{"id":5126,"date":"2018-06-13T14:55:47","date_gmt":"2018-06-13T16:55:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5126"},"modified":"2018-06-13T14:55:47","modified_gmt":"2018-06-13T16:55:47","slug":"compromisso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/compromisso\/","title":{"rendered":"Compromisso"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=5127\" rel=\"attachment wp-att-5127\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Compromisso.jpg\" alt=\"\" width=\"189\" height=\"266\" class=\"alignleft size-full wp-image-5127\" \/><\/a><br \/>\n<b>Compromisso<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sempre-zen\/\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/div>\n<hr \/>\n<p>Havia, certa vez, um rapaz que estava perdidamente apaixonado por uma mo&ccedil;a linda, mas malvada. Ela, queria que ele n&atilde;o tivesse outros pensamentos sen&atilde;o para ela, por isso disse-lhe: &quot;A &uacute;nica forma de eu me comprometer com voc&ecirc; &eacute; voc&ecirc; decepar a cabe&ccedil;a de sua m&atilde;e e traz&ecirc;-la para mim&quot;.<\/p>\n<p>O rapaz amava a m&atilde;e, mas estava t&atilde;o alucinado com a id&eacute;ia de sua paix&atilde;o pela mo&ccedil;a que mal podia aguardar para cumprir o seu pedido. Ent&atilde;o, correu at&eacute; sua casa e decepou a cabe&ccedil;a de sua m&atilde;e. Agarrou-a pelos cabelos e correu noite adentro, porque n&atilde;o conseguia esperar o momento de estar de novo com sua amada. Com a cabe&ccedil;a da m&atilde;e na m&atilde;o , corria de volta pela rua o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel, quando a cabe&ccedil;a lhe falou: &quot;Por favor, meu filho, n&atilde;o se apresse, voc&ecirc; pode cair e se machucar&quot;.<\/p>\n<p>Essa hist&oacute;ria fala do amor materno imorredouro e de seu comprometimento inabal&aacute;vel. Comprometimento e verdadeiro amor s&atilde;o irm&atilde;os g&ecirc;meos. A palavra &quot;comprometer&quot; vem do latim committere, que significa p&ocirc;r junto, unir, confiar, conectar. Significa entregar uma pessoa ou uma coisa aos cuidados de algu&eacute;m.<\/p>\n<p>Para entender o comprometimento, devemos intuir cada vez mais a natureza da realidade, n&atilde;o s&oacute; com a cabe&ccedil;a, mas tamb&eacute;m com a barriga: o que somos e o que s&atilde;o todas as coisas. Podemos sentir que j&aacute; estamos comprometidos com um trabalho ou uma pessoa em particular, mas o verdadeiro comprometimento &eacute; algo mais profundo. Nosso comprometimento ficar&aacute; desprovido de for&ccedil;a e de resolu&ccedil;&atilde;o a menos que nos fiquem claros seus votos b&aacute;sicos, que dizem respeito a um comprometer-se com todos os seres sens&iacute;veis e n&atilde;o apenas com alguns em especial. Em nossas no&ccedil;&otilde;es habituais de comprometimento, costumamos pensar mais ou menos o seguinte: &quot;Bem, agora que estamos comprometidos um com o outro &eacute; evidente que voc&ecirc; deve ser de um certo jeito: deve amar apenas a mim, deve passar a maior parte de seu tempo comigo, deve me p&ocirc;r sempre em primeiro lugar&#8230;&quot;. Se estamos comprometidos com o trabalho, tornamo-nos possessivos: &eacute; nosso trabalho, nosso projeto, nosso neg&oacute;cio, nossos lucros. Podemos dizer tamb&eacute;m: &quot;Uma vez que estou comprometido, devo ser de uma certa maneira no que se refere a esse compromisso&quot;. Em nossas no&ccedil;&otilde;es costumeiras do que seja um comprometimento, o objeto dele se torna, aos nossos olhos, o objeto que possu&iacute;mos, um investimento que deve retornar nas formas de seguran&ccedil;a e felicidade.