{"id":5092,"date":"2018-06-13T13:00:03","date_gmt":"2018-06-13T15:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5092"},"modified":"2020-06-10T15:10:38","modified_gmt":"2020-06-10T17:10:38","slug":"nova-jersey-nao-existe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nova-jersey-nao-existe\/","title":{"rendered":"Nova Jersey n\u00e3o existe"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Nova-Jersey-n\u00e3o-existe.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Nova-Jersey-n\u00e3o-existe-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5898\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Nova-Jersey-n\u00e3o-existe-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Nova-Jersey-n\u00e3o-existe-450x300.jpg 450w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Nova-Jersey-n\u00e3o-existe.jpg 626w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Nova Jersey n&atilde;o existe<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sempre-zen\/\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/div>\n<hr \/>\n<p>Assumimos que a realidade &eacute; tal e qual a vemos: &eacute; fixa e imut&aacute;vel. Por exemplo: se olharmos &agrave; nossa volta e virmos arbustos, &aacute;rvores, carros, presumimos que estamos vendo as coisas como elas s&atilde;o. Entretanto, isso &eacute; somente como vemos a realidade no n&iacute;vel do ch&atilde;o. Se estivermos dentro de um avi&atilde;o a 35 mil p&eacute;s de altitude, num dia de c&eacute;u claro, olhando para baixo, n&atilde;o veremos nem as pessoas nem os carros. Dessa altura, nossa realidade n&atilde;o os inclui, mas inclui o topo das montanhas, plan&iacute;cies, massas de &aacute;gua. Se o avi&atilde;o desce, muda nossa experi&ecirc;ncia da realidade. E antes que esteja quase tocando o solo, n&atilde;o veremos paisagens humanas, com seus carros, pessoas e casas. Para uma formiga que anda pela cal&ccedil;ada, os seres humanos nem existem; s&atilde;o enormes demais para ela. E a sua realidade provavelmente se comp&otilde;e das colinas e vales de urna cal&ccedil;ada. O que &eacute; o p&eacute; que pisa na formiga?<\/p>\n<p>A realidade que vive em n&oacute;s precisa funcionar de determinadas maneiras. Para tanto, devemos ser distintos das coisas que nos rodeiam, do tapete, da outra pessoa. Por&eacute;m, um microsc&oacute;pio poderoso revelaria que a realidade com que deparamos n&atilde;o est&aacute; efetivamente separada de n&oacute;s. Em um n&iacute;vel mais profundo, somos apenas &aacute;tomos e part&iacute;culas at&ocirc;micas, deslocando-se a uma velocidade espantosa. N&atilde;o h&aacute; separa&ccedil;&atilde;o entre n&oacute;s, o tapete e a outra pessoa: somos todos um s&oacute; enorme campo de energia.<\/p>\n<p>H&aacute; pouco tempo, minha filha mostrou-me algumas fotografias de gl&oacute;bulos brancos do sangue, presentes nas art&eacute;rias de coelhos. Esses gl&oacute;bulos s&atilde;o de resgate e t&ecirc;m a fun&ccedil;&atilde;o de eliminar res&iacute;duos e material impr&oacute;prio do corpo. Dentro da art&eacute;ria podem-se ver as min&uacute;sculas criaturas rastejando, limpando o caminho ao formarem pseud&oacute;podos que avan&ccedil;am na dire&ccedil;&atilde;o dos alvos. A realidade de um gl&oacute;bulo branco sang&uuml;&iacute;neo n&atilde;o &eacute; a que vemos. O que &eacute; a realidade para ele? Podemos apenas observar seu funcionamento, que consiste em limpar. &Eacute;, neste preciso momento, enquanto estamos sentados aqui, existem milh&otilde;es desses gl&oacute;bulos dentro de n&oacute;s, limpando nossas art&eacute;rias do melhor modo que sabem. Quando olhamos para a seq&uuml;&ecirc;ncia de fotos, vemos o trabalho que o gl&oacute;bulo est&aacute; tentando fazer: ele conhece sua finalidade.