{"id":5167,"date":"2018-06-14T17:33:00","date_gmt":"2018-06-14T19:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5167"},"modified":"2018-06-14T17:33:00","modified_gmt":"2018-06-14T19:33:00","slug":"o-casulo-da-dor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-casulo-da-dor\/","title":{"rendered":"O casulo da dor"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=5168\" rel=\"attachment wp-att-5168\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-casulo-da-dor-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5168\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-casulo-da-dor-203x300.jpg 203w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/O-casulo-da-dor.jpg 609w\" sizes=\"auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><\/a><br \/>\n<b>O casulo da dor<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><em><strong>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>, extra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nada-especial\/\">Nada Especial<\/a>&#8220;<em><strong><\/strong><\/em><\/strong><\/em><\/div>\n<hr \/>\n<p>Qual &eacute; o deus que constru&iacute;mos? O que de fato honramos, a que damos realmente aten&ccedil;&atilde;o, de momento a momento? Poder&iacute;amos cham&aacute;-lo de o deus do conforto, das amenidades e da seguran&ccedil;a. Quando reverenciamos esse deus, destru&iacute;mos a nossa vida. Quando reverenciam o deus do conforto e das amenidades, as pessoas literalmente se matam, com drogas, &aacute;lcool, corridas de autom&oacute;veis, raiva, imprud&ecirc;ncias. As na&ccedil;&otilde;es reverenciam esse deus numa escala muito maior e destrutiva. Enquanto n&atilde;o enxergarmos de forma honesta que &eacute; disso que nossa vida trata, n&atilde;o seremos capazes de descobrir quem somos de fato.<\/p>\n<p>Temos muitas maneiras de lidar com a vida, muitas maneiras de reverenciar o conforto e as amenidades. Todas elas baseiam-se na mesma coisa: o medo de deparar com qualquer tipo de inc&ocirc;modo. Se devemos ter ordem e controle absolutos, estamos tentando evitar toda e qualquer fonte de inc&ocirc;modo. Se conseguimos fazer com que as coisas sejam do jeito que queremos e ficamos zangados quando isso n&atilde;o acontece, ent&atilde;o pensamos que podemos sobreviver e deixar de lado nossa ansiedade a respeito da morte. Se conseguimos agradar a todas as pessoas, ent&atilde;o imaginamos que as coisas desagrad&aacute;veis n&atilde;o entrar&atilde;o em nossa vida. Esperamos que, sendo a estrela do espet&aacute;culo, resplandecente, maravilhosa e eficiente, teremos uma plat&eacute;ia t&atilde;o embevecida que n&atilde;o precisaremos sentir nada. <\/p>\n<p>Se conseguirmos nos afastar do mundo e entreter-nos apenas com nossos pr&oacute;prios sonhos, fantasias e dist&uacute;rbios emocionais, pensaremos que conseguimos nos furtar aos inc&ocirc;modos. Se conseguirmos prever tudo antes, se conseguirmos ser t&atilde;o espertos que nos seja poss&iacute;vel encaixar tudo em algum plano ou ordem, formulando um entendimento intelectual completo, ent&atilde;o talvez n&atilde;o sejamos amea&ccedil;ados. Se conseguirmos nos submeter a alguma autoridade, faz&ecirc;-la ditar-nos como agir, ent&atilde;o poderemos entregar a outrem a responsabilidade por nossa vida e n&atilde;o teremos mais que nos incumbir dela. <\/p>\n<p>N&atilde;o teremos de sentir a ansiedade de tomar uma decis&atilde;o. Se vivermos alucinadamente correndo atr&aacute;s de todas as sensa&ccedil;&otilde;es agrad&aacute;veis, de todas as excita&ccedil;&otilde;es, de todas as formas de divers&atilde;o, ent&atilde;o talvez n&atilde;o tenhamos de sentir dor. Se conseguirmos dizer aos outros o que fazer, mantendo-os bem sob controle, sob nossos p&eacute;s, talvez eles n&atilde;o consigam nos ferir. Se conseguirmos &quot;viajar&quot; num &ecirc;xtase qualquer, se conseguirmos ser um &quot;buda&quot; inconseq&uuml;ente, n&atilde;o teremos de assumir a responsabilidade pelos inc&ocirc;modos do viver. Poderemos apenas relaxar e ser felizes.