{"id":5111,"date":"2018-06-13T14:27:17","date_gmt":"2018-06-13T16:27:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5111"},"modified":"2021-08-04T20:22:56","modified_gmt":"2021-08-04T22:22:56","slug":"dos-problemas-as-solucoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/dos-problemas-as-solucoes\/","title":{"rendered":"Dos problemas as solu\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/solucoes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/solucoes-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"150\" class=\"alignleft size-medium wp-image-7177\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/solucoes-300x150.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/solucoes-1024x512.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/solucoes-768x384.jpg 768w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/solucoes-500x250.jpg 500w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/solucoes.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Dos problemas &agrave;s decis&otilde;es<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sempre-zen\/\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/div>\n<hr \/>\n<p>&Agrave;s vezes, as pessoas que aparecem no Centro, em geral as novas, dizem que o que realmente desejam &eacute; encontrar uma vida espiritual, uma vida de integra&ccedil;&atilde;o e unidade, uma vida em que se sintam unidas a tudo e n&atilde;o separadas das coisas. N&atilde;o h&aacute; nada de errado nisso, &eacute; o que estamos fazendo aqui.<\/p>\n<p>Apesar disso, n&atilde;o creio que a maioria possa definir o que &eacute; &quot;vida espiritual&quot;. Por isso, falamos principalmente sobre o que ela n&atilde;o &eacute;. H&aacute; um famosa passagem da literatura zen: &quot;Um d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a e c&eacute;u e terra est&atilde;o separados&quot;. A que isso se refere? Qual &eacute; esse d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a a partir do qual &quot;c&eacute;u e terra est&atilde;o separados&quot;, em que a totalidade da vida fica perdida (ou assim achamos que esteja)? Do ponto de vista absoluto, nada poderia quebrar essa unidade, mas da perspectiva relativa em que nos encontramos, algo n&atilde;o parece encaixado. A totalidade essencial da vida nos parece inating&iacute;vel. As vezes temos vislumbres, mas na maior parte do tempo, n&atilde;o.<\/p>\n<p>Por exemplo, na &eacute;poca do Natal, as pessoas ou est&atilde;o se divertindo ou enlouquecem. As vezes conseguimos combinar os dois estados! &Eacute; uma &eacute;poca em que costumamos  tomar consci&ecirc;ncia de nossa ansiedade e de nossas rupturas. Al&eacute;m disso, quando nos aproximamos do Ano Novo, sentimos que esse tipo de comemora&ccedil;&atilde;o &eacute; um momento de virada e n&atilde;o h&aacute; ser humano que possa considerar esse instante com superficialidade. Temos um determinado n&uacute;mero de viradas de ano no planeta. Para quem for um pouco sens&iacute;vel, a virada do Ano Novo &eacute; crucial. Necessitamos enxergar esse d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a, observar o que ele &eacute;, e como est&aacute; relacionado com as viradas de nossa vida.<\/p>\n<p>Uma passagem b&iacute;blica diz o seguinte: &quot;O homem &eacute; o que pensa no cora&ccedil;&atilde;o&quot;. Essa inquieta&ccedil;&atilde;o de que estamos falando, essa separa&ccedil;&atilde;o, esse d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a. vem de como a gente &quot;pensa no cora&ccedil;&atilde;o&quot;. (&quot;Cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se refere a alguma caracter&iacute;stica emocional, e, sim, ao cora&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o, &agrave; verdade do problema, ao cerne mesmo, como no Sutra do Cora&ccedil;&atilde;o.) &quot;O homem &eacute; o que pensa no cora&ccedil;&atilde;o&quot;: conforme vai enxergando a verdade de sua vida &eacute; isso que ele &eacute;. Bem, quanto mais enxergamos qual &eacute; a verdade de nossa vida, mais veremos o que &eacute; esse d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a. Isso me leva a duas palavras que se parecem e costumam ser usadas como sin&ocirc;nimos: decis&otilde;es e problemas.