{"id":5196,"date":"2018-06-14T19:11:43","date_gmt":"2018-06-14T21:11:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=5196"},"modified":"2020-06-11T10:00:21","modified_gmt":"2020-06-11T12:00:21","slug":"os-seis-estagios-da-pratica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/os-seis-estagios-da-pratica\/","title":{"rendered":"Os seis est\u00e1gios da pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/>\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Os-seis-est\u00e1gios-da-pr\u00e1tica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Os-seis-est\u00e1gios-da-pr\u00e1tica.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" class=\"alignleft size-full wp-image-5948\" \/><\/a><br \/>\n<b>Os seis est\u00e1gios da pr\u00e1tica<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align:right\"><em><strong>Texto de <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/charlotte-joko-beck\/\">Charlotte Joko Beck<\/a>, extra\u00eddo do livro&#8221;<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/nada-especial\/\">Nada Especial<\/a>&#8220;<em><strong><\/strong><\/em><\/strong><\/em><\/div>\n<hr \/>\n<p>O caminho da pr\u00e1tica \u00e9 claro e simples. No entanto, quando n\u00e3o o entendemos, ele pode parecer confuso e sem sentido. \u00c9 um pouco como aprender a tocar piano. Logo no in\u00edcio de meu aprendizado, um professor disse-me que, para me tornar uma pianista melhor, eu deveria praticar a seq\u00fc\u00eancia C (d\u00f3), E (mi), O (sol), v\u00e1rias vezes seguidas, at\u00e9 cinco mil. Ele n\u00e3o me deu nenhum motivo; s\u00f3 me disse que o fizesse.<br \/>\nJ\u00e1 que eu era uma boa menina quando pequena, provavelmente fiz isso mesmo sem entender por que era necess\u00e1rio. Mas nem todos somos bons meninos e meninas. Por isso quero apresentar-lhes o &#8221;porqu\u00ea&#8221; da pr\u00e1tica elucidando os passes do caminho que precisamos percorrer &#8211; por que \u00e9 necess\u00e1rio todo esse tedioso e repetitivo trabalho. Todas as minhas aulas falam dos aspectos desse caminho; esta \u00e9 uma revis\u00e3o, com a finalidade de p\u00f4r as coisas em ordem, segundo uma certa perspectiva.<\/p>\n<p>A maioria daqueles que n\u00e3o se entregaram a nenhuma esp\u00e9cie de pr\u00e1tica (existem muitas pessoas praticando a seu pr\u00f3prio modo, sejam ou n\u00e3o disc\u00edpulas do zen) est\u00e1 naquilo que denomino o pr\u00e9-caminho. Isso com certeza se aplicou a mim antes que eu come\u00e7asse a praticar. Estar no pr\u00e9-caminho significa estar inteiramente cativo de nossas rea\u00e7\u00f5es emocionais diante da vida, adotando a vis\u00e3o de que a vida est\u00e1 acontecendo para n\u00f3s. Sentimo-nos fora de controle, atolados no que parece uma confus\u00e3o estonteante. Isso pode ser verdade para quem tamb\u00e9m est\u00e1 praticando.<\/p>\n<p>A maioria dos adeptos volta para esse estado de dolorosa confus\u00e3o \u00e0s vezes. A seq\u00fc\u00eancia do homem montado num touro  ilustra esse aspecto; podemos estar trabalhando perto dos est\u00e1gios finais e de repente, perante uma situa\u00e7\u00e3o de estresse, regredir de repente a est\u00e1gios anteriores. \u00c0s vezes, saltamos de volta para o per\u00edodo do pr\u00e9-caminho, onde nos vemos totalmente tomados por nossas rea\u00e7\u00f5es. Essa revers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem boa, nem ruim, apenas algo que fazemos.