<\/p>\n<p>J&aacute; n&oacute;s, os humanos, talvez com os dons mais imensos de todas as criaturas, somos os &uacute;nicos seres da Terra a dizer: &quot;N&atilde;o sei qual o significado de minha vida. N&atilde;o sei para que estou aqui&quot;. Nenhum outro, com certeza n&atilde;o os gl&oacute;bulos brancos, tem essa esp&eacute;cie de confus&atilde;o. Eles trabalham sem cessar para n&oacute;s; est&atilde;o dentro de n&oacute;s, limpando-nos enquanto vivermos. E, claro, essa &eacute; apenas uma entre as centenas de milhares de fun&ccedil;&otilde;es que acontecem no seio dessa imensa intelig&ecirc;ncia que possu&iacute;mos. Todavia, como temos um c&eacute;rebro grande (que nos &eacute; dado para que possamos funcionar), arrumamos um jeito de us&aacute;-lo de maneira impr&oacute;pria, assim como aos outros dons naturais que recebemos, cometendo equ&iacute;vocos que nada t&ecirc;m que ver com o bem-estar da vida. Apesar de dotados do dom de pensar, usamo-lo de modo errado e nos perdemos. Expulsarno-nos do Jardim do &Eacute;den. Pensamos n&atilde;o em termos de trabalho que precisa ser feito em prol da vida, mas em termos de como servir nosso eu em separado, empreendimento que jamais ocorreria a um gl&oacute;bulo branco. Em pouco tempo sua vida ter&aacute; fim; ser&aacute; substitu&iacute;do por outros. Ele n&atilde;o pensa; s&oacute; executa suas tarefas.<\/p>\n<p>Ao praticarmos o zazen e ao nos darmos conta da natureza ilus&oacute;ria de nossos pseudos pensamentos, o estado de funcionamento natural come&ccedil;a a se fortalecer. Esse estado est&aacute; sempre presente, mas encontra-se t&atilde;o encoberto em quase todos n&oacute;s que apenas n&atilde;o sabemos mais o que &eacute;. Estamos t&atilde;o enredados em nossa excita&ccedil;&atilde;o, em nossa depress&atilde;o, em nossas esperan&ccedil;as, em nossos temores, que n&atilde;o conseguimos notar que nossa fun&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; viver para sempre, mas, sim, viver este momento. Tentamos de maneira in&uacute;til proteger-nos, usando pensamentos de preocupa&ccedil;&atilde;o: ficamos arquitetando de que maneira melhorar as coisas para n&oacute;s, como aumentamos nossa seguran&ccedil;a, como perpetuar indefinidamente nosso eu em separado. Nosso corpo tem sua pr&oacute;pria sabedoria; &eacute; o uso inconveniente de nosso c&eacute;rebro que acaba com nossa vida.<\/p>\n<p>H&aacute; um certo tempo quebrei meu pulso e fiquei com gesso durante tr&ecirc;s meses. Quando o removeram fiquei comovida com o que vi. Minha m&atilde;o era s&oacute; pele e ossos, d&eacute;bil, tr&ecirc;mula. Fraca demais para fazer o que fosse. Por&eacute;m, quando sa&iacute; do hospital e fui para casa, comecei a fazer uma tarefa com a m&atilde;o s&atilde;, esse nadinha de pele e ossos come&ccedil;ou a tentar ajudar. Sabia o que deveria fazer. Era quase pat&eacute;tico: aquele esqueletinho, sem poder nenhum, ainda queria ajudar. Sabia qual era sua fun&ccedil;&atilde;o. Quando olhei para aquela m&atilde;o, pareceu que n&atilde;o tinha nada que ver comigo; a m&atilde;o parecia ter vida pr&oacute;pria. Queria participar daquele trabalho. Era comovente ver aquele pedacinho de espantalho tentando fazer o servi&ccedil;o de uma verdadeira m&atilde;o.