<\/p>\n<p>Da manh&atilde; &agrave; noite, a vida n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o decis&otilde;es. O instante em que abrimos os olhos pela manh&atilde; tomamos decis&otilde;es: levanto agora ou fico mais uns cinco minutinhos? Em especial, devo me levantar e sentar! Primeiro uma x&iacute;cara de caf&eacute;? O que comer no desjejum? O que fazer primeiro hoje? &Eacute; dia livre, devo ir ao banco? Ou apenas me divertir? Escrevo ou n&atilde;o aquelas cartas? De manh&atilde; at&eacute; de noite tomamos uma decis&atilde;o atr&aacute;s da outra e &eacute; normal. Nada de estranho nisso. Mas a vida nos parece uma s&eacute;rie de problemas, e, n&atilde;o, de decis&otilde;es.<\/p>\n<p>Podemos dizer, por exemplo: &quot;Mas uma coisa &eacute; decidir se vai primeiro ao banco ou ao supermercado. Essa &eacute; uma decis&atilde;o simples. Por&eacute;m, o que me acontece &eacute; realmente um problema de vida&quot;. Pode ser que se relacione com seu emprego, porque ele de fato n&atilde;o &eacute; bom. Pode ser que estejamos desempregados&#8230; qualquer coisa. N&atilde;o pensamos que seja s&oacute; uma decis&atilde;o, acreditamos que seja um problema. Todos nos preocupamos com o que fazer para solucionar os problemas; todo mundo considera a vida um problema, pelo menos parte do tempo. Outro exemplo: &quot;Estou trabalhando em San Diego. Tenho uma namorada fant&aacute;stica aqui, gosto do clima, mas, &eacute; incr&iacute;vel, recebi uma oferta irrecus&aacute;vel em Kansas City que envolve mais dinheiro&quot;. Sentimos que n&atilde;o podemos tomar apenas uma decis&atilde;o, e a&iacute; temos um problema. &Eacute; nesses momentos que a vida humana fica completamente enrolada e quando surge o d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p>O que devemos fazer a respeito de nossos problemas, em vez de rumina&ccedil;&atilde;o, an&aacute;lise, pensamentos que se remoem de forma incessante, sentimentos de desorienta&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o estou me referindo a quest&otilde;es sem import&acirc;ncia; tomamos alguma decis&atilde;o e sa&iacute;mos do impasse. Entretanto, quando nos acontece algo significativo na vida \u2014 &quot;Entro nessa rela&ccedil;&atilde;o?&quot; &quot;Termino-a?&quot; &quot;Se quiser acabar com essa rela&ccedil;&atilde;o, o que fazer?&quot; \u2014 ficamos sem saber como agir. E, ent&atilde;o, que a frase citada tem sentido: &quot;O homem &eacute; aquilo que pensa no cora&ccedil;&atilde;o&quot;. O que realmente decide uma quest&atilde;o &eacute; o modo como pensamos no cora&ccedil;&atilde;o, o que vemos que nossa vida &eacute;. A partir desse conhecimento tomamos nossas decis&otilde;es.<\/p>\n<p>Suponhamos que praticamos o zazen h&aacute; dois anos. Talvez nem percebamos, mas &eacute; prov&aacute;vel que nos comportemos de diversas maneiras diante de como encerrar uma rela&ccedil;&atilde;o, agora e antes de iniciarmos a pr&aacute;tica, porque cremos que somos diferentes e que uma pessoa &eacute; outra. Uma pr&aacute;tica s&eacute;ria modifica o modo como encaramos a vida e, por isso, come&ccedil;a a se modificar o que fazemos com ela. As pessoas querem uma maquininha para tomar decis&otilde;es e resolver problemas. N&atilde;o podem haver maquininhas fixas. Contudo, se conhecermos cada vez mais quem somos, tomaremos nossas decis&otilde;es a partir da&iacute;.