<\/p>\n<p>Na verdade, nossos compromissos s&atilde;o, em geral, uma mescla de nossa natureza Buda \u2014 aquela parte de n&oacute;s que pode dizer, como a m&atilde;e daquela f&aacute;bula, &quot;O que quer que voc&ecirc; fa&ccedil;a, eu te amo, e desejo o melhor para voc&ecirc;, e a outra que fala: &quot;Comprometo-me com voc&ecirc; desde que&#8230;&quot;. Que tipo de desde que venenoso &eacute; esse! O verdadeiro comprometimento e o verdadeiro amor n&atilde;o t&ecirc;m desde que. N&atilde;o se abalam com as circunst&acirc;ncias transit&oacute;rias. Como escreveu Shakespeare: amor n&atilde;o &eacute; amor se se altera quando encontra altera&ccedil;&atilde;o&quot;.<br \/>\nO&#9;comprometimento n&atilde;o pode ser for&ccedil;ado por resmungos, raiva, greves, quaisquer manobras destinadas a agradar, embora coloquemos todas essas t&aacute;ticas em pr&aacute;tica. N&atilde;o pode ser for&ccedil;ado de modo algum. Para aprofundarmos nosso comprometimento, devemos ser testemunhas de nossas manobras e nossos truques, testemunhas de nossas tentativas sutis e ostensivas de obter o que desejamos, que &eacute; sempre seguran&ccedil;a e certezas. A m&atilde;e daquele epis&oacute;dio certamente n&atilde;o estava segura, nem tinha certezas: tinha apenas sua cabe&ccedil;a. Todavia, mesmo na morte, desejava o melhor para o filho. Claro que n&atilde;o somos assim. Somos humanos.<\/p>\n<p>Eu jamais diria a uma pessoa: &quot;Apenas comprometa-se com algu&eacute;m e comece a lutar da&iacute; em diante&quot;. Mesmo se passarmos meses e anos para decidir que aquela &quot;&eacute; a pessoa&quot;, talvez s&oacute; comecemos a nos comprometer. Estamos enganando aos outros e a n&oacute;s mesmos se pensarmos que, porque fizemos algumas promessas, estamos comprometidos.<\/p>\n<p>No comprometimento fechamos a porta. Uma vez que n&atilde;o somos Budas realizados, n&atilde;o podemos ou n&atilde;o queremos nos comprometer com qualquer um. No entanto, ap&oacute;s muitas hesita&ccedil;&otilde;es e preocupa&ccedil;&otilde;es, finalmente nos comprometemos com algo ou algu&eacute;m. Depois de termos feito isso, precisamos fechar a porta do forno e cozinhar. Comprometimento significa que n&atilde;o deixamos preparada uma sa&iacute;da de emerg&ecirc;ncia. Qualquer casamento, qualquer rela&ccedil;&atilde;o de compromisso, inclusive o comprometimento com nossos filhos, com nossos pais e amigos, &eacute; relativo a este tipo de escolha.<\/p>\n<p>Quando &quot;fecharmos a porta&quot; seremos felizes? Uma parte do tempo, mas essa n&atilde;o &eacute; a quest&atilde;o. A quest&atilde;o do comprometer-se n&atilde;o &eacute; se o compromisso nos agrada ou n&atilde;o. Parte do tempo, sim, claro, por&eacute;m n&atilde;o contemos com isso.<\/p>\n<p>O comprometimento nem sempre &eacute; com outra pessoa. Podemos nos comprometer a ficar s&oacute;s. Para a maioria das pessoas, esse comprometimento &eacute; uma boa pr&aacute;tica, pelo menos de vez em quando. Talvez nos comprometamos a ficar s&oacute;s durante seis meses, um ano, cinco anos. Poucos s&atilde;o os que v&ecirc;em o ficar s&oacute; como apenas o ficar s&oacute;; v&ecirc;mo-lo como solid&atilde;o ou infelicidade. No entanto, n&atilde;o me refiro a alguma esp&eacute;cie de retiro em uma caverna. Refiro-me ao ficar s&oacute; que podemos praticar enquanto nos devotamos a tudo e a todos. Se realizarmos essa pr&aacute;tica, devemos ser honestos no que tange &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es