<\/p>\n<p>Se n&atilde;o confundirmos as coisas, tamb&eacute;m saberemos o que &eacute; para ser feito na vida. No entanto, n&oacute;s nos confundimos. Envolvemo-nos com rela&ccedil;&otilde;es estranhas que s&atilde;o infrut&iacute;feras; ficamos obcecados com uma pessoa, um movimento, uma filosofia. Fazemos qualquer coisa, desde que n&atilde;o seja viver de modo funcional. Mas, com a pr&aacute;tica, come&ccedil;amos a enxergar atrav&eacute;s da confus&atilde;o e podemos discernir o que precisamos fazer: assim como minha m&atilde;o esquerda, mesmo incapacitada, esfor&ccedil;ava-se para contribuir, para executar o que precisava ser feito.<\/p>\n<p>Quando algo realmente nos atormenta, nos irrita, nos apoquenta, come&ccedil;amos a pensar. Ficamos preocupados, levantamos toda esp&eacute;cie de possibilidades, pensamos, pensamos, pensamos, pois &eacute; isso que acreditamos ser a solu&ccedil;&atilde;o para os problemas da vida. De fato, o que os resolve &eacute; apenas experimentar a dificuldade que est&aacute; se desenrolando, agindo ent&atilde;o a partir da&iacute;. Suponhamos que meu filho gritou comigo e disse que sou uma droga de m&atilde;e. O que fazer? Eu poderia me justificar diante dele, explicando-lhe todas as coisas maravilhosas que fa&ccedil;o em seu beneficio. Mas o que cura de fato a situa&ccedil;&atilde;o? Simplesmente experimentar a dor do que aconteceu, considerar a presen&ccedil;a de todos os pensamentos que tenho a esse respeito. Quando fa&ccedil;o isso de modo sincero e paciente, posso come&ccedil;ar a sentir de uma maneira diferente aquele filho, e posso enxergar o que fazer. Minha a&ccedil;&atilde;o brota de minha viv&ecirc;ncia. Contudo, n&atilde;o fazemos o mesmo com os problemas da vida: ao contr&aacute;rio, rodopiamos com eles, tentando analis&aacute;-los, tentando encontrar algu&eacute;m a quem culpar pelos acontecimentos. Isso &eacute; retrocesso. Distanciamo-nos do problema: com toda essa atividade de pensar, reagir, analisar, n&atilde;o conseguimos solucionar nada. O bloqueio imposto por nossos pensamentos e nossas emo&ccedil;&otilde;es torna o problema insol&uacute;vel.<\/p>\n<p>Certa vez, quando eu estava viajando de avi&atilde;o de um lado para o outro dos Estados Unidos, soube, num determinado momento, que est&aacute;vamos mais ou menos no centro do pa&iacute;s. Olhei para baixo e pensei: &quot;Onde fica o Kansas?&quot;. N&atilde;o havia meios de dizer onde ficava. Apesar disso, pensamos realmente que existe o Kansas, o Illinois, Nova Jersey, Nova York, quando, na realidade, existe apenas uma extens&atilde;o muito longa de terra. Fazemos a mesma coisa conosco. Penso que sou Nova Jersey e ele &eacute; Nova York. Acho que devemos culpar Nova York pelos problemas de Nova Jersey (afinal todo mundo que mora fora de Nova York, mora em Nova Jersey). Nova Jersey, quando pensa que &eacute; Nova Jersey, comp&otilde;e imediatamente seu pr&oacute;prio repert&oacute;rio de problemas. Precisa se identificar com todas as suas coisas maravilhosas e, com certeza, isso n&atilde;o tem muita serventia para a Pensilv&acirc;nia, l&aacute; do outro lado. Na realidade, esses limites s&atilde;o arbitr&aacute;rios, mas se nos deixarmos levar pelos pensamentos e pelas emo&ccedil;&otilde;es que nos separam, vamos pensar que existe uma fronteira separando-nos dos outros. Quando trabalhamos de modo inteligente com os pensamentos e as emo&ccedil;&otilde;es, os limites desaparecem aos poucos, e percebemos a unidade que est&aacute; sempre l&aacute;. Se nossa mente estiver aberta, apenas recebendo o input sensorial que a vida nos apresenta, n&atilde;o temos de lutar por algo que chamamos &quot;grande ilumina&ccedil;&atilde;o&quot;. Se Nova Jersey n&atilde;o tem de existir como entidade em separado, n&atilde;o precisa se defender. Se n&atilde;o precisamos existir como entidades