<\/p>\n<p>Por exemplo, imaginemos que se diga a Madre Teresa: &quot;Bem, Madre, por que n&atilde;o considerar a possibilidade de viver em San Francisco, em vez de Calcut&aacute;? Aqui a vida noturna &eacute; melhor. H&aacute; lugares mais bonitos para sair e jantar. O clima &eacute; mais ameno&quot;. Todavia como ela toma sua decis&atilde;o? Como chega &agrave; decis&atilde;o de ficar naquela parte infernal de Calcut&aacute; onde trabalha? De onde brotou essa decis&atilde;o? &quot;O homem &eacute; aquilo que pensa no cora&ccedil;&atilde;o.&quot; Provavelmente de suas preces. Depois de muitos anos consigo mesma, ela v&ecirc; que o lugar onde trabalha e o que faz n&atilde;o s&atilde;o um problema, s&atilde;o uma decis&atilde;o t&atilde;o somente.<\/p>\n<p>Quanto mais sabemos quem somos, mais nossos problemas mudam para: &quot;Sou assim e, por isso, farei aquilo, ou at&eacute; certo ponto estou disposto a faz&ecirc;-lo&quot;. As vezes faremos a escolha em favor de algo que, para os outros, parece muito cansativo e desagrad&aacute;vel. &quot;Mas como &eacute; que. voc&ecirc; faz isso? Eu n&atilde;o faria!&quot; Para mim, no fundo de meu cora&ccedil;&atilde;o, &eacute; como sinto que sou e &eacute; desta maneira que minha vida quer se manifestar. Ent&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; problema.<\/p>\n<p>Portanto, quando algo em nossa vida parecer insol&uacute;vel, significa que estamos pensando que existe um problema que nos parece, do lado de l&aacute;, um objeto, um grapefruit. N&atilde;o estamos vendo nosso problema como n&oacute;s mesmos. Uma forma de fazer com que o problema se transforme numa decis&atilde;o &eacute; sentar com ele, fazer o zazen. Por exemplo, a decis&atilde;o a respeito de onde trabalhar. Se eu sentar com essa quest&atilde;o, os pensamentos vir&atilde;o flutuando para me aclarar as reservas que tenho ou seja l&aacute; o que for, sobre trabalhar em outro estado. Procedo &agrave; sua rotula&ccedil;&atilde;o e deixo que flutuem at&eacute; acabar. Preocupo-me, analiso e remoo. Volto o tempo todo &agrave; experi&ecirc;ncia direta de meu corpo sobre a verdade desta quest&atilde;o. Mantenho-me apenas sentado com a tens&atilde;o e a contra&ccedil;&atilde;o, respirando com aten&ccedil;&atilde;o. Quando ajo dessa forma, entro mais em sintonia com quem sou e a decis&atilde;o come&ccedil;a a ficar clara. Se eu me sentir completamente emaranhado, n&atilde;o &eacute; que existe um problema para o qual preciso encontrar alguma solu&ccedil;&atilde;o, &eacute; que s&oacute; n&atilde;o sei quem sou com respeito &agrave; situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Suponhamos, por exemplo, que eu n&atilde;o sei se caso ou n&atilde;o com um certo homem por causa de seu dinheiro, ou com outro s&oacute; porque gosto dele. Se essa quest&atilde;o alguma vez vier a mim, ent&atilde;o existe algo que desconhe&ccedil;o a meu respeito. O problema n&atilde;o est&aacute; do lado de l&aacute;. O problema est&aacute; aqui: n&atilde;o sei quem sou. Quando sei, como Madre Teresa, n&atilde;o terei problemas para saber quem escolher. Quanto mais eu souber quem sou, mais conseguirei reduzir minhas necessidades &agrave;s verdadeiras. N&atilde;o me ocorre mais descobrir, de repente, que preciso de qualquer jeito ter isso ou aquilo. N&atilde;o &eacute; que eu desista de tudo, &eacute; s&oacute; que de fato n&atilde;o preciso mais tanto disso ou daquilo. A maioria dos que praticam o sentar por muitos anos descobre que suas vidas se tonaram muito mais simplificadas, n&atilde;o por causa de alguma virtude, mas porque, necessitando menos, os desejos naturalmente desaparecem. As pessoas que hoje me conhecem