{"id":5180,"date":"2018-06-14T18:40:28","date_gmt":"2018-06-14T20:40:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5180"},"modified":"2018-06-14T18:41:47","modified_gmt":"2018-06-14T20:41:47","slug":"tirando-duvidas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/tirando-duvidas\/","title":{"rendered":"Tirando d\u00favidas"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/tirando-duvidas\/tirando-duvidas-2\/\" rel=\"attachment wp-att-5182\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Tirando-d\u00favidas.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"228\" class=\"alignleft size-full wp-image-5182\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Tirando-d\u00favidas.jpg 222w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Tirando-d\u00favidas-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/><\/a><br \/>\n<b>Tirando d&uacute;vidas<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><i><b>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>,<br \/>\nextra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"default.asp?menu=53\" class=\"broken_link\">Sempre Zen<\/a>&#8220;<\/b><\/i><\/div>\n<hr \/>\n<p>ALUNO: Algumas vezes, quando leio sobre o zen, tenho a impress&atilde;o de que somos apenas espectadores.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> N&atilde;o, n&atilde;o. Espectadores de jeito nenhum. Zen &eacute; a&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> &Eacute; parece que tem que ver com o ponto-limite. Quando se est&aacute; no ponto-limite, a a&ccedil;&atilde;o que voc&ecirc; executa n&atilde;o parece t&atilde;o adequada quanto o necess&aacute;rio&#8230;<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Voltemos &agrave; imagem do bote a remo. Por exemplo, a maioria de n&oacute;s, quando est&aacute; lidando com crian&ccedil;as pequenas, consegue ver que tudo o que elas fazem \u2014 mesmo que se aproximem e d&ecirc;em um chute em nossa canela \u2014 &eacute; um bote a remo vazio, certo? Voc&ecirc; apenas fica ali de frente para o acontecido. Penso que Buda disse: &quot;O mundo todo s&atilde;o meus filhos&quot;. A quest&atilde;o est&aacute; em continuar deslocando o ponto-limite para adiante; devemos praticar quando n&atilde;o pudermos deixar &quot;o mundo todo ser meus filhos&quot;. Creio que &eacute; o que voc&ecirc; est&aacute; dizendo.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Quero levar essa analogia um pouco mais adiante. Vamos dizer que a crian&ccedil;a n&atilde;o vai chutar sua canela, mas vai p&ocirc;r fogo na casa.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Ent&atilde;o, detenha-a! Pegue os f&oacute;sforos! Ainda assim, ela estar&aacute; fazendo aquilo por seus motivos. Tente encontrar um meio de ajud&aacute;-la a aprender algo com o incidente.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Quando voc&ecirc; apenas a det&eacute;m, est&aacute; agindo diferentemente do que quando achou que a coisa seria um ataque pessoal?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Bem, a verdade &eacute; que, com nossos filhos, muitas vezes acreditamos mesmo que a coisa &eacute; um ataque pessoal, certo? Contudo, se pudemos refletir por dez segundos que seja, costuma ficar claro que s&oacute; precisamos enfrentar aquele comportamento por meio de provid&ecirc;ncias adequadas &agrave; crian&ccedil;a. Podemos agir dessa maneira, a menos que nos sintamos amea&ccedil;ados em nosso ego por causa do modo como a crian&ccedil;a &eacute;. Isso N&Atilde;O &eacute; um bote a remo vazio. Todos os pais t&ecirc;m essa mesma rea&ccedil;&atilde;o de vez em quando. Queremos que nossos filhos sejam perfeitos. Eles precisam ser modelados porque de outra forma as pessoas ir&atilde;o nos criticar. No entanto, nossos filhos s&atilde;o apenas nossos filhos. N&atilde;o somos perfeitos e eles tamb&eacute;m n&atilde;o.