<\/p>\n<p>Estar totalmente \u00e0 merc\u00ea do pr\u00e9-caminho, no entanto, \u00e9 n\u00e3o ter a menor id\u00e9ia de que existe um outro caminho para se ver a vida. Adentramos o caminho da pr\u00e1tica, por\u00e9m, quando come\u00e7amos a reconhecer nossas rea\u00e7\u00f5es emocionais; por exemplo, que estamos sentindo raiva e come\u00e7ando a criar caos. Come\u00e7amos a descobrir quanto medo sentimos ou com que regularidade temos pensamentos mesquinhos ou invejosos.<\/p>\n<p>O primeiro est\u00e1gio da pr\u00e1tica \u00e9 esse processo de tomar-me consciente de meus sentimentos e de minhas rea\u00e7\u00f5es internas. Rotular os pensamentos ajuda nesse sentido. \u00c9 importante ser firme nessa fase, por\u00e9m, caso contr\u00e1rio perderemos uma boa parte do que se passa em nossos pensamentos e sentimentos. Precisamos observar tudo o que se passa. Nos primeiros seis a doze meses de pr\u00e1tica podemos sofrer muito porque come\u00e7amos a nos enxergar com mais nitidez e a reconhecer o que realmente estamos fazendo. Rotulamos os pensamentos, por exemplo: &#8220;Eu queria que ele sumisse do mapa!&#8221;, ou &#8220;N\u00e3o consigo mais ag\u00fcentar o jeito como ela arruma os travesseiros!&#8221;. Num retiro intensivo, esses pensamentos t\u00eam a tend\u00eancia de se multiplicar conforme vamos ficando cansados e irritadi\u00e7os. Nos primeiros seis a doze meses, abrirmo-nos para nossa vida interior pode ser um grande choque. Embora esse seja o primeiro est\u00e1gio da pr\u00e1tica, res\u00edduos dele permanecem nos dez ou quinze anos seguintes, conforme continuamos a nos conhecer cada vez mais.<\/p>\n<p>No segundo est\u00e1gio, que come\u00e7a de maneira t\u00edpica no segundo ano e se estende at\u00e9 o quinto, come\u00e7amos a romper os elos dos estados emocionais, decompondo-os em seus componentes f\u00edsicos e mentais. Conforme prosseguimos rotulando pensamentos, e quando come\u00e7amos a saber o que significa vivenciar a n\u00f3s, nosso corpo e aquilo que chamamos de o mundo externo, os estados emocionais lentamente come\u00e7am a se desfazer. Nunca desaparecem por completo, por\u00e9m. A qualquer momento, podemos voltar com tudo para o est\u00e1gio anterior &#8211; e isso nos acontece com grande freq\u00fc\u00eancia. Mesmo assim, estamos come\u00e7ando um novo est\u00e1gio. A demarca\u00e7\u00e3o entre est\u00e1gios nunca \u00e9 precisa, claro. Cada um flui no seguinte. \u00c9 mais uma quest\u00e3o de \u00eanfase.<\/p>\n<p>O est\u00e1gio um \u00e9 o come\u00e7o da conscientiza\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 se passando e do mal que isso causa. No est\u00e1gio dois, somos motivados a desfazer os elos das rea\u00e7\u00f5es emocionais. No estagio tr\u00eas, come\u00e7amos a encontrar alguns momentos de puro vivenciar sem os pensamentos autocentrados: apenas o puro vivenciar em si. Em alguns centros zen, esses estados s\u00e3o \u00e0s vezes chamados de experi\u00eancias de ilumina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo est\u00e1gio quatro, de maneira lenta e firme nos encaminhamos para um estado n\u00e3o-dual de vida em que a base do existir \u00e9 vivencial, em vez de ser dominado por falsos pensamentos. \u00c9 importante lembrar que s\u00e3o anos e anos de pr\u00e1tica implicados em todos esses est\u00e1gios.