n&atilde;o conseguem acreditar, por&eacute;m durante anos a fio eu jamais fui trabalhar sem esmalte nas unhas e batom combinando; eu ficava incomodada se essas coisas n&atilde;o estivessem combinando. Embora eu nunca tivesse sido rica, sempre tinha belas roupas. N&atilde;o que haja algum problema em se ter uma bela apar&ecirc;ncia; n&atilde;o estou afirmando isso. Estou dizendo que, quando os desejos auto-centrados s&atilde;o a principal preocupa&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o a pessoa ter&aacute; problemas com suas decis&otilde;es. Elas ser&atilde;o um problema. Mas, praticando o zazen, uma vez que muda a preocupa&ccedil;&atilde;o central a respeito do que na realidade se quer para a pr&oacute;pria vida, os desejos e as indecis&otilde;es simplesmente se desmancham no ar.<\/p>\n<p>No Natal temos dificuldades, correndo sem parar de um canto para outro, tentando realizar os desejos de todo mundo. Temos de saber, para n&oacute;s, o que nos &eacute; central. Ent&atilde;o, sabemos quanto &eacute; apropriado que o fa&ccedil;amos. Claro que esse conhecimento de quem somos &eacute; sempre fragment&aacute;rio, incompleto e at&eacute; mesmo elementar. Apesar disso, mantendo-nos na pr&aacute;tica, veremos cada vez mais que a vida n&atilde;o &eacute; problemas nem reclama&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>N&atilde;o estou afirmando que nunca devamos nos divertir. Teremos o desejo de nos divertir na propor&ccedil;&atilde;o em que esse divertimento for pertinente &agrave; imagem de quem somos num dado momento. Se precisamos de bastante tempo livre &eacute; simplesmente assim que vemos a n&oacute;s e a nossa vida. Mas com o tempo isso ir&aacute; diminuir, porque n&atilde;o conseguimos sintonizar com o cerne da quest&atilde;o, com nosso cerne, sem que tudo o mais que est&aacute; em torno tamb&eacute;m mude. T. S. Elliot escreveu a respeito desse eixo im&oacute;vel em torno do qual o universo gira. Esse eixo im&oacute;vel n&atilde;o &eacute; uma coisa. Quanto mais praticamos, mais o conhecemos. Todavia, sem uma pr&aacute;tica persistente e paciente, que &eacute; o zazen para a maioria de n&oacute;s, nossa tend&ecirc;ncia &eacute; ficar confusos. Por exemplo, pode ser que exijamos de n&oacute;s muitos sacrif&iacute;cios pessoais. As vezes pode ocorrer que nosso sacrif&iacute;cio em nome de outra pessoa seja ruim para ela. Outras ocasi&otilde;es &eacute; exatamente o que tem de ser feito. Quando enfrentamos uma decis&atilde;o sobre fazer ou n&atilde;o uma coisa para outra pessoa e dizermos enfim: &quot;N&atilde;o, isso eu n&atilde;o lhe fa&ccedil;o&quot;, de onde vem essa capacidade de tomar uma decis&atilde;o s&aacute;bia? Vem de uma clareza cada vez maior a respeito de quem somos e do que &eacute; nossa vida. Ao longo dos anos, fa&ccedil;o cada vez menos pelas pessoas, pelo menos no sentido que costumava. Sempre que algu&eacute;m com uma pequena dificuldade batia &agrave; minha porta, eu costumava achar que tinha de atend&ecirc;-lo logo. Agora coloco-me em primeiro lugar uma por&ccedil;&atilde;o de vezes. Isso n&atilde;o &eacute; necessariamente ser ego&iacute;sta, pode at&eacute; ser a melhor coisa a ser feita.<\/p>\n<p>O conhecimento do que precisa ser feito vai de forma lenta se esclarecendo com a pr&aacute;tica. As decis&otilde;es tornam-se apenas decis&otilde;es: n&atilde;o s&atilde;o mais problemas de dilacerar os cora&ccedil;&otilde;es. O sesshin &eacute; um meio de impelir-nos para al&eacute;m do plano onde se situa aquela parte de n&oacute;s que deseja enervar-se com os problemas. Por meio de suas pr&oacute;prias estruturas nos confere, quer o desejemos ou n&atilde;o, um espa&ccedil;o onde enxergamos com mais nitidez. Por&eacute;m, o mais importante &eacute; o sentar di&aacute;rio. N&atilde;o estou me referindo a apenas sentar de algum dos antigos modos. Sendo assim, n&atilde;o &eacute; um sentar inteligente. &Eacute; quase pior fazer isso do que n&atilde;o o fazer. Temos de saber o que estamos fazendo. Sen&atilde;o, constru&iacute;mos um mundo de fantasia que talvez seja mais prejudicial do que n&atilde;o praticar o sentar de jeito nenhum. Ent&atilde;o, vamos &agrave;s perguntas.