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Voc&ecirc; mencionou: &quot;N&atilde;o fique com raiva&quot;. Quero lhe fazer uma pergunta relacionada com a afirmativa. Voc&ecirc; disse que, quando a raiva emerge, &eacute; preciso deix&aacute;-la acontecer. Ficar ali e deixar estar. Por&eacute;m, se voc&ecirc; tem uma resposta habitual de raiva contra alguma coisa durante muito tempo, como deixar estar essa coisa?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Vivenciando a raiva de modo n&atilde;o-verbal, f&iacute;sico. Voc&ecirc; n&atilde;o pode for&ccedil;&aacute;-la a ir embora, mas n&atilde;o tem de necessariamente investi-la contra outras pessoas.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Desejo ampliar mais um pouco a analogia do bote a remo: se v&iacute;ssemos que o outro bote est&aacute; vindo em nossa dire&ccedil;&atilde;o com algu&eacute;m dentro, provavelmente come&ccedil;ar&iacute;amos a berrar e a gritar: &quot;P&aacute;ra isso a&iacute; e fica afastado!&quot;. Ao passo que se fosse s&oacute; um bote vazio, talvez apenas peg&aacute;ssemos o remo e lev&aacute;ssemos nosso bote para outro lado, evitando a colis&atilde;o.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Certo, tomar&iacute;amos a a&ccedil;&atilde;o adequada.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> N&atilde;o sei se &eacute; assim mesmo, porque muitas vezes a gente grita de qualquer jeito, mesmo que o bote esteja vazio; a gente xinga o universo, ou outra coisa qualquer!<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Sim, &eacute; meio parecido com o secador de lou&ccedil;a. Voc&ecirc; pode gritar, mas existe uma diferen&ccedil;a entre uma resposta moment&acirc;nea e pensar no caso pelas pr&oacute;ximas horas.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Mas, mesmo que n&atilde;o haja ningu&eacute;m no outro bote, damos um jeito de pensar que o universo est&aacute; fazendo aquilo contra n&oacute;s. Mesmo sendo um bote a remo vazio, n&oacute;s colocamos uma pessoa l&aacute; dentro.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> &Eacute; mesmo. Bem, sempre &eacute; um bote vazio. Mais uma vez, a quest&atilde;o &eacute;: quanto mais praticamos, &eacute; menos prov&aacute;vel que a raiva venha &agrave; tona. N&atilde;o porque diremos &quot;N&atilde;o vou sentir raiva&quot;, mas porque a rea&ccedil;&atilde;o simplesmente n&atilde;o acontece. Sentimos de um jeito diferente e pode ser que n&atilde;o consigamos entender porqu&ecirc;.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Se voc&ecirc; sente de verdade a raiva emergindo, ser&aacute; este um sinal seguro de que voc&ecirc; est&aacute; num ponto-limite?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Sim, e por isso eu disse que o t&iacute;tulo desta palestra &eacute; N&atilde;o fique com raiva. Repetindo, a quest&atilde;o &eacute; entender o que significa pr&aacute;tica com raiva; n&atilde;o estou me referindo a uma simples proibi&ccedil;&atilde;o, que, ali&aacute;s, seria de todo in&uacute;til.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Bem, &eacute; claro que preciso praticar mais ainda. O que acontece comigo quando ocorre algum tipo de trag&eacute;dia &eacute; o seguinte: &quot;N&atilde;o mere&ccedil;o isso; &#8220;Meu amigo n&atilde;o merece aquilo&quot;; &quot;Mas como foi acontecer uma coisa dessas?&quot;. Dou tanta import&acirc;ncia &agrave; injusti&ccedil;a do fato que come&ccedil;o a me revoltar contra essa &quot;sacanagem&quot;.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Certo. Isso &eacute; muito dif&iacute;cil. Muito, muito dif&iacute;cil. Ainda assim, &eacute; uma oportunidade para praticar.