, somos como somos em virtude dele. Mas, em outro sentido, n&atilde;o temos qualquer hist&oacute;rico. A pr&aacute;tica zen &eacute; ver atrav&eacute;s de nosso desejo de apegarmo-nos o nosso hist&oacute;rico e raz&otilde;es (pensamentos) de por que somos como somos, em vez de trabalharmos com a realidade de sermos o que somos. Existem muitas formas de terapia. Por&eacute;m, todas elas levam o indiv&iacute;duo a sentir que sua vida &eacute; terr&iacute;vel, por causa daquilo que algu&eacute;m lhe fez que, no m&iacute;nimo, &eacute; incompleto, ou por causa de muita coisa ter acontecido conosco, certo? Mas nossa responsabilidade est&aacute; sempre exatamente aqui, neste momento, e trata-se de vivenciar a realidade de nossa vida, como ela &eacute;. E chegar, enfim, a n&atilde;o culpar mais ningu&eacute;m por nada. Se culparmos algu&eacute;m, podemos saber que estamos presos, podemos ter certeza disso.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>&#9;Como voc&ecirc; sabe?<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> Como sei o qu&ecirc;?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>&#9;Como &eacute; que voc&ecirc; sabe tudo isso?<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> Eu n&atilde;o diria que sei&#8230; Penso que depois de anos praticando o sentar fica &oacute;bvio. E n&atilde;o estou pedindo para voc&ecirc;s acreditarem. N&atilde;o quero que ningu&eacute;m aqui acredite no que estou dizendo. Desejo que trabalhem com sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia. E depois vejam por si mesmos o que &eacute; a sua pr&oacute;pria verdade. Mas qual &eacute; especificamente a sua d&uacute;vida sobre o que falei?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b>&#9;Talvez eu esteja questionando minha abertura para acreditar em voc&ecirc;.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> Mas n&atilde;o desejo que voc&ecirc; acredite em mim! Quero que voc&ecirc; pratique! Somos quase como cientistas, trabalhando a pr&oacute;pria vida. Se formos observadores, ent&atilde;o veremos com nossos pr&oacute;prios olhos se a experi&ecirc;ncia funciona ou n&atilde;o. Se praticarmos com nossa vida e a sobrestrutura iluminar-se, ent&atilde;o saberemos por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria. Algumas religi&otilde;es dizem apenas &#8220;acredite&quot;. Crer n&atilde;o faz absolutamente parte do que estamos fazendo aqui. N&atilde;o desejo que voc&ecirc;s acreditem em mim. Mas n&atilde;o ir&aacute; fazer-lhes mal praticar. Nada do que eu lhes disse at&eacute; agora poder&aacute; lhes causar algum dano.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b> Minha quest&atilde;o tem que ver com isso. Parece que fazer essa pr&aacute;tica implica termos muita f&eacute; em n&oacute;s. E assim que me parece.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> Bem, chame de f&eacute; se quiser. N&atilde;o creio que voc&ecirc; estivesse aqui se n&atilde;o achasse que a pr&aacute;tica lhe seja &uacute;til. De certo modo, isso &eacute; f&eacute;.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b> A meu ver, parece-me importante saber o que me aconteceu durante minha inf&acirc;ncia&#8230;<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> Eu n&atilde;o mencionei que isso n&atilde;o tem utilidade. Mas sua experi&ecirc;ncia, neste momento, engloba a totalidade de sua vida, incluindo o passado e depende de voc&ecirc; saber ou n&atilde;o como vivenciar isso, realmente vivenci&aacute;-la. Veja, falamos muito a respeito de sermos nossa experi&ecirc;ncia. Por&eacute;m, isso n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, e o fazemos de forma muito esparsa. Uma coisa &eacute; darmos palestras a respeito de vivenciar o que &eacute;; outra &eacute; faz&ecirc;-lo. Como &eacute; dif&iacute;cil, evitamo-lo. Entretanto, quando praticamos bem, nossa vida \u2014 passada e presente \u2014 se resolve. Aos poucos.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b> Que lugar a prece e a afirma&ccedil;&atilde;o ocupam na pratica zen?<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> Prece e zazen s&atilde;o a mesma coisa. N&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;a. Eu evitaria afirma&ccedil;&otilde;es, porque uma afirma&ccedil;&atilde;o (por exemplo, &quot;Sou de fato uma pessoa saud&aacute;vel&quot;) pode produzir sentimentos tempor&aacute;rios de bem-estar, mas n&atilde;o reconhece a realidade imediatamente presente, que bem pode ser eu estar doente.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b> E quanto &agrave;s for&ccedil;as malignas &agrave; nossa volta que parecem estar ficando mais fortes?<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> N&atilde;o penso que existam for&ccedil;as malignas &agrave; nossa volta. Acho que h&aacute; coisas m&aacute;s sendo feitas, o que &eacute; muito diferente. Se algu&eacute;m est&aacute; machucando uma crian&ccedil;a, com certeza voc&ecirc; quer deter esse ato, mas rotula a pessoa que o est&aacute; cometendo como algu&eacute;m mau, &eacute; uma pr&aacute;tica insensata. Devemos nos opor a atos maus, n&atilde;o &agrave;s pessoas. Se n&atilde;o, ficaremos por a&iacute;, julgando e condenando todo mundo, incluindo n&oacute;s mesmos.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b> Pela mesma raz&atilde;o, ent&atilde;o, n&atilde;o se pode chamar ningu&eacute;m de bom.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> Certo. Em termos zen, em ess&ecirc;ncia, somos &quot;nada&quot;&#8230; Estamos apenas fazendo o que estamos fazendo. Quando enxergamos a irrealidade da sobrestrutura, nossa tend&ecirc;ncia &eacute; para o bem. Quando n&atilde;o existe separa&ccedil;&atilde;o entre n&oacute;s e os outros, fazemos naturalmente o bem. Nossa natureza b&aacute;sica &eacute; fazer o bem.<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b> Essa &eacute; nossa a&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n<b>JOKO:<\/b> Sim. Apenas a fazemos de modo natural. Se n&atilde;o estivermos separados dos outros por pensamentos autocentrados de cobi&ccedil;a, raiva e ignor&acirc;ncia, faremos o bem. Mas precisamos nos for&ccedil;ar a isso. &Eacute; nosso estado natural.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enxergando al&eacute;m da sobrestrutura Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; Vamos imaginar que falamos de nossa vida como se fosse uma casa, vivemos nela, e a vida vai em frente. 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