<\/p>\n<p>Todas essas s&atilde;o vers&otilde;es do deus que realmente reverenciamos. E o deus do nenhum desconforto e do nenhum inc&ocirc;modo. Sem exce&ccedil;&atilde;o, todo ser na Terra tem essa atitude, em maior ou menor grau. Enquanto a alimentamos, perdemos o contato com o que na verdade &eacute;. Nessa falta de contato, nossa vida desce em espiral. E aqueles mesmos inc&ocirc;modos que tanto desej&aacute;vamos evitar conseguem tomar-nos de assalto.<br \/>\nTem sido esse o problema da vida humana desde o in&iacute;cio dos tempos. Todas as filosofias e religi&otilde;es t&ecirc;m sido tentativas vari&aacute;veis de lidar com esse medo b&aacute;sico. Apenas quando essas tentativas nos falham &eacute; que ficamos prontos para iniciar uma pr&aacute;tica s&eacute;ria. E elas de fato falham. Porque os sistemas que adotamos n&atilde;o se baseiam na realidade, n&atilde;o podem dar certo, apesar de todos os nossos maiores esfor&ccedil;os. Mais cedo ou mais tarde, constatamos que est&aacute; faltando algo.<\/p>\n<p>Infelizmente, n&oacute;s muitas vezes apenas aumentamos o nosso erro continuando com as mesmas tentativas ou revestindo nosso velho e d&eacute;bil sistema com um outro novo, tamb&eacute;m d&eacute;bil. &Eacute; sedutor, por exemplo, entregarmo-nos a alguma falsa autoridade ou a um pretenso guru, que ir&aacute; administrar a nossa vida por n&oacute;s, enquanto tentamos encontrar algo ou algu&eacute;m fora de n&oacute;s que se incumba de nosso medo.<br \/>\nOntem uma borboleta entrou voando pela porta de minha casa e ficou esvoa&ccedil;ando pela sala. Algu&eacute;m a apanhou e a soltou l&aacute; fora. Fiquei pensando na vida de uma borboleta. Ela come&ccedil;a como uma lagarta, que se desloca muito devagar e n&atilde;o consegue enxergar muito longe. Depois de um certo tempo, ela faz um casulo e naquele espa&ccedil;o escuro e silencioso permanece muito tempo. Por fim, depois do que deve parecer uma eternidade de trevas, ela emerge como uma borboleta.<br \/>\nA hist&oacute;ria de vida das borboletas &eacute; semelhante &agrave; nossa pr&aacute;tica. Temos alguns preconceitos a respeito de ambas, por&eacute;m. Podemos imaginar, por exemplo, que sendo as borboletas seres lindos, sua vida no casulo, antes de se tornarem borboletas, tamb&eacute;m &eacute; linda. N&atilde;o percebemos tudo o que a lagarta deve suportar para tomar-se uma borboleta. Da mesma forma, quando come&ccedil;amos a praticar, n&atilde;o nos damos conta da longa e penosa transforma&ccedil;&atilde;o a que somos solicitados. Temos de enxergar atrav&eacute;s de nossa busca de coisas externas, dos falsos deuses do prazer e da seguran&ccedil;a. Temos de parar de devorar isso e perseguir aquilo com nossa vis&atilde;o m&iacute;ope e simplesmente relaxar dentro do casulo, nas trevas da dor que &eacute; a nossa vida.<br \/>\nEssa pr&aacute;tica exige anos e anos. Diversamente das borboletas, n&atilde;o emergimos de uma s&oacute; vez. Enquanto giramos dentro do casulo de dor, podemos ter vislumbres fugazes da vida, como uma borboleta esvoa&ccedil;ando ao sol. Nesses momentos, sentimos o absoluto deslumbramento do que &eacute; nossa vida \u2014 algo que nunca conhecemos como lagartinhas atarefadas, preocupadas apenas com n&oacute;s pr&oacute;prias. Come&ccedil;amos a conhecer o mundo da borboleta apenas pelo contato com nossa pr&oacute;pria dor, o que significa n&atilde;o reverenciar mais o deus do conforto e das amenidades. Temos de desistir de nossa servil obedi&ecirc;ncia a qualquer sistema que evite a dor que tenhamos elaborado, constatando que n&atilde;o podemos nos esquivar do inc&ocirc;modo simplesmente correndo mais depressa e tentando mais um pouco. Quanto mais depressa nos afastamos de nossa dor, mais ela se apodera de n&oacute;s. Quando n&atilde;o funciona mais aquilo de que depend&iacute;amos para dar sentido &agrave; nossa vida, o que fazer?