<\/p>\n<p>No est\u00e1gio cinco, 80 a 90% da vida \u00e9 vivida de maneira vivencial. Agora viver \u00e9 algo muito diferente do que costumava ser. Podemos dizer que essa \u00e9 uma vida do n\u00e3o-ego, porque o pequeno eu, aquele preenchimento emocional atrav\u00e9s do qual v\u00edamos a vida e que nos fazia despencar, praticamente se foi. Nessa fase, \u00e9 imposs\u00edvel o disc\u00edpulo viver como no pr\u00e9-caminho, ficando prisioneiro de tudo e nas malhas de suas rea\u00e7\u00f5es emocionais. Mesmo que a pessoa quisesse reverter do est\u00e1gio cinco para o pr\u00e9-caminho, ela n\u00e3o o conseguida. No est\u00e1gio cinco, est\u00e3o muito mais fortes a compaix\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o da vida das outras pessoas. Nesse est\u00e1gio, \u00e9 poss\u00edvel ser professor e ajudar os outros que se encontram em outros momentos do caminho. Os que chegaram no est\u00e1gio cinco provavelmente j\u00e1 s\u00e3o professores de um jeito ou de outro. Frases como &#8220;Eu n\u00e3o sou nada&#8221; (e &#8220;Portanto sou tudo&#8221;) n\u00e3o s\u00e3o mais destitu\u00eddas de sentido, como frases liter\u00e1rias de efeito, mas coisas que a pessoa sabe intuitivamente. Esse conhecimento n\u00e3o \u00e9 nada especial ou ex\u00f3tico.<\/p>\n<p>Do ponto de vista te\u00f3rico, existe um sexto est\u00e1gio, o estado de buda, em que a vida transcorre toda em estado vivencial puro. N\u00e3o o conhe\u00e7o e duvido que algu\u00e9m o atinja por completo.<\/p>\n<p>De longe o mais dif\u00edcil de tudo \u00e9 saltar do est\u00e1gio um para o dois. Primeiro, devemos tomar consci\u00eancia de nossas rea\u00e7\u00f5es emocionais e de nossa tens\u00e3o corporal, de como nos desincumbimos de tudo em nossas vidas, mesmo que ocultemos as nossas rea\u00e7\u00f5es. Temos que nos encaminhar para a mais n\u00edtida conscientiza\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, rotulando os nossos pensamentos e come\u00e7ando a sentir a tens\u00e3o no corpo. Resistimos a realizar esse trabalho porque ele come\u00e7a a dilacerar quem n\u00f3s pens\u00e1vamos ser. Nesse est\u00e1gio, \u00e9 \u00fatil tomar consci\u00eancia de nosso temperamento b\u00e1sico, de nossa estrat\u00e9gia para enfrentar a press\u00e3o de nossas vidas. A psicoterapia tamb\u00e9m pode ser proveitosa nesse est\u00e1gio se for inteligente. A boa terapia ajuda-nos a aumentar nosso campo de consci\u00eancia. Infelizmente, terapeutas bons de verdade s\u00e3o at\u00e9 certo ponto raros e a maior parte das terapias n\u00e3o \u00e9 inteligente e inclusive incentiva a jogar culpa em outros.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio de lutas que \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o do est\u00e1gio um para o dois, come\u00e7amos a nos dar conta de que temos escolha. Qual \u00e9 essa escolha? Uma \u00e9 a recusa de praticar: &#8220;N\u00e3o vou mais rotular esses pensamentos; \u00e9 um t\u00e9dio. Vou s\u00f3 me sentar e ficar sonhando com alguma coisa agrad\u00e1vel&#8221;. A escolha \u00e9 permanecer atolado e continuar sofrendo (o que, infelizmente, significa que faremos os outros sofrer tamb\u00e9m) ou encontrar a coragem para mudar. Onde encontrar essa coragem? Ela aumenta conforme nossa pr\u00e1tica continua e come\u00e7amos a tomar consci\u00eancia de nosso pr\u00f3prio sofrimento e (se formos de fato persistentes) do sofrimento que causamos \u00e0s outras pessoas. Come\u00e7amos a perceber que, se recusarmos a batalhar aqui, causaremos danos \u00e0 vida. Temos de fazer uma escolha entre viver uma vida dram\u00e1tica e autocentrada e outra baseada na pr\u00e1tica. Adiantar-se de maneira firme do est\u00e1gio um para o dois implica que nosso drama tem, lentamente, de chegar ao fim. Do ponto de vista do pequeno eu, esse \u00e9 um sacrif\u00edcio tremendo.<br \/>\nQuando estamos nos debatendo entre o est\u00e1gio um e o dois, fazemos julgamentos morais: &#8221;Ele realmente me deixa irado!&#8221;; &#8220;Sinto-me rejeitada!