que acompanham tal comprometimento. Ningu&eacute;m quer se devotar a tudo e a todos. &Eacute; uma pr&aacute;tica visceral, exigente, que nem todos dizem respeito a um comprometer-se com todos os seres sens&iacute;veis e n&atilde;o apenas com alguns em especial. Em nossas no&ccedil;&otilde;es habituais de comprometimento, costumamos pensar mais ou menos o seguinte: &quot;Bem, agora que estamos comprometidos um com o outro &eacute; evidente que voc&ecirc; deve ser de um certo jeito: deve amar apenas a mim, deve passar a maior parte de seu tempo comigo, deve me p&ocirc;r sempre em primeiro lugar&#8230;&quot;. Se estamos comprometidos com o trabalho, tornamo-nos possessivos: &eacute; nosso trabalho, nosso projeto, nosso neg&oacute;cio, nossos lucros. Podemos dizer tamb&eacute;m: &quot;Uma vez que estou comprometido, devo ser de uma certa maneira no que se refere a esse compromisso&quot;. Em nossas no&ccedil;&otilde;es costumeiras do que seja um comprometimento, o objeto dele se torna, aos nossos olhos, o objeto que possu&iacute;mos, um investimento que deve retornar nas formas de seguran&ccedil;a e felicidade.<\/p>\n<p>Na verdade, nossos compromissos s&atilde;o, em geral, uma mescla de nossa natureza Buda \u2014 aquela parte de n&oacute;s que pode dizer, como a m&atilde;e daquela f&aacute;bula, &quot;O que quer que voc&ecirc; fa&ccedil;a, eu te amo, e desejo o melhor para voc&ecirc;&quot;, e a outra que fala: &quot;Comprometo-me com voc&ecirc; desde que&#8230;&quot;. Que tipo de desde que venenoso &eacute; esse! O verdadeiro comprometimento e o verdadeiro amor n&atilde;o t&ecirc;m desde que. N&atilde;o se abalam com as circunst&acirc;ncias transit&oacute;rias. Como escreveu Shakespeare: &quot;O amor n&atilde;o &eacute; amor se se altera quando encontra altera&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>O comprometimento n&atilde;o pode ser for&ccedil;ado por resmungos, raiva, greves, quaisquer manobras destinadas a agradar, embora coloquemos todas essas t&aacute;ticas em pr&aacute;tica. N&atilde;o pode ser for&ccedil;ado de modo algum. Para aprofundarmos nosso comprometimento, devemos ser testemunhas de nossas manobras e nossos truques, testemunhas de nossas tentativas sutis e ostensivas de obter o que desejamos, que &eacute; sempre seguran&ccedil;a e certezas. A m&atilde;e daquele epis&oacute;dio certamente n&atilde;o estava segura, nem tinha certezas: tinha apenas sua cabe&ccedil;a. Todavia, mesmo na morte, desejava o melhor para o filho. Claro que n&atilde;o somos assim. Somos humanos.<\/p>\n<p>Eu jamais diria a uma pessoa: &quot;Apenas comprometa-se com algu&eacute;m e comece a lutar da&iacute; em diante&quot;. Mesmo se passarmos meses e anos para decidir que aquela &quot;&eacute; a pessoa&quot;, talvez s&oacute; comecemos a nos comprometer. Estamos enganando aos outros e a n&oacute;s mesmos se pensarmos que, porque fizemos algumas promessas, estamos comprometidos.<\/p>\n<p>No comprometimento fechamos a porta. Uma vez que n&atilde;o somos Budas realizados, n&atilde;o podemos ou n&atilde;o queremos nos comprometer com qualquer um. No entanto, ap&oacute;s muitas hesita&ccedil;&otilde;es e preocupa&ccedil;&otilde;es, finalmente nos comprometemos com algo ou algu&eacute;m. Depois de termos feito isso, precisamos fechar a porta do forno e cozinhar. Comprometimento significa que n&atilde;o deixamos preparada uma sa&iacute;da de emerg&ecirc;ncia. Qualquer casamento, qualquer rela&ccedil;&atilde;o de compromisso, inclusive o comprometimento com nossos filhos, com nossos pais e amigos, &eacute; relativo a este tipo de escolha.