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Parece que, se n&oacute;s temos id&eacute;ias a respeito do que &eacute; certo e errado, elas interferem.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Sem d&uacute;vida que sim! Porque s&atilde;o pensamentos e est&atilde;o dentro de minha cabe&ccedil;a dizendo o que est&aacute; certo e errado; s&atilde;o meus pontos de vista pessoais e, em geral, t&ecirc;m uma origem emocional, que interfere na clareza que deve existir quando olho para mim e para os outros.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Creio que a resposta &eacute; ver a realidade simplesmente como ela &eacute;.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Muito bem. Mais uma vez, essa representa&ccedil;&atilde;o em termos da pr&aacute;tica em si pode n&atilde;o ser t&atilde;o simples: &quot;Um d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a&#8230;&quot; o que &eacute; isso?<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Se existe uma coisa que eu planejei fazer e de repente acontece uma outra, que com a primeira forma dois cen&aacute;rios entre os quais devo escolher um, nesse intervalo come&ccedil;o a ficar inquieto e a ter pensamentos autocentrados&#8230;<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Ent&atilde;o voc&ecirc; est&aacute; com um &quot;problema&quot;, certo?<br \/>\n<b>ALUNO:<\/b> Com mais de um d&eacute;cimo de polegada!<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Mais do que um d&eacute;cimo de polegada! Certo?<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Talvez a diferen&ccedil;a tenha que ver com a capacidade de reconhecer o que me compete, as responsabilidades que me cabem.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Voc&ecirc; sempre sabe quais s&atilde;o elas?<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> N&atilde;o!<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Ent&atilde;o, o que cria aquele d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a, que nos impede de ver? Todos t&ecirc;m deveres e obriga&ccedil;&otilde;es, mas confundimo-los tamb&eacute;m e os transformamos em problemas. O que &eacute; que nos cria esse d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a?<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Queremos coisas.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Queremos coisas, sim.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Temos pensamentos sobre d&aacute;-las.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> E s&oacute; podemos dar de verdade quando n&atilde;o necessitamos de nenhuma esp&eacute;cie de retribui&ccedil;&atilde;o. Certo? Quero, quero, quero, quero. Apenas reconhecer que eu quero tudo: que a minha vida seja de tal jeito e n&atilde;o de outro; isso tem muito que ver com aquele d&eacute;cimo de polegada de diferen&ccedil;a. Todo mundo deseja que a vida aconte&ccedil;a de acordo com nossa imagem, de prefer&ecirc;ncia de uma maneira confort&aacute;vel. Agrad&aacute;vel. Que mais? Plena de esperan&ccedil;as futuras? N&atilde;o existe futuro. &quot;Algum dia vai ficar tudo certo.&quot; Quem sabe?<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Para mim, &eacute; uma entrega. Se eu consigo me entregar ao que est&aacute; acontecendo, ent&atilde;o n&atilde;o convoco tantas coisas nas quais acabo trope&ccedil;ando.