&#8221;; &#8220;Sinto-me magoado&#8221;; &#8220;Estou aborrecida e ressentida&#8221;; &#8220;Sinto vontade de me vingar&#8221;. Essas senten\u00e7as brotam de nossas emo\u00e7\u00f5es. Todas s\u00e3o muito saborosas e at\u00e9 sedutoras: elaboramos um drama de primeira em cima de nossa posi\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas da vida, do que aconteceu conosco, de como tudo \u00e9 dific\u00edlimo. Apesar de nosso sofrimento todo, na verdade adoramos ser o centro de tudo isso: &#8221;Sinto-me deprimida&#8221;; &#8220;Sinto-me entediada&#8221;; &#8220;Sinto-me aborrecido&#8221;; &#8220;Sinto-me irritado&#8221;; &#8221;Sinto-me excitada&#8221;. Esse \u00e9 o nosso drama pessoal. Todos temos vers\u00f5es de um drama pessoal, e s\u00e3o necess\u00e1rios anos de pr\u00e1tica antes de nos sentirmos dispostos a considerar seriamente abandon\u00e1-lo. As pessoas deslocam-se em velocidades diferentes devido a diferen\u00e7as de hist\u00f3rico pessoal, de for\u00e7a, de determina\u00e7\u00e3o. Ainda assim, se formos persistentes, come\u00e7aremos a mudar do est\u00e1gio um para o dois.<\/p>\n<p>Quanto mais clara for a inser\u00e7\u00e3o no est\u00e1gio dois, come\u00e7am a suceder cada vez mais per\u00edodos em que nos encontramos dizendo: &#8220;Oh, tudo bem. N\u00e3o sei por que pensei que isso fosse um grande problema&#8221;. Descobrimos que vemos tudo com uma compaix\u00e3o crescente. Esse processo nunca chega a ficar completo ou a finalizar. Em qualquer momento podemos mergulhar de volta no est\u00e1gio um. Mesmo assim, no geral, nossa capacidade de aprecia\u00e7\u00e3o aumenta e descobrimos que podemos valorizar pessoas que antes n\u00e3o consegu\u00edamos nem sequer suportar. Numa boa pr\u00e1tica, existe um movimento quase que inexor\u00e1vel, mas devemos estar dispostos a passar tanto tempo quanto seja preciso em cada passo. O processo n\u00e3o pode ser apressado.<\/p>\n<p>Enquanto insistirmos nos julgamentos emocionais que mencionei (e pode haver infinitas varia\u00e7\u00f5es dos mesmos), podemos estar seguros de que n\u00e3o estamos instalados com firmeza no est\u00e1gio dois. Se ainda acreditamos que uma outra pessoa nos faz sentir raiva, por exemplo, precisamos reconhecer exatamente qual \u00e9 o nosso trabalho. Nosso ego \u00e9 muito poderoso e insistente.<\/p>\n<p>Quando nos deslocamos para o est\u00e1gio tr\u00eas, estamos aos poucos deixando para tr\u00e1s o est\u00e1gio dualista dos julgamentos -ter pensamentos, emo\u00e7\u00f5es, opini\u00f5es a respeito de n\u00f3s e dos outros, de tudo e do mundo &#8211; e nos encaminhamos para uma vida menos dualista e mais satisfat\u00f3ria. Os casais discutem menos entre si, come\u00e7amos a deixar mais em paz os filhos; os problemas que estamos enfrentando se atenuam quanto mais r\u00e1pido percebemos o que \u00e9 apropriado para ser feito. Alguma coisa est\u00e1 de fato mudando. Quanto tempo isso tudo leva? Cinco anos? Dez anos? Depende da pessoa.<\/p>\n<p>O continuum da pr\u00e1tica poderia ser dividido de diferentes maneiras. Poder\u00edamos simplificar a an\u00e1lise com uma analogia:<\/p>\n<p>primeiro, existe o solo, que \u00e9 aquilo que somos neste momento do tempo. O solo pode ser de argila ou areia, rico em h\u00famus e adubo. Pode atrair quase nenhuma minhoca, ou muitas minhocas, dependendo de sua fertilidade. O solo n\u00e3o \u00e9 nem bom, nem mau; \u00e9 aquilo com que deparamos como ponto de partida para trabalhar. N\u00e3o temos praticamente nenhum controle sobre o que os nossos pais nos deram em termos de hereditariedade e condicionamento. N\u00e3o podemos ser nada al\u00e9m do que somos neste preciso momento. Temos coisas por aprender, sem d\u00favida; mas a qualquer ponto do processo somos quem somos. Pensar que dever\u00edamos ser qualquer outra coisa \u00e9 rid\u00edculo. Simplesmente praticamos com aquilo que somos. Esse \u00e9 o solo.