<\/p>\n<p>Algumas pessoas jamais desistem dessa falsa busca. Com o tempo podem acabar morrendo de uma <i>overdose, <\/i>literal ou figurativamente. No esfor&ccedil;o de adquirir controle movemo-nos cada vez mais r&aacute;pido, damos tudo o que temos, tentamos com mais empenho, esprememos as pessoas ao m&aacute;ximo, esprememos n&oacute;s mesmos ao m&aacute;ximo. No entanto, a vida nunca poder&aacute; ser de fato submetida a um controle total. Quanto mais fugimos da realidade, mais a dor aumenta. Essa dor &eacute; nossa mestra.<\/p>\n<p>A pr&aacute;tica sentada n&atilde;o trata de encontrar um estado feliz de gra&ccedil;a e nele se esquecer. Esse estado pode inclusive ocorrer na pr&aacute;tica sentada, quando j&aacute; houvermos vivenciado nossa dor v&aacute;rias vezes seguidas, de modo que depois s&oacute; resta o entregar-se. Essa entrega a essa abertura para algo novo e virgem &eacute; a conseq&uuml;&ecirc;ncia de se viver a dor, n&atilde;o o resultado de se encontrar um lugar onde podemos deixar a dor do lado de fora.<\/p>\n<p><i>Sesshin <\/i>sentado e a pr&aacute;tica di&aacute;ria s&atilde;o uma quest&atilde;o de nos embrulharmos naquele casulo de dor. N&atilde;o o faremos sen&atilde;o de bom grado. Primeiro podemos ter apenas uma pequena faixa atando-nos, e ent&atilde;o nos livramos dela. Outra vez a enrolamos &agrave; nossa volta e mais uma vez nos soltamos. Depois de um tempo, sentimo-nos dispostos a sentar com uma parcela de nossa dor durante algum tempo. Ent&atilde;o depois, talvez, dispomo-nos a tolerar duas ou tr&ecirc;s faixas nos apertando. Conforme nossa vis&atilde;o vai ficando mais clara, podemos simplesmente sentar dentro de nosso casulo e descobrir que &eacute; o &uacute;nico espa&ccedil;o sossegado que j&aacute; tivemos na vida. E, quando estivermos dispostos a estar ali \u2014em outras palavras, quando estivermos desejando que a vida seja o que ela &eacute;, englobando tanto a vida como a morte, tanto o prazer como a dor, tanto o bem como o mal, sentindo conforto em ser as duas coisas \u2014, ent&atilde;o o casulo come&ccedil;a a desfazer-se.<\/p>\n<p>Diferentemente da borboleta, alternamos entre o casulo e a borboleta muitas vezes. Esse processo se mant&eacute;m por toda a nossa vida. Toda vez que deparamos com &aacute;reas n&atilde;o resolvidas de nossa vida, temos que construir um outro casulo e repousar nele em sil&ecirc;ncio at&eacute; que tenha se completado o per&iacute;odo de aprendizagem. Toda vez que o casulo se rompe e n&oacute;s damos mais um pequeno passo, estamos um pouco mais livres.<\/p>\n<p>O primeiro e essencial passo para nos tomarmos uma borboleta &eacute; reconhecer que n&atilde;o chegaremos l&aacute; sendo lagartas. Temos que enxergar mais al&eacute;m de nossa busca pelo falso deus do conforto e do prazer. Temos que formular uma n&iacute;tida imagem desse deus. Temos de abrir m&atilde;o de nossa no&ccedil;&atilde;o de que temos direitos, de que a vida nos deve isto ou aquilo. Por exemplo, temos de abandonar a no&ccedil;&atilde;o de que conseguimos for&ccedil;ar os outros a nos amar fazendo coisas para eles. Temos de reconhecer que n&atilde;o temos condi&ccedil;&otilde;es de manipular a vida para nos satisfazer e que encontrar os defeitos em n&oacute;s ou nos outros n&atilde;o &eacute; um caminho eficaz para se ajudar quem quer que seja. Aos poucos vamos abandonando nossa arrog&acirc;ncia b&aacute;sica.<\/p>\n<p>A verdade &eacute; que a vida dentro do casulo &eacute; frustrante e d&oacute;i muito e nunca fica inteiramente para tr&aacute;s. N&atilde;o estou dizendo que da manh&atilde; at&eacute; a noite sentimos algo como &quot;Estou envolvido pela dor&quot;. Estou dizendo que estamos sempre acordando para o que de fato nos sentimos atra&iacute;dos, para aquilo que estamos fazendo com a nossa vida realmente. E o fato &eacute; que isso &eacute; doloroso. N&atilde;o existe possibilidade de liberdade, por&eacute;m, sem essa dor.