em separado, n&atilde;o h&aacute; problemas. Por&eacute;m nossas vidas se absorvem com a quest&atilde;o do que nos seria melhor, como poder&iacute;amos deixar a vida melhor para n&oacute;s. Os outros e as coisas s&oacute; participam na medida em que estiverem dispostos a entrar no jogo que estipularmos. Claro que eles nunca estar&atilde;o realmente dispostos porque estar&atilde;o fazendo a mesma coisa. Por isso, o jogo nunca d&aacute; certo. Por exemplo, como um casamento pode dar certo se um est&aacute; em Nova Jersey e o outro em Nova York? Pode at&eacute; dar a impress&atilde;o de funcionar uma vez ou outra, mas, enquanto o casal n&atilde;o perceber que n&atilde;o existem fronteiras (e isso implica a dissolu&ccedil;&atilde;o do bloqueio da emo&ccedil;&atilde;o-pensamento), haver&aacute; uma corrida armamentista entre ambos.<\/p>\n<p>Ainda n&atilde;o aprendemos a viver como seres humanos; criamos um mundo falso que recobre o verdadeiro. Confundimos o mapa da realidade com ela. Os mapas s&atilde;o &uacute;teis, contudo, se apenas olharmos para eles, n&atilde;o veremos a unidade que, por exemplo, s&atilde;o os Estados Unidos. N&atilde;o existe o Kansas como uma unidade em separado. Como os gl&oacute;bulos brancos, estamos projetados para ter determinadas fun&ccedil;&otilde;es dentro deste enorme padr&atilde;o de energia que somos. Precisamos ter uma determinada forma para podermos funcionar, assim como os gl&oacute;bulos brancos precisam formar os pseud&oacute;podos para realizar um servi&ccedil;o de limpeza. Precisamos ter uma certa maneira para poder funcionar; precisamos dar a impress&atilde;o de estar separados, a fim de entrarmos nesse maravilhoso jogo do qual fazemos parte. O problema &eacute; que n&atilde;o estamos jogando o verdadeiro jogo. Estamos jogando um jogo que usamos para revestir o verdadeiro, e essa falsa brincadeira acabar&aacute; conosco. Se n&atilde;o enxergarmos atrav&eacute;s dela, viveremos at&eacute; o &uacute;ltimo de nossos dias na Terra sem jamais termos desfrutado um s&oacute; deles. Quando bem jogado, esse jogo &eacute; bom, na maior parte. Inclui sofrimentos e alegrias, decep&ccedil;&otilde;es e problemas, mas &eacute; sempre real e rico, e n&atilde;o &eacute; insatisfat&oacute;rio, nem desprovido de significado. O gl&oacute;bulo branco sang&uuml;&iacute;neo n&atilde;o indaga: &quot;Qual &eacute; o sentido da vida?&quot;. Ele o sabe. E quando rompermos o bloqueio das emo&ccedil;&otilde;es-pensamentos, ent&atilde;o tamb&eacute;m come&ccedil;aremos a saber quem somos e qual nossa participa&ccedil;&atilde;o na vida. O que nos cabe fazer na vida? Se n&atilde;o nos confundirmos muito com falsos pensamentos saberemos. Ao nos desviarmos de nossa obsess&atilde;o pessoal com n&oacute;s mesmos, a resposta se torna &oacute;bvia. Mas n&atilde;o fazemos isso com facilidade porque estamos vinculados a um pensamento centrado em n&oacute;s, repleto de certezas.<\/p>\n<p>&Agrave;s vezes, por&eacute;m, quando praticamos de maneira meticulosa, existem momentos (por vezes horas at&eacute; mesmo dias) em que, embora ainda tenhamos os mesmos problemas, tudo fica certo. Quanto mais tempo e dedica&ccedil;&atilde;o tivermos empenhado em nossa pr&aacute;tica, mais essa sensa&ccedil;&atilde;o dura. Esse &eacute; o estado de ilumina&ccedil;&atilde;o; nele, simplesmente dizemos: &quot;Oh, isso precisa ser feito? Tudo bem. Tenho de ir ao dentista na ter&ccedil;a-feira. Posso n&atilde;o gostar, mas est&aacute; certo. Preciso ficar duas horas com aquela pessoa aborrecida&#8230; bem, vamos ver no que &eacute; que d&aacute;&quot;. &Eacute; inacredit&aacute;vel: o fluir fica t&atilde;o f&aacute;cil! Ent&atilde;o (se n&atilde;o tomamos cuidado), a confus&atilde;o come&ccedil;a a invadir o espa&ccedil;o de novo. A clareza e a for&ccedil;a come&ccedil;am a se dissipar. A marca registrada de anos de uma boa pr&aacute;tica &eacute; que os per&iacute;odos de clareza duram mais e os de confus&atilde;o, menos.