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Se realmente conseguimos nos entregar, &eacute; &oacute;timo. Mas o que atrapalha o caminho da entrega? Eu. E do que consiste esse eu?<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Raiva. Quero que seja de outro jeito! N&atilde;o foi assim que eu planejei.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Certo. Esses s&atilde;o todos pensamentos. Se os v&iacute;ssemos apenas como pensamentos, poder&iacute;amos voltar ao que precisa ser feito.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Quando vemos um problema, devemos usar a vontade para mud&aacute;-lo?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Voc&ecirc; est&aacute; fazendo men&ccedil;&atilde;o &agrave; diferen&ccedil;a entre decis&otilde;es e problemas. Se voc&ecirc; realmente enxergar que os problemas s&atilde;o voc&ecirc;, em vez de consider&aacute;-los um problema a ser solucionado, pode perguntar: &quot;O que est&aacute; acontecendo aqui?&quot;. O que voc&ecirc; v&ecirc; acontecer &eacute; em geral sua pr&oacute;pria raiva, seu pr&oacute;prio medo, seus pr&oacute;prios pensamentos. Quanto mais voc&ecirc; se familiariza com eles e acompanha a tens&atilde;o f&iacute;sica, fica &oacute;bvio se &eacute; o caso ou n&atilde;o de tentar alguma interfer&ecirc;ncia. N&atilde;o estou dizendo que n&atilde;o se deva jamais mudar as coisas. Entretanto, o que fazer para mudar fica evidente, como &eacute; com Madre Teresa.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Isso &eacute; a cura?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> A cura? N&atilde;o existe cura, mais no minuto em que voc&ecirc; acolhe a vida e a faz ser voc&ecirc; mesmo, voc&ecirc; s&oacute; v&ecirc; o que &eacute;, o que est&aacute; se passando. A&iacute; ter&aacute; desaparecido o d&eacute;cimo de polegada, entende? Porque o problema n&atilde;o est&aacute; mais l&aacute;. Sou s&oacute; eu. Ent&atilde;o, n&atilde;o amedronta mais. Ao termos paci&ecirc;ncia e praticarmos o sentar, nossa tend&ecirc;ncia &eacute; ver cada vez mais o que fazer. N&atilde;o &eacute; t&atilde;o misterioso. E saberemos quando &eacute; ou n&atilde;o o momento de mudar as coisas. Como diz o ditado, conquistamos a aceita&ccedil;&atilde;o para as coisas que n&atilde;o podem ser mudadas, a coragem para o que precisa ser mudado e a sabedoria para distinguir a diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> O que nos leva a querer fazer o que &eacute; apropriado?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Estamos sempre querendo fazer o que &eacute; apropriado, quando estamos em contato conosco. &quot;O homem &eacute; aquilo que pensa no cora&ccedil;&atilde;o.&quot; E n&atilde;o s&oacute; ele &eacute;, como tamb&eacute;m faz. Ele age.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos problemas &agrave;s decis&otilde;es Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; &Agrave;s vezes, as pessoas que aparecem no Centro, em geral as novas, dizem que o que realmente desejam &eacute; encontrar uma vida espiritual, uma vida de integra&ccedil;&atilde;o &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/dos-problemas-as-solucoes\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5113,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,40],"tags":[70],"class_list":["post-5111","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-joko","category-zen","tag-pratica-zen"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5111"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7178,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5111\/revisions\/7178"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5113"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}