<\/p>\n<p>Ouvi h&aacute; pouco tempo uma declara&ccedil;&atilde;o de um atleta profissional: &quot;Amor n&atilde;o &eacute; prazer compartilhado. E dor repartida&quot;. Eis uma boa percep&ccedil;&atilde;o. Sem d&uacute;vida podemos gostar muito de passear com nosso marido ou namorado, por exemplo, quando sa&iacute;mos para jantar juntos. N&atilde;o estou questionando o valor do prazer compartilhado. Mas, se queremos uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima e aut&ecirc;ntica, precisamos compartilhar com nosso companheiro aquilo que mais nos assusta falar para outra pessoa. Quando fazemos isso, ent&atilde;o o outro tem a liberdade de fazer a mesma coisa. Em vez disso, queremos ficar mantendo a nossa imagem, principalmente para algu&eacute;m a quem estamos tentando impressionar.<\/p>\n<p>Compartilhar nossa dor n&atilde;o significa ficar informando o outro de que maneira ele nos irrita. Seria uma outra maneira de lhe estar dizendo &quot;Estou com raiva de voc&ecirc;&quot;. Isso n&atilde;o nos ajuda a quebrar nosso falso &iacute;dolo, nem a nos abrir para a vida como uma borboleta. O que de fato nos abre &eacute; falar de nossas vulnerabilidades. &Agrave;s vezes vemos um casal que vem fazendo esse &aacute;rduo trabalho durante toda sua vida. Ao longo desse tempo, envelheceram juntos. Podemos sentir o imenso conforto, a qualidade rec&iacute;proca de bem-estar entre os dois. &Eacute; maravilhoso e muito raro. Sem essa qualidade de abertura e vulnerabilidade, os pares n&atilde;o ficam se conhecendo de verdade s&atilde;o uma imagem vivendo com outra imagem.<\/p>\n<p>Talvez tentemos nos esquivar do casulo da dor mergulhando num estado nebuloso e mal focalizado, como um boiar levemente agrad&aacute;vel que pode durar horas. Quando nos damos conta de que &eacute; isso que est&aacute; acontecendo, qual seria uma boa pergunta para se fazer?<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b>&#9;&quot;O que estou evitando?&quot;<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b>&#9;Eu poderia perguntar: &quot;O que estou vivenciando neste exato momento?&quot;.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b>&#9;Essas s&atilde;o duas boas perguntas para se fazer. O curioso &eacute; que dizemos que queremos conhecer a realidade e ver a nossa vida como ela &eacute;; e, no entanto, quando come&ccedil;amos a praticar, ou freq&uuml;entamos os <i>sesshin, <\/i>encontramos imediatamente maneiras de evitar a realidade, refugiando-nos nesse estado nebuloso, sonhador. Essa &eacute; apenas uma outra forma de reverenciar o falso deus do conforto e do prazer.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b>&#9;N&atilde;o <i>&eacute; <\/i>um certo desequil&iacute;brio buscar o sofrimento e concentrar nele a aten&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> N&atilde;o temos que ir busc&aacute;-lo, ele j&aacute; est&aacute; em nossas vidas. A cada cinco minutos entramos numa esp&eacute;cie de dificuldade. Toda nossa &quot;busca&quot; &eacute; para evit&aacute;-lo. Existem incont&aacute;veis maneiras para se tentar escapar dele, ou para colocar uma concha de prote&ccedil;&atilde;o a nossa volta. Apesar de todos os nossos esfor&ccedil;os, essa concha se rompe. Ent&atilde;o ficamos mais desesperados e nos esfor&ccedil;amos mais. Vamos trabalhar e descobrimos que o chefe teve uma noite dif&iacute;cil, ou que nosso filho acaba de ligar dizendo que est&aacute; com problemas na escola. A concha est&aacute; sendo o tempo todo invadida. N&atilde;o existe maneira de nos assegurarmos de que ela permanecer&aacute; intacta. Nossas vidas se desmoronam porque n&atilde;o conseguimos tolerar nenhuma oposi&ccedil;&atilde;o ao modo como queremos que as coisas saiam.