<\/p>\n<p>Claro que, independente do tempo de pr&aacute;tica, existem partes da vida que parecem embrulhadas e confusas. &quot;N&atilde;o sei muito bem o que est&aacute; havendo aqui&quot;. Paradoxalmente, por&eacute;m, querer estar embrulhado e na confus&atilde;o &eacute; a clareza em si. Muitas vezes ou&ccedil;o de meus alunos: &quot;Tenho me sentido confusa a respeito da pr&aacute;tica, estou um pouco nervosa. Parece que n&atilde;o estou conseguindo clareza nas coisas&quot;. O que fazer ent&atilde;o? Na realidade, todos os fatos da vida s&atilde;o assim. Para todos n&oacute;s, cada dia apresenta per&iacute;odos como esse. O que fazer? Em vez de tentarmos compreender a confus&atilde;o e o nervosismo, para podermos chegar a alguma parte, perguntamo-nos: &quot;Qual &eacute; a sensa&ccedil;&atilde;o da confus&atilde;o?&quot;. Voltamos ao corpo e suas sensa&ccedil;&otilde;es, acompanhando os pensamentos flutuantes. Muito antes de percebermos, estamos de volta na trilha.<\/p>\n<p>Em &eacute;pocas de confus&atilde;o e de depress&atilde;o, o pior que pode ocorrer &eacute; tentar ser de algum outro modo. O port&atilde;o sem port&atilde;o est&aacute; sempre exatamente aqui, quando nos vivenciamos como somos, e n&atilde;o do jeito que acreditamos que dever&iacute;amos ser. Ao fazermos isso de verdade, o port&atilde;o se abre, embora ele se abra quando deve e, n&atilde;o necessariamente, quando desejamos que aconte&ccedil;a. Para algumas pessoas, uma abertura precoce seria desastrosa. Sou c&eacute;tica quanto a pr&aacute;ticas que for&ccedil;am o ritmo das coisas; for&ccedil;ar a clareza, r&aacute;pido demais, apenas cria mais problemas. Claro que a alternativa n&atilde;o &eacute; sentar sem fazer nada. Precisamos manter a conscientiza&ccedil;&atilde;o das sensa&ccedil;&otilde;es corporais, dos pensamentos e do que mais estiver aqui, seja o que for. N&atilde;o precisamos julgar se nossa pr&aacute;tica do sentar &eacute; boa ou m&aacute;. Existe s&oacute; o seguinte: &quot;Estou aqui e pelo menos estou ciente de parte da minha vida&quot;. Ao praticar com meticulosidade, essa porcentagem tende a aumentar.<\/p>\n<p>Uma parte de n&oacute;s &eacute; como o gl&oacute;bulo branco: est&aacute; sempre ali e sabe o que fazer. Quer funcionar. A pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; um empurr&atilde;o m&iacute;stico na dire&ccedil;&atilde;o de qualquer outro lugar, sabe-se l&aacute; onde. O absoluto n&atilde;o est&aacute; em nenhum outro lugar. Onde mais poderia estar se n&atilde;o precisamente aqui? Meu nervosismo &eacute; o qu&ecirc;? Uma vez que existe aqui e agora, se estou nervosa, esse &eacute; o nirvana, o absoluto. &Eacute; isso. N&atilde;o h&aacute; para onde ir; estamos sempre precisamente aqui. Onde mais poder&iacute;amos estar, exceto onde estamos? Estamos sempre como somos. Nossa intelig&ecirc;ncia inata sabe quem somos e &quot;qual &eacute; a nossa&#8221; neste mundo, desde que n&atilde;o embaralhemos tudo.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova Jersey n&atilde;o existe Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; Assumimos que a realidade &eacute; tal e qual a vemos: &eacute; fixa e imut&aacute;vel. 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