<\/p>\n<p>Quando &quot;fecharmos a porta&quot; seremos felizes? Uma parte do tempo, mas essa n&atilde;o &eacute; a quest&atilde;o. A quest&atilde;o do comprometer-se n&atilde;o &eacute; se o compromisso nos agrada ou n&atilde;o. Parte do tempo, sim, claro, por&eacute;m n&atilde;o contemos com isso.<\/p>\n<p>O comprometimento nem sempre &eacute; com outra pessoa. Podemos nos comprometer a ficar s&oacute;s. Para a maioria das pessoas, esse comprometimento &eacute; uma boa pr&aacute;tica, pelo menos de vez em quando. Talvez nos comprometamos a ficar s&oacute;s durante seis meses, um ano, cinco anos. Poucos s&atilde;o os que v&ecirc;em o ficar s&oacute; como apenas o ficar s&oacute;; v&ecirc;mo-lo como solid&atilde;o ou infelicidade. No entanto, n&atilde;o me refiro a alguma esp&eacute;cie de retiro em uma caverna. Refiro-me ao ficar s&oacute; que podemos praticar enquanto nos devotamos a tudo e a todos. Se realizarmos essa pr&aacute;tica, devemos ser honestos no que tange &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es que acompanham tal comprometimento. Ningu&eacute;m quer se devotar a tudo e a todos. &Eacute; uma pr&aacute;tica visceral, exigente, que nem todos est&atilde;o com pressa de realizar.<\/p>\n<p>Jesus disse: &quot;O que tiveres feito ao menor de meus irm&atilde;os te-lo-&aacute;s feito a mim&quot;. N&atilde;o podemos nos comprometer com mais nada e mais ningu&eacute;m, a menos que estejamos comprometidos com tudo. Isso n&atilde;o significa que tenhamos de gostar, ou que possamos faz&ecirc;-lo por completo. Mas essa &eacute; a pr&aacute;tica. &Eacute; importante que cada um reconhe&ccedil;a o que, em sua pr&oacute;pria vida, &eacute; &quot;o menor&quot;. Pensamos de imediato naquelas pessoas que s&atilde;o muito pobres. No entanto, &quot;o menor&quot; refere-se ao &quot;menor&#8221; em mim, em voc&ecirc;. O que &eacute; menor para voc&ecirc;? A que em sua vida voc&ecirc; tem o menor interesse em servir? Para a maioria, &quot;menor&#8221; s&atilde;o certas pessoas de quem n&atilde;o gostam ou com quem t&ecirc;m dificuldades: as pessoas consideradas descart&aacute;veis. &quot;Menores&quot; podem ser tamb&eacute;m as pessoas a quem tememos, as que nos intimidam. Num n&iacute;vel mais sutil, podem ser aquelas que sentimos que devemos instruir, iluminar ou ajudar.<\/p>\n<p>Voc&ecirc;s podem retrucar: &quot;Sejamos realistas. Como &eacute; poss&iacute;vel que eu me devote a algu&eacute;m a quem n&atilde;o posso suportar? Para dizer a verdade, quando fico a menos de um metro dele &eacute; demais&quot;. Como fazer isso? Bem, aprendemos a praticar com essa situa&ccedil;&atilde;o. O que implica uma absoluta honestidade para conosco: reconheceremos que n&atilde;o gostamos daquela pessoa e n&atilde;o queremos ficar pr&oacute;ximos dela, e, claro, observaremos todos os pensamentos emocionais em torno dessa rela&ccedil;&atilde;o. Adotamos tamb&eacute;m a mesma abordagem quanto aos nossos empregos. H&aacute; os que trabalham em tarefas que julgam inferiores a si (n&atilde;o importa o que isso quer dizer). &quot;Tenho grau universit&aacute;rio. Por que &eacute; que fico pondo caixas em prateleiras? Como dedicar-me a uma tarefa t&atilde;o insignificante?