<br \/>\nA dor est&aacute; constantemente em nossas vidas. Sentimos n&atilde;o s&oacute; a nossa pr&oacute;pria dor, mas a das pessoas ao nosso redor. Tentamos erguer um pared&atilde;o mais s&oacute;lido que o anterior, ou evitar as pessoas que est&atilde;o sofrendo; contudo, a dor sempre est&aacute; presente, seja como for.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Vamos supor que estou praticando e que n&atilde;o estou sofrendo. Na verdade, estou me sentindo muito bem. &Eacute; &uacute;til lembrar<br \/>\nde momentos dolorosos pelos quais j&aacute; se passou, ou retornar a situa&ccedil;&otilde;es que ficaram sem resolver e tentar trabalhar com essas coisas?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio. Se estivermos alertas para o que est&aacute; se passando em nossos pensamentos e em nosso corpo neste momento, teremos mais do que o suficiente com que trabalhar.<br \/>\nQuando estamos plenamente despertos, neste momento, a pr&aacute;tica tamb&eacute;m pode ser agrad&aacute;vel. Mas n&atilde;o devemos ir em busca disso e tentar escapar da dor, pois assim estar&iacute;amos trazendo para a pr&aacute;tica o falso deus e nos recusar&iacute;amos a despertar para sua verdadeira natureza.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Com o tempo descobri que o que come&ccedil;a a aparecer durante a pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; tanto prazer ou dor, nem algo entre esses dois, mas apenas interesse. A viv&ecirc;ncia pode ser vista como uma esp&eacute;cie de curiosidade.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b>&#9;Sim, bem lembrado.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Estamos falando da diferen&ccedil;a entre o absoluto e o relativo? Podemos dizer que o absoluto &eacute; prestar aten&ccedil;&atilde;o em tudo e que o relativo &eacute; ir apenas atr&aacute;s de prazer e conforto? Relaxar no casulo da dor seria ent&atilde;o um meio de se chegar ao absoluto?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b>&#9;Eu n&atilde;o diria que &eacute; &quot;um meio de chegar ao absoluto&quot;, pois sempre estamos nele. Por&eacute;m, escolhemos n&atilde;o prestar aten&ccedil;&atilde;o no fato de estarmos nele e deixarmos de lado parte de nossas viv&ecirc;ncias. O absoluto sempre engloba a dor e o prazer. N&atilde;o h&aacute; nada de errado com a dor em si: n&oacute;s apenas n&atilde;o gostamos dela. N&atilde;o existe algo chamado absoluto que seja maior do que o relativo. S&atilde;o os dois lados de uma mesma moeda. O mundo fenom&ecirc;nico das pessoas, das &aacute;rvores e dos tapetes e o mundo absoluto do puro nada incognosc&iacute;vel, da energia, s&atilde;o a mesma coisa. Em vez de ir em busca de um ideal unilateral, precisamos nos curvar diante do absoluto no relativo, assim como do relativo no absoluto. Devemos honrar todas as coisas.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O casulo da dor Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Nada Especial&#8220; Qual &eacute; o deus que constru&iacute;mos? O que de fato honramos, a que damos realmente aten&ccedil;&atilde;o, de momento a momento? Poder&iacute;amos cham&aacute;-lo de o deus do conforto, &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/o-casulo-da-dor\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,40],"tags":[70],"class_list":["post-5167","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-joko","category-zen","tag-pratica-zen"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5167","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5167"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5167\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5169,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5167\/revisions\/5169"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}