{"id":5137,"date":"2018-06-14T11:01:09","date_gmt":"2018-06-14T13:01:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5137"},"modified":"2018-06-14T11:07:22","modified_gmt":"2018-06-14T13:07:22","slug":"sem-trocas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sem-trocas\/","title":{"rendered":"Sem trocas"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sem-trocas\/sem-trocas-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5140\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Sem-trocas.jpg\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"191\" class=\"alignleft size-full wp-image-5140\" \/><\/a><br \/>\n<b>Sem trocas<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/sempre-zen\/\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/div>\n<hr \/>\n<p>Qual &eacute; a diferen&ccedil;a entre uma vida de manipula&ccedil;&otilde;es e uma sem manipula&ccedil;&otilde;es? Como alunos do zen &eacute; prov&aacute;vel que n&atilde;o pensemos em n&oacute;s como pessoas manipuladoras. Claro que n&atilde;o estamos seq&uuml;estrando avi&otilde;es. Mas, num sentido mais sutil, somos todos manipuladores e realmente n&atilde;o queremos ser assim.<\/p>\n<p>Consideremos duas maneiras pelas quais podem se desenrolar as a&ccedil;&otilde;es em nossa vida. Por um lado, a a&ccedil;&atilde;o pode ser ditada por nossa &quot;mente falsa&quot;: a mente de opini&otilde;es, fantasias, desejos, a pequena mente que encontramos quando sentamos. Por exemplo, por alguma raz&atilde;o n&atilde;o apreciamos determinada pessoa e, por isso, tratamo-la de modo preconceituoso. Por outro lado, nossa a&ccedil;&atilde;o pode advir do input sensorial que nossa vida recebe. Imaginemos que ao ir de um lado para o outro na cozinha deixo cair um cacho de uvas no ch&atilde;o. Observo, curvo-me, colho. Essa a&ccedil;&atilde;o foi ditada pelo input sensorial e n&atilde;o &eacute; manipuladora.<\/p>\n<p>Todavia, vamos supor que tenho um conceito: a cozinha deve ser limpa. Por causa dele, procuro meios para limp&aacute;-la. Bem, est&aacute; certo t&ecirc;-lo, est&aacute; &oacute;timo que a cozinha fique limpa. No entanto, quando o conceito n&atilde;o &eacute; visto como tal; quando, por exemplo, vivemos numa fam&iacute;lia na qual ter uma casa limpa domina a vida dom&eacute;stica, temos uma a&ccedil;&atilde;o que foi produzida por um conceito, e n&atilde;o brotou da percep&ccedil;&atilde;o de uma necessidade. Por exemplo, o n&iacute;vel de limpeza da cozinha ser&aacute; provavelmente ditado pelo fato de ter ou n&atilde;o crian&ccedil;as pequenas na casa. Se voc&ecirc; tem tr&ecirc;s ou quatro filhos com menos de seis anos, o ch&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; imaculado, a menos que voc&ecirc; seja o tipo de m&atilde;e que pensa que uma cozinha reluzente &eacute; mais importante do que a fam&iacute;lia. Alguns aqui cresceram em fam&iacute;lias iguais a essa. Nesses casos, algo est&aacute; indo para tr&aacute;s. O conceito n&atilde;o &eacute; visto apenas como um conceito, mas como a Verdade. &quot;As cozinhas devem ser limpas. &Eacute; errado deixar as cozinhas sujas.&quot;<\/p>\n<p>Para corresponder aos conceitos acabamos com a fam&iacute;lia, com as na&ccedil;&otilde;es, com tudo. Todas as guerras baseiam-se neles, em alguma ideologia que uma certa na&ccedil;&atilde;o afirma ser a Verdade. A mente falsa &eacute; ditatorial, sempre querendo for&ccedil;ar o mundo a cumprir o conceito, em vez de abrir-se para a necessidade percebida Por isso, quando a a&ccedil;&atilde;o &eacute; regressiva, torna-se manipuladora. Precisamos de conceitos para poder funcionar; eles n&atilde;o s&atilde;o o problema em si. O problema aparece quando acreditamos que eles s&atilde;o a Verdade. Pensar que uma cozinha precisa ser limpa n&atilde;o &eacute; &aacute; Verdade: &eacute; um conceito. A mente falsa lida com trocas, n&atilde;o com a experi&ecirc;ncia. O que isso quer dizer?