<\/p>\n<p>Ao nos entregarmos ao trabalho de cultivo do solo estamos cobrindo aqueles que denominei est\u00e1gios dois a quatro. Trabalhamos com o que \u00e9 o ch\u00e3o &#8211; as sementes, o adubo, as minhocas -&#8216; arrancando as ervas daninhas, podando, usando m\u00e9todos naturais para produzir uma boa safra.<\/p>\n<p>Do solo que foi cultivado vem uma colheita que come\u00e7a a mostrar-se bem evidente no est\u00e1gio quatro e aumenta da\u00ed em diante. A colheita \u00e9 a paz e o contentamento. As pessoas queixam-se para mim dizendo: &#8220;Ainda n\u00e3o sinto contentamento em minha pr\u00e1tica&#8221;, como se ela lhes fosse proporcionar essa viv\u00eancia. Quem nos d\u00e1 esse contentamento? N\u00f3s nos oferecemos essa viv\u00eancia por meio de uma pr\u00e1tica incans\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 algo que possamos esperar ou exigir. Aparece quando aparece. Uma vida de contentamento n\u00e3o significa que estejamos sempre felizes e nada mais. Significa apenas que a vida \u00e9 rica e interessante. Podemos at\u00e9 detestar certos aspectos do viver, mas cada vez mais \u00e9 algo satisfat\u00f3rio de se viver, num plano geral. N\u00e3o nos engalfinhamos mais com a vida.<\/p>\n<p>Resumindo: o primeiro est\u00e1gio consiste em nos conscientizarmos do que somos emocionalmente, incluindo nosso desejo de controlar. O segundo est\u00e1gio \u00e9 decompor as rea\u00e7\u00f5es em seus componentes f\u00edsicos e mentais. Quando esse processo come\u00e7a a tornar-se um pouco mais adiantado, come\u00e7amos &#8211; no terceiro est\u00e1gio &#8211; a passar alguns momentos em puro vivenciar. Agora o primeiro est\u00e1gio parece bastante remoto. No quarto est\u00e1gio, movimentamo-nos com mais liberdade no sentido de viver vivencialmente, afastando-nos dos esfor\u00e7os para tanto. No quinto est\u00e1gio, a vida vivencial est\u00e1 agora instalada com firmeza. De 80 a 90% do tempo, a pessoa est\u00e1 vivenciando seu viver. O tempo do pr\u00e9-caminho &#8211; cativo das emo\u00e7\u00f5es pessoais e transferindo-as para os outros, pensando que a culpa de nossas dificuldades \u00e9 algu\u00e9m que n\u00e3o n\u00f3s &#8211; agora \u00e9 imposs\u00edvel de ser retomado. A partir do est\u00e1gio dois em diante, a compaix\u00e3o e a aprecia\u00e7\u00e3o dos outros come\u00e7am a crescer.<\/p>\n<p>ALUNO: A sua descri\u00e7\u00e3o dos est\u00e1gios da pr\u00e1tica \u00e9 muito \u00fatil. \u00c9 como um mapa: n\u00e3o nos diz como chegar ao fim, mas nos permite saber onde nos encontramos ao longo do percurso.<\/p>\n<p>JOKO:\tComo algu\u00e9m &#8220;chega ao fim&#8221; depende de cada pessoa. Todos somos diferentes e os padr\u00f5es de ego variam de pessoa a pessoa. Ainda assim, \u00e9 \u00fatil ter uma imagem do padr\u00e3o geral.<br \/>\nO que descrevi \u00e9 bastante parecido com as dez figuras cl\u00e1ssicas da seq\u00fc\u00eancia do touro e do homem, mas veio apresentado em termos mais psicol\u00f3gicos porque essa forma de abordagem \u00e9 mais conhecida hoje em dia. No fundo, por\u00e9m, pr\u00e1tica \u00e9 pr\u00e1tica; precisamos entrar com tudo o que somos. Temos simplesmente de faz\u00ea-la. C, E, O. C, E, O. C, E, O.<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<p><\/font><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os seis est\u00e1gios da pr\u00e1tica Texto de Charlotte Joko Beck, extra\u00eddo do livro&#8221;Nada Especial&#8220; O caminho da pr\u00e1tica \u00e9 claro e simples. 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