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Fico confuso quando ou&ccedil;o um relato de uma ilumina&ccedil;&atilde;o repentina. Se &eacute; um processo, como pode existir um estado de ilumina&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Eu n&atilde;o disse que havia, para in&iacute;cio de conversa! Entretanto, uma experi&ecirc;ncia de ilumina&ccedil;&atilde;o \u2014 enxergar de repente a realidade tal como &eacute; \u2014 significa apenas que, durante um instante, as considera&ccedil;&otilde;es pessoais a respeito da vida desapareceram. E, por um segundo, a pessoa enxerga o universal: o problema com a maioria das experi&ecirc;ncias de ilumina&ccedil;&atilde;o &eacute; que as pessoas se agarram a elas, apoderam-se do que lhes parece um tesouro, e isso, ent&atilde;o, come&ccedil;a a funcionar como um obst&aacute;culo. A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; a experi&ecirc;ncia, &eacute; ir em frente com a vida. Qualquer valor que a experi&ecirc;ncia possa ter, existe dentro de n&oacute;s, n&atilde;o precisamos mais nos preocupar com isso. Para a maioria de n&oacute;s, o bote a remo est&aacute; repleto de outras pessoas o tempo todo; &eacute; muito raro que esteja vazio. Assim.., nosso ponto-limite est&aacute; aqui, e apenas trabalhamos onde estamos. Lembremo-nos dos dois versos do Quinto Patriarca: um se refere a lustrar interminavelmente o espelho, e outro a ver, desde o come&ccedil;o, que n&atilde;o h&aacute; nenhum espelho a ser lustrado. A maioria das pessoas assume que, sendo a segunda resposta a correta compreens&atilde;o, a primeira &eacute; in&uacute;til. Mas, pelo contr&aacute;rio, nossa pr&aacute;tica &eacute; paradoxalmente a primeira resposta. &Eacute; limpar e lustrar o espelho. O ponto-limite &eacute; onde limpamos o espelho. Absolutamente necess&aacute;rio. Porque s&oacute; fazendo isso &eacute; que, depois de algum tempo, enxergamos que a perfei&ccedil;&atilde;o de tudo est&aacute; em ser o que somos. N&atilde;o conseguimos ver isso enquanto n&atilde;o efetuamos uma pr&aacute;tica de fato rigorosa e severa.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Ent&atilde;o &eacute; bom vivenciar a raiva.<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Voc&ecirc; aprende com ela. Eu n&atilde;o falei que &eacute; para lan&ccedil;&aacute;-la aos outros. Isso &eacute; muito diferente. Podemos at&eacute; faz&ecirc;-lo de vez em quando. N&atilde;o estou afirmando que n&atilde;o o faremos. Apesar disso, n&atilde;o &eacute; produtivo faz&ecirc;-lo. O vivenciar da raiva &eacute; uma experi&ecirc;ncia muito silenciosa. N&atilde;o faz absolutamente barulho algum.<\/p>\n<p><b>ALUNO:<\/b> Creio que uma parte do problema est&aacute; em voc&ecirc; dizer: &quot;N&atilde;o fique com raiva&quot;, e depois afirmar: &quot;Fique com raiva<\/p>\n<p><b>JOKO:<\/b> Precisamos tomar cuidado com isso&#8230; Estou dizendo que se a raiva &eacute; o que voc&ecirc; &eacute;, ent&atilde;o a vivencie. Afinal de contas, &eacute; a sua realidade do momento. Se ficamos fingindo que ela n&atilde;o est&aacute; ali e a encobrimos com uma ordem do tipo &quot;N&atilde;o fique com raiva&quot;, ora &eacute; imediata a perda da oportunidade de conhecermos de verdade nossa raiva tal e qual ela &eacute;. O outro lado da raiva, se vivenciarmos seu vazio e passarmos por ela, &eacute; sempre a compaix&atilde;o. Se realmente, realmente, a atravessamos por inteiro, bem, basta.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tirando d&uacute;vidas Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Sempre Zen&#8220; ALUNO: Algumas vezes, quando leio sobre o zen, tenho a impress&atilde;o de que somos apenas espectadores. JOKO: N&atilde;o, n&atilde;o. Espectadores de jeito nenhum. Zen &eacute; a&ccedil;&atilde;o. ALUNO: &Eacute; parece &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/tirando-duvidas\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5182,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,40],"tags":[70],"class_list":["post-5180","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-joko","category-zen","tag-pratica-zen"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5180"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5180\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5184,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5180\/revisions\/5184"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5182"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}