<\/p>\n<p>Nosso sofrimento est&aacute; fundamentado numa falsa no&ccedil;&atilde;o do eu, num eu composto por conceitos. Se pensarmos que na realidade ele existe, e acreditarmos que seus conceitos s&atilde;o a Verdade, ent&atilde;o come&ccedil;amos a sentir a necessidade de proteg&ecirc;-lo, sentimos que &eacute; nosso dever satisfazer seus desejos. Se pensamos que uma cozinha precisa ficar limpa, ent&atilde;o nos esfor&ccedil;amos para cumprir esse mandamento, mesmo que represente importunar e obrigar os outros a conseguirmos atingir nosso alvo. O &quot;eu&quot; &eacute; apenas uma pessoa que acredita que seus conceitos s&atilde;o a Verdade, que est&aacute; obcecada com a execu&ccedil;&atilde;o de toda e qualquer medida capaz de proteger o eu com conceitos que promovam seu prazer e conforto.<\/p>\n<p>Quando vivemos dessa forma, duas palavras governam o universo: eu quero. Se olharmos de fato, veremos que o eu quero est&aacute; governando nossa vida. Pode ser que desejemos aprova&ccedil;&atilde;o, sucesso, ilumina&ccedil;&atilde;o, sossego, estado de sa&uacute;de razo&aacute;vel, excita&ccedil;&otilde;es, amor. &quot;Eu quero, eu quero, eu quero, eu quero.&quot; Sempre queremos porque estamos tentando tomar conta desse conceito que &eacute;, a nosso ver, o &#8220;eu&#8221;. Queremos fazer com que a vida se encaixe em nossos conceitos.<\/p>\n<p>Por exemplo, se desejarmos dar a impress&atilde;o de sermos altru&iacute;stas, organizaremos tudo para que essa seja a impress&atilde;o que iremos causar. (O que talvez n&atilde;o tenha nada que ver com ser altru&iacute;sta.) Nenhum ato, nenhuma a&ccedil;&atilde;o, parte alguma de nosso comportamento est&aacute; livre da expectativa de uma troca. Quando executamos uma a&ccedil;&atilde;o, esperamos uma retribui&ccedil;&atilde;o. Em troca do que fazemos, esperamos um retorno. Nas trocas comuns, se voc&ecirc; vende bananas e dou-lhe dinheiro, terei bananas e &eacute; uma troca leg&iacute;tima. Mas o jogo em que entramos quando esperamos algo em troca de nossos atos n&atilde;o &eacute; bem este.<\/p>\n<p>Por exemplo, se eu dou um presente de tempo, dinheiro ou esfor&ccedil;o o que espero em troca? O que voc&ecirc;s esperam? Talvez eu sinta que tenho direito a um pouco de gratid&atilde;o. Se dou alguma coisa, espero em troca uma outra. Esperamos que aquela pessoa corresponda a nossos conceitos pessoais. Quando damos um presente, estamos sendo nobres, certo? Estamos dando alguma coisa, ser&aacute; que ele n&atilde;o poderia ao menos notar? Esperamos algo em troca. &Eacute; uma barganha. Transformamos a vida &quot;do lado de l&aacute;&quot; em algo que participa de uma barganha.<\/p>\n<p>Se trabalhamos para uma organiza&ccedil;&atilde;o, esperamos uma troca por isso. Se fizermos algo por ela, onde est&aacute; a outra metade do jogo, onde est&aacute; a troca? Se entramos numa organiza&ccedil;&atilde;o, esperamos em troca reconhecimento, import&acirc;ncia, tratamento especial.<\/p>\n<p>Se tivermos paci&ecirc;ncia diante de uma situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil e segurarmos a l&iacute;ngua (&quot;Sabe, qualquer um iria explodir, mas eu sou mesmo muito paciente&quot;), o que esperamos em tudo? Algu&eacute;m dever&aacute; notar como tenho sido paciente! Estamos sempre procurando uma retribui&ccedil;&atilde;o; at&eacute; poder&iacute;amos p&ocirc;r um sinal de que &eacute; dinheiro. Ou, se somos compreensivos perdoamos (&quot;Afinal de contas, todo mundo sabe como ela &eacute; dif&iacute;cil&quot;), o que &eacute; que esperamos? Se nos sacrificamos, o que dever&iacute;amos receber em troca? Muitos dos jogos entre pais e filhos se d&atilde;o nessa &aacute;rea. &quot;Fiz tudo por voc&ecirc;, e voc&ecirc; &eacute; t&atilde;o ingrato!&quot; Essa &eacute; a &quot;troca&quot;: a mentalidade manipuladora, uma forma sutil de seq&uuml;estro.<\/p>\n<p>Raramente temos aquilo que esperamos. Se praticarmos por tempo suficiente, chegaremos a ver que toda expectativa de retribui&ccedil;&atilde;o &eacute; um erro. O mundo n&atilde;o consiste em objetos &quot;do lado de l&aacute;&quot;, cujo prop&oacute;sito seja corresponder a meus conceitos. Com o tempo, vemos com mais clareza que quase tudo que fazemos tem uma expectativa de troca por tr&aacute;s \u2014 a percep&ccedil;&atilde;o mais dolorosa.<\/p>\n<p>Quando as expectativas n&atilde;o se cumprem \u2014 quando n&atilde;o conseguimos aquilo que desejamos \u2014 temos o ponto no qual a pr&aacute;tica pode come&ccedil;ar. Trungpa Rinpoche escreveu que: &quot;As decep&ccedil;&otilde;es s&atilde;o a melhor carruagem para usarmos no caminho do Dharma&quot;. A decep&ccedil;&atilde;o &eacute; nossa melhor amiga, nossa guia infal&iacute;vel, mas &eacute; claro que ningu&eacute;m gosta de amigos assim.