{"id":5105,"date":"2018-06-13T13:44:29","date_gmt":"2018-06-13T15:44:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5105"},"modified":"2018-06-13T13:46:59","modified_gmt":"2018-06-13T15:46:59","slug":"iluminacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/iluminacao\/","title":{"rendered":"Ilumina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/iluminacao-2\/iluminacao-3\/\" rel=\"attachment wp-att-5107\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Ilumina\u00e7\u00e3o-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5107\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Ilumina\u00e7\u00e3o-300x300.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Ilumina\u00e7\u00e3o-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Ilumina\u00e7\u00e3o-50x50.jpg 50w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Ilumina\u00e7\u00e3o.jpg 721w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Ilumina&ccedil;&atilde;o<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sempre-zen\/\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/div>\n<hr \/>\n<p>Algu&eacute;m me disse h&aacute; poucos dias: &quot;Sabe de uma coisa? Voc&ecirc; nunca fala sobre ilumina&ccedil;&atilde;o. Seria poss&iacute;vel mencionar alguma coisa a esse respeito?&quot;. O problema de se falar sobre a &quot;ilumina&ccedil;&atilde;o&quot; &eacute; que nossa conversa tende a criar uma imagem do que seja esse estado e, no entanto, a ilumina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma imagem e, sim, o estilha&ccedil;ar de todas as imagens! E uma vida estilha&ccedil;ada n&atilde;o &eacute; exatamente aquilo pelo que estamos esperando!<\/p>\n<p>O que significa estilha&ccedil;ar nossa maneira habitual de ver a vida? Minha experi&ecirc;ncia costumeira da vida est&aacute; centrada em minha pessoa. Afinal de contas, eu &eacute; que estou vivenciando as impress&otilde;es incessantes. N&atilde;o posso sentir suas experi&ecirc;ncias de vida; tenho sempre as minhas. O inevit&aacute;vel &eacute; que chega o momento em que passo a acreditar que existe um &quot;eu&#8221; central em minha vida, uma vez que as experi&ecirc;ncias que vivo parecem centradas em torno do &quot;eu&quot;. &quot;Eu&quot; vejo, &quot;eu&#8221; ou&ccedil;o, &quot;eu&#8221; sinto, &quot;eu&#8221; penso, &quot;eu&quot; tenho estas e aquelas opini&otilde;es. Poucas vezes questionamos esse &quot;eu&quot;. Mas no estado de ilumina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o existe &quot;eu&quot;; existe apenas a vida em si, uma pulsa&ccedil;&atilde;o da energia atemporal, cuja pr&oacute;pria natureza inclui \u2014 ou &eacute; \u2014 tudo.<\/p>\n<p>O processo da pr&aacute;tica &eacute; come&ccedil;ar a notar por que n&atilde;o nos damos conta de nossa natureza: &eacute; sempre nossa identifica&ccedil;&atilde;o exclusiva com o pr&oacute;prio corpo e mente que temos, com o &quot;eu&quot;. Para nos darmos conta de nosso estado natural de ilumina&ccedil;&atilde;o, devemos enxergar esse equ&iacute;voco e estilha&ccedil;&aacute;-lo. O caminho da pr&aacute;tica consiste em ir de forma deliberada contra um modo de vida absorto, exclusivamente, na pr&oacute;pria pessoa.<\/p>\n<p>O primeiro est&aacute;gio da pr&aacute;tica &eacute; ver que toda a minha vida est&aacute; centrada em torno de mim mesma: &quot;Sim, tenho estas e aquelas opini&otilde;es centradas em mim, tenho estes e aqueles pensamentos centrados em torno de mim, tenho estas e mais estas emo&ccedil;&otilde;es centradas em mim&#8230; Eu, eu, eu, eu, eu tenho todas essas viv&ecirc;ncias da manh&atilde; at&eacute; a noite&quot;. Simplesmente essa conscientiza&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; em si um grande passo.<\/p>\n<p>A seguir, um outro est&aacute;gio (e cada um deles pode custar anos para passar) &eacute; observar o que fazemos com todos os pensamentos, fantasias e emo&ccedil;&otilde;es; em geral, apegamo-nos a eles, acalentamo-los, acreditamos que sem eles ficar&iacute;amos perdidos e infelizes. &quot;Sem ela, estou perdido.&quot; &quot;A menos que essa situa&ccedil;&atilde;o desapare&ccedil;a, n&atilde;o vou conseguir o que pretendo.&quot; Se exigirmos da vida que ela seja de um certo modo, &eacute; inevit&aacute;vel que soframos, porque ela &eacute; sempre apenas do jeito que &eacute; e isso significa, nem sempre justa, agrad&aacute;vel. A vida n&atilde;o &eacute; particularmente da maneira como desejamos. &Eacute; apenas como &eacute;. O que n&atilde;o nos impede de desfrut&aacute;-la, de apreci&aacute;-la, de lhe sermos gratos.