&quot;<\/p>\n<p>As pessoas desejam que a pr&aacute;tica seja gostosa, f&aacute;cil. N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil dizer: &quot;Oh, estou comprometido com o mundo, com o dharma&quot;. Mas isso &eacute; muito dif&iacute;cil de fazer. O mundo, o dharma, nos &eacute; revelado em cada criatura e em cada coisa que encontramos. Estaremos comprometidos com aquele transeunte vomitando na sarjeta? Estaremos comprometidos com o caixa que acabou de nos devolver troco a menos, ou com aquela pessoa com pose de superior?<\/p>\n<p>Uma vez que somos de natureza b&uacute;dica, verdadeira, sabemos que a alegria &eacute; nosso direito de nascen&ccedil;a. Onde est&aacute; ela? Est&aacute; nos esperando na pr&oacute;pria pr&aacute;tica que estamos mencionando. Somente atrav&eacute;s dessa pr&aacute;tica &eacute; que podemos entrar na alegria e no verdadeiro comprometimento com nosso trabalho e nossas rela&ccedil;&otilde;es, a totalidade de nossa vida.<\/p>\n<p>Uma vez que nossas principais dificuldades s&atilde;o com as pessoas, n&atilde;o falamos tanto quanto poder&iacute;amos a respeito de nossos comprometimentos (sua falta) com os objetos. Por exemplo, se mantemos nosso quarto numa bagun&ccedil;a total, n&atilde;o estamos comprometidos. Estamos indicando que existe algo mais importante do que os objetos que s&atilde;o nossa vida. (Fui criada por uma m&atilde;e perfeccionista e, durante muitos anos, revoltei-me contra essa press&atilde;o fazendo-me de t&atilde;o desmazelada quanto pude). N&atilde;o estamos falando tamb&eacute;m da organiza&ccedil;&atilde;o neur&oacute;tica. N&atilde;o obstante, nossa pr&aacute;tica deve acolher todas as pessoas e coisas, cada gato, cada l&acirc;mpada, cada peda&ccedil;o de lixa, cada hortali&ccedil;a, cada fralda. Se n&atilde;o tomarmos muito cuidado, ent&atilde;o n&atilde;o saberemos o que &eacute; o comprometer-se. O comprometimento n&atilde;o &eacute; algo que aconte&ccedil;a por acaso; &eacute; uma capacidade que cresce como um m&uacute;sculo: sendo exercitada.<\/p>\n<p>N&atilde;o pretendo estar estipulando uma outra s&eacute;rie in&eacute;dita de mandamentos. N&atilde;o falo muito sobre os Preceitos porque as pessoas os interpretam de modo equivocado: &quot;Devo ser organizada. Joko diz que eu devo&quot;. Mas precisamos levar em conta nossa tend&ecirc;ncia para atirar as coisas para todos os lados, para deixar que se queimem sem necessidade, para p&ocirc;r no prato mais do que precisamos comer. Por qu&ecirc;? Se nosso comprometimento n&atilde;o for total, ent&atilde;o o que chamamos de nosso compromisso de casamento, nosso compromisso com os filhos, com o trabalho, com a pr&aacute;tica, com o dharma, estar&atilde;o sendo minados nas bases. &quot;O que tiveres feito ao menor de meus irm&atilde;os, te-lo-&aacute;s feito a mim.&quot; Se quisermos conhecer a alegria, n&atilde;o podemos dizer &quot;Ah, eu sou simplesmente despreocupada&quot;. Nossa pr&aacute;tica sempre e o menor.<\/p>\n<p>O comprometimento &eacute; um funcionamento. Porque evitamos o funcionamento, a testemunha tem de ser t&atilde;o afiada quanto uma tacha. N&atilde;o me interessa a quantas experi&ecirc;ncias de ilumina&ccedil;&atilde;o voc&ecirc;s se apaguem. N&atilde;o h&aacute; nada al&eacute;m da vida di&aacute;ria. Esta mesa &eacute; o dharma. Ontem estava empoeirada. Hoje est&aacute; limpa. Estamos chegando ao fim deste sesshin, mas n&atilde;o se enganem: o sesshin mais dif&iacute;cil inicia-se, quando voc&ecirc;s retomarem seus hor&aacute;rios normais.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compromisso Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; Havia, certa vez, um rapaz que estava perdidamente apaixonado por uma mo&ccedil;a linda, mas malvada. 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