<\/p>\n<p>Ao recusarmo-nos a trabalhar nossa decep&ccedil;&atilde;o, quebramos os Preceitos: em vez de vivenci&aacute;-la, recorremos &agrave; raiva, &agrave; cobi&ccedil;a, &agrave; intriga, &agrave; cr&iacute;tica. Contudo, proveitoso &eacute; justamente o momento em que podemos ser a decep&ccedil;&atilde;o e, caso n&atilde;o estejamos dispostos a tanto, pelo menos dever&iacute;amos notar que n&atilde;o o estamos. O momento de uma decep&ccedil;&atilde;o &eacute; um presente de vida incompar&aacute;vel que recebemos muitas vezes por dia, se estivermos atentos. Esse presente sempre acontece na vida das pessoas; &eacute; aquele momento em que sentimos que: &quot;N&atilde;o foi bem assim que planejei&quot;.<\/p>\n<p>Uma vez que a vida di&aacute;ria se movimenta com rapidez, nem sempre temos a clareza de perceber o que est&aacute; se passando. Mas quando sentamos na calma podemos observar e vivenciar nossa decep&ccedil;&atilde;o. Sentar todo dia &eacute; nosso p&atilde;o com manteiga, o conte&uacute;do b&aacute;sico do dharma. Sem ele, &eacute; f&aacute;cil nos confundirmos.<\/p>\n<p>Depois de um sesshin curto como o que tivemos no &uacute;ltimo final de semana, &eacute; gratificante para mim ver como as pessoas ficam mais suaves e abertas. O sesshin &eacute; apenas a recusa de corresponder a nossas expectativas! Do come&ccedil;o ao fim, ele tem a finalidade de nos frustrar! &Eacute; inevit&aacute;vel que nos cause alguma dor, mental ou f&iacute;sica; &eacute; uma experi&ecirc;ncia prolongada de &quot;n&atilde;o foi bem assim que planejei!&quot;. Quando nos sentamos com isso, sempre nos resta um res&iacute;duo de troca. Em certos casos &eacute; muito evidente. Por&eacute;m as pessoas que melhor aproveitam o sesshin s&atilde;o em geral as que n&atilde;o participaram de muitos. Os veteranos podem evitar os sesshins mesmo estando neles! Sabem como evitar a dor nas pernas para que ela n&atilde;o fique muito forte; sabem muitos truques sutis para evitar a coisa toda. Como os novatos s&atilde;o menos habilidosos, os sesshins os atingem em cheio e, muitas vezes, acontecem mudan&ccedil;as evidentes.<\/p>\n<p>Quanto mais cientes de nossas expectativas, mais veremos nossa &acirc;nsia de manipular a vida em vez de viv&ecirc;-la tal como ela &eacute;. Os alunos, cuja pr&aacute;tica est&aacute; amadurecendo, n&atilde;o ficam com raiva tantas vezes porque v&ecirc;em suas expectativas, seus desejos, antes de produzirem raiva. Mas se j&aacute; atingiram no est&aacute;gio da raiva, essa &eacute; a pr&aacute;tica. Nosso alerta para entrarmos em pr&aacute;tica, nosso &quot;sinal vermelho&quot;, &eacute; o momento em que ficamos aborrecidos, decepcionados. &quot;N&atilde;o foi bem assim que planejei!&quot; Alguma expectativa n&atilde;o se realizou e sentimos a irritabilidade, a frustra&ccedil;&atilde;o e o desejo de que tudo fosse de outro jeito. O &quot;eu quero&quot; foi frustrado. Este ponto justamente &eacute; o &quot;port&atilde;o sem port&atilde;o&quot;, porque o &uacute;nico meio de transformar o &quot;eu quero&#8221; em &quot;eu sou&#8221; e vivenciando as pr&oacute;prias decep&ccedil;&otilde;es e frustra&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A a&ccedil;&atilde;o advinda da experi&ecirc;ncia \u2014 colher o cacho de uva do ch&atilde;o \u2014 &eacute; a a&ccedil;&atilde;o que decorre de uma necessidade percebida; n&atilde;o &eacute; manipuladora. A a&ccedil;&atilde;o que vem da mente falsa das expectativas, do &quot;eu quero&quot;, &eacute; tir&acirc;nica, &eacute; a mente de um seq&uuml;estrador. Quando acreditamos em nossos pensamentos e conceitos a respeito de outrem ou de acontecimentos tornamo-nos manipuladores e nossa vida tem pouca compaix&atilde;o. A vida da compaix&atilde;o n&atilde;o &eacute; manipuladora, porque n&atilde;o tem trocas.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem trocas Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; Qual &eacute; a diferen&ccedil;a entre uma vida de manipula&ccedil;&otilde;es e uma sem manipula&ccedil;&otilde;es? Como alunos do zen &eacute; prov&aacute;vel que n&atilde;o pensemos em n&oacute;s como pessoas manipuladoras. 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