<\/p>\n<p>Somos como filhotes de passarinho dentro do ninho, esperando pelo papai e pela mam&atilde;e para porem comida em nossos biquinhos esgoelados. Isso condiz com filhotes de passarinho, embora mam&atilde;e e papai-passarinhos tenham mais liberdade e fiquem voando pelos cantos o dia todo. Podemos crer que n&atilde;o sentimos inveja da vida dos filhotes de passarinho: fazemos exatamente o mesmo que eles, esperando que a vida nos coloque guloseimas dentro da boca. &quot;Quero que as coisas aconte&ccedil;am do meu jeito. Quero isto de qualquer jeito. Quero que aquela amiga seja diferente. Quero que minha m&atilde;e seja cordata; quero viver onde gosto; quero dinheiro.., quero sucesso&#8230; quero&#8230;&quot; Somos beb&ecirc;s-passarinhos exceto que escondemos nossas &acirc;nsias e as avezinhas, n&atilde;o.<\/p>\n<p>Num certo filme document&aacute;rio aparece uma mam&atilde;e-ursa cuidando de seus filhotes. Ela os ensina a ca&ccedil;ar, a pescar, a subir, a fazer tudo que precisam saber para lhes garantir a sobreviv&ecirc;ncia. Ent&atilde;o, certo dia, ela os ati&ccedil;a a subir todos numa &aacute;rvore. O que ela faz? A mam&atilde;e-ursa apenas vai embora e n&atilde;o olha nem para tr&aacute;s! Como &eacute; que os filhotes se sentem diante disso? Provavelmente ficam aterrorizados, mas o caminho da liberdade &eacute; sentir-se aterrorizado.<\/p>\n<p>Somos todos filhotes de passarinho, filhotes de urso, e gostar&iacute;amos de encontrar um pouco de mam&atilde;e-vida em quem nos pendurar, de prefer&ecirc;ncia de dezoito jeitos diferentes, sen&atilde;o pelo menos de um. Ningu&eacute;m deseja ser despejado do ninho porque &eacute; aterrorizante. Por&eacute;m o processo de alcan&ccedil;ar a plena independ&ecirc;ncia (ou de vivenciar que j&aacute; somos isso) &eacute; ser aterrorizante in&uacute;meras vezes seguidas. Lutamos contra a liberdade e o abandono de nossos sonhos de que um dia a vida acabar&aacute; sendo exatamente como a desejamos, que ela, enfim, nos abrigar&aacute;. Por isso &eacute; que a pr&aacute;tica parece t&atilde;o dif&iacute;cil. O zazen serve para nos libertar para uma vida em que planaremos alto; nela, a liberdade, o desapego, &eacute;, enfim, o estado de ilumina&ccedil;&atilde;o: ser apenas a vida.<\/p>\n<p>Em nossos primeiros anos de pr&aacute;tica, fazemos o zazen para entender nosso apego em seus aspectos processuais mais grotescos. Depois, com o passar dos anos, praticamos com nossas formas mais sutis (e at&eacute; mais intoxicantes) de apego e depend&ecirc;ncia. A pr&aacute;tica &eacute; para a vida toda. N&atilde;o h&aacute; fim para ela. Mas se de fato efetuarmos a pr&aacute;tica, realizaremos sem d&uacute;vida a nossa liberdade. O filhote de urso afastado da m&atilde;e durante dois ou tr&ecirc;s meses pode n&atilde;o ter a for&ccedil;a nem a habilidade dela, mas ainda assim est&aacute; se saindo bem e, &eacute; prov&aacute;vel que esteja se divertindo mais com a vida do que o ursinho que tem de ir atr&aacute;s da m&atilde;e para todo lado.<\/p>\n<p>O zazen  di&aacute;rio &eacute; essencial, todavia diante de nossa teimosia costumamos precisar da press&atilde;o de longos per&iacute;odos de pr&aacute;tica do sentar para podermos enxergar nossos apegos. Sentarmos durante todo um longo sesshin &eacute; um golpe formid&aacute;vel em nossas esperan&ccedil;as e nossos sonhos, em nossas barreiras contra a ilumina&ccedil;&atilde;o. Afirmar que n&atilde;o h&aacute; esperan&ccedil;a n&atilde;o &eacute;, em absoluto, uma declara&ccedil;&atilde;o pessimista. N&atilde;o pode haver esperan&ccedil;a porque n&atilde;o h&aacute; coisa alguma al&eacute;m deste momento. Quando esperamos, estamos ansiosos, porque ficamos perdidos entre o que somos e o que esperamos ser. A aus&ecirc;ncia de esperan&ccedil;a (o desapego, o estado de ilumina&ccedil;&atilde;o) &eacute; uma vida de quietude, de equanimidade, de pensamentos e emo&ccedil;&otilde;es genu&iacute;nos. &Eacute; o fruto da verdadeira pr&aacute;tica, sempre benef&iacute;cio &agrave; pessoa e aos outros, e digno de toda a incessante devo&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica que exige.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilumina&ccedil;&atilde;o Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; Algu&eacute;m me disse h&aacute; poucos dias: &quot;Sabe de uma coisa? Voc&ecirc; nunca fala sobre ilumina&ccedil;&atilde;o. Seria poss&iacute;vel mencionar alguma coisa a esse respeito?&quot;. O problema de se falar sobre a &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/iluminacao\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5107,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,40],"tags":[70],"class_list":["post-5105","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-joko","category-zen","tag-pratica-zen"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5105"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5105\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5109,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5105\/revisions\/5109"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5107"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}